Especialistas
questionam se Hollywood explora o Holocausto
para atrair o “Oscar”
O
“Oscar” tem uma história de premiar
filmes que narram os horrores do Holocausto, mas os
críticos questionam o oportunismo do lançamento
de uma série de longas que recriam essa tragédia
para chamar a atenção da Academia. Um
número sem precedentes de filmes consagrados
a distintos ângulos da barbárie nazista
chegou aos cinemas americanos desde o fim do ano passado,
um período propício para lançar
no mercado as fitas que esperam disputar o “Oscar”.
Entre os títulos se destacam "O Leitor",
"O Menino do Pijama Listrado", "Um Homem
Bom", "Operação Valquíria",
"Adam Resurrected" e "Um Ato de Liberdade".
"O Leitor" recebeu cinco indicações
à premiação da Academia de Ciências
e Artes Cinematográficas, entre elas melhor filme,
diretor para Stephen Daldry e atriz para Kate Winslet,
que interpreta uma ex-vigilante de um campo de concentração.
No entanto, o jornalista novaiorquino Ron Rosenbaum,
autor de um livro sobre Hitler, chamou "O Leitor"
como "o pior filme feito até hoje sobre
o Holocausto. É um filme cuja metáfora
principal consiste em desculpar os alemães que
viveram a época nazista de sua cumplicidade por
terem estado a par da solução final.
O fato de recentemente ter sido indicado ao Oscar de
melhor filme demonstra que Hollywood parece pensar que
se é uma fita “sobre o Holocausto”
tem que ser honrada, isto é tudo". Já
Andrew Wallenstein, chefe de redação do
jornal The Hollywood Reporter, acusou os estúdios
de "explorar uma tragédia para ganhar o
tipo de peso que o Holocausto confere. É necessário
dizer: a verdadeira razão pela qual vemos muitos
destes filmes é porque estão farejando
os prêmios", declarou. Em 1994, "A Lista
de Schindler" recebeu sete Oscar. Nove anos depois,
"O Pianista" recebeu três estatuetas,
enquanto em 2008 o prêmio de filme estrangeiro
foi para "Os Falsários", longa austríaco
ambientado em um campo nazista. Annette Insdorf, autora
de um ensaio sobre o cinema e a Shoah, reconhece que
muitos filmes sobre o Holocausto têm sido premiadas
pelo Oscar, mas para ela isto não significa mais
que "a fascinação de Hollywood por
histórias de conflito, de luta e redenção".
Ela discorda das críticas a "O Leitor"
por considerar que não se trata de um longa-metragem
sobre o Holocausto no sentido estrito. "Fala do
aprendizado de um jovem: uma mulher com um segredo que
remonta à II Guerra Mundial é vista através
dos olhos de um jovem apaixonado. Estes personagens
se encontram depois da guerra", opina. Para Scott
Feinberg, editor do suplemento de cultura do jornal
Los Angeles Times, os filmes sobre o Holocausto podem
seduzir a Academia porque são obras "com
uma mensagem importante. Mas Hollywood é alvo
de uma grande polêmica com filmes como “O
Leitor” este ano. Muitas pessoas estão
furiosas porque dizem que é uma tentativa de
ganhar um Oscar", explica ele.
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Removendo
o tumor
maligno do terrorismo
Natan
Sharansky, vice-primeiro-ministro de Israel
A guerra de Israel em Gaza foi recebida
com brados de protesto ao redor do mundo. Eles vieram
de duas fontes: primeiro, há aqueles que se opõem
a qualquer esforço israelense de auto-defesa,
principalmente porque acham que um Estado judeu nem
mesmo deve existir. Essa é uma forma de anti-semitismo,
e tal ponto de vista deveria ser logo descartado, sem
que se argumente contra ele. Em segundo lugar, há
aqueles que apóiam a existência de Israel,
mas acreditam que foi errado promover um ataque tão
duro contra a Faixa de Gaza. Esse argumento assume duas
formas: (1) que a resposta de Israel é desproporcional
e, portanto, errada; e, (2) que há formas menos
violentas de lidar com o Hamas – através
de pressões internacionais, sanções
ou negociações. As duas alegações,
por mais lógicas que possam parecer, ignoram
as lições da história, inclusive
a história recente de Israel no combate ao terrorismo.
Nos dez anos em que servi como ministro no Gabinete
de segurança de Israel, aprendi como tais argumentos
podem ser equivocados. Em 01 de junho de 2001, um homem-bomba
suicida atacou a entrada da discoteca Dolphinarium em
Tel-Aviv. Vinte e um israelenses, em sua maioria jovens,
foram mortos e mais de 130 ficaram feridos. Esse foi
o último de uma série de ataques suicidas
que tinham sido lançados desde o início
da Segunda Intifada em setembro de 2000. No dia seguinte,
participei de uma reunião dramática do
Gabinete para discutir nossas opções –
uma reunião realizada no Shabat, justificável
apenas por uma emergência real. A maior parte
dos ministros achava que era necessário tomar
medidas decisivas.
Oficiais militares apresentaram um plano para erradicar
a infra-estrutura do terror, através de uma campanha
complexa no coração das cidades e dos
campos de refugiados palestinos. Apesar do ataque ter
sido cometido pelo Hamas, estava claro que o líder
palestino Yasser Arafat tinha lhe dado luz verde. Tínhamos
tanto o direito quanto a capacidade para contra-atacar.
No decorrer da reunião, porém, nosso ministro
do Exterior entrava e saía da sala, falando pelo
telefone com líderes mundiais, transmitindo-nos
o que tinham dito. Sua mensagem era clara: no momento,
Israel contava com a simpatia da comunidade internacional.
Enquanto mantivermos nossa resposta militar no mínimo,
o mundo continuará do nosso lado, e a crescente
pressão diplomática irá controlar
o terrorismo, disse ele. Mas, se lançarmos um
ataque em grande escala contra os terroristas, arriscamo-nos
a perder o apoio mundial e a transformar Arafat de agressor
em vítima.
Finalmente, o primeiro-ministro foi convencido pela
abordagem dele, e tomou-se a decisão de adotar
uma resposta proporcional – ataques localizados
a células terroristas, operações
especiais, prisões – e de permitir que
a diplomacia exercesse sua mágica. Nos próximos
nove meses, Israel moderou seu fogo, e o mundo realmente
condenou o terrorismo. Mas os ataques simplesmente aumentaram.
No coração de Tel-Aviv e Jerusalém,
homens-bomba suicidas explodiram cafeterias, ônibus
e hotéis. A vida noturna acabou, o turismo foi
dizimado e os hotéis tiveram de despedir a maior
parte dos seus trabalhadores. Um dos meus colegas no
governo, Rehavam Ze’evi, foi abatido por terroristas.
Nesse meio-tempo, os EUA sofreram seu próprio
ataque terrorista em 11 de setembro e fizeram intensas
pressões sobre nós para que não
retaliássemos contra os palestinos, com medo
de que isso complicasse sua própria guerra com
a Al-Qaeda. A situação chegou a um clímax
em março de 2002, quando mais de 130 israelenses
foram mortos num só mês – sendo que
o ataque mais infame ocorreu em 27 de março,
na véspera da Páscoa, no Park Hotel em
Netanya. No dia seguinte, o Gabinete reuniu-se –
novamente num encontro extraordinário durante
um feriado religioso. A reunião começou
às 6 da tarde e prosseguiu durante toda a noite.
Dessa vez, porém, o governo decidiu lançar
a Operação Escudo Defensivo – o
mesmo plano que as Forças de Defesa de Israel
(FDI) tinham apresentado no ano anterior.
As Nações Unidas nos condenaram, os EUA
enviaram o secretário de Estado Colin Powell
para nos dizer que deveríamos parar imediatamente
com os ataques. A mídia global montou uma campanha
brutal para nos retratar como criminosos de guerra,
espalhando falsos rumores sobre a matança indiscriminada
de civis palestinos, descrevendo a operação
como a pior atrocidade da história moderna. O
mais chocante desses rumores foi o libelo de Jenin,
que foi mostrado em um filme produzido basicamente a
partir da imaginação fértil do
seu diretor, e então apresentado ao redor do
mundo. Não vinha ao caso que, na realidade, Israel
tinha tomado medidas sem precedentes para minimizar
o número de vítimas civis, até
mesmo deixando de usar bombardeios aéreos ou
fogo de artilharia, fazendo seus próprios soldados
assumirem riscos sem precedentes; ou que a comissão
da ONU criada para investigar Jenin foi logo dissolvida
por falta de evidências; ou que o diretor do filme
admitiu ter ludibriado seu público.
Durante anos, o “Massacre de Jenin” foi
a peça central da máquina de propaganda
anti-israelense, reverberando pela Europa e nos campi
americanos, como símbolo da iniquidade israelense.
Nossa reputação estava em frangalhos.
Entretanto, tudo isso foi um preço baixo a pagar
por aquilo que Israel ganhou. Em poucas semanas o terrorismo
palestino foi desativado, e o número de israelenses
mortos caiu de centenas por mês para menos de
uma dúzia no decorrer do ano seguinte. A economia
voltou a se movimentar. Não menos importante
foi o efeito que a Operação Escudo Defensivo
teve sobre os próprios palestinos. Com a infra-estrutura
terrorista removida, os palestinos puderam iniciar a
reconstrução das suas instituições
civis e mudar sua atitude em relação à
violência. No decorrer do tempo, a política
de promoção do terror de Arafat foi substituída
pela abordagem bem mais cautelosa do seu sucessor, Mahmoud
Abbas.
Em mais de seis anos desde a operação,
a economia da Margem Ocidental floresceu. Se há
esperança na Margem Ocidental hoje em dia, é
porque Israel abandonou as idéias de proporcionalidade
e diplomacia para lidar com o terrorismo. Os palestinos
da Margem Ocidental sabem disso; por essa razão
não se juntaram à condenação
mundial desenfreada de Israel pela guerra em Gaza. Enquanto
dezenas de milhares protestaram na Europa, a maior parte
dos moradores da Margem Ocidental ficou silenciosa.
Entender a guerra em Gaza significa reconhecer as lições
de 2002. Durante os três anos que se passaram
após a retirada de todas as tropas e dos assentamentos
da Faixa de Gaza em 2005, Israel optou por responder
de modo proporcional e diplomaticamente aos ataques
mortais diários do Hamas com seus foguetes. O
resultado? Mais foguetes, mais mísseis, mais
miséria para os palestinos – e espaço
suficiente para o Hamas tomar conta da Faixa de Gaza,
devastar sua sociedade, montar um arsenal muito mais
poderoso do que o que tinha em 2005 e tornar-se a vanguarda
do expansionismo iraniano na região.
O terrorismo é um câncer que não
pode ser curado por tratamentos “proporcionais”.
Ele exige cirurgias invasivas. Ele não somente
ameaça Estados democráticos, mas também
– principalmente – os civis locais que são
obrigados a se juntar às suas fileiras fanáticas,
usados como escudos humanos e devastados pela sua tirania.
Quanto mais se espera para tratá-lo, pior ele
fica, e mais severo torna-se o tratamento necessário
para vencê-lo. No Sul do Líbano, onde Israel
falhou em derrotar os terroristas em 2006, a enfermidade
se espalhou: o Hezb’allah (Partido de Alá)
tem agora três vezes mais mísseis do que
antes, e os terroristas têm o governo libanês
sob seu controle. Exatamente como em 2002, Israel optou
por combater o coração do terrorismo [em
Gaza], enfrentando denúncias de todo o mundo,
manifestações de multidões, resoluções
da ONU e falatórios sobre crimes contra a humanidade.
Agora, como naquele tempo, essa foi a decisão
correta.
A operação foi dolorosa: o número
de civis feridos e mortos, apesar de ser muito inferior
à de campanhas comparáveis em outras partes
do mundo, certamente é intoleravelmente elevada
– um reflexo da extensão e profundidade
da infra-estrutura terrorista que cresceu ali nos últimos
três anos. Como em 2002, os beneficiários
reais do sucesso da campanha israelense serão
os próprios palestinos. A paz somente será
alcançada quando for dada aos palestinos a liberdade
de construir instituições civis reais,
e quando puder emergir uma liderança sem medo
de dizer aos seus próprios cidadãos que
a violência, o fanatismo e o martírio não
são o caminho que deve ser seguido pelos palestinos.
Mas isso somente poderá acontecer depois que
a malignidade do terrorismo for removida do seu meio.
Por mais desagradável que isso soe, essa é
a única fonte de esperança para Gaza.
Publicado
no The Jerusalem Post
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O
Imbelectual
Alain
Guetta, presidente da B´nai B´rith do Rio
de Janeiro
Nada
prolifera hoje, no Brasil e no mundo, tão rápido
e tão intensamente quanto os imbelectuais. Os
imbelectuais são a própria personificação
do que Oscar Wilde chamou de pessoas que não
são realmente pessoas. Que são apenas
o reflexo de outras mentes, toscas coletâneas
de opiniões de terceiros, meras projeções
individuais do pensamento da maioria, seres incapazes
de um único pensamento original próprio.
O imbelectual - imbecil metido a intelectual - tem alta
opinião sobre si mesmo. Ele é corajoso,
profundo, sensível e inteligente. Suas convicções
são sempre firmes e decididas.
Por ser corajoso e livre-pensante, o imbelectual típico
posiciona-se automática e ousadamente contra
as duas mais sólidas democracias do planeta:
os Estados Unidos e Israel. Mas, por ser compreensivo
e humano, costuma ser bastante tolerante em relação
às mais abjetas ditaduras da atualidade. Da mesma
forma, procura sempre entender o lado dos bandidos socialmente
desfavorecidos que paramilitarmente ocupam as favelas
e também não esconde uma certa simpatia
pelos abnegados terroristas que se matam pelas benesses
da vida futura no céu.
O imbelectual, sempre política e hipocritamente
correto, nada tem contra os judeus. O que ele não
gosta é de sionismo, ainda que mal saiba o que
esta palavra significa. O imbelectual, tendo em vista
sua profunda erudição histórica
e geográfica, entende que o agressor israelense
entrou em um soberano país do Oriente Médio
chamado Palestina e, na mão grande, tomou-o de
seus habitantes.
