Ano 14 | Direção: Mauro Wainstock e Tania W.Benchimol.

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Especialistas questionam se Hollywood explora o Holocausto
para atrair o “Oscar”

O “Oscar” tem uma história de premiar filmes que narram os horrores do Holocausto, mas os críticos questionam o oportunismo do lançamento de uma série de longas que recriam essa tragédia para chamar a atenção da Academia. Um número sem precedentes de filmes consagrados a distintos ângulos da barbárie nazista chegou aos cinemas americanos desde o fim do ano passado, um período propício para lançar no mercado as fitas que esperam disputar o “Oscar”. Entre os títulos se destacam "O Leitor", "O Menino do Pijama Listrado", "Um Homem Bom", "Operação Valquíria", "Adam Resurrected" e "Um Ato de Liberdade". "O Leitor" recebeu cinco indicações à premiação da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas, entre elas melhor filme, diretor para Stephen Daldry e atriz para Kate Winslet, que interpreta uma ex-vigilante de um campo de concentração. No entanto, o jornalista novaiorquino Ron Rosenbaum, autor de um livro sobre Hitler, chamou "O Leitor" como "o pior filme feito até hoje sobre o Holocausto. É um filme cuja metáfora principal consiste em desculpar os alemães que viveram a época nazista de sua cumplicidade por terem estado a par da solução final.
O fato de recentemente ter sido indicado ao Oscar de melhor filme demonstra que Hollywood parece pensar que se é uma fita “sobre o Holocausto” tem que ser honrada, isto é tudo". Já Andrew Wallenstein, chefe de redação do jornal The Hollywood Reporter, acusou os estúdios de "explorar uma tragédia para ganhar o tipo de peso que o Holocausto confere. É necessário dizer: a verdadeira razão pela qual vemos muitos destes filmes é porque estão farejando os prêmios", declarou. Em 1994, "A Lista de Schindler" recebeu sete Oscar. Nove anos depois, "O Pianista" recebeu três estatuetas, enquanto em 2008 o prêmio de filme estrangeiro foi para "Os Falsários", longa austríaco ambientado em um campo nazista. Annette Insdorf, autora de um ensaio sobre o cinema e a Shoah, reconhece que muitos filmes sobre o Holocausto têm sido premiadas pelo Oscar, mas para ela isto não significa mais que "a fascinação de Hollywood por histórias de conflito, de luta e redenção". Ela discorda das críticas a "O Leitor" por considerar que não se trata de um longa-metragem sobre o Holocausto no sentido estrito. "Fala do aprendizado de um jovem: uma mulher com um segredo que remonta à II Guerra Mundial é vista através dos olhos de um jovem apaixonado. Estes personagens se encontram depois da guerra", opina. Para Scott Feinberg, editor do suplemento de cultura do jornal Los Angeles Times, os filmes sobre o Holocausto podem seduzir a Academia porque são obras "com uma mensagem importante. Mas Hollywood é alvo de uma grande polêmica com filmes como “O Leitor” este ano. Muitas pessoas estão furiosas porque dizem que é uma tentativa de ganhar um Oscar", explica ele.

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Removendo o tumor
maligno do terrorismo

Natan Sharansky, vice-primeiro-ministro de Israel

A guerra de Israel em Gaza foi recebida com brados de protesto ao redor do mundo. Eles vieram de duas fontes: primeiro, há aqueles que se opõem a qualquer esforço israelense de auto-defesa, principalmente porque acham que um Estado judeu nem mesmo deve existir. Essa é uma forma de anti-semitismo, e tal ponto de vista deveria ser logo descartado, sem que se argumente contra ele. Em segundo lugar, há aqueles que apóiam a existência de Israel, mas acreditam que foi errado promover um ataque tão duro contra a Faixa de Gaza. Esse argumento assume duas formas: (1) que a resposta de Israel é desproporcional e, portanto, errada; e, (2) que há formas menos violentas de lidar com o Hamas – através de pressões internacionais, sanções ou negociações. As duas alegações, por mais lógicas que possam parecer, ignoram as lições da história, inclusive a história recente de Israel no combate ao terrorismo. Nos dez anos em que servi como ministro no Gabinete de segurança de Israel, aprendi como tais argumentos podem ser equivocados. Em 01 de junho de 2001, um homem-bomba suicida atacou a entrada da discoteca Dolphinarium em Tel-Aviv. Vinte e um israelenses, em sua maioria jovens, foram mortos e mais de 130 ficaram feridos. Esse foi o último de uma série de ataques suicidas que tinham sido lançados desde o início da Segunda Intifada em setembro de 2000. No dia seguinte, participei de uma reunião dramática do Gabinete para discutir nossas opções – uma reunião realizada no Shabat, justificável apenas por uma emergência real. A maior parte dos ministros achava que era necessário tomar medidas decisivas.
Oficiais militares apresentaram um plano para erradicar a infra-estrutura do terror, através de uma campanha complexa no coração das cidades e dos campos de refugiados palestinos. Apesar do ataque ter sido cometido pelo Hamas, estava claro que o líder palestino Yasser Arafat tinha lhe dado luz verde. Tínhamos tanto o direito quanto a capacidade para contra-atacar. No decorrer da reunião, porém, nosso ministro do Exterior entrava e saía da sala, falando pelo telefone com líderes mundiais, transmitindo-nos o que tinham dito. Sua mensagem era clara: no momento, Israel contava com a simpatia da comunidade internacional. Enquanto mantivermos nossa resposta militar no mínimo, o mundo continuará do nosso lado, e a crescente pressão diplomática irá controlar o terrorismo, disse ele. Mas, se lançarmos um ataque em grande escala contra os terroristas, arriscamo-nos a perder o apoio mundial e a transformar Arafat de agressor em vítima.
Finalmente, o primeiro-ministro foi convencido pela abordagem dele, e tomou-se a decisão de adotar uma resposta proporcional – ataques localizados a células terroristas, operações especiais, prisões – e de permitir que a diplomacia exercesse sua mágica. Nos próximos nove meses, Israel moderou seu fogo, e o mundo realmente condenou o terrorismo. Mas os ataques simplesmente aumentaram. No coração de Tel-Aviv e Jerusalém, homens-bomba suicidas explodiram cafeterias, ônibus e hotéis. A vida noturna acabou, o turismo foi dizimado e os hotéis tiveram de despedir a maior parte dos seus trabalhadores. Um dos meus colegas no governo, Rehavam Ze’evi, foi abatido por terroristas. Nesse meio-tempo, os EUA sofreram seu próprio ataque terrorista em 11 de setembro e fizeram intensas pressões sobre nós para que não retaliássemos contra os palestinos, com medo de que isso complicasse sua própria guerra com a Al-Qaeda. A situação chegou a um clímax em março de 2002, quando mais de 130 israelenses foram mortos num só mês – sendo que o ataque mais infame ocorreu em 27 de março, na véspera da Páscoa, no Park Hotel em Netanya. No dia seguinte, o Gabinete reuniu-se – novamente num encontro extraordinário durante um feriado religioso. A reunião começou às 6 da tarde e prosseguiu durante toda a noite. Dessa vez, porém, o governo decidiu lançar a Operação Escudo Defensivo – o mesmo plano que as Forças de Defesa de Israel (FDI) tinham apresentado no ano anterior.
As Nações Unidas nos condenaram, os EUA enviaram o secretário de Estado Colin Powell para nos dizer que deveríamos parar imediatamente com os ataques. A mídia global montou uma campanha brutal para nos retratar como criminosos de guerra, espalhando falsos rumores sobre a matança indiscriminada de civis palestinos, descrevendo a operação como a pior atrocidade da história moderna. O mais chocante desses rumores foi o libelo de Jenin, que foi mostrado em um filme produzido basicamente a partir da imaginação fértil do seu diretor, e então apresentado ao redor do mundo. Não vinha ao caso que, na realidade, Israel tinha tomado medidas sem precedentes para minimizar o número de vítimas civis, até mesmo deixando de usar bombardeios aéreos ou fogo de artilharia, fazendo seus próprios soldados assumirem riscos sem precedentes; ou que a comissão da ONU criada para investigar Jenin foi logo dissolvida por falta de evidências; ou que o diretor do filme admitiu ter ludibriado seu público.
Durante anos, o “Massacre de Jenin” foi a peça central da máquina de propaganda anti-israelense, reverberando pela Europa e nos campi americanos, como símbolo da iniquidade israelense. Nossa reputação estava em frangalhos. Entretanto, tudo isso foi um preço baixo a pagar por aquilo que Israel ganhou. Em poucas semanas o terrorismo palestino foi desativado, e o número de israelenses mortos caiu de centenas por mês para menos de uma dúzia no decorrer do ano seguinte. A economia voltou a se movimentar. Não menos importante foi o efeito que a Operação Escudo Defensivo teve sobre os próprios palestinos. Com a infra-estrutura terrorista removida, os palestinos puderam iniciar a reconstrução das suas instituições civis e mudar sua atitude em relação à violência. No decorrer do tempo, a política de promoção do terror de Arafat foi substituída pela abordagem bem mais cautelosa do seu sucessor, Mahmoud Abbas.
Em mais de seis anos desde a operação, a economia da Margem Ocidental floresceu. Se há esperança na Margem Ocidental hoje em dia, é porque Israel abandonou as idéias de proporcionalidade e diplomacia para lidar com o terrorismo. Os palestinos da Margem Ocidental sabem disso; por essa razão não se juntaram à condenação mundial desenfreada de Israel pela guerra em Gaza. Enquanto dezenas de milhares protestaram na Europa, a maior parte dos moradores da Margem Ocidental ficou silenciosa. Entender a guerra em Gaza significa reconhecer as lições de 2002. Durante os três anos que se passaram após a retirada de todas as tropas e dos assentamentos da Faixa de Gaza em 2005, Israel optou por responder de modo proporcional e diplomaticamente aos ataques mortais diários do Hamas com seus foguetes. O resultado? Mais foguetes, mais mísseis, mais miséria para os palestinos – e espaço suficiente para o Hamas tomar conta da Faixa de Gaza, devastar sua sociedade, montar um arsenal muito mais poderoso do que o que tinha em 2005 e tornar-se a vanguarda do expansionismo iraniano na região.
O terrorismo é um câncer que não pode ser curado por tratamentos “proporcionais”. Ele exige cirurgias invasivas. Ele não somente ameaça Estados democráticos, mas também – principalmente – os civis locais que são obrigados a se juntar às suas fileiras fanáticas, usados como escudos humanos e devastados pela sua tirania. Quanto mais se espera para tratá-lo, pior ele fica, e mais severo torna-se o tratamento necessário para vencê-lo. No Sul do Líbano, onde Israel falhou em derrotar os terroristas em 2006, a enfermidade se espalhou: o Hezb’allah (Partido de Alá) tem agora três vezes mais mísseis do que antes, e os terroristas têm o governo libanês sob seu controle. Exatamente como em 2002, Israel optou por combater o coração do terrorismo [em Gaza], enfrentando denúncias de todo o mundo, manifestações de multidões, resoluções da ONU e falatórios sobre crimes contra a humanidade. Agora, como naquele tempo, essa foi a decisão correta.
A operação foi dolorosa: o número de civis feridos e mortos, apesar de ser muito inferior à de campanhas comparáveis em outras partes do mundo, certamente é intoleravelmente elevada – um reflexo da extensão e profundidade da infra-estrutura terrorista que cresceu ali nos últimos três anos. Como em 2002, os beneficiários reais do sucesso da campanha israelense serão os próprios palestinos. A paz somente será alcançada quando for dada aos palestinos a liberdade de construir instituições civis reais, e quando puder emergir uma liderança sem medo de dizer aos seus próprios cidadãos que a violência, o fanatismo e o martírio não são o caminho que deve ser seguido pelos palestinos. Mas isso somente poderá acontecer depois que a malignidade do terrorismo for removida do seu meio. Por mais desagradável que isso soe, essa é a única fonte de esperança para Gaza.

Publicado no The Jerusalem Post

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O Imbelectual

Alain Guetta, presidente da B´nai B´rith do Rio de Janeiro

Nada prolifera hoje, no Brasil e no mundo, tão rápido e tão intensamente quanto os imbelectuais. Os imbelectuais são a própria personificação do que Oscar Wilde chamou de pessoas que não são realmente pessoas. Que são apenas o reflexo de outras mentes, toscas coletâneas de opiniões de terceiros, meras projeções individuais do pensamento da maioria, seres incapazes de um único pensamento original próprio. O imbelectual - imbecil metido a intelectual - tem alta opinião sobre si mesmo. Ele é corajoso, profundo, sensível e inteligente. Suas convicções são sempre firmes e decididas.
Por ser corajoso e livre-pensante, o imbelectual típico posiciona-se automática e ousadamente contra as duas mais sólidas democracias do planeta: os Estados Unidos e Israel. Mas, por ser compreensivo e humano, costuma ser bastante tolerante em relação às mais abjetas ditaduras da atualidade. Da mesma forma, procura sempre entender o lado dos bandidos socialmente desfavorecidos que paramilitarmente ocupam as favelas e também não esconde uma certa simpatia pelos abnegados terroristas que se matam pelas benesses da vida futura no céu.
O imbelectual, sempre política e hipocritamente correto, nada tem contra os judeus. O que ele não gosta é de sionismo, ainda que mal saiba o que esta palavra significa. O imbelectual, tendo em vista sua profunda erudição histórica e geográfica, entende que o agressor israelense entrou em um soberano país do Oriente Médio chamado Palestina e, na mão grande, tomou-o de seus habitantes.
Pouco lhe importa, na verdade, saber que: (a) jamais houve um país chamado Palestina; (b) a própria palavra palestino foi artificialmente cunhada a partir de philistine ou filisteu, um povo da antiguidade que nada tem a ver com os palestinos da atualidade; (c) que a mesmíssima resolução da ONU que criou o Estado de Israel também criou o Estado Palestino; (d) que enquanto os judeus se dedicaram a fazer florescer o pedaço que lhes coube daquela região erma e desértica, os palestinos, apesar dos bilhões de dólares que receberam de ajuda internacional, nada fizeram pelo seu e, finalmente, que (e) existe sim um enorme drama palestino: serem reféns de grupos extremistas assassinos ou joguetes nas mãos de países vizinhos aos quais somente interessa manter a pressão e não resolver a situação.
E assim o imbelectual, consciente e sensível, indigna-se quando vê as fotos revoltantes da guerra em Gaza. E nesse ponto, convenhamos, ele tem toda razão. É como disse Golda Meir, mãe de dois filhos que presidiu o Estado de Israel: “Poderemos até um dia virmos a desculpá-los por matarem nossos filhos, mas jamais os perdoaremos por nos obrigarem a matar os seus”. Em outras palavras: judeus não usam a população civil como escudo, não instalam bases de lançamento de mísseis em escolas e hospitais. Pelo contrário, na tradição judaica a Vida (Chai) é o valor universal máximo. Judeus desde pequenos são educados para respeitar e reverenciar o valor sagrado e precioso de cada vida humana. E lutam contra inimigos que, também desde pequenos, são criados para cultuar a morte.
Tome meu conselho, leitor. Aprenda você mesmo e ensine a seus filhos a compreender além do slogan, a raciocinar além do chavão, a ler além das manchetes simplórias ou mesmo maldosas que são justamente dirigidas ao crescente público imbelectual. Pense com sua própria cabeça e decida - ainda que contra tudo e contra todos - que tipo de pessoa você quer ser, que tipo de contribuição você e sua descendência pretendem deixar para a civilização.

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Epidemia de antissemitismo

Herman Glanz, presidente da Organização Sionista do Brasil

A reação de Israel à guerra desfechada de Gaza pelo Hamas acabou fazendo proliferar uma epidemia de antissemitismo por todo o mundo. Tanto na mídia como no lado político, Israel sofreu uma violenta campanha contra a sua ação defensiva. Apesar de que, agora, começam a surgir informes mais acurados, demonstrando os exageros contra Israel durante a reação militar israelense, o estrago já foi feito, pois não se desmentem as notícias veiculadas. O número de mortos foi exagerado, o número de civis atingidos foi exagerado, o número de crianças vítimas de guerra foi exagerado. A própria ONU, que a princípio acusou Israel de atacar uma sua escola, já desmentiu essa notícia. E ficou claro que escolas, hospitais e outras instalações das Nações Unidas foram usadas como esconderijo dos terroristas do Hamas, sempre disfarçados como civis. A ONU já declara que o Hamas vem roubando a ajuda humanitária para a população de Gaza, e a interrompeu. Existem fotos e vídeo do uso de ambulâncias pelos terroristas do Hamas, inclusive disparando foguetes de dentro de ambulâncias.E agora, a sra. Radhika Coomaraswamy, representante da ONU para crianças em locais em guerra, está verificando o uso, pelo Hamas, de crianças como escudos humanos, o que constitui crime de guerra. Mas o estrago inicial já foi feito. Desmentir tudo que foi dito na mídia, inclusive as informações iniciais da própria ONU, não tem o mesmo efeito. O estrago do antissemitismo já está feito.
Parece que o antissemitismo está incrustado, consciente ou inconsciente, e para não parecerem antissemitas, muitos declaram ser amigos dos judeus e descambam para o antissionismo ou anti-israelismo, tentando preservar as suas posições, evitando que se as digam racistas e antissemitas. A verdade é que o mundo demonstrou que há uma identidade entre o neonazismo, o neo-stalinismo e o neofundamentalismo fanático, especialmente islâmico (há também alguns grupos cristãos), deixando ver que o nazismo é de direita e de esquerda e do fundamentalismo, todos se manifestando contra os judeus e Israel. Direita e esquerda reunidas ao neofundamentalismo, optaram pelo antissemitismo declarado, fazendo distorcer fatos, história e realidade, fazendo os algozes posarem de pobres coitados, vítimas de violação de direitos humanos, quando os direitos humanos da população de Israel são desrespeitados sistematicamente e, quando Israel reage, por falta de outra alternativa em defesa própria, que é um direito inalienável, fazem bloquear esse direito, com declarações pacifistas, que só valem contra Israel. Onde estavam essas vozes quando caiam foguetes e mísseis, obuses e morteiros sobre as populações civis de Israel? Havia um silêncio total. Quando Israel reage, a onde de antissemitismo aflora e se espalha. Onde estavam os protestos contra a matança no Sudão, também uma guerra neofundamentalista islâmica contra cristãos?
O caso do Vaticano, levantando a excomunhão, de um bispo que nega Holocausto levantou protestos, mas resolveu-se, segundo parece, pela intervenção da Chanceler alemã, Ângela Merkel. O bispo deverá se retratar. A atuação dos que não querem esquecer, mostra que se deve ficar sempre vigilantes. Assim, também, devemos ficar vigilantes com o que vai por aqui, com a Venezuela e o antissemitismo se espalhando, uma forma de atuação do neonazismo e neo-stalinismo aliados.

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A Espanha Justiceira

Pilar Rahola, ex-membro do Parlamento Europeu

Existem juizes espanhóis, sobrecarregados de trabalho, fartos de acumular casos importantes e não dar conta, distribuindo despachos cheios de documentos, com recursos quase medievais, botando o fígado pela boca do colapso da justiça, e a ponto de entrar em uma greve histórica.
Existem estes juizes, e, pelo que parece, existe o juiz Fernando Andreu, tão assoberbado de trabalho que, como disse Vicenço Villatoro, decidiu carregar o mundo inteiro em suas vigorosas costas, felizmente iluminado por sua generosa leitura da lei orgânica do Poder Judiciário. Graças a seu empenho, e ao tempo livre de que desfruta, a Espanha se converteu em uma espécie de justiceira universal, substituta, ela sozinha, do falido Tribunal Internacional, e se põe a julgar as ações de militares de países aliados, cujas democracias já gozam dos controles democráticos pertinentes. É muito bonito!
Com certeza, tentar julgar alguns generais israelenses é algo que consegue gratuitamente o aplauso das ruas. Não em vão todos se atrevem a ser contra Israel. Se o bom juiz Andreu se pusesse a julgar, por exemplo, as vinculações terroristas de algumas ditaduras brutais, como o Irã, cujo apoio direto ao Hamas e ao Hezbollah tem provocado dezenas de atentados, ou cuja implicação no atentado contra a Amia argentina – que causou 86 mortos – foi demonstrada, então talvez haveria alguma confusão.
Com a democracia israelense pode-se estufar o peito, mas contra o fundamentalismo islâmico, quem é o valente? Se nem mesmo gritam contra eles os senhores da trincheira, do alvoroço e dos cartazes de protesto, como o fará um bom cowboy juiz solitário? E assim, dotado da inspiração das grandes façanhas – D'us nos livre dos bem-intencionados! – o juiz decide converter-se no julgador dos membros do exército de um país democrático, que sofre uma situação bélica ininterrupta desde que existe, que tem tido que enfrentar centenas de atentados terroristas, e cuja sobrevivência é ameaçada permanentemente por múltiplos países.
Sem ir mais longe, um dos militares que quer julgar por "delitos contra a humanidade", o general Daron Almog, perdeu seu tio, sua cunhada, o filho de ambos e seus dois netos no atentado do Restaurante Maxim de Haifa. Haveria julgado, o juiz Andreu, a Salah Mustafa Muhammad Shehade, líder das brigadas Ezedin al Qasam, responsável direto pelos 94 israelenses assassinados em três atentados, e objeto da ação militar israelense que agora se julga? Por certo, os israelenses assassinados são "civis", como os mais de mil que morreram em atentados só de 2000 a 2006. Entende-se por civis pessoas que estão comendo tranqüilamente em um restaurante, não? Lembram-se da frase de um israelense a seu amigo palestino? "Escrevo-te da trincheira, do terraço de um café em Jerusalém".
Empenhado, pois, a dedicar-se à violência que sofrem outros países, a partir de seu cômodo despacho da Audiência Nacional, abrirá diligências contra o grupo terrorista Hamas por crimes contra a humanidade, questão esta que organizações palestinas democráticas denunciam? Crimes como assassinar pessoas em ônibus e bodas? Julgará os que prepararam o atentado na Universidade de Jerusalém e mataram estudantes de vários países? E os que mataram crianças em um ônibus escolar? Terá tempo para dizer aos israelenses como têm que se defender?
E, mantendo seu espírito justiceiro, julgará as ditaduras que condenam ao apedrejamento mulheres subjugadas por leis terríveis? As que condenam à morte os homossexuais? Levará a ditadura cubana aos tribunais, ou será demasiado politicamente incorreto? E enquanto se dedica a julgar o resto do mundo, terá um minutinho para valorizar a "superioridade moral" da Espanha sobre a malvada Israel? Porque se Fernando Andreu pode julgar um militar israelense, em meio a uma guerra aberta, talvez as autoridades israelenses possam julgar os políticos espanhóis, pelo caso GAL (N.T. políticos do Partido Socialista Operário Espanhol envolvidos em escândalos de corrupção e de terrorismo de Estado), por exemplo. Dispostos a nos mordermos mutuamente, bailemos todos.

Publicado no La Vanguardia, de Barcelona
Tradução: Irene Walda Heynemann

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Esquecer Achmed Assef

Daniel Douek

Achmed Assef, desde que surgiu publicando cartas, tem sido visto com desconfiança pela maioria das pessoas. Curiosamente, segundo tenho acompanhado, grande parte daqueles que desconfiam desse famoso “palestino que não odeia Israel e os judeus”, o fazem não porque se trata de uma carta absurda e sim pois acham a carta “boa demais para ser verdade”.
Tudo indica que a carta não foi escrita por um palestino. Mais ainda, há motivos para acreditar que a carta foi escrita por alguém da comunidade judaica. Em qualquer conflito, as partes envolvidas enxergam a realidade de determinada maneira, se baseando em (e criando) determinadas narrativas. Nas cartas de Achmed Assef todos os pontos estão de acordo com a “narrativa padrão” da comunidade judaica, aquela levada a cabo por suas instituições. Estranhamente, não há nenhum ponto que se aproxime da narrativa palestina, desconsiderada inclusive na hora em que Achmed Assef elabora suas críticas. Um exemplo disso é quando afirma:

“Não acreditem em tudo que veem na mídia e muito menos em tudo que ouvem”

De onde o palestino Achmed tirou isso? É na cabeça da comunidade judaica que a opinião pública e a mídia são contrárias a Israel. É difícil para a maioria das pessoas da comunidade aceitar isso, mas o fato é que os árabes e palestinos também se sentem perseguidos pela mídia! Um sentimento muito próximo daquilo que se vê entre nós. Uma breve navegada nos meios de comunicação e difusão da comunidade árabe brasileira deixa isso muito claro. O estranho aqui não é o fato de Achmed dizer que a mídia é tendenciosa contra Israel e sim o fato de, acreditando nisso, não fazer uma crítica à visão árabe/palestina de que a mídia é tendenciosa contra os palestinos. A argumentação de alguém que tem o mínimo conhecimento sobre essa realidade seria algo do tipo: “vejam, a opinião pública está a nosso favor. A mídia é muito pior para Israel do que para os palestinos”.

Achmed diz também:
“os lideres palestinos nunca quiseram um Estado”. Se quisesse teriam criado antes de 1948, quando ainda não existia o Estado de Israel”

Achmed estranhamente esquece que a organização árabe na região nunca foi baseada no conceito europeu de estado-nação. Não é necessário ser palestino para saber que os palestinos viviam em aldeias descentralizadas e foi justamente a chegada de “estrangeiros” que impulsionou o desenvolvimento de um nacionalismo baseado na idéia de estado-nação. Questionar a não criação de um estado palestino antes da chegada dos judeus é fazer uma crítica com olhares europeus/ocidentais e não palestinos.

Mais adiante, aparece:
“Por que paises fortes e com um território gigantesco como Arábia Saudita, Jordânia, Irã e outros não tão grandes mas muito ricos, como Kwait, Emirados Árabes ou Catar não nos recebem de braços abertos?”

Achmed Assef acha que os palestinos deveriam ser recebidos por Arábia Saudita, Jordânia, Irã etc ? Quer dizer, Israel pode continuar ocupando sua terra em que ele nasceu? Achmed resolveu abrir mão de sua terra? Muito estranho isso. Esse parágrafo não faz o menor sentido. Para usar metáforas à la João Pereira Coutinho, tão citado pela comunidade, é como um brasileiro que, vendo sua terra ocupada por americanos, reclamasse com seus amigos vizinhos argentinos e uruguaios por não terem sido recebidos de braços abertos nesses países e não dizer nada das forças de ocupação americanas.
Esse tipo de afirmação se enquadra naquelas que negam o nacionalismo palestino. Vai na linha daqueles que preferem mostrar o mapa de todo o oriente médio e a dicotomia “muçulmanos ou árabes x judeus” e não o mapa de Israel e a dicotomia “israelenses x palestinos”. Ao enxergar o palestino como árabe ou muçulmano ao invés de enxergá-lo como palestino, a causa palestina cai por terra. Não há necessidade de mais um país árabe ou muçulmano. Mas um Estado Palestino é absolutamente necessário.

Ainda de acordo com Achmed Assef:
“Não precisamos importar um conflito que não serve pra nada aqui”

Isso está na boca de todos aqueles que falam em nome da comunidade. A meu ver, quando falam em “não importar o conflito” trata-se muito menos de não criarmos uma nova briga aqui, onde temos uma convivência aceitável, e muito mais de deixar Israel fazer o que bem entender, sem que façamos interferências ou críticas. A cada crítica que se faz no Brasil às ações de Israel, a comunidade responde: “não precisamos importar um conflito que não serve pra nada aqui”. Ops, essa é a frase do Achmed...

Outra coisa curiosa é quando ele afirma:
“Hoje recebi uma notícia de que o numero de mortos no conflito não passou de 600 e a maioria era de militantes do grupo terrorista e mesmo após o cessar fogo, o Hamas continua atirando mísseis em Israel. Chato né?”

Essa notícia foi publicada pelo italiano “Corriere de la Será” e divulgada no Brasil pelos órgãos de mídia judaica. Pesquisei rapidamente e não vi nada sobre isso na imprensa comum. Pode ser que tenha aparecido.

Esse trecho é uma pérola:
“Sabemos que devemos ter uma convivência pacifica com Israel, afinal, é de Israel que vem nossa água, nossa comida, nosso trabalho e nosso dinheiro”.

Desde quando isso é um argumento em defesa de Israel ? É justamente o contrário. Os palestinos sempre reclamaram ter que depender de Israel nessas necessidades básicas. Achmed pode pensar diferente? Claro que sim! Mas por que é muito estranho que um palestino defenda essa idéia dessa forma? Porque não faz sentido com os pressupostos daqueles com os quais ele está dialogando. Para fazer essa defesa de uma maneira razoável, deveria começar criticando o pressuposto árabe/palestino de que é ruim o fato de Israel ser o responsável pelo envio de “água, comida, trabalho e dinheiro” aos palestinos. Mais uma vez ele demonstra grande desconhecimento.

Curiosamente há no texto uma mistura de discurso político com um estranhíssimo discurso religioso que não engana ninguém:
“Se tiver que lutar ao lado de Israel contra esses terroristas, eu vou lutar, porque nunca vou fugir da verdade e do compromisso com minha fé, que é muito diferente das que propagam de matar e morrer em nome do Grande misericordioso”.

É engraçado um dos trechos com cara de “mea culpa” que diz, a respeito do povo judeu:
“Se não são anjos, também não são demônios como pregam nossos lideres”.

E, na última carta, ele avisa:
“Prefiro me manter no anonimato sustentável porque nunca se sabe o que são capazes esses debilóides terroristas não é mesmo? (...) Neste período recebi algumas ameaças muito fortes. Portanto, peço desculpas aqueles que desejam me conhecer pessoalmente e quem sabe num futuro próximo eu possa encontrar todos vocês”.

Alguém leva a sério? Estranhamente o “corajoso” Achmed Assef, aquele que não é “covarde como os principais terroristas que se escondem” está preocupado com a sua segurança nesse “lindo país acolhedor” em que, segundo ele, a convivência entre as pessoas “é motivo de orgulho”. Como oscila sua argumentação... Para mim isso é mais um motivo para acreditar que ele não vai aparecer simplesmente porque não existe. Pelo menos não da forma como se apresenta.
É lógico que sempre há vozes dissonantes, opiniões diversas, contestações (ainda bem!). E não há dúvidas que há muitos palestinos que não odeiam Israel, não odeiam os judeus, querem o fim do terrorismo praticado pelo Hamas (ainda bem também!). Há inúmeros textos de palestinos nesse sentido. Mas eles não têm nada a ver com o texto de Achmed Assef. Apesar de dizer que “as pessoas desconfiam muito de alguma coisa quando não esta nos "padrões" da sociedade e talvez somente por esse motivo, fico muito feliz de ter escrito meu depoimento”, no fundo, Achmed não diz nada que esteja fora dos padrões da sociedade. Ele fez justamente o contrário. Sua argumentação está completamente dentro do padrão da produção discursiva da comunidade judaica. Não existe aí uma terceira via. Essas cartas representam a via das instituições da comunidade judaica. Todos os pontos das duas cartas que ele escreveu podem ser encontrados em livros de Hasbará. Desde aquelas apostilas destinadas a “formar líderes” até livros mais bem acabados como “Mitos e fatos: a verdade sobre o conflito árabe-israelense”. A impressão que dá é que ele seguiu esses manuais à risca.
Voltando à questão inicial, não devemos desconfiar da carta pelo fato dela ser “boa demais para ser verdade”. O motivo que nos leva a crer que é falsa é justamente o fato de que ela é ruim demais para ser verdade. Já estava habituado com essa tendência de tentar “criar” líderes moderados para os palestinos, mas parece que alguém inovou ao criar Achmed Assef, uma “pessoa do povo”.
E se Achmed Assef existir? Tudo bem. No fundo pouco importa se ele existe mesmo ou não. Pouco importa também se é realmente palestino ou não. O fato é que ele não acrescenta absolutamente nada para a questão. O mais importante é que não se trata de um moderado, alguém com propostas novas que traga uma perspectiva nunca antes vista e que aponte na direção de um mundo de paz. Não se trata de uma lufada de ar nesse meio tão sufocante, com opiniões tão rígidas. Porque tanta repercussão? Porque a carta foi assinada por um palestino? Até acredito que muitos de vocês gostariam que todos os palestinos vissem o conflito dessa forma, mas a carta é primária, os argumentos são primários e revelam total desconhecimento dos palestinos e sua causa.
Ao invés de começarmos a espalhar e-mails de um suposto palestino que pensa aquilo que muitos de nós pensamos, seria muito mais interessante rever nossas próprias crenças e, juntamente com os palestinos, chegar a um meio termo que ainda não existe e, quem sabe um dia, à paz. Em tempo: em árabe o correto seria Ahmed e não Achmed. O “ch” com som de “r” pode ser encontrado nos livros judaicos transliterados...

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Além dos bancos

Thomas L. Friedman, colunista de
assuntos internacionais do New York Times

Em visita a Israel, fui bastante questionado por israelenses e palestinos sobre qual o espaço que o processo de paz entre os dois povos terá entre as prioridades do presidente Barack Obama. Acredito, disse a eles, que Obama tem três prioridades imediatas: bancos, bancos e bancos - e nenhum deles fica na Cisjordânia. Dito isto, uma vez que Obama for capaz de pensar novamente sobre o Oriente Médio, descobrirá que a equipe de Bush deixou um interessante legado aqui: 140 mil soldados norte-americanos trabalhando na reconstrução do Estado iraquiano e apenas um soldado norte-americano - na verdade um general três estrelas do Exército - trabalhando na reconstrução da Cisjordânia. Precisamos de um equilíbrio melhor.
Os soldados americanos no Iraque podem se orgulhar das últimas eleições iraquianas, que fortaleceram os partidos mais seculares e de centro. Mas temos de esperar para ver se os perdedores aceitam a derrota pacificamente e se os vencedores podem de fato exercer um governo melhor. As eleições iraquianas, entretanto, são um exemplo raro de um povo árabe que tem a oportunidade de reconstruir seu próprio futuro a partir da base, e eu continuo torcendo por eles.
Os palestinos precisam de uma oportunidade parecida. É impossível ter uma solução de dois Estados sem que existam dois Estados, e hoje a Autoridade Palestina na Cisjordânia, que ainda apoia o acordo de dois Estados, não tem as instituições de um Estado, principalmente no que diz respeito a uma força policial eficaz. Portanto, minha esperança é que Obama se concentre não apenas nos planos de paz de cima para baixo, mas também na construção de instituições a partir da base. A melhor forma de isolar o Hamas em Gaza é transformar a Autoridade Palestina na Cisjordânia num governo decente com um controle expansivo de seu território.
É exatamente isso que o oficial do Exército dos EUA na região, o tenente-general Keith Dayton, quer fazer. Eu o acompanhei junto com sua pequena equipe até Jenin - que já foi a cidade mais violenta da Cisjordânia - para vê-los em ação. Foi uma cena e tanto: assisti a uma companhia de soldados da Autoridade Palestina, recém-treinados, com orgulho e um ar profissional, parados em alerta, com rifles AK-47 ao lado do corpo, ouvindo com um respeito óbvio o general americano
dizer:
"O que vocês fizeram foi mais importante do que qualquer outra coisa para impulsionar o projeto nacional palestino... Vocês tomaram conta das pessoas numa época difícil. É assim que as forças de segurança de um país se comportam". Não, isso não é coisa que se vê todos os dias. Dayton falava para o 2º Batalhão Especial da Força de Segurança Nacional Palestina, ou NSF em inglês. O grupo foi treinado pela polícia da Jordânia num programa supervisionado pelo Coordenador de Segurança dos EUA - ou seja, Dayton. A princípio, ele foi designado pela equipe de Bush em 2005 para ajudar a reformar a segurança palestina, mas só conseguiu financiamento para fazê-lo depois que o Hamas tomou Gaza em 2007. Cerca de 1.600 soldados palestinos do NSF graduaram-se desde então, e 500 estão agora em treinamento. Treinada em tudo, desde controle da violência até direitos humanos, o NSF é a única força verdadeiramente profissional controlada pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas.
O exército israelense, no início desconfiado da missão de Dayton, passou a respeitá-la, e agora permite que ela se expanda até Hebron. O que de fato chamou a atenção de Israel foi que, durante a guerra de três semanas de Israel contra o Hamas em Gaza, a Cisjordânia não eclodiu em revolta, em grande parte porque as tropas do NSF permitiram protestos generalizados, mas evitaram que os manifestantes palestinos entrassem em choque com os soldados israelenses. "O general Dayton é nosso amigo", disse o coronel Radi Abu Asida do NSF. "Agora temos um treinamento excelente. Agora temos profissionalismo no nosso trabalho de segurança. Dissemos às pessoas durante os protestos em Gaza: 'Vocês podem protestar, mas tem de ser de um jeito moderno'".
Infelizmente, o financiamento para o trabalho de Dayton - assegurado por dois integrantes da Câmara dos EUA com visão futura, Nita Lowey e Gary Ackerman - vai acabar logo. Isso será uma tragédia. Antes que do NSF, "isso aqui era um caos", disse Mohammed Abu Bakr, dono de uma loja de artigos para casamento em Jenin, referindo-se ao vácuo de segurança depois do colapso do regime de Arafat. "Todo mundo queria lutar com todo mundo. Agora tudo está organizado".
A missão de Dayton - um ponto luminoso raro num cenário devastado - é a base sobre a qual devemos construir. "O problema não é só território, mas como ocupamos esse território", disse Gigi Grinstein, presidente do instituto israelense Reut Institute. "Jenin é importante. É o começo da construção da capacidade, que leva à construção das instituições, que leva à construção do Estado, que leva à independência. Mas a legitimidade da polícia palestina depende do avanço do processo de paz e de os israelenses cederem aos palestinos o controle de mais território à medida que os palestinos mostram sua capacidade, acrescentou. "Do contrário, eles são vistos como uma ferramenta para promover a ocupação e serão deslegitimados e atacados".
Então é importante que George Mitchell, enviado especial dos EUA ao Oriente Médio, continue pressionando diplomaticamente a partir de cima, mas nada acontecerá sem um aumento considerável dos esforços dos EUA a partir da base para ajudar a Cisjordânia a reconstruir sua capacidade governamental com credibilidade. Fazendo isso, tudo é possível. Não fazendo, nada é possível.

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Entrevista:
bispo Richard Williamson

O Vaticano está exigindo que o senhor se retrate de sua negação do Holocausto e está ameaçando não autorizar que o senhor retome suas atividades como bispo. Como o senhor reagirá?
Por toda a minha vida, eu sempre busquei a verdade. Este é o motivo para ter me convertido ao catolicismo e me tornado padre. E agora só posso dizer uma coisa, a verdade da qual estou convencido. Como percebo que há muitas pessoas honestas e inteligentes que pensam diferente, eu devo rever as evidências históricas de novo. Eu disse a mesma coisa na minha entrevista para a televisão sueca: o que está em questão são evidências históricas, não emoções. E se encontrar estas evidências, eu me corrigirei. Mas isso levará tempo.

O senhor poderia viajar para Auschwitz ?
Não, eu não viajarei para Auschwitz. Eu encomendei o livro de autoria de Jean-Claude Pressac. Ele se chama "Auschwitz: Technique and Operation of the Gas Chambers" (“Auschwitz: técnica e operação das câmaras de gás”). Uma cópia está sendo enviada para mim e eu a lerei e estudarei.

A Sociedade de São Pio 10 (SSPX) estabeleceu um ultimato para o final de fevereiro. O senhor não corre o risco de romper com o grupo?
No Velho Testamento, o profeta Jonas diz aos marinheiros quando o navio deles está em apuros: "Vamos! Atirem-me ao mar e ele ficará calmo ao vosso redor, porque sei que foi por minha causa que vos veio esta grande tempestade". A Sociedade tem uma missão religiosa que está sofrendo por minha causa. Eu agora examinarei as evidências históricas. Se não considerá-las convincentes, eu farei tudo o que estiver ao meu poder para evitar causar mais mal à Igreja e à Sociedade.

O que a revogação da excomunhão pelo papa Bento XVI significa para o senhor?
Nós apenas queremos ser católicos, nada mais. Nós não desenvolvemos nossos próprios ensinamentos, mas estamos apenas preservando as coisas que a Igreja sempre ensinou e praticou. E nos anos 60 e 70, quando tudo foi mudado em nome do Concílio Vaticano Segundo, repentinamente se tornou um escândalo. Como resultado, nós fomos jogados à margem da Igreja, e agora que as igrejas vazias e o envelhecimento do clero deixou claro que as mudanças foram um erro, nós estamos retornando ao centro. É assim que funciona para nós conservadores: é provado que estamos certos, desde que consigamos esperar o suficiente.

As pessoas no Vaticano alegavam que não conheciam o senhor. É verdade?
A maioria dos contatos passa pelo bispo Fellay e pelo Conselho Geral, do qual não faço parte. Mas três de nós quatro bispos participaram de um jantar privado com o cardeal Castrillon Hoyos em 2000. Ele se tratava mais de conhecermos uns aos outros, mas nós certamente discutimos questões teológicas e um pouco de filosofia. O cardeal foi muito amistoso.

O Concílio Vaticano Segundo é considerado uma das grandes realizações da Igreja Católica. Por que vocês não o reconhecem plenamente?
Não está claro o que devemos reconhecer. Um documento importante se chama "Gaudium et spes", ou Alegria e Esperança. Nele, os autores escrevem com entusiasmo sobre a capacidade do turismo de massa de unir as pessoas. Mas é difícil esperar que uma sociedade conservadora abrace pacotes turísticos. Ele discute temores e dificuldades. E então uma guerra nuclear entre superpotências é mencionada. Como pode ver, grande parte disso já está datado. Estes documentos do Conselho são sempre ambíguos. Como ninguém sabia exatamente o que significavam, todo mundo começou a fazer como bem entendia logo após o Conselho. O resultado disso foi este caos teológico que temos hoje. O que devemos reconhecer, a ambiguidade ou o caos?

O senhor então está ciente de que estão dividindo a Igreja com suas posições extremas?
Apenas a violação dos dogmas, isto é, os princípios infalíveis, destrói a fé. O Conselho Vaticano Segundo declarou que não proclamaria novos dogmas. Hoje os bispos liberais atuam como se ele fosse uma espécie de superdogma que abrange tudo, e eles o utilizam como justificativa para uma ditadura do relativismo. Isso contradiz os textos do Conselho.

Sua posição em relação ao judaísmo é consistentemente antissemita.
São Paulo colocou desta forma: os judeus são amados por causa dos pais, mas inimigos por causa do evangelho.

O senhor pretende usar a tradição católica e a Bíblia para justificar seu antissemitismo?
Antissemitismo significa muitas coisas hoje, por exemplo, quando alguém critica as ações israelenses na Faixa de Gaza. A Igreja sempre entendeu a definição de antissemitismo como uma rejeição aos judeus por causa de suas raízes judaicas. Isto é condenado pela Igreja. Isto é autoevidente em uma religião cujos fundadores e todos os indivíduos importantes de seus primórdios eram judeus. Mas também está claro, por causa do grande número de judeus-cristãos no início do cristianismo, que todos os homens precisam de Cristo para sua salvação - todos os homens, incluindo os judeus.

O papa viajará para Israel em breve, onde ele planeja visitar o Memorial do Holocausto. O senhor também é contrário a isto?
Fazer uma peregrinação à Terra Santa é uma grande alegria para os cristãos. Eu desejo ao Santo Padre tudo de bom em sua jornada. O que me incomoda a respeito do Yad Vashem é que o papa Pio XII é atacado lá, apesar de ninguém ter salvo mais judeus durante o período nazista do que ele. Por exemplo, ele fez com que certificados de batismo fossem emitidos para os judeus perseguidos para protegê-los contra a prisão. Estes fatos foram distorcidos para significar exatamente o oposto. Fora isso, eu espero que o papa também dê atenção para as mulheres e crianças que foram feridos na Faixa de Gaza, e que fale em apoio à população cristã em Belém, que atualmente está confinada à cidade.

Suas declarações causaram muitos danos e ultraje no mundo judeu. Por que o senhor não pede desculpas?
Quando percebo que cometi um erro, eu peço desculpas. Eu peço a todo ser humano que acredite em mim quando digo que não falo nenhuma inverdade deliberadamente. Eu estava convencido de que meus comentários eram precisos, com base na minha pesquisa nos anos 80. Agora devo rever tudo e olhar para as evidências.

O senhor ao menos reconhece os direitos humanos universais?
Quando os direitos humanos foram declarados na França, centenas de milhares foram mortos por toda a França. Onde os direitos humanos são considerados uma ordem objetiva para ser implantada pelo Estado, há consistentemente políticas anticristãs. Quando se trata de preservar a liberdade de consciência do indivíduo contra o Estado democrático, então os direitos humanos exercem uma função importante. O indivíduo precisa desses direitos contra um país que se comporta como um Leviatã. Mas o conceito cristão de Estado é diferente, de forma que as teorias cristãs de direitos humanos enfatizam que a liberdade não é um fim em si mesmo. O sentido não é liberdade de algo, mas liberdade para algo. Para o bem.

Suas declarações e a suspensão de sua excomunhão provocaram protestos em todo o mundo. O senhor entende isso?
Uma única entrevista na televisão sueca dominou o noticiário por semanas na Alemanha. Sim, me surpreendeu. Isso acontece com todas as violações da lei na Alemanha? Dificilmente. Não, eu sou apenas o instrumento aqui, de forma que uma ação possa ser realizada contra a SSPX e o papa. Aparentemente o catolicismo esquerdista da Alemanha ainda não perdoou Ratzinger por ter se tornado papa.

Entrevista publicada na revista "Der Spiegel"
Tradução: George El Khouri Andolfato

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O Hitler escondido

Zuenir Ventura, jornalista

O filme “O leitor”, de Stephen Daldry, merece ser visto não só por suas qualidades cinematográficas _ roteiro criativo, um extraordinário desempenho que valeu a Kate Winslet o favoritismo ao Oscar _ mas também pelo que discute: o papel da população alemã durante o nazismo. Kate interpreta uma ex-guarda de campo de concentração que é julgada muitos anos após o fim da guerra. Mais um filme sobre o Holocausto, reclamarão os que acham que o assunto já foi por demais “explorado”, os que querem esquecer ou, até, os que querem negá-lo, como esse inominável bispo britânico Richard Williamson, que chegou a criar um mal-estar entre o governo alemão e o Vaticano.
Para quem não acompanhou o caso, um resumo. Excomungado em 1988 por suas posições heréticas, ele acabara de ser reabilitado por Bento XVI no começo deste mês, quando se soube que dias antes dissera a uma TV sueca que o Holocausto não existiu e que “nenhum judeu” tinha sido morto em câmara de gás. Pressionado dentro e fora da Igreja, inclusive pela chanceler Angela Merkel, o Papa finalmente exigiu que Williamson se retratasse e admitisse a existência do Holocausto, cuja negação é crime na Alemanha. A nota esclarecia que, quando a excomunhão foi retirada, o Santo Padre desconhecia a posição do bispo antissemita. Porém, ele é reincidente (e até o momento em que escrevo não havia se retratado). Em 89, fez declaração semelhante no Canadá: “Os judeus inventaram o holocausto para nos fazer aceitar o estado de Israel”.
Só esse episódio já seria suficiente para mostrar que o tema não está superado. Quantos Williamsons ainda existem por aí? Pode-se alegar que se trata de um caso patológico. Mas desses fanáticos o mundo está cheio. Já o filme aborda questões mais “naturais”, como crime e castigo, culpa e remorso, omissão e conivência, memória e esquecimento. Como punir os culpados _ não um, mas todos? Como fazer para que a História não se repita? A que absurdos o princípio de cumprir ordens e obedecer cegamente à lei e ao dever pode levar? Tudo isso envolto num arrebatador caso de amor entre um adolescente de 15 anos e uma atraente mulher com o dobro da idade.
Como resolver o dilema entre o presente, representado por um estudante de Direito, e o passado criminoso que ele descobre ter sido o do objeto de seu desejo? Compreender e perdoar ou punir? De propósito, o filme está cheio de perguntas sem respostas, como, por exemplo, quando o promotor interroga a ré sobre se de fato selecionara dez jovens para a morte, e ela o desafia com outra pergunta que fica no ar: “O que o senhor teria feito no meu lugar?” Afinal, essa tarefa abominável fazia parte do seu ofício.
Entre as várias reflexões que “O leitor” suscita, uma é por demais inquietante: é possível haver um Hitler escondido dentro de cada um de nós?

Publicado em O Globo

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A um passo do Armagedom

Alfredo Prentki, engenheiro e escritor

A inquisição do fundamentalismo Islâmico poderá, lamentavelmente, conduzir o mundo ao Armagedom. Quem sobreviverá à crise? Estão se cumprindo as antigas profecias? Precisamos urgentemente conscientizar o atarefado, insensível e apático mundo em relação a Israel e seu povo e às inquisições. A trágica história da Inquisição ibérica e do Holocausto nazista infelizmente é desconhecida por cerca de 85% da nossa humanidade. O mundo, indiferente, necessita urgentemente conhecer essas terríveis e verdadeiras histórias, pois somente assim não se permitirá mais que elas se repitam. A nova Inquisição pregada pelo fundamentalismo Islâmico, em pleno apogeu do século XXI, utiliza-se de carros-bomba e homens-bomba. O fanatismo deste desumano fundamentalismo nos obriga a consultar a importante obra do famoso vidente Nostradamus e a Bíblia Sagrada. A Inquisição do Armagedom deverá ser a última em nosso conturbado planeta.
A palavra Armagedom deriva do hebraico Har-Megiddo, que significa Colina de Megido, palco de muitas batalhas do decurso da História. Armagedom é o símbolo Bíblico do milenar conflito entre o Bem e o Mal. Não estamos longe do dia do embate derradeiro entre o Bem e o Mal, que iniciado no céu (com o uso de míssel teleguiado dotado de poderosa ogiva nuclear) e transferido para a Terra, deve aqui ter o seu desfecho. Cerca de seis mil anos já decorreram. Dilúvios de sangue banharam a Terra. A farsa da paz chega ao fim. Muito em breve, o mundo conhecerá uma nova era. Embora para nossa consternação, muitas vezes o Mal prevaleça, a Bíblia nos revela um final feliz.
Sob a liderança da ONIJ, um grupo de países filiados se comporta como serviçais de uma causa e planeja febrilmente criar o tão almejado Estado Palestino, que poderá a vir a ser um cavalo de Tróia na região, cuja meta principal e a destruição do único Estado democrático do Oriente Médio Israel.
Pela TV, quase diariamente podemos assistir à ira assassina dos terroristas desrespeitando as leis dos civilizados e a vida humana. Até seus audaciosos líderes, temidos apregoadores da tão sonhada paz, conseguem iludir a apática humanidade, engessando a heróica luta secular de um povo obreiro e discriminando-os. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pertencendo a uma nova geração de revolucionários xiitas, com o seu recente discurso populista, confere uma base genuína aos grupos de correligionários que se sentiam abandonados por líderes religiosos não confiáveis. O mundo que se intitula democrático recebeu dele seu importante recado: "Precisamos varrer do mapa o Estado de Israel". O Irã propõe mudar os israelenses para a Europa. Ahmadinejad pôs em dúvida o Holocausto nazista e sugeriu que a Alemanha e a Áustria cedam províncias para o "novo Israel".
Os judeus, que incansavelmente pelejam há mais de 2000 anos, semeando o progresso, têm o direito de possuir também uma pátria. No passado, os judeus e seus primos, os árabes, foram parceiros do sofrimento imposto pela cruel intolerância da era da Inquisição. Por onde andam os verdadeiros democratas simpatizantes de Israel, os ativistas da famosa declaração Nostra Aetate, o ecumenismo religioso? Somente nos eventos festivos, nas entidades comunitárias e nas sinagogas vamos encontrá-los... para serem homenageados. O Ocidente está a beira do abismo. A jornalista Oriana Fallaci diz que hoje a Europa é serviçal do Islã. Uma sugestão para a solução deste grave impasse seria a criação de um pacífico Estado Palestino, desmilitarizado, fiscalizado pela ONU, porém ligado territorialmente ao Egito ou à Jordânia. Caso contrário, infelizmente estaremos forjando a base do futuro Armagedom. Será travada a última batalha da insensata humanidade, na superfície do nosso castigado planeta.
A liga das Nações outorgou aos Britânicos um mandato para a Palestina em 1922. O fim do mandato veio com uma decisão da Assembléia Geral da ONU, a resolução 181, adotada em novembro de 1947. Esta resolução também estipulou o estabelecimento de dois estados, um judeu e o outro árabe, naquele território. Os árabes rejeitaram a resolução e, para que não fosse implementada, cinco países da região fortemente armados, iniciaram uma guerra, no dia em que os últimos britânicos se retiravam e em que David Ben Gurion leu a declaração de Independência que estipulava "o estabelecimento de um Estado judeu em Eretz-Israel, com o nome de Israel". Necessitamos alertar a comunidade internacional das consequências trágicas do perigo que desponta ameaçador com a criação do Estado palestino fundamentalista, dirigido pelo Hamas. Declararam a imprensa as suas metas. Vão semear a intolerância, o ódio e a morte, principalmente aos judeus, e não tenham dúvida de que arrastará a infeliz humanidade ao caos nuclear. Vamos nos unir para frustrar o terrível Armagedom.

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A verdadeira face do Hamas

Giora Becher, embaixador de Israel no Brasil

Algumas semanas após o cessar-fogo unilateral declarado por Israel, a verdadeira face do controle do Hamas sobre Gaza começa a se revelar. Apesar dos esforços do grupo em esconder as provas sobre os eventos, as evidências dos crimes de guerra praticados por eles, seu exagero sobre o número de vítimas civis e danos às propriedades, seu abuso da ajuda humanitária e sua intimidação aos residentes de Gaza estão finalmente vindo à tona.
Todos lembramos do choque que sentimos ao ler sobre mais de 40 pessoas mortas, inclusive crianças, no ataque israelense à escola das Nações Unidas no campo de refugiados de Jabalya. Patrick Martin, do jornal canadense "Globe and Mail", descobriu que não houve nenhum ataque à escola ou suas instalações. Ele escreve: "A história como gravada na memória das pessoas não era bem acurada. Evidências físicas e entrevistas com várias testemunhas oculares clarificam tudo. Enquanto algumas pessoas se feriram por estilhaços que caíram dentro das instalações, ninguém na escola foi morto".
Rod Nordland ("Newsweek") descreveu um exemplo de abuso de civis pelos Hamas: "De repente houve um terrível estrondo. Foi outro foguete sendo disparado contra Israel. A rampa de lançamento móvel estava bem no meio do apartamento de quatro quartos que estava cheio de pessoas".
Lorenzo Cremonesi ("Corriere Della Sera") relatou o testemunho da palestina Abdallah: "Praticamente todos os prédios mais altos em Gaza que foram alvejados pelos ataques israelenses tinham rampas lançadoras de foguetes em seus telhados. Eles as colocaram perto dos grandes depósitos da ONU, que explodiram em chamas."
Muitos residentes de Gaza culpam o Hamas pela perda de vidas e propriedades causada pelo terrorismo de se esconder entre a população civil. Entretanto criticam o Hamas em particular, mas poucos o fazem publicamente, um gesto que seria equivalente ao suicídio. Um porta-voz do Fatah, movimento do presidente Abbas, reportou que desde o final da guerra mais de cem membros de seu grupo foram assassinados ou feridos em Gaza. Louise Michel, comissária da União Europeia, denunciou durante sua visita a Gaza: "Eu digo isto intencionalmente daqui, o Hamas é um movimento terrorista e tem de ser denunciado como tal", e conclui que "neste momento temos de nos lembrar da grande responsabilidade do Hamas pelo conflito em Gaza".
As críticas ao Hamas também vêm de dentro da mídia árabe. O jornalista Abed Rashed, diretor da TV El Arabiya, faz menção em seu artigo de uma mulher em Gaza que ousou, em um programa ao vivo, dizer que estava disposta a se mudar para a Cisjordânia, viver sob o governo do presidente Abbas e que provavelmente seu desejo é compartilhado por muitos. Ele escreve que não há ninguém perguntando aos residentes de Gaza se eles concordam e aceitam as ações do Hamas, apesar de serem os primeiros a sofrerem as consequências. Conclui questionando se o grupo, que já lutou contra a Fatah no passado, está agora tentando destruir o povo palestino na Cisjordânia também.
Nossa aspiração foi e sempre será viver em paz com os palestinos e os nossos vizinhos árabes. Nós almejamos isso. Continuamos a acreditar na solução de dois Estados e a manter nosso comprometimento às negociações com a Autoridade Palestina na busca pela paz.

