As
opiniões divulgadas abaixo são de exclusiva
responsabilidade do leitor citado, não tendo,
necessariamente, nenhuma vinculação com
a linha editorial e/ou de pensamento do ALEF.
Devido às limitações de espaço,
será feita uma seleção das mensagens
e, quando os
textos não foram suficientemente concisos, poderão,
a critério do jornal, serem reduzidos.
Carlos
Alberto Felix dos Santos – “Vez
por outra - e, nesses últimos tempos, com inusitada
frequência - somos surpreendidos por declarações
polêmicas de alguns membros da hierarquia católica,
acerca do holocausto, sempre numa perspectiva sintomática
e perigosamente revisionista. O fato de serem manifestações
pontuais, em aberta divergência, inclusive, com
a posição oficial do Vaticano sobre aquela
tragédia histórica, não lhes retira,
em absoluto, a gravidade, porque elas tocam e reabrem
feridas que jamais poderão cicatrizar. Daí
o justificado repúdio que provocam por parte
da comunidade judaica, consciente de que o sacrifício
daqueles seis milhões de vítimas inocentes,
nas macabras câmaras de gás do abominável
III Reich, perfazendo o inacreditável cômputo
de 1/3 de toda a população judaica no
mundo, não pode ser minimizado, sob quaisquer
pretextos, por mais nobres que aparentemente sejam as
intenções de quem as profere, como as
que, infelizmente, vêm de ser feitas pelo Arcebispo
de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings. Tolerá-las
seria uma impiedosa e sacrílega afronta à
memória dos mortos e aos sentimentos dos vivos,
não só em relação aos que
descansam em paz, como à segurança dos
que acompanham preocupados o crescimento do antissemitismo
e do neo-nazismo no mundo atual. Dom Dadeus Grings ainda
está a dever uma retratação cabal
à comunidade judaica e o respectivo pedido de
perdão pelo que disse, quando entrevistado. Se,
por acaso, foi mal interpretado, como alega, que venha,
então, explicar-se. Exige-o, entre outras muitas
razões, a responsabilidade do cargo de que está
investido”.
Ethel
W Guerstein - "Judeu é quem
nasce do ventre judeu ou converso, sente-se judeu, denomina-se
judeu e é reconhecido como tal, de acordo com
Ben Gurion e nessa ordem. Esse é o verdadeiro
quadrado mágico, sendo o primeiro item a condição
sine qua non, sem a qual é como querer correr
a Maratona sem saber caminhar... (por esse motivo não
há prazo para realização da conversão;
sempre é tempo). Continuando, retire-se um, e
apenas um, dos outros lados da figura e o que resta
é o embate intelectual árido que não
conduz à conclusão alguma, pois cada caso
tem de ser analisado em separado,às vezes usando
de flexibilidade, outras vezes retesando a corda. Na
criação do Estado de Israel foi negada
a Lei de Retorno a um frei polonês de nome Daniel,
registrado como Oswald Rufeisen, nascido de ambos os
pais judeus ,apesar de ser sionista e de ter salvo vidas
judias na Segunda Guerra, assim como inúmeros
outros (caso de ventre judaico, tão somente).
Em contrapartida, muitos e muitos pedidos de reconhecimento
da condição judaica foram negados a indivíduos
que serviram em guerras ao Exército de Israel
como cidadãos, mas pelo fato de não terem
nascido de ventre judaico não obtiveram o status
( caso de sentir-se judeu e denominar-se judeu). Outros
obtiveram a cidadania, mas não o status judaico,
pelo fato de possuírem apenas um avô judeu,
como é o caso de muitos indivíduos oriundos
da antiga União Soviética e faz-se necessária
a sua conversão (nenhuma das alternativas). Qual
de nós não conhece alguém que nasceu
de ventre judaico, sente-se judeu, mas não denomina-se
e não declara-se publicamente? Pelo que se pode
observar, a questão é bem mais complexa
do que imagina a nossa vã filosofia e pode ser
que neste exato instante estejam passando pelo crivo
da Knesset e pela Suprema Corte inúmeras requisições
de cidadania e reconhecimento do judaísmo que
sucitam discussões que adentram as madrugadas.