Pouco lhe importa, na verdade, saber que: (a) jamais
houve um país chamado Palestina; (b) a própria
palavra palestino foi artificialmente cunhada a partir
de philistine ou filisteu, um povo da antiguidade que
nada tem a ver com os palestinos da atualidade; (c)
que a mesmíssima resolução da ONU
que criou o Estado de Israel também criou o Estado
Palestino; (d) que enquanto os judeus se dedicaram a
fazer florescer o pedaço que lhes coube daquela
região erma e desértica, os palestinos,
apesar dos bilhões de dólares que receberam
de ajuda internacional, nada fizeram pelo seu e, finalmente,
que (e) existe sim um enorme drama palestino: serem
reféns de grupos extremistas assassinos ou joguetes
nas mãos de países vizinhos aos quais
somente interessa manter a pressão e não
resolver a situação.
E assim o imbelectual, consciente e sensível,
indigna-se quando vê as fotos revoltantes da guerra
em Gaza. E nesse ponto, convenhamos, ele tem toda razão.
É como disse Golda Meir, mãe de dois filhos
que presidiu o Estado de Israel: “Poderemos até
um dia virmos a desculpá-los por matarem nossos
filhos, mas jamais os perdoaremos por nos obrigarem
a matar os seus”. Em outras palavras: judeus não
usam a população civil como escudo, não
instalam bases de lançamento de mísseis
em escolas e hospitais. Pelo contrário, na tradição
judaica a Vida (Chai) é o valor universal máximo.
Judeus desde pequenos são educados para respeitar
e reverenciar o valor sagrado e precioso de cada vida
humana. E lutam contra inimigos que, também desde
pequenos, são criados para cultuar a morte.
Tome meu conselho, leitor. Aprenda você mesmo
e ensine a seus filhos a compreender além do
slogan, a raciocinar além do chavão, a
ler além das manchetes simplórias ou mesmo
maldosas que são justamente dirigidas ao crescente
público imbelectual. Pense com sua própria
cabeça e decida - ainda que contra tudo e contra
todos - que tipo de pessoa você quer ser, que
tipo de contribuição você e sua
descendência pretendem deixar para a civilização.
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Epidemia
de antissemitismo
Herman
Glanz, presidente da Organização Sionista
do Brasil
A
reação de Israel à guerra desfechada
de Gaza pelo Hamas acabou fazendo proliferar uma epidemia
de antissemitismo por todo o mundo. Tanto na mídia
como no lado político, Israel sofreu uma violenta
campanha contra a sua ação defensiva.
Apesar de que, agora, começam a surgir informes
mais acurados, demonstrando os exageros contra Israel
durante a reação militar israelense, o
estrago já foi feito, pois não se desmentem
as notícias veiculadas. O número de mortos
foi exagerado, o número de civis atingidos foi
exagerado, o número de crianças vítimas
de guerra foi exagerado. A própria ONU, que a
princípio acusou Israel de atacar uma sua escola,
já desmentiu essa notícia. E ficou claro
que escolas, hospitais e outras instalações
das Nações Unidas foram usadas como esconderijo
dos terroristas do Hamas, sempre disfarçados
como civis. A ONU já declara que o Hamas vem
roubando a ajuda humanitária para a população
de Gaza, e a interrompeu. Existem fotos e vídeo
do uso de ambulâncias pelos terroristas do Hamas,
inclusive disparando foguetes de dentro de ambulâncias.E
agora, a sra. Radhika Coomaraswamy, representante da
ONU para crianças em locais em guerra, está
verificando o uso, pelo Hamas, de crianças como
escudos humanos, o que constitui crime de guerra. Mas
o estrago inicial já foi feito. Desmentir tudo
que foi dito na mídia, inclusive as informações
iniciais da própria ONU, não tem o mesmo
efeito. O estrago do antissemitismo já está
feito.
Parece que o antissemitismo está incrustado,
consciente ou inconsciente, e para não parecerem
antissemitas, muitos declaram ser amigos dos judeus
e descambam para o antissionismo ou anti-israelismo,
tentando preservar as suas posições, evitando
que se as digam racistas e antissemitas. A verdade é
que o mundo demonstrou que há uma identidade
entre o neonazismo, o neo-stalinismo e o neofundamentalismo
fanático, especialmente islâmico (há
também alguns grupos cristãos), deixando
ver que o nazismo é de direita e de esquerda
e do fundamentalismo, todos se manifestando contra os
judeus e Israel. Direita e esquerda reunidas ao neofundamentalismo,
optaram pelo antissemitismo declarado, fazendo distorcer
fatos, história e realidade, fazendo os algozes
posarem de pobres coitados, vítimas de violação
de direitos humanos, quando os direitos humanos da população
de Israel são desrespeitados sistematicamente
e, quando Israel reage, por falta de outra alternativa
em defesa própria, que é um direito inalienável,
fazem bloquear esse direito, com declarações
pacifistas, que só valem contra Israel. Onde
estavam essas vozes quando caiam foguetes e mísseis,
obuses e morteiros sobre as populações
civis de Israel? Havia um silêncio total. Quando
Israel reage, a onde de antissemitismo aflora e se espalha.
Onde estavam os protestos contra a matança no
Sudão, também uma guerra neofundamentalista
islâmica contra cristãos?
O caso do Vaticano, levantando a excomunhão,
de um bispo que nega Holocausto levantou protestos,
mas resolveu-se, segundo parece, pela intervenção
da Chanceler alemã, Ângela Merkel. O bispo
deverá se retratar. A atuação dos
que não querem esquecer, mostra que se deve ficar
sempre vigilantes. Assim, também, devemos ficar
vigilantes com o que vai por aqui, com a Venezuela e
o antissemitismo se espalhando, uma forma de atuação
do neonazismo e neo-stalinismo aliados.
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A
Espanha Justiceira
Pilar
Rahola, ex-membro do Parlamento Europeu
Existem juizes espanhóis, sobrecarregados
de trabalho, fartos de acumular casos importantes e
não dar conta, distribuindo despachos cheios
de documentos, com recursos quase medievais, botando
o fígado pela boca do colapso da justiça,
e a ponto de entrar em uma greve histórica.
Existem estes juizes, e, pelo que parece, existe o juiz
Fernando Andreu, tão assoberbado de trabalho
que, como disse Vicenço Villatoro, decidiu carregar
o mundo inteiro em suas vigorosas costas, felizmente
iluminado por sua generosa leitura da lei orgânica
do Poder Judiciário. Graças a seu empenho,
e ao tempo livre de que desfruta, a Espanha se converteu
em uma espécie de justiceira universal, substituta,
ela sozinha, do falido Tribunal Internacional, e se
põe a julgar as ações de militares
de países aliados, cujas democracias já
gozam dos controles democráticos pertinentes.
É muito bonito!
Com certeza, tentar julgar alguns generais israelenses
é algo que consegue gratuitamente o aplauso das
ruas. Não em vão todos se atrevem a ser
contra Israel. Se o bom juiz Andreu se pusesse a julgar,
por exemplo, as vinculações terroristas
de algumas ditaduras brutais, como o Irã, cujo
apoio direto ao Hamas e ao Hezbollah tem provocado dezenas
de atentados, ou cuja implicação no atentado
contra a Amia argentina – que causou 86 mortos
– foi demonstrada, então talvez haveria
alguma confusão.
Com a democracia israelense pode-se estufar o peito,
mas contra o fundamentalismo islâmico, quem é
o valente? Se nem mesmo gritam contra eles os senhores
da trincheira, do alvoroço e dos cartazes de
protesto, como o fará um bom cowboy juiz solitário?
E assim, dotado da inspiração das grandes
façanhas – D'us nos livre dos bem-intencionados!
– o juiz decide converter-se no julgador dos membros
do exército de um país democrático,
que sofre uma situação bélica ininterrupta
desde que existe, que tem tido que enfrentar centenas
de atentados terroristas, e cuja sobrevivência
é ameaçada permanentemente por múltiplos
países.
Sem ir mais longe, um dos militares que quer julgar
por "delitos contra a humanidade", o general
Daron Almog, perdeu seu tio, sua cunhada, o filho de
ambos e seus dois netos no atentado do Restaurante Maxim
de Haifa. Haveria julgado, o juiz Andreu, a Salah Mustafa
Muhammad Shehade, líder das brigadas Ezedin al
Qasam, responsável direto pelos 94 israelenses
assassinados em três atentados, e objeto da ação
militar israelense que agora se julga? Por certo, os
israelenses assassinados são "civis",
como os mais de mil que morreram em atentados só
de 2000 a 2006. Entende-se por civis pessoas que estão
comendo tranqüilamente em um restaurante, não?
Lembram-se da frase de um israelense a seu amigo palestino?
"Escrevo-te da trincheira, do terraço de
um café em Jerusalém".
Empenhado, pois, a dedicar-se à violência
que sofrem outros países, a partir de seu cômodo
despacho da Audiência Nacional, abrirá
diligências contra o grupo terrorista Hamas por
crimes contra a humanidade, questão esta que
organizações palestinas democráticas
denunciam? Crimes como assassinar pessoas em ônibus
e bodas? Julgará os que prepararam o atentado
na Universidade de Jerusalém e mataram estudantes
de vários países? E os que mataram crianças
em um ônibus escolar? Terá tempo para dizer
aos israelenses como têm que se defender?
E, mantendo seu espírito justiceiro, julgará
as ditaduras que condenam ao apedrejamento mulheres
subjugadas por leis terríveis? As que condenam
à morte os homossexuais? Levará a ditadura
cubana aos tribunais, ou será demasiado politicamente
incorreto? E enquanto se dedica a julgar o resto do
mundo, terá um minutinho para valorizar a "superioridade
moral" da Espanha sobre a malvada Israel? Porque
se Fernando Andreu pode julgar um militar israelense,
em meio a uma guerra aberta, talvez as autoridades israelenses
possam julgar os políticos espanhóis,
pelo caso GAL (N.T. políticos do Partido Socialista
Operário Espanhol envolvidos em escândalos
de corrupção e de terrorismo de Estado),
por exemplo. Dispostos a nos mordermos mutuamente, bailemos
todos.
Publicado
no La Vanguardia, de Barcelona
Tradução: Irene Walda Heynemann
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Esquecer
Achmed Assef
Daniel
Douek
Achmed
Assef, desde que surgiu publicando cartas, tem sido
visto com desconfiança pela maioria das pessoas.
Curiosamente, segundo tenho acompanhado, grande parte
daqueles que desconfiam desse famoso “palestino
que não odeia Israel e os judeus”, o fazem
não porque se trata de uma carta absurda e sim
pois acham a carta “boa demais para ser verdade”.
Tudo indica que a carta não foi escrita por um
palestino. Mais ainda, há motivos para acreditar
que a carta foi escrita por alguém da comunidade
judaica. Em qualquer conflito, as partes envolvidas
enxergam a realidade de determinada maneira, se baseando
em (e criando) determinadas narrativas. Nas cartas de
Achmed Assef todos os pontos estão de acordo
com a “narrativa padrão” da comunidade
judaica, aquela levada a cabo por suas instituições.
Estranhamente, não há nenhum ponto que
se aproxime da narrativa palestina, desconsiderada inclusive
na hora em que Achmed Assef elabora suas críticas.
Um exemplo disso é quando afirma:
“Não
acreditem em tudo que veem na mídia e muito menos
em tudo que ouvem”
De
onde o palestino Achmed tirou isso? É na cabeça
da comunidade judaica que a opinião pública
e a mídia são contrárias a Israel.
É difícil para a maioria das pessoas da
comunidade aceitar isso, mas o fato é que os
árabes e palestinos também se sentem perseguidos
pela mídia! Um sentimento muito próximo
daquilo que se vê entre nós. Uma breve
navegada nos meios de comunicação e difusão
da comunidade árabe brasileira deixa isso muito
claro. O estranho aqui não é o fato de
Achmed dizer que a mídia é tendenciosa
contra Israel e sim o fato de, acreditando nisso, não
fazer uma crítica à visão árabe/palestina
de que a mídia é tendenciosa contra os
palestinos. A argumentação de alguém
que tem o mínimo conhecimento sobre essa realidade
seria algo do tipo: “vejam, a opinião pública
está a nosso favor. A mídia é muito
pior para Israel do que para os palestinos”.
Achmed
diz também:
“os lideres palestinos nunca quiseram um Estado”.
Se quisesse teriam criado antes de 1948, quando ainda
não existia o Estado de Israel”
Achmed
estranhamente esquece que a organização
árabe na região nunca foi baseada no conceito
europeu de estado-nação. Não é
necessário ser palestino para saber que os palestinos
viviam em aldeias descentralizadas e foi justamente
a chegada de “estrangeiros” que impulsionou
o desenvolvimento de um nacionalismo baseado na idéia
de estado-nação. Questionar a não
criação de um estado palestino antes da
chegada dos judeus é fazer uma crítica
com olhares europeus/ocidentais e não palestinos.
Mais
adiante, aparece:
“Por
que paises fortes e com um território gigantesco
como Arábia Saudita, Jordânia, Irã
e outros não tão grandes mas muito ricos,
como Kwait, Emirados Árabes ou Catar não
nos recebem de braços abertos?”
Achmed
Assef acha que os palestinos deveriam ser recebidos
por Arábia Saudita, Jordânia, Irã
etc ? Quer dizer, Israel pode continuar ocupando sua
terra em que ele nasceu? Achmed resolveu abrir mão
de sua terra? Muito estranho isso. Esse parágrafo
não faz o menor sentido. Para usar metáforas
à la João Pereira Coutinho, tão
citado pela comunidade, é como um brasileiro
que, vendo sua terra ocupada por americanos, reclamasse
com seus amigos vizinhos argentinos e uruguaios por
não terem sido recebidos de braços abertos
nesses países e não dizer nada das forças
de ocupação americanas.