Publicado em O Globo

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Enxergando o perigo

Herman Glanz, presidente da Organização Sionista do Brasil

Por que ninguém compreende o perigo que o terrorismo representa para o mundo? Por que ninguém se preocupa com a existência do Estado de Israel? Por que a grande maioria acompanha a onda de deslegitimação de Israel? E por que ainda subsiste, expressamente, o antissemitismo, ressurgido especialmente na Europa, depois da terrível II Guerra Mundial e do Holocausto, lembrado na semana passada, no dia 27 de janeiro, quando do 64º aniversário da libertação do famigerado Campo de Extermínio de Auschwitz? Todos os cidadãos livres deveriam ficar preocupados, deveriam ficar atentos aos acontecimentos e protestar junto aos seus governos, ou insistir em fazer mudar a política dos governos que não se opõem ao terror e, às vezes, até o apóiam. Além da guerra que Israel teve de enfrentar, revidando os ataques constantes do Hamas, que governa a Faixa de Gaza, teve ainda de enfrentar uma guerra de protestos porque estava se defendendo, visando desbaratar o terror. Alguém ficaria indiferente se, por exemplo, Cuba diariamente atingisse, indiscriminadamente, Miami, com mísseis caindo em áreas civis, e mesmo não civis? Seguramente Cuba teria sofrido as consequências. Mas Israel foi atacado por todos os lados, chamando sua reação desproporcional, numa guerra aritmética contra a sua existência, quando niguem protestou contra os mísseis e homens-bomba, aliás, homicidas-bomba do Hamas. Ensejou-se uma onda contra o bloqueio da fronteira de Israel com a Faixa de Gaza, com passagens controladas, evidentemente se desejando dizer que a fronteira não deveria existir, porque o Hamas não reconhece a existência de Israel, e todo o território de Israel é considerado como islâmico pelo Hamas. O cinismo do velho antissemitismo.
Devemos ficar preocupados com o que sucede aqui perto. A Venezuela de Hugo Chávez, não só rompendo relações com Israel, mas deixando transparecer o antissemitismo. Na sexta-feira pela madrugada foi atacada uma sinagoga em Caracas, destruída a Arca Sagrada e os Rolos da Torá, além de arquivos e fazendo pichações contra os judeus. Lançamos nossos mais veementes protestos. A Bolívia já seguiu a Venezuela, também expulsando o embaixador de Israel. O nosso país, com base nas relações comerciais, convida o Presidente do Irã, que, alem dos negócios com mercadorias e serviços, deve buscar o terror, como fez na Venezuela, Bolívia, Equador, Argentina, Nicarágua, com a presença do Hizbollah. E o Presidente do Irã não faz segredo ter o propósito de destruir não só Israel, como a todos os judeus, levando a cabo um verdadeiro Holocausto, pois declara que o anterior não ocorreu. Temos exemplos preocupantes aqui, a centenária sinagoga de Passo Fundo foi pichada. Também protestamos com veemência. A Nota do PT, não modificada ainda, apesar de uma reação de membros do próprio Partido; o asilo a um terrorista, (não se entra no mérito se assassino ou não), membro das Brigadas Vermelhas e denunciado por uso de documento falso, denúncia já recebida pela Justiça brasileira; o possível recebimento de presos de Guantânamo, evidentemente terroristas ou pessoas ligadas ao terror do Ira-que e Afeganistão, que receberiam a liberdade aqui, porque não julgados (o que, aliás, pouco importa, porque foi concedido refúgio ao membro das Brigadas Vermelhas mesmo julgado), são situações preocupantes que indicam a aproximação do terror, sem atenção devida do governo. A crise econômica e financeira, com um grande desemprego, pode elevar o antissemitismo, porque será sempre o judeu o bode-expiatório das crises. Mas devemos nos lembrar dos partisans, pois céus azuis virão afastar as nuvens sombrias. “Nunca diga que se trilha o último caminho”.

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Quem venceu o conflito em Gaza?

Ulrike Putz, do Der Spiegel

Na Faixa de Gaza, as pessoas estão voltando para casa - ou para os destroços que antes eram suas casas. Muitos estão culpando o Hamas pela destruição porque os militantes se esconderam entre civis e atraíram o fogo israelense. Ainda assim, ninguém ousa falar abertamente. Aquilo que resta quando uma pessoa é atingida por um tiro de canhão. Sangue, tecido, pedaços de ossos presos na parede. E raiva. A raiva de Mohhammed Sadala é direcionada a um homem, cujos restos ele encontrou em seu quarto: um combatente do Hamas. Ele e um camarada invadiram sua casa, que estava vazia após a fuga da família. Da varanda, os homens do Hamas atiraram contra os israelenses que avançavam. Os soldados atiraram de volta, matando os militantes e destruindo a casa da família de dez pessoas no processo. Quando Sadala voltou para ver o que tinha acontecido, ele encontrou sua propriedade em ruínas: o quarto das crianças estava queimado, enquanto a sala de estar e o corredor estavam cortados por buracos de tiros e enegrecidos pela fumaça. No quarto de dormir, estavam os corpos: um tinha sangrado até a morte, o outro fora atingido por um tiro de tanque. Ao lado dos corpos estavam os rifles usados para tentar deter os tanques. "Eu costumava apoiar o Hamas porque eles lutavam pelo nosso país, pela Palestina", diz Sadala. “O Hamas defendia um recomeço, o fim da corrupção, que se espalhou como câncer com o moderado Fatah. Nas eleições de 2006, o Hamas conquistou a maioria com sua mensagem de mudança”, afirma ele olhando para as ruínas do quarto: "Essa é a mudança que eles trouxeram. Fomos bombardeados para 2.000 anos".
Pelo buraco na parede da casa, Sadala vê um cenário cinza e marrom. Antes havia um bairro ali, o seu bairro. Agora, há uma serpente de areia em torno de uma cratera de bomba. É impossível dizer onde antes ficavam as ruas. As casas viraram pilhas de destroços. As pessoas construíram refúgios usando tecidos e destroços. Elas olham para os burros e carneiros mortos, de barrigas inchadas. Ninguém aqui tem tempo para remover os corpos que apodrecem. Os moradores de Beit Lahia estão começando do zero novamente: as crianças carregam nas costas madeira das árvores quebradas. As mães se curvam diante do fogo e assam o pão. As jovens carregam água em latões de gasolina. Apenas os homens ficam em pé atônitos, fumando, olhando para o vazio. Muitas pessoas aqui, como Sadala, colocaram suas esperanças no Hamas - e agora estão olhando para o vazio, ideológica e materialmente. Agora, tudo está perdido. E não apenas os prédios estão em destroços na Faixa de Gaza, mas também o modo de vida de milhares de pessoas. Nas sociedades árabes, a casa é em geral tudo o que uma família possui. Frequentemente, vários irmãos constroem uma casa para toda a família. Viver junto tem suas vantagens: quando os custos da construção da casa são pagos, sobra mais dinheiro para alimentar as dezenas de familiares. Agora, tudo está perdido.
"Quando o Hamas chegou ao poder, nos ajudou com pacotes de alimentos", diz Abu Abed. Seus filhos, todos enfermeiros hospitalares, estão sem trabalho há anos. Isso é verdade para muitos na Faixa de Gaza. Agora, Abu Abed está diante dos destroços da sua casa, onde ele morava com quatro gerações da sua família. Tudo o que resta são os pilares do primeiro andar. A marinha israelense estava de olho naquele prédio desde o início da guerra. Afinal, sua vista clara da Faixa de Gaza e do mar teria fornecido uma boa base para o Hamas. "Mudei de opinião sobre o Hamas", diz Abu Abed. "Não posso apoiar um partido que trava uma guerra que destrói nossas vidas". Ele fica particularmente revoltado com o fato do Hamas ainda estar vendendo o cessar fogo como uma vitória. "Quem venceu aqui?", ele pergunta e aponta para os destroços que eram sua casa. Um de seus vizinhos acrescenta: "Muitas pessoas agora estão contra o Hamas, mas isso não vai mudar nada", diz ele. "Porque qualquer um que se levanta contra eles é morto". Desde que assumiu o poder, o Hamas usou a força brutal contra qualquer dissensão na Faixa de Gaza. Houve reportagens das agências de notícias que, durante a guerra, o Hamas teria executado suspeitos de colaborar com Israel. O reino do terror continuará por algum tempo, diz o vizinho que não quer dar seu nome. "Nunca haverá uma rebelião contra o Hamas. Seria suicídio".
Outros engolem a raiva. A casa de Hail fica a poucas ruas de distância e sofreu apenas poucos danos. Há alguns buracos de tiros na sala e todas as janelas estão quebradas. Hail também descobriu, depois do cessar-fogo, que os militantes tinham usado sua casa como base para suas operações. A porta da casa estava aberta e havia cabos elétricos passando pelo corredor. Quando Hail os seguiu, viu que levavam para a casa do vizinho que, aparentemente, tinha sido minada pelo Hamas. Hail, que tem trinta e poucos anos, estava sentado em sua varanda pensando no que fazer quando um homem se aproximou: ele era do Hamas e tinha deixado alguma coisa na casa de Hail. Este o deixou entrar, e o homem então apareceu com um colete à prova de balas, um lançador de foguetes e um cinto de munições. Uma hora depois, um combatente da Jihad Islâmica bateu na porta. Ele subiu para o telhado e reapareceu com uma caixa de munição. "Eles abusam das casas dos civis para seus próprios propósitos. Isso não está certo", disse Hail com desgosto tentando manter a educação. Em contraste com muitos de seus vizinhos, a família Sadala está comparativamente bem. Todos sobreviveram, e a casa teoricamente ainda pode ser consertada. Mohammed Sadala tem outra opinião: "Não há saída", diz ele. O que aconteceu em seu quarto de dormir não pode ser resolvido com uma limpeza. O pior é que agora ele sabe quem morreu no quarto: foi Bilal Haj Ali. Sadala sabe disso porque os irmãos do jovem vieram visitá-lo há poucos dias. Eles queriam ver o lugar onde Bilal tornara-se um mártir. "Eu os deixei centrar, mas quase não falei nenhuma palavra", diz ele. Os jovens tiraram fotografias dos restos do irmão com seus telefones celulares. "Mas eles não quiseram limpar", disse Sadala. "Eu disse a eles para nunca mais aparecerem por aqui novamente".

Tradução: Deborah Weinberg

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Tzipi Livni: "O governo de Israel
não pertence aos generais"

Recentemente foi celebrado o “Dia Internacional do Holocausto” e muitos acusam Israel de desferir uma ofensiva genocida contra a Faixa de Gaza.
Qualquer tipo de comparação entre o Holocausto, a época mais horrorosa na História da Humanidade, e uma situação em que um Estado se vê obrigado a defender seus civis é inconcebível. Diria aos que fazem essa comparação que nunca a fizessem. Nós tentamos evitar ataques terroristas contra nossos cidadãos. Os soldados israelenses estão lutando contra o terror. Lamentavelmente, os terroristas se escondem atrás dos civis, e não existe nenhuma comparação — nem estou disposta a aceitá-la — entre terroristas, que tentam convencer crianças a matar, e os soldados israelenses, que lutam contra o terrorismo. Lamentavelmente, por erro, às vezes civis morrem. Não posso evitar de sentir compaixão nesses casos. No entanto, gostaria que a comunidade internacional julgasse Israel de acordo com os mesmos valores que são manifestados em diferentes partes do mundo, na maioria do mundo livre. Não há lugar para a comparação entre um assassino e alguém que mata por engano. Os terroristas são assassinos, os soldados israelenses lutam contra o terror, embora algumas vezes, ao fazê-lo, infelizmente produzam vítimas civis.

Seu ministério denuncia o aumento de ataques e de manifestações antissemitas em toda a Europa. Qual a sua opinião sobre isso?
Estou consciente de que em alguns países o antissemitismo cresce a cada dia, muito concretamente na Europa. Mas este não é um problema israelense ou judeu, e sim um problema da comunidade e dos líderes dos países onde esse fenômeno ocorre. Eu creio que a comunidade internacional tem a responsabilidade de atuar segundo seus valores e frear essa perigosa onda.

Mas voltando a Gaza, mesmo em Israel há pessoas que propõem o diálogo com o Hamas...
Eles não estão dispostos a reconhecer Israel, e apoiam o uso da força e da resistência. É preciso entender: vivemos num aquário em que todo o mundo árabe nos olha. Por isso, toda essa história de dialogar com o Hamas é, na minha opinião, irrelevante.

Nestas eleições, seus rivais, o trabalhista Ehud Barak e o conservador Benjamin Netanyahu, são ex-oficiais do Exército que lutaram na unidade de elite "Sayeret Matkal". O Kadima teme que a ofensiva em Gaza tenha prejudicado a possibilidade de uma mulher vencer as eleições, porque, segundo dizem, a guerra é algo machista...
O governo não pertence aos generais. Penso que serei uma primeira-ministra diferente, e digo aos israelenses que em 10 de fevereiro eles têm a possibilidade de fazer História. Estive em Washington pouco antes da posse do presidente Barack Obama e vi como em cada canto havia cartazes, camisetas, pratos e chocolates com sua foto. Parece-me maravilhoso que todo um povo aguarde com tanto entusiasmo um líder que ganhou as eleições, apesar de caber-lhe uma época tão complicada. Quando ele veio a Israel durante a campanha eleitoral, fomos juntos a Sderot, a cidade mais agredida pelos foguetes do Hamas, e constatei seu grande interesse por nossa realidade e, inclusive, por questões pessoais, de cada um. Quanto a Netanyahu e Barak, creio que sou a única que pode formar um governo de unidade que inclua ambos, já que o Kadima é de centro. Nós representamos a via do meio, que pode ser um denominador comum para aqueles que estão na centroesquerda ou na centro-direita. Além disso, juntos, os três podemos impedir os partidos setoriais (leia-se os ortodoxos e ultra-ortodoxos) de aproveitarem seu peso eleitoral para obter mais benefícios para seus eleitores.

Publicado em O Globo

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Removendo o tumor maligno do terrorismo

Natan Sharansky, ex-ministro e
vice-primeiro-ministro de Israel

A guerra de Israel em Gaza foi recebida com brados de protesto ao redor do mundo. Eles vieram de duas fontes: primeiro, há aqueles que se opõem a qualquer esforço israelense de auto-defesa, principalmente porque acham que um Estado judeu nem mesmo deve existir. Essa é uma forma de anti-semitismo, e tal ponto de vista deveria ser logo descartado, sem que se argumente contra ele. Em segundo lugar, há aqueles que apóiam a existência de Israel, mas acreditam que foi errado promover um ataque tão duro contra a Faixa de Gaza. Esse argumento assume duas formas: (1) que a resposta de Israel é desproporcional e, portanto, errada; e, (2) que há formas menos violentas de lidar com o Hamas – através de pressões internacionais, sanções ou negociações.
As duas alegações, por mais lógicas que possam parecer, ignoram as lições da história, inclusive a história recente de Israel no combate ao terrorismo. Nos dez anos em que servi como ministro no Gabinete de segurança de Israel, aprendi como tais argumentos podem ser equivocados. Em 01 de junho de 2001, um homem-bomba suicida atacou a entrada da discoteca Dolphinarium em Tel-Aviv. Vinte e um israelenses, em sua maioria jovens, foram mortos e mais de 130 ficaram feridos. Esse foi o último de uma série de ataques suicidas que tinham sido lançados desde o início da Segunda Intifada em setembro de 2000. No dia seguinte, participei de uma reunião dramática do Gabinete para discutir nossas opções – uma reunião realizada no Shabat, justificável apenas por uma emergência real. A maior parte dos ministros achava que era necessário tomar medidas decisivas.
Oficiais militares apresentaram um plano para erradicar a infra-estrutura do terror, através de uma campanha complexa no coração das cidades e dos campos de refugiados palestinos. Apesar do ataque ter sido cometido pelo Hamas, estava claro que o líder palestino Yasser Arafat tinha lhe dado luz verde. Tínhamos tanto o direito quanto a capacidade para contra-atacar. No decorrer da reunião, porém, nosso ministro do Exterior entrava e saía da sala, falando pelo telefone com líderes mundiais, transmitindo-nos o que tinham dito. Sua mensagem era clara: no momento, Israel contava com a simpatia da comunidade internacional. Enquanto mantivermos nossa resposta militar no mínimo, o mundo continuará do nosso lado, e a crescente pressão diplomática irá controlar o terrorismo, disse ele. Mas, se lançarmos um ataque em grande escala contra os terroristas, arriscamo-nos a perder o apoio mundial e a transformar Arafat de agressor em vítima.
Finalmente, o primeiro-ministro foi convencido pela abordagem dele, e tomou-se a decisão de adotar uma resposta proporcional – ataques localizados a células terroristas, operações especiais, prisões – e de permitir que a diplomacia exercesse sua mágica. Nos próximos nove meses, Israel moderou seu fogo, e o mundo realmente condenou o terrorismo. Mas os ataques simplesmente aumentaram. No coração de Tel-Aviv e Jerusalém, homens-bomba suicidas explodiram cafeterias, ônibus e hotéis. A vida noturna acabou, o turismo foi dizimado e os hotéis tiveram de despedir a maior parte dos seus trabalhadores. Um dos meus colegas no governo, Rehavam Ze’evi, foi abatido por terroristas. Nesse meio-tempo, os EUA sofreram seu próprio ataque terrorista em 11 de setembro e fizeram intensas pressões sobre nós para que não retaliássemos contra os palestinos, com medo de que isso complicasse sua própria guerra com a Al-Qaeda.
A situação chegou a um clímax em março de 2002, quando mais de 130 israelenses foram mortos num só mês – sendo que o ataque mais infame ocorreu em 27 de março, na véspera da Páscoa, no Park Hotel em Netanya. No dia seguinte, o Gabinete reuniu-se – novamente num encontro extraordinário durante um feriado religioso. A reunião começou às 6 da tarde e prosseguiu durante toda a noite. Dessa vez, porém, o governo decidiu lançar a Operação Escudo Defensivo – o mesmo plano que as Forças de Defesa de Israel (FDI) tinham apresentado no ano anterior.
As Nações Unidas nos condenaram, os EUA enviaram o secretário de Estado Colin Powell para nos dizer que deveríamos parar imediatamente com os ataques. A mídia global montou uma campanha brutal para nos retratar como criminosos de guerra, espalhando falsos rumores sobre a matança indiscriminada de civis palestinos, descrevendo a operação como a pior atrocidade da história moderna. O mais chocante desses rumores foi o libelo de Jenin, que foi mostrado em um filme produzido basicamente a partir da imaginação fértil do seu diretor, e então apresentado ao redor do mundo. Não vinha ao caso que, na realidade, Israel tinha tomado medidas sem precedentes para minimizar o número de vítimas civis, até mesmo deixando de usar bombardeios aéreos ou fogo de artilharia, fazendo seus próprios soldados assumirem riscos sem precedentes; ou que a comissão da ONU criada para investigar Jenin foi logo dissolvida por falta de evidências; ou que o diretor do filme admitiu ter ludibriado seu público.
Durante anos, o “Massacre de Jenin” foi a peça central da máquina de propaganda anti-israelense, reverberando pela Europa e nos campi americanos, como símbolo da iniquidade israelense. Nossa reputação estava em frangalhos. Entretanto, tudo isso foi um preço baixo a pagar por aquilo que Israel ganhou. Em poucas semanas o terrorismo palestino foi desativado, e o número de israelenses mortos caiu de centenas por mês para menos de uma dúzia no decorrer do ano seguinte. A economia voltou a se movimentar. Não menos importante foi o efeito que a Operação Escudo Defensivo teve sobre os próprios palestinos. Com a infra-estrutura terrorista removida, os palestinos puderam iniciar a reconstrução das suas instituições civis e mudar sua atitude em relação à violência. No decorrer do tempo, a política de promoção do terror de Arafat foi substituída pela abordagem bem mais cautelosa do seu sucessor, Mahmoud Abbas.
Em mais de seis anos desde a operação, a economia da Margem Ocidental floresceu. Se há esperança na Margem Ocidental hoje em dia, é porque Israel abandonou as idéias de proporcionalidade e diplomacia para lidar com o terrorismo. Os palestinos da Margem Ocidental sabem disso; por essa razão não se juntaram à condenação mundial desenfreada de Israel pela guerra em Gaza. Enquanto dezenas de milhares protestaram na Europa, a maior parte dos moradores da Margem Ocidental ficou silenciosa. Entender a guerra em Gaza significa reconhecer as lições de 2002. Durante os três anos que se passaram após a retirada de todas as tropas e dos assentamentos da Faixa de Gaza em 2005, Israel optou por responder de modo proporcional e diplomaticamente aos ataques mortais diários do Hamas com seus foguetes. O resultado? Mais foguetes, mais mísseis, mais miséria para os palestinos – e espaço suficiente para o Hamas tomar conta da Faixa de Gaza, devastar sua sociedade, montar um arsenal muito mais poderoso do que o que tinha em 2005 e tornar-se a vanguarda do expansionismo iraniano na região.
O terrorismo é um câncer que não pode ser curado por tratamentos “proporcionais”. Ele exige cirurgias invasivas. Ele não somente ameaça Estados democráticos, mas também – principalmente – os civis locais que são obrigados a se juntar às suas fileiras fanáticas, usados como escudos humanos e devastados pela sua tirania. Quanto mais se espera para tratá-lo, pior ele fica, e mais severo torna-se o tratamento necessário para vencê-lo. No Sul do Líbano, onde Israel falhou em derrotar os terroristas em 2006, a enfermidade se espalhou: o Hezb’allah (Partido de Alá) tem agora três vezes mais mísseis do que antes, e os terroristas têm o governo libanês sob seu controle. Exatamente como em 2002, Israel optou por combater o coração do terrorismo [em Gaza], enfrentando denúncias de todo o mundo, manifestações de multidões, resoluções da ONU e falatórios sobre crimes contra a humanidade. Agora, como naquele tempo, essa foi a decisão correta.
A operação foi dolorosa: o número de civis feridos e mortos, apesar de ser muito inferior à de campanhas comparáveis em outras partes do mundo, certamente é intoleravelmente elevada – um reflexo da extensão e profundidade da infra-estrutura terrorista que cresceu ali nos últimos três anos. Como em 2002, os beneficiários reais do sucesso da campanha israelense serão os próprios palestinos. A paz somente será alcançada quando for dada aos palestinos a liberdade de construir instituições civis reais, e quando puder emergir uma liderança sem medo de dizer aos seus próprios cidadãos que a violência, o fanatismo e o martírio não são o caminho que deve ser seguido pelos palestinos. Mas isso somente poderá acontecer depois que a malignidade do terrorismo for removida do seu meio. Por mais desagradável que isso soe, essa é a única fonte de esperança para Gaza.

Publicado no The Jerusalem Post

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Conflito entre palestinos e israelenses
mostra que estamos na encruzilhada da história

Thomas L. Friedman, colunista do The New York Times

Peça que eu pare, caso você já tenha ouvido esta história: "Um cara entra em um bar...". Não. A história certa é esta: "Este é o ano mais crítico da história para a diplomacia palestino-israelense. Faltam cinco minutos para a meia-noite. Se não fizermos rapidamente com que a diplomacia volte aos trilhos, teremos o fim da solução baseada em dois Estados". Eu ouvi esse comentário quase todos os anos durante os últimos 20 anos, mas nunca acreditei nele. Bem, hoje estou acreditando. Estamos nos aproximando perigosamente do fechamento da janela de oportunidade para uma solução de dois Estados, já que os dois principais fechadores de janelas - o Hamas, em Gaza, e os fanáticos colonos judeus na Cisjordânia - têm ocupado o banco do motorista. O Hamas está ocupado em tornar uma solução de dois Estados inconcebível, enquanto os colonos judeus trabalham sistematicamente no sentido de torná-la impossível.
Se o Hamas continuar obtendo e usando foguetes com raio de alcance cada vez maior, não haverá como o governo israelense tolerar o controle palestino independente da Cisjordânia, já que um foguete lançado do território poderia facilmente fechar o aeroporto de Tel-Aviv e paralisar a economia de Israel. E, caso os colonos judeus continuem com o seu "crescimento natural" com o objetivo de devorarem a Cisjordânia, a solução se tornará também impossível. Nenhum governo israelense esforçou-se para retirar sequer os assentamentos "ilegais", ou não autorizados pelas autoridades israelenses, apesar de terem prometido aos Estados Unidos que tomariam essa medida, de forma que está ficando difícil enxergar como os assentamentos "legais" serão algum dia removidos. É necessário que, nas eleições israelenses de 10 de fevereiro, obtenha-se um governo centrista de unidade nacional que seja capaz de resistir à chantagem dos colonos judeus e dos partidos direitistas que os protegem, para que ainda seja possível implementar uma solução com base em dois Estados.
Isso porque, sem uma solução estável com base em dois Estados, o que teremos será uma nação israelense escondendo-se atrás de um muro alto, defendendo-se de um Estado palestino fracassado governado pelo Hamas na faixa de Gaza, de um Estado fracassado governado pelo Hezbollah no sul do Líbano e de um Estado fracassado governado pelo Fatah em Ramallah. Portanto, se você acredita na necessidade de um Estado palestino, ou se gosta de Israel, é melhor começar a prestar atenção. Isto não é um teste. Estamos em uma encruzilhada da história. O que torna a questão tão difícil para a nova equipe de Obama é o fato de a diplomacia do Oriente Médio ter se transformado como resultado da desintegração regional desde Oslo - de três formas fundamentais. Primeiro, nos velhos tempos, Henry Kissinger podia voar para três capitais, reunir-se com três reis, presidentes ou primeiro-ministros, e firmar um acordo que podia ser mantido. Mas isso não ocorre mais. Atualmente um diplomata que luta pela paz precisa ser ao mesmo tempo construtor de nações e negociador.
Os palestinos encontram-se tão fragmentados política e geograficamente que metade da diplomacia dos Estados Unidos terá que se dedicar a encontrar uma forma de obter a paz entre eles e a construir as suas instituições, para que haja uma instituição coerente e legítima para a tomada de decisões - antes que possamos promover a paz entre israelenses e palestinos. Segundo, o Hamas conta agora com poder de veto sobre qualquer acordo de paz palestino. É verdade que o Hamas acaba de provocar uma guerra irresponsável que devastou o povo da faixa de Gaza. Mas o Hamas não sairá do cenário. Ele está bem armado e, apesar do seu recente comportamento suicida, profundamente enraizado.
A Autoridade Palestina liderada por Mahmoud Abbas na Cisjordânia não assumirá nenhum compromisso com Israel enquanto temer que o Hamas, que estará de fora, denuncie-a como traidora. Portanto, a segunda tarefa para os Estados Unidos, Israel e os Estados árabes é encontrar uma forma de trazer o Hamas para um governo palestino de unidade nacional.
Conforme disse o especialista em Oriente Médio Stephen P. Cohen: "Para Israel não basta que o mundo reconheça que o Hamas faltou criminalmente com a responsabilidade para com o seu povo. O interesse de longo prazo de Israel é garantir que tenha um parceiro palestino para as negociações, um parceiro que conte com legitimidade suficiente junto ao seu povo para assinar acordos e cumpri-los. Sem que o Hamas faça parte de uma decisão palestina, qualquer acordo de paz israelense-palestino não terá significado".
Mas, trazer o Hamas para um governo de unidade palestino, sem enfraquecer os moderados da Cisjordânia que atualmente lideram a Autoridade Palestina, será complicado. Precisaremos de que a Arábia Saudita e o Egito aceitem, bajulem e pressionem o Hamas para que este mantenha o cessar-fogo, apóie as negociações de paz e abandone os seus foguetes - enquanto o Irã e a Síria puxam o Hamas no sentido inverso. E isso conduz a um terceiro e novo fator - o Irã como protagonista-chave na diplomacia palestino-israelense. A equipe de Bill Clinton tentou atrair a Síria ao mesmo tempo em que isolava o Irã. O presidente Bush procurou isolar tanto o Irã quanto a Síria. A equipe de Obama, conforme Martin Indyk argumenta no livro "Innocent Abroad: An Intimate Account of American Peace Diplomacy in the Middle East" ("Inocente no Exterior: Um Relato Íntimo da Diplomacia de Paz Norte-Americana no Oriente Médio"), "precisa tentar trazer a Síria para a mesa de negociações, o que enfraqueceria o Hamas e o Hizbollah, e, ao mesmo tempo, conversar com o Irã".
Então, apenas para recapitular: faltam cinco minutos para a meia-noite, e antes que soem as doze badaladas, tudo o que precisamos fazer é reconstruir o Fatah, aglutiná-lo ao Hamas, eleger um governo israelense capaz de congelar os assentamentos judaicos na Cisjordânia, cortejar a Síria e negociar com o Irã - ao mesmo tempo impedindo que este último adquira capacidade nuclear - de forma que possamos conseguir que todas as partes envolvidas passem a conversar. Quem for capaz de alinhar todas as peças desse Cubo de Rubik diplomático merecerá dois prêmios Nobel.

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O sem-noção

Reinaldo Azevedo, colunista da revista “Veja”

Judeus e não-judeus do mundo inteiro realizaram solenidades para marcar o “Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto”. No Brasil, o evento aconteceu em uma sinagoga em São Paulo. E o presidente Lula discursou. Entre os presentes, muitas autoridades, como o governador de São Paulo, José Serra; o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; o vice-governador Alberto Goldman; o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Acompanhavam o presidente a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil); o governador da Bahia, Jaques Wagner, e o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos.
Era o “Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto”? O decoroso Lula não teve dúvidas e deitou falação sobre o conflito israelo-palestino. E não foi de improviso, não. Desta vez, ele leu o discurso. Lembrou que a posição histórica do Brasil é a defesa da existência de dois estados na região e mandou ver: "Esse tem sido o sentido de todas as nossas manifestações, pois só assim alcançaremos a paz naquela região. Tenho me esforçado pessoalmente para impedir que o ódio mútuo acumulado ao longo de décadas acabe sufocando ainda mais as alternativas de paz".
Sem medo dos clichês, seguiu adiante: "O conflito entre israelenses e palestinos no Oriente Médio atinge corações e mentes de todos e nos obriga a evitar que o ódio contamine o nosso país". Exaltando a patetice de Celso Amorim, que foi fazer um tour pelo Oriente Médio, emendou: "Todos sabem que o Brasil não está interessado nos resultados políticos e dividendos econômicos que podem ser obtidos na região. Nosso interesse é contribuir com a paz". Tudo parece tão razoável, não? Não!
Lula, acreditem, falou até do Holocausto! Dizer o quê? A referência ao conflito, neste dia, é absolutamente descabida. Ela minimiza o Holocausto e ainda remete à associação comumente feita pelos inimigos de Israel e anti-semitas a granel, que pretendem que os judeus estão fazendo com o povo palestino o que os nazistas fizeram com eles. Não custa lembrar que foi esse o sentido de uma nota emitida pelo PT. No Conselho de Direitos Humanos da ONU, o Brasil deu um voto de censura a Israel.
Um discurso inadequado, indecoroso e mistificador. Trata-se de um discurso fora do lugar. Não cabe a Lula usar um evento trágico, que procurou banir da terra um povo inteiro, para tentar dar lições oblíquas de moral (ou, pior ainda, de moral oblíqua) justamente às vítimas. Até porque ele poderia ter sido mais explícito: quem defende, em sua carta de fundação, o genocídio é o Hamas.

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O que está por trás da condenação de Israel?

Professor Efraim Karsh, chefe de Estudos do Mediterrâneo
e Oriente Médio na King's College/Universidade de Londres,
e membro do Grupo de Especialistas Internacionais do Instituto de
Assuntos Contemporâneos no Jerusalem Center for Public Affairs

Com uma unanimidade, que se tornou completamente habitual, os políticos, a mídia, as ONGs e os líderes de igrejas por todo o mundo usaram sua forte influência para denunciar o ato de autodefesa legítimo de Israel contra uma das organizações terroristas mais extremistas do mundo. Este coro de desaprovação contrasta inteiramente com a mais absoluta indiferença a conflitos muito mais sangrentos que têm ocorrido ao redor do mundo. Por que cidadãos, que habitam em países democráticos, adotam entusiasticamente a causa de um grupo islâmico radical que, não apenas procura a destruição de uma outra democracia, como também é abertamente dedicado à substituição da ordem internacional existente por um califado islâmico no mundo todo?
Décadas de um péssimo tratamento dado aos palestinos pelos estados árabes passaram virtualmente despercebidos. Apenas quando eles interagem com Israel é que os palestinos ganham a atenção do mundo. O fato de que a cobertura internacional do conflito árabe-israelense tem invariavelmente refletido um grau de intensidade e envolvimento emocional muito acima do nível normal a ser esperado de observadores imparciais poderia sugerir que isto seja uma manifestação do preconceito existente de longa data, que foi trazido à tona pelo conflito. Os palestinos são apenas o mais recente coletor de raios a serem liberados contra os judeus, com sua suposta vitimização usada para reafirmar a demonização milenar dos judeus em geral, e o libelo de sangue medieval – significando que os judeus se deliciam com o sangue de outros.
Assim que Israel optou por interromper os ataques do Hamas à sua população civil, após anos de comedimento auto-inflingido, foi confrontada com uma tsunami de indignação internacional. Com uma unanimidade que se tornou completamente habitual, quando se trata de pronunciamentos do mundo sobre Israel, os políticos, a mídia, as ONGs, e os líderes de igrejas por todo o mundo, usaram sua forte influência para denunciar o ato de autodefesa de uma democracia soberana contra uma das organizações terroristas mais extremistas do mundo, abertamente dedicada à sua destruição, que, por muitos anos tem feito chover milhares de foguetes e morteiros em comunidades civis (para não mencionar uma longa cadeia de ataques a homens-bomba).
Ecoado pela cobertura abrangente da mídia internacional da resposta de Israel em Gaza, mas não das ações e ideologia assassinas do Hamas, este coro de desaprovação sobre o uso de força "desproporcional" do Estado judeu, está em total contraste com a mais absoluta indiferença a conflitos muito mais sangrentos que têm ocorrido ao redor do mundo, desde o genocídio que já vem ocorrendo há muito tempo em Darfur, com seus estimados 400.000 mortos e no mínimo 2,5 milhões de refugiados, à guerra no Congo, com mais de 4 milhões de mortos ou destituídos de suas casas, à Chechênia, onde se estima que entre 150.000 e 200.000 pessoas morreram e até um terço da população foi desalojada pelas mãos do exército russo. Nenhuma destas tragédias viu manifestantes afluírem em bandos nas ruas de Londres, Paris, Berlin, Milão, Oslo, Dublin, Copenhagen, Estocolmo, Washington, e Fort Lauderdale (para dar uma breve lista), como tem sido o caso durante a crise em Gaza.
Como pode ser isso? Por que cidadãos que habitam em países democráticos adotam entusiasticamente a causa de um grupo islâmico radical que, não apenas procura a destruição de uma outra democracia, mas também é abertamente dedicado à substituição da ordem internacional existente, baseada em estados-nação territoriais, por um califado islâmico (ou umma) no mundo todo? Não por compaixão dos palestinos, cuja má condição nunca atraiu um interesse internacional verdadeiro, especialmente dos países árabes (e no que diz respeito a esse assunto, da liderança palestina), cujas décadas de péssimo tratamento dos palestinos passaram virtualmente despercebidas. Entre 1949 e 1967, o Egito e a Jordânia governaram os palestinos da Faixa de Gaza e Judéia e Samária respectivamente. Não apenas eles falharam em colocar esta população na trilha da cidadania, mas mostraram pouco interesse em proteger seus direitos humanos ou mesmo em melhorar a qualidade de vida deles – o que é uma das razões pelas quais 120.000 moradores da margem ocidental (Judéia e Samária) terem se mudado, cruzando para a margem oriental do Rio Jordão e em torno de 300.000 outros terem emigrado para o exterior entre 1949 e 1967. Ninguém na comunidade internacional prestou nenhuma atenção a isso, da mesma forma que não prestaram mais recentemente ao contínuo abuso dos palestinos por todo o mundo árabe, desde a Arábia Saudita até o Líbano, um país que foi condenado em um relatório da Anistia Internacional, de junho de 2006, "por sua discriminação e abusos, de longa data, dos direitos fundamentais econômicos e sociais dos refugiados palestinos".
Também não houve nenhum clamor internacional quando países árabes massacraram palestinos em grande escala. Em 1970, o Rei Hussein da Jordânia ordenou o bombardeio indiscriminado dos campos de refugiados palestinos, durante o combate ao levante palestino no "Setembro Negro". Isto deixou entre 3.000 e 5.000 refugiados palestinos mortos. Mas, o fato de que Hussein matou mais palestinos durante um único mês do que Israel em décadas nunca foi usado contra ele ou afetou a percepção amplamente difundida sobre ele como um homem da paz. Como colocou em suas recentes memórias, o jornalista supostamente pró-palestino, Robert Fisk, o Rei Hussein era "frequentemente difícil de culpar".
Novamente, mais de duas décadas atrás, Abu Iyad, o homem número dois da OLP, declarou publicamente que os crimes do governo sírio contra o povo palestino "ultrapassaram os do inimigo Israel". Além disso, como consequência da libertação do Kuwait em 1991, o povo do Kuwait não apenas tomou providências para punir a OLP por seu apoio à ocupação brutal de Saddam Hussein, cortando sua ajuda financeira à organização demasiadamente exaltada e corrupta de Yasser Arafat, como também houve uma matança generalizada de palestinos que viviam no Kuwait. Esta vingança contra trabalhadores palestinos inocentes no emirado foi tão grave que o próprio Arafat reconheceu: "O que o Kuwait fez ao povo palestino é pior do que o que Israel fez aos palestinos nos territórios ocupados". Ainda assim, não houve cobertura da mídia ou reuniões da ONU, especialmente convocadas, porque apenas quando eles interagem com Israel é que os palestinos ganham a atenção do mundo.
Em outras palavras, a extraordinária preocupação internacional com os palestinos é um corolário de sua interação com Israel, o único estado judeu a existir desde tempos bíblicos, com um ardor refletido da obsessão milenar com os judeus nos mundos cristão e muçulmano. Se sua disputa fosse com um árabe, muçulmano, ou qualquer outro adversário, teria atraído uma pequena fração do interesse que a presente disputa provoca. De vez em quando, particularmente entre devotos e/ou renascidos cristãos evangélicos, esta obsessão tem se manifestado em admiração e apoio à ressurreição do Estado nacional judeu na Terra Santa. Na maioria dos casos, no entanto, o preconceito e a animosidade anti-judaicos, ou o anti-semitismo como é comumente conhecido, têm exacerbado a desconfiança e o ódio a Israel. Na verdade, o fato de a cobertura internacional do conflito árabe-israelense e os libelos contra o sionismo e Israel, tais como as desprezíveis comparações de Israel com os nazistas e com o apartheid da África do Sul, invariavelmente refletir um grau de intensidade e envolvimento emocional muito acima do nível normal a ser esperado de observadores imparciais, poderia sugerir que, em vez de ser uma resposta concreta a atividades de Israel, isto seja uma manifestação do preconceito existente de longa data, que foi trazido à tona pelas vicissitudes do conflito.
Existe um outro lado desta questão. Por milênios o sangue judeu tem sido barato, se não gratuito, através dos mundos cristão e muçulmano, onde o judeu se tornou um exemplo típico de falta de poder, um perpétuo saco de pancadas e um bode expiatório para quaisquer calamidades que acometessem a sociedade. Não existe razão, portanto, pela qual Israel não devesse seguir os passos destas gerações passadas, evitando antagonizar seus vizinhos árabes e exercendo o comedimento sempre que atacado. Mas não, em vez de se colocar em seu devido lugar, o insolente Estado judeu faltou com seu papel histórico, ao cobrar um preço pelo sangue judeu, e derrotar os covardes valentões que até agora podiam atormentar os judeus com impunidade. Esta dramática inversão da história só pode ser imoral e inaceitável. Por isso a indignação da comunidade global e por isso a provisão de recursos ilimitados para cobrir cada minuto da resposta "desproporcional" de Israel, mas nenhum da devastação e deslocamentos causados a cidades israelenses e seus residentes. Colocado de forma diferente, os palestinos são apenas o mais recente coletor de raios a serem liberados contra os judeus, com sua suposta vitimização reafirmando a demonização milenar dos judeus em geral, e o libelo de sangue medieval – significando que os judeus se deliciam com o sangue de outros – em particular. Nas palavras de David Mamet, "O mundo soube que os judeus usavam este sangue no decorrer de suas cerimônias religiosas. Agora, parece, que os judeus não necessitam do sangue para utilizá-lo em cozimentos, mas meramente para se deliciar em derramá-lo no chão".
Tal posicionamento será, sem dúvida, descartado como "propaganda sionista" por muitos oponentes de Israel. Mas, de fato, isto não apenas está na contramão da sabedoria prevalecente entre acadêmicos e intelectuais israelenses, para os quais estes argumentos são um anátema, mas também confronta um dos mais fundamentais princípios do sionismo – que a criação de um Estado judeu, para onde as diásporas judaicas convergiriam e se normalizariam, resolveria o "problema judaico" e melhoraria, senão eliminaria inteiramente, o fenômeno do anti-semitismo. O que esta linha de pensamento, dos pais fundadores do sionismo, falhou em considerar, entretanto, é que o preconceito e a obsessão, que tinha até agora sido reservada para indivíduos e comunidades judaicas, seria transferida para o Estado judeu. Como o poeta Heinrich Heine, ele mesmo um convertido do judaísmo, escreveu uma vez, o judaísmo é "a maldição familiar que dura mil anos" e não importa o quanto Israel se esforce, nunca será capaz de se livrar desta perturbadora realidade. Um pensamento entristecedor de verdade. Mas será que existe qualquer outra explicação para o fato de que, sessenta anos após seu estabelecimento, por um ato de autodeterminação, reconhecido internacionalmente, Israel permanece como o único Estado do mundo que é sujeito a uma constante efusão de teorias conspiratórias e libelos de sangue dos mais bizarros; cujas políticas e ações são obsessivamente condenadas pela comunidade internacional; e cujo direito de existir é constantemente debatido e questionado, não apenas pelos seus inimigos árabes como por segmentos de opinião elevada no Ocidente?

Tradução: Irene Walda Heynemann

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A falsa acusação de crimes de guerra

Alan M. Dershowitz, jurista

Cada vez que Israel pretende defender seus civis de ataques terroristas, é acusado de crimes de guerra por várias agências das Nações Unidas, acadêmicos de extrema esquerda e por alguns meios de comunicação. É uma acusação totalmente falsa, e faz parte da estratégia do Hamas - apoiado por muitos de extrema esquerda - para deslegitimizar e demonizar o Estado Judeu. Israel é a única democracia do mundo sempre acusado de crimes de guerra quando luta uma guerra defensiva para proteger seus civis. Isto é notável, especialmente levando-se em conta o fato de que Israel matou muito menos civis do que qualquer outro país do mundo que tenha enfrentado ameaça igual. Na mais recente guerra em Gaza menos de mil civis - até mesmo pela contagem distorcida do Hamas - foram mortos. Isto, apesar do fato de ninguém poder negar que o Hamas empregou uma política deliberada no uso de crianças, escolas, mesquitas, prédios e outras áreas civis como escudos, para por trás deles lançar seus mortais foguetes impessoais. A Força Aérea Israeli produziu vídeos como provas incontestáveis destes crimes de guerra do Hamas.
Só para ter uma comparação, considerem a recente guerra travada pela Rússia contra a Chechenia. Nessas guerras as tropas russas mataram dezenas de milhares de civis chechenos, algumas deles intencionalmente, a curta distância e a sangue frio. No entanto os acadêmicos radicais que gritam assassinos contra Israel (particularmente na Inglaterra), nunca convocaram tribunais de crimes de guerra contra a Rússia. Também não acusaram de crimes de guerra nenhum outro dos muitos países que rotineiramente matam civis, não num esforço para parar o inimigo terrorista, mas apenas porque faz parte da sua política. Também não vimos comícios tipo Nuremberg que foram dirigidos contra Israel, quando centenas de milhares de civis foram assassinados em Ruanda, em Darfur e em outras partes do mundo. Estes ódios fanático-festivos são reservados para Israel. A acusação de crimes de guerra não é nada mais do que uma tática seletivamente invocada pelos inimigos de Israel. Aqueles que gritam "crime de guerra" contra Israel, em geral, não se preocupam com os crimes de guerra, como tal, na verdade eles frequentemente os apóiam quando são cometidos por países que eles gostam. O que preocupa essa gente, e todos eles parecem que se preocupam com, é Israel. Qualquer coisa que Israel faça é errado, independentemente do fato de tantos outros países fazerem pior.
Quando eu levantei esta preocupação em um recente debate, o meu adversário acusou-me de mudar de assunto. Ele disse, estamos falando de Israel agora, não da Chechenia ou de Darfur. Isso me lembrou de um famoso debate entre o presidente racista de Harvard, Abbott Lawrence Lowell, e o grande juiz americano Leonard Hand. Lowell anunciou que pretendia reduzir o número de judeus em Harvard, porque, "os judeus trapaceiam". O Juiz Hand respondeu que "cristãos também trapaceiam". Lowell respondeu, "Você está mudando de assunto. Nós estamos falando dos judeus".
Bem, você não pode apenas falar sobre judeus. Também não se pode apenas falar sobre o Estado Judeu. Qualquer discussão sobre crimes de guerra deve ser comparativa e contextual. Se a Rússia não cometeu crimes quando seus soldados massacraram dezenas de milhares de Chechenos (nem mesmo em uma guerra defensiva), então, com base em quê Israel poderia ser acusado de matar acidentalmente um muito menor número de escudos humanos em um esforço para proteger seus civis? Quais são as normas? Porque elas não estão sendo aplicadas igualmente ou seletivamente? Podem os direitos humanos ser preservados diante dessa desigualdade e aplicação seletiva? Estas são as questões que a comunidade internacional deveria estar debatendo, e não se Israel, e Israel apenas, violou as normas de ambíguas noções chamadas "direito internacional" ou "a lei da guerra".
Se Israel, e apenas Israel entre as democracias que combatem guerras defensivas, for sempre acusado de "crimes de guerra," isto marcará o fim da lei internacional de direitos humanos como um árbitro neutro de conduta. Qualquer tribunal internacional prestes a acusar Israel, sem ter acusado as muitas nações que têm feito muito pior, irá perder qualquer legitimidade restante entre as pessoas honestas de boa vontade. Se as leis de guerra, em particular, e internacionais de direitos humanos em geral, querem ser preservadas, elas devem ser aplicadas às nações, pela gravidade de suas violações, e não pela impopularidade política destas nações. Se a lei de guerra fosse aplicada desta forma, Israel estaria entre as últimas, e certamente não entre as primeiras, acusadas.

Fonte: Huffington Post.
Tradução: Ivan Kelner.

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“Em matéria de Oriente Médio, as agências
de notícias só acreditam nas fontes do Hamas”

Reinaldo Azevedo, colunista da revista “Veja”

Não será notícia nos jornais ocidentais. Procurei no sites noticiosos, e nada! Afinal, como sabemos, as “agências”, em matéria de Oriente Médio, só acreditam nas fontes do Hamas. Mas está lá, noticiado pelo Jerusalem Post. Tão logo Israel começou a deixar a Faixa de Gaza, os heróis dos Hamas cercaram seus adversários do Fatah - ou o que restou deles - seqüestraram-nos e os transferiram para escolas e hospitais, transformados em centros de interrogatório e tortura. Acusação: eles teriam atuado como espiões de Israel. Uma fonte do Fatah em Ramallah, na Cisjordânia, afirmou que cerca de 100 de seus militantes foram mortos ou feridos pelo Hamas. Um representante da corrente em Gaza disse que pelos menos 80 de seus companheiros foram punidos com tiro nas pernas ou fratura nas mãos. “O que está acontecendo em Gaza é um novo massacre, protagonizado pelo Hamas contra o Fatah. Onde estavam esses covardes quando as forças israelenses estavam aqui?” Segundo os militantes do Fatah, muitos de seus homens estão sendo capturados enquanto prestam assistência à população que enterra os mortos da guerra. Outros levam tiros nas pernas apenas por sorrir em público, o que é interpretado como satisfação pela ação israelense em Gaza. Em suma, o Hamas se impõe aos próprios palestinos por meio da tortura, da bala nas pernas, da fratura de membros e, claro, da morte. E não se vai ouvir um pio a respeito.
Parece que, na antiga ordem mundial, da qual muitos falam com saudade, quando “eles” lá se torturam entre eles, isso não tinha grande importância — desde que, do lado de cá, pudéssemos fazer vigorosos discursos de paz. “Bem, Reinaldo, melhor do que intervenção e guerra, né? Talvez eles produzam menos cadáveres entre si, numa coisa, assim, bem lá deles”. É, talvez... Mas não me venham, então, falar em nome de alguma superioridade humanista. Quanto ao Hamas, ademais, cumpre lembrar. Eles matam com gosto e requintes de crueldade o seu próprio povo, é verdade. Mas eles querem mesmo é acabar com Israel. Se não acabam porque não podem, não quer dizer que não queiram e não se mobilizem para isso. Ficarei aqui aguardando os protestos das entidades de defesa dos direitos humanos e dos representantes da ONU em Gaza contra o massacre de palestinos do Fatah promovido pelos palestinos do Hamas. Creio que não virão. A razão é simples: a ONU, em Gaza, é parceira dos terroristas. O dia hoje é particularmente interessante para dar essa notícia. Há quem queira que o terrorismo só existe porque falta diálogo. A realidade mostrará que não. Até lá, muita lágrima e muita babaquice vão rolar debaixo da ponte das fantasias.

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“Começou uma terceira era na qual os Democratas se focaram
na causa palestina e esfriaram em relação a Israel, enquanto os Republicanos avançavam no seu entusiasmo para com Israel”

Daniel Pipes, diretor do Middle East Forum e colunista
premiado dos jornais New York Sun e The Jerusalem Post

Com os democratas agora no poder tanto no executivo como no legislativo que mudanças poder-se-ia esperar, na política dos EUA para o conflito árabe-israelense? Suas nomeações, até agora se ajustam ao molde de centro esquerda. Do lado positivo, como observa o analista Steven Rosen, isto significa que ninguém da sua equipe traz uma "agenda definida de esquerda de ilusões perigosas – realmente, muitos deles são sensatos e inteligentes, resistentes senão imunes à tolice que cega a maioria dos acadêmicos". Especialmente quando nos lembramos das associações anteriores de Barack Obama (Ali Abunimah, Rashid Khalidi, Edward Said) e o potencial alternativo "time dos sonhos", essas vêm como um alívio. Do lado negativo, observa Rosen, os futuros membros "são excessivamente moderados e centristas, sem ninguém para soar o alarme sobre os extraordinários perigos que enfrentamos, de propor uma resposta além da habitual".
Olhando para o quadro maior, além do corpo de funcionários, acha-se um misto semelhante a esse quadro. Observe a resolução pró-Israel aprovada pelo Congresso no inicio deste mês "reconhecendo o direito de Israel de se defender dos ataques de Gaza, reafirmando o forte apoio dos EUA a Israel, e apoiando o processo de paz israelense-palestino". Passou pelo Senado por unanimidade e pela Câmara por 390-5, com 22 membros registrando "presente". Desses 27, 26 eram Democratas; e o 27º foi Ron Paul, um Republicano só no nome.
Este voto implica dois pontos: primeiro, a forte atitude bipartidária pró-Israel dos americanos enfraqueceu o conflito de Gaza. Em segundo lugar, aqueles que são frios ou hostis a Israel predominantemente acharam seu nicho no Partido Democrata. Pesquisas de opinião realizadas durante a última década constantemente substanciam que os americanos apóiam intensamente Israel, porém os Democratas menos que os Republicanos. Já em 2000, eu mostrei que "várias vezes mais membros do Partido Republicano são mais amigáveis a Israel do que os Democratas, e as suas lideranças refletem esta disparidade". Em anos recentes, pesquisa de opinião após pesquisa de opinião confirmaram este padrão, até mesmo durante as guerras do Hezbollah e do Hamas. Para citar algumas: Gallup de março de 2006: sua solidariedade "está mais com os israelenses ou mais com os palestinos"? Resposta: 72% dos Republicanos e 47% dos Democratas simpatizam mais com os israelenses. (Diferença: 25%).
Julho de 2006, NBC/WSJ: "sua solidariedade está mais com Israel ou com as nações árabes"? Resposta: 81% dos Republicanos e 43% dos Democratas simpatizam mais com Israel (diferença: 38%).
Agosto de 2006 LAT/Bloomberg: você concorda que "Os EUA deveriam continuar se alinhando com Israel"? Resposta: 64% dos Republicanos e 39% dos Democratas concordam (diferença: 25%).
Março de 2008, pesquisa de opinião do Gallup: 84% dos Republicanos e 64% dos Democratas vêem Israel favoravelmente (diferença: 20%).
Dezembro de 2008. Rasmussen Reports: 75% dos Republicanos e 55% dos Democratas dizem que Israel é um aliado dos EUA (diferença: 20%). O apoio republicano a Israel é persistentemente maior, variando de 20% a 38% a mais que os Democratas e na média, 26%. Não foi sempre assim. Realmente, os Democratas e os Republicanos mudaram dramaticamente suas posições nas suas atitudes para com Israel num período de mais de 60 anos e três eras.
Na primeira era, 1948-70, Democratas como Harry Truman e John Kennedy mostraram entusiasmo com relação ao estado judeu enquanto os Republicanos como Dwight Eisenhower era frio. Na segunda, 1970-91, os Republicanos como Richard Nixon e Ronald Reagan vieram a estimar Israel como um forte aliado; como eu concluí em 1985, isto significava que "Liberais e Conservadores apóiavam Israel versus os árabes em proporções semelhantes". Com o fim da Guerra Fria em 1991, porém, começou uma terceira era na qual os Democratas se focaram na causa palestina e esfriaram em relação a Israel, enquanto os Republicanos avançavam no seu entusiasmo para com Israel.
Matt Brooks, diretor executivo da Coalizão Judaica Republicana corretamente nota que os "Democratas estão cada vez mais virando suas costas para Israel". Esta tendência antecipa uma provável tensão durante os próximos quatro anos, qual seja, adotar ou não uma abordagem mais "européia" para com Israel. Tensões já existem. Por um lado, a equipe de Obama não tem sido crítica sobre a guerra de Israel contra o Hamas, declarando que não negociará com o Hamas, que Israel é o aliado chave do Oriente Médio, e que a política dos EUA levará os interesses da segurança de Israel em conta. Por outro lado, tem mostrado uma vontade de se relacionar com o Hamas, adicionalmente exibe tendências a uma abordagem mais "imparcial", estimular de forma mais severa as negociações, e dividir Jerusalém. Em resumo, a política para o Estado Judeu está em jogo.

