Arte nazista em festa
da Adidas no Rio de Janeiro

Obras de arte do nazismo e um desenho na piscina que lembrava um conjunto de suásticas causaram constrangimento na “Adidas House Party”, festa da empresa alemã de material esportivo Adidas, na Gávea (Rio de Janeiro). Entre os 400 convidados, estavam o poeta Michel Melamed, o escritor João Paulo Cuenca e a atriz Talma de Freitas - que deixaram a festa. A casa, onde foi filmado “Meu nome não é Johnny”, pertence ao presidente da Associação de Moradores do Alto Gávea (Amab), Luiz Fernando Penna. Ele negou que o desenho na piscina se tratasse de uma sequência de suásticas e confirmou ter quadros do nazismo, assim como de outros regimes totalitários por ser colecionador, sem simpatizar com "nenhum deles". Segundo Michel Melamed, "muita gente percebeu o símbolo na piscina", mas ainda ficou em dúvida. "Mas a Talma tinha deixado a bolsa dela em um dos quartos, onde encontramos um pintura de um oficial nazista. Depois, achamos um poster da Marinha nazista no bar. Isso é proibido no Brasil. É um caso para ser investigado, porque a suástica é uma coisa ofensiva", afirmou.
A lei federal nº 7.716/89 prevê de 2 a 5 anos de prisão para quem fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propagandas que utilizem a cruz suástica, ou gamada, para divulgação do nazismo. O presidente da Amab garantiu que não se encaixa em nenhuma dessas definições. Segundo ele, o desenho na piscina é uma sequência grega, que percorre toda a borda, "uma coisa só; que tem até no parthenon". Quanto aos quadros nazistas, Luiz Fernando Penna explicou que coleciona obras de referência de diversos períodos históricos, "por sua raridade". E acrescentou: “tenho um quadro do almirante Lutjens e uma águia da marinha nazista, assim como um poster de bronze da União Soviética, que matou ainda mais gente. Faço tanta apologia quanto um museu e, inclusive, volta e meia recebo judeus na minha casa”. Para o escritor João Paulo Cuenca, que deixou a festa por "não conseguir dançar ao lado de memorabilia nazista", deixar os quadros expostos na festa acaba sendo "uma forma de divulgá-los". Além disso, um dos bares da casa tinha uma placa com a inscrição "Hamburg Kriegsmarine", nome da Marinha alemã durante o regime nazista. A Adidas respondeu, por sua assessoria, que não sabia de adereços com motivos nazistas na casa e, se soubesse, mandaria retirá-los ou mudaria o local da festa.

Leia abaixo o blog do escritor João Paulo Cuenca.
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:

Festa da Adidas em mansão nazista?

"Acabo de voltar da edição carioca da "Adidas House Party", festa / ação promocional que a multinacional alemã promoveu nessa sexta, dia 22 de maio, na Rua Caio Mário, Gávea, para convidados. A festa em si não é o motivo da minha presença na frente do pc quase às cinco da manhã. O problema é que a Adidas talvez tenha escolhido (inadvertidamente, quero acreditar) um endereço com adereços e memorabilia nazista para sua festa. Os azulejos da piscina levam o que parecem ser suásticas nazi (estão orientadas no sentido dos ponteiros do relógio, ainda que não estejam inclinadas). Poderia ser apenas um detalhe que geraria comentários ambíguos se, num dos bares onde foram servidas bebidas, não pudesse se ver uma águia com a inscrição "Hamburg Kriegsmarine" por trás das pilhas de copos da Adidas (rápida pesquisa no google: Kriegsmarine é o nome da Marinha da Alemanha durante o regime nazista, entre 39 e 45). E pior: no pequeno quarto que serviu de camarim para as bandas que tocaram no evento há ainda um quadro à óleo com um militar nazista de alta patente, imagino que da marinha. A suástica no quepe e na bandeira por trás deixam isso claro.
As fotos, tiradas por mim e pelo Michel Melamed, não me deixam mentir (outra pesquisa - e me perdoem pela imprecisão, se houver, são 4:38 da madrugada - me diz que a lei número nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989 afirma que "fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo" é crime cuja pena é reclusão de dois a cinco anos e multa). Com a palavra a Adidas e os proprietários do imóvel".

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