Esse tipo de afirmação se enquadra naquelas
que negam o nacionalismo palestino. Vai na linha daqueles
que preferem mostrar o mapa de todo o oriente médio
e a dicotomia “muçulmanos ou árabes
x judeus” e não o mapa de Israel e a dicotomia
“israelenses x palestinos”. Ao enxergar
o palestino como árabe ou muçulmano ao
invés de enxergá-lo como palestino, a
causa palestina cai por terra. Não há
necessidade de mais um país árabe ou muçulmano.
Mas um Estado Palestino é absolutamente necessário.
Ainda
de acordo com Achmed Assef:
“Não precisamos importar um conflito
que não serve pra nada aqui”
Isso
está na boca de todos aqueles que falam em nome
da comunidade. A meu ver, quando falam em “não
importar o conflito” trata-se muito menos de não
criarmos uma nova briga aqui, onde temos uma convivência
aceitável, e muito mais de deixar Israel fazer
o que bem entender, sem que façamos interferências
ou críticas. A cada crítica que se faz
no Brasil às ações de Israel, a
comunidade responde: “não precisamos importar
um conflito que não serve pra nada aqui”.
Ops, essa é a frase do Achmed...
Outra
coisa curiosa é quando ele afirma:
“Hoje recebi uma notícia de que o numero
de mortos no conflito não passou de 600 e a maioria
era de militantes do grupo terrorista e mesmo após
o cessar fogo, o Hamas continua atirando mísseis
em Israel. Chato né?”
Essa
notícia foi publicada pelo italiano “Corriere
de la Será” e divulgada no Brasil pelos
órgãos de mídia judaica. Pesquisei
rapidamente e não vi nada sobre isso na imprensa
comum. Pode ser que tenha aparecido.
Esse
trecho é uma pérola:
“Sabemos que devemos ter uma convivência
pacifica com Israel, afinal, é de Israel que
vem nossa água, nossa comida, nosso trabalho
e nosso dinheiro”.
Desde
quando isso é um argumento em defesa de Israel
? É justamente o contrário. Os palestinos
sempre reclamaram ter que depender de Israel nessas
necessidades básicas. Achmed pode pensar diferente?
Claro que sim! Mas por que é muito estranho que
um palestino defenda essa idéia dessa forma?
Porque não faz sentido com os pressupostos daqueles
com os quais ele está dialogando. Para fazer
essa defesa de uma maneira razoável, deveria
começar criticando o pressuposto árabe/palestino
de que é ruim o fato de Israel ser o responsável
pelo envio de “água, comida, trabalho e
dinheiro” aos palestinos. Mais uma vez ele demonstra
grande desconhecimento.
Curiosamente
há no texto uma mistura de discurso político
com um estranhíssimo discurso religioso que não
engana ninguém:
“Se tiver que lutar ao lado de Israel contra
esses terroristas, eu vou lutar, porque nunca vou fugir
da verdade e do compromisso com minha fé, que
é muito diferente das que propagam de matar e
morrer em nome do Grande misericordioso”.
É
engraçado um dos trechos com cara de “mea
culpa” que diz, a respeito do povo judeu:
“Se não são anjos, também
não são demônios como pregam nossos
lideres”.
E,
na última carta, ele avisa:
“Prefiro me manter no anonimato sustentável
porque nunca se sabe o que são capazes esses
debilóides terroristas não é mesmo?
(...) Neste período recebi algumas ameaças
muito fortes. Portanto, peço desculpas aqueles
que desejam me conhecer pessoalmente e quem sabe num
futuro próximo eu possa encontrar todos vocês”.
Alguém
leva a sério? Estranhamente o “corajoso”
Achmed Assef, aquele que não é “covarde
como os principais terroristas que se escondem”
está preocupado com a sua segurança nesse
“lindo país acolhedor” em que, segundo
ele, a convivência entre as pessoas “é
motivo de orgulho”. Como oscila sua argumentação...
Para mim isso é mais um motivo para acreditar
que ele não vai aparecer simplesmente porque
não existe. Pelo menos não da forma como
se apresenta.
É
lógico que sempre há vozes dissonantes,
opiniões diversas, contestações
(ainda bem!). E não há dúvidas
que há muitos palestinos que não odeiam
Israel, não odeiam os judeus, querem o fim do
terrorismo praticado pelo Hamas (ainda bem também!).
Há inúmeros textos de palestinos nesse
sentido. Mas eles não têm nada a ver com
o texto de Achmed Assef. Apesar de dizer que “as
pessoas desconfiam muito de alguma coisa quando não
esta nos "padrões" da sociedade e talvez
somente por esse motivo, fico muito feliz de ter escrito
meu depoimento”, no fundo, Achmed não diz
nada que esteja fora dos padrões da sociedade.
Ele fez justamente o contrário. Sua argumentação
está completamente dentro do padrão da
produção discursiva da comunidade judaica.
Não existe aí uma terceira via. Essas
cartas representam a via das instituições
da comunidade judaica. Todos os pontos das duas cartas
que ele escreveu podem ser encontrados em livros de
Hasbará. Desde aquelas apostilas destinadas a
“formar líderes” até livros
mais bem acabados como “Mitos e fatos: a verdade
sobre o conflito árabe-israelense”. A impressão
que dá é que ele seguiu esses manuais
à risca.
Voltando à questão inicial, não
devemos desconfiar da carta pelo fato dela ser “boa
demais para ser verdade”. O motivo que nos leva
a crer que é falsa é justamente o fato
de que ela é ruim demais para ser verdade. Já
estava habituado com essa tendência de tentar
“criar” líderes moderados para os
palestinos, mas parece que alguém inovou ao criar
Achmed Assef, uma “pessoa do povo”.
E se Achmed Assef existir? Tudo bem. No fundo pouco
importa se ele existe mesmo ou não. Pouco importa
também se é realmente palestino ou não.
O fato é que ele não acrescenta absolutamente
nada para a questão. O mais importante é
que não se trata de um moderado, alguém
com propostas novas que traga uma perspectiva nunca
antes vista e que aponte na direção de
um mundo de paz. Não se trata de uma lufada de
ar nesse meio tão sufocante, com opiniões
tão rígidas. Porque tanta repercussão?
Porque a carta foi assinada por um palestino? Até
acredito que muitos de vocês gostariam que todos
os palestinos vissem o conflito dessa forma, mas a carta
é primária, os argumentos são primários
e revelam total desconhecimento dos palestinos e sua
causa.
Ao invés de começarmos a espalhar e-mails
de um suposto palestino que pensa aquilo que muitos
de nós pensamos, seria muito mais interessante
rever nossas próprias crenças e, juntamente
com os palestinos, chegar a um meio termo que ainda
não existe e, quem sabe um dia, à paz.
Em tempo: em árabe o correto seria Ahmed e não
Achmed. O “ch” com som de “r”
pode ser encontrado nos livros judaicos transliterados...
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Além
dos bancos
Thomas
L. Friedman, colunista de
assuntos internacionais do New York Times
Em
visita a Israel, fui bastante questionado por israelenses
e palestinos sobre qual o espaço que o processo
de paz entre os dois povos terá entre as prioridades
do presidente Barack Obama. Acredito, disse a eles,
que Obama tem três prioridades imediatas: bancos,
bancos e bancos - e nenhum deles fica na Cisjordânia.
Dito isto, uma vez que Obama for capaz de pensar novamente
sobre o Oriente Médio, descobrirá que
a equipe de Bush deixou um interessante legado aqui:
140 mil soldados norte-americanos trabalhando na reconstrução
do Estado iraquiano e apenas um soldado norte-americano
- na verdade um general três estrelas do Exército
- trabalhando na reconstrução da Cisjordânia.
Precisamos de um equilíbrio melhor.
Os soldados americanos no Iraque podem se orgulhar das
últimas eleições iraquianas, que
fortaleceram os partidos mais seculares e de centro.
Mas temos de esperar para ver se os perdedores aceitam
a derrota pacificamente e se os vencedores podem de
fato exercer um governo melhor. As eleições
iraquianas, entretanto, são um exemplo raro de
um povo árabe que tem a oportunidade de reconstruir
seu próprio futuro a partir da base, e eu continuo
torcendo por eles.
Os palestinos precisam de uma oportunidade parecida.
É impossível ter uma solução
de dois Estados sem que existam dois Estados, e hoje
a Autoridade Palestina na Cisjordânia, que ainda
apoia o acordo de dois Estados, não tem as instituições
de um Estado, principalmente no que diz respeito a uma
força policial eficaz. Portanto, minha esperança
é que Obama se concentre não apenas nos
planos de paz de cima para baixo, mas também
na construção de instituições
a partir da base. A melhor forma de isolar o Hamas em
Gaza é transformar a Autoridade Palestina na
Cisjordânia num governo decente com um controle
expansivo de seu território.
É exatamente isso que o oficial do Exército
dos EUA na região, o tenente-general Keith Dayton,
quer fazer. Eu o acompanhei junto com sua pequena equipe
até Jenin - que já foi a cidade mais violenta
da Cisjordânia - para vê-los em ação.
Foi uma cena e tanto: assisti a uma companhia de soldados
da Autoridade Palestina, recém-treinados, com
orgulho e um ar profissional, parados em alerta, com
rifles AK-47 ao lado do corpo, ouvindo com um respeito
óbvio o general americano
dizer:
"O que vocês fizeram foi mais importante
do que qualquer outra coisa para impulsionar o projeto
nacional palestino... Vocês tomaram conta das
pessoas numa época difícil. É assim
que as forças de segurança de um país
se comportam". Não, isso não é
coisa que se vê todos os dias. Dayton falava para
o 2º Batalhão Especial da Força de
Segurança Nacional Palestina, ou NSF em inglês.
O grupo foi treinado pela polícia da Jordânia
num programa supervisionado pelo Coordenador de Segurança
dos EUA - ou seja, Dayton. A princípio, ele foi
designado pela equipe de Bush em 2005 para ajudar a
reformar a segurança palestina, mas só
conseguiu financiamento para fazê-lo depois que
o Hamas tomou Gaza em 2007. Cerca de 1.600 soldados
palestinos do NSF graduaram-se desde então, e
500 estão agora em treinamento. Treinada em tudo,
desde controle da violência até direitos
humanos, o NSF é a única força
verdadeiramente profissional controlada pelo presidente
palestino, Mahmoud Abbas.
O exército israelense, no início desconfiado
da missão de Dayton, passou a respeitá-la,
e agora permite que ela se expanda até Hebron.
O que de fato chamou a atenção de Israel
foi que, durante a guerra de três semanas de Israel
contra o Hamas em Gaza, a Cisjordânia não
eclodiu em revolta, em grande parte porque as tropas
do NSF permitiram protestos generalizados, mas evitaram
que os manifestantes palestinos entrassem em choque
com os soldados israelenses. "O general Dayton
é nosso amigo", disse o coronel Radi Abu
Asida do NSF. "Agora temos um treinamento excelente.
Agora temos profissionalismo no nosso trabalho de segurança.
Dissemos às pessoas durante os protestos em Gaza:
'Vocês podem protestar, mas tem de ser de um jeito
moderno'".
Infelizmente, o financiamento para o trabalho de Dayton
- assegurado por dois integrantes da Câmara dos
EUA com visão futura, Nita Lowey e Gary Ackerman
- vai acabar logo. Isso será uma tragédia.
Antes que do NSF, "isso aqui era um caos",
disse Mohammed Abu Bakr, dono de uma loja de artigos
para casamento em Jenin, referindo-se ao vácuo
de segurança depois do colapso do regime de Arafat.
"Todo mundo queria lutar com todo mundo. Agora
tudo está organizado".
A missão de Dayton - um ponto luminoso raro num
cenário devastado - é a base sobre a qual
devemos construir. "O problema não é
só território, mas como ocupamos esse
território", disse Gigi Grinstein, presidente
do instituto israelense Reut Institute. "Jenin
é importante. É o começo da construção
da capacidade, que leva à construção
das instituições, que leva à construção
do Estado, que leva à independência. Mas
a legitimidade da polícia palestina depende do
avanço do processo de paz e de os israelenses
cederem aos palestinos o controle de mais território
à medida que os palestinos mostram sua capacidade,
acrescentou. "Do contrário, eles são
vistos como uma ferramenta para promover a ocupação
e serão deslegitimados e atacados".
Então é importante que George Mitchell,
enviado especial dos EUA ao Oriente Médio, continue
pressionando diplomaticamente a partir de cima, mas
nada acontecerá sem um aumento considerável
dos esforços dos EUA a partir da base para ajudar
a Cisjordânia a reconstruir sua capacidade governamental
com credibilidade. Fazendo isso, tudo é possível.
Não fazendo, nada é possível.
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Entrevista:
bispo Richard Williamson
O
Vaticano está exigindo que o senhor se retrate
de sua negação do Holocausto e está
ameaçando não autorizar que o senhor retome
suas atividades como bispo. Como o senhor reagirá?
Por toda a minha vida, eu sempre busquei a verdade.
Este é o motivo para ter me convertido ao catolicismo
e me tornado padre. E agora só posso dizer uma
coisa, a verdade da qual estou convencido. Como percebo
que há muitas pessoas honestas e inteligentes
que pensam diferente, eu devo rever as evidências
históricas de novo. Eu disse a mesma coisa na
minha entrevista para a televisão sueca: o que
está em questão são evidências
históricas, não emoções.
E se encontrar estas evidências, eu me corrigirei.
Mas isso levará tempo.
O
senhor poderia viajar para Auschwitz ?
Não, eu não viajarei para Auschwitz.
Eu encomendei o livro de autoria de Jean-Claude Pressac.
Ele se chama "Auschwitz: Technique and Operation
of the Gas Chambers" (“Auschwitz: técnica
e operação das câmaras de gás”).
Uma cópia está sendo enviada para mim
e eu a lerei e estudarei.
A
Sociedade de São Pio 10 (SSPX) estabeleceu um
ultimato para o final de fevereiro. O senhor não
corre o risco de romper com o grupo?