Original em inglês: The Democrats and Israel
Tradução: Joseph Skilnik

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“Oriente Médio: o caminho seria juntar nas mesmas escolas,
desde cedo, crianças judias e árabes. Mas, infelizmente,
parece que os caminhos todos estão bloqueados”

Hamilton Bonat, ex-assistente do Chefe do Estado-Maior
do Exército e adido do Exército nos EUA e no Canadá

Em 1994 acompanhei o Chefe do Estado-Maior do Exército, de quem era assistente, em visita oficial a Israel. Nosso interesse eram equipamentos de comunicações. Empresários aproveitaram para nos apresentar o tanque “Merkava” e aeronaves não-tripuladas. O processo de paz tinha sido assinado um ano antes em Oslo. Havia certo otimismo. Parecia real a chance de, enfim, israelitas e palestinos, estes representados por Yasser Arafat, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), chegarem a bom termo. Mesmo assim, o ambiente era tenso. Os soldados israelenses, após o expediente, levavam seus fuzis para casa. Um tenente, que na véspera provera nossa segurança na visita que fizéramos a Belém, foi emboscado e morto. Em bate-papo com tenentes-coronéis como eu, lembro sua preocupação. Diziam que os árabes interpretavam qualquer alusão de Israel à paz como um sinal de fraqueza. E, a partir daí, intensificavam os ataques contra alvos civis em seu território. Decorrido tanto tempo, parece que pouco mudou na região. Israel continua cercado por inimigos mortais. Ao norte, o Hezbollah e a Síria, que o apoia. Ao sul, o Hamas, movimento guerrilheiro que não reconhece a ANP como governo palestino democraticamente eleito e confessa desejar varrer Israel do mapa. Mais a leste, o Irã, com sua pesquisa nuclear que tem o fim de Israel como objetivo.
Alguns têm considerado excessiva a resposta israelense na Faixa de Gaza. Entretanto, estes críticos ignoram que há anos, em pleno cessar-fogo, o Hamas, quase que diariamente, vem lançando foguetes contra populações israelenses. Também parecem desconhecer o culto ao ódio contra os judeus propagado pelo Hamas, usando todos os meios, inclusive videoclips visando ao aliciamento infantil. Além disso, esquecem que não é só em Gaza que os muçulmanos têm revelado não admitir a convivência com outras culturas. Na Cashemira, no Afeganistão, no Sudão e em tantos outros lugares, já deram suficientes provas disso. A solução para o conflito não é fácil. Se o fosse, já a teriam encontrado. O problema é agravado pelo interesse de outros países. Agora até Hugo Chávez, neo-aliado do Irã, se posicionou. No Brasil, o partido da situação, ao declarar-se pró-Hamas, revela outra vez sua incompreensível subordinação ao coronel venezuelano. Mahatma Gandhi afirmou que “Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho”. O caminho seria juntar nas mesmas escolas, desde cedo, crianças judias e árabes. Mas, infelizmente, parece que os caminhos todos estão bloqueados.

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“Esperemos que os comentaristas recuperem o bom senso.
Eles descobrirão que os piores inimigos dos palestinos são os
líderes extremistas que jamais quiseram a paz, jamais
quiseram um Estado e jamais pensaram em criar um país para
o
seu povo, ao qual preferem ver como instrumento e como refém”

Berbard Henry Levy, filósofo

Por não ser especialista em assuntos militares, me absterei de julgar se o bombardeio israelense a Gaza poderia ter sido mais direcionado, menos intenso. E depois de décadas em que não me vi capaz de distinguir entre os bons mortos e os maus mortos ou, como Camus costumava dizer, entre as "vítimas suspeitas" e os "executores privilegiados", sinto-me também profundamente perturbado pelas imagens de crianças palestinas que foram mortas. Isso posto, e levando em conta que certos veículos de mídia se deixaram outra vez carregar pelos ventos da sandice - como costuma ser o caso sempre que Israel está envolvido-, gostaria de lembrar a todos alguns fatos:

1. Nenhum outro governo, nenhum país - a não ser o vilipendiado Israel, sempre demonizado - toleraria ter suas cidades como alvo de milhares de obuses a cada ano. A coisa mais notável nisso tudo, a verdadeira surpresa, não é a "brutalidade" de Israel, mas sim, literalmente, sua paciência.

2. O fato de que os mísseis Qassam e agora Grad, do Hamas, tenham causado tão poucas mortes não prova que são artesanais, inofensivos nem nada assim, mas sim que os israelenses se protegem, que vivem emparedados nas cavernas de seus edifícios, em abrigos: uma experiência fantasmagórica, suspensa, em meio ao som das sirenes e explosões. Já estive em Sderot; sei do que falo.

3. O fato de que, inversamente, o bombardeio israelense tenha causado tantas vítimas não significa, como proclamam zangadamente os oponentes, que Israel esteja envolvido em um "massacre" deliberado, mas que os líderes de Gaza optaram pela atitude oposta e estão expondo sua população, confiando na velha tática do "escudo humano". O que significa que o Hamas, como o Hizbollah, dois anos atrás, está instalando seus postos de comando, suas casamatas, seus arsenais, nos porões de edifícios residenciais, hospitais, escolas, mesquitas. Eficiente, mas repugnante.

4. Há uma diferença crucial entre os combatentes que aqueles que desejam ter uma idéia "correta" sobre a tragédia e sobre as maneiras de pôr fim a ela precisam admitir. Os palestinos abrem fogo contra cidades, ou, em outras palavras contra civis (o que a lei internacional define como "crime de guerra"); os israelenses tomam por alvo objetivos militares e causam, sem que o desejem, baixas civis horríveis (o que a linguagem da guerra define como "dano colateral" e, embora terrível, indica uma verdadeira assimetria estratégica e moral).

5. Porque precisamos colocar os pingos nos is, recordemos uma vez mais um fato que a imprensa pouco citou e do qual não conheço precedente em qualquer outra guerra ou da parte de qualquer outro Exército. Durante a ofensiva aérea, o Exército israelense apelou constantemente a moradores de Gaza que vivem perto de alvos militares para que deixassem essas áreas. Um ministro israelense disse que 100 mil pessoas foram contatadas. Isso não altera o desespero de famílias cujas vidas foram dilaceradas pela carnificina, mas não se trata de um detalhe totalmente desprovido de sentido.

6. Por fim, quanto ao famoso bloqueio total imposto a um povo faminto ao qual falta tudo nesta crise humanitária "sem precedentes": uma vez mais, a definição não é factualmente correta. Desde o começo da ofensiva terrestre, os comboios de assistência humanitária vêm cruzando incessantemente a passagem de Kerem Shalom. Segundo o "New York Times", em 31 de dezembro cerca de cem caminhões transportando suprimentos de comida e remédios entraram no território. E aproveito para invocar, nem que seja apenas para preservar a lembrança dessa verdade (pois creio que seria desnecessário dizê-lo, ou talvez seja melhor dizê-lo de vez), o fato de que os hospitais israelenses continuam a receber e tratar palestinos feridos, a cada dia. Nossa esperança deve ser a de que os combates se encerrem rapidamente. E que, ainda mais rápido, esperemos igualmente, os comentaristas recuperem o bom senso.
Eles descobrirão, quando isso acontecer, que Israel cometeu muitos erros ao longo de muitos anos (oportunidades perdidas, a longa negação quanto às aspirações nacionais palestinas, unilateralismo), mas que os piores inimigos dos palestinos são os líderes extremistas que jamais quiseram a paz, jamais quiseram um Estado e jamais pensaram em criar um país para o seu povo, ao qual preferem ver como instrumento e como refém.

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“Queremos uma paz que não seja
só duradoura, mas definitiva”

Arnaldo Niskier, membro da Academia
Brasileira de Letras e presidente do CIEE/RJ

Muito cedo, em sua vida, a menina Renia conheceu bem de perto os horrores da Guerra. Vivia em Ostrowiec, com seus pais e irmãos, mas a invasão nazista à Polônia obrigou-a a esconder-se, contando com a coragem e a benevolência de um casal católico, que a adotou como filha. Anos depois, com o fim da hecatombe de 1939 a 1945, reuniu-se ao que restou da família, passando a residir no Estado de Israel. Hoje, aos 86 anos de idade, inteiramente lúcida, vive numa casa de repouso em Gedera, a poucos quilômetros de Tel-Aviv. Fiz-lhe recentemente uma visita. Choramos juntos de emoção. É minha tia, a irmã mais nova do meu pai, que veio para o Brasil no início da década de 30, assim se salvando da bestialidade nazista. Por telefone, mantenho contato com tia Renia. Nossa última ligação foi dramática: “Estou vivendo um novo pesadelo. Caiu um míssil aqui perto de casa, cavando um imenso buraco. Ainda bem que os terroristas são ruins de pontaria.” É muito duro para um ser humano reviver a insegurança da guerra, quando o mais lógico seria aproveitar os avanços da ciência para uma existência amistosa e confortável.
Enquanto mais de 40 nações árabes pregam a paz permanente com o Estado de Israel, nascido em 1948, para ficar, alguns terroristas, numa visão fanática e lamentável, pregam a destruição do seu território, para que seja riscada do mundo, como eles afirmam, a única democracia estável do Oriente Médio. Os israelenses estão convencidos de que, vivendo de forma solidária e útil, conseguirão obedecer aos mais sagrados postulados divinos, enquanto os terroristas pregam a morte, como forma de chegar ao céu e receber as bênçãos do Todo Poderoso. Isso é descaradamente ensinado em algumas escolas da Faixa de Gaza, doutrinando desde cedo as crianças para uma vida de permanente confronto e ódio aos judeus.
Em 2005 Israel retirou da área conflagrada não apenas o Exército (20 mil jovens), como também foi obrigado a encontrar solução para os 7.500 colonos que ali haviam se estabelecido. Deu, assim, o grande passo em direção à paz, buscando a convivência saudável. Quando o Hamas ganhou as últimas eleições, esmerou-se nas provocações, aproximando os seus fanáticos terroristas das fronteiras estabelecidas. Houve dia de atirar 70 foguetes em Sderot e outras cidades próximas, provocando mortes e ferimentos inaceitáveis. O mundo, calado. Nenhum dos “democratas” que hoje escrevem ou falam sobre a invasão israelense se manifestou a respeito, como se isso fosse da natureza inescapável do problema. Depois de 22 dias de confronto, a paz parece ter voltado à região de Gaza. Israel decretou o cessar fogo. Todos somos favoráveis à existência de um estado palestino, num clima desejável de fraternal convívio, ou seja, com uma paz que não seja só duradoura, mas definitiva. Todos têm a ganhar com isso.

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“Israel gera inveja”

Eduardo Nabuco, membro do Ministério
Público do Estado do Rio de Janeiro

Quanto aos lamentáveis episódios que todos temos lido e assistido diariamente na imprensa, após muita reflexão e, creio eu, isenta análise, já que não sou judeu ou palestino, e até hoje jamais tive oportunidade de entrar em uma sinagoga ou mesquita, concluí terem sua ocorrência por culpa do povo judeu. Sejamos frios e desapaixonados, e a razão brotará conforme se segue:

1) Como um povo pode ter ficado séculos sem pátria, espalhado pelo mundo, e sempre permanecer unido como uma só família sem jamais perder o laço com suas tradições, suas crenças e sua força de trabalho e não pagar por isso?

2) Como esse povo, após ter sido perseguido e covardemente massacrado pelo nazismo enquanto boa parte dos governos de então a tudo assistia sem nada fazer, pode ter retornado à sua terra e erguido, praticamente na areia, uma nação economicamente forte, com universidades de excelência, tecnologia de ponta e agricultura altamente desenvolvida, e não pagar por isso?

3) Como um povo, que livre da opressão nazista e com seu país reconhecido pela comunidade internacional, ao invés de perseguir clandestinamente àqueles que os assassinaram aos milhões, e em ações de guerrilha os exterminar um a um preferem, por meio de uma organização legal, os localizar e os conduzir aos tribunais para um julgamento justo e dentro da lei, e não pagar por isso?

4) Como é que um povo, num mundo belicoso como o nosso, se acha no direito de jamais ter tomado a iniciativa de um ataque àqueles que têm por regra sua destruição do mapa, e não pagar por isso?

5) Por fim, como é que um povo que tanto sofrimento passou, e tantas conquistas logrou exclusivamente pelo seu trabalho, pode ter o desplante de mostrar ao mundo o que ele se nega a ver: que é um povo pacifista. Tem que pagar por isto!

Israel ataca desproporcionalmente os palestinos, matando crianças e mulheres nas zonas de conflito, diz a imprensa, mas acontece que não há judeus que se prestem ao “nobre” serviço do homem-bomba. Estes entram calmamente em supermercados, danceterias, parques de diversão etc, e se explodem em nome de um inexistente deus, despedaçando mulheres, crianças e idosos em total estado de despreocupação, sem qualquer chance de defesa, crentes na segurança de sua permanência em zona desmilitarizada. Contudo, tal área não é respeitada pelos integrantes do Hamas. Mas a culpa deve ser de Israel.
Pelo que se tem visto e lido, os bunker’s do Hamas covardemente se fixaram em escolas, próximos de hospitais, creches ou outras edificações cujo ataque gerará grande repercussão negativa. Entretanto, cientes de sua ocorrência e utilização, a população deveria e poderia evitar suas proximidades, oportunidade que não é dada aos freqüentadores dos supermercados, danceterias, restaurantes e tranqüilos locais públicos em Israel. Israel perturba grande parte do mundo. É recente como país. É rico, é desenvolvido. Montou poderio bélico defensivo sem comprometer o social. Isto, permitindo-me utilizar do termo comum, gera inveja. Excessos sempre ocorrerão nas guerras, que é um absurdo por si só. Mas paciência tem limite. Tudo já foi tentado, e infelizmente nada deu certo. Rezemos para que tudo acabe o mais rápido possível, e que nada mais de tão trágico volte a acontecer.

PS: apenas como curiosidade: no Word do Windows Vista, quando a gente digita Israel sai em letra minúscula com grifo indicando para colocar em maiúscula, mas quando se digita Hamas já vem direto em maiúscula.

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“Dê a Israel uma oportunidade”

Rafael L. Bardají, membro sênior do GEES
(Grupo de Estudos Estratégicos) sobre a segurança
internacional, os conflitos e o terrorismo e
ex-conselheiro executivo do ministro da Defesa espanhol

Nenhuma nação sobre a Terra aceitaria ser bombardeada permanentemente por um território vizinho e permanecer impassível. A atuação do castigo israelense contra o Hamas em Gaza, não deveria ser, portanto, uma surpresa. O que é verdadeiramente surpreendente é isso não ter acontecido muito antes. Israel aguentou o que não se pode aguentar: mais de 4 mil foguetes palestinos que, se não causaram mais mortes, foi em boa medida devido ao imenso esforço realizado na proteção passiva --em forma de bunkers-- das populações do sul de Israel. Exigir que Israel pare suas operações militares é uma imoralidade, assim como um gravíssimo erro estratégico. O objetivo político da União Europeia e da comunidade internacional não deve ser um cessar-fogo, mas sim um fim ao terrorismo que vem de Gaza. A manipulação midiática a que nos acostumaram as facções palestinas, terroristas ou não, está novamente em marcha, oferecendo as imagens do sofrimento de seu povo, desgraçadamente inevitável em qualquer confronto bélico. Ela é tão hábil que faz esquecer o sofrimento que os terrorista palestinos têm imposto a uma boa parte da população israelense. Até a retirada total de Israel de Gaza em 2005, o Hamas justificava os ataques suicidas e por outros meios como um instrumento necessário para lutar "contra a ocupação israelense". Pois bem, desde que Sharon decidiu deixar Gaza para os palestinos, o único israelense na faixa foi o soldado Gilad Shalit, sequestrado faz dois anos pelos militantes de Gaza. Sem exagero, o fato de Israel já não ser uma "força ocupante" não diminuiu a ânsia por violência do Hamas e de outros grupos palestinos em Gaza. Por uma razão muito simples: o que o Hamas quer não é a solução de dois Estados convivendo pacificamente um junto ao outro. O islamismo palestino aspira a um único Estado, palestino e islâmico. Por isso não quer nem pode renunciar ao seu objetivo de eliminar Israel. E por isso Israel se vê forçado a se defender. Se não o fizesse, simplesmente deixaria de existir. Como em toda a guerra, não faltaram os corifeus clamando aos céus por causa da desproporção da resposta militar israelense. Não sabemos o que propunham como alternativa, mas o que sabemos é que não apenas a atuação das Forças Armadas Israelenses, a IDF, tem sido escrupulosa em relação ao direito de guerra, mas também está sendo altamente eficaz quanto a discriminação de seus alvos.
Certo, em toda ação bélica existe o risco de causar baixas civis inocentes, mas, pelo que contam os observadores no local e a sacrossanta instituição das Nações Unidas, talvez menos de 10% das vítimas poderiam ser consideradas como vítimas inocentes. O resto, 90%, seriam membros e militantes do Hamas. O que quer dizer, entre outras tantas coisas, que a execução dos ataques israelenses foi mais bem preparada do que as ações da OTAN no Afeganistão, por exemplo, onde a proporção de mortes por erro é bastante mais alta. Em suma, Israel tem o direito de se defender e o faz da melhor forma possível, com justiça, legitimidade e proporção. Enquanto luta contra os terroristas de Gaza, permite que a ajuda humanitária flua até os palestinos da região. E é preciso lembrar que, se hoje Gaza está na situação precária em que se encontra, isso se deve à péssima gestão dos líderes do Hamas, muito mais interessados em aterrorizar os israelenses do que em criar oportunidades para os seus eleitores.
Porque seria um erro estratégico pressionar Israel para que pare sua ofensiva agora? Por uma razão muito simples: porque acabar com os arsenais e os foguetes do Hamas não é suficiente e é isso o que os bombardeios da IDF têm feito até agora. Foi Douglas MacArthur quem disse que "na guerra não há substituto para a vitória". Com a exceção da derrota, claro. E se há uma lição que devemos aprender com os conflitos inacabados ou mal-acabados, como a guerra de Israel contra o Hezbollah no verão de 2006, é que a ausência de uma vitória clara e visível, isto é, a ausência de uma vitória decisiva, se torna rapidamente uma derrota. A sobrevivência do Hezbollah foi entendida pelos seus e por boa parte do mundo árabe como uma derrota israelense. Correto ou não, isso é o de menos. A imagem é o que importa. Por isso, acabar com os foguetes do Hamas não é suficiente. Deve-se retirar dele por completo o sentimento de vitória e, para isso, há que se conseguir com que eles desistam de seus planos. Se a comunidade internacional dá esperanças aos dirigentes do Hamas de que se aguentarem um pouco, obrigarão Israel a parar suas ações, a única coisa que se estará fazendo é alimentar seu sentimento de vencedor. Pior ainda, se estará patrocinando diretamente os palestinos radicais em detrimento dos moderados, aqueles com quem se pode falar de uma solução pacífica para todos. Se o Hamas não sai derrotado politicamente, a Autoridade Palestina, seu presidente, Abbas, e o governo de Salam Fayyad é que sairão derrotados. Se o Hamas não for derrotado, pode vir a ter força para tentar um golpe na Cisjordânia, similar àquele feito contra o poder em Gaza em 2007. Isso sim seria o final de todo o processo de paz. Se o contrário ocorre, se o Hamas sai claramente derrotado, será aberta uma nova oportunidade para que a Autoridade Palestina retome seu papel na faixa de Gaza, que é hoje, de fato, um Estado palestino separado. Por último, não podemos esquecer que, apesar de Israel estar lutando para defender a tranquilidade das populações vizinhas a Gaza, a derrota do Hamas não só traria novas oportunidades para uma paz estável na região, mas também representaria um grave revés para os desígnios do Irão na região. Nesse sentido, não podemos esquecer que Israel não luta apenas por sua segurança, mas também o faz pela nossa, europeus e ocidentais. Deter um Irã cada dia maior, irresponsável, provocador e às portas de se tornar uma potência atômica só pode beneficiar a paz internacional. Ou seja, nossa paz e nossa segurança.

Publicado na Folha Online

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“A verdadeira desproporção: os que criticam
Tel-Aviv não dizem se Israel deveria aumentar sua
cota de cadáveres ou reduzir a cota árabe para
alcançar uma proporção razoável de sangue”

Carlos Alberto Montaner, escritor e jornalista cubano

Os israelenses estão sendo acusados de sofrerem poucas baixas em seus confrontos com terroristas do Hamas. Os que argumentam isso em geral usam palavras como "desproporcional" ou a"assimetria" em tom de indignação. Ao escrever esta coluna, cerca de mil palestinos morreram ou foram feridos como resultado dos bombardeios, as perdas israelenses estão por volta de uma dúzia. Os que criticam Tel-Aviv - de quem um odor antissemita frequentemente sobe - não dizem se Israel deveria aumentar sua cota de cadáveres ou reduzir a cota árabe para alcançar uma proporção razoável de sangue. Nem especificam o número moralmente permitido de baixas para encerrar a chuva de foguetes que por anos tem caído sobre a cabeça de civis israelenses.
Essa demanda por "proporcionalidade" só pode ser chamada de surpreendente. Até o conflito começar, livros de História sempre expressaram satisfação e até um certo orgulho chauvinista quando o Exército de uma nação infligia um grande número de baixas ao inimigo, com um baixo preço pago por "nossos rapazes". Israel é o único país que espera-se que aja de outra forma, e de fato age. Não conheço outra nação que avise onde e quando vai bombardear, permitindo que civis evacuem o território. Nisso age de forma assimétrica, já que os terroristas do Hamas nunca anunciam onde ou quando vão lançar seus foguetes contra civis.
Israel não tem interesse em causar mortes. Tudo o que quer é deter os ataques do Hamas da única maneira que pode: eliminando os terroristas e destruindo seus arsenais. Não há outro meio de lidar com eles. O Hamas não é uma organização política com a qual acordos possam ser alcançados, mas uma gangue fanática com a intenção de varrer Israel do mapa. Para atingir seu objetivo, seus membros estão dispostos a transformar seus filhos em bombas humanas.
Aqui há outra assimetria. Os judeus constroem abrigos subterrâneos nas casas perto da fronteira. Fecham as escolas e escondem as crianças ao menor sinal de perigo. Protegem os civis das consequências da guerra. Em contraste, autoridades em Gaza disparam suas metralhadoras irresponsavelmente para o ar para expressar alegria ou tristeza (causando numerosos feridos), não hesitam em instalar seus quartéis-generais ou esconder armas em escolas, usam escudos humanos, voltam-se para homens-bomba e recompensam as famílias de tais "mártires" com dinheiro.
Uma semana antes de o Hamas romper a trégua e retomar o ataque de foguetes (o que deflagrou o conflito), eu estava em Israel para uma palestra em Tel-Aviv. Visitei o Centro Médico Wolfson para ver o programa "Salve o coração de uma criança". É uma fundação devotada a cirurgias cardíacas em crianças pobres, a maioria do mundo árabe. Testemunhei a chegada de uma menina de 5 anos que precisava ser operada de emergência. Ela era trazida pela mãe, uma mulher com a cabeça coberta por um véu negro, e pelo marido, que olhava maravilhado a indescritível gentileza com a qual médicos tratavam a criança. A família vinha de Gaza. Desde que a guerra começou, eu me pergunto o que aconteceu a eles.

Publicado em O Globo e no Washington Post

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“Os verdadeiros inimigos do Hamas: a atual
crise em Gaza é apenas um aspecto de uma
batalha muito mais ampla que sacode a região”

Barry Rubin, diretor do Global Research in International Affairs
e editor do Middle East Review of International Affairs

No Irã, elementos de dentro do regime supostamente oferecem recompensa de US$ 1 milhão pelo assassinato do presidente do Egito, Hosni Mubarak, por sua oposição ao Hamas na Faixa de Gaza. No Líbano, o líder do Hezbollah, apoiado por Irã e Síria, defende simplesmente a derrubada do governo egípcio. Como resposta a isso, Tariq Alhomayed, saudita, editor-chefe do jornal "Al-Sharq al-Awsat", descreve o Hamas como uma ferramenta do Irã e argumenta que o "Irã é uma ameaça real para a segurança árabe". O ministro das Relações Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit, concorda - e não é o único. Quando Estados árabes se reuniram para discutir a crise em Gaza, a Arábia Saudita vetou qualquer ação. Até a Autoridade Palestina (AP) culpa o Hamas pelos combates. Ativistas do Fatah, rival nacionalista do Hamas, que comanda a AP, não escondem a esperança de que o Hamas perca a guerra.
Bem-vindos ao novo Oriente Médio, não mais caracterizado pelo conflito árabe-israelense, mas por um conflito árabe nacionalista-islâmico radical. Reconhecendo esta realidade, praticamente todos os Estados árabes - a não ser a Síria, aliada do Irã - e a AP querem ver o Hamas derrotado na Faixa de Gaza. Visto o forte interesse próprio em demover grupos revolucionários islâmicos, especialmente os alinhados com o Irã, eles não estão inclinados a ouvir aos gritos das ruas - que estão bem mais silenciosas do que em conflitos anteriores, como em 1991, na guerra no Kuait, no levante palestino de 2000 a 2004 ou na guerra entre Hezbollah e Israel, em 2006.
O Oriente Médio de hoje é muito diferente do antigo, sob vários aspectos significativos. Primeiro, a política interna de cada país árabe gira em torno da batalha entre governantes nacionalistas árabes e a oposição radical islâmica. Em outras palavras, os aliados do Hamas são os inimigos dos regimes. Um Estado radical islâmico na Faixa de Gaza encorajaria os que buscam entidades similares no Egito, Jordânia e em todos os outros países árabes.
Um tremendo preço já foi pago em vidas e riquezas por este conflito. A violência incluiu guerras civis entre palestinos e argelinos; derramamento de sangue no Iraque; e campanhas terroristas no Egito e Arábia Saudita. No caso palestino, depois de ganhar a eleição e chegar a um acordo com o Fatah para um governo de coalizão, o Hamas voltou-se contra seus rivais nacionalistas e os expulsou de Gaza à força. Por sua vez, a AP vem reprimindo o Hamas na Cisjordânia. No Líbano, o Hezbollah vem tentando submeter seus rivais mais moderados, os cristãos, muçulmanos sunitas e drusos. Segundo, como os Estados árabes confrontam-se com uma aliança Irã-Síria que inclui o Hamas e o Hezbollah, além dos conflitos internos, também há uma batalha regional entre esses dois blocos. Um aspecto disso é que os Estados liderados amplamente por sunitas deparam-se com um concorrente amplamente xiita pela hegemonia regional.
Esses dois problemas representam perigos maiores para os Estados existentes do que qualquer ameaça israelense (em grande parte inventada) e os governantes da região sabem disso. Do outro lado, o Irã e seus aliados elevaram os estandartes do jihad e "resistência". Sua plataforma inclui: revolução islâmica em todos os países; o Irã como Estado dominante da região, reforçado por armas nucleares; nenhuma paz com Israel e nenhum Estado Palestino até que possa haver um Estado islâmico abrangendo todo Israel (assim como a Cisjordânia e Faixa de Gaza); e a expulsão da influência ocidental da região.
Este é um programa muito ambicioso, provavelmente impossível de alcançar. No entanto, é uma receita para terrorismo e guerra intermináveis: os islâmicos revolucionários, tanto favoráveis como contrários ao Irã, acreditam que, como Deus está do lado deles e seus inimigos são covardes, vencerão; e eles estão bastante preparados para passar o próximo meio século tentando provar isso. Embora esta pareça ser uma avaliação muito pessimista da situação regional, o lado islâmico radical possui muitas fraquezas. Lançar guerras perdidas pode fazê-los se sentir bem, mas serem derrotados é uma proposição custosa, já que sua arrogância e beligerância afastam muitos que de outra forma poderiam ser conquistados para sua causa.
Além disso, a situação representa uma boa oportunidade para as autoridades políticas ocidentais. A ênfase deveria ser construir coalizões entre os Estados relativamente moderados que são ameaçados pelas forças islâmicas radicais e trabalhar arduamente para evitar que o Irã tenha armas nucleares - um objetivo que está dentro dos interesses de muitos na região. O pior erro seria seguir a política oposta - um esforço inevitavelmente fútil para pacificar os extremistas ou tentar moderá-los. Tal campanha, na verdade, desencorajaria os relativamente moderados que, sentindo-se traídos, tentarão conseguir seu próprio acordo com Teerã. A atual crise em Gaza é apenas um aspecto de uma batalha muito mais ampla que sacode a região. Ajudar o Hamas daria poder ao islamismo radical e às ambições iranianas e enfraqueceria a AP e todos os demais, não apenas Israel. Os Estados árabes não querem ajudar seu pior inimigo. Por que qualquer outro deveria?

Publicado no Valor Econômico

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“O momento é de tanto radicalismo e insanidade que o óbvio é que parece absurdo, como admitir que é possível defender ao mesmo tempo a existência de Israel e a criação do Estado palestino”

Zuenir Ventura, de O Globo

Um dos piores efeitos colaterais dessa guerra de Gaza - como, de resto, de todas as guerras - é a capacidade de envenenar corações e mentes até dos que estão distantes, dificultando as tentativas de uma visão equilibrada do conflito. Ao se expulsarem dos debates a tolerância e a sensatez, acaba-se reproduzindo simbolicamente o clima de beligerância e de ódio dos campos de batalha. Nas discussões, a busca de soluções tem dado lugar a uma inútil obsessão para saber quem começou, quem deu o primeiro tiro, quem tem mais "razão", quem matou mais, como se esse caminho levasse a alguma saída. Isso só interessa aos que preferem as feridas abertas à cicatrização. Quem pertence a uma geração que conheceu todo tipo de guerra — mundial (a segunda), fria, colonial, étnica, civil, de guerrilha, "limpa", suja, "justa" — sabe o que fica delas, além dos escombros e das pilhas de mortos: os amputados de corpo e alma para o resto da vida. Por isso é que, para mim, a única tomada de posição sensata é pela paz em Gaza, não em favor de uma das partes em guerra, o que é uma forma de prolongá-la. Mas o momento é de tanto radicalismo e insanidade que o óbvio é que parece absurdo, como admitir que é possível defender ao mesmo tempo a existência de Israel e a criação do Estado palestino.
Nessa disputa sangrenta, os dois lados merecem mais crítica do que aplausos, se é que merecem algum. Não é preciso ser antissemita, por exemplo, para condenar com indignação excessos como os que foram noticiados ontem: "Israel faz 110 ataques e atinge ONU, jornalistas e um hospital”. Da mesma maneira, não é preciso ser inimigo da causa palestina para repudiar o que o Hamas faz com seu povo, usando-o como escudo, quando não como bomba humana, essa terrível versão literal da velha metáfora "bucha de canhão". Numa troca de cartas há mais de 70 anos, Einstein perguntava a Freud se existia alguma forma de nos proteger da "maldição" da guerra. Ele considerava este como "o mais urgente de todos os problemas que o mundo tinha de enfrentar". A correspondência entre os dois gênios, ambos fugitivos do nazismo, rendeu o famoso texto "Por que a guerra?", do criador da psicanálise. É um ensaio exaustivo, impossível de ser resumido aqui, ainda mais por um leigo. Ele passa em revista os instintos de vida (Eros) e os de morte (Tanatos), os que "tendem a preservar e a unir" e os que "tendem a destruir e matar". "Nós, os pacifistas", diz Freud quase ao final, "temos uma intolerância constitucional à guerra (...)". "Quanto tempo teremos de esperar até que o restante da Humanidade também se torne pacifista?", ele pergunta e responde: "Não há como dizê-lo." Freud acha que isso "pode não ser utópico". Mas não sabe por que caminhos se realizará. Uma coisa, porém, ele garante: "Tudo o que estimula o crescimento da civilização trabalha simultaneamente contra a guerra".

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“Em vez da pessoa se dizer antissemita, o que
seria politicamente incorreto, ela se diz antissionista,
como se, assim, as aparências fossem salvas”

Denis Lerrer Rosenfield, professor de filosofia
na Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Martin Luther King já dizia que o antissionismo é o novo disfarce do antissemitismo. Em vez da pessoa se dizer antissemita, o que seria politicamente incorreto, ela se diz antissionista, como se, assim, as aparências fossem salvas. O Hamas ancora todo o seu discurso contra a “entidade sionista”, dizendo, com isso, procurar a “libertação da Palestina”. O problema, contudo, está no sentido conferido à expressão “libertação da Palestina”, pois, na verdade, ele quer dizer a destruição do Estado de Israel, segundo consta de sua “Carta”, de 1988: “Israel existirá até o Islã o apagar do mapa, exatamente como fez com outros no passado”. Aliás, nesta mesma “Carta”, ele se posiciona contra toda reunião internacional: “As iniciativas de paz, ou soluções pacíficas, ou conferências internacionais são contrárias aos princípios do Hamas... Não há outra solução para o problema palestino a não ser a Jihad”. Libertação significa aqui morte do outro: “O dia do julgamento não virá até que os muçulmanos matem todos os judeus”.
Surpreendente, no entanto, é o eco desse discurso entre certos setores do jornalismo e da intelectualidade (que certamente não usa o intelecto), que reproduzem os mesmos termos, acrescentando outros, como se as ações de autodefesa do Estado de Israel fossem “terrorismo de Estado”, “genocídio” e “práticas nazistas”. O PT, em particular, mais uma vez se mostrou à altura de sua falsificação da história, o que é coerente com sua linha de maltrato da moralidade, da ética na política, com o “mensalão”, os “aloprados”, as “cuecas” e outras formas de afirmação de seus “princípios”. Digno de nota, porém, é o fato de ele, agora, abraçar a causa do “terrorismo islâmico”, dentro, certamente, de sua luta contra o “sionismo” e o “imperialismo”. Seu perfil totalitário fica ainda mais nítido. Evidentemente, não precisa mais se dar o trabalho de distinguir entre a “causa palestina” e o “terror”.
O Hamas é uma criatura da Fraternidade Muçulmana, grupo religioso de oposição ao governo egípcio. Dentre os seus feitos, destaca-se o assassinato de Anuar El Sadat, o presidente que fez a paz com Israel. Cometeu, aos olhos dos fundamentalistas islâmicos, um pecado capital: reconheceu o Estado hebreu. Pagou com a sua própria vida. Israel retirou-se dos territórios ocupados e, desde então, reina a paz entre Estados que, no passado, foram inimigos. A paz, porém, é inaceitável para o terror. A ideologia deste grupo teológico político é fortemente impregnada de posições antiocidentais, abominando, principalmente, a igualdade entre homens e mulheres, a liberdade dos costumes, a democracia e a tolerância. Não é casual que o segundo homem na hierarquia da AlQuaeda seja egresso da Fraternidade Muçulmana. Afinidades eletivas! São certamente impactantes e condenáveis as cenas de crianças mortas. Aliás, o Hamas conseguiu, nesse sentido, bem instrumentalizar a opinião pública internacional e nacional. O que não se diz, todavia, é que o Hamas utiliza mulheres e crianças como “escudos humanos”. Israel tem poucas vítimas civis. Por quê? Porque se preocupa com os seus cidadãos, construindo abrigos e criando sistemas de alerta. O que fez o Hamas? Criou passagens e túneis subterrâneos para os seus militantes, colocando, na frente de batalha, crianças e mulheres, de modo que elas pudessem se tornar vítimas para a opinião pública. Claro que, assim, as baixas civis só poderiam ter aumentado. Baixas civis, aliás, que são intencionalmente infladas, pois os “combatentes” do Hamas, agora, estão lutando com trajes civis, abandonando os seus uniformes, de tal maneira que as suas mortes não apareçam como as de militantes. No Brasil, temos intelectuais (sic!) que fazem manifesto contra a agressão israelense a universidades e mesquitas.
Ora, não conseguem compreender — deve ser muito difícil! — que mesquita não é mesquita, escola não é escola, universidade não é universidade, da mesma forma que libertação não é libertação. São centros de armazenamento de armas, foguetes, refúgios de terroristas, além de locais de endoutrinação e treinamento. É o que foi mostrado, recentemente, no Paquistão, onde uma mesquita cumpria precisamente essa função. O drama palestino reside na ausência de líderes e partidos políticos efetivamente comprometidos com a criação de um Estado. Arafat não esteve distante disso quando, em Camp David, esteve próximo de aceitar a proposta do então primeiroministro de Israel, Ehud Barak, hoje ministro da Defesa. A proposta consistia no reconhecimento recíproco, na criação de dois Estados, na retirada de Israel de mais de 92% dos territórios ocupados e na divisão de Jerusalém, que seria a capital compartilhada dos dois Estados. O problema, contudo, não foi a partilha territorial, nem a divisão de Jerusalém, mas o que as lideranças palestinas chamam de “direito de retorno”, de em torno de 4,5 milhões de pessoas. Retorno para onde? Para dentro do Estado de Israel e não para a nova pátria palestina! Israel teria de abrigar em seu território pessoas criadas no ódio aos judeus, que equivaleriam quase à sua população. Trata-se, na verdade, da destruição de Israel por outros meios. Por que não um acordo envolvendo esse retorno ao novo Estado? Ademais, esses refugiados foram os que acreditaram nas lideranças árabes da época que, seguindo o Mufti de Jerusalém, pregavam atirar os judeus ao mar. Os palestinos que não os seguiram são, hoje, cidadãos israelenses e desfrutam melhores condições de vida do que em qualquer outro Estado da região. Qualquer solução definitiva só poderá se fazer tendo como pressuposto o reconhecimento recíproco, a retirada de Israel dos territórios ocupados e a renúncia à violência enquanto meio de resolução de conflitos políticos. Não podemos, porém, seguir os cantos dos falsos humanistas, que encobrem os seus preconceitos com belas palavras!

Publicado em O Globo

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"Minha primeira passeata: senti que já não posso
mais observar o que se passa de “cima do muro”

Elisete Retter, cantora e compositora brasileira radicada em Israel

No último dia 12 de janeiro eu participei da minha primeira passeata na vida. Nós, brasileiros que vivemos em Israel, nos juntamos para protestar em frente a Embaixada do Brasil em Tel-Aviv contra a nota assinada pelo PT que acusa Israel de agir como os nazistas agiram durante a II Guerra Mundial. Todos nós sentimos grande indignação e eu, que vivo em Israel há 17 anos, senti que já não posso mais observar o que se passa de “cima do muro”. Precisava ter a sensação de que ao menos estaria fazendo alguma coisa para ajudar Israel, mesmo que um gesto mínimo. O Partido dos Trabalhadores por ser um partido de esquerda e consequentemente anti-militar, provavelmente vê a situação em Israel associando ao acontecido no Brasil há tanto tempo. Porém, as coisas são diferentes. Eles necessitam conhecer todos os fatos, conhecer melhor a história e a mentalidade dos povos da região em ordem de formar um melhor julgamento.
Esta foi a minha primeira demonstração e eu participarei de quantas mais sejam necessárias para dar ao povo brasileiro a possibilidade de um ponto de vista distinto. Eu sou uma pacifista, uma cantora e compositora. Eu sonho com a paz. Sobre isso escrevo nas minhas canções, com este propósito vivo. Continuarei esperando que os povos desta região um dia encontrem um modo de conviver uns com os outros e que todos nós viveremos em paz. Nós precisamos que isto aconteça! Nós queremos que isto aconteça! Nós queremos a paz. Nós também queremos que Israel se sinta suficientemente seguro para que esta paz tenha uma chance.

Fonte: FIPE

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É a mídia parcialmente responsável
pelo genocídio de crianças em Gaza?

Sander Fridman, psicanalista

1. Anti-judeu, anti-israel, anti-semita, anti-sionista: são, hoje, termos idênticos, e sua tentativa de distinção pretende manter o antigo massacre aos judeus, disfarçando a reprovada intenção em ambientes civilizados, inclusive de esquerda, do qual me julgo parte.

2. Nazistas eram os membros do partido nacional socialista dos trabalhadores alemães: nem todos que se dizem socialistas o são - não raro, o contrário.

3. É nazistófilo aquele que se diz de esquerda, mas não se importa se seus aliados são de fato de esquerda, como os nazistas, que se aliaram aos "Von" (nobreza alemã), bem como a Stalin, o ditador genocida traidor da classe operária e dos intelectuais que a apoiaram.

4. Foi, aliás, Stalin quem salvou Israel do massacre em 1948, com a permissão para o envio de armas tchecas, e quem, logo depois, aliou-se com os "Von" árabes para massacrar Israel que, sabedor das perseguições judaicas em seu regime, não quis tornar-se soviética, ou seja, ser comandada por Stalin. Stalin não aceitava dividir seu poder de influência. Também foi graças a Stalin que os EUA de MacArthur, em plena guerra fria, tornaram-se aliados de Israel, uma Central Única de Trabalhadores (Histadrut) que tinha um país, e um exército - a Haganá - que se converteram no exército de Israel. Isto, porque, o resto do Oriente Médio já estava alinhado com a URSS, e não sobrava mais ninguém para guardar a posição americana. Na época, para os EUA, todo judeu era comunista, até prova em contrário. Por isso recusaram os refugiados judeus de Hitler, que voltaram para morrer de mau-cheiro - das câmaras de gás.

5. Muitos "esquerdas" nazistófilos no Brasil apóiam os "Von" do oriente médio, que sustentam seus poderes feudais com o ferro e o fogo da religião muçulmana, salientados seus textos Supremacistas (submissão obrigatória de todos os povos à supremacia do Islã) e Racistas (os judeus são descendentes de porcos e macacos, por isso é a obrigação de todo temente a Alá matar todos os judeus: antes disso não haverá salvação/o "dia do juízo final") Como disse, idêntico ao ideário nazista. O papel do movimento era o de confundir-se inicialmente com a esquerda, para, depois, eliminá-la. Tal no Irã, tal na Alemanha, tal em Gaza.

6. Grande parte da esquerda estúpida brasileira revela seu filonazismo ao apoiar estes grupos, que defendem essa agenda, e esquecem que, no Oriente Médio, os únicos sindicatos de trabalhadores livres e atuantes estão em Israel.

7. Por que esquecem? Por uma só razão: são sindicatos de Judeus - pensam.

8. Sobre Gaza? Não há o que discutir: os nazistas fizeram o mesmo: Hamas e Hitler optaram por continuar combatendo até a última gota de sangue da última criança. Deve Israel depor armas e deixar as crianças do Hamas continuarem os ataques? Ou deixar o monstros do Hamas continuarem os ataques por que se cercam de crianças que serão atingidas se Israel tentar pará-los?

9. Sobre os escudos humanos infantis? Nem uma linha! A propaganda mais barata, na conta dos valores nazi-hamáticos: vidas infantis não valem nada para eles! E a mídia do mundo, recompensa o genocídio dos escudos humanos involuntários do Hamas, proporcionando-lhes toda a mídia que um dia quiseram. Quem mata estas crianças é a mídia, que divulga a propaganda do Hamas, e assim paga pelo genocídio, que vende jornais, aumenta a audiência, encomendando por mais imagens de crianças mortas para alimentar a mídia insaciável de modos fáceis de captar a atenção do público!

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Guerra a caminho do fim

Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

A prioridade absoluta de Obama é a crise econômica. E o povo americano espera que ele assuma o caminho novo logo nos primeiros momentos de sua presidência. Provavelmente minutos depois de entrar na Casa Branca, no próximo dia 20, assinará programas deverão confirmar suas promessas de mudança. As pressões internacionais pelo fim das hostilidades em Gaza são fortíssimas, como se comprova na sede das Nações Unidas, onde se manifestam em resoluções. O Egito, principal mediador entre Israel e Hamas, tenta viabilizar o entendimento. Enviados de Israel e do Hamas chegam ao Cairo, ouvem e contrapropõem, de forma a não se encontrarem. Ainda não se chegou lá, mas caminha-se. A decisão de cessar-fogo pode até acontecer antes do dia 20. A implementação é que tenderá a demorar.
O conflito em Gaza é das questões urgentes na agenda de Obama. Porém, nada mais urgente do que o bem-estar americano, abalado pela crise. Não existe confiança alguma entre Israel e Hamas, mas eles precisarão aceitar a solução política. É do interesse de ambos. Será um grande feito para o governo do Egito. Pelo que reporta a mídia, Israel considera ter realizado o suficiente de seus objetivos estratégicos, tais como destruir grande parte da infra-estrutura de poder criada pelo Hamas, demonstrar seu preparo e determinação na defesa da tranquilidade de seus habitantes. Mas chegou a uma encruzilhada.
Um lado leva a uma escalada do combate a níveis politicamente insuportáveis pelos seus custos humanos e políticos. Escalada que terminaria na indesejada reocupação de Gaza, a estreita faixa de 400 quilômetros quadrados e bem mais de um milhão de habitantes que nem Egito nem Jordânia aceitaram assumir nos seus acordos de paz com Israel. Uma população de insignificante renda na média e aparentemente infiltrada de ideologia fundamentalista e teimosos guerreiros. E viria se acrescentar aos cerca de milhão e meio de árabes israelenses, tornando mais próximo e provável que cheguem à maioria no atual Estado judeu. Vitória custosa.
O outro lado, o do entendimento, interromperá a luta com compromisso de cessar-fogo, impedimento ao rearmamento do Hamas por meios do contrabando, direito de punir agressões. Um cessar-fogo possibilita ao Hamas proclamar que não foi derrotado, sustentar sua ambição de uma Palestina islâmica, lhe oferece a possibilidade de ajuda internacional na reconstrução, e até uma certa legitimidade. No dia 10 de fevereiro realizam-se as eleições gerais de Israel, quando um dos atuais ministros poderá chegar a chefiar o próximo governo. Obama assume a mais poderosa função do mais rico país e, com certeza, em um mundo de desafios mais complexos e jamais enfrentados por um presidente americano.
Franklin Roosevelt, membro de aristocrática família, eleito nos princípios dos anos 1930, enfrentou a Grande Depressão, que foi das grandes tragédias da história moderna. Adotou e implementou políticas que mudaram os Estados Unidos com um conjunto de iniciativas audaciosas e inovadoras. Mas a Depressão só foi superada com a II Guerra Mundial. Barack Obama terá de liderar o encontro de soluções nacionais e internacionais. O homem que veio com mensagem de paz.

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O principal inimigo de Israel nesta guerra é a ONU

Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja

Israel enfrenta em Gaza um inimigo bem pior do que o Hamas: a ONU. Desde o início da reação defensiva do país, morreram 13 de seus cidadãos. O Hamas, por enquanto, é incompetente para matar: só não é mais efetivo porque não pode, não porque não queira — e porque suas vítimas potenciais sabem se defender. Vejam o caso do muro na Cisjordânia. Tantos foram os protestos, né? O fato é que os atentados suicida-homicidas foram reduzidos a praticamente zero. Pesquisem na Internet, e vocês encontrarão muitos conselheiros recomendando a Israel que desistisse do muro. Vocês sabem como há especialistas prontos a dizer como aquele país deve defender seus cidadãos... Mas volto ao ponto.
Procurem um só representante das Nações Unidas, com nome e sobrenome, que acuse o Hamas de fazer o que todos sabem que o Hamas faz, de modo documentado: usar civis como escudo. E vocês não encontrarão. Os tais comissários se converteram na frente política do Hamas. Enquanto os terroristas usam mesquitas, escolas e residências como esconderijo (para atacar às escondidas) e/ou depósito de armas e munição, todas as acusações se voltam contra o país que reage às agressões.
A acusação da hora é o uso do tal fósforo branco, substância proibida. Se Israel está, de fato, empregando o dito-cujo, é claro que isso tem de ser denunciado. O país nega. O bom senso evidencia que se deve proceder a uma investigação. Cadê? Ela aconteceu? Não! A ONU reporta relatos dos palestinos. Chega a ser estúpido indagar se não caberia investigar antes e acusar depois... Nesse confronto, como está claríssimo, as Nações Unidas têm lado.
E sabem por que é assim? Porque não existem mais Nações Unidas. O organismo está balcanizado hoje em conselhos, e sólidas democracias dividem espaço e voz com ditaduras as mais detestáveis. É o caso do Conselho dos Direitos Humanos. O que mais há no grupo são países em que não há direitos — humanos tampouco. Foi o grupo que condenou Israel, ontem, com a ajuda do Brasil. E que, dois anos atrás, preservou os genocidas do Sudão de qualquer censura. Vocês entenderam direito: os mesmos trogloditas que condenaram Israel pelo “massacre” de Gaza passaram a mão na cabeça do governo sudanês, que já havia matado 200 mil pessoas — hoje, o número passa de 300 mil.
Essa mesma ONU acusa a morte em penca de civis e não indaga, então, por que os há se os alvos de Israel são, porque são, selecionados. Boa parte do mundo parece se contentar com a versão de que os israelenses são mesmo perversos. Imaginem quantos seriam os mortos num ataque a esmo feito contra Gaza. Aliás, imaginem quantos eles seriam se Israel só se ocupasse da tal reação proporcional, como tantos querem: quantas teriam sido as vítimas fatais no ano passado se os israelenses tivessem apenas, digamos, retrucado os 1.386 foguetes que foram lançados contra seu território...

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Relato de um palestino que não odeia Israel e os judeus

Achmed Assef

Meu nome é Achmed Assef, sou palestino e vivo no Brasil atualmente. Desde que iniciou novamente os conflitos no Oriente Médio, não se fala em outra coisa a não ser nesta guerra infeliz que tanto vem fazendo vitimas dos dois lados. Nasci na Palestina, um país que ainda não existe oficialmente e quando a situação ficou insustentável para minha família, tivemos o feliz e sagrado convite de um amigo de meus pais a virmos ao Brasil, e desde meus 5 anos de idade, moro neste lindo país acolhedor. Quando digo que a situação na Palestina ficou insustentável, não estou me referindo aos inúmeros conflitos com o exercito de Israel ou os religiosos judeus que mantinham suas casas lindas em território palestino, e que hoje essas mesmas casas foram tomadas a força pelos terroristas, mas sim de uma insustentabilidade provocada pelos próprios "governantes" palestinos em todos esses anos. Para quem esta no Brasil ou qualquer outro lugar do mundo, na segurança de seu lar e de sua vizinhança não vai conseguir imaginar nunca o que é viver em Gaza. Somente de lembrar minha breve infância nas cidades em que vivi, me dá aperto no coração e vontade de chorar, porem, ninguém que esta no conforto de seus lares também recebendo milhares de informações, fotos e noticias do atual conflito pode imaginar também o que é sentir-se traído por aqueles que se intitulam lideres palestinos.
Os lideres palestinos nunca quiseram um Estado. E eu posso falar isso em alto e bom tom, porque é uma verdade. Se quisesse teriam criado antes de 1948, quando ainda não existia o Estado de Israel, se quisessem o teriam feito em 48 também quando a ONU decidiu pela criação de 2 Estados, mas nossos grandes líderes preferiram incitar o povo à violência de lutar contra os judeus do local a fazer lobby por um Estado palestino viável. Não quiseram também os líderes palestinos quando os territórios, chamados "ocupados por Israel" e que hoje estão em sua grande maioria em nosso domínio, criar um Estado palestino. O que dizer então da mais recente escalada de violência, quando ocorreu a segunda intifada causada pelo grande líder Arafat que em 2000 rejeitou o melhor acordo de paz de todos os tempos propostos pelo premie israelense Ehud Barak e mais uma vez incitou o povo palestino a violência e a brutalidade através de homens-bomba, enquanto a família do sr. Arafat vivia com regalias, mordomias e riquezas em Paris, tudo fruto de doações dignas estrangeiras mas que nunca chegaram ao povo sofrido da Palestina.
Ao invés de comprar comida, água, remédios e oferecer uma vida digna e boa ao povo palestino, nossos lideres preferiram o caminho da violência, da brutalidade e da estupidez de promover o ódio e a discriminação contra o povo judeu, que se não são anjos, também não são demônios como pregam nossos lideres. As mesmas crianças que hoje morrem inocentemente no colo de suas mães, são as mesmas que recebem a criação e educação militar desde cedo a odiar Israel e o povo judeu, sabendo atirar com armas pesadas com menos de 5 anos de idade e ainda recebem a lavagem cerebral de se tornarem mártires explodindo-se para causar ainda mais vítimas do outro lado. Os lideres palestinos não possuem nenhum sentimento humanitário como se espera para uma população cansada e calejada de sofrimento. pois se tivessem, não mandariam para o suicídio seus parentes e suas crianças, enquanto esses covardes assassinos escondem-se em outros paises ou ate mesmo utilizando escudos humanos dentro da população civil, como vemos hoje na faixa de Gaza.
O Hamas, que ha. muito tempo vem promovendo barbáries dentro e fora de Gaza, desde que em seu único ato inteligente na historia, transformou-se em partido político somente para dar legitimidade ao seu terrorismo praticado diariamente nas ruas de Gaza, matou, perseguiu, torturou e aniquilou todos os "inimigos" do Fatah, o partido moderado que hoje é representado pelo incapaz Mahmoud Abbas. Senhores, como pode um grupo terrorista, dizendo-se líder do povo palestino matar nossos irmãos??? Como entender que eles não estão defendendo nosso povo, mas sim seus próprios ideais que não refletem a opinião da maioria desse meu povo palestino? Matar palestinos somente porque não concordam com seus atos e idéias é arcaico e acima de tudo terrorista. Sobrou a Cisjordânia para o Fatah e que se não tomarem cuidado, servira de base para mais atos de violência dos terroristas do Hamas. Vocês podem argumentar que os terroristas do Hamas praticam atos sociais e de solidariedade, mas não acreditem em tudo que veem na mídia e muito menos em tudo que ouvem. Para que vocês consigam compreender, faço uma analogia com os traficantes no Rio de Janeiro, pois é legitimo o que eles fazem? Aliciar crianças inocentes para o trafico de drogas, colocando armas pesadas em suas mãos? Acredito que não, mesmo que os traficantes promovam atos sociais e atos solidários com os moradores dos morros onde estão alojados. Continuam desrespeitando o direito de crianças crescerem com educação saudável e não para a guerra, como os terroristas do Hamas fazem hoje.
Amigos brasileiros que tanto respeito e tanto quero bem, faço um apelo como palestino, como muçulmano, mas acima de tudo como um ser humano que não agüenta mais ver a ignorância e a falta de conhecimento por parte de muitas pessoas neste lindo Brasil:
parem de atacar Israel, parem de atacar os judeus e também parem de achar que o povo palestino é somente de terroristas. ha. muita gente boa, inocente e que não quer mais conflitos com os israelenses e não os odeiam, assim como não odeiam os americanos. Muita gente lá, incluindo minha família esta cansada de tanta dor e sofrimento e sabemos que devemos ter uma convivência pacifica com Israel, afinal, é de Israel que vem nossa água, nossa comida, nosso trabalho e nosso dinheiro. Israel inclusive nos oferece ajuda militar sabiam? Quando houve acordo com a Autoridade Palestina no governo de Arafat, a policia de Israel treinou muitos de nossos homens que não queriam envolvimento com o conflito para que pudessem trabalhar na ordem de nossas cidades. Israel ofereceu treinamento para seus supostos inimigos, inclusive com armamento para que tivéssemos nossa própria segurança. Terroristas que tentaram e não conseguiram se explodir nas cidades de Israel, receberam atendimento medico nos hospitais israelenses!! e muitas das escolas em Israel promovem a educação igualitária com alunos palestinos e judeus, convivendo em perfeita harmonia e recebendo educação sadia e de respeito ao próximo. Diferentemente do que acontece em Gaza por exemplo.
Se nossos líderes não fossem tão burros e estúpidos, nosso povo sofrido não teria mais o que reclamar, pois em Israel estão as maiores oportunidades para um palestino que vive em gaza ou Cisjordânia e quem tem um mínimo de inteligência lá sabe que não vai conseguir nunca varrer Israel do mapa ou exterminar todos os judeus, como apregoam certos lideres maníacos do nosso lado. Quanto ganharíamos se estivéssemos do lado de Israel e dos judeus? Por que aqui no Brasil a convivência entre os dois povos sempre foi motivo de orgulho e quando estamos em sociedade ganhamos em tudo?
Meu tio recebeu visto de trabalho em Israel. Todos os dias levantava cedo e ia trabalhar em Israel e voltava de noite para sua casa em Gaza. Quando o Hamas tomou o poder a força e iniciou seus diários ataques as cidades israelenses, meu tio perdeu o emprego e a fronteira foi fechada. A culpa é de Israel? do meu tio que nunca odiou os judeus? Não, a culpa é dos terroristas do Hamas. Meu tio hoje continua não odiando os israelenses nem os judeus. Vive na Síria, onde a situação não é das melhores mas lá não ha. grupos terroristas como o Hamas ou o Hezbollah que somente acabam com a vida dos cidadãos de bem. O povo palestino foi expulso de diversos paises chamados "amigos dos palestinos", incluindo Jordânia, Líbano, Síria e Líbia. O Egito fecha sua fronteira com Gaza porque não nos querem por lá, inclusive no tratado de paz com Israel, na devolução do Sinai ao Egito, foi oferecido por Israel devolver Gaza também e os egípcios não quiseram porque chamaram de terra sem lei e o pior lugar do mundo para se viver. Por que paises fortes e com um território gigantesco como Arábia Saudita, Jordânia, Irã e outros não tão grandes mas muito ricos, como Kwait, Emirados Árabes ou Catar não nos recebem de braços abertos? Preferem somente financiar atentados terroristas e mandar todo seu dinheiro para lideres palestinos terroristas e que não pensam no bem estar da população mas somente em enriquecimento próprio e incentivo ao ódio e intolerância?
Por isso, meus amigos, escrevo esta mensagem. Sei que esta carta não vai fazer nenhum dos dois lados pararem com o atual conflito e muito menos mudar o pensamento dos lideres que hoje determinam o rumo do meu povo palestino, mas se servir para fazer o povo brasileiro pensar nisso e entender que não precisamos importar um conflito que não serve pra nada aqui e também para que todos vocês realmente entendam quem são os principais responsáveis pela matança generalizada que ocorre atualmente em Gaza, fico feliz. Israel não é culpado, esta se defendendo dos irresponsáveis lideres terroristas palestinos que diariamente ataca nosso vizinho com seus nada caseiros foguetes para depois se esconderem atrás de mulheres e crianças, colocando toda a culpa nos israelenses, enquanto esses terroristas que infelizmente também são palestinos covardemente se escondem em áreas altamente populosas para causar ainda mais mortes e ganharem fotos sensacionalistas nos jornais do mundo todo. O povo palestino também não é culpado, o povo palestino, tirando esses terroristas que são minoria quer a paz, quer o convívio pacifico com Israel e com os judeus. Quer uma vida digna e viver em seu território chamando-o de lar, sem precisar fugir para qualquer outro pais maravilhoso como o Brasil como eu fiz, pois a Palestina é o melhor lugar para viver um palestino. Pensem nisso antes de escolher algum lado no conflito, mas acima de tudo, escolham o lado da paz, da tolerância e do respeito com quem quer que seja.

