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ARTIGO

A aceitação de Israel
como Estado Judeu

Daniel Pipes, diretor do Middle East Forum


Quando um importante país árabe assinasse um tratado de paz com Israel, presumia-se, durante muito tempo, que o conflito árabe-israelense chegaria ao fim. O tratado de paz Egito-Israel de 1979, entretanto, enterrou essa expectativa; ele teve o efeito perverso de tornar outros países, como também a população egípcia, ainda mais antissionista. A década de 1980 gerou a esperança que, em vez disso, o reconhecimento de Israel pelos palestinos iria acabar com o conflito. O total fracasso da “Declaração de Princípios” de 1993 (também conhecido como os “Acordos de Oslo”) por sua vez enterraram essa expectativa. E agora? Começando por volta de 2007, surgiu um novo foco, o de obter a aceitação de Israel como um Estado Judeu soberano. O ex primeiro ministro de Israel Ehud Olmert definiu os termos: "Eu não pretendo ceder de forma alguma sobre a questão do Estado Judeu. Esta será a condição para nós reconhecermos um Estado Palestino".
Olmert foi o pior primeiro ministro de Israel, mas nesse aspecto ele acertou. A diplomacia árabe-israelense lidou com um sem-número de questões secundárias ao passo que anda na ponta dos pés em torno da questão central do conflito: "Um Estado Judeu deveria existir?" Discordância sobre essa resposta – e não sobre as fronteiras de Israel, seu exercício de legítima defesa, seu controle sobre o Templo do Monte, seu consumo de água, suas construções nas cidades da Cisjordânia, relações diplomáticas com o Egito ou a existência de um Estado Palestino – é a questão chave. Os líderes palestinos responderam, com gritos escandalosos, declarando que eles "se recusam terminantemente" a aceitar Israel como um Estado Judeu. Eles até mesmo fizeram de conta estarem chocados ante a noção de um país ser definido pela religião, embora sua própria "Constituição do Estado da Palestina", terceira minuta, declare que "o árabe e o Islã são o idioma e a religião oficial dos palestinos". Os esforços de Olmert não levaram a nada. Ao ser empossado no primeiro ministério no início de 2009, Benjamin Natanyahu reiterou o enfoque de Olmert em sua diplomacia. Lamentavelmente, a administração Obama endossou a posição palestina, novamente colocando de lado a exigência israelense (como alternativa, concentrou-se em moradias para judeus em Jerusalém).
Se os políticos palestinos rejeitam a natureza judaica de Israel, o que dizer sobre as populações palestinas e as muçulmanas e árabes como um todo? Pesquisas de opinião e outras evidências indicam uma média de longo prazo de 20% de aceitação de Israel, quer seja no período do mandato ou agora, não importando se são muçulmanos no Canadá ou palestinos no Líbano. Para saber mais sobre a opinião árabe atual, o Middle East Forum designou Pechter Middle East Polls a fazer uma simples pergunta em quatro países a mil adultos em cada um deles: "O Islã define seu país; dadas as devidas circunstâncias, você aceitaria um Estado Judeu de Israel?" (No Líbano, a pergunta foi ligeiramente diferente: "O Islã define a maioria dos países no Oriente Médio; dadas as devidas circunstâncias, você aceitaria um Estado Judeu de Israel?" Os resultados: 26% dos egípcios e 9% dos súditos urbanos sauditas responderam (em novembro de 2009) afirmativamente, assim como 9% dos jordanianos e 5% dos libaneses (em abril de 2010).
As pesquisas de opinião revelam amplo consenso através de diferenças tais como ocupação posição sócio-econômica e idade. Por razões ainda não compreendidas, mais mulheres egípcias e homens sauditas e jordanianos aceitam um Israel judeu do que a sua contraparte sexual, enquanto entre os libaneses ambos os sexos apresentaram posições similares. Contudo, existem algumas variações significativas: como era de se esperar no Líbano, 16% do Norte do Líbano (maioria cristã) aceita um Israel judeu, diferentemente de apenas 1% no Vale do Beka (maioria shiita). Mais importante ainda, comparando essas respostas através da dimensão de suas populações (respectivamente, 79, 29, 6 e 4 milhões) significa uma média geral de 20% de aceitação do caráter judaico de Israel – impecavelmente confirmando a percentagem existente.
Embora 20% constitua uma pequena percentagem, sua consistência através do tempo e espaço é encorajadora. Que um quinto dos muçulmanos, árabes e até palestinos, aceitem Israel como um Estado Judeu indica que, apesar de aproximadamente um século de doutrinação e intimidação, existe sim uma base para resolver o conflito árabe-israelense. Os pretendentes a pacificadores devem direcionar sua atenção no sentido de aumentar o número desse grupo moderado. Se de 20%, chegarmos a 60%, a política do Oriente Médio irá mudar fundamentalmente, destituindo Israel de seu papel exagerado e liberando os povos dessa região decadente para que possam abordar seus verdadeiros desafios. Não o sionismo, mas sim, oh, problemas insignificantes tais como autocracia, brutalidade, crueldade, conspirações, intolerância religiosa, ideias apocalípticas, extremismo político, misoginia, escravidão, subdesenvolvimento econômico, fuga de cérebros, fuga de capital, corrupção e seca.

Tradução: Joseph Skilnik


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