No Velho Testamento, o profeta Jonas diz aos marinheiros
quando o navio deles está em apuros: "Vamos!
Atirem-me ao mar e ele ficará calmo ao vosso
redor, porque sei que foi por minha causa que vos veio
esta grande tempestade". A Sociedade tem uma missão
religiosa que está sofrendo por minha causa.
Eu agora examinarei as evidências históricas.
Se não considerá-las convincentes, eu
farei tudo o que estiver ao meu poder para evitar causar
mais mal à Igreja e à Sociedade.
O
que a revogação da excomunhão pelo
papa Bento XVI significa para o senhor?
Nós apenas queremos ser católicos,
nada mais. Nós não desenvolvemos nossos
próprios ensinamentos, mas estamos apenas preservando
as coisas que a Igreja sempre ensinou e praticou. E
nos anos 60 e 70, quando tudo foi mudado em nome do
Concílio Vaticano Segundo, repentinamente se
tornou um escândalo. Como resultado, nós
fomos jogados à margem da Igreja, e agora que
as igrejas vazias e o envelhecimento do clero deixou
claro que as mudanças foram um erro, nós
estamos retornando ao centro. É assim que funciona
para nós conservadores: é provado que
estamos certos, desde que consigamos esperar o suficiente.
As
pessoas no Vaticano alegavam que não conheciam
o senhor. É verdade?
A maioria dos contatos passa pelo bispo Fellay e
pelo Conselho Geral, do qual não faço
parte. Mas três de nós quatro bispos participaram
de um jantar privado com o cardeal Castrillon Hoyos
em 2000. Ele se tratava mais de conhecermos uns aos
outros, mas nós certamente discutimos questões
teológicas e um pouco de filosofia. O cardeal
foi muito amistoso.
O
Concílio Vaticano Segundo é considerado
uma das grandes realizações da Igreja
Católica. Por que vocês não o reconhecem
plenamente?
Não está claro o que devemos reconhecer.
Um documento importante se chama "Gaudium et spes",
ou Alegria e Esperança. Nele, os autores escrevem
com entusiasmo sobre a capacidade do turismo de massa
de unir as pessoas. Mas é difícil esperar
que uma sociedade conservadora abrace pacotes turísticos.
Ele discute temores e dificuldades. E então uma
guerra nuclear entre superpotências é mencionada.
Como pode ver, grande parte disso já está
datado. Estes documentos do Conselho são sempre
ambíguos. Como ninguém sabia exatamente
o que significavam, todo mundo começou a fazer
como bem entendia logo após o Conselho. O resultado
disso foi este caos teológico que temos hoje.
O que devemos reconhecer, a ambiguidade ou o caos?
O
senhor então está ciente de que estão
dividindo a Igreja com suas posições extremas?
Apenas a violação dos dogmas, isto
é, os princípios infalíveis, destrói
a fé. O Conselho Vaticano Segundo declarou que
não proclamaria novos dogmas. Hoje os bispos
liberais atuam como se ele fosse uma espécie
de superdogma que abrange tudo, e eles o utilizam como
justificativa para uma ditadura do relativismo. Isso
contradiz os textos do Conselho.
Sua
posição em relação ao judaísmo
é consistentemente antissemita.
São Paulo colocou desta forma: os judeus
são amados por causa dos pais, mas inimigos por
causa do evangelho.
O
senhor pretende usar a tradição católica
e a Bíblia para justificar seu antissemitismo?
Antissemitismo significa muitas coisas hoje, por
exemplo, quando alguém critica as ações
israelenses na Faixa de Gaza. A Igreja sempre entendeu
a definição de antissemitismo como uma
rejeição aos judeus por causa de suas
raízes judaicas. Isto é condenado pela
Igreja. Isto é autoevidente em uma religião
cujos fundadores e todos os indivíduos importantes
de seus primórdios eram judeus. Mas também
está claro, por causa do grande número
de judeus-cristãos no início do cristianismo,
que todos os homens precisam de Cristo para sua salvação
- todos os homens, incluindo os judeus.
O
papa viajará para Israel em breve, onde ele planeja
visitar o Memorial do Holocausto. O senhor também
é contrário a isto?
Fazer uma peregrinação à Terra
Santa é uma grande alegria para os cristãos.
Eu desejo ao Santo Padre tudo de bom em sua jornada.
O que me incomoda a respeito do Yad Vashem é
que o papa Pio XII é atacado lá, apesar
de ninguém ter salvo mais judeus durante o período
nazista do que ele. Por exemplo, ele fez com que certificados
de batismo fossem emitidos para os judeus perseguidos
para protegê-los contra a prisão. Estes
fatos foram distorcidos para significar exatamente o
oposto. Fora isso, eu espero que o papa também
dê atenção para as mulheres e crianças
que foram feridos na Faixa de Gaza, e que fale em apoio
à população cristã em Belém,
que atualmente está confinada à cidade.
Suas
declarações causaram muitos danos e ultraje
no mundo judeu. Por que o senhor não pede desculpas?
Quando percebo que cometi um erro, eu peço
desculpas. Eu peço a todo ser humano que acredite
em mim quando digo que não falo nenhuma inverdade
deliberadamente. Eu estava convencido de que meus comentários
eram precisos, com base na minha pesquisa nos anos 80.
Agora devo rever tudo e olhar para as evidências.
O
senhor ao menos reconhece os direitos humanos universais?
Quando os direitos humanos foram declarados na França,
centenas de milhares foram mortos por toda a França.
Onde os direitos humanos são considerados uma
ordem objetiva para ser implantada pelo Estado, há
consistentemente políticas anticristãs.
Quando se trata de preservar a liberdade de consciência
do indivíduo contra o Estado democrático,
então os direitos humanos exercem uma função
importante. O indivíduo precisa desses direitos
contra um país que se comporta como um Leviatã.
Mas o conceito cristão de Estado é diferente,
de forma que as teorias cristãs de direitos humanos
enfatizam que a liberdade não é um fim
em si mesmo. O sentido não é liberdade
de algo, mas liberdade para algo. Para o bem.
Suas
declarações e a suspensão de sua
excomunhão provocaram protestos em todo o mundo.
O senhor entende isso?
Uma única entrevista na televisão
sueca dominou o noticiário por semanas na Alemanha.
Sim, me surpreendeu. Isso acontece com todas as violações
da lei na Alemanha? Dificilmente. Não, eu sou
apenas o instrumento aqui, de forma que uma ação
possa ser realizada contra a SSPX e o papa. Aparentemente
o catolicismo esquerdista da Alemanha ainda não
perdoou Ratzinger por ter se tornado papa.
Entrevista
publicada na revista "Der Spiegel"
Tradução: George El Khouri Andolfato
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O
Hitler escondido
Zuenir
Ventura, jornalista
O
filme “O leitor”, de Stephen Daldry, merece
ser visto não só por suas qualidades cinematográficas
_ roteiro criativo, um extraordinário desempenho
que valeu a Kate Winslet o favoritismo ao Oscar _ mas
também pelo que discute: o papel da população
alemã durante o nazismo. Kate interpreta uma
ex-guarda de campo de concentração que
é julgada muitos anos após o fim da guerra.
Mais um filme sobre o Holocausto, reclamarão
os que acham que o assunto já foi por demais
“explorado”, os que querem esquecer ou,
até, os que querem negá-lo, como esse
inominável bispo britânico Richard Williamson,
que chegou a criar um mal-estar entre o governo alemão
e o Vaticano.
Para quem não acompanhou o caso, um resumo. Excomungado
em 1988 por suas posições heréticas,
ele acabara de ser reabilitado por Bento XVI no começo
deste mês, quando se soube que dias antes dissera
a uma TV sueca que o Holocausto não existiu e
que “nenhum judeu” tinha sido morto em câmara
de gás. Pressionado dentro e fora da Igreja,
inclusive pela chanceler Angela Merkel, o Papa finalmente
exigiu que Williamson se retratasse e admitisse a existência
do Holocausto, cuja negação é crime
na Alemanha. A nota esclarecia que, quando a excomunhão
foi retirada, o Santo Padre desconhecia a posição
do bispo antissemita. Porém, ele é reincidente
(e até o momento em que escrevo não havia
se retratado). Em 89, fez declaração semelhante
no Canadá: “Os judeus inventaram o holocausto
para nos fazer aceitar o estado de Israel”.
Só esse episódio já seria suficiente
para mostrar que o tema não está superado.
Quantos Williamsons ainda existem por aí? Pode-se
alegar que se trata de um caso patológico. Mas
desses fanáticos o mundo está cheio. Já
o filme aborda questões mais “naturais”,
como crime e castigo, culpa e remorso, omissão
e conivência, memória e esquecimento. Como
punir os culpados _ não um, mas todos? Como fazer
para que a História não se repita? A que
absurdos o princípio de cumprir ordens e obedecer
cegamente à lei e ao dever pode levar? Tudo isso
envolto num arrebatador caso de amor entre um adolescente
de 15 anos e uma atraente mulher com o dobro da idade.
Como resolver o dilema entre o presente, representado
por um estudante de Direito, e o passado criminoso que
ele descobre ter sido o do objeto de seu desejo? Compreender
e perdoar ou punir? De propósito, o filme está
cheio de perguntas sem respostas, como, por exemplo,
quando o promotor interroga a ré sobre se de
fato selecionara dez jovens para a morte, e ela o desafia
com outra pergunta que fica no ar: “O que o senhor
teria feito no meu lugar?” Afinal, essa tarefa
abominável fazia parte do seu ofício.
Entre as várias reflexões que “O
leitor” suscita, uma é por demais inquietante:
é possível haver um Hitler escondido dentro
de cada um de nós?
Publicado
em O Globo
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A
um passo do Armagedom
Alfredo
Prentki, engenheiro e escritor
A
inquisição do fundamentalismo Islâmico
poderá, lamentavelmente, conduzir o mundo ao
Armagedom. Quem sobreviverá à crise? Estão
se cumprindo as antigas profecias? Precisamos urgentemente
conscientizar o atarefado, insensível e apático
mundo em relação a Israel e seu povo e
às inquisições. A trágica
história da Inquisição ibérica
e do Holocausto nazista infelizmente é desconhecida
por cerca de 85% da nossa humanidade. O mundo, indiferente,
necessita urgentemente conhecer essas terríveis
e verdadeiras histórias, pois somente assim não
se permitirá mais que elas se repitam. A nova
Inquisição pregada pelo fundamentalismo
Islâmico, em pleno apogeu do século XXI,
utiliza-se de carros-bomba e homens-bomba. O fanatismo
deste desumano fundamentalismo nos obriga a consultar
a importante obra do famoso vidente Nostradamus e a
Bíblia Sagrada. A Inquisição do
Armagedom deverá ser a última em nosso
conturbado planeta.
A palavra Armagedom deriva do hebraico Har-Megiddo,
que significa Colina de Megido, palco de muitas batalhas
do decurso da História. Armagedom é o
símbolo Bíblico do milenar conflito entre
o Bem e o Mal. Não estamos longe do dia do embate
derradeiro entre o Bem e o Mal, que iniciado no céu
(com o uso de míssel teleguiado dotado de poderosa
ogiva nuclear) e transferido para a Terra, deve aqui
ter o seu desfecho. Cerca de seis mil anos já
decorreram. Dilúvios de sangue banharam a Terra.
A farsa da paz chega ao fim. Muito em breve, o mundo
conhecerá uma nova era. Embora para nossa consternação,
muitas vezes o Mal prevaleça, a Bíblia
nos revela um final feliz.
Sob a liderança da ONIJ, um grupo de países
filiados se comporta como serviçais de uma causa
e planeja febrilmente criar o tão almejado Estado
Palestino, que poderá a vir a ser um cavalo de
Tróia na região, cuja meta principal e
a destruição do único Estado democrático
do Oriente Médio Israel.
Pela TV, quase diariamente podemos assistir à
ira assassina dos terroristas desrespeitando as leis
dos civilizados e a vida humana. Até seus audaciosos
líderes, temidos apregoadores da tão sonhada
paz, conseguem iludir a apática humanidade, engessando
a heróica luta secular de um povo obreiro e discriminando-os.
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pertencendo
a uma nova geração de revolucionários
xiitas, com o seu recente discurso populista, confere
uma base genuína aos grupos de correligionários
que se sentiam abandonados por líderes religiosos
não confiáveis. O mundo que se intitula
democrático recebeu dele seu importante recado:
"Precisamos varrer do mapa o Estado de Israel".
O Irã propõe mudar os israelenses para
a Europa. Ahmadinejad pôs em dúvida o Holocausto
nazista e sugeriu que a Alemanha e a Áustria
cedam províncias para o "novo Israel".
Os judeus, que incansavelmente pelejam há mais
de 2000 anos, semeando o progresso, têm o direito
de possuir também uma pátria. No passado,
os judeus e seus primos, os árabes, foram parceiros
do sofrimento imposto pela cruel intolerância
da era da Inquisição. Por onde andam os
verdadeiros democratas simpatizantes de Israel, os ativistas
da famosa declaração Nostra Aetate, o
ecumenismo religioso? Somente nos eventos festivos,
nas entidades comunitárias e nas sinagogas vamos
encontrá-los... para serem homenageados. O Ocidente
está a beira do abismo. A jornalista Oriana Fallaci
diz que hoje a Europa é serviçal do Islã.
Uma sugestão para a solução deste
grave impasse seria a criação de um pacífico
Estado Palestino, desmilitarizado, fiscalizado pela
ONU, porém ligado territorialmente ao Egito ou
à Jordânia. Caso contrário, infelizmente
estaremos forjando a base do futuro Armagedom. Será
travada a última batalha da insensata humanidade,
na superfície do nosso castigado planeta.