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“Especialistas”, não conhecem absolutamente nada sobre
a realidade histórica, política e cultural daquela região
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Sonia Bloomfield

Tenho acompanhado o que se escreve e se fala sobre o embate entre Israel e o Hamas, e percebo muito nitidamente que a maior parte é devida a um anti-americanismo travestido de anti-sionismo. Por que digo isto? Porque é absolutamente claro o fato de que 99% dos “analistas”, entre eles até professores doutores que se dizem “especialistas”, não conhecem absolutamente nada sobre a realidade histórica, política e cultural daquela região. Imaginem que um escreveu recentemente que nas escolas de Israel se ensina o ódio, mas nas árabes tradicionalmente se ensina o Humanismo; será que ele se esqueceu que o Humanismo é um valor essencialmente ocidental?
Em primeiro lugar, o conflito tem sido mostrado como uma luta de coitadinhos que apenas desejam ser independentes no seu pedacinho de terra e que são impedidos pelos monstruosos e poderosos sionistas. Já se encontra aqui a primeira falha nestas análises baseadas apenas no “ouvi-dizer”: não compreendem que o Hamas não é um movimento nacionalista! Ele não busca a criação de uma pátria palestina, e nem pode, pois é parte da Irmandade Muçulmana, a qual busca um território islâmico, o Califado, um espaço muito mais amplo, sem fronteiras baseadas em conceitos ocidentais de estados-nações. Para atingir tal objetivo político e religioso o Hamas une-se a inimigos antiqüíssimos, os xiitas, representados neste caso pelo governo iraniano.
Não que eles se apreciem, muito pelo contrário, após uma possível eliminação dos “infiéis” o primeiro passo será a disputa entre xiitas e sunitas para controlar o mundo islâmico, o Dar a-Islam. Prestem atenção nas atividades sauditas e egípcias, sunitas, para tentar contrabalançar o perigo que representa para eles um Irã nuclear. O Hamas não está lutando para criar um país chamado Palestina, o Hamas está lutando para tirar a legitimidade e poder da leiga Autoridade Palestina, oriunda da OLP, para assim iniciar a implementação de um governo baseado nas leis da Shaaria, acabando assim com a divisão entre a religião e o estado que é característica do mundo moderno.
Mas esta não é a única união espúria que existe neste emaranhado, existe outra muito interessante por sua total contradição: a união e apoio de grupos de esquerda, que tradicionalmente não têm qualquer tipo de religião em suas ideologias, até mesmo as combatem, com o que há de mais extremista no universo religioso, o fundamentalismo islâmico. Até hoje não entendi se isto é apenas uma união anti-americana que vai durar até que os dois grupos fatalmente entrem em luta tão logo o inimigo comum seja derrotado, ou se realmente eles acreditam na possibilidade de duração de um casamento tão esdrúxulo. Sem dúvida alguma, os líderes sabem perfeitamente que esta é uma união temporária, após a qual terão que lutarão entre si, mas não sei se os seguidores percebem a contradição do que pensam e do que fazem.
Se o apoio ao Hamas é dado devido às cenas de crianças árabes mortas e feridas, que fazem com que a indignação moral surja de forma imperativa, pergunto-me por que não vejo a mídia e os movimentos sociais no Brasil levantarem suas vozes sobre o que acontece no Sudão, na região de Darfur? Lá, a liderança do país pensa-se como árabe e islâmica, e mata livremente os povos negros islâmicos de Darfur. Onde estão as vozes gritando contra o horror? Onde está o avião do governo brasileiro levando comida e remédios para uma população que precisa muito, mas muito mais que os palestinos? Ao contrário dos palestinos, os povos de Darfur não têm irmãos de raça com petrodólares ou petroeuros para ajudá-los, estão ao Deus-dará, massacrados, extirpados, estuprados e mutilados pelo governo árabe do Sudão. Onde estão as vozes da imprensa, do público, dos professores, das igrejas e demais segmentos da população protestando contra este Holocausto? Será que é porque eles são negros e pobres e não têm como pagar a alguém para escrever sobre eles nos jornais ou mostrá-los morrendo de fome, sede e tortura pela televisão?
Na verdade, a grande maioria dos “especialistas” nem sabe apontar no mapa o local onde fica Darfur. O desconhecimento da história e da geografia de outros povos é grande, e para adquirir este saber é preciso tirar muitas das horas dedicadas à diversão, e ter a humildade de sentar-se e estudar com o intuito de aprender, comparando diferentes versões sobre os fatos, acompanhando-os ao longo do tempo e do espaço, i.e. estudando História e Geografia. Infelizmente, é muito mais fácil assumir uma versão determinista, marxista-ingênua, onde não existem pessoas, só estruturas. Quando, alguém que aprendeu tal visão, que é amplamente difundida no Brasil, se depara com retratos das crianças mortas ou feridas, explode a contradição de uma história que não tem pessoas e para amenizá-la, devido à necessidade humana de criar uma ordem mental, ao invés de reflexão inicia-se apenas a procura a um bode expiatório.
Pensar cansa, e Israel e os EUA estão ai para isto mesmo, são “imperialistas sanguinários”, e se esquecem do que o Brasil fez com o Paraguai! Nosso ensino de história e geografia “crítica”, não induz à leitura e à exploração intelectual, tudo já está explicado: rico manda e pobre obedece, rico mora em lugar bom e pobre mora em lugar ruim, palestino é bom e judeu é ruim, pronto, não há mais o que aprender. Como os brasileiros não vêm as vítimas dos árabes em Darfur, nem as crianças israelenses mortas e feridas pelo Hamas, acham que só os palestinos sofrem, e que este sofrimento é causado pelo “Pequeno Satã”, Israel, a mando do “Grande Satã”, os EUA.
Nada se sabe sobre o Oriente Médio, a cultura árabe, e a diferença entre o islã (religião e cultura) e o islamismo (fundamentalismo violento)! São pouquíssimos os que podem explicar os problemas atuais do Oriente Médio, os resultado de séculos de decadência do Império Otomano, das guerras entre os diferentes povos que compõem o islã, do surgimento do Humanismo e da ciência na Europa, que assim tornou-se dominante, impondo sua política e modo de pensar entre as elites dos países que influenciou, assim como no passado os islâmicos dominaram a Península Ibérica e a controlaram. Quantos sabem algo sobre a cultura árabe além de quibe e dança-do-ventre? Quem pode dizer o porquê de alguém como o Bin Laden dizer que um dia o islã dominará o mundo devido ao fato de que os ocidentais não querem morrer, mas que para os islâmicos a morte é uma alegria? Quantos sabem o que é o após-morte no islã além do homem receber 72 virgens? Quem sabe dizer o que acontece com as mulheres? O que acontece com uma criança que morre em uma batalha ou ataque contra o islã?
Para começar, no Ocidente o conceito de “infância” e “criança” é muito recente, surgido mais ou menos a partir do século XVIII. Até então não existiam crianças, existiam apenas seres que ainda não haviam atingido seu potencial humano total. Não havia roupas para crianças, não havia horário para brincar, e tão logo possível ela era colocada para trabalhar com os pais. Só há cerca de dois séculos a idéia começou a ser desenvolvida, e com ela o pensar de que havia um tempo na vida das pessoas em que elas podiam não se preocupar em trabalhar, que deviam ser bem tratadas e protegidas de problemas pelos pais.
Mais recentemente ainda, na década de 1940, surgiu o conceito de adolescente, uma pessoa entre a infância e a vida adulta, a quem é permitido fazer todas as loucuras antes de entrar no mundo “adulto” e se enquadrar. A morte de uma criança é tida por nós como o horror mais profundo, mas isto não acontece em outras culturas. Para nós no Brasil, uma criança morta é a dor mais forte que se pode ter, causa repulsa a todos, desejo de vingança contra quem causou o evento. Mas, como disse Bin Laden, nós ocidentais amamos a vida e não queremos perder nossos filhos, mas eles, os islamistas, em suas próprias palavras, “amam a morte” e não só buscam por ela como também enviam seus filhos a seu encontro.
O que será a causa desta diferença tão profunda nas nossas percepções sobre o que seja a “morte”? Os islamistas sabem a diferença, e a usam para nos manipular. Nós em nossa ignorância sobre outras culturas, sobre a história, aceitamos o que nos apresentam como “morte de crianças” árabes: os filmes e retratos, muitas vezes encenados (já tive a oportunidade de ver montagens de protestos palestinos por cinegrafistas europeus em Jerusalém), de crianças sangrando ou mortas, nos choca e nos faz tomar uma posição visceralmente anti-Israel, sem sequer nos perguntar se também existem crianças judias mortas no conflito e cujas imagens não chegam até nós (suas imagens não são exploradas por razões religiosas, pois o judaísmo proíbe a exposição do corpo de um morto até para a própria família). A morte para o Ocidente é o fim, um possível reencontro com seus mortos só ocorrerá daqui há milênios, e talvez nem aconteça em carne e osso. Quem é que quer morrer?
No entanto, para o Hamas e demais grupos islamistas, qualquer pessoa (não existe o conceito de criança como o conhecemos) morta por não islâmicos em guerra contra eles é um “mártir”, um Shahid, e um mártir pelo islã tem uma enorme, imediata e palpável recompensa, não só para si mas também para seus familiares e amigos. O shahid vai para um paraíso mais elevado que os demais, onde pode usufruir de tudo que a ele foi negado em vida —bebidas, comidas, mulheres à disposição —mas, mais ainda, o mártir pode escolher as 71 pessoas que, em carne e osso, irão passar a eternidade a seu lado, usufruindo de todas as benesses do mártir, independentemente do que elas tenham feito durante suas vidas.
Um Shahid na família é uma garantia de salvação, de melhoria de vida, e se este mártir é uma criança os pais têm a certeza de que ela estará em um mundo muito melhor e que em breve estarão reunidos usufruindo de muitos mais benefícios que poderiam ter em vida. Vejam bem que estou falando dos islamistas, os fundamentalistas para quem a morte é a verdadeira vida, pois certamente existem islâmicos moderados que não querem perder seus filhos. De qualquer modo, o paraíso do mártir é um local concreto, um território repleto de prazeres onde se reunem familiares e amigos do/a Shahid/a em seus corpos originais para gozar a alegria e abundância para toda a eternidade. A morte de uma criança neste contexto é muito diferente da morte de uma criança para uma família e sociedade que não percebem assim a vida após a morte.
Que ninguém se engane, o Hamas não luta por liberdade ou para construir uma nação, os membros do Hamas, como os demais islamistas, lutam para um mundo onde o islã seja a religião dominante, onde as demais religiões serão subjugados e terão que pagar tributo para viver, onde a lei da Sha’aria é a lei do estado, permitindo amputações, apedrejamento, enterramento de pessoas vivas e crucificações não só de criminosos de vários tipos, mas também de mulheres de quem se desconfie de infidelidade, de uma moça que traiu/pode ter traído/poderia ter a intenção de trair a honra da família, homosexuais e também quem queira seguir outra religião ou religião nenhuma. Recentemente o parlamento do Hamas aprovou todas estas punições na Faixa de Gaza.
Se há culpados pelo sofrimentos dos palestinos são os membros do Hamas e demais grupos fundamentalistas. Não é culpa de Israel, que após anos de bombardeios diários do Hamas contra sua população civil, resolveu tomar uma atitude e acabar com as provocações. Os palestinos que vivem na Cisjordânia (Yesha), sob a liderança da Autoridade Palestina não estão se unindo ao Hamas, querem distância deles, não porque a Autoridade seja muito melhor, mas pelo menos lá existe ainda que de forma incipiente uma separação entre o estado e a religião, onde existe a possibilidade de julgamentos que não levem a uma crucificação.
Que não se deixe enganar os brasileiros: parem de culpar Israel pela situação de Gaza, quem aceitaria que seu vizinho ficasse atirando pedras contra suas janelas? Lembrem-se também de que no islã a liderança política é a religiosa também, não existe lei civil, existe apenas a Shaaria; e que o islã é uma religião proselitista que busca ampliar seu espaço para criar o Dar al-Islam, o Mundo do Islã, através da destruição do Dar al-Harb, o Mundo da Guerra, que é o mundo onde vivem os brasileiros. Ai, então… adeus chopinhos com torresmo, adeus aos shorts e bermudas, adeus às mulheres de cabelos, braços e pernas à mostra, adeus ao Carnaval, adeus aos barzinhos onde homens e mulheres se sentam, conversam e riem juntos de piadas picantes, adeus namoros, adeus novelas, enfim, adeus à alegria desinibida do povo brasileiro.

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“Encontrar um grupo e uma população dispostos
a morrer atirando contra Israel era tudo que
os mulçumanos dos países vizinhos queriam”

Padre Paulo Pinto, pároco de NS de Lourdes (Manaus)

Parece uma enorme contradição! Acabamos de celebrar o Natal e o ano começa com uma guerra próxima do lugar onde Jesus nasceu. A região é sagrada para três religiões: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Mas como religião, foram os judeus que lá se estabeleceram primeiro. Do judaísmo nasceu o cristianismo e, de ambos, nasceu o islamismo. Hoje, respeitadas as crenças interna corporis, não mais existem conflitos de natureza bélica, política, nem social entre cristãos e judeus. O papa João Paulo II foi o grande protagonista desta convivência fraterna e pacífica. Ele pediu perdão por erros históricos cometidos por cristãos contra os judeus e declarou que a identidade cristã nasce no judaísmo.
Será muito difícil estabelecer tal entendimento entre mulçumanos e judeus. É corriqueiro no mundo mulçumano achar que o Estado de Israel deva ser destruído, extirpado do mapa da Palestina, nome dado pelos romanos à antiga Judéia. Os conflitos são históricos e se tornaram cruéis de ambos os lados desde a invasão e tomada de Jerusalém pelos árabes mulçumanos por volta dos anos 900 da era cristã. Os mulçumanos identificaram ali um monte onde o profeta Maomé teria pregado, por volta de 550, depois de Cristo. Seria o mesmo monte onde Abraão, o pai dos dois povos, judeus e mulçumanos, havia vivido.
A região sempre fora o lugar sagrado dos judeus, palco percorrido pelos seus personagens bíblicos. Com o nascimento, vida e morte de Cristo passou a ser sagrado também para os cristãos e, a partir do final do primeiro milênio, com a tomada de Jerusalém, passou a ser sagrado também para os mulçumanos. Durante séculos os cristãos europeus organizaram cruzadas para libertar a cidade santa das mãos dos mulçumanos. E também durante séculos os judeus lutaram contra eles. Mas como todos os países do golfo arábico tornaram-se mulçumanos, a hegemonia bélica pertenceu a eles e os judeus foram sendo expulsos de lá.
O ódio contra os judeus é porque eles nunca desistiram do seu solo sagrado e por ele lutaram vigorosamente. Os cristãos deixaram de pegar em armas desde há muito tempo. Com a criação pela ONU do Estado de Israel em 1948, e com os embates posteriores que se sucederam, especialmente a Guerra dos Seis Dias de 1967, que conquistou terras sagradas ao povo judeu em países vizinhos, o ódio árabe contra os judeus chegou ao extremo.
Hoje tal malquerença contra os judeus se personifica e se materializa no Hamas, grupo radical eleito em 2006 para suceder ao governo da Autoridade Palestina. O Hamas foi eleito com 90% dos votos para cumprir um primeiro objetivo: destruir o Estado de Israel. Assim, os países árabes enviam mísseis e o Hamas atira contra Israel. Quando o Hamas atira contra Israel, nenhum país mulçumano se manifesta contra os ataques. Quando Israel atira contra o Hamas, imediatamente eles convocam uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para impedir Israel. Importante lembrar que a população apóia o Hamas. As plataformas de lançamento de mísseis e os depósitos de armamentos são construídos dentro de hospitais e escolas, para evitar que Israel ataque estes locais. Encontrar um grupo e uma população dispostos a morrer atirando contra Israel era tudo que os mulçumanos dos países vizinhos queriam.

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A guerra perdida

Cora Ronai, colunista de O Globo

Há tempos não vejo guerras de opinião tão virulentas quanto as que se têm travado em torno da guerra de Gaza, sobretudo na Internet, onde cada um diz o que quer, recusa-se a ouvir o que não quer e a subsequente gritaria abafa qualquer vestígio de raciocínio porventura existente. Notem que digo “raciocínio”, porque me parece impossível, nas atuais circunstâncias, chegarmos a qualquer coisa sequer remotamente parecida com “razão”. No momento, nada que se diga ou se mostre em favor de Israel terá qualquer efeito. Para além da presente guerra propriamente dita, há outra que, há tempos, foi perdida pelo país — cuja capacidade de fazer propaganda, ao contrário do que acredita tanta gente, é inversamente proporcional ao seu poderio militar. Além da amizade com os EUA, vilão preferido de meio mundo, e do questionável rótulo de “direita” que lhe foi pespegado, há uma série de fatores culturais e políticos que atuam permanentemente contra Israel.
Para ficar apenas num ponto de óbvio apelo emocional, seus mortos e feridos nunca são filmados ou fotografados, salvo em hospitais ou caixões e, ocasionalmente, pela imprensa estrangeira. Os mortos tampouco são exibidos em procissões; eles têm sido, atentado após atentado, guerra após guerra, mortos que se contam em números — mas o que é um número diante da foto de uma criança morta?! Ao mesmo tempo, ao longo dos últimos anos, quando foguetes do Hamas eram lançados sobre o sul de Israel, as crianças iam para abrigos subterrâneos, e não para o meio da rua, providencialmente armadas com estilingues. Ora, a foto de uma escola (vazia) destruída por um “míssil caseiro” (seja isso lá o que for) não tem uma fração do impacto da foto de um garoto de estilingue diante de um cenário de destruição. Isso não justifica matança alguma, seja de um lado, seja de outro; mas o fato é que se criou, assim, a singular percepção de um povo
intrinsecamente mau e sanguinário, que ataca criancinhas por pura maldade, contra um povo intrinsecamente bom e coitado, que só explode civis por falta de escolha. Por ser um país desenvolvido cercado de vizinhos em diferentes estágios de “civilização”, Israel paga, guardadas as devidas proporções, o preço que a classe média paga, no Brasil, em relação à criminalidade nas comunidades carentes: para uma certa visão míope, é sempre a culpada, porque, em tese, nessa forma enviesada de análise, os bandidos são sempre inocentes — são apenas pobres reagindo à desigualdade social (o que, claro está, é uma baita ofensa à imensa maioria dos pobres, que sofrem na miséria sem nunca pensar em delinquir). Enquanto isso, os verdadeiros culpados pelas desigualdades, lá como cá, não são mencionados nem em passant — e, ainda que o fossem, continuariam onde sempre estiveram, ou seja, nem aí. Já os líderes mundiais que não perderam tempo em se declarar contra a “reação desproporcional” de Israel pouco estão se lixando para o sofrimento das vítimas. Se a sua preocupação fosse realmente humanitária, o Sudão, por exemplo, não sairia das manchetes; só que as vítimas do Sudão não dão ibope.
Quando a China entrou de sola no Tibete, ainda outro dia, ouviram-se, no máximo, ligeiros resmungos protocolares — e, ainda assim, só porque o Dalai Lama é um veinho carismático, com bom trânsito em Hollywood. Isso sem falar no antissemitismo, que, invariavelmente, aproveita para dar as caras quando tem a ótima desculpa de uma guerra para acobertá-lo. “Israelense” e “judeu” não são sinônimos: há incontáveis cidadãos israelenses que não são judeus, como há milhões de judeus que não são israelenses. Ainda assim, os dois termos se equivalem para efeitos de noticiário, de artigos, de posts enraivecidos em blogs. Seria até compreensível se a mesma equivalência servisse para “palestinos” e “muçulmanos”, mas esta é sempre cuidadosamente evitada. Às vezes, o uso (ou a omissão) das palavras revela muito mais do que o seu significado.
Apoiar os palestinos, o Hamas, o Hezbollah e os países árabes de modo geral é chique, é bacana e é uma garantia de popularidade com a soi-disant “esquerda”. Israel não terá o apoio da intelligentsia — que em geral é de uma extrema covardia e ignorantsia — nem se for completamente aniquilado, como quer o Hamas. Aí ainda vamos ouvir o “fizeram por onde” que tanto se disse em relação ao ataque ao WTC; as Nações Unidas vão fazer tsk, tsk, o papa vai condenar vagamente o exagero — e estaremos conversados. Mas a verdade é que eu nem devia estar falando sobre isso. Minha opinião é descartada de saída em qualquer discussão a respeito do Oriente Médio: como venho de uma família dizimada pelo Holocausto, sou suspeita e, portanto, não posso me manifestar. Cansei de ouvir isso até de pessoas supostamente inteligentes — e, de cansada, não discuto mais. Se o que você diz não vale nada a priori, o mais sensato é seguir os conselhos do professor Higgins e falar apenas sobre o tempo e a saúde.

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Israel versus Hamas

Esther Largman, historiadora e escritora

O atual Israel criado em 1948 é um país democrático, desenvolvido. O Estado Palestino, em 1948, foi recusado pelo mundo árabe que nada fez, nem faz pelos irmãos árabes-palestinos, desde que trabalhavam como felahs, pobres camponeses, para os donos de terra do Império Turco-Otomano. Os muçulmanos moderados temem a influência do terrorismo, do Hamas, inlusive o Egito que não lhes abre a fronteira. Os que preferem conviver com Israel são acusados de traição e assassinados. Porque o Líbano e a Jordânia não oferecem cidadania para os refugiados palestinos que vivem confinados? A desproporção do conflito existe no tamanho e na população do mundo muçulmano.
Israel em superfície e população é rigorosamente insignificante. É só olhar um mapa. Leiam a carta do escritor premiado, o pacifista Amós Oz: que deixem os judeus em paz e todos viverão em paz. Guerras são desumanas, conquanto forjadas pelo homem. Enquanto proclamam que Israel não deve existir, discurso medieval, estarão colocando o povo palestino à mercê do que plantam, o ódio. E sofrerão as consequências pelo desrespeito ao outro ser humano e ao desprezo pelas vidas que imolam como fósforos.
Tal como o Hiszbollah, o Hamas expõe, de forma repugnante, a população civil, ante depósitos de armas, em escolas, hospitais. As distorções históricas, mentiras e calúnias não ajudam a paz, são apenas retóricas dos que não lembram dos trezentos mil de Darfur, dos milhares vitimados em combustão, xiitas versus sunitas no Iraque. O que se produz em tempos de paz - e Israel é campeão na área de ciência e tecnologia - é lamentavelmente estagnado pelo permanente perigo imposto ao minúsculo país.

Texto originalmente enviado como carta ao jornal O Globo

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A recaída do Itamaraty em Gaza

Sérgio Malbergier, editor da Folha de São Paulo

A iniciativa brasileira de enviar o chanceler Celso Amorim ao Oriente Médio para tentar contribuir na busca de uma solução pacífica para o conflito palestino-israelense merece apoio pelo nobre objetivo manifesto. Mas a posição brasileira até aqui em nada indica essa busca de equilíbrio, muito pelo contrário, o que reduz nossa capacidade de obter voz de fato relevante na busca da paz. A começar pela postura brasileira no notório Conselho de Direitos Humanos da ONU, dominado por ditaduras africanas e árabes, bastião de um anti-sionismo obsessivo enquanto ignora ou apazigua ditaduras brutais ao redor do planeta, um constrangimento para a própria ONU. O Brasil votou nesta segunda-feira a favor de uma proposta condenando de forma veemente Israel pela lamentável morte de civis em sua guerra contra o grupo terrorista palestino Hamas. Os países da União Europeia, Japão e Coreia do Sul se abstiveram, e o Canadá? votou contra o projeto, sancionado por 33 votos a favor, 13 abstenções e um voto contrário. Mas, no mesmo conselho, o Brasil tomou uma posição bastante diferente em relação ao Sudão, num claro sinal de dois pesos, duas medidas, já visto também na tolerância brasileira com os abusos dos direitos humanos em Cuba e na China, entre outros.
Desde 2004 os rebeldes da região de Darfur, no oeste sudanês, são massacrados por tropas de Cartum e seus aliados, a milícia árabe local (os janjaweed). A conta de mortos chega a 200 mil, repito, 200 mil, além de cerca de 2 milhões de refugiados que relatam massacres e estupros em massa. Pois o Brasil manteve uma posição de tolerância com o governo sudanês que contraria a defesa do 'desequilíbrio' feita agora pelo Itamaraty em relação a Israel. Em dezembro de 2006, por exemplo, o Brasil se absteve de uma votação no mesmo conselho de direitos humanos da ONU que pedia ações mais duras contra a liderança sudanesa, derrotada por 22 votos a 20. O que levou a Humans Right Watch a criticar Brasília: 'A recusa do Brasil em apoiar uma forte resposta da ONU às atrocidades em Darfur foi um ato de insensibilidade e indiferença', disse então o diretor da HRW para a América Latina, José Miguel Vivanco. Na época, o Itamaraty justificou seu vergonhoso ato como forma de buscar um "consenso eficaz" sobre Darfur, o que até hoje não ocorreu, com a miséria e a morte tão presentes na região quanto em 2006.
Já neste último e triste capítulo da luta entre Israel e palestinos, as declarações do chanceler Amorim e daquela sombra sobre a política externa brasileira, o assessor presidencial Marco Aurélio Garcia, estão muito longe da busca do tal “consenso eficaz”. Amorim, por exemplo, ao negar que a Chancelaria brasileira estivesse apoiando só os palestinos no conflito, ressalvou: "Hoje, nós temos uma posição muito equilibrada. Só que, quando há uma ação desequilibrada, você não pode nos exigir uma posição equilibrada”. Está lançada a nova “doutrina do desequilíbrio"! O dinossauro Marco Aurélio, cuja lista de gafes e equívocos daria uma Wikipédia própria, foi ainda mais longe, chamando as ações de Israel de "terrorismo de Estado".
E o PT de Lula e Marco Aurélio foi ainda mais longe do longe ao chamar a ação israelense contra os foguetes disparados pelo Hamas contra seu território de "uma prática típica do Exército nazista" (se eu fosse petista como a Clara Ant, rasgaria minha filiação). Na semana passada, o ministro iraniano Mohammad Abbasi esteve em Brasília, onde se reuniu com o indefectível Marco Aurélio (nova entrada para sua Wikipédia pessoal). Saiu dizendo que posições em comum entre Brasil e Irã devem impulsionar uma união entre os dois países para o cumprimento de metas em relação ao conflito em Gaza e Israel. Importante lembrar que o Irã arma e instiga o Hamas a lançar sua guerra suicida contra Israel e é presidido por Mahmoud Ahmedinejad, aquele que defende literalmente varrer Israel do mapa e busca ativamente, com pouca resistência global e nenhuma do Brasil, obter uma bomba atômica.
Importante também lembrar que o Brasil já convidou Ahmedinejad, pária em várias capitais do Ocidente e aliado íntimo de líderes autoritários como Hugo Chávez e Robert Mugabe, a visitar o país neste ano. Que o Brasil busque o diálogo com a maior gama possível de lideranças para impulsionar o entendimento global parece objetivo louvável de nossa diplomacia. Mas vamos abortar logo a "doutrina do desequilíbrio" de Amorim e seu "humanismo" seletivo para que nossa política externa não se torne mera apaziguadora de ditadores belicosos em troca de contratos lucrativos ou mero eco de ideologias ultrapassadas, como o terceiro-mundismo e o esquerdismo primário e maniqueísta. O histórico do Itamaraty tem algumas manchas de arrepiar os que se preocupam agora com um equilíbrio mínimo da posição brasileira diante de Israel e dos judeus, entre elas:

1 - O voto em 1975 (ditadura Geisel) a favor da moção da Assembléia Geral da ONU afirmando que o sionismo é racismo (depois derrubado, com o arrependido voto brasileiro, em 1991).

2 - As políticas discriminatórias antijudaicas da Chancelaria brasileira durante a era Vargas muito bem retratadas pela historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro no clássico "O Anti-semitismo na Era Vargas".

Que Lula e Amorim nos livrem desse triste caminho unilateral e preconceituoso e encontrem de fato formas de aproximar israelenses e palestinos da paz. Será muito bom para a região e para a nossa política externa.

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A grande mídia e a grande mentira

Alexandre J. Eisenberg

"Nunca passaria por suas cabeças inventar mentiras colossais,
nem acreditariam que outras pessoas fossem atrevidas a ponto
de distorcer a verdade de maneira tão infame. Mesmo que os fatos demonstrem claramente tratar-se de uma grande mentira, ainda assim duvidarão, hesitarão e continuarão a pensar que deve haver outra explicação" [Adolf Hitler, Minha Luta, vol. 1, cap. X].

O trecho acima, retirado de um livro publicado em 1925, revelava uma verdade há muito conhecida por líderes e pensadores políticos, desde Tito Lívio, passando por Maquiavel, até os dias de hoje. As diferenças entre a antiga propaganda romana e as grandes empresas de comunicação de nosso tempo estão antes nos meios que nos fins. Os meios sofreram uma grande mudança no século 20 devido à adoção no Ocidente, após os horrores da II Guerra Mundial, do "ideal democrático". Nas chamadas democracias, quando os meios se tornam impopulares é preciso trocá-los, o que não necessariamente implica em trocar os fins. Se por um lado é verdade que o acesso à informação é hoje muito maior que em qualquer época passada, por outro lado a qualidade da informação, embora melhor que antes, não melhorou na mesma proporção. Isto porque aqueles que determinam o nosso futuro nunca abandonaram o antigo ideal romano de paz – a pax romana, que hoje as grandes empresas de comunicação, os governantes das democracias e a maior parte de nossos intelectuais exigem do Estado de Israel.
Mas não apenas de Israel. Já o exigiram da ex-Iugoslávia, entregando a Croácia aos ustasha fascistas e a Bósnia aos radicais islâmicos, em seguida da Sérvia – que perdeu o Kosovo para os radicais islâmicos – e em breve também o exigirão da Índia e do Sri Lanka. Mas cada um a seu tempo, pois a grande mentira só é eficaz se ubíqua e duradoura, e não seria possível mentir tanto sobre Israel se a grande mídia dividisse o seu foco com a recente invasão de Kilinochchi e a arrasadora derrota, pelo governo do Sri Lanka, dos separatistas tigres tamil, que buscavam um Estado independente dentro daquele país, usando para tanto do mais bárbaro terrorismo, semelhante àquele preferido pelo Hamas e pelo Fatah na Palestina, ou Terra Santa, ou Terra de Israel. Nem seria possível mentir tanto sobre Israel se o foco fosse dividido com o recente genocídio de negros no Sudão perpetrado pela elite árabe que domina esse país. Afinal, quem olharia com tanta atenção para os cerca de 800 árabes mortos (a maioria dos quais militantes do Hamas) em Gaza nos ataques israelenses se fossem igualmente (isto é, diariamente pela TV) expostos às cenas do gigantesco mar de cadáveres (as cifras mais confiáveis variam de 300.000 a 500.000) e desabrigados-desapropriados-famintos (mais de dois milhões) do Sudão?
Mas a estratégia dos grandes empresários da mídia internacional, de quem a mídia brasileira cada vez mais reproduz informação, e cujos interesses são os mesmos dos governos dos países ricos, não se restringe à desinformação. Tão importante quanto desinformar é omitir. A cobertura do conflito árabe-israelense se divide em duas frentes: (1) a cobertura das guerras em si (não apenas a atual em Gaza) e (2) "resumões" da história da região. Na cobertura das guerras, a mídia relega a plano secundário ou omite completamente os ataques do lado árabe, focando no que descreve como "desproporcionalidade" e "desumanidade" dos ataques israelenses. E os "resumões" da história da região produzidos por meios como BBC, CNN, Time, Le Monde, O Globo ou Folha de S.Paulo, embora também desinformem, primam pela omissão.
No primeiro caso, o das guerras em si, o espectador (pois a força da cobertura está nas imagens pela TV) vê os ataques israelenses e seus resultados e apenas raras cenas de foguetes ou mísseis lançados pelo Hamas. As redes internacionais de TV não estiveram nas cidades do sul de Israel desde a retirada de Gaza em 2005 até o início da atual reação israelense para filmar as centenas de foguetes e mísseis lançados de Gaza às cidades de Sderot, Ashkelon, e mais recentemente Ashdod e Beer-Sheva, onde atingiram casas e escolas, matando, ferindo e traumatizando a população local. Se o público espectador tivesse recebido informações diárias sobre os ataques do Hamas e da Jihad Islâmica contra Israel a partir de Gaza desde 2005, no mínimo acharia estranho que, justo após a retirada israelense total de Gaza, com direito à expulsão sumária de 9.000 judeus que ali viviam, os árabes de Gaza, que tanto reclamavam da ocupação, viessem a retribuir Israel com foguetes e mísseis.
No segundo caso, os "resumões" sobre o conflito na grande mídia omitem informações cruciais e, não raro, simplesmente desinformam.
A Folha de São Paulo, por exemplo, assim como toda a grande mídia, se refere aos habitantes não-judeus daquela região como "palestinos" (confira aqui). Está desinformando, já que palestinos são todos os nascidos na Palestina, independente da etnia a que pertençam. Palestina nunca foi nacionalidade ou etnia, mas tão somente uma região geográfica (para a origem do termo, clique aqui). O uso do termo "palestino" para designar o árabe da Palestina surgiu a partir de 1967 quando, após a derrota na Guerra dos Seis Dias, a OLP, aproveitando-se da simpatia das esquerdas ocidentais e da URSS por conta de uma nascente ajuda militar estadunidense a Israel no contexto da Guerra Fria, passou a usar o termo "palestino" para forjar a idéia de que os árabes da região seriam autóctones e os judeus seriam imigrantes usurpadores – uma forja especificamente voltada para atrair a simpatia das esquerdas ocidentais, cuja irracionalidade em seu combate ao racionalíssimo establishment americano é responsável por sua decadência atual e conseqüente subserviência a este. Falhada a guerra convencional, teve início então a guerra da propaganda, que Israel vem perdendo desde então com incompetência vexatória. Mas dois fatos-chave dentre os omitidos pela grande mídia são fundamentais para compreender a derrota de Israel na guerra da propaganda:

1) Ao contrário do que se reporta, a grande maioria dos palestinos não-judeus é descendente de imigrantes que chegaram à Palestina no fim do século 19 e início do século 20, ou seja, à mesma época das primeiras migrações sionistas. Parte desses imigrantes não-judeus eram muçulmanos de diferentes regiões do império turco – inclusive da Bósnia – realocados pelas autoridades turcas para a Palestina num esforço de evitar uma maioria judaica na região. Os demais imigrantes não-judeus eram árabes de outras partes do império turco atraídos para a Palestina por razões de oportunidades econômicas (veja documentação aqui), da mesma maneira que muitos árabes, judeus e magrebinos migraram de países islâmicos para a França ou EUA no século 20 atraídos por melhores oportunidades. A população árabe palestina de hoje é, portanto, em sua grande maioria, tão descendente de estrangeiros quanto a população judaica.

2) O barbarismo da violência de grupos como o Hamas e o Fatah contra Israel não tem nada a ver com a ocupação dos territórios da Judéia, Samária e Gaza a partir de 1967. Em 1929, o chefe religioso muçulmano da Palestina britânica, Amin al-Husseini, organizou o pior massacre de judeus na cidade de Hebron. Esses judeus não eram imigrantes, mas sim, nativos religiosos, descendentes dos poucos judeus que voltaram à sua terra natal pouco após a expulsão promovida pelos romanos no século 2, o que mostra que o problema não era territorial, e sim, a transgressão da dhimma, norma islâmica que obriga a submissão de judeus e cristãos em terras do califado. Mais adiante, durante a II Guerra Mundial, o mesmo Amin al-Husseini se tornou um nazista atuante, tendo sido responsável não só por recrutar um batalhão muçulmano na Bósnia para as forças alemãs (a divisão Handzar) como foi um dos arquitetos do genocídio que dizimou mais de 5 milhões de judeus europeus (ver documentação aqui). Foi procurado posteriormente por crimes de guerra não só na Alemanha, mas principalmente na Iugoslávia, onde foi pessoalmente responsável pelo assassinato de dezenas de milhares de sérvios, judeus e ciganos.
Al-Husseini, do mesmo clã de Yasser Arafat (cujo nome completo era Mohammed Abdel Rahman Abdel Raouf Arafat al-Qudwa al-Husseini) foi o mentor de Arafat e o pai ideológico do Fatah (documentação aqui e aqui). Quanto ao Hamas, sua origem está na Irmandade Muçulmana, sediada no Egito, a qual também se aliou a Hitler na II Guerra Mundial (ver aqui). A carta de fundação do Hamas é explícita em sua meta única de destruir Israel, e sua linguagem anti-judaica é inteiramente retirada da propaganda nazista. Diante desses fatos, pode-se observar que a atual propaganda anti-Israel predominante na grande mídia se usa, em alguns casos inadvertidamente, exatamente da tática da "grande mentira", descrita na citação que abre este artigo. O objetivo da demonização de Israel na mídia é a deslegitimação deste país e sua possível dissolução através de tropas internacionais, provavelmente da Otan, como foi no caso da Iugoslávia. Trata-se de uma empreitada difícil, mais difícil do que foi a dissolução da Iugoslávia nos anos 1990, pois é preciso primeiro convencer o Ocidente de uma malignidade intolerável do Estado de Israel através justamente de uma campanha de propaganda maciça, como a que vemos hoje em toda a grande mídia, bem como nas mídias alternativas de extrema-esquerda e extrema-direita, semelhante à campanha de demonização dos sérvios que preparou o Ocidente para o bombardeio de Belgrado.
Na Alemanha nazista, a "grande mentira" era a de que os judeus eram perigosíssimos porque conspiravam pela dominação do planeta. De nada adiantava olhar para a realidade nua e crua da pobreza da maior parte dos judeus europeus, pois os séculos de doutrinação anti-judaica das igrejas pesavam mais que aquilo que os olhos podiam ver por si mesmos. Os europeus só caíram em si quando tiveram de olhar de frente para os horrores do Holocausto, que tacitamente lhes revelou que o "grande poder" dos judeus era uma farsa que levou a Europa à ruína. Mas o Holocausto passou longe do Islã e por isso a doutrinação nazista de Amin al-Husseini e da Irmandade Muçulmana nunca arrefeceu. Ao contrário, fundiu-se com a jihad conclamada pelo líder muçulmano dos árabes palestinos que havia escapado dos tribunais europeus, dando origem ao Fatah e posteriormente ao Hamas. A propaganda anti-Israel da grande mídia hoje nada mais é que a versão islâmica, devidamente ocidentalizada, da "grande mentira" de Hitler, por herança direta do próprio.
Resta compreender por que o Ocidente comprou o islamo-fascismo disfarçado de socialismo e anti-colonialismo. Como foi possível jogar no lixo as duríssimas lições da II Guerra Mundial a ponto de termos hoje "a grande mentira" de novo estampada em todos os jornais e canais de TV, nas grotescas inversões de um José Saramago, para quem Israel é "um Estado nazista", um cardeal Martino, alto representante do Vaticano, para quem Gaza é "um campo de concentração", ou um ex-estadista, Jimmy Carter, para quem Israel pratica o apartheid? A tática de Hitler, a mesma de Tito Lívio e Maquiavel, funcionou então e está funcionando hoje. Não basta mentir pouco. É preciso dizer que preto é branco e que branco é preto para obter credibilidade pelo medo. É preciso que o mesmo Vaticano que articulou a dissolução do partido central católico alemão para que Hitler chegasse ao poder, e que hoje canoniza o homem que realizou este feito, diga que Gaza é um "campo de concentração", ou que o mesmo Jimmy Carter que, na contramão da história ocidental, patrocinou o islamismo radical para erradicar a URSS, diga que Israel é um apartheid para que o Ocidente mais uma vez acredite que os judeus, hoje na forma de seu país, são um grupo maldito e perigoso, cuja perfídia ameaça a todos.
Quando a grande mídia banaliza ou destrói o significado de palavras como "genocídio", "campo de concentração", "nazismo" ou "apartheid" é porque o Ocidente mais uma vez está por afundar no caos e, obviamente, não será a dissolução ou destruição do Estado judeu que resolverá o problema, assim como o assassinato em massa dos judeus europeus entre 1939 e 1945 não resolveu este mesmo problema há apenas 63 anos. Por fim, o foco único da grande mídia sobre a guerra em Gaza tem por objetivo a dissolução do Estado judeu, que é o preço exigido pelo Islã para apoiar o projeto estratégico dos EUA e seus aliados europeus de fomentar e financiar o separatismo das enormes minorias islâmicas da Índia e da China e a radicalização das antes seculares repúblicas soviéticas de maioria islâmica. Sem a expansão do terrorismo islâmico na Ásia – a única força capaz de conter e sabotar o crescimento econômico das potências asiáticas –, a hegemonia ocidental sobre o planeta tem os seus dias contados. Dissolver Israel pode custar caríssimo em perdas humanas numa grande guerra regional, mas talvez não tão caro quanto custou o financiamento do III Reich pela elite americana. Portanto, para os donos do dinheiro vale o risco. Talvez não seja por outra razão que o príncipe saudita Alwalid bin Talal, o quinto homem mais rico do mundo, já possua bilhões de dólares investidos tanto na News Corporation (Fox News e outros), como na Time Warner (CNN e outros), supostamente concorrentes entre si. Afinal, a propaganda não é a alma do negócio?

Publicado no Observatório da Imprensa

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Sete modos que você tem para ajudar Israel

Rabino Benzaquen, da Sinagoga Shel Guemilut Hassadim

Coisas práticas à sua disposição para fazer a diferença.
Está difícil viver em Israel neste exato momento. Há misseis caindo e uma parcela grande da população deixou suas casas em busca de segurança.
Mas, de alguma maneira, é mais frustrante estar sentado a milhares de quilômetros de distância - na América do Sul ou em Nova York, por exemplo - e ficar achando que não há como fazer algo para ajudar.
Bem, há muita coisa que cada um de nós pode fazer

1. Rezar - Não apenas funciona, mas nos ajuda também a lidar com a situação, já que estaremos em conexão e em conversa com D-us. Quando for rezar, seja específico. Se tiver um amigo ou membro da família em combate, reze pela sua segurança. Se você conhece alguém que vive em Israel, rogue ao Todo¬Poderoso que o mantenha longe de qualquer dano. Reze para que funcionem as armas israelenses e para que isso não ocorra com as armas do Hamas. Reze para que os líderes ganhem (e mantenham) a clareza de que necessitam para combater esta guerra. a despeito da pressão internacional. Reze pela proteção dos soldados das Forças de Defesa de Israel até que eles erradiquem o (último terrorista. Peça a D-us para curar os soldados e os civis feridos de Israel e para frustrar futuros ataques terroristas. Reze para que os árabes se dêem conta da verdadeira e crua natureza de seus líderes e das doutrinas que pregam o ódio e o assassinato. Mais do que tudo, reze intensamente, o tempo todo e com sinceridade. Você pode se juntar a uma iniciativa de "adoção" de um soldado por quem se reza. Quando Moisés conduziu o povo judeu à guerra, para cada pessoa que partia para a batalha, havia uma outra, designada para se responsabilizar por rezar por e saber dela. Hoje, você pode participar em uma iniciativa denominada "Operação Tefilá, Torá e Tropas". Para receber o nome de um soldado israelense, mande um e-mail para maortlmo@gmail.com. Você pode enviar orações via o Muro Ocidental pelo site www.thewall.org. Há um costume milenar de recitar salmos em tempos de dificuldade e atribulação. O rei David escreveu palavras instigantes que parecem servir para a exata situação que estão vivendo hoje. Os salmos recomendados são o 20, 83, 121, 130 e 142.

2. Cuidar - É difícil cuidar de verdade de pessoas e situações quando se está distante delas. De modo que, para superar essa dificuldade, experimente o seguinte exercício durante três minutos por dia. Olhe as fotografias dos soldados diante de um tanque. Mire o retrato de um soldado que tenha morrido em ação. Pense em Gilad Shalit, que tem sido mantido cativo pelo Hamas por mais de 900 dias. Agora, imagine que, D-us nos livre, poderia ser seu filho, esposo ou seu melhor amigo. Quando assistir às notícias pela televisão e ver os mísseis atingindo Israel, imagine que pode ris ser a sua casa. Você agiria de modo diferente? Assim, desenvolvendo o poder da imaginação, estaremos cuidando com mais profundidade e nos envolvendo em atitudes. Se você tem alguém morando em Israel, pegue o telefone e lhe dê uma chamada. Assegure à pessoa que você compartilha de sua dor e que compreende o que ela e sua família estão atravessando. Mande e-mails de apoio a todos os israelenses que você conhece. Mostre a eles que não estão sozinhos!

3. Participar - Esteja você em Israel ou no exterior, procure entrar em contato e partilhar com os soldados e residentes do sul de Israel do seu tempo, de sua energia, de sua ajuda material e em dinheiro, de seus outros recursos. Seguem algumas iniciativas abertas à sua participação:
Yad Eliezer está enviando milhares de pacotes com presentes para nossos soldados em Gaza. Yad Ezra v'Shulamit está enviando 20 toneladas de alimentos para famílias israelenses sob ataque dos foguetes do Hamas. Lema'an Achai está ajudando mais de 1000 crianças das cidades que estão sendo atacadas, assistirem às aulas em segurança e a terem asseguradas a tranqüilidade mais que necessária Thank Israeli Soldiers presta apoio a nossas tropas, entregando sua carta pessoal agradecimento e um pacote com itens que os soldados necessitam. Send the Soldiers a Smile Campaign. Tudo o que você tem a fazer é escrever uma carta CL e a campanha Honest Reporting a enviará junto com doces caseiros da Gili's Goodies é soldados na linha de frente. Faça com que os soldados das FDI saibam que "nós estamos com eles e pensando neles!" Se você não estiver em condições de fazer uma doação, pode pedir a outros que a façam, coletar dinheiro e encaminhá-Io para qualquer uma das organizações acima. O mais importante e tudo é envolver-se. É participar.

4. Protestar contra as distorções dos meios de comunicação - A mídia tem uma poderosa influência sobre a opinião pública e a política do governo. Quando voe detectar uma noticia, uma informação, uma opinião distorcida, entre em contato imediatamente cal o meio de comunicação e faça sua reclamação. Faça-o respeitosamente e atenha-se aos fatos. Você pode se juntar à lista de um observatório da midia em HonestReporting.com, a qual tem mais de 150.000 assinantes protestando contra notícia tendenciosas contra Israel.

5. Estude mais Torá - No pensamento judaico, nada pode-se comparar ao efeito espiritual do estudo da Torá. Assuma o compromisso de, especificamente, aumentar o tempo de dedicação ao estudo de cada dia. Participe de uma classe de judaísmo ou escolha algum material de uma lista recomendada de leitura. O impacto de alguns minutos extra de estudo da Torá é enorme.

6. Reúna os fatos - Sente-se bombardeado e acuado por argumentos muito fortes? Da próxima vez que você ouvir alguém arrasar Israel, saiba como responder. Você deve procurar se sentir como um embaixador itinerante de Israel, explicando a todos os fatos como eles se dão de verdade. Você nunca sabe o quanto sua contribuição pode influenciar o ponto de vista de uma outra pessoa. O pior de tudo é ficar quieto em momentos como esses.

7. Reconheça o fator D-us - Com todos os seus esforços de apoiar Israel - observando os meios de comunicação, pela educação, ajuda econômica, lobby político, etc -, não se esqueça do componente espiritual. A própria existência do povo judeu, após 3500 anos e o retorno à terra após um longo exílio, é um milagre. Perceba e compreenda o significado do pacto de Abrãão com D-us. Cada Um de nós, qualquer que seja o nosso nível de observância, deve se empenhar para se conectar com o Divino. Lembre-se: D-us é quem está, em última instância, no controle. Ele já operou milagres antes e irá realizá-Ios novamente. Ao final, reviver nossa devoção ao Todo-Poderoso significa fazer reviver nossa terra e nosso povo como um todo. Escolha uma área de sua vida para melhorar, para aperfeiçoar-se, assim como uma mitzvá a mais para realizar. Quando você fizer uma mitzvá, tenha em conta que D-us usará o mérito dessa mitzvá para ajudar a proteger Israel e seu povo. Quando paramos de brigar entre nós e trabalhamos juntos, aí permaneceremos unidos diante do inimigo e o Todo-Poderoso estará conosco. Reúna um grupo de amigos e passe uma hora buscando em conjunto com eles mais idéias e mais modos e meios de ajudar Israel. Essa é a hora de deixarmos de lado nossas diferenças e de trabalharmos juntos. Por todos os nossos esforços combinados, possa o Todo-Poderoso proteger a Terra de Israel e seu povo.