A carta da sra Kagan que motiva a discussão,
referia-se apenas às conversões imediatas
e insinceras, realizadas superficialmente ,que em nada
relacionam-se com os belos exemplos bíblicos.
Deixemos, no entanto, o benefício da dúvida
a todos aqueles que queiram unir-se a nós num
apaixonamento tardio e a responsabilidade dobrada do
cônjuge originalmente judeu de transmitir com
retidão nossos valores à sua prole".
Wolf
Girsas - "É com crescente tristeza
que venho acompanhando, tanto por meio deste veículo
extraordinário que é o Jornal ALEF, como
por outros veículos informativos e comunicativos
de nossa "comunidade organizada", discussões,
debates, bate-bocas, troca de idéias ou, se preferirem,
apenas uma saudável exposição de
pontos de vista opostos, entre judeus, entre nós
próprios, ao invés de utilizarmos toda
essa energia oratória em prol unicamente de nossos
irmãos. Muitas vezes são evocadas as escrituras
sagradas em prol de um, outras vezes é evocado
o sábio "fulano de tal" em prol de
outro, além de sempre estarmos com o trecho "tal"
da Torá em favor de uma ou outra idéia.
E assim, passo a passo, já estamos tendo sucesso
pleno onde diária e concretamente estamos construindo
o piso duro, de ótima resistência aos esforços,
totalmente dentro das normas que prescrevem a durabilidade
deste piso duro, mas duro para com o outro judeu, piso
de ótima resistência aos esforços
de união e de aproximação, e totalmente
dentro das normas de durabilidade para que nunca se
quebre esta briga interna, onde nós mesmos estamos
nos destruindo, lenta, paulatina e certamente em direção
à construção de mais guetos e divisões
de nós mesmos, para nós mesmos. Os guetos,
atualmente, não precisam estar circundados por
muros ou por soldados da antiga SS Nazista. Nós
já estamos vivendo em guetos cada vez mais fechados,
cada vez menores, e cada vez recusando mais irmãos
de serem recebidos de braços abertos, aqui em
nossa cidade do Rio de Janeiro. Sim, é verdade
que existem os judeus formais, ortodoxos, liberais,
reformistas, enfim, aqueles que vivem o judaísmo
- cada um ao seu jeito, cada um de um jeito diferente
do outro - em prol de outros judeus. Mas, infelizmente,
isso é mais do que insuficiente. É visível
esta situação onde os Srs. Mauricio Mittelman
e Sander Fridman, somente para tomarmos estes últimos
como exemplo pontual desta situação cada
vez mais crescente, onde chega-se a evocar a Torá,
por parte de um destes senhores, como menciona-se na
edição eletrônica de Ano 14, Edição
1.294, 05 de abril de 2009, de domingo, para defender
uma posição. E não existem críticas
quanto a que posição estamos mencionando.
Estamos apenas mencionando que houve a "defesa
da opinião". Nada de errado com a a evocação
e/ou a menção. Mas basta lembrarmos de
uma situação real vivida há anos,
onde fui com dois amigos a um jogo no nossa Maracanã.