A liga das Nações outorgou aos Britânicos
um mandato para a Palestina em 1922. O fim do mandato
veio com uma decisão da Assembléia Geral
da ONU, a resolução 181, adotada em novembro
de 1947. Esta resolução também
estipulou o estabelecimento de dois estados, um judeu
e o outro árabe, naquele território. Os
árabes rejeitaram a resolução e,
para que não fosse implementada, cinco países
da região fortemente armados, iniciaram uma guerra,
no dia em que os últimos britânicos se
retiravam e em que David Ben Gurion leu a declaração
de Independência que estipulava "o estabelecimento
de um Estado judeu em Eretz-Israel, com o nome de Israel".
Necessitamos alertar a comunidade internacional das
consequências trágicas do perigo que desponta
ameaçador com a criação do Estado
palestino fundamentalista, dirigido pelo Hamas. Declararam
a imprensa as suas metas. Vão semear a intolerância,
o ódio e a morte, principalmente aos judeus,
e não tenham dúvida de que arrastará
a infeliz humanidade ao caos nuclear. Vamos nos unir
para frustrar o terrível Armagedom.
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A
verdadeira face do Hamas
Giora
Becher, embaixador de Israel no Brasil
Algumas semanas após o cessar-fogo
unilateral declarado por Israel, a verdadeira face do
controle do Hamas sobre Gaza começa a se revelar.
Apesar dos esforços do grupo em esconder as provas
sobre os eventos, as evidências dos crimes de
guerra praticados por eles, seu exagero sobre o número
de vítimas civis e danos às propriedades,
seu abuso da ajuda humanitária e sua intimidação
aos residentes de Gaza estão finalmente vindo
à tona.
Todos lembramos do choque que sentimos ao ler sobre
mais de 40 pessoas mortas, inclusive crianças,
no ataque israelense à escola das Nações
Unidas no campo de refugiados de Jabalya. Patrick Martin,
do jornal canadense "Globe and Mail", descobriu
que não houve nenhum ataque à escola ou
suas instalações. Ele escreve: "A
história como gravada na memória das pessoas
não era bem acurada. Evidências físicas
e entrevistas com várias testemunhas oculares
clarificam tudo. Enquanto algumas pessoas se feriram
por estilhaços que caíram dentro das instalações,
ninguém na escola foi morto".
Rod Nordland ("Newsweek") descreveu um exemplo
de abuso de civis pelos Hamas: "De repente houve
um terrível estrondo. Foi outro foguete sendo
disparado contra Israel. A rampa de lançamento
móvel estava bem no meio do apartamento de quatro
quartos que estava cheio de pessoas".
Lorenzo Cremonesi ("Corriere Della Sera")
relatou o testemunho da palestina Abdallah: "Praticamente
todos os prédios mais altos em Gaza que foram
alvejados pelos ataques israelenses tinham rampas lançadoras
de foguetes em seus telhados. Eles as colocaram perto
dos grandes depósitos da ONU, que explodiram
em chamas."
Muitos residentes de Gaza culpam o Hamas pela perda
de vidas e propriedades causada pelo terrorismo de se
esconder entre a população civil. Entretanto
criticam o Hamas em particular, mas poucos o fazem publicamente,
um gesto que seria equivalente ao suicídio. Um
porta-voz do Fatah, movimento do presidente Abbas, reportou
que desde o final da guerra mais de cem membros de seu
grupo foram assassinados ou feridos em Gaza. Louise
Michel, comissária da União Europeia,
denunciou durante sua visita a Gaza: "Eu digo isto
intencionalmente daqui, o Hamas é um movimento
terrorista e tem de ser denunciado como tal", e
conclui que "neste momento temos de nos lembrar
da grande responsabilidade do Hamas pelo conflito em
Gaza".
As críticas ao Hamas também vêm
de dentro da mídia árabe. O jornalista
Abed Rashed, diretor da TV El Arabiya, faz menção
em seu artigo de uma mulher em Gaza que ousou, em um
programa ao vivo, dizer que estava disposta a se mudar
para a Cisjordânia, viver sob o governo do presidente
Abbas e que provavelmente seu desejo é compartilhado
por muitos. Ele escreve que não há ninguém
perguntando aos residentes de Gaza se eles concordam
e aceitam as ações do Hamas, apesar de
serem os primeiros a sofrerem as consequências.
Conclui questionando se o grupo, que já lutou
contra a Fatah no passado, está agora tentando
destruir o povo palestino na Cisjordânia também.
Nossa aspiração foi e sempre será
viver em paz com os palestinos e os nossos vizinhos
árabes. Nós almejamos isso. Continuamos
a acreditar na solução de dois Estados
e a manter nosso comprometimento às negociações
com a Autoridade Palestina na busca pela paz.
Publicado
em O Globo
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Enxergando
o perigo
Herman
Glanz, presidente da Organização Sionista
do Brasil
Por
que ninguém compreende o perigo que o terrorismo
representa para o mundo? Por que ninguém se preocupa
com a existência do Estado de Israel? Por que
a grande maioria acompanha a onda de deslegitimação
de Israel? E por que ainda subsiste, expressamente,
o antissemitismo, ressurgido especialmente na Europa,
depois da terrível II Guerra Mundial e do Holocausto,
lembrado na semana passada, no dia 27 de janeiro, quando
do 64º aniversário da libertação
do famigerado Campo de Extermínio de Auschwitz?
Todos os cidadãos livres deveriam ficar preocupados,
deveriam ficar atentos aos acontecimentos e protestar
junto aos seus governos, ou insistir em fazer mudar
a política dos governos que não se opõem
ao terror e, às vezes, até o apóiam.
Além da guerra que Israel teve de enfrentar,
revidando os ataques constantes do Hamas, que governa
a Faixa de Gaza, teve ainda de enfrentar uma guerra
de protestos porque estava se defendendo, visando desbaratar
o terror. Alguém ficaria indiferente se, por
exemplo, Cuba diariamente atingisse, indiscriminadamente,
Miami, com mísseis caindo em áreas civis,
e mesmo não civis? Seguramente Cuba teria sofrido
as consequências. Mas Israel foi atacado por todos
os lados, chamando sua reação desproporcional,
numa guerra aritmética contra a sua existência,
quando niguem protestou contra os mísseis e homens-bomba,
aliás, homicidas-bomba do Hamas. Ensejou-se uma
onda contra o bloqueio da fronteira de Israel com a
Faixa de Gaza, com passagens controladas, evidentemente
se desejando dizer que a fronteira não deveria
existir, porque o Hamas não reconhece a existência
de Israel, e todo o território de Israel é
considerado como islâmico pelo Hamas. O cinismo
do velho antissemitismo.
Devemos ficar preocupados com o que sucede aqui perto.
A Venezuela de Hugo Chávez, não só
rompendo relações com Israel, mas deixando
transparecer o antissemitismo. Na sexta-feira pela madrugada
foi atacada uma sinagoga em Caracas, destruída
a Arca Sagrada e os Rolos da Torá, além
de arquivos e fazendo pichações contra
os judeus. Lançamos nossos mais veementes protestos.
A Bolívia já seguiu a Venezuela, também
expulsando o embaixador de Israel. O nosso país,
com base nas relações comerciais, convida
o Presidente do Irã, que, alem dos negócios
com mercadorias e serviços, deve buscar o terror,
como fez na Venezuela, Bolívia, Equador, Argentina,
Nicarágua, com a presença do Hizbollah.
E o Presidente do Irã não faz segredo
ter o propósito de destruir não só
Israel, como a todos os judeus, levando a cabo um verdadeiro
Holocausto, pois declara que o anterior não ocorreu.
Temos exemplos preocupantes aqui, a centenária
sinagoga de Passo Fundo foi pichada. Também protestamos
com veemência. A Nota do PT, não modificada
ainda, apesar de uma reação de membros
do próprio Partido; o asilo a um terrorista,
(não se entra no mérito se assassino ou
não), membro das Brigadas Vermelhas e denunciado
por uso de documento falso, denúncia já
recebida pela Justiça brasileira; o possível
recebimento de presos de Guantânamo, evidentemente
terroristas ou pessoas ligadas ao terror do Ira-que
e Afeganistão, que receberiam a liberdade aqui,
porque não julgados (o que, aliás, pouco
importa, porque foi concedido refúgio ao membro
das Brigadas Vermelhas mesmo julgado), são situações
preocupantes que indicam a aproximação
do terror, sem atenção devida do governo.
A crise econômica e financeira, com um grande
desemprego, pode elevar o antissemitismo, porque será
sempre o judeu o bode-expiatório das crises.
Mas devemos nos lembrar dos partisans, pois céus
azuis virão afastar as nuvens sombrias. “Nunca
diga que se trilha o último caminho”.
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Quem
venceu o conflito em Gaza?
Ulrike
Putz, do Der Spiegel
Na
Faixa de Gaza, as pessoas estão voltando para
casa - ou para os destroços que antes eram suas
casas. Muitos estão culpando o Hamas pela destruição
porque os militantes se esconderam entre civis e atraíram
o fogo israelense. Ainda assim, ninguém ousa
falar abertamente. Aquilo que resta quando uma pessoa
é atingida por um tiro de canhão. Sangue,
tecido, pedaços de ossos presos na parede. E
raiva. A raiva de Mohhammed Sadala é direcionada
a um homem, cujos restos ele encontrou em seu quarto:
um combatente do Hamas. Ele e um camarada invadiram
sua casa, que estava vazia após a fuga da família.
Da varanda, os homens do Hamas atiraram contra os israelenses
que avançavam. Os soldados atiraram de volta,
matando os militantes e destruindo a casa da família
de dez pessoas no processo. Quando Sadala voltou para
ver o que tinha acontecido, ele encontrou sua propriedade
em ruínas: o quarto das crianças estava
queimado, enquanto a sala de estar e o corredor estavam
cortados por buracos de tiros e enegrecidos pela fumaça.
No quarto de dormir, estavam os corpos: um tinha sangrado
até a morte, o outro fora atingido por um tiro
de tanque. Ao lado dos corpos estavam os rifles usados
para tentar deter os tanques. "Eu costumava apoiar
o Hamas porque eles lutavam pelo nosso país,
pela Palestina", diz Sadala. “O Hamas defendia
um recomeço, o fim da corrupção,
que se espalhou como câncer com o moderado Fatah.
Nas eleições de 2006, o Hamas conquistou
a maioria com sua mensagem de mudança”,
afirma ele olhando para as ruínas do quarto:
"Essa é a mudança que eles trouxeram.
Fomos bombardeados para 2.000 anos".
Pelo buraco na parede da casa, Sadala vê um cenário
cinza e marrom. Antes havia um bairro ali, o seu bairro.
Agora, há uma serpente de areia em torno de uma
cratera de bomba. É impossível dizer onde
antes ficavam as ruas. As casas viraram pilhas de destroços.
As pessoas construíram refúgios usando
tecidos e destroços. Elas olham para os burros
e carneiros mortos, de barrigas inchadas. Ninguém
aqui tem tempo para remover os corpos que apodrecem.
Os moradores de Beit Lahia estão começando
do zero novamente: as crianças carregam nas costas
madeira das árvores quebradas. As mães
se curvam diante do fogo e assam o pão. As jovens
carregam água em latões de gasolina. Apenas
os homens ficam em pé atônitos, fumando,
olhando para o vazio. Muitas pessoas aqui, como Sadala,
colocaram suas esperanças no Hamas - e agora
estão olhando para o vazio, ideológica
e materialmente. Agora, tudo está perdido. E
não apenas os prédios estão em
destroços na Faixa de Gaza, mas também
o modo de vida de milhares de pessoas. Nas sociedades
árabes, a casa é em geral tudo o que uma
família possui. Frequentemente, vários
irmãos constroem uma casa para toda a família.
Viver junto tem suas vantagens: quando os custos da
construção da casa são pagos, sobra
mais dinheiro para alimentar as dezenas de familiares.
Agora, tudo está perdido.
"Quando o Hamas chegou ao poder, nos ajudou com
pacotes de alimentos", diz Abu Abed. Seus filhos,
todos enfermeiros hospitalares, estão sem trabalho
há anos. Isso é verdade para muitos na
Faixa de Gaza. Agora, Abu Abed está diante dos
destroços da sua casa, onde ele morava com quatro
gerações da sua família. Tudo o
que resta são os pilares do primeiro andar. A
marinha israelense estava de olho naquele prédio
desde o início da guerra. Afinal, sua vista clara
da Faixa de Gaza e do mar teria fornecido uma boa base
para o Hamas. "Mudei de opinião sobre o
Hamas", diz Abu Abed. "Não posso apoiar
um partido que trava uma guerra que destrói nossas
vidas". Ele fica particularmente revoltado com
o fato do Hamas ainda estar vendendo o cessar fogo como
uma vitória. "Quem venceu aqui?", ele
pergunta e aponta para os destroços que eram
sua casa. Um de seus vizinhos acrescenta: "Muitas
pessoas agora estão contra o Hamas, mas isso
não vai mudar nada", diz ele. "Porque
qualquer um que se levanta contra eles é morto".
Desde que assumiu o poder, o Hamas usou a força
brutal contra qualquer dissensão na Faixa de
Gaza. Houve reportagens das agências de notícias
que, durante a guerra, o Hamas teria executado suspeitos
de colaborar com Israel. O reino do terror continuará
por algum tempo, diz o vizinho que não quer dar
seu nome. "Nunca haverá uma rebelião
contra o Hamas. Seria suicídio".
Outros engolem a raiva. A casa de Hail fica a poucas
ruas de distância e sofreu apenas poucos danos.
Há alguns buracos de tiros na sala e todas as
janelas estão quebradas. Hail também descobriu,
depois do cessar-fogo, que os militantes tinham usado
sua casa como base para suas operações.
A porta da casa estava aberta e havia cabos elétricos
passando pelo corredor. Quando Hail os seguiu, viu que
levavam para a casa do vizinho que, aparentemente, tinha
sido minada pelo Hamas. Hail, que tem trinta e poucos
anos, estava sentado em sua varanda pensando no que
fazer quando um homem se aproximou: ele era do Hamas
e tinha deixado alguma coisa na casa de Hail. Este o
deixou entrar, e o homem então apareceu com um
colete à prova de balas, um lançador de
foguetes e um cinto de munições. Uma hora
depois, um combatente da Jihad Islâmica bateu
na porta. Ele subiu para o telhado e reapareceu com
uma caixa de munição. "Eles abusam
das casas dos civis para seus próprios propósitos.