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“O direito de Israel existir não deve ser questionado”

Ali Kamel, jornalista

Eu acredito em eleições. E acredito que o povo sempre tem a capacidade de julgar o que considera bom para si. Isso não quer dizer que o povo acerte sempre: não são poucas as vezes em que a decisão mostra-se errada no futuro. Não importa, no momento em que comparece às urnas, certo ou errado, o povo é responsável por suas escolhas.
Por que essa conversa? Porque isso não me sai da mente quando vejo, chocado, os bombardeios em Gaza. Em 2006, houve eleições para escolha do primeiro-ministro palestino. Era um contexto em que os EUA clamavam pela democratização do mundo árabe. Quando o Hamas saiu-se vitorioso, muita gente, diante dos lamentos dos americanos, riu, dizendo algo assim: "Ora, não queriam democracia? Agora o povo vota, escolhe o Hamas e os EUA lamentam? Então democracia só vale quando ganham os aliados?" Na época, escrevi que a simples presença do Hamas nas eleições mostrava que aquilo não era uma democracia: porque democracia não é o regime em que todas as tendências disputam o voto; democracia é o regime em que todas as tendências que aceitam a democracia disputam o voto. Como o Hamas prega uma teocracia, um sistema político que o aceita como legítimo aspirante ao poder não pode ser chamado de democracia. Seja como for, tendo sido democráticas ou não, aquelas eleições expressaram a vontade do povo: observadores internacionais atestaram que o pleito transcorreu sem fraudes.
E o que pregava o Hamas na campanha de 2006? Antes, para entender o linguajar, é importante lembrar que o Hamas não aceita a existência do Estado de Israel, chamado de "Entidade Sionista". Assim, quando se refere à "Palestina", o Hamas engloba tudo, inclusive Israel. Destaco aqui três pontos do programa eleitoral (na disputa, o grupo deu-se o nome de "Mudança e Reforma"): "A Palestina é uma terra árabe e muçulmana"; "O povo palestino ainda está em processo de libertação nacional e tem o direito de usar todos os meios para alcançar esse objetivo, inclusive a luta armada"; "Entre outras coisas, nosso programa defende a 'Resistência' e o reforço de seu papel para resistir à Ocupação e alcançar a liberação. A 'Mudança e Reforma' vai também construir um cidadão palestino orgulhoso de sua religião, terra, liberdade e dignidade; e que, por elas, esteja pronto para o sacrifício".
Deu para entender? O Hamas propôs um programa segundo o qual não há lugar para judeus na "Palestina", o uso da luta armada deve ser reforçado para se livrar deles, e os cidadãos comuns devem estar preparados para se sacrificar (morrer) pela religião, pela terra, pela liberdade e pela dignidade. Havia alternativa? Sim, apesar da ambiguidade eterna, o Fatah do presidente Mahmoud Abbas (e, antes, de Yasser Arafat), na mesma eleição, pregava a saída de Israel dos territórios ocupados em 1967, a criação de um Estado Palestino com sua capital em Jerusalém e uma solução para os refugiados de 1948 com base em resoluções da ONU, uma agenda que só parece moderada porque é comparada à do Hamas. Embora estimulasse e declarasse legítima a resistência à ocupação, a novos assentamentos judaicos e à construção do muro de proteção que Israel ergue entre a Cisjordânia e seu território, o Fatah declarava expressamente: "Quando o imortal presidente Arafat anunciou em 1988 a decisão do Conselho Nacional Palestino, reunido naquele ano, de adotar a 'solução histórica', que se baseia no estabelecimento de um Estado independente Palestino lado a lado com Israel, ele estava de fato declarando que o povo palestino e suas lideranças tinham adotado a paz como uma opção estratégica". E qual foi a decisão dos palestinos? Num sistema eleitoral que adota o voto distrital misto, o Hamas ganhou tanto no voto proporcional quanto nos distritos, abocanhando 74 dos 132 assentos do Parlamento. Ou seja, diante do desgaste de 40 anos do Fatah, e das denúncias de corrupção que pairavam sobre o movimento, os palestinos deixaram a paz de lado e optaram pela promessa de pureza divina e dos foguetes do Hamas. Meses depois, uma luta interna feroz entre os dois grupos teve lugar e resultou numa divisão territorial: o Fatah ficou com a Cisjordânia, onde a situação é de calma, e o Hamas ficou com Gaza, de onde continuou pregando o programa aprovado pelos eleitores: enfrentamento armado, mesmo tendo consciência do que isso acarretaria.
Diante disso, dá para dizer que os palestinos de Gaza são inocentes vítimas do jugo do Hamas e de uma reação desproporcional dos israelenses? Olha, eu deploro a guerra, lamento profundamente a morte de tanta gente, especialmente de crianças, vítimas de uma guerra de adultos. Vejo as bombas, e fico prostrado, temendo que o bom senso nunca chegue. Mas isso não me impede de ver que a guerra, com suas consequências, foi uma escolha consciente também dos palestinos de Gaza. Retratá-los como despossuídos de todo poder de influir em seus destinos não é mais uma verdade desde 2006. Parecerá sempre simplificação qualquer coisa que se diga num espaço tão curto, em que é preciso deixar de lado as raízes desse conflito e a trama tão complicada que distribuiu culpa e vítimas por todos os lados. Mas não consigo terminar este artigo sem dizer: para que haja paz, os dois lados têm de ceder em questões tidas como inegociáveis, o apelo às armas tem de ser abandonado, o Estado Palestino deve ser criado ao lado de Israel, cujo direito a existir não deve ser questionado. Se isso acontecer, muitos árabes e israelenses daquela região não se amarão, terão antipatias mútuas, mas viverão lado a lado. Utopia?

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Celso Lafer: "O governo Lula perdeu
noção do que pode e do que não pode"

Antecessor de Celso Amorim à frente da diplomacia brasileira, Celso Lafer condena o giro do atual chanceler pelo Oriente Médio e acusa o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de se guiar por uma política externa que "promete muito e faz pouco". "A viagem que o ministro Celso Amorim está fazendo pelo Oriente Médio é uma forçação de barra que não faz nenhum sentido. Revela um protagonismo destituído de substância", afirmou Lafer, que foi ministro das Relações Exteriores sob os governos de Fernando Collor (1992) e Fernando Henrique Cardoso (2001-02). O ex-ministro afirma que, se ainda estivesse à frente do Itamaraty, lançaria apelos pelo fim da violência e enviaria ajuda humanitária, a exemplo do que Amorim fez, mas "em hipótese alguma" tomaria a decisão unilateral de ir à região para fazer gestões diretas com os protagonistas. "No máximo, me colocaria à disposição para ajudar no que pudesse". Para Lafer, jurista de formação e autor de vários livros sobre relações internacionais, as tentativas do governo brasileiro de ter voz no Oriente Médio mostram que "o Brasil não tem nenhuma noção do que pode e do que não pode. "Nenhum dos demais países emergentes -China, Índia e Rússia - está tomando iniciativas exageradas como as do Brasil", diz o ex-chanceler, que enxerga um paradoxo nos rumos da atual diplomacia brasileira. "Me parece curioso que o atual governo brasileiro, que se omitiu na crise das papeleiras entre Uruguai e Argentina, na qual realmente poderia e deveria ter desempenhado um papel construtivo, busque agora atuar no Oriente Médio", declarou o ex-ministro.

Folha de São Paulo

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A paz como arma de guerra

Olavo de Carvalho

Enquanto Hugo Chávez expulsa o embaixador de Israel e no Brasil o PT compara os israelenses aos nazistas, na Flórida a militância esquerdista sai às ruas e grita: “Judeus, voltem para o forno”. Está aberta a temporada de caça. Ninguém parece julgar isso de todo mau. Como é possível que, decorrido pouco mais de meio século do Holocausto, o ódio aos judeus vá aos poucos se incorporando novamente ao senso comum, como se fosse coisa decente, obrigatória, e dele dependessem as melhores esperanças de paz e liberdade para a espécie humana?
A resposta é simples: controle o fluxo de informações e terá o domínio absoluto das conclusões que o público vai tirar delas. Uma das regras mais elementares da ciência histórica é: a difusão dos fatos causa novos fatos. O fato desconhecido não gera efeitos. Se a maioria das distribuidoras de vídeos não tivesse bloqueado o acesso dos espectadores ao documentário Obsession , se o vídeo fosse exibido às massas, se no mínimo o direito de chorar seus mortos no horário nobre da TV não fosse um monopólio dos esquerdistas e terroristas, ninguém diria que a reação de Israel foi excessiva: todos entenderiam que foi justa, racional e tardia.
Para que esse desastre não aconteça, é preciso garantir que cada judeu explodido pelas bombas do Hamas seja enterrado duas vezes: uma no solo, outra no desconhecimento geral. Assim todo mundo fica com a impressão de que os judeus não estão defendendo a própria pele, apenas arrancando a de seus inimigos.Também seria ingenuidade acreditar que o abismo crescente entre noticiário e realidade é o efeito espontâneo de um simples viés ideológico, de preferências subjetivas da classe jornalística.
Só para fins de comparação: as Farc, segundo se descobriu no famoso laptop de Raul Reyes, não são um bando de psicóticos enfurnados na selva -- são uma organização mundial, com uma rica e eficiente rede de apoio em 29 países. Mutatis mutandis, quantos colaboradores têm o Hamas e o Hezbollah no Brasil, nos demais países da América Latina, nos EUA e na Europa? Quantos deles são agentes de influência colocados em postos decisivos das empresas jornalísticas para dar a impressão de que é normal chamar os judeus de nazistas e, no mesmo ato, sugerir enviá-los de volta aos campos de concentração? Ninguém vai jamais investigar isso em profundidade, dar nomes, responsabilizar criminalmente os desgraçados? Até quando a mídia continuará sendo a principal arma de guerra assimétrica e posando de observadora neutra, no máximo um tanto preconceituosa?
Claro, existem sempre os idiotas úteis, que repetem o que ouvem dizer. Mas a idiotice em estado bruto é inerme. Para tornar-se útil ela tem de sofrer um upgrade. Não se pode explicar um preconceito geral pela simples propagação automática, sem que alguém tenha deslanchado o processo. E quem o deslanchou sabe exatamente aonde pretende chegar com ele. Lênin já explicava que o terrorismo não é jamais um objetivo em si mesmo, que suas finalidades só se cumprem quando os ataques cessam e as conquistas obtidas são sacramentadas na mesa das negociações. A transição depende, na sua quase totalidade, das disposições da opinião pública. Quando o povo está cansado de guerra, está na hora de o lado militarmente mais fraco oferecer a paz ao mais forte em troca de vantagens políticas. A mídia é o instrumento-chave dessa mutação. Respaldada por ela, a equipe de governo de Barack Hussein Obama já oferece ao Hamas a oportunidade de transformar a derrota em vitória por meio do “diálogo”. Nenhuma organização terrorista aspira senão a isso: ser transmutada de bando de criminosos em organização política decente, portadora dos méritos da “paz”. Por isso mesmo a guerra assimétrica é chamada, tecnicamente, de “a derrota do vencedor”. Sob a pressão da mídia mundial, Israel arrisca-se a cair nesse engodo pela milésima vez.

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Missão e omissão

Carlos Heitor Cony, membro da Academia Brasileira de Letras

Após a I Guerra Mundial, a pesada consciência da comunidade internacional criou a Liga das Nações, para que não mais se repetisse a carnificina, então a maior da história. Durou pouco a boa vontade, e a Liga nada ligou, ou não ligaram para ela. Veio outra guerra, muito maior e mais truculenta. Ninguém pensou em criar uma nova Liga, mas uma organização de nações que se tornou conhecida pelo codinome ONU. A finalidade era mais ampla do que a da antecessora. Seria uma entidade voluntariamente formada pela comunidade humana, em nível de Estado multinacional, que impedisse novo conflito de dimensões universais e intermediasse, em nome do concerto de nações, os conflitos regionais.
Uma das medidas mais necessárias tomadas pela ONU foi a da ratificação da emenda Balfour, em 1948, que criou o Estado de Israel, dando lar a um povo perseguido e errante durante 20 séculos. Criou-se então uma zona de conflito que já dura 60 anos. Controlada pelo seu Conselho de Segurança, que por sua vez é controlado pelos EUA, a ONU se transformou em uma metáfora, imagem poética de uma realidade que nada tem de poética.
Não adiantam os comunicados da entidade, nem os observadores que nada observam, pois tudo está mais do que observado. Em nome da humanidade, a ONU criou o Estado de Israel. Teria o direito e a obrigação de intervir executiva e militarmente no conflito, impedindo que o Hamas dispare mísseis contra Israel e evitando a dura represália que todos reconhecem como desproporcional. O que seria uma guerra proporcional? Igualdade aritmética no número de mortos e feridos? Tantos para um lado, tantos para o outro? Um empate sangrento não resolveria a questão.

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O ponto zero do Oriente Médio

Thomas L. Friedman, colunista do The New York Times

Os combates, morte e destruição em Gaza são dolorosos de assistir. Mas é tudo familiar demais. É a mais recente versão das peças há mais tempo em cartaz no Oriente Médio moderno, que, se eu tivesse que dar um título, se chamariam: "Quem é dono deste hotel? Os judeus podem ter um quarto? E não deveríamos explodir o bar e substituí-lo por uma mesquita?" Isto é, Gaza é uma miniversão de três grandes lutas que estão transcorrendo desde 1948: 1) Quem se transformará na superpotência regional: Egito, Arábia Saudita ou Irã? 2) Deve existir um Estado judeu no Oriente Médio e, em caso afirmativo, em que termos palestinos? E 3) Quem dominará a sociedade árabe -os radicais islâmicos, que são intolerantes em relação a outras religiões e querem sufocar a modernidade, ou os modernistas, que querem abraçar o futuro, com um rosto árabe-muçulmano? Vamos olhar para cada uma.
Quem é dono deste hotel? A luta pela hegemonia sobre o mundo árabe moderno é tão antiga quanto o Egito de Nasser. Mas o que é novo hoje é que o não-árabe Irã está se candidatando à primazia - desafiando o Egito e a Arábia Saudita. O Irã usou habilmente a ajuda militar ao Hamas e ao Hezbollah para criar uma força armada com foguetes nas fronteiras norte e oeste de Israel. Isso permite a Teerã parar e iniciar o conflito entre israelenses e palestinos quando quiser e pintar a si mesmo como verdadeiro protetor dos palestinos, diferente dos fracos regimes árabes.
"A Gaza que Israel deixou em 2005 tinha fronteira com o Egito. A Gaza para a qual Israel acabou de voltar agora tem fronteira com o Irã", disse Mamoun Fandy, diretor dos programas para Oriente Médio do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. "O Irã se tornou o Estado final do confronto. Eu não sei ao certo se ainda podemos simplesmente falar de uma 'paz entre árabes e israelenses' ou 'iniciativa de paz árabe'. Nós devemos olhar para uma 'iniciativa iraniana'." Resumindo, toda a noção de processo de paz entre árabes e israelenses provavelmente terá que mudar.
Os judeus podem ter um quarto aqui? O Hamas rejeita qualquer reconhecimento de Israel. Por sua vez, a Autoridade Palestina liderada pelo Fatah, que controla a Cisjordânia, reconheceu Israel - e vice-versa. Se você acreditar, como eu, que a única solução estável é a de dois Estados, com os palestinos ficando com a Cisjordânia, Gaza e os setores árabes de Jerusalém Oriental, então você precisa torcer pelo enfraquecimento do Hamas. Por quê? Porque nada prejudica mais os palestinos do que a estratégia de culto da morte do Hamas de transformar os jovens palestinos em homens-bomba suicidas. Porque nada atrapalharia mais um acordo de paz do que a possibilidade de um pedido pelo Hamas de substituição de Israel por um Estado islâmico se torne a posição de negociação dos palestinos. E porque os ataques do Hamas às cidades no sul de Israel estão destruindo uma solução de dois Estados, ainda mais do que os desastrosos e imprudentes assentamentos de Israel na Cisjordânia.
Israel provou que pode e irá remover os assentamentos, como fez em Gaza. Os ataques com foguetes do Hamas representam uma ameaça irreversível. Eles dizem a Israel: "De Gaza, nós podemos atingir o sul de Israel. Se conseguirmos a Cisjordânia, nós poderemos atingir, e conseqüentemente fechar, o aeroporto internacional de Israel - a qualquer momento, a qualquer dia, de agora em diante". Quantos israelenses correrão o risco de entregar a Cisjordânia, dada esta nova ameaça? E não deveríamos explodir o bar e substituí-lo por uma mesquita? A derrubada pelo Hamas da mais secular organização Fatah em Gaza, em 2007, faz parte de uma guerra civil regional entre os radicais islâmicos e os modernistas. Na semana em que Israel está penetrando em Gaza, homens-bomba islâmicos mataram quase 100 iraquianos - primeiro, um grupo de xeques tribais em Yusufiya, que estavam trabalhando na reconciliação entre xiitas, sunitas e curdos, e, segundo, um grande número de mulheres e crianças reunidas em um templo xiita. Estes assassinatos em massa não provocados não geraram um único protesto na Europa ou no Oriente Médio.
Gaza atualmente é o ponto zero para todas estas três lutas, disse Martin Indyk, o ex-conselheiro para Oriente Médio do governo Clinton, cujo novo livro incisivo, "Innocent Abroad: An Intimate Account of American Diplomacy in the Middle East", acabou de ser publicado. "Este minúsculo pedaço de terra, Gaza, tem o potencial de ampliar todas estas questões e representar um problema imenso para Barack Obama desde o primeiro dia". O grande potencial de Obama para os EUA, notou Indyk, também é uma grande ameaça para os radicais islâmicos - porque sua narrativa tem um apelo tremendo juntos aos árabes. Por oito anos, o Hamas, Hezbollah e Al-Qaeda têm surfado na onda da raiva antiamericana gerada por George W. Bush. E essa onda expandiu enormemente sua base. Sem dúvida, o Hamas, o Hezbollah e o Irã esperam poder usar o conflito de Gaza para transformar Obama em Bush. Eles sabem que Barack Hussein Obama deve ser transformado em Bush para manter os EUA e seus aliados árabes na defensiva. Obama tem que manter seus olhos no prêmio. Sua meta -a meta americana- precisa ser um acordo em Gaza que elimine a ameaça dos foguetes do Hamas e abra economicamente o território para o mundo, sob supervisão internacional crível. É isso o que atenderá aos interesses americanos, moderará as três grandes lutas e lhe renderá respeito.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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Provas da exploração de civis pelo Hamas

Embaixada de Israel no Brasil

- Vídeo que comprova que o Hamas utiliza de mulheres, crianças e idosos, induzindo-os a formar um escudo humano. Fathi Hammad, líder do Hamas, diz: "Nós desejamos a morte assim como vocês desejam a vida". Acesse aqui.

- ANB TV-Lebanon mostra uma multidão de Palestinos se unindo no telhado da casa de Wa'l Rajab, um alto líder do Hamas, para atuar como escudos humanos. Acesse aqui.

- Al-Aqsa TV, do Hamas, chama crianças para formarem um escudo humano na casa de Abu al-Hatal, com o fim de proteger o prédio de um ataque das Forças de Defesa de Israel. Notem que a TV usa o termo "escudo humano", sem se preocupar em estar cometendo um crime de guerra. Acesse aqui.

- Uma multidão no telhado da casa de Abu Bilal al-Ja'abeer no Nordeste da Faixa. Novamente um flagrante da formação de um escudo humano. Acesse aqui.

Hamas' al-Aqsa TV (janeiro de 2009) mostra o lançamento de um foguete contra Israel a partir de uma área urbana. Acesse aqui.

- Vídeo que mostra terroristas do Hamas lançando um foguete contra Israel a partir de uma escola controlada pela ONU. A imagem foi feita por um avião das Forças de Defesa de Israel no dia 29 de outubro de 2007. Acesse aqui.

- Uma jovem palestina conta sua história sobre o sofrimento durante o conflito em Gaza e culpa o Hamas. Acesse aqui.

- Membros do Fatah contam suas histórias chocantes sobre o abuso nas mãos do Hamas quando os terroristas atacaram os membros do Fatah. Acesse aqui.


O conflito do Hamas em cores

Giora Becher, Embaixador de Israel no Brasil

O mundo livre ficou chocado quando terroristas explodiram trens e um ônibus em Londres e Madri, e transformaram os dois prédios mais altos do mundo em uma pilha de detritos, em Nova York. Todos concordaram que deveria existir uma cooperação internacional conjunta dirigida a ataques terroristas perpetrados por fanáticos islâmicos. A operação de Israel na Faixa de Gaza faz parte da luta mundial contra o terror. Os israelenses têm o mesmo direito básico dos cidadãos de São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília de viverem em segurança em suas cidades e lares, sem estarem expostos aos perigos de foguetes que possam "cair sobre eles" a qualquer momento.
Onde quer que os israelenses estejam, têm meros 15 segundos para correr com suas familias até o abrigo mais próximo e salvar suas vidas. Por oito longos anos, a cidade de Sderot, localizada a apenas 4 km de Gaza, tem vivido assim. Um quarto da população da cidade já saiu. Vocês estariam dispostos a viver sob estas condições, dia e noite, por oito anos, alvos de projéteis lançados pelo Hamas? O povo palestino não é nosso inimigo. Eles são nossos vizinhos. Queremos realmente "construir pontes" de diálogo e esperança de um futuro melhor com os palestinos.
O Hamas é nosso inimigo. Esta é uma organização terrorista islâmica violenta, membro do eixo radical Teerã–Hezbolá. Com sua linha dura de aderência a uma doutrina religiosa extremista, eles não querem fazer nenhum compromisso e não respeitam nenhum acordo. Seu objetivo declarado é o de eliminar o Estado de Israel e assassinar todos os seus cidadãos. O Hamas já explodiu ônibus lotados de passageiros em Tel Aviv, Haifa e Jerusalém. O Hamas enviou terroristas suicidas para assassinar centenas de israelenses em muitos locais. Como vocês agiriam se uma organização terrorista brutal fosse enviada para matar civis e crianças em seus restaurantes e ônibus? Além do mais, o Hamas não é apenas inimigo de Israel, mas inimigo de todos os árabes moderados.
Pouco tempo atrás, quando o Hamas tomou Gaza à força, seus homens não se importaram quando jogaram seus opositores políticos, que apoiavam a Autoridade Palestina, do alto de prédios. Muitos foram mortos pelo fogo do Hamas, enquanto o poder era tirado das mãos do presidente Abbas. Os palestinos moderados conhecem a amarga verdade sobre o Hamas. Eu gostaria que vocês soubessem a verdade também. O Hamas é uma encarnação do pior pesadelo da região. Ele não representa o desejo nacional palestino de independência, porque se opõe à "solução de dois Estados", isto é, um Estado israelense e um palestino vivendo lado a lado em paz e segurança. Ao invés disto, defende a idéia de um Estado islâmico fanático que seria estabelecido sobre as ruínas do Estado judaico. O objetivo do Hamas não é estabelecer um Estado palestino e nunca foi. Pelo contrário, seu objetivo é a destruição do Estado de Israel, pura e simplesmente. Se uma organização terrorista quisesse a destruição de seu país como condição de parar com a agressão violenta, vocês balançariam a cabeça e diriam: "amém"?
No verão de 2005, Israel retirou-se de Gaza completamente. Aos palestinos foi dada uma histórica oportunidade de mudar seu destino e fazer com que Gaza se tornasse um milagre econômico, nacional e cultural. Com uma ajuda internacional maciça, eles poderiam ter transformado Gaza em um paraíso. Mas o Hamas tomou o controle e transformou Gaza em um antro de terrorismo e opressão. Ele violou todos os acordos de cessar-fogo com Israel, contrabandeou foguetes fabricados no Irã através de túneis na fronteira e ignorou as necessidades humanitárias básicas da população civil palestina. Qual é a fórmula certa para responder ao fogo direcionado contra suas casas com o intuito de te matar? Seria certo responder com 8 mil foguetes direcionados às casas dos atacantes? Qual é a aritmética moral correta? O Hamas dispara contra nossos civis a partir de seus esconderijos entre sua própria população civil. Eles se encolhem entre crianças, em mesquitas e hospitais, esperando que Israel responda para que possam posar de vítimas na imprensa mundial. Israel sabe lidar com isto bem melhor do que qualquer exército no mundo, que já se encontrou em circunstâncias bem menos difíceis.
Há aqueles entre a mídia mundial que caem facilmente nas armadilhas de falsas fotos. Peço que não sejam convencidos. Apesar da luta contínua, Israel se esforça para transferir ajuda humanitária para Gaza. Quase todos os dias, aproximadamente 80 caminhões descarregam toneladas de alimentos e medicamentos nas passagens da fronteira para serem transportadas até Gaza. A Força Aérea de Israel investe esforços tremendos para evitar atingir civis. Em suas reuniões, 80% do tempo são dedicados a discutir maneiras de atingir alvos terroristas conhecidos sem atingir civis inocentes, como jogar folhetos do ar dizendo aos residentes quais áreas estão para ser bombardeadas. Vocês conhecem qualquer outra Força Aérea no mundo que toma tais medidas em tempo de guerra? Nosso pessoal telefona para casas em Gaza, avisando aos civis inocentes o que está para acontecer com um prédio que aloja um quartel general do Hamas ou armazena foguetes. Apesar de todos os nossos esforços, nem sempre obtemos sucesso.
As casualidades civis são profundamente sentidas. Erros ocorrem até em tempos de paz, quanto mais na guerra. Nossa guerra contra o Hamas tem o objetivo de proteger as vidas de nossos cidadãos que moram no Sul de Israel, mas é bem mais do que isso. Pode proteger o processo político e a chance de paz entre Israel e os palestinos, chance esta constantemente "torpedeada" pelo Hamas. Tem também o intuito de evitar que esta região caia em um abismo de fanatismo e hegemonia iraniana. É parte da luta legítima contra o terrorismo e extremismo assassino. Se vocês se colocarem por um momento em nossos lugares e entenderem as dificuldades passadas pelos israelenses, vocês poderão ter um retrato colorido da situação real.

Publicado no Jornal do Brasil

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Centro Simon Wiesenthal acusa PT de apoiar “terror” em Gaza

A sede do Centro Simon Wiesenthal para a América Latina repudiou as declarações feitas pela cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) nas quais acusa Israel de "praticar o terrorismo de Estado". O Centro lamenta que o PT "rejeita o direito (de Israel) de defender-se e qualifica sua reação aos ataques terroristas do Hamas como ''prática nazista''". O diretor do Centro Simon Wiesenthal para a América Latina, Sergio Widder, afirmou que, com essa atitude, "o PT está demonstrando sua solidariedade com o antissemitismo e o terrorismo".
Segundo o Centro, uma organização judaica internacional de Direitos Humanos, "é irônico que um partido como o PT, reconhecido por sua tradição democrática e que teve acesso à presidência do Brasil respeitando as regras do Estado de Direito, ataque desse modo outra democracia". Em carta ao presidente do partido, Ricardo Berzoini, o Centro condenou o comunicado do PT, que no domingo indicou que o partido não aceita "a ''justificativa'' apresentada pelo governo israelense, de que estaria agindo em defesa própria e reagindo aos ataques". O Centro Wiesenthal considera que no comunicado o PT também comparou Israel com o Terceiro Reich. O comunicado do PT sustenta que "atentados não podem ser respondidos através de ações contra civis. A retaliação contra civis é uma prática típica do exército nazista: Lídice e Guernica são dois exemplos disso".
Os representantes do Centro afirmam que nesta esfera existe mais cumplicidade por parte do PT. "O comunicado é escandaloso, mas não é totalmente surpreendente, já que (o PT) possui um acordo com o Partido Baath Árabe Socialista da Síria. Recordemos que sob o regime do Baath, Síria deu refúgio ao criminoso nazista Alois Brunner, lugar-tenente de Adolf Eichmann na implementação da ''Solução Final''. Isso sim é cumplicidade com o nazismo", diz a carta. Segundo o Centro Wiesenthal, "se o PT aspira pela paz, então sua melhor contribuição seria condenar o antissemitismo do Hamas e protestar pela chuva de foguetes que essa organização dispara contra civis israelenses, bem como por seu abuso em usar palestinos como escudos humanos".

Publicado na Agência Estado

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Em defesa de Israel

Pilar Rahola, ex-membro do Parlamento Europeu

Por que não vemos manifestações em Paris, ou em Londres, ou em Barcelona contra as ditaduras islâmicas? Por que não as fazem contra a ditadura birmanesa? Por que não há manifestações contra a escravidão de milhões de mulheres que vivem sem nenhum amparo legal? Por que não se manifestam contra o uso de “crianças bomba”, nos conflitos onde o Islã está envolvido? Por que nunca lideraram a luta a favor das vítimas da terrível ditadura islâmica do Sudão? Por que nunca se comoveram pelas vítimas de atos terroristas em Israel? Por que não consideram a luta contra o fanatismo islâmico, uma de suas principais causas? Por que não defendem o direito de Israel de se defender e de existir? Por que confundem a defesa da causa palestina, com a justificação do terrorismo palestino?
E a pergunta do “milhão”, por que a esquerda européia, e globalmente toda a esquerda, estão obcecadas somente em lutar contra as democracias mais sólidas do planeta, EUA e Israel, e não contra as piores ditaduras? As duas democracias mais sólidas, e as que sofreram os mais sangrentos atentados do terrorismo mundial. E a esquerda não está preocupada por isso. E finalmente, o conceito de compromisso com a liberdade. Ouço essa expressão em todos os foros pró-palestinos europeus. “Somos a favor da liberdade dos povos”, dizem com ardor. Não é verdade. Nunca se preocuparam com a liberdade dos cidadãos da Síria, do Irã, do Yemen, do Sudão etc. E nunca se preocuparam com a liberdade destruída dos palestinos que vivem sob o extremismo islâmico do Hamas. Somente se preocupam em usar o conceito de liberdade palestina, como míssil contra a liberdade israelense.
Uma terrível consequência decorre destas duas patologias ideológicas: a manipulação jornalística. Finalmente, não é menor o dano que causa a maioria da imprensa internacional. Sobre o conflito árabe-israelense não se informa, se faz propaganda. A maioria da imprensa, quando informa sobre Israel, viola todos os princípios do código de ética do jornalismo. E assim, qualquer ato de defesa de Israel se converte em um massacre e qualquer enfrentamento, em um genocídio. Foram ditas tantas barbaridades, que já não se pode acusar Israel de nada pior. Em paralelo, essa mesma imprensa nunca fala da ingerência do Irã ou da Síria a favor da violência contra Israel; da inculcação do fanatismo nas crianças; da corrupção generalizada na Palestina. E quando fala de vítimas, eleva à categoria de tragédia qualquer vítima palestina, e camufla, esconde ou deprecia as vítimas judias.
Termino com uma nota sobre a esquerda espanhola. Muitos são os exemplos que ilustram o anti-israelismo e o antiamericanismo que definem o DNA da esquerda global espanhola. Por exemplo, um partido de esquerda acaba de expulsar um militante, porque criou uma página de defesa de Israel na Internet. Cito frases da expulsão: “Nossos amigos são os povos do Irã, Líbia e Venezuela, oprimidos pelo imperialismo. E não um Estado nazista como o de Israel”. Por outro exemplo, a prefeita socialista de Ciempuzuelos mudou o dia da Shoá pelo dia da Nakba palestina, depreciando, assim, a mais de 6 milhões de judeus europeus assassinados. Ou em minha cidade, Barcelona, o grupo socialista decidiu celebrar, durante o 60º. aniversário do Estado de Israel, uma semana de “Solidariedade com o povo palestino”. Para ilustrar, convidou Leila Khaled, famosa terrorista dos anos 70, atual líder da Frente de Libertação Palestina, que é uma organização considerada terrorista pela União Européia, que defende o uso das bombas contra Israel. E etc. Este pensamento global, que faz parte do politicamente correto, impregna também o discurso do presidente Zapatero. Sua política exterior recai nos tópicos da esquerda lunática e, a respeito do Oriente Médio, sua atitude é inequivocamente pró-árabe. Estou em condições de assegurar que, em particular, Zapatero considera Israel culpado do conflito, e a política do ministro Moratinos vai nesta direção.
O fato de que o presidente colocou uma Kefia palestina, em plena guerra do Líbano, não é um acaso. É um símbolo. A Espanha sofreu o atentado islâmico mais grave da Europa, e “Al Andalus” está na mira de todo o terrorismo islâmico. Como escrevi faz tempo, “nos mataram com celulares via satélite, conectados com a Idade Média”. E, sem dúvida, a esquerda espanhola está entre as mais anti-israelenses do planeta. E diz ser anti-israelense por solidariedade! Esta é a loucura que quero denunciar com esta conferência. Não sou judia, estou vinculada ideologicamente à esquerda e sou jornalista. Por que não sou anti-israelense como a maioria de meus colegas? Porque como não judia, tenho a responsabilidade histórica de lutar contra o ódio aos judeus, e na atualidade, contra o ódio a sua pátria, Israel. A luta contra o anti-semitismo não é coisa dos judeus, é obrigação dos não judeus, Como jornalista, sou obrigada a buscar a verdade, para além dos preconceitos, das mentiras e das manipulações. E sobre Israel não se diz a verdade. E como pessoa de esquerda, que ama o progresso, sou obrigada a defender a liberdade, a cultura, a convivência, a educação cívica das crianças, todos os princípios que as Tábuas da Lei converteram em princípios universais. Princípios que o islamismo fundamentalista destrói sistematicamente. Quer dizer, como não judia, jornalista de esquerda tenho um tríplice compromisso moral com Israel. Porque, se Israel for derrotado, serão derrotadas a modernidade, a cultura e a liberdade. A luta de Israel, ainda que n mundo não queira saber, é a luta do mundo.

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Sim ou não à existência de Israel? Eu digo “sim”

Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja

O Hamas rompeu a trégua com Israel - a rigor, nunca integralmente respeitada -, e aqueles que ora clamam pelo fim da reação da vítima - e a vítima é Israel - fizeram um silêncio literalmente mortal. Hipócritas, censuram agora o que consideram a reação desproporcional dos israelenses, mas não apontam nenhuma saída que não seja o conformismo da vítima. É desnecessário indagar como reagiria a França, por exemplo, se seu território fosse alvo de centenas de foguetes. É desnecessário indagar como responderia o próprio Brasil. O Apedeuta e seus escudeiros no Itamaraty - que vive o ponto extremo da delinqüência política sob o comando de Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães - aceitam, de bom grado, que Evo Morales nos tungue a Petrobras, mas creio que defenderiam uma resposta militar se o Brasil passasse a ser alvo diário de inimigos. Há dias, Lula afirmou que o Brasil precisa ser uma potência militar se quiser ser respeitado no mundo. Confesso que, dada a moral ora vigente no Planalto e na diplomacia nativa, prefiro que o país tenha, no máximo, aqueles fogos Caramuru, os únicos que, no nosso caso, não podem dar xabu... Lula merece, no máximo, ter um rojão ou aqueles fósforos coloridos de São João para brincar.
É dever de todo governo defender o seu território e a sua gente. Mas, curiosamente (ou nem tanto), pretende-se cassar de Israel o direito à reação. Por quê? O que grita na censura aos israelenses é a voz tenebrosa de um silêncio: essa gente é contra a existência do Estado de Israel e acredita que só se obteria a paz no Oriente Médio com a sua extinção. Mas falta a essa canalha coragem para dizer claramente o que pretende. Nesse estrito sentido, um expoente do fascismo islâmico como Mahamoud Ahmadinejad, presidente do Irã, é mais honesto do que boa parte dos hipócritas europeus ou brasileiros. Ele não esconde o que pretende. Aliás, o Hamas também não: o fim da Israel é o segundo item do seu programa, sem o qual o grupo terrorista julga não cumprir adequadamente o primeiro: a defesa do que entende por fé islâmica.
Será que exagero? Que outra consideração estaria na origem da suposição de que um país deve se quedar inerme diante de uma chuva de foguetes em seu território? “Não, Reinaldo, o que se censura é o exagero, a reação desproporcional”. Tratarei desse argumento, essencialmente mentiroso e de ocasião, mais adiante. Neste artigo, penso questões mais profundas, que estão na raiz do ódio a Israel. Como se considera que aquele estado é essencialmente ilegítimo, cobra-se dele, então, uma tolerância especial. Aliás, exigem-se dos judeus duas reações particulares, de que estariam dispensados outros povos. Como os hipócritas do silêncio consideram que a criação de Israel foi uma violência, cobram que esse estado viva a pedir desculpas por existir e jamais reaja. Seria uma espécie de suicídio. Israel faria por conta própria o que várias nações islâmicas - em grupo, em par ou isoladamente - tentaram sem sucesso em 1956, em 1967 e em 1973: eliminar o país do mapa. Dói na consciência e no orgulho dos inimigos do país a constatação de que ele adquiriu o direito de existir na lei e na marra, na diplomacia e no campo de batalha.
A segunda reação particular guarda relação com o nazismo. Porque os judeus conheceram o horror, estariam moralmente proibidos de se comportar como senhores: teriam de ser eternamente vítimas. Ao povo judeu seria facultado despertar ódio ou piedade, mas jamais temor. Franceses, alemães, espanhóis, chineses, japoneses e até brasileiros cometeram ou cometem suas injustiças e violências - e todos esses povos souberam ou sabem ser impressionantemente cruéis em determinadas ocasiões e circunstâncias. Mas os judeus?! Eles não!!! Esperam-se passividade e mansidão pouco importa se são tomados como usurpadores ou vítimas. O anti-semitismo ainda pulsa, eis a verdade insofismável.
Tudo seria mais fácil se as posições fossem aclaradas. Acatar ou não a legitimidade do Estado de Israel ajudaria muitas nações e muitas correntes político-ideológicas a se posicionar e a se pronunciar com clareza: “Sim, admito a existência de Israel e penso que aquele estado, quando atacado, tem o direito de se defender”. É o que pensa este escriba. Ou: “Não! Fez-se uma grande bobagem em 1948, e os valentes do Hamas formam, na verdade, uma frente de resistência ao invasor; assim, quando eles explodem uma pizzaria ou um ônibus escolar ou quando jogam foguetes, estão apenas defendendo um direito”. Mas os hipócritas não seriam o que são se não cobrissem o vício com o manto da virtude. Como não conseguem imaginar uma solução para alguns milhões de israelenses que não o mar - e, desta feita, sem Moisés para abri-lo -, então disfarçam o ódio a Israel com um conjunto pastoso de retóricas vagabundas: “pacifismo”, “antimilitarismo”, “reação proporcional”, “direito à resistência” etc.
Na imprensa brasileira, um jornalista como Jânio de Freitas chegou a chamar o ataque aéreo a Gaza de “genocídio”, dando alguma altitude teórica à militância política anti-Israel - embora o próprio Hamas admita que a maioria das vítimas seja mesmo composta de militantes do grupo. Trata-se, claro, de uma provocação: sempre que Israel é acusado de “genocida”, pretende-se evocar a memória do Holocausto. Em uma única linha, sustenta-se, então, uma farsa gigantesca:

a) maximiza-se a tragédia presente dos palestinos;
b) minimiza-se a tragédia passada dos judeus:
c) apaga-se da história o fato de que o Hamas é a força agressora, e Israel, o país agredido;
d) equiparam-se os judeus aos nazistas que tentaram exterminá-los, o que, por razões que dispensam a exposição, diminui a culpa dos algozes;
e) cria-se uma equivalência que aponta para uma indagação monstruosa: não seria o povo vítima do Holocausto um tanto merecedor daquele destino já que incapaz de aprender com a história?

E pouco importa se os que falam em genocídio têm ou não consciência dessas implicações: o mal que sai da boca dos cínicos não vira virtude porque na boca dos tolos. Em junho de 2007, esse mesmo Hamas foi à guerra contra o Fatah na Faixa de Gaza. E venceu. O grupo preferiu não fazer prisioneiros. Os que eram rendidos ou se rendiam eram executados com tiros na cabeça - muitas vezes, as mulheres e filhos das vítimas eram chamados para presenciar a cena. “O que ocorreu no centro de segurança (as execuções) foi a segunda liberação da Faixa de Gaza; a primeira delas foi a retirada das tropas e dos colonos de Israel da região, em setembro de 2005", disse então Sami Abu Zuhri, um membro do Hamas. “Estamos dizendo ao nosso povo que a era do passado acabou e não irá volta. A era da Justiça e da lei islâmica chegou", afirmou Islam Shahawan, porta-voz do grupo. Nezar Rayyan, também falando em nome dos terroristas, não teve dúvida: “Não haverá diálogo com o Fatah, apenas a espada e as armas. Desde 2006, quase 700 palestinos foram assassinados por rivais... palestinos.
O ódio a Israel espalhado em várias correntes de opinião no Ocidente é caudatário da chamada “luta contra o Império”. O apoio ao país nunca foi tão modesto - em muitos casos, envergonhado. Não é coincidência que assim seja no exato momento em que se vislumbra o que se convencionou chamar de “declínio americano”. Israel é visto como uma espécie de enclave dos EUA no Oriente Médio. As esquerdas do mundo caíram de amores pelos vários sectarismos islâmicos, tomados como forças antiimperialistas, de resistência. Eu era ainda um quase adolescente (18 anos) - e de esquerda! - quando se deu a revolução no Irã, em 1979, e me perguntava por que os meus supostos parceiros de ideologia se encantavam tanto com o tal aiatolá Khomeini, que me parecia, e era, a negação, vejam só!, de alguns dos pressupostos que deveriam nos orientar — e o estado laico era um deles. Mas quê... A “luta antiimperialista” justificava tudo. O que era ruim para os EUA só poderia ser bom para o mundo e para as esquerdas. No poder, a primeira medida de Khomeini foi fuzilar os esquerdistas que haviam ajudado a fazer a revolução...
É ainda o ódio ao “Império” que leva os ditos “progressistas” do mundo a recorrer à vigarice intelectual a mais escancarada para censurar Israel e se alinhar com as “vítimas” palestinas. Abaixo, aponto alguns dos pilares da estupidez. Pergunte a qualquer “progressista” da imprensa ou de seu círculo de amizades se ele considera o Hamas um grupo “terrorista”. A resposta do meliante moral virá na forma de uma outra indagação: “Mas o que é terrorismo?” A luta “antiimperialista” torna esses humanistas uns relativistas. Eles dirão que a definição do que é ou não terrorismo decorre de uma visão ideológica, ditada por Washington, pela Otan, pelo Ocidente, pelo capitalismo, sei lá eu... Esses canalhas são capazes de defender o “direito” que os ditadores islâmicos têm de definir os seus homens viciosos e virtuosos - “democracia não se impõe”, gritam —, mas, por qualquer razão que não saberiam explicar, acreditam, então, que Washington, a Otan, o Ocidente e o capitalismo não podem fazer as suas escolhas. E essas escolhas, vejam que coisa!, costumam ser justamente aquelas que garantem as liberdades democráticas. Se você disser que explodir bombas num ônibus escolar ou num supermercado, por exemplo, é terrorismo, logo responderão que isso não é diferente da ação de Israel na Faixa de Gaza, confundido a guerra declarada (e reativa!!!) com a ação insidiosa contra civis. Para esses humanistas, a ação contra Dresden certamente igualou os Aliados aos nazistas... Falei em nazistas? Ah, sim: os antiisraelenses gostam de comparar as ações do Hamas, do Hezbollah ou das Farc aos atos heróicos dos que lutaram contra o nazismo. Ao fazê-lo, não só igualam, então, os vários “terrorismos” como também os várias “estados da ordem”. No caso, o nazismo não se distinguiria dos governo de Israel, da Colômbia ou de qualquer outro estado que sofra com a ação terrorista.
Aqui e ali, leio textos indignados em nome da “paz”. E penso que o pacifismo pode ser uma coisa muito perigosa. Chamberlain e Daladier, que assinaram com Hitler o “Acordo de Munique”, que o digam. Como observou Churchill, entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra e tiveram a guerra. Argumentos que remetem ao nazismo, sei disto, costumam desmoralizar um tanto o debate porque apelam sempre a uma situação extrema, que se considera única, irreproduzível. A questão, então, é como Israel pode fazer a paz com quem escolheu o caminho da guerra e só aceita a linguagem das armas e da morte. O Hamas é o inimigo que mora ao lado - e, com freqüência, dentro de Israel. Mas há os que estão um pouco mais distantes, como o Irã por exemplo. O que vocês acham que acontecerá quando (e se) os aiatolás estiverem prestes a ter uma bomba nuclear? Em nome da paz, senhores pacifistas, espero que Israel escolha a guerra. E ele escolherá, fiquem certos, concordem os EUA ou não.
Israel deixou o Sul do Líbano, e o Líbano foi entregue - sejamos claros - aos xiitas do Hezbollah. Israel deixou a Faixa de Gaza, e o Hamas expulsou de lá os corruptos moderados da Fatah, não sem antes fuzilar todos os que foram feitos prisioneiros na guerra civil palestina. Isso indica um padrão, pouco importa a vertente religiosa dos sectários. A guerra desastrada contra a facção xiita no Líbano, muito mais poderosa do que o inimigo de agora, significou, de fato, uma lição amarga aos israelenses: se a ação militar não cumpre o propósito a que se destina, ela, com efeito, só fortalece o inimigo. Na prática, é o que pedem os que clamam pela suspensão dos ataques à Faixa de Gaza: querem que Israel dispare contra a sua própria segurança.
O argumento de que os ataques só fortalecem o Hamas porque fazem do grupo heróis de uma luta de resistência saem, não por acaso, da boca de intelectuais palestinos ou de esquerda. Cumpre perguntar se, no status anterior, havia algum sinal de que os palestinos de Gaza estavam descontentes com os terroristas que os governam. Mais uma vez, está-se diante de uma leitura curiosa: a única maneira de Israel não fortalecer o Hamas seria suportar os foguetes disparados pelo... Hamas! Como se vê, os argumentos passam pelos mais estranhos caminhos e todos eles cobram que os israelenses se conformem com os ataques.
Aqui e ali, leio que o estado de Israel só é defensável se devolvido à demarcação definida pela ONU em 1948. Digamos, só para raciocinar, que se possa anular a história da região dos últimos 60 anos... Os inimigos do país considerariam essa condição suficiente para admitir a existência do estado judeu? A resposta, mesmo diante de uma hipótese improvável, é “não”. Mesmo as facções ditas moderadas reivindicam a volta do que chamam “os refugiados”, que teriam sido “expulsos” de suas terras - terras que, na maioria das vezes, foram compradas, é bom que se lembre. Tal reivindicação é só uma maneira oblíqua de se defender que Israel deixe de ser um estado judeu - e, pois, que deixe de ser Israel. E isso nos devolve ao começo deste texto.
Aceita-se ou não a existência de um estado judeu? Israel está muito longe, no curtíssimo prazo, dos perigos que, com efeito, viveu em 1967 e em 1973. Não obstante, sustento que nunca correu tanto risco como agora. Desde a sua criação, jamais se viu tamanha conspiração de fatores que concorrem contra a sua existência:
- a chamada “causa palestina” foi adotada pela imprensa ocidental - mesmo a americana, tradicionalmente pró-Israel, mostra-se um tanto tímida;
- o antiamericanismo, exacerbado pela reação contra a guerra no Iraque, conseguiu transformar o terrorismo em ação de resistência;
- os desastres da era Bush transferem para os aliados dos EUA, como Israel, parte da reação negativa ao governo americano;
- os palestinos dominam todo o ciclo do marketing da morte e se tornaram os “excluídos” de estimação do pensamento politicamente correto: o que são 300 mil mortos no Sudão e 3 milhões de refugiados perto de 500 mortos na Faixa da Gaza, a maioria deles terroristas do Hamas? A morte de qualquer homem nos diminui, claro, claro, mas a de alguns homens excita mais a fúria justiceira: a dos sudaneses não excita ninguém...;
- um estado delinqüente, como é o Irã - que tem em sua pauta a destruição de Israel -, busca romper o isolamento internacional aliando-se a inimigos estratégicos dos EUA;
- a Europa ensaia dividir a cena da hegemonia ocidental com os EUA sem ter a mesma clareza sobre o que é e o que não é aceitável no que concerne à segurança de Israel;
- atribui-se ao próprio estado de Israel o fortalecimento dos seus inimigos, num paradoxo curioso: considera-se que o combate a seus agressores só os fortalece, ignorando-se o motivo por que, afinal, ele decidiu combatê-los...
Sim ou não à existência de Israel? Sem essa primeira resposta, não se pode começar um diálogo. Ou romper de vez o diálogo. Sem essa resposta, o resto é conversa mole.
De todas as coisas estúpidas que se podem dizer na censura a Israel, a maior é a que aponta a chamada “reação desproporcional”. Então é preciso definir o que é “proporcionalidade”. O que deveria fazer um estado organizado? Jogar alguns foguetes em Gaza? Dada a densidade demográfica da região, um único mataria certamente mais palestinos do que todos aqueles disparados pelo Hamas contra Israel, fazendo quatro vítimas. A guerra viraria uma espécie de jogo de salão. E Israel seria sempre um caudatário das escolhas dos terroristas. E o mundo, incluindo o Brasil, ficaria em silêncio. Quatro mortos aqui? Quatro lá. Cinco aqui? Cinco lá. O estado agredido ficaria sempre à espera do recrudescimento da ação do adversário. Bem, há uma lógica implícita aí, não? Adivinhem quem morreria primeiro.
Não fosse o veto dos EUA, a ONU teria emitido uma resolução cobrando de Israel a imediata suspensão da ação militar. O texto, acreditem, não fazia menção aos foguetes disparados cotidianamente pelo Hamas. Nessas circunstâncias, parece que os críticos da chamada “reação desproporcional” censuram menos os quase 500 mortos da Faixa de Gaza do que os poucos mortos do lado israelense. Para essa gente - incluindo o governo brasileiro -, uma guerra justa precisa ter mais judeus mortos do que os havidos até agora. Mais ainda: censuráveis parecem ser a competência de Israel para se defender e a incompetência do Hamas para atacar. Na prática, pedem que Israel permita primeiro que seu inimigo cresça o bastante para poder matar com mais eficiência. E tudo seria ético e justo.
Detestável e asquerosa a escalada da retórica do governo brasileiro contra Israel. Censurei Lula por ter feito excursões às ditaduras islâmicas, mas não ter pisado no solo da única democracia do Oriente Médio: Israel. A petralhada, claro, acusou-me de estar ideologizando uma questão que seria puramente comercial: o Apedeuta seria só o nosso mascate, vendendo o Brasil para o mundo. Conversa! A aproximação do governo brasileiro com ditaduras islâmicas era só parte da dita genial estratégia do Itamaraty de afastar o Brasil de um suposto alinhamento automático com os EUA. Afirmo que os desastres da política externa petista são, com efeito, um sucesso... Até entre jornalistas!
Esse Itamaraty que se vê tão severo com Israel, apelando aos mais altos interesses humanitários, votou, na ONU, contra a censura ao governo do Sudão. Milícias apoiadas por um facínora mataram, naquele país, mais de 300 mil pessoas. Há pelo menos 3 milhões de refugiados. O Brasil estava de olho no apoio de mais um gorila à sua pretensão de ampliar e integrar o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Nada a estranhar. Repete-se a mesma retórica empregada contra o governo constitucional da Colômbia. Quando se refere às Farc, o governo Lula fala no fim das hostilidades e na necessidade do entendimento, igualando os terroristas a um governo eleito democraticamente. O Itamaraty nunca desceu tanto. E tudo indica que ainda não atingiu o fundo do poço.

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As barbaridades sobre Gaza

Sérgio Malbergier, editor do caderno Dinheiro
da Folha de São Paulo. Foi editor do caderno Mundo
e enviado especial a países como Iraque, Israel e Venezuela

A brutal ofensiva de Israel contra os ataques do grupo extremista islâmico palestino Hamas na faixa de Gaza excita comentaristas de várias especialidades a expor seus pensamentos sobre o complexo conflito árabe-israelense. É um festival de crimes contra a história, a razão e, muitas vezes, contra os cerca de 14 milhões de judeus no mundo. As barbaridades mais ofensivas, e por isso disparadas com mais gana, são as indignas comparações com o nazismo e com o os guetos onde os nazistas e seus muitos colaboradores europeus confinavam os judeus da Europa antes de exterminá-los. Conheço bem essa história. Os irmãos e os pais de meus avós poloneses foram aniquilados no gueto de Cracóvia, no sul da Polônia. Ao contrário do Hamas, eles nunca lançaram nem sequer pensaram em lançar foguetes contra cidades polonesas ou alemãs, nunca quiseram exterminar poloneses ou alemães, nunca doutrinaram suas crianças no ódio antipolonês ou antialemão.
Mas mesmo assim abundam pelo mundo, e na mídia brasileira, autoproclamados 'humanistas' que veem na ação do Exército israelense traços das ações nazistas, um artifício imoral que minimiza a barbárie nazista e maximiza a ação israelense. Abundam ainda aqueles que, como os nazistas, se dedicam à desumanização dos judeus israelenses, que querem transformá-los em lobos atrás do sangue das crianças palestinas, em pessoas sem alma que querem destruir Gaza pelo prazer de matar palestinos. Um chegou a escrever com impunidade que a metade dos israelenses que não apoia a ação de seu Exército em Gaza (na verdade o apoio à ação na pesquisa citada é maior do que 50%) "é a parte da humanidade no Estado de Israel". O 'humanista' colocou na coluna dos não-humanos mais da metade dos israelenses, então vamos chamá-lo só de meio-nazista, já que para a ideologia hitlerista nenhum judeu era humano. O mesmo híbrido ("humanista" e meio-nazista) escreve ainda que o Estado de Israel foi "instituído por não-judeus" e é fruto do "humanitarismo que proporcionou a criação" do Estado judeu. O Estado de Israel é na verdade resultado da barbárie nazista, o oposto do tal 'humanitarismo'.
O nazismo e seus voluntariosos colaboradores europeus expuseram a necessidade básica de se criar um Estado judeu como forma de evitar novas tentativas de extermínio. E o Estado judeu não foi uma mera concessão da atrasada consciência culpada do mundo, que nada fez para impedir os campos de extermínio nazistas apesar das evidências claras do que acontecia na Europa. Ele nasceu dos esforços das lideranças judaicas muito anteriores à Segunda Guerra (porque a ligação dos judeus com Israel é milenar e o antissemitismo genocida é um mal pré-nazista), que promoviam a imigração clandestina à Palestina britânica apesar de ela ser proibida por Londres, inclusive durante o extermínio nazista.
Há ainda teses novas, como a de que os israelenses suportam a ofensiva porque vivem sob a censura de seus meios de comunicação, que os impede de tomar conhecimento do que se passa em Gaza, quando as TVs e os jornais do país estão cheios de relatos e imagens das lamentáveis mortes de civis palestinos durante o bombardeio e a invasão de Gaza e milhares de israelenses saem às ruas para protestar contra ela. E o que os supostos 'humanistas' que desumanizam os israelenses têm a dizer sobre o islamofascimo niilista e antissemita em marcha acelerada pelos países do Oriente Médio? O que disseram quando o Hamas lançava dezenas de foguetes diariamente contra a população civil de Israel, buscando e provocando a reação israelense? O que disseram quando o presidente do Irã, já convidado a visitar o Brasil pela ativa Chancelaria brasileira, ameaçou 'varrer Israel do mapa' e busca ativamente, com pouca resistência global, uma bomba atômica para poder realizar seu desejo manifesto? Nada.
Devem achar que a maioria dos israelenses, não sendo humana, não merece seu "humanismo". A desumanização de Israel em curso em alguns setores do planeta é um dos maiores equívocos contemporâneos, fruto do antissemitismo, da ingenuidade e da ignorância. Até as pedras dos cemitérios da Palestina e de Israel sabem que a única saída para o trágico conflito árabe-israelense é a criação de um Estado palestino viável que viva em paz e segurança ao lado do Estado de Israel. Sucessivas eleições em Israel elegeram maiorias que buscavam justamente esse objetivo de dois Estados. Inclusive o governo atual, cuja principal bandeira era a retirada das tropas e colônias israelenses dos territórios palestinos. A primeira ação nesse sentido foi a retirada total de Gaza, que se transformou em campo de lançamento de foguetes contra a população civil do sul de Israel, como a linha dura israelense, na oposição, previu que aconteceria. A disposição de Israel para novas retiradas está mortalmente abalada. Vai depender muito do resultado da ofensiva atual.
Quando as armas se calarem, e esperemos que se calem o quanto antes, os terroristas do Hamas, e seus patronos na Síria e no Irã que guiam suas ações, clamarão vitória (assim como seu irmão mais velho, o Hizbollah, clamou vitória sobre os cadáveres de mil libaneses e o escombro de suas casas!). É uma ideologia niilista, um culto da morte, onde morrer é vencer. Assim, terroristas do Hamas disparam foguetes contra Israel cercados de mulheres e crianças, do meio de cidades super povoadas, torcendo para que um míssil israelense aniquile essas mulheres e crianças, cujos cadáveres, expostos quase como prêmios, são uma de suas maiores "vitórias" pois convencem alguns "humanistas" de plantão que os israelenses não são humanos. E serão os "humanistas" de plantão os primeiros a decretar a derrota de Israel e a vitória do islamofascismo, como aquela infame manifestação esquerdista em Londres com os cartazes "somos todos Hizbollah". Espera-se que os humanistas sem aspas pensem diferente e coloquem a derrota dos objetivos do Hamas como a única saída possível dessa guerra. E ela não precisa vir das bombas de Israel, mas de negociações internacionais para um novo arranjo em Gaza que anule a capacidade do Hamas de levar o povo que diz defender a novas tragédias lamentáveis.
P.S: Embora seja óbvio, mas para não ser declarado um não-humano impunemente nas páginas dos jornais, vai aqui um esclarecimento: eu, como a esmagadora maioria dos israelenses, sou pela paz e contra a morte de civis inocentes em qualquer parte do mundo.

