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ESPECIAL

Debate: "Imigração
judaica para o Brasil"


Já está nas bancas a "Revista de História da Biblioteca Nacional" que destaca a imigração judaica para o Brasil. Há alguns dias, a entidade reuniu para um debate os historiadores Fábio Koifman e Ângelo Adriano Faria Assis que abordaram questões relevantes do tema.

Fábio Koifman (à esquerda) e Ângelo Adriano Faria Assis

“A presença judaica no Brasil é muito antiga, começou junto com o início da história do país”, revelou Ângelo, ressaltando que na virada do século XV para o XVI os judeus eram de 10% a15% da população de Portugal. Segundo ele, devido à grande quantidade de pessoas judias, o reinado português instituiu o monopólio da fé católica. Mas, ao mesmo tempo em que o rei expulsava os judeus, ele também queria convencê-los a ficar, convertendo-os ao cristianismo. O interesse era no conhecimento que essas pessoas tinham, algo que Portugal precisava naquele momento de expansão. O historiador contou que, assim surgiram os “cristãos novos” chamados dessa forma para diferenciar dos de “família”, considerados limpos. “Depois da conversão forçada, houve um períodos de tolerância para que os “novos” se acostumassem à religião dominante. Depois de 40 anos foi criado o Tribunal de Inquisição que perseguia os “cristãos novos” acusados de se judaizar em segredo. Muitos optaram por vir para o Brasil e conseguiram aumentar suas fortunas e viver de forma mais harmônica”, explicou ele. Esses “falsos” cristãos se reuniam em sinagogas e, entre eles, havia homens importantes da sociedade. Um desses espaços, que durou mais de 30 anos, é a sinagoga de Matoim, no Recôncavo da Bahia.
Já Fábio Koifman lembrou que, já no século XX, durante o Estado Novo, o Brasil começou a aceitar a entrada de judeus, ao contrário de outros países. Isso porque os intelectuais brasileiros associaram a má composição étnica do povo ao atraso do país. A política do branqueamento da população se manteve até o final do primeiro governo de Getúlio Vargas. “Em 1938 são publicadas leis que reforçam a preocupação com a composição étnica e um viés que não se limita aos judeus. A lei obrigava todos os interessados em entrar no Brasil a passarem por uma entrevista com o cônsul para verificar se tinham algum defeito físico e conferir a cor da pele”, afirmou. Mas os eugenistas adaptaram seu pensamento à realidade nacional e muitos flexibilizaram suas políticas. Por isto, alguns estrangeiros consideraram que política do branqueamento da população brasileira estava mais ligada ao ponto de vista da higiene e saúde do que da raça. Ao serem indagados sobre o porquê de alguns governos serem antissemitas, os palestrantes afirmaram que a história é sempre contada pela visão do vencedor. E os judeus muitas vezes foram esquecidos. Contudo, o Adriano relata que já há mudanças e hoje existem muitos estudos sobre a presença judaica no Brasil, desde o Rio Grande do Sul até o Amazonas. “A boa notícia é que isso tem fluido aos poucos para o Ensino Médio. Embora as pesquisas que acontecem na academia levem alguns anos até que possam chegar aos livros didáticos”, lamentou.

Texto original: Monique Cardone


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