Isso não está certo", disse Hail
com desgosto tentando manter a educação.
Em contraste com muitos de seus vizinhos, a família
Sadala está comparativamente bem. Todos sobreviveram,
e a casa teoricamente ainda pode ser consertada. Mohammed
Sadala tem outra opinião: "Não há
saída", diz ele. O que aconteceu em seu
quarto de dormir não pode ser resolvido com uma
limpeza. O pior é que agora ele sabe quem morreu
no quarto: foi Bilal Haj Ali. Sadala sabe disso porque
os irmãos do jovem vieram visitá-lo há
poucos dias. Eles queriam ver o lugar onde Bilal tornara-se
um mártir. "Eu os deixei centrar, mas quase
não falei nenhuma palavra", diz ele. Os
jovens tiraram fotografias dos restos do irmão
com seus telefones celulares. "Mas eles não
quiseram limpar", disse Sadala. "Eu disse
a eles para nunca mais aparecerem por aqui novamente".
Tradução:
Deborah Weinberg
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Tzipi
Livni: "O governo de Israel
não pertence aos generais"
Recentemente
foi celebrado o “Dia Internacional do Holocausto”
e muitos acusam Israel de desferir uma ofensiva genocida
contra a Faixa de Gaza.
Qualquer tipo de comparação entre o Holocausto,
a época mais horrorosa na História da
Humanidade, e uma situação em que um Estado
se vê obrigado a defender seus civis é
inconcebível. Diria aos que fazem essa comparação
que nunca a fizessem. Nós tentamos evitar ataques
terroristas contra nossos cidadãos. Os soldados
israelenses estão lutando contra o terror. Lamentavelmente,
os terroristas se escondem atrás dos civis, e
não existe nenhuma comparação —
nem estou disposta a aceitá-la — entre
terroristas, que tentam convencer crianças a
matar, e os soldados israelenses, que lutam contra o
terrorismo. Lamentavelmente, por erro, às vezes
civis morrem. Não posso evitar de sentir compaixão
nesses casos. No entanto, gostaria que a comunidade
internacional julgasse Israel de acordo com os mesmos
valores que são manifestados em diferentes partes
do mundo, na maioria do mundo livre. Não há
lugar para a comparação entre um assassino
e alguém que mata por engano. Os terroristas
são assassinos, os soldados israelenses lutam
contra o terror, embora algumas vezes, ao fazê-lo,
infelizmente produzam vítimas civis.
Seu
ministério denuncia o aumento de ataques e de
manifestações antissemitas em toda a Europa.
Qual a sua opinião sobre isso?
Estou consciente de que em alguns países o antissemitismo
cresce a cada dia, muito concretamente na Europa. Mas
este não é um problema israelense ou judeu,
e sim um problema da comunidade e dos líderes
dos países onde esse fenômeno ocorre. Eu
creio que a comunidade internacional tem a responsabilidade
de atuar segundo seus valores e frear essa perigosa
onda.
Mas
voltando a Gaza, mesmo em Israel há pessoas que
propõem o diálogo com o Hamas...
Eles não estão dispostos a reconhecer
Israel, e apoiam o uso da força e da resistência.
É preciso entender: vivemos num aquário
em que todo o mundo árabe nos olha. Por isso,
toda essa história de dialogar com o Hamas é,
na minha opinião, irrelevante.
Nestas
eleições, seus rivais, o trabalhista Ehud
Barak e o conservador Benjamin Netanyahu, são
ex-oficiais do Exército que lutaram na unidade
de elite "Sayeret Matkal". O Kadima teme que
a ofensiva em Gaza tenha prejudicado a possibilidade
de uma mulher vencer as eleições, porque,
segundo dizem, a guerra é algo machista...
O governo não pertence aos generais. Penso que
serei uma primeira-ministra diferente, e digo aos israelenses
que em 10 de fevereiro eles têm a possibilidade
de fazer História. Estive em Washington pouco
antes da posse do presidente Barack Obama e vi como
em cada canto havia cartazes, camisetas, pratos e chocolates
com sua foto. Parece-me maravilhoso que todo um povo
aguarde com tanto entusiasmo um líder que ganhou
as eleições, apesar de caber-lhe uma época
tão complicada. Quando ele veio a Israel durante
a campanha eleitoral, fomos juntos a Sderot, a cidade
mais agredida pelos foguetes do Hamas, e constatei seu
grande interesse por nossa realidade e, inclusive, por
questões pessoais, de cada um. Quanto a Netanyahu
e Barak, creio que sou a única que pode formar
um governo de unidade que inclua ambos, já que
o Kadima é de centro. Nós representamos
a via do meio, que pode ser um denominador comum para
aqueles que estão na centroesquerda ou na centro-direita.
Além disso, juntos, os três podemos impedir
os partidos setoriais (leia-se os ortodoxos e ultra-ortodoxos)
de aproveitarem seu peso eleitoral para obter mais benefícios
para seus eleitores.
Publicado
em O Globo
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Removendo
o tumor maligno do terrorismo
Natan
Sharansky, ex-ministro e
vice-primeiro-ministro de Israel
A
guerra de Israel em Gaza foi recebida com brados de
protesto ao redor do mundo. Eles vieram de duas fontes:
primeiro, há aqueles que se opõem a qualquer
esforço israelense de auto-defesa, principalmente
porque acham que um Estado judeu nem mesmo deve existir.
Essa é uma forma de anti-semitismo, e tal ponto
de vista deveria ser logo descartado, sem que se argumente
contra ele. Em segundo lugar, há aqueles que
apóiam a existência de Israel, mas acreditam
que foi errado promover um ataque tão duro contra
a Faixa de Gaza. Esse argumento assume duas formas:
(1) que a resposta de Israel é desproporcional
e, portanto, errada; e, (2) que há formas menos
violentas de lidar com o Hamas – através
de pressões internacionais, sanções
ou negociações.
As duas alegações, por mais lógicas
que possam parecer, ignoram as lições
da história, inclusive a história recente
de Israel no combate ao terrorismo. Nos dez anos em
que servi como ministro no Gabinete de segurança
de Israel, aprendi como tais argumentos podem ser equivocados.
Em 01 de junho de 2001, um homem-bomba suicida atacou
a entrada da discoteca Dolphinarium em Tel-Aviv. Vinte
e um israelenses, em sua maioria jovens, foram mortos
e mais de 130 ficaram feridos. Esse foi o último
de uma série de ataques suicidas que tinham sido
lançados desde o início da Segunda Intifada
em setembro de 2000. No dia seguinte, participei de
uma reunião dramática do Gabinete para
discutir nossas opções – uma reunião
realizada no Shabat, justificável apenas por
uma emergência real. A maior parte dos ministros
achava que era necessário tomar medidas decisivas.
Oficiais militares apresentaram um plano para erradicar
a infra-estrutura do terror, através de uma campanha
complexa no coração das cidades e dos
campos de refugiados palestinos. Apesar do ataque ter
sido cometido pelo Hamas, estava claro que o líder
palestino Yasser Arafat tinha lhe dado luz verde. Tínhamos
tanto o direito quanto a capacidade para contra-atacar.
No decorrer da reunião, porém, nosso ministro
do Exterior entrava e saía da sala, falando pelo
telefone com líderes mundiais, transmitindo-nos
o que tinham dito. Sua mensagem era clara: no momento,
Israel contava com a simpatia da comunidade internacional.
Enquanto mantivermos nossa resposta militar no mínimo,
o mundo continuará do nosso lado, e a crescente
pressão diplomática irá controlar
o terrorismo, disse ele. Mas, se lançarmos um
ataque em grande escala contra os terroristas, arriscamo-nos
a perder o apoio mundial e a transformar Arafat de agressor
em vítima.
Finalmente, o primeiro-ministro foi convencido pela
abordagem dele, e tomou-se a decisão de adotar
uma resposta proporcional – ataques localizados
a células terroristas, operações
especiais, prisões – e de permitir que
a diplomacia exercesse sua mágica. Nos próximos
nove meses, Israel moderou seu fogo, e o mundo realmente
condenou o terrorismo. Mas os ataques simplesmente aumentaram.
No coração de Tel-Aviv e Jerusalém,
homens-bomba suicidas explodiram cafeterias, ônibus
e hotéis. A vida noturna acabou, o turismo foi
dizimado e os hotéis tiveram de despedir a maior
parte dos seus trabalhadores. Um dos meus colegas no
governo, Rehavam Ze’evi, foi abatido por terroristas.
Nesse meio-tempo, os EUA sofreram seu próprio
ataque terrorista em 11 de setembro e fizeram intensas
pressões sobre nós para que não
retaliássemos contra os palestinos, com medo
de que isso complicasse sua própria guerra com
a Al-Qaeda.
A situação chegou a um clímax em
março de 2002, quando mais de 130 israelenses
foram mortos num só mês – sendo que
o ataque mais infame ocorreu em 27 de março,
na véspera da Páscoa, no Park Hotel em
Netanya. No dia seguinte, o Gabinete reuniu-se –
novamente num encontro extraordinário durante
um feriado religioso. A reunião começou
às 6 da tarde e prosseguiu durante toda a noite.
Dessa vez, porém, o governo decidiu lançar
a Operação Escudo Defensivo – o
mesmo plano que as Forças de Defesa de Israel
(FDI) tinham apresentado no ano anterior.
As Nações Unidas nos condenaram, os EUA
enviaram o secretário de Estado Colin Powell
para nos dizer que deveríamos parar imediatamente
com os ataques. A mídia global montou uma campanha
brutal para nos retratar como criminosos de guerra,
espalhando falsos rumores sobre a matança indiscriminada
de civis palestinos, descrevendo a operação
como a pior atrocidade da história moderna. O
mais chocante desses rumores foi o libelo de Jenin,
que foi mostrado em um filme produzido basicamente a
partir da imaginação fértil do
seu diretor, e então apresentado ao redor do
mundo. Não vinha ao caso que, na realidade, Israel
tinha tomado medidas sem precedentes para minimizar
o número de vítimas civis, até
mesmo deixando de usar bombardeios aéreos ou
fogo de artilharia, fazendo seus próprios soldados
assumirem riscos sem precedentes; ou que a comissão
da ONU criada para investigar Jenin foi logo dissolvida
por falta de evidências; ou que o diretor do filme
admitiu ter ludibriado seu público.
Durante anos, o “Massacre de Jenin” foi
a peça central da máquina de propaganda
anti-israelense, reverberando pela Europa e nos campi
americanos, como símbolo da iniquidade israelense.
Nossa reputação estava em frangalhos.
Entretanto, tudo isso foi um preço baixo a pagar
por aquilo que Israel ganhou. Em poucas semanas o terrorismo
palestino foi desativado, e o número de israelenses
mortos caiu de centenas por mês para menos de
uma dúzia no decorrer do ano seguinte. A economia
voltou a se movimentar. Não menos importante
foi o efeito que a Operação Escudo Defensivo
teve sobre os próprios palestinos. Com a infra-estrutura
terrorista removida, os palestinos puderam iniciar a
reconstrução das suas instituições
civis e mudar sua atitude em relação à
violência. No decorrer do tempo, a política
de promoção do terror de Arafat foi substituída
pela abordagem bem mais cautelosa do seu sucessor, Mahmoud
Abbas.
Em mais de seis anos desde a operação,
a economia da Margem Ocidental floresceu. Se há
esperança na Margem Ocidental hoje em dia, é
porque Israel abandonou as idéias de proporcionalidade
e diplomacia para lidar com o terrorismo. Os palestinos
da Margem Ocidental sabem disso; por essa razão
não se juntaram à condenação
mundial desenfreada de Israel pela guerra em Gaza. Enquanto
dezenas de milhares protestaram na Europa, a maior parte
dos moradores da Margem Ocidental ficou silenciosa.
Entender a guerra em Gaza significa reconhecer as lições
de 2002. Durante os três anos que se passaram
após a retirada de todas as tropas e dos assentamentos
da Faixa de Gaza em 2005, Israel optou por responder
de modo proporcional e diplomaticamente aos ataques
mortais diários do Hamas com seus foguetes. O
resultado? Mais foguetes, mais mísseis, mais
miséria para os palestinos – e espaço
suficiente para o Hamas tomar conta da Faixa de Gaza,
devastar sua sociedade, montar um arsenal muito mais
poderoso do que o que tinha em 2005 e tornar-se a vanguarda
do expansionismo iraniano na região.
O terrorismo é um câncer que não
pode ser curado por tratamentos “proporcionais”.
Ele exige cirurgias invasivas. Ele não somente
ameaça Estados democráticos, mas também
– principalmente – os civis locais que são
obrigados a se juntar às suas fileiras fanáticas,
usados como escudos humanos e devastados pela sua tirania.
Quanto mais se espera para tratá-lo, pior ele
fica, e mais severo torna-se o tratamento necessário
para vencê-lo. No Sul do Líbano, onde Israel
falhou em derrotar os terroristas em 2006, a enfermidade
se espalhou: o Hezb’allah (Partido de Alá)
tem agora três vezes mais mísseis do que
antes, e os terroristas têm o governo libanês
sob seu controle. Exatamente como em 2002, Israel optou
por combater o coração do terrorismo [em
Gaza], enfrentando denúncias de todo o mundo,
manifestações de multidões, resoluções
da ONU e falatórios sobre crimes contra a humanidade.
Agora, como naquele tempo, essa foi a decisão
correta.
A operação foi dolorosa: o número
de civis feridos e mortos, apesar de ser muito inferior
à de campanhas comparáveis em outras partes
do mundo, certamente é intoleravelmente elevada
– um reflexo da extensão e profundidade
da infra-estrutura terrorista que cresceu ali nos últimos
três anos. Como em 2002, os beneficiários
reais do sucesso da campanha israelense serão
os próprios palestinos. A paz somente será
alcançada quando for dada aos palestinos a liberdade
de construir instituições civis reais,
e quando puder emergir uma liderança sem medo
de dizer aos seus próprios cidadãos que
a violência, o fanatismo e o martírio não
são o caminho que deve ser seguido pelos palestinos.