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Resolvendo o "Problema palestino"

Daniel Pipes, do Jerusalem Post

A guerra de Israel contra o Hamas expõe o velho dilema: O que fazer a respeito dos palestinos? Os países ocidentais, inclusive Israel, precisam estabelecer metas para equacionar suas posições em relação à Cisjordânia e Gaza. Primeiro vamos revisar o que nós sabemos que não funciona e que não pode funcionar:
Controle israelense. Nenhum dos lados deseja que a situação que se iniciou em 1967 continue, quando as Forças de Defesa de Israel tomaram controle de uma população que é religiosa, cultural, econômica e politicamente diferente e hostil.
Um estado palestino. Em 1993 os Acordos de Oslo iniciaram este processo, mas uma fermentação tóxica de anarquia, extremismo ideológico, anti-semitismo, jihadismo e despotismo levaram a um completo fracasso palestino.
Um estado bi-national: Dada a antipatia mútua das duas populações, a chance de uma combinação Israel-Palestina (o que Muammar al-Qaddafi chama "Israstina") é tão absurda quanto parece.
Excluindo estas três possibilidades resta só uma abordagem prática que funcionou toleravelmente bem no período 1948-67:
Governo compartilhado jordaniano-egípcio: Amã rege a Cisjordânia e Cairo governa Gaza. Com certeza, esta abordagem de de-volta-para-o-futuro inspira pouco entusiasmo. Não só era o governo jordaniano-egípcio medíocre, mas ressuscitar este arranjo frustrará os impulsos palestinos, sejam eles nacionalistas ou islâmicos. Além disso, Cairo nunca quis Gaza e tem rejeitado veementemente seu retorno. Conseqüentemente, um analista acadêmico rejeita esta idéia como "uma fantasia evasiva que só pode obscurecer as reais e difíceis opções". Não é. Os fracassos de Yasir Arafat e Mahmoud Abbas, da Autoridade Palestina e o "processo de paz", motivaram o repensar em Amã e Jerusalém. Realmente, Ilene R. Prusher do Christian Science Monitor já achava em 2007 que a idéia de uma confederação Cisjordânia-Jordânia "parece estar ganhando força em ambos os lados do Rio Jordão".
O governo jordaniano que entusiasticamente anexou a Cisjordânia em 1950 e só abandonou suas reivindicações sob coação em 1988, dá sinais de querer voltar. Dan Diker e Pinchas Inbari documentaram para o Middle East Quarterly em 2006 como o "fracasso da AP de impor seu controle e se tornar uma entidade politicamente viável fez com que Amã reconsiderasse se uma estratégia de não intervenção para com a Cisjordânia estivesse em seus melhores interesses". As autoridades israelenses também têm se mostrado abertas a esta idéia, ocasionalmente pedindo a entrada de tropas Jordanianas na Cisjordânia.
Desesperados com o auto-governo, alguns palestinos dão boas-vindas à opção jordaniana. Um funcionário público sênior não identificado da AP disse a Diker e a Inbari que uma forma de federação ou confederação com a Jordânia oferece "a única solução razoável, estável, a longo prazo ao conflito palestino-israelense". Hanna Seniora opinou que "As atuais debilitadas chances para uma solução de dois estados nos força a revisitar a possibilidade de uma confederação com a Jordânia". Hassan M. Fattah do New York Times cita um palestino na Jordânia: "Tudo foi arruinado para nós -­ nós temos combatido durante 60 anos e não sobrou nada. Seria melhor se a Jordânia governasse as coisas na Palestina, se o Rei Abdullah pudesse tomar o controle da Cisjordânia".
Isto não é só conversa: Diker e Inbari relatam que negociações secretas da AP-Jordânia em 2003-04 "resultaram em princípio em um acordo para enviar 30.000 membros da Força Badr para a Cisjordânia". E enquanto o presidente Hosni Mubarak do Egito anunciou a um ano que "Gaza não é parte do Egito, nem nunca o será", dificilmente será sua última palavra. Primeiro, não obstante Mubarak, os egípcios de forma preponderante querem um forte vínculo com Gaza; o Hamas concorda; e os líderes israelenses às vezes concordam. Assim a base para uma revisão geral de política existe.
Em segundo lugar, Gaza é comprovadamente mais parte do Egito que da "Palestina". Durante a maior parte do período islâmico, ela era controlada por Cairo ou fazia parte administrativamente do Egito. O árabe coloquial dos habitantes de Gaza é idêntico ao que os egípcios que vivem no Sinai falam. Economicamente, Gaza tem a maioria das suas conexões com o Egito. O próprio Hamas deriva da Irmandade Muçulmana, uma organização egípcia. É hora de pensar nos habitantes de Gaza como sendo egípcios?
Em terceiro lugar, Jerusalém poderia sobrepujar Mubarak. Seria anunciar uma data em que iria parar com o abastecimento de toda a água, eletricidade, comida, medicamentos e outras transações, e mais, aceitar a vantagem da aprimorada segurança egípcia em Gaza, Cairo teria de se responsabilizar por Gaza. Entre outras vantagens, isto o faria responsável pela segurança de Gaza, finalmente pondo um fim a agressões com milhares de foguetes e de morteiros do Hamas. A opção Jordânia-Egito não causa interesse, mas ela pode ter seu valor. Oferece uma maneira exclusivamente sóbria de resolver o "problema palestino".

Tradução: Joseph Skilnik

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A vulnerabilidade de Israel

Mary Dejevsky, colunista e editora do jornal The Independent

Antes que você se apresse a considerar iníquos os letais ataques aéreos israelenses contra a faixa de Gaza, seria bom que respondesse a uma pergunta: você já foi a Israel? Se foi, você talvez compreenda o quanto o país é pequeno e desprovido de defesas naturais. Você teria percebido que, do norte, sul e leste, Israel está vulnerável ao assédio daqueles que controlam o terreno dominante e as rotas de fuga. E perceberia quanto medo os israelenses ainda sentem, mesmo passadas três gerações, de que bastariam algumas horas de ofensiva para arremessá-los todos ao mar. E acrescento uma segunda questão. No fundo, você acredita que o Estado de Israel tem direito a existir ou sente que o mundo seria um lugar mais simples e harmonioso caso as potências vitoriosas na II Guerra Mundial tivessem encontrado outra maneira de purgar suas culpas sem que isso tornasse necessário aceitar a criação de uma pátria judaica no território da Palestina, até então sob mandato britânico?
Bem, eu estive em Israel, percorri o país de um lado a outro em momentos mais pacíficos; conversei com líderes nacionais e com o povo. Minha impressão dominante não é a de instintos belicosos, mas a de insegurança. Você talvez desdenhe como paranóicas as preocupações de um país desenvolvido que neste ano dedicou 16% de seu orçamento à defesa, tem os EUA como protetor e desenvolveu armas nucleares. Mas é seu dever perguntar o que veio primeiro: o medo da aniquilação ou o desenvolvimento de uma capacidade militar capaz de preveni-la? Quanto ao direito de Israel a existir, eu questiono a sabedoria, e muito mais a justiça, de instalar um novo Estado em terra sobre a qual outro povo alega direitos. Um país estabelecido artificialmente, sem levar em consideração defesas naturais e que não foi libertado por sua própria força, certamente será não apenas vulnerável como uma fonte de fricção enquanto persistirem as memórias populares.
Essa desaprovação inerente talvez explique a tendência de boa parte do mundo ocidental a culpar Israel quase que antes de o país fazer qualquer coisa. Tanto no caso da ferozmente condenada invasão israelense ao Líbano, dois anos atrás, quanto agora nos ataques aéreos a Gaza, porém, os mesmos dois fatores precisam ser considerados: por um lado, a sensação continuada de insegurança entre os israelenses; por outro, o direito internacionalmente reconhecido do país a existir. O ponto é que, tendo endossado a criação de Israel, as Nações Unidas têm a obrigação de garantir que sua existência continuada seja possível. Vezes sem conta, porém, toda espécie de garantia internacional se provou inadequada. Israel não demorou a aprender que teria de tomar conta de si mesmo.
É um paradoxo que um dos mais vulneráveis Estados do Oriente Médio tenha, assim, ganho reputação de agressor e de adepto da intimidação. E os inimigos de Israel tampouco se abstiveram de explorar alguns aspectos dessa vulnerabilidade. A guerra do Yom Kipur, em 1973, recebeu este nome porque Egito e Síria lançaram seu ataque em um dos mais sagrados feriados judaicos. Todos os tratados de paz que Israel conseguiu negociar com seus inimigos, até o momento, foram obtidos de uma posição de força militar, ao menos aos olhos de um observador israelense. A retirada das forças israelenses de Gaza, na metade de 2005, foi um raro episódio em que Israel aceitou um risco como primeiro estágio de um programa de retiradas de territórios ocupados adotado, sob considerável risco político, pelo então premiê Ariel Sharon.
A aposta israelense era a de que, se deixada no controle, a Autoridade Palestina se provaria capaz de impedir ataques com foguetes ou de outra espécie contra Israel. A aposta não deu resultado. A Autoridade Palestina, apesar de seus melhores esforços, não conseguiu manter o controle sobre os extremistas. Uma eleição foi realizada e vencida pelo Hamas. Impedido de assumir, ou até mesmo compartilhar, o poder na Autoridade Palestina como um todo, o Hamas tomou o poder em Gaza. Os ataques esporádicos com foguetes contra o território israelense foram ganhando intensidade. No começo deste mês, o Hamas anunciou que não renovaria um cessar-fogo assinado seis meses atrás. Depois de novos ataques com foguetes, Israel, que está em meio a uma campanha eleitoral disputada, decidiu recorrer à força. Uma vez mais, os palestinos de Gaza transformaram em símbolo de honra a sua posição de vítimas.
Seria razoável perguntar de que maneira as coisas poderiam ter transcorrido, diante de algumas mudanças. Caso os EUA e Israel tivessem reconhecido a vitória eleitoral do Hamas; caso o acordo de divisão de poder entre Hamas e Fatah tivesse dado certo; caso Israel não tivesse fechado os pontos de entrada em Gaza. Mas as coisas não transcorreram assim. Agora, como na guerra do Líbano, os críticos de Israel acusam o país de ter usado força "desproporcional" em Gaza; "proporcional", presumivelmente, seria arremessar alguns foguetes contra áreas civis de Gaza de maneira aleatória. Israel poderia retorquir, e não sem razão, que, se o Hamas deseja guerra, terá guerra: os israelenses estão sempre dispostos a combater por sua futura segurança. O que esses mesmos críticos ocidentais deveriam estar se perguntando, no entanto, é por que os israelenses se sentem ameaçados a ponto de recorrer à força, sabendo muito bem que isso valerá opróbrio internacional ao país.
A resposta é que, se, no passado, o mundo externo tivesse se disposto a garantir a segurança israelense, então nem Israel nem os palestinos de Gaza teriam precisado recorrer à violência neste final de ano. Os excessos em Gaza são conseqüência de um fracasso muito anterior: o fracasso quanto a impor as leis internacionais e garantir verdadeiramente o direito de Israel a existir.

Publicado no jornal Folha de São Paulo

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Ação militar israelense é legítima

Alan Dershowitz, advogado, jurista e professor da Universidade Harvard

A ação militar israelense em Gaza é totalmente justificada de acordo com o direito internacional, e Israel deveria ser elogiado por seus atos de defesa contra o terrorismo internacional. O Artigo 51 da Carta da ONU reserva às nações o direito de agir em defesa própria contra ataques armados. A única limitação é a obediência ao princípio de proporcionalidade. As ações de Israel certamente atendem a esse princípio. Quando Barack Obama visitou a cidade de Sderot no ano passado viu as mesmas coisas que eu vi em minha visita de março. Nos últimos quatro anos, terroristas palestinos dispararam mais de 2 mil foguetes contra essa área civil, na qual moram, na maior parte, pessoas pobres e trabalhadores. Os foguetes destinam-se a fazer o máximo de vítimas civis. Alguns por pouco não acertaram pátios de escolas, creches e hospitais, mas outros atingiram seus alvos, matando mais de uma dúzia de civis desde 2001. Esses foguetes lançados contra alvos civis também feriram e traumatizaram inúmeras crianças.
Os habitantes de Sderot têm 15 segundos, desde o lançamento de um foguete, para correrem até um abrigo. A regra é que todo mundo esteja sempre a 15 segundos de um abrigo. Os abrigos estão em toda parte, mas idosos e pessoas com deficiências muitas vezes têm dificuldade para se proteger. Além disso, o sistema de alarme nem sempre funciona. Disparar foguetes contra áreas densamente povoadas é a tática mais recente na guerra entre os terroristas que gostam da morte e as democracias que amam a vida. Os terroristas aprenderam a explorar a moralidade das democracias contra os que não querem matar civis, até mesmo civis inimigos.
Em um incidente recente, a inteligência israelense soube que uma casa particular estava sendo usada para a produção de foguetes. Tratava-se evidentemente de alvo militar. Mas na casa morava também uma família. Os militares israelenses telefonaram, então, para o proprietário da casa para informá-lo de que ela constituía um alvo militar e deram-lhe 30 minutos para que a família saísse. O proprietário chamou o Hamas, que imediatamente mandou dezenas de mães com crianças no colo ocupar o telhado da casa. Nos últimos meses, vigorou um frágil cessar-fogo mediado pelo Egito. O Hamas concordou em parar com os foguetes e Israel aceitou suspender as ações militares contra os terroristas. Era um cessar-fogo dúbio e legalmente assimétrico. Na realidade, era como se Israel dissesse ao Hamas: se vocês pararem com seus crimes de guerra matando civis inocentes, nós suspenderemos todas as ações militares legítimas e deixaremos de matar seus terroristas. Durante o cessar-fogo, Israel reservou-se o direito de empreender ações de autodefesa, como atacar terroristas que disparassem foguetes.
Pouco antes do início das hostilidades, Israel apresentou ao Hamas um incentivo e uma punição. Israel reabriu os postos de controle que haviam sido fechados depois que Gaza começou a lançar os foguetes, para permitir a entrada da ajuda humanitária. Mas o primeiro-ministro de Israel também fez uma última e dura advertência ao Hamas: se não parasse com os foguetes, haveria uma resposta militar em escala total. Os foguetes do Hamas não pararam, e Israel manteve sua palavra, deflagrando um ataque aéreo cuidadosamente preparado contra alvos do Hamas. Houve duas reações internacionais diferentes e equivocadas à ação militar israelense. Como era previsível, Irã, Hamas e outros que costumam atacar Israel argumentaram que os ataques do Hamas contra civis israelenses são totalmente legítimos e os contra-ataques israelenses são crimes de guerra. Igualmente prevista foi a resposta da ONU, da União Européia, da Rússia e de outros países que, quando se trata de Israel, veem uma equivalência moral e legítima entre os terroristas que atingem civis e uma democracia que responde alvejando terroristas. A mais perigosa dessas duas respostas não é o absurdo alegado por Irã e Hamas, em grande parte ignorado pelas pessoas racionais, e sim a resposta da ONU e da União Européia, que coloca em pé de igualdade o assassinato premeditado de civis e a legítima defesa. Essa falsa equivalência moral só encoraja os terroristas a persistir em suas ações ilegítimas contra a população civil. Alguns afirmam que Israel violou o princípio da proporcionalidade matando um número muito maior de terroristas do Hamas do que o de civis israelenses vitimados. Mas esse é um emprego equivocado do conceito de proporcionalidade, pelo menos por duas razões. Em primeiro lugar, não há equivalência legal entre a matança deliberada de civis inocentes e a matança deliberada de combatentes do Hamas. Segundo as leis da guerra, para impedir a morte de um único civil, é permitido eliminar qualquer número de combatentes. Em segundo lugar, a proporcionalidade não pode ser medida pelo número de civis mortos, mas pelo risco de morte de civis e pelas intenções dos que têm em sua mira esses civis. O Hamas procura matar o maior número possível de civis e aponta seus foguetes na direção de escolas, hospitais, playgrounds. O fato de que não tenha eliminado tantos quanto gostaria deve-se à enorme quantidade de recursos que Israel destinou para construir abrigos e sistemas de alarme. O Hamas recusa-se a construir abrigos, exatamente porque quer que Israel mate o maior número possível de civis palestinos, ainda que inadvertidamente.
Enquanto ONU e o restante da comunidade internacional não reconhecerem que o Hamas está cometendo três crimes de guerra - disparando contra civis israelenses, usando civis como escudos e buscando a destruição de um país membro da ONU - e Israel age em legítima defesa e por necessidade militar, o conflito continuará. Se Israel conseguir destruir a organização terrorista Hamas, poderá lançar os alicerces de uma verdadeira paz com a Autoridade Palestina. Mas se o Hamas se obstinar a tomar como alvo cidadãos israelenses, Israel não terá outra opção senão persistir em suas operações de defesa. Nenhuma outra democracia do mundo agiria de maneira diferente.

Publicado no jornal "O Estado de São Paulo"

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A solução de Gaza está nas mãos dos palestinos

Tawfik Hamid, escritor e médico muçulmano

Depois de Israel lançou sua ofensiva militar contra Hamas, em instalações militares em Gaza, em resposta aos repetidos ataques a civis israelenses, as ruas árabes não perderam tempo e demonstraram com paixão sua oposição a Israel. Na Europa, muitos ocidentais também tomaram parte no protesto. Como um muçulmano egípcio, agora vivendo na América, eu me pergunto porquê a rua árabe e seus apoiadores no Ocidente nunca mostram igualmente forte resposta contra terroristas islâmicos que almejam civis inocentes mundo afora, explodem mercados inteiros, com civis de origem predominantemente muçulmana no Iraque, Paquistão, Sudão, Turquia etc. Quando você considerar que os ataques israelenses mataram cerca de 400 pessoas, maioria militante do Hamas, nos primeiros quatro dias, a atitude passiva do mundo muçulmano contra os terroristas representa extrema hipocrisia. Se eles realmente se importam com as vidas de muçulmanos, deveriam ter demonstrado nos mesmos números e com igual veemência contra os islamistas que assassinaram centenas de milhares de seus concidadãos muçulmanos, para não mencionar o Hamas que abate membros do rival Fatah - mulheres e crianças incluídos.
Outra questão é porque não vimos uma semelhante forte reação contra os terroristas que praticaram o mais recente atentado em Mumbai. Muitos indianos, ocidentais e judeus foram mortos. Mas não houve erupção espontânea e demonstrações de indignação na Europa, para denunciar os ataques, como no caso de Gaza. São essas vidas menos importantes do que os dos palestinos? Onde está a o furor público organizado contra a matança lasciva de indianos e judeus? Assistimos à queima de igrejas no Iraque, no mãos dos jihadistas. Sabemos também que milhares de cristãos iraquianos fugiram porque os islamistas impõe sobre eles o tradicional Shari'a escolha para os não-muçulmanos: converter-se ao Islã, paguem um imposto humilhante (jizzia), ou serem mortos. No entanto, não ouvimos qualquer coisa a partir das ruas árabes ou de seus apoiantes. Só silêncio petrificante. As vidas palestinas valem mais do que as dos cristãos no Iraque?
Uma mentalidade tribal ainda governa o mundo muçulmano e não há qualquer vontade de demonstrar-se contra concidadãos muçulmanos, mesmo contra aqueles que tenham cometido grandes crimes contra outros muçulmanos. E a Europa é demasiado evisceradas para vir ao auxílio de vítimas cristãs dos "anti-infiéis". Depois, há velho anti-semitismo. É tão fácil demonstrar-se contra os judeus ou Israel e extremamente rara ver demonstrações de apoio às vítimas judaicas, tais como o altruísta rabino e sua esposa, que foram selecionados para a uma tortura especial em Mumbai, pelos islamistas. Ele faz o "impulso" europeu de boa consciência apontar um dedo contra a suposta "agressão" de Israel para ajudar a minorar alguns dos suas próprias culpas remanescentes. O mundo muçulmano e os europeus que apóiam as manifestações contra Israel deve parar a tendenciosa reação, que cega e reflexamente apóia a palestinos e criminaliza Israel. Aqueles que se demonstrarem contra a campanha militar em Gaza devem perceber que se o Hamas tivesse parado de atacar Israel com seus foguetes, Israel não teria lançado o seu ataque. Se os palestinos tivesses se focado na construção de sua sociedade e não em destruir os outros, toda a região iria desfrutar da paz e prosperar. Caso os palestinos reconheçam o direito de Israel a existir, finalizar o terrorismo contra os judeus e nutrir um sincero desejo de viver em paz, eles terminariam o seu sofrimento. A solução agora está simplesmente nas mãos dos palestinos - não dos israelenses.

Traduzido por Rogério Palmeira

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Começa a operação “Cast Lead” em Gaza

Tova Ben-Dov presidente da Wizo Mundial

‘Um Pião de Chumbo eu lhe darei’, são as palavras da clássica canção de Chanuká mais uma vez ecoada por todo o país enquanto cada família acende velas, crianças animadamente abrem os seus presentes e cantam canções familiares. Agora, entretanto, aquelas palavras têm outra conotação. Milhares de crianças no sul do país passaram os feriados de Chanuká nos abrigos enquanto o Hamas fazia chover mísseis Kassam e projéteis Grad na área em torno de Gaza. Ontem, sétimo dia de Chanuká, as Forças de Defesa de Israel (IDF) iniciaram uma operação para deter os morteiros lançados de Gaza, denominada Operação Pião de Chumbo (Operation Cast Lead). Fizemos todo o possível para preservar o ‘pseudo cessar-fogo’ com o Hamas, que esteve instituído nos últimos seis meses, mas que se encontrava sob terror. Durante anos ouvíamos o mundo nos pedir para ‘sermos comedidos’. O que a moderação nos trouxe? Oito anos de mães acordando pela manhã e imaginando se ousariam levar seus filhos ao jardim de infância? Fazendeiros acordando e se perguntando se deveriam ir trabalhar nos campos? Pais indo ao trabalho com a sensação de estarem abandonando suas famílias ao perigo.
Será que a França, o Reino Unido, a Alemanha, o Marrocos demonstrariam tal moderação?
Ou é um caso de duplo sentido. Espera-se que nós, em Israel, procedamos como se estivéssemos em um país do terceiro mundo... Somália, Darfur, Timor Leste, com infindáveis lutas tribais não levadas a sério pelo resto do mundo. O mesmo duplo sentido existe quando permitimos que a Cruz Vermelha visite os prisioneiros árabes em Israel, certificando que eles estão com seus ‘direitos’ humanos plenamente respeitados, enquanto que a ninguém foi permitido visitar Gilad Shalit, para ver como ele está passando. O lançamento acelerado dos mísseis Kassam mirando Israel começou como uma maratona comemorativa de grupos fundamentalistas armados, após a retirada tanto das tropas como das famílias da Faixa de Gaza, utilizando as ruínas dos assentamentos como base para lançamento dos mísseis... e mesmo assim ainda mostramos moderação. Até quando estabelecemos um embargo econômico, e sabendo que milhares de túneis foram construídos para contornar o embargo, demonstramos moderação. Toda a nossa moderação foi aceita com desprezo e adicionais ataques. Nossa atitude moderada foi interpretada como ‘Fraqueza'. Chegou a hora de ‘mudar as regras do jogo’. Não podemos mais ver as vidas dos habitantes de nossas cidades do sul em pânico, eles também merecem tranqüilidade. É dever de todo governo proteger seu povo... e nós, judeus, não somos exceção. Ao escrever estas palavras acabamos de receber uma circular da Guarda Nacional com instruções, enquanto a Operação Cast Lead continua.
As creches de segurança máxima podem permanecer funcionando como normalmente, as creches desprotegidas deverão permanecer fechadas, ou as crianças terão de ser removidas para áreas seguras. O staff das creches deverão ser expandidos, especialmente onde haja bebês, para que eles possam ser conduzidos em segurança.
Áreas a 10 quilômetros de Gaza, i.e. Hof Ashkelon, Yad Mordechai, Sderot, Shaar Henegev e outros assentamentos na área, terão 15 segundos a partir da hora em que o alarme soar, até que devam estar nos abrigos quando o míssil cair. Áreas a 20 km de Gaza, i.e. Eshkol, Shaar HaNegev, Lachish, Netivot e outros assentamentos na área, terão 30 segundos a partir da hora do soar do alarme até que estejam em abrigos quando os mísseis caírem. Áreas a 30 km de Gaza, i.e., Ashdod, Ofakim, Kiryat Malachi, Kiryat Gat, Nitzan, e outros assentamentos na área, terão 45 segundos a partir do soar do alarme até que estejam nos abrigos quando os mísseis caírem. A difícil situação econômica está prestes a piorar uma vez que muitas mulheres não poderão ir ao trabalho, os negócios irão falir totalmente, e o nível de estresse da população dará lugar a um medo mais arraigado. Nós, na WIZO, como sempre, estamos de braços abertos para ajudar a quem quer que precise, seja em nossas instituições ou em qualquer outra forma de assistência. Continuaremos monitorando a situação e as manterei informadas. Enquanto isto, rezemos para todos os nossos soldados, estejam eles em terra, no ar ou no mar.

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“O Hamas insiste em um ponto único:
a destruição do Estado de Israel”

Claudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil

A Confederação Israelita do Brasil/CONIB expressa sua mais alta preocupação com os episódios ocorridos em Israel e na Faixa de Gaza. Lamentavelmente, todo este fato retarda o processo para a paz na região, o que só pode ser conseguido mediante o desejo verdadeiro de diálogo entre judeus e palestinos. Entretanto, há que reconhecer também o direito do Estado de Israel em legitimamente se defender de ataques terroristas da milícia do Hamas. Desde 2005, Israel se retirou de Gaza, dando autonomia completa à Autoridade Palestina para que ali exercesse sua liderança. O fato é que a partir de 2006, esta mesma Autoridade Palestina foi expulsa progressivamente da região, foi dominada pelo Hamas, definido tanto pela União Européia, como pelos EUA, como um grupo terrorista internacional. Para que o diálogo possa existir entre Israel e o Hamas, três condições são fundamentais: o reconhecimento pelo Hamas do Estado de Israel, o compromisso de dar seguimento a acordos previamente estabelecidos entre Israel e os palestinos em gestões anteriores e o final da violência. Em nenhum destes pontos houve qualquer sinalização positiva. Muito pelo contrário, pois o Hamas insiste num ponto único, a destruição do Estado de Israel.
As últimas semanas foram marcadas por disparos permanentes de morteiros e foguetes contra civis israelenses. As tentativas de diálogo para que isso fosse interrompido se revelaram absolutamente infrutíferas. Frente a esta situação, Israel não teria alternativa que não a de defender seus cidadãos e exigir que seus vizinhos tenham um comportamento de convívio adequado. Muitos argumentam que existiriam alternativas não militares para Gaza. De fato, concordamos com isto, desde que os próprios palestinos que ali vivem decidam entre querer um convívio de diálogo e de mútua aceitação ou se preferem uma postura beligerante e extremista como a do grupo terrorista Hamas, que prega a destruição do Estado judeu. Desejamos que o diálogo seja imediatamente restabelecido e a paz alcançada. Entretanto, não podemos aceitar passivamente que atitudes que preguem destruição de um Estado, sejam elas menores ou maiores, continuem a ser responsáveis pela morte de civis, como vi acontecendo. Israel, assim como todas as nações, tem absoluto direito de se defender.

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Israelenses e palestinos têm direito à Paz !

Abraham Goldstein, co-presidente da B`nai B'rith do Brasil

A B'nai B'rith do Brasil lamenta o sofrimento imposto pelo grupo terrorista Hamas às populações civis israelenses e palestinas. Também lamenta a hipocrisia e unilateralidade dos que se beneficiam do desconhecimento e dos interesses imediatos de alguns, inclusive de governos, para fomentar a discórdia e a desunião, prejudicando todo e qualquer esforço de se conseguir uma paz justa, duradoura e respeitosa, para todos. Israel retirou-se, em 2001, da Faixa de Gaza na esperança de caminhar rumo à paz. Ledo engano, Apenas em 2008, 3000 foguetes Quassam foram disparados contra civis israelenses, a partir da Faixa de Gaza, sob o comando da organização terrorista Hamas. O Hamas foi escolhido em uma eleição palestina realizada em um momento histórico de muita confusão no emaranhado dos grupos de liderança regional. Em vez de oferecer uma opção de vida respeitosa aos seus eleitores, ofereceu o terror e a dominação imposta pela interpretação fundamentalista do Islã. Mais de 250 mil israelenses – crianças, jovens, idosos, homens e mulheres – vivem sob constante terror na região próxima à Gaza, imposto pelas ações do Hamas. São judeus, cristãos, árabes, drusos, dia e noite sob a mira dos mísseis e foguetes, que se tornam cada vez mais potentes, colocando mais cidades e civis em risco. Israel não teve escolha. Mais uma vez, teve que se empenhar numa guerra para defender os seus cidadãos. Fato que todo governo tem a responsabilidade de cumprir, ainda mais sendo um país democrático e de plenos poderes de cidadania ativos e presentes. Israel tem o direito, o dever e a responsabilidade de defender a sua população.
Todos os povos e cidadãos, inclusive palestinos e israelenses, têm direito à paz! A situação transcende as ações regionais, que são foco da atenção dos governos, populações e mídia. Há sim, no fundo da questão, uma longa e importante luta pelo poder no mundo islâmico. De um lado os governos sunitas: no Egito e Arábia Saudita. De outro, os xiitas, do Irã e da Síria, apoiando o Hamas e o Hezbollah. Os primeiros apóiam, mesmo com as suas limitações e exigências, a via da negociação e a busca da paz, os segundos o uso da força e a destruição de Israel, abrindo caminho para a imposição do Islã, não só na região, mas para todos os “infiéis” que eles puderem subjugar. Gerações alimentadas do ódio só levarão a mais violência. É preciso que as pessoas sejam esclarecidas, que os governos e a sociedade civil organizada que busca a paz, prosperidade e harmonia entre todas as etnias, religiões e culturas de nossa ampla diversidade, sejam capazes e tenham coragem para dar um basta, diplomaticamente, para todos, inclusive e especialmente às lideranças fundamentalistas islâmicas, que, ao invés de fomentar o ódio, a violência e todo o tipo de manifestações. busquem promover a educação para a democracia e cidadania, com liberdade e responsabilidade. Só assim, teremos um caminho que nos conduzirá ao Direito à paz para todos, com a convivência fraternal e harmoniosa entre os dois povos e os dois Estados: Israel e Palestina.

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A Guerra da civilização contra a guerra da barbárie

Herman Glanz, presidente da Organização Sionista do Brasil

A guerra em Gaza é uma guerra contra a guerra, isto deve ser esclarecido porque, como é colocada, unilateralmente, Israel é que ataca e desperta um antisemitismo extremo. Os aliados não atacaram a Alemanha: foram à guerra contra a guerra do nazismo alemão. Parece que as vidas de israelenses, e judeus em geral, não contam, não valem nada, ninguém se importa. O que vemos na mídia é que Israel ataca, agride, emprega força desproporcional, que Israel mata palestinos, mas nada se diz quando palestinos nazifascistas do Hamas atiram constantemente mísseis, obuses e morteiros, enviam homens-bomba, franco-atiradores do terror, que a mídia chama de militantes, matam israelenses, jogam pedras em veículos civis que passam nas estradas. Não se ouve uma única voz contra, tanto aqui como lá fora. A vida de judeus não é importante. A única mídia que colocou a situação como deve é, paradoxalmente, foi o Pravda, da Rússia. Vejam: não é só a existência de Israel, são judeus em geral, pelo mundo afora. Ninguém se importa com o sofrimento dos judeus. O que é desproporcionalidade? Israel deveria mandar 7.000 foguetes, além de morteiros e obuses, sobre Gaza, como o Hamas já mandou sobre Israel? Evidentemente a Cruz Vermelha Internacional protestaria, pois atingiriam civis; mas a mesma Cruz Vermelha não se manifestou uma única vez contra os 7.000 foguetes e outros tantos obuses e morteiros lançados sobre Israel. Curioso, não? Filme da Força Aérea de Israel mostra o lançamento de foguetes de escola das Nações Unidas, em Gaza. Isso vai contra a Convenção de Genebra, mas a Cruz Vermelha nada diz. As vidas de judeus não contam. Não se trata apenas da existência de Israel. Os terroristas do Hamas usam infraestrutura civil, como hospitais, mesquitas, escolas e áreas de organismos internacionais, como a ONU. Nenhum protesto da Cruz Vermelha, Anistia Internacional, Human Rigths Watch. As Nações Unidas não se reuniram e condenaram o Hamas pelos foguetes, morteiros e obuses sobre áreas civis de Israel, nem exigiram cessar essa violação da Convenção de Genebra.
Bernard Henri-Levy diz que a cabeça politicamente correta das pessoas, incluída a esquerda, não consegue ter pena de dois grupos ao mesmo tempo. Tendo escolhido os palestinos como coitadinhos, não sobra espaço para israelenses e judeus em geral. Se escolhem os do Timor-Leste, não sobra espaço para o genocídio de Darfur. E nos casos do Timor-Leste e Darfur, a guerra é também feita pelo islã, o que não se ouve de ninguém. A campanha pela negação do Holocausto serve para culpar os judeus pela exploração do seu martírio, sobrepujando o martírio dos outros e, ainda mais, serve para chamar os judeus de mentirosos, safados e exploradores, pois mistificam os fatos para levar vantagem. E dizem que essa exploração do Holocausto serviu para construir Israel, que assim fica deslegitimado. Mas Henri-Levy afirma que o Holocausto é realmente diferente, não pode ser comparado aos outros genocídios: no caso do Camboja os atacados podiam fugir para outros lugares, o mesmo para Darfur. Os judeus não tinham para onde fugir, ninguém os aceitava.
O Estatuto do Hamas fala claramente contra judeus. Elogiam os “Protocolos dos Sábios de Sião” como verdadeira prova das más intenções dos judeus. Figura claramente que Lions e Rotary são instituições sionistas para dominar o Islã, e que os judeus fizeram a Primeira Guerra e a Segunda Guerra para dominar o mundo. Israel desocupou completamente Gaza. O Hamas se elegeu e não buscou desenvolve-la, trazer investimentos, criar empregos. Contrabandeou armas para ir contra Israel. Estamos diante do conflito de civilizações, se é que podemos chamar de civilização a barbárie que se volta contra os judeus e o mundo ocidental em geral. Israel tem o direito e o dever de se defender e não ser agredido permanentemente. Isso não sai na mídia. Essa defesa está de acordo com a Lei Internacional. A agressão a Israel pelo Hamas, não é só contra Israel – é contra os judeus e o Ocidente. Não existe uma agressão israelense, é defesa contra a barbárie, dentro da lei. Aí, a propaganda, com a hedionda técnica goebbeliana, contra-ataca com a desproporcionalidade. Mas o que começa como um conflito localizado pode se espalhar se, por exemplo, o Irã resolver entrar na guerra. Enquanto não se eliminar a barbárie e ver a chegada dos moderados, não haverá paz, especialmente com um mundo intolerante, antissemita e bárbaro. Mas a pressão internacional sobre Israel, e não sobre o Hamas, pode fazer a guerra terminar, sem por um fim ao conflito. E isso pode interessar ao atual governo de Israel, que precisa de condições para as eleições.

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O conflito dos dois certos

Caio Blinder, jornalista

Afinal qual é o objetivo de Israel na sua guerra contra o Hamas? Restabelecer uma política de dissuasão, acenando com mais destruição caso o adversário continue a lançar foguetes é uma estratégia urgente, mas não de longo alcance. O inimigo se mostra disposto a absorver imensos sacrifícios, o que infelizmente se estende à população civil de Gaza. Este conceito militar de dissuasão é insuficiente com um inimigo não convencional. Gideon Lichfield, ex-correspondente da revista "The Economist" em Jerusalém, escreveu no "New York Times" que a política de dissuasão de Israel deve ser mais pragmática, começando com uma significativa melhoria das condições de vida em Gaza, o que contribuiria para deter o Hamas, pois um cenário econômico mais estável faria a organização pensar duas vezes antes de recorrer à violência para não perder apoio popular. Um calma temporária já seria um grande avanço.
Mas tal pragmatismo pode ser efetivo apenas a curto prazo, pois não leva em conta legítimas aspirações políticas da população. Lichefield sugere que, a longo prazo, Israel precisará aceitar que o Hamas não é um movimento marginal (embora hoje atue como delinquente) que possa ser desenraizado e destruído, na medida em que é parte vital da sociedade palestina.
Não é uma opção fácil e talvez nem viável, pois o Hamas pontifica a destruição de Israel, mas mesmo setores do establishment de segurança nacional em Israel argumentam que um trégua que persista por décadas quem sabe altere a maneira de pensar e agir do Hamas.
Divagar é preciso sobre a futilidade de uma lógica puramente militar e defensiva. Sim, apesar da ladainha daqueles que acham que o país tem propósitos genocidas (na jogada rasteira de equiparar o sionismo ao nazismo), a lógica de Israel é defensiva, embora truculenta e com consequência medonhas, como agora em Gaza. Mas viver em segurança significa assumir riscos como quando Menachem Begin assinou o tratado de paz com Anuar Sadat em 1979 ou Yitzhak Rabin abandonou a relutância e apertou a mão de Yasser Arafat em 1993. Claro que na ousadia houve mão dupla.
A não ser que se viva em estado de negação (negando o direito de existência de Israel ou das legítimas aspirações palestinas), os contornos de uma solução estão aí: dois Estados coexistindo (o palestino deve ser viável), Jerusalém como capital de dois países, aceitação pelos palestinos que os refugiados não poderão retornar à terra de origem e desmantelamento das colônias judaicas em território palestino.
Vale repetir o grande escritor israelense Amos Oz: é conflito entre os dois certos. O resto, mais do que destruição, é autodestruição.

Publicado no Último Segundo

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O assessor que sabia javanês

Carlos Brickmann, jornalista

Entre as tradições da diplomacia brasileira, há duas mais fortes do que todas as outras:
1 - O Itamaraty, nosso Ministério das Relações Exteriores, é extremamente profissional e competente, um celeiro de quadros de excelente qualidade para todas as áreas do governo;
2 - Os curiosos que se arvoram em diplomatas sempre dão errado, mesmo quando assumem com a fama de gênios. São como "O Homem que Sabia Javanês", de Lima Barreto: valem enquanto não aparece ninguém que fale javanês de verdade e fique demonstrado que não entendem nada. A fauna de curiosos que atrapalharam a diplomacia brasileira é rica. Envolve um ex--presidente que, embaixador em Portugal, teve como principal feito a construção de um galinheiro na residência oficial, para fornecer-lhe a matéria-prima essencial para o frango à mineira; e, transferido para a Itália, morando no magnífico palácio Doria Pamphili, não se sentia bem e passou a maior parte do tempo no Brasil. Houve um general de pijama, que fez parte da Junta Militar de 1969 (aquela que o deputado Ulysses Guimarães imortalizou com o nome de "Os Três Patetas"), que foi embaixador em Paris. Outro general, chefe dos subterrâneos das informações, virou embaixador em Lisboa -obrigado, Portugal, pela paciência que teve conosco! Apoiar a eleição de Evo Morales, que logo depois de tomar posse ocuparia militarmente as instalações da Petrobras? Apoiar a eleição de Rafael Correa, cujo maior sonho é não pagar o que deve ao Brasil? Ficar ao lado dos narcoterroristas das Farc, que a Colômbia atacou em território equatoriano? Tentar importar para nosso país a luta entre israelenses e palestinos -justo aqui, onde árabes e judeus convivem bem entre si, brasileiros que são? Intervir na política interna de um país vizinho, fornecendo gasolina para que o presidente venezuelano Hugo Chávez pudesse derrotar os grevistas da Petroleos de Venezuela e apoiando sua polêmica decisão de fechar a TV oposicionista?
Vestir-se com roupas de colonizador inglês na Índia para esperar, na selva colombiana, uma libertação de reféns que não ocorreu? Nada disso é Itamaraty: nossos diplomatas não fazem papel ridículo. Tudo isso é Marco Aurélio Garcia, o estranho especialista em política latino-americana que jamais escreveu nenhuma obra sobre o assunto, mas conseguiu se transformar em conselheiro do presidente Lula. Garcia, é bom que se recorde, não se limita às atividades paradiplomáticas: foi também aquele que fez o famoso "top, top", o obsceno "top, top" para comemorar o fato de que não era o governo o responsável pelo acidente da TAM que matou 199 pessoas -isso enquanto o país, de luto, não tinha como aceitar nenhuma comemoração. E é Marco Aurélio Garcia que, tomando partido numa luta com a qual o Brasil nada tem a ver, dá total razão aos palestinos do Hamas. A briga é deles, não nossa; mas Garcia conseguiu convencer Lula de que o Brasil pode ter êxito onde EUA, França, Rússia, Inglaterra e ONU falharam.
O Brasil, como país neutro, como ponto de convergência de árabes e judeus, poderia ter um papel importante na busca da paz. Mas, tomando partido, perdeu quaisquer condições de influir na região. Há poucos dias, o presidente Lula afastou Marco Aurélio Garcia da função de palpiteiro-mor de política externa, mas o manteve como assessor. Entretanto, sua influência sobre o presidente é tamanha, ou foi tamanha, que as coisas que diz são tomadas internacionalmente como o pensamento de Lula. É ruim para o presidente, é ruim para o Itamaraty, é pior para o Brasil. Talvez a solução fosse enviá-lo para a França, onde estudou, e onde estão os trotskistas que, há 40 anos, influenciaram sua cabeça stalinista. O ex-primeiro-ministro alemão Konrad Adenauer tem uma frase clássica, que é impossível não citar aqui: "O bom Deus, que limitou a inteligência humana, bem que poderia ter limitado também a estupidez".

Publicado na Folha de São Paulo

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Gaza: hora de golpear o terrorismo

Gustavo Ioschpe, mestre em desenvolvimento econômico
pela Universidade Yale, é articulista da revista “Veja”
e foi colaborador da Folha de São Paulo

A cobertura do conflito entre Israel e Hamas surpreende pela omissão de dois fatos simples e indispensáveis. Primeiro: Israel não ocupa Gaza desde 2005. Segundo: o Hamas é uma organização terrorista. Não são “milicianos”, “radicais”, “fundamentalistas”. O que diferencia o Hamas é o uso de métodos terroristas para alcançar seus objetivos. Objetivos, aliás, públicos e antigos: constam de sua carta de fundação, de 1988, solenemente ignorada pela imprensa. Em seu documento, o Hamas declara “trabalhar para impor a palavra de Alá sobre cada centímetro da Palestina” (art. 6º). Aqui, “Palestina” é a histórica: território que hoje inclui Israel, Gaza e Cisjordânia. Essa formulação prega a destruição de Israel e a criação de um Estado islâmico, governado pela sharia (a lei muçulmana). No artigo 7º, o Hamas cita “o profeta [Maomé]: “o julgamento final não virá até que os muçulmanos lutem contra os judeus e os matem’”. No artigo 11, declara que a Palestina é um “Waqf”: terra sagrada e inalienável para os muçulmanos até o Dia da Ressurreição e que, pela origem religiosa, não pode, no todo ou em parte, ser negociada ou devolvida a ninguém.
Há outros trechos interessantes - o Hamas deixa claro o papel dos intelectuais e das escolas, que é de doutrinamento para a jihad; das mulheres (”fazedora de homens” e administração do lar) e até determina o que é arte islâmica ou pagã -que permitem ao leitor antever o paraíso de liberdade em que se tornaria a Palestina caso a sua visão fosse concretizada. Também há artigos em que o antissemitismo do grupo acusa a comunidade judaica internacional de dominar a mídia e as finanças internacionais e de ter causado a Segunda Guerra Mundial, em que 6 milhões de judeus foram assassinados.
O documento flerta tanto com o ridículo que ele mesmo esclarece, no artigo 19, que “tudo isso é totalmente sério e não é piada, pois a nação comprometida com a jihad não conhece a jocosidade”. Quanto à seriedade do Hamas, não resta a menor dúvida, e seria bom que a comunidade internacional deixasse de tratá-los como pobres coitados e os visse como o que são: genocidas que só não implementam sua visão por inabilidade. A realidade no Oriente Médio mudou, mas a imprensa brasileira não se deu conta. Passou tanto tempo atacando Israel por sua ocupação contra os pobres palestinos que continuam a dirigir sua sanha acusatória três anos depois do fim da ocupação.
Qual é a justificativa do Hamas para disparar foguetes contra a população civil israelense? Nenhuma. Para alguns, seria uma reclamação contra o bloqueio da fronteira. Essa é uma maneira totalmente ilegítima e inaceitável de protestar. Para notar o absurdo, basta imaginar se o Uruguai resolvesse lançar foguetes sobre a Argentina quando esta bloqueou suas fronteiras por causa da “guerra das papeleiras”. Pode-se realmente exigir de Israel que abra suas fronteiras a uma organização que deseja destruí-lo? Por que o Egito também bloqueia sua fronteira com o Hamas (apesar de ninguém protestar por isso)? Será por que o grupo usa a fronteira para contrabandear armas?
Quaisquer que sejam as razões do Hamas para a campanha de pirotecnia -campanha assustadora, que já lançou mais de 3.500 foguetes contra Israel-, nenhum Estado pode tolerar essa agressão contra seus cidadãos. Comentaristas sugerem a resolução do problema por vias pacíficas, mas ninguém menciona exatamente como se daria a negociação, já que o Hamas não reconhece a existência de Israel. Aqueles que reconhecem o direito de resposta de Israel o fazem com duas condicionantes: que a resposta seja proporcional ao ataque e que civis não sejam vitimados.
A exigência de proporcionalidade é uma sandice. Levada ao pé da letra, significa pedir que um Estado democrático constitucional lance foguetes a esmo contra uma população civil indefesa. Outra “saída” seria a morte de mais soldados israelenses. Ou, melhor ainda, civis. Ninguém menciona que, na Segunda Guerra, morreram 22 vezes mais civis alemães do que ingleses. O dado é ignorado com razão. A contabilidade é irrelevante. Hitler precisava ser derrotado.
É certo que a morte de qualquer civil é uma tragédia. Uma vida é uma vida. Mas, quando os acusadores se espantam que 20% ou 25% dos mortos sejam civis, eu me espanto pelo contrário: é preciso enorme controle e apreço pela vida de inocentes para que, em uma região densamente povoada e contra um inimigo que se esconde em regiões urbanas, o índice de acerto seja de 75% a 80%. Os membros do Hamas se escondem em áreas residenciais, em prédios cheios de crianças. Agem de tal maneira que, em seu confronto com as democracias ocidentais, nós sempre saímos perdendo: ou pagamos com as vidas de nossos civis ou com um pouco da nossa civilidade.
Não há maneira militar de derrota-los em definitivo. A melhor saída é drenar o pântano: chegar a um Estado palestino com os moderados do Fatah e investir para que o atraso econômico e a sensação de derrota e humilhação de muitos países árabes sejam amenizados. Fazer com que o caminho da paz e da prosperidade seja mais atraente que o terrorismo. Enquanto isso não acontece, é preciso mão forte para combater o terrorismo que já nos atinge. Ontem em Nova York, hoje em Gaza, amanhã provavelmente em outras capitais do mundo civilizado.

Publicado na Folha de São Paulo

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"Por que o mundo ocidental não condena os aiatolás
iranianos e seu manda-chuva Ajmadinejad ?"

Luis Milman, jornalista, filósofo e professor da pós-graduação
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Poucos (e não me refiro apenas ao Brasil) possuem o necessário discernimento para compreender o que ocorre hoje no Oriente Médio. O pensamento medíocre de nossos jornalistas, sociólogos, historiadores e palpiteiros fabula uma mítica vitimização dos palestinos e julga, a partir de falsas premissas, que Israel é o país mais forte da região. Erro crasso. É precisamente o contrário. Israel é o único, por ser o mais vulnerável dentre todos os países do planeta, que não pode perder uma guerra. Por quê? Ora, porque a derrota, para Israel, é o mesmo que a extinção. Não é preciso fazer uma incursão histórica ou sociológica muito profunda para que se chegue a esta conclusão. Basta olhar o Mapa Mundi e enxergar. Qual é o tamanho daquele país? 20 mil quilômetros quadrados! Onde ele está? Espremido entre o Mediterrâneo e a Cisjordânia (sua fronteira oriental), o Líbano e a Síria (sua fronteira setentrional), Gaza e o Egito (sua fronteira sul). Entre Tel-Aviv e Ramalah, a distância é de 60 quilômetros (quase a mesma distância existente entre Porto Alegre e Nova Hamburgo, no Rio Grande do Sul). Entre Jerusalém e Belém, é de 3 quilômetros! Que outro país do mundo pode se dizer viável, do ponto de vista de sua segurança (e esta é a questão existencial de Israel ao longo de todas as guerras que lutou no século XX) com um território destes? E com uma população de apenas 6 milhões de pessoas (incluindo 1 milhão de árabes que se dizem palestinos)! Além do mais, todas as suas fronteiras são hostis.
E Israel é que é forte? Bem, outro ponto. Quando Hitler estava em seu bunker em Berlim, quando a Alemanha já estava devastada e derrotada, quando os russos já estavam na Polônia e os aliados na fronteira sul da Alemanha, a máquina genocida nazista continuava, em ritmo mais do que acelerado, a matar judeus (milhares por dias) em vários campos de extermínio. Por quê? Quem pode responder? Quando a ONU anunciou, em 1948, a partilha em dois estados - um árabe e outro judeu - no que restara da antiga (antiga nos tempos modernos, sob o mandato dos ingleses) Palestina (a maior parte, a Transjordânia, havia sido entregue ao rei hashemita Abdalah, pela Inglaterra, em 1922), por quê cinco países árabes, além dos árabes da Cisjordânia, não aceitaram a partilha e invadiram o recém criado Estado de Israel? Por quê? Por que Israel, depois de vencer a Guerra de 1973 contra o Egito, a Síria, a Jordânia e o Líbano, com o apoio de todo mundo árabe, devolveu toda a Península do Sinai, que ele conquistara na Guerra de 1967 (assim novamente estreitando sua profundidade estratégica), em troca apenas de um tratado de paz com o Egito? Que outro país do mundo faria isto? Que outro país do mundo devolve território conquistado depois de uma guerra defensiva? Por que, em 1990, quando os EUA invadiram o Iraque de Sadam Hussein pela primeira vez, o então tirano iraquiano lançou dezenas e dezenas de mísseis de longo alcance, os scuds, contra Israel? Por que, depois de 7 anos decorridos da assinatura dos acordos de Oslo em Camp David (em 1993), ou seja, já em 2000, Arafat - o líder de uma organização que até 1992 era totalmente terrorista - não aceitou a oferta oficial de Ehud Barak, então primeiro-ministro israelense, em troca tão somente de paz, oferta que consistia no seguinte: (a) a criação de um estado palestino (que jamais existiu antes na História) em 98% da Cisjordânia e 100% da Faixa de Gaza; (b) a entrega de 55% da cidade de Jerusalém para os palestinos instalarem sua capital; (c) a admissão de retorno de milhares de refugiados palestinos para Israel e uma indenização financeira para aqueles que não poderiam retornar e, (d) o desmantelamento de todas colônias judaicas na Cisjordânia. Por que Arafat não aceitou? Por que, desde a assinatura dos acordos de Oslo, o Fatah (que em teoria passou a aceitar a existência de Israel), o Hamas, a Jihad Islâmica, e outra dezena de pequenos grupos terroristas, mataram mais de mil civis israelenses em Israel, em toda sorte de atentados alucinados?
Por que Israel deixou totalmente a Faixa de Gaza em 2005, de forma unilateral? Por que o Hamas, depois da retirada total israelense de Gaza, transformou aquele pedaço de terra numa frente de batalha contínua contra Israel, treinando e equipando um pequeno exército de 20 mil homens, preparando homens, mulheres e jovens-bomba e fixando bases de lançamento de mísseis de pequeno alcançe para atingir Israel, justamente nos centros urbanos densamente povoados e nas fazendas judaicas desocupadas no norte da faixa de Gaza? Por que, finalmente, o Mundo Ocidental sempre se calou diante disto tudo e agora, mais uma vez, em voz uníssona (menos os EUA e a Austrália) condenam uma operação que visa liquidar o Hamas de uma vez por todas e com isso impedir que o Irã, que subsidia financeiramente e fornece armamento para aqueles terroristas assassinos, se instale a 30 quilômetros do maior porto de Israel, Ashdod? Por que o mundo ocidental não condena, com veemência, os aiatolás iranianos e seu manda-chuva Ajmadinejad, o presidente daquele país de delirantes anti-semitas, quando este afirma, todos os dias, que o Holocausto não existiu e que a decisiva, maior e definitiva meta do Irã e do Islam é destruir Israel e os judeus)? E a Alemanha, que ousou condenar a ofensiva israelense contra o Hamas? A Alemanha!!!! Ou a Rússia de Putin (ela também pediu o fim imediato da operação de Israel), que promove, quando lhe dá na telha, massacres indiscriminados de civis em "sua área de influência", arrancando apenas um módico "Oh!, que feio" do mundo ocidental? E o Conselho de Segurança da ONU, que já se reuniu a pedido da Líbia, aquele exemplo de democracia e respeito aos direitos humanos, para comunicar que exige o fim da violência de ambas as partes no conflito? Mas como? Que partes? O Hamas é membro da ONU? Quando mandava seus assassinos ou remete seus foguetes contra Israel, não há "partes para serem chamadas"? Ou o Conselho de Segurança pediu à China para que parasse com o recente massacre no Tibet? Claro que não! Afinal, um protesto da "comunidade internacional" poderia atrapalhar aquela majestosa Olimpíada. Como, de resto, foram também majestosas as Olimpíadas de 1936, promovidas pela Alemanha Nazista, e a de 1980, pelos soviéticos. A comunidade internacional não gosta de comprometer competições esportivas com questões menores! Mas, enfim, por que Israel? Fica a pergunta!

