ENTREVISTA EXCLUSIVA

Francis Miszputen,
produtora executiva do livro “Judeus cariocas”

Foto: Sacha Leite


Será lançado na quinta-feira (dia 21 de outubro), às 18:30h, no Palácio da Cidade (Rio de Janeiro), o livro “Judeus Cariocas”, segundo volume, da série “Imigrantes no Rio de Janeiro”. A obra narra a trajetória das primeiras gerações de judeus nascidos e criados na cidade, hoje espalhados em diversos bairros, atuando em vários campos profissionais - nas artes, na medicina, no magistério, no funcionalismo público, na iniciativa privada - com diferentes posturas políticas e situações financeiras. Editado pela Editora Cidade Viva, o livro foi organizado por Mozart Vitor Serra e Fernando Portella e conta com textos assinados por Keila Grimberg e Flavio Limoncic, historiadores, doutores em História Social e professores do Departamento de História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). A produtora executiva da coleção, Francis Miszputen, conta, na entrevista a seguir, os detalhes e curiosidades sobre a obra.

Este livro faz parte da coleção “Imigrantes no Rio de Janeiro”. Do que se trata essa série?
Ela aborda questões clássicas ligadas à imigração: as razões que as levam, as estratégias de sobrevivência, as perdas e ganhos na saída e entrada dos imigrantes e as relações culturais com a sociedade que os acolhe. O primeiro livro foi "De Pai para Filho - Imigrantes Portugueses no Rio de Janeiro", lançado em junho. A contribuição dos árabes será mostrada na obra "Árabes no Rio de Janeiro: uma identidade plural", a ser lançada nos próximos meses.

Como você vê a importância do livro “Judeus Cariocas” para a memória do povo judeu?
Quem vai determinar essa importância é a própria coletividade. Nós, evidentemente, procuramos compor uma equipe inovadora e de alto conhecimento técnico em cada uma de suas áreas de especialidade. Desde a escolha dos autores que, embora jovens, são historiadores de altíssimo nível, judeus e cariocas, passando pelo fotógrafo Milton Guran que, além de ser um conhecido e respeitado fotógrafo, é antropólogo, e deu às imagens uma visão especial em vez de apenas retratar os entrevistados. Ele usou a própria fotografia como elo de identidade entre os entrevistados e suas origens. A escolha da Evelyn Grumach também foi de extrema importância para o projeto gráfico do livro.

Quais as principais curiosidades do livro que você destacaria?
A primeira, sem dúvida, é o depoimento do Zevi Ghivelder, jornalista e ex-diretor do grupo Manchete. Algumas coisas ditas nas próprias entrevistas também valem destacar, como a afinidade judaica descoberta por Marcelo Winick, campeão de windsurf, já adulto. Também é muito interessante a trajetória do Moisés Genes que, depois de ter precisado de uma indicação para ser aluno do Colégio Pedro II, quando veio de Recife, se tornou um dos mais consagrados e respeitados diretores da história do colégio.

No capítulo “Dez judeus cariocas” há entrevistas com destacados membros da comunidade judaica do Rio de Janeiro. Como foi o critério de seleção desses nomes?
O critério era que fossem judeus efetivamente cariocas (a única exceção foi o Moisés Genes, que veio de Recife), de uma geração nascida no Brasil, que representassem, na medida do possível, as várias correntes migratórias e que tivessem feito sucesso profissional independente da sua condição de judeus. Eu, evidentemente, só tenho a agradecer pelo fato deles terem se colocado disponíveis para contar suas histórias.

Você é a produtora-executiva deste livro e de outras coleções de destaque publicadas pelo Instituto Cultural Cidade Viva. Quais as atribuições do produtor-executivo?
A produção executiva é uma atividade relativamente nova no meio editorial e na produção cultural de um modo geral. O produtor-executivo é um gestor. Cabe a ele articular todas as parcerias que são necessárias para viabilizar estrategicamente, operacionalmente e politicamente um projeto cultural. Nesse livro, especificamente, coube a mim inscrever o projeto para o fomento através da “Lei de incentivo”, utilizando a concepção original do Instituto Light, montar toda a equipe (desde a escolha dos autores até do coordenador editorial, Joel Ghivelder), coordenar a produção propriamente dita e as atividades de divulgação junto ao patrocinador e à Secretaria de Cultura.

O livro conta com 100 ilustrações. Esta edição ganhou tratamento de livro de arte?
Originalmente era para ser apenas para a leitura. Mas à medida que foi feita a pesquisa iconográfica, acabamos descobrindo no livro e na coleção como um todo um potencial para ser considerado livro de arte.

Onde o livro será vendido?
Nas grandes cadeias de livrarias de todo o Brasil. E como o livro foi patrocinado pela Light através da “Lei Estadual de Incentivo à Cultura”, mais de 80% dessa primeira tiragem serão doadas a instituições acadêmicas, bibliotecas e outras entidades que tenham interesse em adquiri-lo.

Este livro será disponibilizado em formato e-book para que os judeus cariocas que moram fora do Brasil também tenham acesso à obra?
Em um futuro próximo, sim. Mas o livro físico já pode ser comprado pela Internet.


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