Mas isso somente poderá acontecer depois que
a malignidade do terrorismo for removida do seu meio.
Por mais desagradável que isso soe, essa é
a única fonte de esperança para Gaza.
Publicado
no The Jerusalem Post
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Conflito
entre palestinos e israelenses
mostra que estamos na encruzilhada da história
Thomas
L. Friedman, colunista do The New York Times
Peça
que eu pare, caso você já tenha ouvido
esta história: "Um cara entra em um bar...".
Não. A história certa é esta: "Este
é o ano mais crítico da história
para a diplomacia palestino-israelense. Faltam cinco
minutos para a meia-noite. Se não fizermos rapidamente
com que a diplomacia volte aos trilhos, teremos o fim
da solução baseada em dois Estados".
Eu ouvi esse comentário quase todos os anos durante
os últimos 20 anos, mas nunca acreditei nele.
Bem, hoje estou acreditando. Estamos nos aproximando
perigosamente do fechamento da janela de oportunidade
para uma solução de dois Estados, já
que os dois principais fechadores de janelas - o Hamas,
em Gaza, e os fanáticos colonos judeus na Cisjordânia
- têm ocupado o banco do motorista. O Hamas está
ocupado em tornar uma solução de dois
Estados inconcebível, enquanto os colonos judeus
trabalham sistematicamente no sentido de torná-la
impossível.
Se o Hamas continuar obtendo e usando foguetes com raio
de alcance cada vez maior, não haverá
como o governo israelense tolerar o controle palestino
independente da Cisjordânia, já que um
foguete lançado do território poderia
facilmente fechar o aeroporto de Tel-Aviv e paralisar
a economia de Israel. E, caso os colonos judeus continuem
com o seu "crescimento natural" com o objetivo
de devorarem a Cisjordânia, a solução
se tornará também impossível. Nenhum
governo israelense esforçou-se para retirar sequer
os assentamentos "ilegais", ou não
autorizados pelas autoridades israelenses, apesar de
terem prometido aos Estados Unidos que tomariam essa
medida, de forma que está ficando difícil
enxergar como os assentamentos "legais" serão
algum dia removidos. É necessário que,
nas eleições israelenses de 10 de fevereiro,
obtenha-se um governo centrista de unidade nacional
que seja capaz de resistir à chantagem dos colonos
judeus e dos partidos direitistas que os protegem, para
que ainda seja possível implementar uma solução
com base em dois Estados.
Isso porque, sem uma solução estável
com base em dois Estados, o que teremos será
uma nação israelense escondendo-se atrás
de um muro alto, defendendo-se de um Estado palestino
fracassado governado pelo Hamas na faixa de Gaza, de
um Estado fracassado governado pelo Hezbollah no sul
do Líbano e de um Estado fracassado governado
pelo Fatah em Ramallah. Portanto, se você acredita
na necessidade de um Estado palestino, ou se gosta de
Israel, é melhor começar a prestar atenção.
Isto não é um teste. Estamos em uma encruzilhada
da história. O que torna a questão tão
difícil para a nova equipe de Obama é
o fato de a diplomacia do Oriente Médio ter se
transformado como resultado da desintegração
regional desde Oslo - de três formas fundamentais.
Primeiro, nos velhos tempos, Henry Kissinger podia voar
para três capitais, reunir-se com três reis,
presidentes ou primeiro-ministros, e firmar um acordo
que podia ser mantido. Mas isso não ocorre mais.
Atualmente um diplomata que luta pela paz precisa ser
ao mesmo tempo construtor de nações e
negociador.
Os palestinos encontram-se tão fragmentados política
e geograficamente que metade da diplomacia dos Estados
Unidos terá que se dedicar a encontrar uma forma
de obter a paz entre eles e a construir as suas instituições,
para que haja uma instituição coerente
e legítima para a tomada de decisões -
antes que possamos promover a paz entre israelenses
e palestinos. Segundo, o Hamas conta agora com poder
de veto sobre qualquer acordo de paz palestino. É
verdade que o Hamas acaba de provocar uma guerra irresponsável
que devastou o povo da faixa de Gaza. Mas o Hamas não
sairá do cenário. Ele está bem
armado e, apesar do seu recente comportamento suicida,
profundamente enraizado.
A Autoridade Palestina liderada por Mahmoud Abbas na
Cisjordânia não assumirá nenhum
compromisso com Israel enquanto temer que o Hamas, que
estará de fora, denuncie-a como traidora. Portanto,
a segunda tarefa para os Estados Unidos, Israel e os
Estados árabes é encontrar uma forma de
trazer o Hamas para um governo palestino de unidade
nacional.
Conforme disse o especialista em Oriente Médio
Stephen P. Cohen: "Para Israel não basta
que o mundo reconheça que o Hamas faltou criminalmente
com a responsabilidade para com o seu povo. O interesse
de longo prazo de Israel é garantir que tenha
um parceiro palestino para as negociações,
um parceiro que conte com legitimidade suficiente junto
ao seu povo para assinar acordos e cumpri-los. Sem que
o Hamas faça parte de uma decisão palestina,
qualquer acordo de paz israelense-palestino não
terá significado".
Mas, trazer o Hamas para um governo de unidade palestino,
sem enfraquecer os moderados da Cisjordânia que
atualmente lideram a Autoridade Palestina, será
complicado. Precisaremos de que a Arábia Saudita
e o Egito aceitem, bajulem e pressionem o Hamas para
que este mantenha o cessar-fogo, apóie as negociações
de paz e abandone os seus foguetes - enquanto o Irã
e a Síria puxam o Hamas no sentido inverso. E
isso conduz a um terceiro e novo fator - o Irã
como protagonista-chave na diplomacia palestino-israelense.
A equipe de Bill Clinton tentou atrair a Síria
ao mesmo tempo em que isolava o Irã. O presidente
Bush procurou isolar tanto o Irã quanto a Síria.
A equipe de Obama, conforme Martin Indyk argumenta no
livro "Innocent Abroad: An Intimate Account of
American Peace Diplomacy in the Middle East" ("Inocente
no Exterior: Um Relato Íntimo da Diplomacia de
Paz Norte-Americana no Oriente Médio"),
"precisa tentar trazer a Síria para a mesa
de negociações, o que enfraqueceria o
Hamas e o Hizbollah, e, ao mesmo tempo, conversar com
o Irã".
Então, apenas para recapitular: faltam cinco
minutos para a meia-noite, e antes que soem as doze
badaladas, tudo o que precisamos fazer é reconstruir
o Fatah, aglutiná-lo ao Hamas, eleger um governo
israelense capaz de congelar os assentamentos judaicos
na Cisjordânia, cortejar a Síria e negociar
com o Irã - ao mesmo tempo impedindo que este
último adquira capacidade nuclear - de forma
que possamos conseguir que todas as partes envolvidas
passem a conversar. Quem for capaz de alinhar todas
as peças desse Cubo de Rubik diplomático
merecerá dois prêmios Nobel.
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O
sem-noção
Reinaldo
Azevedo, colunista da revista “Veja”
Judeus
e não-judeus do mundo inteiro realizaram solenidades
para marcar o “Dia Internacional em Memória
das Vítimas do Holocausto”. No Brasil,
o evento aconteceu em uma sinagoga em São Paulo.
E o presidente Lula discursou. Entre os presentes, muitas
autoridades, como o governador de São Paulo,
José Serra; o ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso; o vice-governador Alberto Goldman; o secretário
da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, e o prefeito
de São Paulo, Gilberto Kassab. Acompanhavam o
presidente a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil); o
governador da Bahia, Jaques Wagner, e o ministro Paulo
Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos.
Era o “Dia Internacional em Memória das
Vítimas do Holocausto”? O decoroso Lula
não teve dúvidas e deitou falação
sobre o conflito israelo-palestino. E não foi
de improviso, não. Desta vez, ele leu o discurso.
Lembrou que a posição histórica
do Brasil é a defesa da existência de dois
estados na região e mandou ver: "Esse tem
sido o sentido de todas as nossas manifestações,
pois só assim alcançaremos a paz naquela
região. Tenho me esforçado pessoalmente
para impedir que o ódio mútuo acumulado
ao longo de décadas acabe sufocando ainda mais
as alternativas de paz".
Sem medo dos clichês, seguiu adiante: "O
conflito entre israelenses e palestinos no Oriente Médio
atinge corações e mentes de todos e nos
obriga a evitar que o ódio contamine o nosso
país". Exaltando a patetice de Celso Amorim,
que foi fazer um tour pelo Oriente Médio, emendou:
"Todos sabem que o Brasil não está
interessado nos resultados políticos e dividendos
econômicos que podem ser obtidos na região.
Nosso interesse é contribuir com a paz".
Tudo parece tão razoável, não?
Não!
Lula, acreditem, falou até do Holocausto! Dizer
o quê? A referência ao conflito, neste dia,
é absolutamente descabida. Ela minimiza o Holocausto
e ainda remete à associação comumente
feita pelos inimigos de Israel e anti-semitas a granel,
que pretendem que os judeus estão fazendo com
o povo palestino o que os nazistas fizeram com eles.
Não custa lembrar que foi esse o sentido de uma
nota emitida pelo PT. No Conselho de Direitos Humanos
da ONU, o Brasil deu um voto de censura a Israel.
Um discurso inadequado, indecoroso e mistificador. Trata-se
de um discurso fora do lugar. Não cabe a Lula
usar um evento trágico, que procurou banir da
terra um povo inteiro, para tentar dar lições
oblíquas de moral (ou, pior ainda, de moral oblíqua)
justamente às vítimas. Até porque
ele poderia ter sido mais explícito: quem defende,
em sua carta de fundação, o genocídio
é o Hamas.
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O
que está por trás da condenação
de Israel?
Professor
Efraim Karsh, chefe de Estudos do Mediterrâneo
e Oriente Médio na King's College/Universidade
de Londres,
e membro do Grupo de Especialistas Internacionais do
Instituto de
Assuntos Contemporâneos no Jerusalem Center for
Public Affairs
Com uma unanimidade, que se tornou completamente
habitual, os políticos, a mídia, as ONGs
e os líderes de igrejas por todo o mundo usaram
sua forte influência para denunciar o ato de autodefesa
legítimo de Israel contra uma das organizações
terroristas mais extremistas do mundo. Este coro de
desaprovação contrasta inteiramente com
a mais absoluta indiferença a conflitos muito
mais sangrentos que têm ocorrido ao redor do mundo.
Por que cidadãos, que habitam em países
democráticos, adotam entusiasticamente a causa
de um grupo islâmico radical que, não apenas
procura a destruição de uma outra democracia,
como também é abertamente dedicado à
substituição da ordem internacional existente
por um califado islâmico no mundo todo?
Décadas de um péssimo tratamento dado
aos palestinos pelos estados árabes passaram
virtualmente despercebidos. Apenas quando eles interagem
com Israel é que os palestinos ganham a atenção
do mundo. O fato de que a cobertura internacional do
conflito árabe-israelense tem invariavelmente
refletido um grau de intensidade e envolvimento emocional
muito acima do nível normal a ser esperado de
observadores imparciais poderia sugerir que isto seja
uma manifestação do preconceito existente
de longa data, que foi trazido à tona pelo conflito.
Os palestinos são apenas o mais recente coletor
de raios a serem liberados contra os judeus, com sua
suposta vitimização usada para reafirmar
a demonização milenar dos judeus em geral,
e o libelo de sangue medieval – significando que
os judeus se deliciam com o sangue de outros.
Assim que Israel optou por interromper os ataques do
Hamas à sua população civil, após
anos de comedimento auto-inflingido, foi confrontada
com uma tsunami de indignação internacional.
Com uma unanimidade que se tornou completamente habitual,
quando se trata de pronunciamentos do mundo sobre Israel,
os políticos, a mídia, as ONGs, e os líderes
de igrejas por todo o mundo, usaram sua forte influência
para denunciar o ato de autodefesa de uma democracia
soberana contra uma das organizações terroristas
mais extremistas do mundo, abertamente dedicada à
sua destruição, que, por muitos anos tem
feito chover milhares de foguetes e morteiros em comunidades
civis (para não mencionar uma longa cadeia de
ataques a homens-bomba).
Ecoado pela cobertura abrangente da mídia internacional
da resposta de Israel em Gaza, mas não das ações
e ideologia assassinas do Hamas, este coro de desaprovação
sobre o uso de força "desproporcional"
do Estado judeu, está em total contraste com
a mais absoluta indiferença a conflitos muito
mais sangrentos que têm ocorrido ao redor do mundo,
desde o genocídio que já vem ocorrendo
há muito tempo em Darfur, com seus estimados
400.000 mortos e no mínimo 2,5 milhões
de refugiados, à guerra no Congo, com mais de
4 milhões de mortos ou destituídos de
suas casas, à Chechênia, onde se estima
que entre 150.000 e 200.000 pessoas morreram e até
um terço da população foi desalojada
pelas mãos do exército russo. Nenhuma
destas tragédias viu manifestantes afluírem
em bandos nas ruas de Londres, Paris, Berlin, Milão,
Oslo, Dublin, Copenhagen, Estocolmo, Washington, e Fort
Lauderdale (para dar uma breve lista), como tem sido
o caso durante a crise em Gaza.
Como pode ser isso? Por que cidadãos que habitam
em países democráticos adotam entusiasticamente
a causa de um grupo islâmico radical que, não
apenas procura a destruição de uma outra
democracia, mas também é abertamente dedicado
à substituição da ordem internacional
existente, baseada em estados-nação territoriais,
por um califado islâmico (ou umma) no mundo todo?