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Gaza: o problema não é Israel x Palestina

Marx Golgher

A crise de Gaza não é questão de Israel x Palestina, como muitos imaginam equivocadamente. Basta atentar que existem lideres israelenses, palestinos, árabes, que almejam a paz, mas são impossibilitados de concretizá-la por contrariarem pela raiz o Islã radical e terrorista que não admite a existência de países "infiéis" ou seja, Estados não submetidos ao Corão, à Sharia e aos ensinamentos do Profeta. O grupo islamita Hamas, ao repudiar a existência de Israel, marcando posição contra o grupo palestino Fatah, que está em conversações pacificas com Israel, lança-se aos atentados terroristas, disparando milhares de foguetes Kassam e projéteis de morteiros sobre a população civil israelense.
Mas isso não é novidade alguma no mundo. Essa atitude intolerante e terrorista do Hamas assume outro grupo islamita na Ásia, criado no Afeganistão em 1989, o Lashkar-e-Taiba, que se tornou um dos mais ativos grupos terrorista do continente, atuando principalmente contra os hindus na Índia. O seu mais recente atentado se deu em Mumbai quando os fanáticos de Aláh e seu Profeta vindos do Paquistão muçulmano assassinaram mais de 200 pessoas inocentes, por não admitirem a existência da província da Cachemira indiana, exigindo que ela se transforme, tal qual o Hamas planeja para Israel, em uma Republica Islâmica. Certo é que, enquanto o terrorismo islamita não for combatido, contido e dominado, tal como o foi no século XII, no primeiro surto do terror muçulmano que cunhou o termo "assassino", ninguém no planeta terá segurança.
Mais: o que há de comum na morte dos seguintes brasileiros abaixo? Foram todos massacrados em atentados terroristas realizados em nome de "alá" e do profeta Maomé:

A - João José Vasconcelos. Engenheiro de Minas Gerais que trabalhava em uma termoelétrica no Iraque, estando a bem servir ao povo iraquiano ao livrá-lo do inferno dos apagões diários, quando foi seqüestrado e chacinado covardemente pelos êmulos do Hamas, o grupo terrorista iraquiano Brigada Mjuardhin, aliado ao Exército islamita Ansar al Sunna.
B - Ana Marie Sallerin Fereira, Ivan Fairbanks Barbosa, Sandra Fajardo Smaith e Nilton Albuquerque. Foram trucidados quando trabalhavam pacificamente na torre norte do World Center que ruiu atacado por um avião-bomba da Al-Queda de Bin Laden.
C - Sergio Santos da Silva. Humilde pedreiro que foi explodido quando ia para o trabalho, em um trem urbano de Madrid junto a mais 200 operários em nome de Alá e Profeta Maomé.
D - Marco Antonio Farias. Sargento das forças do Brasil integrantes da Força de Paz no Timor Leste que teve o corpo despedaçado por um terrível atentado em Bali, quando mais de 200 turistas foram massacrados a bomba, quando estava em gozo de férias da missão de garantir a independência do povo timorense, alvo de ocupação do exército islamita da Indonésia, que massacrou mais de 200 mil cristãos que se recusarem a se converter ao Islã.
E - Sergio Vieira de Melo. Brilhante diplomata brasileiro da ONU que atuou no Timor, criando as bases administrativas do novo país livre e democrático, bem como atuou na antiga Iugoslávia, impedindo o massacre da população islâmica de Kosovo, promovendo a paz na região, mas que ironicamente foi explodido em um atentado a caminhão-bomba islamita na embaixada da ONU em Bagdá quando estava em missão de prover a paz no Iraque, pondo fim à intervenção americana.

Como se evidencia, não apenas Israel, mas o mundo todo está envolvido na Guerra Santa - Jihad - contra os infiéis que não se converteram ao Islã, no sentido de instalar o Califado universal sob o domínio das Leis Divinas do Corão, todos submetidos a Alá e a mensagem do Profeta Maomé, interpretadas pelos aiatolás, mulhas, muftis etc. E ao terrorista islamita que morrer na Jihad, estará garantido um lugar no Paraíso maometano com 70 virgens a sua disposição. Assim, os jihadistas assassinam, matam, massacram, chacinam gente inocente em todo o mundo, em nome glorioso de Alá e Profeta Maomé, mas quando são impedidos de sua missão mais sagrada, como é o caso da defesa de Israel dos mísseis do Hamas, se fazem de coitadinhos, vitimas de "opressores sionistas". E tem gente que cai nessa mistificação, por não conhecer a realidade horrenda do que é, do que faz o Islã radical e terrorista, inclusive contra brasileiros inocentes simplesmente por serem "infiéis" cristãos.

Fonte: Pletz

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"A ignorância tem cura. A estupidez é que não"

João Pereira Coutinho

Israel está novamente em guerra com os terroristas do Hamas, e não existe comediante na face da Terra que não tenha opinião a respeito. Engraçado. Faz lembrar a última vez que estive em Israel e ouvi, quase sem acreditar, um colega meu, acadêmico, que em pleno Ministério da Defesa, em Jerusalém, começou a "ensinar" os analistas do sítio sobre a melhor forma de acabarem com o conflito. Israel luta há 60 anos por reconhecimento e paz. Mas ele, professor em Coimbra, acreditava que tinha a chave do problema. Recordo a cara dos israelenses quando ele começou o seu delírio. Uma mistura de incredulidade e compaixão. Não vou gastar o meu latim a tentar convencer os leitores desta Folha sobre quem tem, ou não tem, razão na guerra em curso. Prefiro contar uma história.
Imaginem os leitores que, em 1967, o Brasil era atacado por três potências da América Latina. As potências desejavam destruir o país e aniquilar cada um dos brasileiros. O Brasil venceria essa guerra e, por motivos de segurança, ocupava, digamos, o Uruguai, um dos agressores derrotados. Os anos passavam. A situação no ocupado Uruguai era intolerável: a presença brasileira no país recebia a condenação da esmagadora maioria do mundo e, além disso, a ocupação brasileira fizera despertar um grupo terrorista uruguaio que atacava indiscriminadamente civis brasileiros no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Perante esse cenário, o Brasil chegaria à conclusão de que só existiria verdadeira paz quando os uruguaios tivessem o seu Estado, o que implicava a retirada das tropas e dos colonos brasileiros da região. Dito e feito: em 2005, o Brasil se retira do Uruguai convencido de que essa concessão é o primeiro passo para a existência de dois Estados soberanos: o Brasil e o Uruguai.
Acontece que os uruguaios não pensam da mesma forma e, chamados às urnas, eles resolvem eleger um grupo terrorista ainda mais radical do que o anterior. Um grupo terrorista que não tem como objetivo a existência de dois Estados, mas a existência de um único Estado pela eliminação total do Brasil e do seu povo. É assim que, nos três anos seguintes à retirada, os terroristas uruguaios lançam mais de 6.000 foguetes contra o Sul do Brasil, atingindo as povoações fronteiriças e matando indiscriminadamente civis brasileiros. A morte dos brasileiros não provoca nenhuma comoção internacional.
Subitamente, surge um período de trégua, mediado por um país da América Latina interessado em promover a paz e regressar ao paradigma dos "dois Estados". O Brasil respeita a trégua de seis meses; mas o grupo terrorista uruguaio decide quebrá-la, lançando 300 mísseis, matando civis brasileiros e aterrorizando as populações do Sul.
Pergunta: o que faz o presidente do Brasil? Esqueçam o presidente real, que pelos vistos jamais defenderia o seu povo da agressão. Na minha história imaginária, o presidente brasileiro entenderia que era seu dever proteger os brasileiros e começaria a bombardear as posições dos terroristas uruguaios. Os bombardeios, ao contrário dos foguetes lançados pelos terroristas, não se fazem contra alvos civis - mas contra alvos terroristas. Infelizmente, os terroristas têm por hábito usar as populações civis do Uruguai como escudos humanos, o que provoca baixas civis. Perante a resposta do Brasil, o mundo inteiro, com a exceção dos Estados Unidos, condena veementemente o Brasil e exige o fim dos ataques ao Uruguai.
Sem sucesso. O Brasil, apostado em neutralizar a estrutura terrorista uruguaia, não atende aos apelos da comunidade internacional por entender que é a sua sobrevivência que está em causa. E invade o Uruguai de forma a terminar, de um vez por todas, com a agressão de que é vítima desde que retirou voluntariamente da região em 2005.
Além disso, o Brasil também sabe que os terroristas uruguaios não estão sós; eles são treinados e financiados por uma grande potência da América Latina (a Argentina, por exemplo). A Argentina, liderada por um genocida, deseja ter capacidade nuclear para "riscar o Brasil do mapa". Fim da história? Quase, leitores, quase. Agora, por favor, mudem os nomes. Onde está "Brasil", leiam "Israel". Onde está "Uruguai", leiam "Gaza". Onde está "Argentina", leiam "Irã". Onde está "América Latina", leiam "Oriente Médio". E tirem as suas conclusões. A ignorância tem cura. A estupidez é que não.

Publicado na Folha de São Paulo

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A trégua que nunca existiu

Eduardo Kohn, diretor da B'nai B'rith Internacional para a América Latina

Quando a comunidade internacional, e alguns de seus organismos com sérias dificuldades de visão, começam a falar da “situação humanitária de Gaza”, já sabemos a letra e a música da velha, desgastada e obsoleta canção. A “situação humanitária de Gaza” há mais de três anos, desde que o Governo de Israel se retirou unilateralmente, deve-se a seus governantes, mais concretamente ao Hamas, que, através de um cruel golpe de estado e matanças de compatriotas palestinos, dirige uma férrea ditadura, onde a lei penal é digna de quem a impõem: amputações de membros, flagelações, forca.
O Hamas, em lugar de converter sua área de governo em um local habitável, transformou-a em uma base militar com grande apoio do exterior (fundamentalmente do Irã) a partir do qual bombardeia um dia sim e no outro também o seu vizinho Israel, em especial as suas crianças nos jardins de infância nas cidades fronteiriças; aos civis que caminham pelas ruas; aos que estão nos supermercados ou em suas casas em Sderot, Ashkelon etc. Há alguns meses, se fez um enorme barulho em termos internacionais, assinalando que haveria uma “trégua” entre o Hamas e Israel. Já então nos perguntamos como se pode falar de trégua entre uma organização que através do terrorismo persegue seu objetivo, que é exterminar seu vizinho, e um Estado de Direito. Mas, se mesmo assim os analistas que gostam de usar uma linguagem descuidada, querem falar de “trégua”, também lhes falta não somente base idiomática, mas também a da realidade. O Hamas nunca deixou de disparar foguetes contra os civis israelenses em seis meses de “trégua”. Nunca modificou uma letra de seu discurso genocida, e, enquanto isso, foi se armando cada vez mais. Hoje, o Hamas tem, na Faixa de Gaza, 15.000 homens armados, equipados por seus mentores iranianos, e assessorados pelo Hezbollah. Armas de todo tipo; foguetes de longo alcance que hoje pode atingir a um milhão de civis israelenses.
Ninguém, nos organismos internacionais e/ou nos meios de comunicação de massa internacionais, se perguntou como se arma até os dentes uma organização terrorista paramilitar debaixo do nariz dos enviados da ONU estacionados na área? Ninguém, nos organismos internacionais e/ou nos meios de comunicação de massa internacionais, sequer perguntou como vive uma população civil como a de Gaza, com grave penúria econômica, rodeada de milhares de famílias que têm tudo o que necessitam, porque integram a elite de homens armados, equipados e alimentados para disseminar o terror, a violência e o constante estado de ódio e beligerância? O que é uma “escalada da violência”? Ontem caíram 80 foguetes em várias cidades e povoados israelenses: destruição física, psicológica e material. Hoje, não cairão menos. Antes de ontem a mesma história. Para frente e para traz no tempo, é sempre igual. O que pediriam os habitantes de Paris ou de Madrid ou de Nova York se fossem alvo de 80 foguetes por dia, durante dias, meses, anos? O que fariam seus governantes? Pois bem, o Governo de Israel vai reagir à barbárie a que está submetida sua população civil, porque, se não o fizer, estará sendo gravemente omisso em relação ao seu dever de proteger seus cidadãos, como corresponde a todo governo. Israel vai reagir, e imediatamente os organismos internacionais correrão a se reunir para falar do “uso desproporcional da força”.
Os convidamos a ir a Sderot e ficar vivendo lá por 15 dias. Não três anos, somente duas semanas. Depois dessa vivência, gostaríamos de saber como se sentiriam os que votam condenações automáticas, inúteis e irritantes (se têm coragem e ânimo para aceitar o convite), experimentando na própria carne como se “desfruta” não poder enviar os filhos à escola; correr para os abrigos; ir ao supermercado com medo; e tudo isso se tiver sorte, porque se caminhar por uma linda praça e ouvir uma sirene, o foguete lançado pelo Hamas o assassinará cortando-o em pedaços, porque não terá 30 segundos para chegar a um abrigo anti-aéreo.
E um segundo convite aos membros destes organismos internacionais: se aceitaram ir a Sderot, depois não se esqueçam em redefinir o “uso desproporcional da força”.
A “escalada” parece inevitável porque nunca houve uma “trégua”. E as conseqüências serão mais civis de ambos os lados sofrendo de forma infame; mais armas do Irã para o Hamas porque ali o que importa é o ódio e não a vida humana; mais declarações altissonantes a partir de poltronas acolchoadas; e a sensação multiplicada de que este enfrentamento leva a um interminável caminho de final difícil de avistar por enquanto, mas como disse a ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, é um caminho que não tem saída enquanto o Hamas governar Gaza.


"Israel é mais seguro do que o Rio de Janeiro"

O designer Gabriel Paciornik trocou, há 12 anos, Curitiba por Ramat Gan, um bairro ao lado de Tel-Aviv, cidade que é o principal centro econômico de Israel, para cursar a faculdade. "Fiquei em Israel por um conjunto de coisas: trabalho, estudos, qualidade de vida". Mesmo estando longe do conflito da Faixa de Gaza, Gabriel sente os impactos em sua região e descreve como está a situação: "As pessoas não estão nas ruas. Todas as instituições de ensino estão fechadas, desde jardins de infância às faculdades. Quem tem criança pequena, tem saído para casas de parentes e amigos fora da região". Apesar dos riscos das bombas, o designer considera o país que escolheu para viver mais seguro do que o país em que nasceu. "Até nestas épocas de conflito, acho que é mais seguro andar aqui do que no Brasil", explica. Gabriel conta que não tem medo de sair na rua de madrugada e que anda de bicicleta com frequência. "Nunca vi assalto aqui. Israel é mais seguro que o Rio de Janeiro. Esta situação (dos ataques) existe há oito anos, a diferença é que somente agora a imprensa noticia", ressalta.
O brasileiro explica que em todo o país existem abrigos com parede dupla de concreto. "Toda vez que é detectada uma bomba, soa um alarme. As pessoas têm de 15 a 30 segundos para ir para o seu abrigo". Segundo Gabriel, todos os prédios construídos desde 1980 têm esses esconderijos. Quem mora em um prédio mais antigo procura os abrigos coletivos, que em época de paz funcionam como centros de convivência e esportes para crianças e adolescentes. "Alguns abrigos são equipados com camas e todas as facilidades para abrigar as pessoas por mais tempo, caso seja necessário", diz.

Publicado pela Agência Brasil

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A declaração dos direitos de homens,
mulheres e crianças e a Educação

Claudia Costin, vice-presidente da Fundação Victor Civita,
professora do Ibmec-SP e ex-secretária da Cultura do
Estado de São Paulo. Assumirá em 2009 a Secretaria
Municipal da Educação do Rio de Janeiro

Há cerca de 60 anos, num momento de reencontro do mundo consigo mesmo, após o Holocausto e todo tipo de massacres, foi promulgada pela Assembléia Geral das Nações Unidas a Declaração Universal dos Direitos Humanos, inspirada pelo Bill of Rights inglês de 1689 e pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada em 1789 pela Assembléia, nos inícios da Revolução Francesa. No texto da Declaração, direitos como a vida, a liberdade, a segurança pessoal, o acesso à justiça e a presunção de inocência até o estabelecimento judicial da culpa são assegurados junto com vedações como o de escravizar pessoas, interferir na sua vida privada, na família, no lar ou na correspondência, ou atacar sua honra e reputação. Este aniversário deve ser motivo de profunda reflexão sobre o quanto evoluímos neste assunto. Não por acaso, os direitos humanos guardam forte relação com a democracia moderna que, apesar de ter surgido num determinado momento histórico- associada à forma de estruturação do Estado e do poder pelas 13 colônias americanas que se reuniram para constituir o que depois foi saudado e analisado por Tocqueville no seu célebre “La démocratie en Amérique”.
O aristocrata francês entusiasmou-se com a participação da população nas atividades da polis, embora não tenha notado a exclusão de escravos e a existência da pobreza. Mas nem por isso sua análise perde validade e relevância. A democracia iria, progressivamente, incorporar contingentes maiores da população, ampliando-se para se configurar na poliarquia de Robert Dahl- um sistema em que, além de se admitir o direito de uma oposição organizada, a maioria da população tem o direito de participar exercendo direitos políticos entre os quais o de escolher seus representantes.
Bill Clinton, em palestra recente no Brasil, definiu a democracia como o governo da maioria, respeitados os direitos da minoria. Embora não possamos dizer que ele foi original, pois outros o disseram antes dele, a democracia não pode mais ser entendida apenas como “a maioria decide”, se esta decisão implicar em prejuízo a direitos de grupos étnicos, raciais, religiosos ou de gênero (desde que estes direitos não se coloquem em detrimento dos de outros grupos e não se pretendam totalizantes ou totalitários). A democracia passa hoje, necessariamente pelo respeito à Declaração Universal dos Direitos Humanos o que, por sua vez, dificilmente pode ocorrer num contexto não democrático.
A abordagem dos governos democráticos, em países desenvolvidos, tem se pautado, ao menos no discurso, pelos artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Poucos defendem explicitamente um desrespeito ao que, em 1948, ainda com predomínio de governos autoritários e dominação de nações por outras (seja diretamente por meio dos impérios coloniais, seja indiretamente via as neo-colônias da guerra fria), fora aprovado por boa parte dos países. O discurso exprime uma opinião pública que reage ao desrespeito a direitos, de forma vociferante na mídia e militante em manifestações de ONGs. O século passado, dizia Fernando Pedreira, modificou profundamente a opinião pública após a derrota do nazi-fascismo.
Mas não nos enganemos. A lei demanda um olhar vigilante da cidadania. Os preceitos da Declaração são desafiadores, pois demandam não apenas ações de governantes, mas uma solidariedade entre pessoas e gerações. Não é à toa que seu preâmbulo coloca o documento como “o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações”, sugerindo que cada indivíduo e cada órgão da sociedade se esforcem, através do ensino e da educação, por promover o respeito aos direitos e liberdades explicitados na Declaração.
É um texto que coloca obrigações não só sobre governos, como também sobre indivíduos que, com sua inclusão em boa parte das Constituições nacionais, passaram a ter que respeitar o outro como portador de direitos, como pessoa, independente da raça, etnia, credo ou orientação sexual. E, para tanto, aponta um percurso, além da criminalização de condutas: a Educação, uma abordagem preventiva. A mesma educação que pôde ser xenófoba na velha Europa, jogando povos uns contra os outros (e que ainda o é em parte do mundo), pode, se for baseada em valores de celebração das diferenças, na constatação de que partilhamos a mesma condição humana, levar a Humanidade a edificar uma sociedade de paz e de convívio com as múltiplas identidades que a integram (e que convivem, como diz Amartya Sen, inclusive dentro de nós mesmos- afinal, somos um e somos muitos).
Não é por acaso que Jacques Delors, em seu célebre relatório sobre a Educação para o século XXI, dizia que ela deveria se basear sobre quatro pilares: aprender a ser, aprender a aprender, aprender a fazer e mais importante ainda, aprender a viver juntos. Neste sentido, a educação deveria, por um lado, transmitir conhecimentos sobre a diversidade da espécie humana e, por outro, levar o estudante, confortável com suas origens e história familiar, a tomar conhecimento da semelhança e da interdependência entre todos os seres humanos do planeta. Para que nunca mais genocídios possam ser praticados, crianças e mulheres agredidas ou impedidas de se desenvolver e realizar seu potencial, pessoas vedadas de trabalhar, estudar ou galgar posições mais elevadas em suas carreiras por suas origens étnicas ou crenças, velhos e homossexuais humilhados em público por sua condição. Para que nunca mais o preconceito triunfe sobre a vida.

Publicado pela B´nai B´rith


ENTREVISTA EXCLUSIVA
Jornalista Arnaldo Bloch

Já na terceira edição, revista e ampliada, o recém-lançado livro "Os irmãos Karamabloch", do jornalista Arnaldo Bloch, narra a epopéia de sua família com humor e sensibilidade literária.
O autor é neto e xará de um dos "irmãos Karamabloch" - como o escritor Otto Lara Resende chamava os irmãos Bóris, Arnaldo e Adolpho Bloch, em uma referência evidente aos atormentados “Irmãos Karamazov”, título do último romance do escritor russo Fiódor de Dostoiévski.

Acompanhe abaixo a entrevista exclusiva ao Jornal ALEF:

Quem é Arnaldo Bloch, judaicamente falando ?
Judaicamente falando Arnaldo Bloch é um carioca que gosta de futebol e música brasileira, ama o país em que nasceu, bem como a herança judaica, multifacetada, mais cultural, étnica, diaspórica, do que religiosa ou "nacional". Judaicamente falando Arnaldo Bloch é alguém que faz questão de não se alinhar automaticamente a Israel seja quais forem os seus atos, aplaudindo os que julga bons, vaiando os que não se coadunam com a ética. Judaicamente falando Arnaldo Bloch é a favor de um estado palestino. Judaicamente falando Arnaldo Bloch acredita que a comunidade judaica no Brasil devia se espelhar na democracia israelense e acolher de maneira mais sábia as opiniões que não soam em uníssono.

Arnaldo Bloch com Ruth e
Arnaldo Niskier, ex-diretor da Manchete

O que significou nascer no “clã Bloch” ? Como é “carregar” este nome ? Cite fatos curiosos de sua infância/adolescência de quando conviveu com personagens do livro.
Nascer no clã Bloch, ou "na barriga da família", como descrevo no livro, foi nascer diante de uma estranha esfinge de várias cabeças de pais, tios, tias, primos, primas, e ter que interpretar o mundo a partir desta célula em polvorosa. Carregar este nome é carregar uma grande aventura humana, como a de outras famílias de imigrantes, com suas belezas, feiúras, orgulhos e vergonhas. Um fato curioso é o de ter sido capa de Manchete, nu, com um ano de idade, à minha revelia... os demais vou deixar o leitor do ALEF descobrir no livro, afinal, Chanuká vem aí e é hora de ir à livraria!!!!!

Como um “Bloch”, nascido na “família Manchete”, foi trabalhar nas Organizações Globo ?
Aos 28 anos, trabalhando para a família como correspondente e representante de Manchete em Paris, percebi que a nau ia afundar e decidi pular do barco primeiro (afinal, se eu não era capitão, por que ia pular por último???). Piadas à parte, eu tinha que, enfim, "sair da barriga da família", sob o risco de nunca saber quem eu era no mundo lá fora. Decidi correr este risco antes que fosse tarde demais. E deu certo.

Da direita para a esquerda:
Arnaldo Bloch com Samy, Suzana
e Osias Wurman, ex-diretor da Manchete

Qual é a principal mensagem que você procurou transmitir no livro ?
A de que a realidade não pode prescindir das luzes e das sombras, do real e do imaginário, das várias vozes que compõem uma história. E a de que, como diz o judaísmo, a corrente da vida eterna se solidifica em vida através da memória que se tem de seus mortos. Isso é um belo preceito, que vale tanto religiosa quanto filosoficamente.

Ao “mergulhar” na pesquisa e nas entrevistas, o que mais o emocionou ? O que mais o impressionou ? O que mais o surpreendeu ? Algum lugar, alguma frase, alguma história...
Sem dúvida o ápice da emoção de escrever este livro foi a visita, em 2001, à Ucrânia. Descobrir como, mesmo com sua malha urbana prejudicada pelas sucessivas guerras, a pequena cidade de Jitomir, seu rio de águas negras, suas duas colinas, suas florestas, sua topografia, se descortinavam a meus olhos como nos relatos das tias anciãs, e que nos registros rabínicos da municipalidade iam surgindo, em ídish e em russo, os nomes dos antepassados.

Arnaldo Bloch com o
"casseta" Marcelo Madureira

Você tem dito que o livro une realidade e ficção, que se misturam ao longo da obra. O leitor consegue perceber nitidamente esta diferença ?
É difícil perceber, pois a grande massa é mesmo de realidade, em seu sentido maior. Talvez alguns detalhes da parte mais remota do livro apareçam um pouco como lances de realismo fantástico, ou lendas de Scholem Aleichem, figuras esvoaçantes de Chagall, mas não se enganem: muitas vezes o que mais parece irreal é a realidade mais objetiva, e aquilo mais corriqueiro é que é criado para dar a liga do grande bolo da história.

É difícil imaginar como uma família oriunda de uma remota aldeia da Ucrânia, que chegou ao Brasil praticamente sem nada, depois de enfrentar os horrores das guerras e perseguições, construiu um dos maiores impérios de comunicações do Brasil. Parece ficção, mas foi uma realidade. Que tipo de pensamento e ações foram necessários para que tanto êxito fosse alcançado ?
A perseverança e a personalidade obstinada das várias figuras da família foi o fator fundamental. E o mais interessante é que as obstinações eram várias e diferentes, mas a resultante dessas diferenças formou o vetor da marcha familiar, de sua grandeza e de suas depressões. Mas o sonho de Joseph, o patriarca, fundamentalmente, foi o motor maior, ainda que ele não represente a essência da família. Nos detalhes, o livro explica melhor os aspectos mais objetivos que aqui não caberiam.

Arnaldo Bloch com
Anna Bentes Bloch, viúva de Adolpho

Uma característica do livro é que o leitor se identifica com a história, percebe que sua família também vivenciou fatos semelhantes. Esta é a “grande sacada” da obra ?
Não sei se é a grande sacada. Certamente, esta é uma característica de todas as obras que falam de sagas familiares: elas são, sempre, histórias de todos, judeus ou não. Todos são migrantes, de gerações mais próximas ou remotas. Quem no Brasil não tem um português, um italiano, um japonês, um africano na sua linha de ascendência? E o Nordestino, o retirante? Não é um migrante? Isto me comove muito: o ser humano é, sim, uma grande família, briguenta, mas, em essência, construída com base no amor.

E hoje, como está a família Bloch ?
Fragmentada, mas viva, em diversas células. O sentido da grande família parece que se esfacelou, mas a emoção coletiva, os amores, os ressentimentos, os abraços e as porradas, tudo continua a circular pelas mentes e pelos corações e germinar nas novas gerações. Assim é a vida.

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Equívoco diplomático

Osias Wurman, jornalista

Estavam certos, mais uma vez, os judeus americanos que sufragaram maciçamente o partido democrata, seguindo antiga tradição. Embora os inimigos e intrigantes de plantão desejassem afastar Barak Obama do eleitorado judeu, a pesquisa de boca de urna deu 78% dos votos judaicos para o vencedor. No próximo Congresso americano teremos 44 políticos da comunidade israelita, sendo 12 senadores e 32 deputados, dos quais 39 são democratas, 3 republicanos e 2 independentes. Os primeiros nomeados por Obama jogaram um balde de água fria nas expectativas dos fundamentalistas do Oriente Médio e do Irã. O chefe nomeado para a Casa Civil é judeu-americano, Rahm Emanuel, parceiro antigo do presidente eleito e homem de confiança do novo governo. Também a influência dos Clintons representa fronteiras seguras e defensáveis para o Estado de Israel. Neste momento, vale lembrar, há uma pressão mundial encabeçada pela ONU, para deter a fabricação de armas nucleares pelo Irã, a maior ameaça à paz na região. Em pleno regime de sanções e restrições impostas pelo comercio mundial ao governo de Ahmadinejad, o chanceler brasileiro Celso Amorim resolveu visitar o Irã em busca de novos negócios.
Temos que priorizar ao máximo o interesse nacional, mas não seria mais prudente aguardar um pouco mais de tempo antes de abrir os braços para parceiros tão beligerantes? Ou será que não ecoaram no Itamaraty o envolvimento do Irã com o Hezbollah no Líbano e o Hamas em Gaza, e ainda as ameaças de varrer Israel do mapa? E a acintosa negação revisionista ao genocídio durante o Holocausto ? O Estado de Israel é país membro da ONU, além de amigo e parceiro comercial do Brasil, há 60 anos. Resta a esperança na capacidade diplomática do presidente Lula, fiel e fraterno amigo da comunidade judaico-brasileira e admirador do Estado Judeu, no intuito de intervir junto ao governo do Irã, contra as ameaças de um novo genocídio propaladas por Ahmadinejad. Colocar-se na contra-mão das nações ocidentais, do lado do Irã e contra a ONU e Israel, é pouco recomendável. Podemos almejar um mundo melhor, desde que saibamos apoiar os pacifistas, em detrimento dos ameaçadores belicistas. Lula e Obama podem ajudar a pacificar o Oriente Médio, caminho que passa necessariamente pelo isolamento do fundamentalismo suicida anti-judaico e anti-palestino. Basta dar as mãos e caminhar ao lado dos amantes da paz na direção correta.

Publicado em O Globo

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60 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem

Celso Lafer, ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adotada e proclamada pela Assembléia Geral da ONU em 10 de dezembro de 1948. É um desdobramento da Carta da ONU que contemplou, entre os propósitos da organização, “conseguir uma cooperação internacional para promover e estimular o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião” (Carta da ONU, artigos 1, 3).
A Carta, ao consagrar entre os seus propósitos a internacionalização sem discriminações dos Direitos Humanos teve, como vis directiva do pactum societatis, nela institucionalizada, a “idéia da obra a realizar” – para falar com Hauriou - da construção de uma sociedade internacional não só de Estados igualmente soberanos mas de indivíduos livres e iguais. A Declaração Universal é a primeira grande e acabada expressão desta idéia da obra a realizar, pois na sua abrangência atribuiu, pela primeira vez em escala planetária, um relevante papel aos direitos humanos na convivência coletiva. Neste sentido pode ser considerada um evento inaugural de uma nova concepção da vida internacional. É, assim, um evento que guarda semelhança do que foi, a seu tempo, no plano interno dos Estados, com o início da era dos direitos no século XVIII, a passagem do dever dos súditos para os direitos dos cidadãos, para evocar a consagrada formulação de Norberto Bobbio.
Esta passagem tem como objetivo colocar em questão a desigualdade radical entre governantes e governados, caracterizadora de regimes autocráticos, como ensina Kelsen. No plano mundial está voltada para organizar e humanizar a relação governantes-governados por meio de normas de mútua colaboração delimitadoras do escopo das soberanias e voltadas para consagrar o valor do ser humano. É, deste modo, um meio de conter o solipsismo da soberania que elabora a ordem jurídica a partir do subjetivismo do “eu” dos governantes de um Estado. Representa, desta maneira, um marco na afirmação de uma plataforma emancipatória do ser humano que, na sua dignidade própria detém, para falar com Hannah Arendt, com a dimensão de universalidade, o direito a ter direitos. A Declaração Universal traçou uma política de Direito. Foi a fonte de inspiração que abriu caminho para a internacionalização dos Direitos Humanos. Teve o mérito de não ser apenas uma reação aos problemas do passado que explicam a sua gênese. Contribuiu para projetar valorações fundamentais modeladoras do futuro. Por isso conserva a fecunda qualidade de um evento inaugural e retém plena atualidade. Cabe celebrá-la neste aniversário dos 60 anos de sua proclamação, pois continua sendo, à maneira do dito de Arquimedes, o grande ponto de apoio para alavancar a sempre desafiante luta em prol dos direitos humanos no mundo (
Publicado pela B'nai B'rith do Brasil).

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Jornalista desvenda a misteriosa história de
seis familiares que foram assassinados no Holocausto

Quando era criança, o jornalista americano Daniel Mendelsohn ouvia fascinado as histórias contadas por seu avô. De família judia, cercado de velhos membros que viveram a época sombria da ascensão e vitória do nazismo, Daniel comovia-os pela semelhança física com um tal Tio Schmiel cujo nome, quando raramente mencionado, era feito com pesar. De todos os fatos familiares que o avô lhe revelou, ele ficou intrigado justamente pela única história que ninguém lhe contava: como Schmiel, sua mulher e as quatro filhas foram mortos pelos nazistas. Em “Os desaparecidos – a procura de seis em seis milhões de vítimas do Holocausto” (Editora Casa da Palavra), Daniel Mendelsohn narra os anos de busca para reconstituir a história de seis membros de sua família, desaparecidos sob as cinzas do Holocausto e sobre quem só restaram rumores e informações vagas e desencontradas. Sua obsessão por organizar o conhecimento o faz levantar, reunir e dar sentido a uma história que todos querem esquecer.

***

“Acho que este livro teve um tremendo apelo internacional por que:
a) É uma historia de família – ele remete a história de uma única família;
b) É um livro sobre como contar histórias e todos gostam de uma boa história;
c) Tem a estrutura da Odisséia junto com uma história de detetive
que é uma irresistível estrutura narrativa”

Daniel Mendelsohn

***

Ainda criança, Daniel remexe no passado da família, protegendo-se por trás de sua curiosidade pueril para fazer as perguntas que ninguém quer responder. Bem mais velho, depois de se tornar o biógrafo da família e construir fichas detalhadas sobre cada parente, ainda restam, no entanto, seis pastas incompletas. Quase desistindo, retoma a pesquisa depois de uma série de coincidências: o irmão que ouve o nome de Schmiel em um encontro de fotógrafos, uma ficha da Cruz Vermelha Internacional que chega a sua casa com dados sobre o tio, que já não é mais um “tio”, é um empresário, um militar, alguém além de apenas um nome. Tantas questões o levam em 2001 em uma longa viagem, uma verdadeira peregrinação – a exemplo de Abraão, patriarca do judaísmo – ou uma saga - como Homero e sua Odisséia. Acompanhado pelo irmão Matt, ele começa – e termina - sua viagem na terra natal da família na cidade polonesa de Bolechow. E vai além: seu roteiro inclui países e regiões em quatro continentes, da Austrália a Israel, da Escandinávia a Europa Oriental, passando pela Ucrânia.

***

“Não acho que este (ou qualquer livro) mudará o anti-semitismo,
na minha experiência as pessoas que querem odiar os judeus vão
achar motivos para odiá-los com ou sem livros! Eu recebi milhares
de e-mails e cartas de pessoas de todo o mundo dizendo:
´Eu li seu livro e agora eu sinto e entendo o Holocausto
pela primeira vez´. Então, talvez, isto sim, seja importante”

Daniel Mendelsohn

***

Pouco a pouco, ele consegue reconstituir, em um brilhante trabalho investigativo, a vida de seus seis familiares que faltavam na pasta de recordações. “Os desaparecidos – A procura de seis em seis milhões de vítimas do Holocausto” foi um sucesso instantâneo nos EUA, figurando na lista de mais vendidos de jornais importantes como o The New York Times. O autor também foi premiado com o National Book Critics Circle Award e o National Jewish Book Award. Mendelsohn escreveu um instigante thriller, que não permite o leitor abandoná-lo em sua saga particular. Ao mesmo tempo, Mendelsohn compartilha com o leitor, em tom bastante confessional, suas impressões, sentimentos e questionamentos sobre a vida em família, sua identidade judaica e o próprio sentido de sua busca.

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A felicidade do presente e o orgulho do passado

Branca Leibovich, aluna da 8a. série do Eliezer-Max,
venceu o “II Concurso de Contos” promovido pelo
Centro Cultural Mordechai Anilevitch, e recebeu o
prêmio das mãos do "imortal" Moacyr Scliar -
que emprestou seu nome ao concurso.

Junho 1985

Nasci em Lazio, na Itália, em 1970. Sou de uma família cristã. Minha mãe chama-se Balsia, meu pai José, e eu Esther. Sou filha única de uma família de classe média. Moro e estudo em Compobasso desde 1978. Não tenho contato com parentes próximos nem distantes. Não tenho fotos, vídeos nem registros de ninguém.
A minha verdadeira historia começou com uma simples aula sobre a segunda guerra mundial. Todos na minha sala sabiam do que se tratava menos eu. O professor se referiu a uma palavra que, na hora, levei um choque. Comecei a passar mal e não conseguia respirar. A única coisa que lembro é que a palavra era composta por dez letras aterrorizantes: H-O-L-O-C-A-U-S-T-O.
Em meus quinze anos de vida nunca tinha ouvido tal palavra. Mas acho que não teria o mesmo significado se eu a tivesse ouvido antes. O professor começou a explicação, a minha cabeça girando até que parou. Não me mexia, estava pálida e as informações penetrando em minha mente. Quando cheguei em casa sentei na cama, me despi e liguei o chuveiro. Não consegui parar de pensar na tal aula. Tomei banho, coloquei meu vestuário noturno e dormi. Tive um sonho estranho. Com umas pessoas que eu nunca tinha visto antes mas gostava muito delas. Brincava, cantava, dançava, tudo em um lugar colorido com pássaros e flores até que chegou um homem bigodudo, sério, meio calvo, com um uniforme horrível e toda essa alegria acabou. O sonho ficou cinza, com espinhos no lugar de flores, e tanques no lugar de pássaros. Acordei assustada e, quando vi, já era sexta-feira - o último dia de aula. Entraria em férias hoje e só voltaria dentro de um mês.
Fui à aula normalmente e não prestei atenção em nada do último dia, só no meu sonho, no homem “estraga-prazeres” e nas pessoas felizes que de uma hora pra outra viraram infelizes. Pensando nele, me lembrei que essas pessoas estavam em Lodz, na Polônia, e relacionei com a aula do professor.
O tal homem era Hitler o ditador anti-semita da época da segunda guerra mundial. E as pessoas felizes eram judeus, antes da entrada de Hitler na vida deles. Foi aí que surgiu uma idéia do que eu faria nas minhas férias. Iria para Lodz estudar sobre o tema abordado na aula. Inicialmente minha mãe não deixou mas, com a influência de meu pai, ela cedeu. Comprei minha passagem de trem para embarcar a caminho do real cenário dessa terrível história.

Julho 1985

A partir do dia de 03 de Junho de 1985, minha aventura começou. Primeiramente fui a um hotel no centro da Polônia fazer minha reserva. Chegando lá, a recepcionista olhou para mim estranhando a minha idade. Eu disfarcei:
- Meus pais estão na rua fazendo compras. Vim fazer a reserva. Aliás, tenho 15 anos... Não sou mais criança... Algum problema?
- Não... Está tudo bem... Não estava, mas relevei.
Deixei minha bagagem no dormitório e perguntei a um guarda como eu poderia chegar ao campo de Lodz. Mostrando o mapa, ele indicou a estação de trem. Cheguei lá por volta das duas horas da tarde. Primeiramente fui ao balcão de atendimento ao cliente. Peguei o folder que explicava a história do campo e comecei a minha pesquisa. Estava muito ansiosa. Entrei em todos os dormitórios masculinos e femininos. Estava exausta e precisando urgentemente de uma cama. Me apoiei em uma beliche do quarto mas como estava velha e bichada uma parte dela caiu. Abaixei-me como se fosse amarrar o sapato, para pegar o pedaço da madeira disfarçadamente. Quando olhei para o lado, vi um livro marrom cheio de poeira e páginas amareladas. Estiquei meu braço até conseguir pegá-lo. Era uma caderneta escrita em hebraico. Guardei rapidamente no bolso, mesmo sabendo que não deveria. Encarei como se fosse emprestado. Terminei a visita, peguei um trem até o hotel e me tranquei no quarto. Tirei o casaco pois estava quente. Coloquei a mão no bolso e não havia nada nele. Fiquei desesperada. Desci sete lances de escada e procurei por meia hora esta caderneta. Quando cheguei no quinto andar encontrei-a. Fiquei aliviada. Segurei com toda a minha força até chegar no quarto. Abrindo a porta ouvi uma voz:
- Onde estão seus pais minha querida?
- Meus pais? – falei pensando em uma desculpa – Meus pais me encontraram na rua e falaram que iam demorar um pouco. Daqui vou me encontrar com eles.
- Eles precisam assinar um documento no hotel.
- Me recomendaram a assinar tudo que for preciso. O que é?
- É um documento especificando de onde vocês são.
- Somos da Itália. Deixa que eu assino!
Peguei a caneta, o papel, rubriquei e corri até o quarto. Finalmente estaria a sós! Acendi a fraca luz do quarto, me sentei e folheei a caderneta. De A à Z. Só nomes judaicos como: Goldenberg, Leibovich, Rubinstein... Tinha os telefones, endereços e um coração do lado direito de cada nome. Estava decidida, amanhã iria à casa de todas essas pessoas para descobrir quem era o proprietário da caderneta.
No dia seguinte, acordei e olhei pela janela. Estava chovendo. Agasalhei-me, desci, tomei café e saí. Perguntei ao mesmo guarda onde ficava um telefone público. Ele apontou para esquerda e eu fui. Encontrei uma cabine de vidro com o aparelho preto dentro. Busquei algumas moedas no meu bolso e liguei para meus pais. Disse que estava tudo bem e que tinha acontecido uma coisa fabulosa! Mas não tinha tempo de detalhar. Marquei de voltar para casa daqui a 3 dias. Desliguei e procurei o guarda indicando na caderneta um endereço. Ele sinalizou no mapa e eu segui seu caminho.
Era uma casa cor de esperança. Um verde clarinho. Número 9. Bati na porta pois não havia campainha. Um senhor respondeu com uma voz miúda.
- Quem é?
Não disse nada. Afinal, como eu iria me identificar?
- Quem é? – perguntou de novo.
Continuei calada. Ele abriu a porta. O senhor ficou me olhando de cima a baixo e eu puxei assunto:
- Bom dia. Desculpe lhe incomodar. Meu nome é Esther, sou italiana. O senhor tem um tempo para mim?
Ele não respondeu apenas abriu mais a porta e me indicou o caminho até a sala de estar. Uma senhora perguntou:
- Quem é querido?
- Uma jovem Esther. Disse que é da Itália. Venha Ilda.
- Como vai? Bom dia.
- Prazer, Esther.
- Gostaria de um chá?
- Não obrigada.
- O senhor me entende? Digo, a minha língua?
- Mas é claro, minha jovem. O que a senhorita deseja?
- O senhor reconhece isto?

Mostrei a caderneta.
- Onde você a encontrou? – falou abrindo o livro.
- Peguei no campo de Lodz. Seu endereço está aí.
O velho arregalou seus olhos e com uma voz séria mostrou a esposa. Os dois se olharam preocupados.
- Algum problema?
- Isto é de Elza Goldenberg. Uma judia que, como nós, foi capturada e levada para o campo de Lodz. Nossa melhor amiga. Foi deportada para lá com sua irmã Anny. Ela morreu na câmara de gás, mas Anny sobreviveu.
- Anny ainda está viva? – Perguntei
- Há muito tempo não a vejo, quase não saio de caso, mas vá em frente, não custa nada tentar. Siga esta rua até o final e procure por ela na casa de cômodos, se não me engano... número 300.
- Muito obrigada.
Saí da casa de Ilda e do senhor que eu até hoje não sei o nome, e fui almoçar. Comi em dez minutos e fui até a casa indicada pelo casal. Cheguei no velho sobrado repleto de pequenos quartos e toquei a campainha. Toquei muitas vezes até que ouvi passos se aproximando atrás de mim.
- O que você quer?
- Boa tarde. Meu nome é Esther, sou da Itália.
- Pois não? – A mulher não me deixou terminar minha apresentação. Então fui direto ao assuto.
- A dona Anny mora aqui?
- Dona Anny? O que você quer?
- Ela mora aqui? Está viva?
- Mas é lógico! Você é amiga dela?
- Tecnicamente. – A mulher não deve ter entendido a minha gíria, então me deixou entrar.
- Dona Anny?! – Gritou pela casa.
- Sim? Estou na sala de estar!
- Como vai dona Anny. Esta é Esther.
Senti um arrepio assim que fui apresentada a ela. Escondi meu sentimento e me apresentei.
- Dona Anny, meu nome é Esther. Espero não estar incomodando a sua leitura, mas...
- Mas é claro que não, sente-se.
Sentei-me em um banco acolchoado e esperei um tempo.
- Isto te lembra algo?
Dona Anny olhava para mim, para a caderneta e para o teto. Para mim, para a caderneta e para o teto... Até que perguntou:
- Posso?
- Claro! – Entreguei a ela a caderneta e ficou encostando-a em seu rosto enrugado como se quisesse sentir o cheiro do tempo.
- Elza. Elza. Elza. Elza. – Dona Anny ficava repetindo o nome de sua irmã até que a interrompi.
- Dona Anny. Isso era de sua irmã?
- Elza era minha irmã mais querida. Fui com ela para o campo de Lodz e ela foi enganada e executada na câmara de gás. Nunca mais fui feliz como era antes. O campo era tão terrível. Eu me lembro de quando estávamos dançando, cantando e brincando em um jardim, até que chegaram as tropas do Hi – não conseguiu pronunciar a palavra Hitler – e tudo ficou cinza, fedendo e muito triste. Eu tinha uma filha de nove anos chamada Balsia que fugiu na confusão quando fui pega para o campo e eu nunca mais a vi. Hoje ela deve ter por volta de 44 anos, se estiver viva. Casada, com filhos, feliz da vida nem lembrando da mãe... Mas eu a amo mesmo assim.
Na hora o tempo parou. Lembrei do meu sonho e de uma pessoa muito íntima na minha vida chamada Balsia, a minha mãe. E tudo passou a fazer sentido. Nunca tinha ouvido falar da boca da minha mãe sobre o holocausto nem da minha família. Minha mãe não gosta de pensar na guerra, pois ela se lembra da mãe que mal conhece. E eu acabo de conhecê-la, a minha avó. Estava esperando um bom momento para dar esta notícia a ela. Como declararia que eu sou sua neta? Como anunciaria ser eu filha de sua filha? Foi aí que percebi que não dava pra esperar.
- O meu nome é Esther, filha de Balsia Goldenberg.
Dona Anny, minha avó, ficou paralisada por um tempo. Começou a chorar e rir de felicidade. Comemoramos tomando um chá de canela. Pedi seu telefone emprestado para fazer uma ligação. Ela concordou. Disquei o número desejado e falei:
- Mãe, estou na frente da sua mãe, Dona Anny, e acho que ela gostaria de falar com você.
Minha avó e minha mãe conversaram por umas longas duas horas. Enquanto isso vi fotos na casa da minha mais nova avó e tive uma idéia. Fui rapidamente à estação de trem para comprar duas passagens. A minha e a da minha avó. Uma surpresa para minha mãe. Depois de dois dias na Polônia, fiz as malas e minha avó as dela. Embarcamos às seis horas da manhã para chegar a tempo do almoço na Itália. Chegamos um pouco atrasadas, mas normalmente no sábado meus pais comem tarde e uma comida bem especial. Nunca me esqueço da fisionomia surpresa e emocionada de minha mãe e minha avó. Ficaram mais de 40 anos sem se ver e sem saber se a outra estava viva.
Olhavam se abraçavam e conversavam sobre tudo! Fingi que estava lendo um livro para prestar mais atenção na conversa das duas. Percebi como era importante para a minha mãe a presença de Anny e como a recíproca poderia ser verdadeira. Percebia que minha mãe tinha muitas coisas mal resolvidas e com a presença de minha avó, tudo se encaixaria! Também notava que, como ela foi praticamente uma órfã a partir dos nove anos de idade, com a presença da minha avó, minha mãe poderia me proporcionar mais carinho do que antes. A minha avó traria mais alegria e emoção para dentro de casa. Sua experiência de vida, com certeza, valorizaria a importância da história de nossa família e de nossos antepassados. Percebi que, a partir daquele momento resgatei o meu judaísmo. Não realizo as cerimônias nem sei falar hebraico mas sinto essa raiz da minha origem forte dentro de mim e me sinto muito orgulhosa disso. Entendi que a felicidade do nosso presente depende do orgulho que sentimos pelo nosso passado.

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Horrorismo

Sérgio Malbergier, editor da Folha de SP

Os países islâmicos seguem quase todos ditaduras fechadas, principalmente no mundo árabe, que oprimem a população, a economia, o conhecimento, as mulheres, as diversidades, as liberdades. Hisashi Tsuda, empresário japonês de 38 anos, pai de dois filhos, estava fazendo o check-in no hotel Oberoi, em Mumbai, quando tomou três tiros, no abdome, no peito e na perna. Morreu no hospital. “Era um jovem promissor”, disse em Tóquio o presidente da empresa para a qual trabalhava. Um alemão, um australiano, um inglês, dois franceses, dois americanos e muitos indianos estão também entre as dezenas de inocentes bestialmente mortos no ataque terrorista contra Mumbai, o centro econômico da Índia, que teve o seu 11 de Setembro nesta semana. Um dos principais fracassos de Bush foi na promoção da justa guerra contra o terrorismo, que ele traduziu para o mundo como a invasão desastrada do Iraque, as torturas em Abu Ghraib e as ilegalidades de Guantánamo, alienando aliados. Mas, como os ataques contra a metrópole indiana rebatem mais uma vez, o terrorismo segue como forte ameaça à estabilidade global e fonte de iniqüidades inaceitáveis nas vésperas da posse de Barack Obama na Casa Branca. Não poderia ser diferente. As condições que geraram a onda terrorista no mundo muçulmano estão praticamente intactas. Os países islâmicos seguem quase todos ditaduras fechadas, principalmente no mundo árabe, que oprimem a população, a economia, o conhecimento, as mulheres, as diversidades, as liberdades.
Uma das poucas coisas toleradas, num pacto de governabilidade sufocante, é a intensa atividade religiosa, crescente em pleno século 21. Há muito mais mulheres no Cairo hoje que se cobrem com o véu do que há 40 anos. O islã tornou-se válvula de escape e de dignidade diante de regimes autocráticos e corruptos. Mas esse caldo fervoroso pariu também o islã radical e niilista da Al Qaeda e de outras centenas de grupos extremistas que vestem crianças de cinco anos como meninos-bomba para desfilar em paradas sob aplausos efusivos do público! A legitimidade dessa turba assassina diante de milhões e milhões de muçulmanos é assustadora e deprimente. A aceitação de seu discurso de ódio e destruição, onde o não-muçulmano é o infiel a ser combatido, o judeu é o porco, o cristão, o cruzado, choca. Em Mumbai, símbolo da explosão de crescimento e da vitalidade indiana e uma das histórias felizes deste século, os terroristas, segundo relatos, riam na execução da carnificina, disparando catarticamente contra tudo e todos e buscando estrangeiros, principalmente americanos, britânicos e, como sempre, judeus.
Analistas tentam explicar essa banalização do mal em curso no islã radical: na Índia, são os problemas da Caxemira e de uma minoria em meio a centenas de milhões de hindus; no Iraque, a ocupação americana; nos territórios palestinos, a ocupação israelense. Mas não são essas as explicações para ataques indiscriminados contra civis em pizzarias, hospitais, ônibus, hotéis, com rituais de degola de reféns indefesos expostos com orgulho na internet, ao som de hinos religiosos e heróicos. A explicação é muito mais profunda e está dentro do mundo islâmico, não fora dele. A verdadeira “jihad” (guerra santa) de Osama Bin Laden nunca foi contra a América e os infiéis, mas pelo trono de Meca, centro do islã sob o comando da família real saudita, que ele chama de corrupta e vendida aos cruzados do Ocidente. Os atos terroristas nem têm mais reivindicações específicas. Promovem o horror pelo horror, no que o célebre romancista inglês Martin Amis chamou de horrorismo em célebre ensaio para o jornal “Observer”, em 2006. Nada mudou desde então. O horrorismo segue aceito em grandes círculos, fazendo mais vítimas inocentes (a maioria de próprios muçulmanos, no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão). É uma ameaça global, e a resposta a ele tem de ser global. Quem sabe Obama, chamado na semana passada de “escravo negro a serviço dos brancos” pelo número 2 da Al Qaeda, Ayman Al Zawahiri, poderá promovê-la melhor.

Artigo publicado na Folha de SP

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“O mundo judaico brasileiro não pode calar!”

Silene Balassiano, presidente da Wizo-Rio

Neste momento de grande perda e dor, a Wizo-Rio, em nome de seu executivo e corpo de voluntárias, solidariza-se com as comunidades Chabad Lubavitch em todo o mundo e com a população indiana em geral vítima inocente de assassinato bárbaro em nome do terror. Nossas chaverot em todo o mundo lutam por tornar “A vida possível”, tanto para o povo judeu em Israel quanto na Diáspora. E ter a infeliz oportunidade de presenciar atos como os ocorridos em Mombai contradiz em gênero, grau e número toda uma postura que, há aproximadamente 90 anos de serviços, foi adotada justamente para poupar nossa tarefa dos dissabores que o radicalismo e a filiação política de um modo ou de outro terminam por trazer. Entretanto gostaríamos de nos colocar frente a comunidade judaica de nosso país, e em especial de nosso Estado, em relação ao que foi presenciado por todos na ocorrência dos fatos acima relatados. Fatos graves, que por de certo modo ter o poder de tornar vidas impossíveis merecem de cada um de nós séria reflexão e o principal, ação.
Nesta semana, mesmo uma das principais matérias veiculadas em todos os jornais israelenses, tratava a preocupação das lideranças de Israel em relação a América Latina e a infiltração de grupos terroristas em seus territórios. Talvez, por quem sabe estarmos envolvidos na lida diária que passou a incluir em seu cardápio a grave crise econômica porque passa o mundo, não demos ou não tivemos tempo para tornar esta preocupação também uma preocupação nossa enquanto brasileiros de fé judaica.
Poucas são as vezes em que um título de matéria jornalística consegue retratar com exatidão aquilo que precisamos como leitores ler e ouvintes ouvir, quanto ao que foi dado a manchete do JORNAL ALEF-EDIÇÃO EXTRA: “O mundo não pode calar!”. Proposital ou não, ele foi perfeito para descrever o pouco caso com que a mídia brasileira maior tratou aquele que está sendo mundialmente considerado a segunda etapa dos atentados de 11 de setembro. Falta de informação, noticiários não atualizados, dados controversos, tudo isso em pleno terceiro milênio e em meio a globalização. Os beneficiados com TV a cabo ainda tiveram a oportunidade de observar a dedicação com que as equipes dos maiores veículos internacionais trataram o assunto, infelizmente para a população brasileira em geral tais informações chegaram com muitas horas de atraso, quando chegaram. “Deste modo poderíamos tranquilamente inserir a manchete um adendo: “O mundo judaico brasileiro não pode calar!”
Não é novidade que a entrada iraniana ao território venezuelano é franqueada, tampouco que a tríplice fronteira já foi tomada pelos adeptos do terror: testemunhas visitando o local vem relatando constantemente o “sucesso de Ibope” que as transmissões da TV Herzbollah onde as cantilenas contra Israel são exibidas fazem. Mesmo assim, continuamos calados. Não nos cabe nem é nosso propósito análises políticas tampouco como Organização Feminina manifestações sejam de que natureza forem, mas, jamais esquecer o que se passou a nosso povo há pouco mais de meio século atrás é um juramento de honra a ser para sempre mantido e eternamente repassado às futuras gerações, porque um povo que não conta sua história corre o risco de cair no esquecimento, e certas de que todos ainda preservam boa memória, cá nos perguntamos: em vésperas a que data mesmo ocorreram os últimos atentados de que falamos? Quem ganhou seu “luach” 5769, não terá dificuldades de encontrar. Para os que não tiveram a oportunidade: ao completarem-se os 61 anos da Sessão da ONU que procedeu “A Partilha da Palestina”. Fica deste modo justificado, porque é que não devemos, ou melhor não podemos, nos calar.