Assistimos animadamente a um jogo e, na saída,
perguntei a opinião de meus amigos sobre um gol
que ocorrera. Descobri que não tínhamos
a mesma opinião - nenhum de nós três
- apesar de estarmos no mesmo momento, no mesmo local,
dentro do mesmo estádio, assistido diretamente
ao mesmo jogo e termos visto tudo exatamente da mesma
forma. Trazendo o exemplo para este caso: estamos firmemente
defendendo posições interpretativas pessoais
e brigando internamente contra nós mesmos. Nós
judeus, que já somos poucos, estamos cada vez
em menor número e não vislumbramos nenhuma
espécie de recuperação, modesta
que seja, do número de judeus no mundo –
quanto mais aqui no Brasil, que é onde vivemos
e brigamos entre nós mesmos. Caso não
gostem do termo "briga" podem utilizar a expressão
"discussão salutar", o que não
mudará em nada o que realmente assistimos. Obtivemos
a participação formal do Sr. Huáscar
Cahuíde Lozano. Quantos outros leitores já
não tiveram vontade de posicionarem-se a favor
ou contra um ou outro, mas devem estar até mesmo
cansados de tanta discussão que somente reforça
e expressa claramente a desunião. Estamos somente
dando reforço à desunião, à
separação, à desagregação
e ao terrível afastamento e à discriminação
interna, ao invés de estarmos abrindo os braços
aos nossos irmãos judeus, independentemente de
seu posicionamento pessoal. Àqueles judeus cultos,
que estudam anos à fio, que sabem ler o hebraico,
que podem ter o privilégio de frequentarem uma
sinagoga (e voltarem à pé para casa, sem
o uso de qualquer outro meio de locomoção
no shabat - ou seria shabes?) , que possuem tsitsit,
talit e toda a indumentária desejada, para aqueles
que podem contribuir permanentemente com recursos financeiros
para as instituições, para aqueles que
possuem o privilégio de não lutarem diariamente
contra a fome, o desemprego e a vergonha de ter os filhos
humilhados pela falta de emprego do pai, para estes
em especial, por exemplo, por que não passam
a lutar ferrenhamente contra esta desunião que
graça entre nós, apesar das fotos e das
promoções sociais que existem, onde apresentam-se
locais limpos, bonitos, bem iluminados, com pessoas
de sucesso, e demais elementos promocionais ? Senhores,
por favor, vislumbrem que necessitamos nos unir, receber
de braços abertos os mais pobres, os mais humildes,
os humilhados pela situação economica,
àqueles que foram abandonados ao longo do trajeto,
que desejam ser tão judeus como qualquer outro,
mas não possuem mais nenhuma condição,
seja ela qual for. E passemos a interpretar a "Lei"
em favor destes e de nossa união. Reservarei-me
ao direito de não responder a qualquer "discussão"
pois apenas estou expondo mais um outro ponto de vista
e gostaria apenas de exaltar à união de
todos".
Mauricio
Mittelman
- "Em respeito à Torá e para
que fique claro aos leitores do Jornal Alef o que é
correto e o que é incorreto, é necessário
informar que a carta escrita pelo Sr. Sander Fridman
a este jornal (edição 1.292 de 01/04/2009),
onde o meu nome é citado, contém inúmeros
erros. Por exemplo, o Sr. Fridman escreve que Ytro não
era um converso. Isto não é verdade. Todos
os sábios do povo judeu, entre eles Maimônides,
Rashi e Nachmanides, afirmam que Ytro converteu-se ao
judaísmo. Não poderia ser de outra forma,
porque o próprio Talmud diz isso (Tratado Zevachim
116a). Que os leitores do jornal julguem se devem dar
credibilidade às palavras de uma pessoa que rejeita
um fato explicitamente relatado no Talmud e os comentários
dos nossos grandes sábios".
Sander
Fridman - "Fico contente com a substancial
melhora no tom do Sr. Marcelo Mittelman. O debate em
torno de idéias é uma das lindas tradições
cultivadas pelos judeus nos Hedarim, Yeshivót
e Midrashót, dos quais muitos souberam transmitir
para suas práticas de estudo e aprendizagem em
todos os âmbitos do conhecimento. Passar os comentários
do objeto à pessoa, além de deselegante,
não condiz com o preparo de muitos debatedores,
e frustra o prazer de um bom debate, de um bom aprendizado.
Quando o Sr. Mittelman refere que Yitro ter-se-ia convertido,
assim como Ruth, muito tempo - e muitas páginas
do tanach - depois, tenho certeza, com todo respeito
que seu estudo certamente merece, que ele não
entendeu o que leu - ver http://www.safed-kabbalah.com/Masters/Yitro.1.5762.htm
e http://www.tfdixie.com/pbook.htm e http://www.torah.org/learning/rabbiwein/5768/yisro.html.