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A face do medo

Daniel Benjamin Barenbein, editor-chefe do site “De Olho na Mídia”

Mais um ato de mega-terror. A Índia é sacudida por uma espantosa onda de terror de guerrilha. No que já está sendo chamado de 11 de setembro de Bombai, pelo menos 125 pessoas morreram e mais de 300 estão feridas. Dez localidades diferentes foram atingidas ao mesmo tempo. O medo está de volta. Londres? Bali? Nova York? Bombai? Que território estes países "ocuparam"? Qual a desculpa da hora? O que dirá a imprensa agora? Até quando o mundo fará vistas grossas para o extremismo e a cruzada islâmica?
Sabemos que terroristas islâmicos entendem o jogo político e sabem que podem influenciar eleições. Já fizeram isto na Espanha e em outras oportunidades. Portanto, não dá para saber exatamente qual a razão, mas não é a toa que houve um ligeiro silêncio durante as eleições americanas. Porém, bastou o fim delas, para voltar a chover mísseis Kassam em Israel e hoje esta série de atentados que atingiu basicamente interesses ingleses e americanos na Índia.
Neste peixe tem muito molho podre. Não dá para saber o que é. Mas eles não escolheram o timming à toa. O que sim é fácil de identificar e deveria ficar claro é: o terrorismo que atinge a Índia é o mesmo que atinge Sderot, Ashkelon e região. Mesmos objetivos, mesmas motivações religiosas e mesmo discurso, bem como coordenação do momento de agir.
Desta vez, novamente a mídia os rotulou de terroristas, não de militantes ou ativistas. Tomem nota deste ponto, é importante. Me perguntem: porque? A razão é simples leitores. A mídia ocidental faz diferenciação entre os atentados em Israel e em Bali ou em Bombai. Terroristas islâmicos não. Para eles são diversas frentes de uma mesma batalha. No documentário “Obsession”, que trata dos perigos do extremismo islâmico, a editora-especial do Jerusalem Post, Caroline Glick, aponta justamente isso e diz que o que os terroristas fazem é escolher o alvo mais adequado e que apresente condições ideais no momento, podendo oscilar devido a segurança mais ostensiva, um regime simpático ou antipático a eles, como fatores para a decisão de onde atacar. São cerca de 80 países ao redor do planeta que estão lidando com este problema hoje...
É preciso lembrar que para os guerrilheiros islâmicos a contagem de tempo passa diferente. Enquanto nós ocidentais estamos contando os acontecimentos dia-a-dia, mês a mês, para os fanáticos islâmicos, a contagem é em séculos. Eles demoraram séculos para conquistar a Europa em outras eras, porque teriam de ter pressa agora? Para instalar o califado europeu novamente e conquistar o resto do mundo é preciso paciência, tempo e preparação. E ao contrário de nós cansados de guerra, isto lhes sobra... Uma coisa chama a atenção neste atentado: uma tática nova, a “Guerrilha urbana”. Com armas sofisticadas e metralhadoras. Não se pode dizer que seja algo como muita gente quer crer: apenas uma "revolta" (é sempre preciso arranjar uma desculpa) contra o domínio indiano sobre a Kashmira, algo local. A prova disso é a escolha dos alvos: americanos, ingleses e israelenses na região. Não contra indianos. Faria sentido se fosse assim.
Por outro lado não se atribuir a griffe Al Qaeda (porque agora qualquer atentado pelo mundo excetuando Israel se esconde sob esta sigla) a violência na Índia. Os métodos do grupo incluem sempre ou homens-bomba, ou explosivos de controle-remoto. Desta vez foi totalmente fora do padrão. Não teve nem um, nem outro e incluiu sequestros e manutenção de reféns por dias a fio. As ruas de Bombai se tornaram praça de guerra. O tom está sendo elevado. Se confirmadas as informações de que os bandidos vieram do Paquistão, o ato talvez redunde em uma guerra nuclear (ambos os países tem a bomba). Em última instância, talvez esta fosse a intenção dos criminosos desde o princípio.
A cada dia a cruzada islâmica inova em seus instrumentos e se existe algo que não podemos reclamar é de falta de criatividade: explosivos líquidos, aviões, tratores, seqüestros, enfim... vale tudo para causar terror, pânico e morte. Porém desta vez para a tristeza da militância de esquerda, o alvo atingido foi à Índia, país historicamente pobre, tolerante (tem 100 milhões de muçulmanos com todos os direitos), e não se pode alegar que foi uma revolta de "oprimidos" contra "opressores" (o país é pacífico e conta com um passado de colônia), situação reducionista e maniqueísta, parte da manipulação que vemos em veículos de imprensa mundo afora todos os dias.
Bem, sempre poderão alegar que foram hotéis de luxo e os alvos eram ingleses, americanos, israelenses e judeus. Ah sim, judeus. Eles tinham que estar no meio... novamente vítimas. Mais uma vez no centro da confusão. Da Amia a Bombai, passando por Jerusalém e Sderot, lá estão os judeus outra vez. Os canários do texto da Pilar Rahola: aqueles que sempre estão na frente de todo totalitarismo, sendo as primeiras vítimas do que vai atingir o mundo inteiro depois. O alerta... seja no nazismo, no comunismo ou no islamo-fascismo... Ahmadinejad, o líder iraniano que representante o que de pior existe no islamismo fundamentalista está vindo ao Brasil. Financiador do Hezbollah e do Hamas, quem sabe ele não deu uma mãozinha em Bombai também? O que o mundo vai esperar? Que ele sacrifique Israel para quando decidir partir para a Europa e os EUA em seus grandes planos de conquistas (em um vídeo pelo menos, ele afirma que seu sonho é ver a bandeira do islã tremulando em todas as montanhas do mundo), a humanidade decida reagir?
O terror expõe mais uma vez sua cara feia. Nos solidarizamos com as vítimas. A Índia merece apoio. A face do medo nos assombra. Quando iremos contra-atacar? Quando enfim a democracia e a civilização prevalecerão? Hoje não conseguimos vislumbrar uma saída...

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Filosofia da Paz - Civilização e Barbárie

Palestra proferida por Herman Glanz, presidente da Organização
Sionista do Brasil, durante o “II Fórum Filosofia da Paz – Civilização e Barbárie”, da Academia Brasileira de Filosofia em conjunto com a
organização japonesa Soka Gakkai Internacional no Brasil, com a
participação de João Ricardo Moderno, presidente da Academia
Brasileira de Filosofia; do Brigadeiro Carlos de Almeida Batista,
presidente do Clube da Aeronáutica; do astrônomo Rogério de
Freitas Mourão, da Academia Brasileira de Filosofia; de
José Carlos de Assis, presidente do Instituto Desemprego Zero,
e de Pedro Paulo, vice-presidente da Soka Gakkai Internacional–Brasil.

“Nação não levantará espada contra outra nação e as nações não aprenderão mais a guerrear”, na visão do Profeta Isaías. As nações não mais levantam espadas: levantam mísseis que baixam bombas. Contudo, as nações demonstraram serem alunas aplicadas em matéria de guerras – continuaram bárbaras. As guerras não acabaram. Passados mais de 2700 anos desde que tais palavras foram proferidas, muito pouco tempo passou a humanidade sem guerras; somados os períodos esparsos, segundo levantamento feito, não teríamos dois séculos sem guerras, naquilo que é sabido, não se computando pequenas escaramuças.
Voltemos ao início. Barbárie e civilização são termos antagônicos; o bárbaro crê na barbárie, como disse Lévi-Strauss; o bárbaro não considera humano um membro de cultura diferente da sua. A civilização vem de civil, o ser humano em sociedade. Um indivíduo sozinho não faz a guerra por ausência de com quem guerrear. Para fazer a guerra com outrem, basta um querer; para fazer a paz é preciso dois quererem. No fundo, tudo é disputa de poder, por egoísmo, inveja, narcisismo e ódio, ódio que é explorado para gerar a guerra e fanatismo. Como disse o líder sionista judeu, Zeev Jabotinsky – “o ódio é o molho bem apimentado que ajuda a engolir e digerir as políticas”. É isso que vemos quando se fala de satanás, que impede o progresso das pessoas e até impede a conquista da pessoa amada, assim como o ódio ao burguês e às “zelites”, responsáveis por todos os males do povo e ódio aos judeus, responsáveis por todos os males de todos. O ódio aos americanos é explorado por uma parcela que se auto-proclama liberal, narcisisticamente. Hugo Chávez, quando discursou na ONU, no ano passado, disse ainda sentir o cheiro de enxofre do Presidente americano, Bush, que falara um dia antes. Os movimentos que presenciamos hoje em dia: globalização e antiglobalização, multiculturalismo, ocidentalismo, orientalismo, são expressões cunhadas em busca de poder, que nos lembram de Drumond e sua Passárgada, onde, amigo do Rei, terá a mulher que quiser na cama que escolher, sem protesto do feminismo. O poder. O reino do totalitarismo.
Para conquistar o poder fazem-se guerras, que se reciclaram com os meios que o desenvolvimento apresenta. Inventou-se a democracia para ungir um dirigente sem apelo ao divino, que antes garantia o Rei; uma Constituição – onde todo poder emana do povo, mas temos juízes que dizem que as leis devem ser interpretadas conforme a realidade e não conforme o texto, realidade que será decorrente da visão e interesses de cada um, transformando democracia em totalitarismo. Usa-se a democracia para chegar ao totalitarismo. Hitler chegou ao poder democraticamente e imediatamente começou a barbárie com a pregação de seu Partido Político, o Nationalsozialistische Arbeiter Partei Deutschland – Partido dos Trabalhadores Socialistas-nacionalistas da Alemanha, abreviadamente - nazista. O que se seguiu, todos sabemos, com exploração do ódio aos judeus, numa aliança com a Itália e o Japão. Mas enquanto durou o Pacto Teuto-Soviético, a oposição era nazista, silenciando contra os crimes hediondos, aproveitando para fazer a sua parte nesse latifúndio criminoso. Como hoje, silencia-se quando o ódio interessa e é apoiado, como o ódio aos judeus, que ainda persiste. Totalitarismo.
Hoje também se busca chegar à barbárie do totalitarismo, através da democracia, por meio do embuste, do engodo, da demagogia, da fala envolvente e da compra de apoio. E de uma guerra que foi desenvolvida com mais requintes de crueldade: a guerra adjetivada de assimétrica. A guerra assimétrica do terrorismo totalitário e a guerra assimétrica do totalitarismo do estado social e da economia, do conflito cultural ou de civilizações, ocidentalismo e orientalismo, onde valores diferem fundamentalmente, sem falar em fundamentalismo, pois não são fiéis os de diferente culturas, repudiando-se as formas diferentes de religião, da ética, da cultura, da sociedade, do estético, diferenças que são punidas com a morte. E existe quem apóie e chame isso de religião de paz.
A assimetria dá ao totalitário a primazia dos valores culturais e de civilização, com valores ‘éticos’ próprios, valores que justificam a guerra desencadeada. É essa ”civilização” que garante ao agressor usar de quaisquer meios, como a força inclusive contra mulheres e crianças, numa matança indiscriminada como a dos homens-bomba ou homicidas-bomba, justificada pela própria “civilização”, para nós - barbárie. Empregando os modernos meios de marketing, com ajuda de técnicos ocidentais, da ‘outra’ civilização inferior, obriga o inimigo a respeitar as leis e convenções internacionais do ocidente, quando o atacado se defende, mas que o terrorista não se vê obrigado a respeitar, porque não se enquadra na sua “civilização”. A defesa do atacado não pode atingir áreas civis, por exemplo, enquanto o terror nada respeita segundo a sua própria ‘civilização’, matando civis e se entrincheirando entre civis. Evidentemente o marketing tem o estribo no ódio ao atacado, sem o qual não vingaria. Se o atacado vai contra a “ética” do terror, o marketing faz de vítimas os terroristas. A legalidade não é empregada e só serve para o atacante. Assim foi quando o terror atacava o Estado de Israel (e ainda é), situação que se modificou com o 11 de setembro de 2001. Mas ainda há quem propague que esse 11 de setembro foi obra dos próprios americanos atacados, ou mesmo de Israel. Outro fator da barbárie de uma ‘civilização’ do terror, é o tempo empregado como elemento de guerra, além de não se interessar pelos seus próprios terroristas e sua própria gente. Fustiga-se o inimigo permanentemente, durante muitos anos, até que o inimigo se desespere, perca o seu moral, porque não se pode viver permanentemente sob o signo do terror. Para a assimetria, a morte de seus não é problema, como o caso dos homens-bomba bem exemplifica.
E é esse fator da assimetria que gera a chamada Síndrome Sueca, onde o atacado acaba apoiando o inimigo, sentindo-se culpado pelo que ocorre, buscando o apaziguamento (de triste memória), numa forma de suicídio anunciado. Não só segmentos em Israel comungam com os terroristas, vistos como vítimas. No Brasil, o apego às mesmas idéias, vê a Bolívia tomar a Petrobrás e o governo, com os recursos de todos, declara que a Bolívia precisa de ajuda, como se o povo brasileiro não precisasse. O mesmo se dá com o Paraguai, onde Itaipu foi toda financiada com recursos do povo brasileiro, mas o Paraguai deve ser ajudado, sem falar no Equador, onde empresa com financiamento do BNDES é expulsa, gerando dívidas para todos os brasileiros.
A guerra assimétrica também se infiltra no seio do inimigo. Vindos como mão de obra ou como chegados por diversas formas, montam células, que ficam adormecidas para acordar num futuro e praticar atentados terroristas, ou passam a constituir contingente significativo para realizar arruaças e ameaçar com atentados e, de fato, praticá-los, difundindo o medo e o pânico entre a população local. A Europa já sucumbiu, buscando uma acomodação, para não dizer apaziguamento. A Itália já ajudou os terroristas financeiramente e com fornecimento de armas, para ser deixada de lado, e na Inglaterra criaram-se até Cortes específicas segundo a Shari-á.
Dentro dos EUA também existem americanos que atacam o próprio país, como suicidas, defendendo o terror para derrubar o governo e assumir o poder. Não estamos aqui em defesa dos EUA, pois, como sempre dizemos, o que é bom para os americanos não significa ser bom para nós. Apenas constatamos fatos. A eleição de Barak Obama foi normal, como uma reação ao governo Bush. Na Venezuela, Chávez protesta porque a oposição quer assumir o governo, como se não fosse da democracia a oposição querer assumir o governo e virar situação. Aí está a barbárie.
O ódio continua sendo o fator aglutinante para alcançar um apoio generalizado. O anti-americanismo também serve para alavancar ações totalitárias e, juntamente com o emprego da demagogia, juntam-se opositores. A Venezuela traz a Rússia, que procura se erguer com uma nova-velha guerra-fria; traz o Irã, que carrega o perigo fundamentalista, cuja ética não se entende com o ocidentalismo e busca, por seu lado, a volta do Califado, além de ser fonte alimentadora e financiadora do terror. Significativo é vermos o Brasil seguir junto, demonstrando um consenso latino-americano, formado com o terror, alimentado pelo narcotráfico. Parece que há uma Ordem Mundial. Artigo recente de revista inglesa mostra que lá também há bolsa-família, apoio aos sindicatos e trabalhadores de determinadas áreas em troca de votos, desmantelamento das Forças Armadas, tudo semelhante. Também não estamos defendendo os ingleses, apenas constatando que existe algo mundial, e que o bolsa-família não é idéia nova. O culto da personalidade se faz por meio de índices de pesquisa.
É preciso enxergar as garras do totalitarismo, da barbárie presente em atos do governo, lamentavelmente com o apoio até de intelectuais impulsionados pelo ódio, pelo egoísmo, pelo narcisismo, pela busca do poder para serem amigos do Rei e desfrutarem das benesses de uma “zelite”, que dizem combater, sem se dar conta de que são as próprias “zelites”. Por isso, vislumbrar uma paz próxima, nos parece distante".

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Entrevista: Mashina
considerada a maior banda de rock de Israel

Às vésperas de viajar para o Rio de Janeiro, onde farão na terça-feira (dia 25 de novembro) um show no Canecão (Rio de Janeiro), os músicos do Mashina, considerada a maior banda de rock de Israel, concederam uma entrevista exclusiva ao jornalista e produtor Jaime Barzellai, especial para o Jornal ALEF. Informações sobre a banda: clique aqui ou acesse aqui.

Yuval Banai (vocalista), Avner Hodorov (pianista), Michael Benson
(baixista), Shlomi Bracha (guitarrista), Yggy Dayan (baterista)

Que tipo de musica vocês ouviam no início de carreira e quais os cantores de Israel que vocês mais curtem? A música que mais nos influenciou foi o rock dos anos 70. Depois vivenciamos o “new wave” dos anos 80 e foi o início de nossa carreira. Ouvimos mais a música de periferia e não o “pop” comercial. Com o rock ocidental que tocava pelo mundo, mesclamos um pouco de elementos orientais música de nossas raízes. Em Israel nossa música fazia parte da música de muitos artistas que tocavam conosco na noite e nos clubes, como Rami Fortis, Jean Conflict, Minimal Compact e a banda Click. Curtimos bastante no passado Shalom Hanoch, Arik Einstein, Kaveret, Ariel Zilber e hoje também, além da músicas israelenses antigas que nos acostumamos a ouvir desde a infância.

Conhecem algo sobre a música brasileira? Qual é a expectativa de tocar no Rio de Janeiro? No mundo todo tocam a música brasileira e aqui em Israel também. Ela é de muita qualidade. A Debi cunhada do baterista Yggy é brasileira e sua família sempre esteve envolvida com a música brasileira em Israel. Ela nos apresentou a vários artistas, ritmos e sons variados. Ouvimos Gilberto Gil, Gal Costa, Caetano e Tom Jobim que vieram se apresentar em Israel, além de bandas como os Paralamas, Kid, Barão que também gostamos. Estamos realmente bastante emocionados e ansiosos de conhecer o Rio de Janeiro e tocar na festa do Habonim. Ouvimos de várias pessoas que já estiveram no Brasil sobre o importante trabalho do movimento juvenil. Sobre o Brasil, ouvimos sobre as praias, as paisagens, a boa comida, mas o que mais marca as pessoas com quem conversamos, é a solidariedade e a simpatia do povo brasileiro.

O que o Mashina pode transmitir aos jovens? Vocês acham que a música pode ser uma forma de aproximação entre os povos? Através da nossa música podemos transmitir um pouco mais de nossas raízes, nossa cultura e nossa realidade. A música é parte importante na vida do nosso povo e na educação judaica, principalmente aos jovens da diáspora. É uma forma também de aproximar os judeus espalhados pelo mundo do Estado de Israel. Afinal de contas como diz uma de nossas músicas “ein makom acher” (“não há outro lugar”). Temos nos apresentado muito para o público geral, fora da comunidade judaica e israelense que vive fora de Israel. Achamos que a música, sim, tem um papel importante na aproximação e coexistência entre os diferentes povos. Quando a mensagem na música é positiva, de paz e apolítica, como é a nossa música, o público sente e se identifica. Se todos aqueles que brigam entre si, tocassem e cantassem, acreditamos que não teríamos guerras no mundo.

Artistas de Israel às vezes são hostilizados em alguns países por onde se apresentam. Isso já aconteceu com o Mashina? Sempre escutamos de colegas que, infelizmente, isso ainda acontece em alguns países. Fizemos há pouco tempo alguns shows na Suíça e nos EUA. Teve um caso de uma passeata anti-Israel na mesma hora que nos apresentávamos num grande teatro. Só soubemos do episódio depois do show ter acabado. Mas não nos recordamos de sofrer atos hostis pela nossa condição de judeus israelenses. Graças a Deus, dos shows, lembramos sempre do carinho e reconhecimento do público pelo nosso trabalho.

Como é a agenda da banda e como será o próximo trabalho? O Mashina vem se apresentando bastante em Israel e em vários países pelo mundo. Viajamos muito aos Estados Unidos. Em maio deste ano fizemos dois shows memoráveis para milhares de pessoas. Um em Los Angeles e o outro em Nova York. Em Israel terminamos agora uma grande turnê com o cantor Ehud Banai e estamos concentrados na gravação de um DVD baseado no nosso Show Unplugded com os melhores momentos de nossas carreiras. Cada músico da banda tem a sua carreira paralela, mas estar com a banda compondo, cantando e curtido juntos tantos anos na estrada é um prazer e é gratificante. Somos praticamente uma só família. A todos no Brasil, nossa mensagem é de Shalom e esperamos que gostem do show e venham nos assistir também em Israel.

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Entrevista: rabino David Weitman

Trechos da entrevista concedida pelo rabino David Weitman, da Sinagoga Beit Yaacov, conhecida como "a sinagoga dos Safra” a Joyce Pascowitch e Maurício Stycer, jornalistas da “Revista Poder”:

“Acho que há uma grande volta para as religiões, em geral. Em particular, no judaísmo, estamos assistindo a muitos jovens procurando por raízes. Não vamos esquecer que as gerações anteriores tiveram um problema de pobreza, de formação (poucos cursaram a escola) e houve o Holocausto. Hoje, muitos filhos querem aprender o que os pais não transmitiram”.

“Tento transmitir a autêntica mensagem judaica, válida para todas as épocas. Nosso povo tem valores que já duram 3.300 anos. Uma coisa que dura 3.300 anos deve ser boa. É isso que as pessoas procuram: não a minha pessoa, mas a mensagem, que é verídica”.

“A Igreja Católica está passando por uma certa crise, mas não vamos esquecer que é uma religião que atinge bilhões de pessoas. Por outro lado, talvez seja difícil para uma pessoa se associar, ou se identificar, com um líder religioso que não é casado, não tem filhos. No judaísmo, para ser líder religioso, tem de ser casado, tem de ter filhos. Só assim a gente entende problemas conjugais, conflitos de geração, de pais e filhos... Os fiéis se identificam com isso, vêem que a gente fala com conhecimento de causa”.

“Aprendi com meus pais a ler bastante. Essa leitura me ajudou muito a ter uma visão ampla das coisas. Uma cultura abrangente ajuda”.

“Na hora de fazer uma prédica, a gente procura nas fontes judaicas soluções para problemas atuais. Nós acreditamos que a mensagem de Deus é atual. Estudando a Torá, que é a Bíblia judaica, se olhar bem entre as linhas e nos comentários, é o jornal de amanhã. Tenho a convicção absoluta que temos na Torá as respostas a todos os problemas. Se eu não sei, um outro sabe”.

“A mensagem que nós rabinos estamos tentando transmitir é uma mensagem verdadeira. É uma mensagem milenar, que passou por todos os "ismos", comunismo, socialismo, fascismo, e mostrou que é duradoura, permanente. As pessoas procuram a mensagem, não a pessoa. Procuram uma filosofia de vida que possa ajudá-las na sua auto-estima, formar famílias sólidas, ter um bom diálogo com os filhos. É isso que as pessoas procuram. E o judaísmo tem soluções para isso. E a gente está transmitindo essas soluções - o que faz com que muitas pessoas queiram ser nossos amigos e aprender”.

“Hoje em dia existe uma instituição que é extremamente açoitada, que é a família. Seja em conflitos marido-mulher, pais e filhos. E as pessoas precisam de amparo, de ajuda, de um conselho bom. E esse conselho tem de vir de pessoas que prezam a família. Eu não posso me aconselhar sobre problemas conjugais com alguém que não preza a família. Não tem sentido. As pessoas, muitas vezes, procuram soluções rápidas, vapt-vupt, o que não existe. Mas existem possibilidades de melhorar tudo em qualquer relacionamento”.
“Cada pessoa tem de contribuir com o que pode. O pobre, que não pode contribuir com dinheiro, pode dar o seu tempo, sua energia, sua criatividade. Contribuir com dinheiro também é válido. Se Deus abençoa alguém que tem mais possibilidades, essa pessoa deve ajudar mais. Não é uma obrigação, é uma conscientização”.

“Em geral, é bom que a filantropia, a benevolência, seja feita com discrição e humildade. Mas, também, não pode ser discreto demais porque, do contrário, não incentiva ninguém a fazer. É bom saber que tem gente que ajuda. Sem dúvida, uma doação discreta é mais valiosa, mas também tem o seu valor quando se sabe que alguém dá”.

“Quem procura uma sinagoga tem de ser bem recebido, independentemente de quem ele é, do que ele fez, se ele observa a religião, ou não. Também é importante transmitir uma mensagem autêntica, as pessoas procuram por autenticidade. Não querem mais um paliativo, uma religião água com açúcar. Querem saber o que o judaísmo diz - sobre a pena de morte, sobre célula-tronco, sobre sexo, sobre tudo. Estamos tentando transmitir a mensagem autêntica, sem maquiagem, mas de uma forma acessível para todos, popular e com muito amor. Acho que isso é uma receita boa para hoje em dia”.

“É muito importante pesquisá-las. A pergunta é: de onde extraí-las? Células-tronco extraídas do cordão umbilical ou da espinha dorsal não têm problema. A questão ética forte é se podem criar embriões com o fim exclusivo de pesquisa. O judaísmo acredita que a pesquisa é boa, que tudo que se possa fazer para salvar o ser humano é válido, desde que não abreviemos a vida de um outro”.

“O judeu precisa se conscientizar, se ele quer a bênção divina, ele também tem de deixar o seu telefone, ele tem de fazer alguma coisa. Para o rapaz judeu, é fundamental colocar os tefilin. Isso é um celular para se comunicar com o Altíssimo. Eu diria até que é uma ligação a cobrar. É Deus quem paga. Assim como, para a mulher judia, acender as velas na sexta-feira à noite (Shabat) é essencial. Não só ilumina a casa dela, mas dá uma iluminação espiritual. Isso é básico. A alimentação kasher também é importante. Acreditamos piamente nas palavras da psicologia moderna, que dizem: o homem é o que ele come. Se eu como um animal cruel, ou feroz, isso faz diferença. Nenhuma ave de rapina é kasher. Nenhum fruto do mar é kasher, porque eles se alimentam do lixo dos portos. Todos os animais permitidos são dóceis e domésticos”.

“A nossa receita de felicidade para o não judeu é aderir às sete leis universais de Noé. Acreditar em um Deus único e respeitá-lo, respeito à vida humana, respeito à família, respeito à propriedade alheia, respeito aos animais e seguir a justiça. Aderir a essas leis é um portão para o mundo vindouro”.

“Não tenho televisão em casa, não vou ao cinema nem ao teatro, mas leio bastante. Uso a Internet apenas como meio de trabalho. Acredito que, sabendo o que acontece no mundo, seguindo os desenvolvimentos tecnológicos e com a mensagem milenar da Torá, a gente pode passar tranqüilamente por todas as tempestades”.

“Às vezes é difícil ser otimista. Tragédias como essa da criança na janela deixam você triste. São casos que degradam um pouco o ser humano. O ser humano deve ser reto: a cabeça e o rabo não podem ficar na mesma altura. Esse é o animal. O ser humano tem a cabeça acima do coração, o coração acima do resto dos órgãos. Mas não podemos nos deixar impressionar por esses episódios. Temos de acreditar que o homem tem uma alma divina, foi criado à imagem de Deus e tem um potencial fantástico. E vamos extrair o melhor de cada um”.

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A vida judaica em Cuba

Marcia e Daniel Sasson estiveram em Cuba, onde ele participou
como palestrante do “III Congresso Latinoamericano e do Caribe
de Economia da Saúde” e ela produziu o texto abaixo:

Não foi difícil achar uma sinagoga em Cuba. Em uma das principais avenidas da capital uma placa indica a direção. O enorme prédio com uma escadaria na frente não possui grades ou muros e nenhum segurança estava rondando a porta. Toquei a campainha e um senhor atendeu. Após nos identificarmos (eu e meu marido Daniel) fomos convidados a entrar e enquanto visitávamos a instituição ele nos fez um breve relato dos mais de 100 anos de história da sinagoga. Conhecida como El Patronato, a Sinagoga Bet Shalom abriga o maior número de freqüentadores das três sinagogas existentes em Havana. Lá, além da sinagoga, funciona uma biblioteca, uma escola dominical para crianças, que aprendem cultura judaica e hebraico, um amplo refeitório que recebe cerca de 100 pessoas para o Kabalat Shabat, uma organização feminina e um grupo de dança israeli.
As placas, em uma das paredes do prédio, homenageiam os que ajudaram a construir e manter a instituição e agradecem aos judeus de diversos países que fazem doações para a comunidade judaica de Cuba, hoje restrita a 1.500 pessoas em uma população de 11 milhões de habitantes. Uma outra parede exibe fotos de Fidel Castro quando de sua visita à sinagoga, em 1999.
A partir de 1959, após a revolução comunista, a maior parte da população judaica, cerca de 25.000 pessoas, constituída principalmente de judeus sefaradis vindos da Turquia e uma parcela menor de asquenazi, provenientes do leste europeu, imigrou para os EUA e outros fizeram aliá, mas aqueles que continuaram a viver na ilha procuraram seguir as tradições judaicas do jeito que podiam e como lhes era permitido.
Algumas quadras adiante outra placa indica o Centro Hebraico Sefaradi de Cuba. Mais uma vez ficamos surpreendidos pelo tamanho do prédio. Lá fomos recebidos pela médica Mayra Levy, sua atual presidente, que nos contou que a entidade possuía uma sinagoga com capacidade para 700 pessoas mas que, com a diminuição da comunidade, tiveram que alugar o salão e hoje a sinagoga ficou reduzida a um espaço que comporta cerca de 100 pessoas. Além das rezas diárias e do kabalat Shabat, semanalmente um grupo de senhoras se encontra para troca de receitas. Todas as festividades do calendário judaico são comemoradas, mas nas grandes festas a Bet Shalom se une ao Centro Hebraico Sefaradi e seus membros celebram Rosh Hashaná e Iom Kipur juntos.
Com o bloqueio econômico dos EUA, o povo como um todo carece de muitas coisas e a comunidade judaica de mais um pouco, como livros, filmes, comidas de Pessach e produtos Kasher. Apesar de existir um único açougue kasher, a maioria dos judeus mantém kashrut, segundo a Dra. Mayra, se restringindo a comer peixe e frango, pois a carne de porco é muito consumida e está presente em muitos pratos da culinária cubana. Uma terceira sinagoga de rito ortodoxo funciona no bairro de Habana Vieja, “Patrimônio da Humanidade”, segundo a Unesco. Uma quadra antes da sinagoga uma praça ostenta uma enorme menorá inaugurada pelo líder cubano em memória às vítimas judias do Holocausto. Apesar de a revolução ter mudado radicalmente a vida das pessoas, nenhuma expressão religiosa foi coibida e não há anti-semitismo em Cuba. A única restrição aos praticantes de qualquer credo é não poder pertencer ao Partido. Faz sentido!

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Mangabeira Unger e Israel

Nahum Sirotsky, correspondente do iG em Israel

O ministro Mangabeira Unger e uma delegação de civis e militares brasileiros chegaram a Israel para uma visita cuja parte oficial começará amanhã (dia 17 de novembro). Talvez seja a maior delegação a vir ao país. E estará recebendo tratamento reservado apenas aos mais importantes visitantes. O programa prevê conversações e visitas a locais de importância estratégica israelense, e encontros com as mais altas autoridades militares e científicas nos setores de interesse direto de Mangabeira Unger. A delegação brasileira chega a convite do governo. E um alto funcionário israelense explica que é outra demonstração do que qualificou de “estado de excelência” a que chegaram as relações entre os dois países.
A ministra da Educação, Yuli Tamir, deve se reencontrar com o ministro brasileiro, a quem conheceu nos EUA. Há curiosidade nos altos meios, pois é sabido que Mangabeira Unger foi um dos professores de Barack Obama na Universidade de Harvard. Continua circulando nos meios políticos e diplomáticos que o presidente Lula virá a Israel nos primeiros meses de 2009. O dia exato ainda não teria sido fixado devido às eleições gerais israelenses em fevereiro, quando se poderá formar o novo governo. O atual é interino. Nos meios da diplomacia israelense prevê-se a primeira visita de Lula a Israel como presidente. Seria na primeira metade de 2009. Lula esteve no país quando líder sindical.

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Vitória de Obama deve inspirar judeus

Jornal israelense "Haaretz"

A eleição do democrata Barack Obama nas eleições presidenciais americanas traz novas perspectivas para Israel e um novo passo em direção ao conceito de igualdade e humanidade. A análise foi publicada pelo jornal israelense "Haaretz". De acordo com a publicação, a vitória de Obama, primeiro presidente negro dos EUA, é marcante para os judeus que já vivenciaram os males do preconceito e sabe a importância do conceito de que todos são iguais. "Apenas no século XIX os judeus começaram a receber direitos iguais em muitos países e foi apenas no século XX que os judeus foram efetivamente aceitos nas sociedades ocidentais. Até algumas décadas atrás, mesmo nos EUA, os judeus não eram aceitos em alguns clubes e empresas de advocacia”. Se os judeus exigem que o mundo não esqueça os 6 milhões de vítimas o Holocausto, afirma o "Haaretz", não deveria esquecer também os 6 milhões de negros mortos durante a longa história de escravidão. Obama deve levar também uma nova perspectiva de negociação com os muçulmanos, que não poderão usar argumentos anti-muçulmanos contra um homem que se chama Barack Hussein Obama e tem parentes muçulmanos. A rede terrorista Al Qaeda disse claramente preferir o republicano John McCain por ser um inimigo muito mais óbvio. Como um presidente cosmopolita, com uma história muito mais global que tipicamente americana, Obama deve levar ao governo americano a causa dos universalistas, como os judeus "que nunca se encaixaram em uma categoria simples". O jornal ressalta, contudo, que Obama não será a solução para todos os problemas da região e nem mesmo dos EUA. "Ele tem grandes desafios à frente e nós ainda temos que ver quanto tempo e energia ele vai dedicar à sua promessa de não abandonar o conflito no Oriente Médio", escreve. Mas o democrata americano deve servir de inspiração para os judeus refletirem porque na próxima eleição israelense não tem um candidato que traz a esperança como lema. "Talvez seja porque nenhum de nossos líderes em potencial defende a idéia de uma humanidade universal e dos direitos humanitários que inspiraram tantos judeus durante os últimos dois séculos", conclui o "Haaretz".

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A Noite dos Estilhaços

Jeanette Erlich

Entre os livros que havia na casa dos meus pais, ha um pequeno texto, impresso em gótico em Darmstadt, Alemanha, cujo título se traduz para “As perseguições aos judeus em Speyer, Worms e Mainz no ano de 1096, durante a Primeira Cruzada” (referência 1, veja no final do artigo). O autor, Moses Mannheimer, escreve no prólogo: “...pois apesar de nos depararmos (no relato) com ações abomináveis e horrivelmente cruéis, que entristecem qualquer coração e diante das quais o gênio da humanidade esconde entristecido o seu rosto, de outro lado irá satisfazer a elevada consciência de que vivemos num tempo em que, independente de cultura ou humanidade, as firmes leis estatais tornam inviável a possibilidade de que algo semelhante possa voltar a acontecer”. O texto acima é datado de 1877, isto é, apenas 56 anos antes da instalação do nazismo na mesma Alemanha! Enquanto o nazismo se instalou oficialmente na Alemanha em 1933, a Kristallnacht aconteceu em 9 de novembro de 1938, na Alemanha e na Áustria, que então já havia sido anexada. Recebeu esse nome mais apropriado para um evento festivo dizem, para lembrar, ironicamente o sorriso no rosto daqueles que se alegraram com o que aconteceu nesse dia.
Mas esta data não foi, absolutamente, o início da escalada de violência contra os judeus na Alemanha nazista. Desde 1933 e até mesmo antes, houve assassinatos perpetrados por membros da organização nazista e certamente desde os primeiros dias do governo nazista decretaram-se leis e houve ações como: a expulsão dos judeus do quadro do funcionalismo público (a exceção dos ex-combatentes da I Guerra), boicote obrigatório das lojas de judeus no dia 01 de abril de 1933, seguido de ataques e saques, demissão de empregos, expulsão do sistema de seguridade social, obrigação dos médicos a atender arianos sem serem remunerados, desapropriação de empresas, expulsão de alunos e professores judeus das escolas e das universidades, aprisionamento e morte em campos de “detenção” a qualquer suposto motivo, surras, ataques físicos de grupos nazistas organizados ou não, proibição de participação em agremiações esportivas, proibição de passeio nos parques públicos, venda forçada de residências por preços absurdos, perda de cidadania (não eram mais cidadãos judeus alemães mas sim judeus na Alemanha), etc. etc. Vemos, então, que a chamada Kristallnacht foi a continuação em escala muito mais violenta, de um processo de agressão, humilhação e deslegitimação do cidadão judeu alemão.
O suposto estopim do episódio desse dia, 09 de novembro de 1938, é conhecido: um jovem de dezessete anos que vivia em Paris, dá um tiro matando um diplomata alemão na embaixada, ao saber do que acontecia com a sua família: Estavam entre os doze mil poloneses que viviam legalmente na Alemanha há vinte anos e que foram expulsos da noite para o dia, sem poderem levar mais do que uma mala, deixando para trás tudo que lhes pertencia e o que haviam construído. Não sendo aceitos na Polônia, viram-se junto a uma multidão, abandonados numa estação de trem na fronteira, esperando desassistidos, com frio e com fome, levados ao desespero e à loucura. O pretexto para uma escalada contra os judeus não poderia ser melhor. Como primeira medida, os jornais judeus foram imediatamente proibidos a circular, de maneira que deu-se a ruptura do elo que tentava manter coesa, orientava e apoiava a comunidade ainda existente e suas organizações culturais, religiosas e assistenciais que, entre outras necessidades, ajudavam e viabilizavam onde possível, a emigração.
O que se segue, na Kristallnacht, dificilmente será compreendido por qualquer um de nós que não conviveu com a situação. Através da devida exploração, pela mídia, do assassinato em Paris, responsabilizando os judeus pelo acontecido e mais uma vez usando o fato como prova de que esses construíam uma campanha contra a Alemanha, e de discursos apropriados da liderança, a população foi “preparada” para uma histeria potencializada. Ordens haviam sido dadas pela liderança, através telefonemas e conversas pessoais. Nunca por escrito. Grupos organizados iniciaram então a queima de sinagogas e a população, estimulada, expressando todo o seu ódio e satisfação, participou ativamente incendiando e apedrejando as sinagogas por toda a Alemanha e Áustria, em cidades e em aldeias. As sinagogas eram invadidas e saqueadas, sendo levados quaisquer objetos de ritual com valor material. Móveis e livros jogados à rua e queimados. Sifrei Torá desenrolados e jogados à rua para serem rasgados e queimados. O número de sinagogas total ou parcialmente destruídas varia, dependendo de diversos relatos e estatísticas, chegando a mais de mil. Os bombeiros não atendiam a chamados, apenas atuavam onde prédios vizinhos ficavam expostos ao perigo do fogo. Judeus que tentavam acudir eram ameaçados ou surrados e assassinados.
Lojas foram quebradas, queimadas e saqueadas. Residências foram invadidas. Móveis e objetos voavam pelas janelas. Pianos se estatelavam pelas calçadas, se não roubados. Louças e outros objetos, de valor ou decorativos e de estimação, igualmente quebradas se não roubados. Famílias expulsas de suas residências, expropriadas para ocupação de outros. Dezenas de milhares de homens procurados em suas residências e levados para campos de concentração, dos quais muitos jamais voltaram. Pessoas na rua eram agredidas, chutadas, obrigadas a escovar o chão, humilhadas de toda maneira possível, enquanto a multidão assistia, gritando e rindo. Sorrisos de satisfação viam-se em muitos que, calados assistiam. Na Kristallnacht foi usada a estratégia de Hitler segundo a qual muitas ordens eram apenas dadas verbalmente ou mesmo insinuadas aos seus homens de confiança que deduziam os desejos do Führer. Na história de todo o terror nazista não podemos esquecer que sempre houve aqueles, ditos arianos, que se recusavam a participar da barbárie. Protestavam e ajudavam onde podiam, muitos pagando com a vida e até mesmo se suicidando com o desgosto pelo que acontecia! Precisamos compreender a humilhação, pavor e dor pela qual passaram todas as vítimas do regime nazista, antes e depois da Kristallnacht. Pessoas que com orgulho se sentiam parte tão integrante de tudo que era alemão. A dor da humilhação acompanhou pelo resto da vida e ainda acompanha aqueles que conseguiram sobreviver.
A história dos judeus alemães é uma longa saga de luta pelos direitos à cidadania que a partir do século dezoito toma um impulso positivo, no entanto com constantes progressos e retrocessos, tanto no âmbito das leis quanto na atitude do povo alemão em geral. Mas os progressos eram maiores do que os retrocessos e os judeus alemães das últimas décadas haviam chegado a uma posição de plenos direitos, de cidadania e integração plena e de situação econômica localizada na classe média e classe média/alta. O discurso sobre a riqueza excepcional dos judeus alemães é desinformação, e embora chegassem a possuir 2% dos bancos (contra 0.9% de participação populacional) e alcançassem grande sucesso na indústria, no comércio e nas profissões liberais, não tinham participação nas grandes indústrias como óleo, aço, material bélico etc. Participavam da vida política, preocupados com os destinos da Alemanha, eram ativos e muitas vezes lideravam e apoiavam financeiramente instituições de ação social, cultural, hospitalar e outras. A integração social entre pessoas das diversas religiões era ótima. Maciçamente os judeus se fizeram representar como soldados da I Guerra Mundial. Haviam conquistado o direito de serem cidadãos alemães de crença judaica (referência 2, veja no final do artigo). Uma grande maioria vivia na Alemanha há cinco ou mais séculos, sem terem pista na sua história familiar de origens fora do território alemão.
Lembrando o trecho que inicia esse texto, os judeus na Alemanha haviam percorrido um longo caminho de sofrimento no passado e de grandes conquistas onde nada nos últimos mil anos lhes indicava que algo como a barbárie nazista poderia acontecer. É com estes olhos que devemos analisar a reação daqueles que vivenciaram e tiveram que tomar decisões de vida ou morte diante do nazismo. Segundo as estatísticas, em 1933 havia na Alemanha 503.000 pessoas pertencentes à religião judaica, ou 0.9% da população. Pouco mais da metade havia emigrado em finais de 1938. Nos primeiros anos ainda havia uma relativa facilidade de obtenção de vistos para a maioria, pois possuíam passaporte alemão. É sabido que com os anos as restrições foram aumentando e não houve concessões especiais por parte das nações do mundo, para receber um número maior de refugiados. Pior, os vistos em sua maioria não concediam o direito ao trabalho. É importante lembrarmos que nas circunstancias históricas da época, não era previsível o que hoje sabemos ter acontecido. Era comum e razoável a esperança em um final do regime nazista poucos meses adiante, esperança partilhada e verbalizada discretamente por muitos amigos e vizinhos arianos. Tentar agüentar até o final era uma atitude razoável. A emigração era fácil apenas para aqueles, geralmente bem jovens, que não traziam consigo, dependentes. No entanto tinham de tomar a decisão de se separar de pais, avós e irmãos. E que arriscada seria a decisão de emigrar sem visto de trabalho, para aqueles que deveriam levar pais que não recebiam vistos ou filhos pequenos, sem que se soubesse da possibilidade de prover um pedaço de pão para estes, desde o primeiro dia em terra estrangeira! Eram poucos os que possuíam valores que lhes garantissem uma subsistência pelo menos no início da emigração. Era difícil, também, avaliar a hora de se desfazer (e a preços aviltados) dos eventuais bens imóveis e negócios que haviam sido conquistados durante gerações, com muito trabalho.
Grande influência na decisão de emigrar também dependia de como, entre os anos 33 e 38, a pessoa era individualmente afetada, desde pela hostilidade ou demonstração de amizade do vizinho ariano, até a condição do emprego, de algum ataque pessoal sofrido, de um apedrejamento em sua casa. As exceções favoráveis que aconteciam na vida de alguns, dependendo de amizades úteis ou mesmo de uma posição que interessasse ao regime, e também dependendo da região ou cidade em que se vivia, tanto quanto as ordens indiretas dadas pela liderança nazista sem que houvesse confirmação por escrito, adicionavam à confusão e provocavam uma compreensão muito variada daquilo que estava acontecendo. O regime nazista preocupava-se com a reação internacional às suas escaladas de violência. A falta de uma atitude positiva que pudesse freiá-los deu-lhes a liberdade de avançarem nos seus objetivos muito além da Alemanha e muito além do problema com os judeus. Da mesma maneira, está claro que, uma reação interna por parte da população alemã em geral, também poderia ter desviado o rumo do movimento hediondo que se construiu. Não é necessário sermos psicólogos para constatarmos através do que aconteceu ali, a capacidade do ser humano para perpetrar o mal. A reflexão constante será a única maneira de tirarmos lições. A indiferença diante do sofrimento do próximo, e daquele que não é tão próximo, continua inalterada entre nós, os seres humanos. Para nosso aprendizado, como judeus, fica principalmente a importância da existência do Estado de Israel. É por causa do Estado de Israel que podemos ser cidadãos orgulhosos de qualquer nação em que vivemos pois o somos por escolha e não por necessidade. O Estado de Israel é o nosso esteio através do qual jamais passaremos pela humilhação em que se viram os nossos antepassados. Faz-se necessária uma reflexão continuada e ininterrupta que ajude a fortalecer cada vez mais o Estado de Israel.

Referências
1) Die Judenverfolgungen in Speyer, Worms und Mainz im Jahre 1096 während des ersten Kreutzzuges, Moses Mannheimer, Darmstadt 1877
2) Deutsche Bürger jüdischen Glaubens

Bibliografia:
1) Arad, Gutman & Margaliot
“El Holocausto en Documentos”
Ed. Yad Vashem – Instituto do Holocausto
Jerusalem, Israel, 1996
2) Arnsberg, Paul
“Die Geschichte der Frankfurter Juden”
Seit der Französichen Revolution
Ed. Eduard Roether, 1983, Darmstadt, Alemanha.
3) Friedländer, Saul
“Nazi Germany and the Jews”
1933-1939
Harper Collins Publ., 1997, New York, N.Y., U.S.A.
4) Meyer, Michael A.
“Response to Modernity”
A history of the Reform Movement in Judaism
Oxford University Press, 1988, New York, N.Y., U.S.A.
5) Depoimentos Orais de testemunhas.

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Brasil e Irã: relações perigosas?

Abraham Goldstein, co-presidente da B'nai B'rith do Brasil

A visita do Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim ao Irã vai além do estreitamento dos laços comerciais. A visita tem sido acompanhada por uma comitiva de empresários com o objetivo de reforçar o comércio entre os países. Fato louvável e que todo governante deveria se preocupar constantemente, além de atuar para manter o seu país estruturalmente competitivo e com adequado nível educacional. Acontece que o Presidente Iraniano Sr. Mahmoud Ahmadinejad declarou a sua intenção e objetivo de destruir o Estado de Israel, um país legitimamente constituído e a única democracia atuante no Oriente Médio. Financia o movimento terrorista Hezbollah, situado no Líbano e apóia econômica e politicamente outros movimentos de caráter fundamentalista islâmico.
O Irã é acusado formalmente pela Argentina pelo atentado à AMIA – Associação Mutual Israelita Argentina, e à Embaixada de Israel que deixou centenas de mortos e feridos. O Irã tem se aproveitado dos desejos de alguns mandatários e seus assessores de confrontar os Estados Unidos e estabelecido relações “perigosas” para a democracia de nossa região latino-americana. O governo iraniano hoje persegue as minorias religiosas como os bahai`s que são presos e torturados e considera crime, condenado com a morte, a conversão de um muçulmano ao catolicismo ou a qualquer outra religião. A política do pragmatismo econômico, a expansão dos negócios, não pode fechar os olhos à esta realidade. O Brasil democrático e pluralista não tem porque não sustentar e promover os seus grandes valores de uma sociedade integradora e promotora da Paz.

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Relação Brasil e Irã

Pronunciamento feito pelo deputado federal
Marcelo Itagiba na tribuna do plenário da Câmara dos Deputados

Venho à tribuna desta Câmara dos Deputados para manifestar a minha indignação com a visita do chanceler brasileiro Celso Amorim ao Irã. Pensei que a imagem estampada recentemente na imprensa do encontro do presidente Lula com o presidente do Irã, em setembro, durante a Assembléia Geral da ONU, tivesse sido meramente um triste e inevitável encontro protocolar. Afinal, eu jamais poderia imaginar que aquele encontro, na verdade, viesse a se constituir em uma visita oficial do nosso chanceler a um país cujo presidente, além de pretender negar a ocorrência do Holocausto, que matou mais de seis milhões de seres humanos judeus, vem também propugnando a extinção do Estado de Israel.
Ou seja, não satisfeito em negar o genocídio de milhões, Mahmoud Ahmadinejad, com suas declarações, deseja realizar um segundo Holocausto. Tenho grande respeito pelo Itamaraty, pelos seus membros e por suas propostas de política externa independente, mas não posso admitir que alguns atuem a Chamberlain, primeiro ministro inglês, que com a sua pouca visão permitiu o fortalecimento do nazismo e a II Guerra Mundial. Não podemos permitir que a política externa brasileira atue como alguns diplomatas que, durante o Estado Novo, por trás de seus bigodinhos e suas suásticas tatuadas no peito, apoiavam o nazi-facismo e elaboravam resoluções reservadas que impediram a entrada, em nosso país, de refugiados judeus que acabaram massacrados na Europa. Como política externa, prefiro a do Itamaraty que apoiou a criação do Estado de Israel (fonte: Rua Judaica)
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Noite dos cristais

Jane Bichmacher de Glasman, escritora, doutora
em Língua Hebraica, Literaturas e Cultura Judaica - USP,
fundadora e ex-diretora do Programa de Estudos Judaicos da UERJ

A Noite de Cristal (em alemão Reichskristallnacht ou simplesmente Kristallnacht) é o nome dado aos atos de violência que ocorreram na noite de 09 de novembro de 1938 em diversas partes da Alemanha e da Áustria, então sob o Terceiro Reich. O nome deriva dos cacos de vidro (das vitrinas das lojas, dos vitrais das sinagogas, etc.) resultantes deste episódio de violência racista. Foram chacinados judeus alemães e centenas deles enviados para campos de concentração. A Noite dos Cristais foi o único pogrom em larga escala ocorrido nas cidades da Alemanha durante todo o Holocausto. No dia 09 de novembro de 1938 havia duas faixas numa das entradas da Universidade da cidade alemã de Erlangen: a de cima, proibia a entrada de judeus; a de baixo, um apelo ao recrutamento para o partido nazi.
Em 07 de Novembro de 1938, um jovem judeu polonês de 17 anos, Herschel Grynszpan, atirou em Ernst von Rath, um funcionário de baixo escalão na embaixada alemã em Paris. Dias antes, Grynszpan havia recebido uma carta de sua irmã contando-lhe que ela, seus pais e milhares de outros judeus poloneses que viviam na Alemanha haviam sido expulsos sem aviso prévio. Na noite do dia 9 de novembro, Hitler recebeu um telegrama anunciando a morte de Rath. Os nazistas culparam o “Judaísmo Mundial” pelo assassinato e, ostensivamente como represália, desencadearam um pogrom em massa contra os judeus dentro do Terceiro Reich. Hitler pediu a Goebbels, seu chefe de propaganda, que retaliasse com um ataque contra os bens dos judeus.

A ordem era clara: os SA (Tropas de assalto) deveriam vestir-se à paisana para que parecesse um movimento espontâneo de uma população em fúria contra os judeus. Por toda a Alemanha e territórios sob ocupação Nazi, cobertos pelas sombras, milhares de judeus foram presos e encaminhados para campos de concentração. O progrom foi especialmente destrutivo em Berlim e Viena. A maioria das sinagogas foi destruída e saqueada. Lojas, sinagogas e lares foram incendiados, à vista dos bombeiros e da população. Vitrines de 7.500 lojas judias foram quebradas e a mercadoria levada. Cemitérios judaicos foram violados. Homens da SA que percorriam as ruas atacando judeus mataram ao redor de 100 pessoas. Não foi ninguém, ninguém viu. Era noite!... Os incêndios chocaram uma parte da população, mas não o fato de que os judeus tivessem sido atacados fisicamente. Para culminar o ultraje, a autoridade nazista cobrou uma multa aos judeus de um bilhão de marcos (em torno de 400 milhões de dólares em 1938) pelas desordens e prejuízos dos quais foram eles vítimas.Nos dias seguintes, muitos judeus abandonaram a Alemanha. Não havia dúvidas, a matança começara. Uma parte dos que conseguiram fugir a tempo foi para a Palestina, território então sob domínio inglês – onde muitos mais já tinham procurado abrigo logo depois de Hitler ter chegado a chanceler, em 1933.

Nas semanas seguintes, o governo alemão promulgou dezenas de leis e decretos com o objetivo de privar os judeus de suas propriedades, dos meios para ganhar a vida e excluí-los de toda participação na vida social pública. Leis foram promulgadas para forçar a transferência a proprietários não judeus de todas as empresas de propriedade judaica, por uma fração de seu valor real. As escolas judaicas foram fechadas, e as crianças judias que freqüentavam as escolas alemãs foram expulsas. Os judeus foram proibidos de exercer a maior parte das profissões. Proibiu-se também que fossem proprietários de automóveis, suas licenças de dirigir foram retiradas e seu acesso aos meios de transporte público foi enormemente limitado. Proibiu-se também que os judeus freqüentassem lugares públicos de lazer, ou assistissem a peças de teatro, cinema ou concertos. Kristallnacht marcou o começo da erradicação sistemática de um povo que havia chegado à Alemanha na época dos romanos e foi um prenúncio sinistro do Holocausto que se seguiria. Foi mais do que a destruição de sinagogas - foi um divisor de águas, que marcou o momento em que a Alemanha renegou os padrões europeus de comportamento moral aceitáveis.

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A posição israelense sobre
as atividades terroristas
na Faixa de Gaza

Embaixada de Israel no Brasil

As Forças de Defesa de Israel (F.D.I.), realizaram uma operação para abortar um plano do Hamas de seqüestrar soldados usando um túnel da Faixa de Gaza para dentro do território israelense. As F.D.I. interditaram um ataque semelhante àquele em que Gilad Shalilt foi seqüestrado há dois anos e meio. A operação recente das F.D.I. foi limitada a um parâmetro de segurança definido com precisão e, após sua conclusão, as Forças de Israel deixaram a Faixa de Gaza.
Israel vê com gravidade a política do Hamas de continuar a planejar ataques terroristas contra Israel enquanto mantém um pretenso estado de calma. Israel culpa o Hamas por todo o terrorismo proveniente da Faixa de Gaza e continuará a tomar ações determinadas para se defender como também a seus cidadãos de qualquer ataque terrorista. As ações do Hamas constituem uma clara violação dos acordos obtidos com o Egito concernentes ao estado de calma e visam minar o processo de negociação entre Israel e a Autoridade Palestina. Independente da tentativa do Hamas de escavar um túnel para dentro de Israel para tentar seqüestrar um soldado, Israel tem interesse em preservar e manter o estado de calma. Os ataques de foguetes e morteiros às comunidades israelenses ao oeste do Negev, constituem uma latente violação da calma por parte do Hamas e representam uma continuação de sua política de terrorismo contra civis inocentes.

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