Não se trata de dizer que um ou outro não
abraçaram o judaísmo, seja como expresso
na Torá, no caso de Ruth, seja de acordo com
as lendas e tradições orais e místicas,
sem porém qualquer referência a isso no
Tanach, no caso de Yitro. Entretanto, no momento em
que Yitro pediu para que Moisés, seu genro, se
cuidasse mais, pois não aguentaria julgar as
causas do povo, da manhã à noite, como
vinha fazendo, e recomendou a Moisés que sistematizasse
leis e instituísse juizes de instâncias
sucessivas, e Moisés, que lhe honrava extremamente,
obedeceu-lhe o conselho, instituiu juízes e subiu
ao Monte Sinai de onde retornou com as Aséret
aDivrót - os 10 mandamentos - (parashat Yitro),
e, logo depois, com as regras para os julgamentos (Mishpatim),
naquele momento, não havia ainda Religião
Judaica, menos ainda Ritos de Conversão - menos
ainda ritos ultra-ortodoxos! Como poderia Yitró
ser convertido? A que teria ele se convertido, se não
havia ainda judaísmo, e sim apenas Hebreus! Nem
Yitró nem Ruth, por maiores que sejam os reconhecimentos
a eles destinados por nossa tradição,
não provinham de ventre judeu, nem eram conversos,
por que não existia conversão, muito menos
"tribunais de fé" que as "garantissem"
e condicionassem para um enterro judeu: ambos teriam,
sim, se unido ao povo judeu, abraçado sua história,
seus valores e seu destino, e foram por isso reconhecidos,
aceitos e lembrados. Foram "guerim", e ao
mesmo tempo, modelos para os judeus de todos os tempos.
Se pretendemos cultivar a coesão e a preservação
da unidade entre os judeus, não se aconselham
atitudes arrogantes de quem se acha essencialmente melhor
do que os outros, judeus ou judias, guerim ou guerót.
Se pretendemos respeito aos nossos direitos humanos,
enquanto judeus, precisamos começar por merecê-lo,
não discriminando dentro de nossa comunidade.
Temos tantos inimigos, tantos que nos odeiam sem motivos;
não precisamos fazer com que os que hoje nos
querem bem, passem a nos desprezar, com ótimos
motivos. Não há razões éticas
ou históricas para isso. Mas é claro,
aquele que, do judaísmo, só lhe restou
o "sangue", o ventre, e o orgulho - que nem
bem sabe de quê - poder-se-á sentir ameaçado
em seus brios quando um "guer qualquer" (como
anteriormente se falou) se mostrar tão mais meritório,
tão mais conhecedor, tão mais envolvido
com o amor às nossas tradições
- claro e sempre, à sua maneira e à da
comunidade judaica específica à qual se
integra. Apartheid interno na comunidade?!? Segregar
os judeus que trazem para a kehelá seus parceiros
e parceiras não-judeus, dispostos a abraçar
o judaísmo?!? Não há tradição,
rabino ou texto de antigo sábio que possa hoje
justificar tamanho crime, à luz de toda a humanidade.
Ou pretendemos deixar a posição de luz
dos povos por uma de escuridão e descaminho?
Se é verdade que o meshiach chegará quando
mais não precisarmos dele - resultado do tikun
olam - e assim passarmos a merecê-lo, a integração
dos diferentes, e até dos inimigos, conforme
Isaias, parece ser uma etapa que não devemos
evitar. E por que não começarmos por nossa
própria casa?"
André
Luiz de Oliveira Melo - "Talvez o
que esteja acontecendo seja o fato de que muitas pessoas
não estejam conseguindo entender o bom senso
existente em todas as mensagens publicadas pelo o Dr.
Sander Fridman. Não cabe discutir “preciosismos”
e sim a maneira correta de acolhermos em nosso meio,
com carinho e respeito, as pessoas que venham somar
conosco. A nossa história é rica em apresentar
indivíduos que – a partir de um determinado
gesto ou atitude – se tornaram mais judeus do
que os nascidos nos “conformes” das regrinhas
criadas pelos homens. Parabéns Dr. Fridman. O
senhor tem demonstrado, desde o começo dessa
discussão, que é um agregador. Parabéns
e muito obrigado por estar tentando somar, mesmo nadando
contra uma forte corrente de pessoas que, talvez nem
estejam percebendo, estão se apegando os velhos
e carcomidos raciocínios que só fazem
enfraquecer a nossa religião. Não pode
haver discriminação alguma ao indivíduo
que nasceu sob outra orientação religiosa
e, de livre e espontânea vontade, decidiu juntar-se
à nossa que, como visto na imprensa, está
sempre sofrendo os piores tipos de discriminações.
Este converso, acima de tudo é um corajoso. Merece
respeito e admiração!" .