Não por compaixão dos palestinos, cuja
má condição nunca atraiu um interesse
internacional verdadeiro, especialmente dos países
árabes (e no que diz respeito a esse assunto,
da liderança palestina), cujas décadas
de péssimo tratamento dos palestinos passaram
virtualmente despercebidas. Entre 1949 e 1967, o Egito
e a Jordânia governaram os palestinos da Faixa
de Gaza e Judéia e Samária respectivamente.
Não apenas eles falharam em colocar esta população
na trilha da cidadania, mas mostraram pouco interesse
em proteger seus direitos humanos ou mesmo em melhorar
a qualidade de vida deles – o que é uma
das razões pelas quais 120.000 moradores da margem
ocidental (Judéia e Samária) terem se
mudado, cruzando para a margem oriental do Rio Jordão
e em torno de 300.000 outros terem emigrado para o exterior
entre 1949 e 1967. Ninguém na comunidade internacional
prestou nenhuma atenção a isso, da mesma
forma que não prestaram mais recentemente ao
contínuo abuso dos palestinos por todo o mundo
árabe, desde a Arábia Saudita até
o Líbano, um país que foi condenado em
um relatório da Anistia Internacional, de junho
de 2006, "por sua discriminação e
abusos, de longa data, dos direitos fundamentais econômicos
e sociais dos refugiados palestinos".
Também não houve nenhum clamor internacional
quando países árabes massacraram palestinos
em grande escala. Em 1970, o Rei Hussein da Jordânia
ordenou o bombardeio indiscriminado dos campos de refugiados
palestinos, durante o combate ao levante palestino no
"Setembro Negro". Isto deixou entre 3.000
e 5.000 refugiados palestinos mortos. Mas, o fato de
que Hussein matou mais palestinos durante um único
mês do que Israel em décadas nunca foi
usado contra ele ou afetou a percepção
amplamente difundida sobre ele como um homem da paz.
Como colocou em suas recentes memórias, o jornalista
supostamente pró-palestino, Robert Fisk, o Rei
Hussein era "frequentemente difícil de culpar".
Novamente, mais de duas décadas atrás,
Abu Iyad, o homem número dois da OLP, declarou
publicamente que os crimes do governo sírio contra
o povo palestino "ultrapassaram os do inimigo Israel".
Além disso, como consequência da libertação
do Kuwait em 1991, o povo do Kuwait não apenas
tomou providências para punir a OLP por seu apoio
à ocupação brutal de Saddam Hussein,
cortando sua ajuda financeira à organização
demasiadamente exaltada e corrupta de Yasser Arafat,
como também houve uma matança generalizada
de palestinos que viviam no Kuwait. Esta vingança
contra trabalhadores palestinos inocentes no emirado
foi tão grave que o próprio Arafat reconheceu:
"O que o Kuwait fez ao povo palestino é
pior do que o que Israel fez aos palestinos nos territórios
ocupados". Ainda assim, não houve cobertura
da mídia ou reuniões da ONU, especialmente
convocadas, porque apenas quando eles interagem com
Israel é que os palestinos ganham a atenção
do mundo.
Em outras palavras, a extraordinária preocupação
internacional com os palestinos é um corolário
de sua interação com Israel, o único
estado judeu a existir desde tempos bíblicos,
com um ardor refletido da obsessão milenar com
os judeus nos mundos cristão e muçulmano.
Se sua disputa fosse com um árabe, muçulmano,
ou qualquer outro adversário, teria atraído
uma pequena fração do interesse que a
presente disputa provoca. De vez em quando, particularmente
entre devotos e/ou renascidos cristãos evangélicos,
esta obsessão tem se manifestado em admiração
e apoio à ressurreição do Estado
nacional judeu na Terra Santa. Na maioria dos casos,
no entanto, o preconceito e a animosidade anti-judaicos,
ou o anti-semitismo como é comumente conhecido,
têm exacerbado a desconfiança e o ódio
a Israel. Na verdade, o fato de a cobertura internacional
do conflito árabe-israelense e os libelos contra
o sionismo e Israel, tais como as desprezíveis
comparações de Israel com os nazistas
e com o apartheid da África do Sul, invariavelmente
refletir um grau de intensidade e envolvimento emocional
muito acima do nível normal a ser esperado de
observadores imparciais, poderia sugerir que, em vez
de ser uma resposta concreta a atividades de Israel,
isto seja uma manifestação do preconceito
existente de longa data, que foi trazido à tona
pelas vicissitudes do conflito.
Existe um outro lado desta questão. Por milênios
o sangue judeu tem sido barato, se não gratuito,
através dos mundos cristão e muçulmano,
onde o judeu se tornou um exemplo típico de falta
de poder, um perpétuo saco de pancadas e um bode
expiatório para quaisquer calamidades que acometessem
a sociedade. Não existe razão, portanto,
pela qual Israel não devesse seguir os passos
destas gerações passadas, evitando antagonizar
seus vizinhos árabes e exercendo o comedimento
sempre que atacado. Mas não, em vez de se colocar
em seu devido lugar, o insolente Estado judeu faltou
com seu papel histórico, ao cobrar um preço
pelo sangue judeu, e derrotar os covardes valentões
que até agora podiam atormentar os judeus com
impunidade. Esta dramática inversão da
história só pode ser imoral e inaceitável.
Por isso a indignação da comunidade global
e por isso a provisão de recursos ilimitados
para cobrir cada minuto da resposta "desproporcional"
de Israel, mas nenhum da devastação e
deslocamentos causados a cidades israelenses e seus
residentes. Colocado de forma diferente, os palestinos
são apenas o mais recente coletor de raios a
serem liberados contra os judeus, com sua suposta vitimização
reafirmando a demonização milenar dos
judeus em geral, e o libelo de sangue medieval –
significando que os judeus se deliciam com o sangue
de outros – em particular. Nas palavras de David
Mamet, "O mundo soube que os judeus usavam este
sangue no decorrer de suas cerimônias religiosas.
Agora, parece, que os judeus não necessitam do
sangue para utilizá-lo em cozimentos, mas meramente
para se deliciar em derramá-lo no chão".
Tal posicionamento será, sem dúvida, descartado
como "propaganda sionista" por muitos oponentes
de Israel. Mas, de fato, isto não apenas está
na contramão da sabedoria prevalecente entre
acadêmicos e intelectuais israelenses, para os
quais estes argumentos são um anátema,
mas também confronta um dos mais fundamentais
princípios do sionismo – que a criação
de um Estado judeu, para onde as diásporas judaicas
convergiriam e se normalizariam, resolveria o "problema
judaico" e melhoraria, senão eliminaria
inteiramente, o fenômeno do anti-semitismo. O
que esta linha de pensamento, dos pais fundadores do
sionismo, falhou em considerar, entretanto, é
que o preconceito e a obsessão, que tinha até
agora sido reservada para indivíduos e comunidades
judaicas, seria transferida para o Estado judeu. Como
o poeta Heinrich Heine, ele mesmo um convertido do judaísmo,
escreveu uma vez, o judaísmo é "a
maldição familiar que dura mil anos"
e não importa o quanto Israel se esforce, nunca
será capaz de se livrar desta perturbadora realidade.
Um pensamento entristecedor de verdade. Mas será
que existe qualquer outra explicação para
o fato de que, sessenta anos após seu estabelecimento,
por um ato de autodeterminação, reconhecido
internacionalmente, Israel permanece como o único
Estado do mundo que é sujeito a uma constante
efusão de teorias conspiratórias e libelos
de sangue dos mais bizarros; cujas políticas
e ações são obsessivamente condenadas
pela comunidade internacional; e cujo direito de existir
é constantemente debatido e questionado, não
apenas pelos seus inimigos árabes como por segmentos
de opinião elevada no Ocidente?
Tradução:
Irene Walda Heynemann
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A
falsa acusação de crimes de guerra
Alan
M. Dershowitz, jurista
Cada
vez que Israel pretende defender seus civis de ataques
terroristas, é acusado de crimes de guerra por
várias agências das Nações
Unidas, acadêmicos de extrema esquerda e por alguns
meios de comunicação. É uma acusação
totalmente falsa, e faz parte da estratégia do
Hamas - apoiado por muitos de extrema esquerda - para
deslegitimizar e demonizar o Estado Judeu. Israel é
a única democracia do mundo sempre acusado de
crimes de guerra quando luta uma guerra defensiva para
proteger seus civis. Isto é notável, especialmente
levando-se em conta o fato de que Israel matou muito
menos civis do que qualquer outro país do mundo
que tenha enfrentado ameaça igual. Na mais recente
guerra em Gaza menos de mil civis - até mesmo
pela contagem distorcida do Hamas - foram mortos. Isto,
apesar do fato de ninguém poder negar que o Hamas
empregou uma política deliberada no uso de crianças,
escolas, mesquitas, prédios e outras áreas
civis como escudos, para por trás deles lançar
seus mortais foguetes impessoais. A Força Aérea
Israeli produziu vídeos como provas incontestáveis
destes crimes de guerra do Hamas.
Só para ter uma comparação, considerem
a recente guerra travada pela Rússia contra a
Chechenia. Nessas guerras as tropas russas mataram dezenas
de milhares de civis chechenos, algumas deles intencionalmente,
a curta distância e a sangue frio. No entanto
os acadêmicos radicais que gritam assassinos contra
Israel (particularmente na Inglaterra), nunca convocaram
tribunais de crimes de guerra contra a Rússia.
Também não acusaram de crimes de guerra
nenhum outro dos muitos países que rotineiramente
matam civis, não num esforço para parar
o inimigo terrorista, mas apenas porque faz parte da
sua política. Também não vimos
comícios tipo Nuremberg que foram dirigidos contra
Israel, quando centenas de milhares de civis foram assassinados
em Ruanda, em Darfur e em outras partes do mundo. Estes
ódios fanático-festivos são reservados
para Israel. A acusação de crimes de guerra
não é nada mais do que uma tática
seletivamente invocada pelos inimigos de Israel. Aqueles
que gritam "crime de guerra" contra Israel,
em geral, não se preocupam com os crimes de guerra,
como tal, na verdade eles frequentemente os apóiam
quando são cometidos por países que eles
gostam. O que preocupa essa gente, e todos eles parecem
que se preocupam com, é Israel. Qualquer coisa
que Israel faça é errado, independentemente
do fato de tantos outros países fazerem pior.
Quando eu levantei esta preocupação em
um recente debate, o meu adversário acusou-me
de mudar de assunto. Ele disse, estamos falando de Israel
agora, não da Chechenia ou de Darfur. Isso me
lembrou de um famoso debate entre o presidente racista
de Harvard, Abbott Lawrence Lowell, e o grande juiz
americano Leonard Hand. Lowell anunciou que pretendia
reduzir o número de judeus em Harvard, porque,
"os judeus trapaceiam". O Juiz Hand respondeu
que "cristãos também trapaceiam".
Lowell respondeu, "Você está mudando
de assunto. Nós estamos falando dos judeus".
Bem, você não pode apenas falar sobre judeus.
Também não se pode apenas falar sobre
o Estado Judeu. Qualquer discussão sobre crimes
de guerra deve ser comparativa e contextual. Se a Rússia
não cometeu crimes quando seus soldados massacraram
dezenas de milhares de Chechenos (nem mesmo em uma guerra
defensiva), então, com base em quê Israel
poderia ser acusado de matar acidentalmente um muito
menor número de escudos humanos em um esforço
para proteger seus civis? Quais são as normas?
Porque elas não estão sendo aplicadas
igualmente ou seletivamente? Podem os direitos humanos
ser preservados diante dessa desigualdade e aplicação
seletiva? Estas são as questões que a
comunidade internacional deveria estar debatendo, e
não se Israel, e Israel apenas, violou as normas
de ambíguas noções chamadas "direito
internacional" ou "a lei da guerra".
Se Israel, e apenas Israel entre as democracias que
combatem guerras defensivas, for sempre acusado de "crimes
de guerra," isto marcará o fim da lei internacional
de direitos humanos como um árbitro neutro de
conduta. Qualquer tribunal internacional prestes a acusar
Israel, sem ter acusado as muitas nações
que têm feito muito pior, irá perder qualquer
legitimidade restante entre as pessoas honestas de boa
vontade. Se as leis de guerra, em particular, e internacionais
de direitos humanos em geral, querem ser preservadas,
elas devem ser aplicadas às nações,
pela gravidade de suas violações, e não
pela impopularidade política destas nações.
Se a lei de guerra fosse aplicada desta forma, Israel
estaria entre as últimas, e certamente não
entre as primeiras, acusadas.
Fonte:
Huffington Post.
Tradução: Ivan Kelner.
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“Em
matéria de Oriente Médio, as agências
de notícias só acreditam nas fontes do
Hamas”
Reinaldo
Azevedo, colunista da revista “Veja”
Não
será notícia nos jornais ocidentais. Procurei
no sites noticiosos, e nada! Afinal, como sabemos, as
“agências”, em matéria de Oriente
Médio, só acreditam nas fontes do Hamas.
Mas está lá, noticiado pelo Jerusalem
Post. Tão logo Israel começou a deixar
a Faixa de Gaza, os heróis dos Hamas cercaram
seus adversários do Fatah - ou o que restou deles
- seqüestraram-nos e os transferiram para escolas
e hospitais, transformados em centros de interrogatório
e tortura. Acusação: eles teriam atuado
como espiões de Israel. Uma fonte do Fatah em
Ramallah, na Cisjordânia, afirmou que cerca de
100 de seus militantes foram mortos ou feridos pelo
Hamas. Um representante da corrente em Gaza disse que
pelos menos 80 de seus companheiros foram punidos com
tiro nas pernas ou fratura nas mãos. “O
que está acontecendo em Gaza é um novo
massacre, protagonizado pelo Hamas contra o Fatah. Onde
estavam esses covardes quando as forças israelenses
estavam aqui?” Segundo os militantes do Fatah,
muitos de seus homens estão sendo capturados
enquanto prestam assistência à população
que enterra os mortos da guerra. Outros levam tiros
nas pernas apenas por sorrir em público, o que
é interpretado como satisfação
pela ação israelense em Gaza. Em suma,
o Hamas se impõe aos próprios palestinos
por meio da tortura, da bala nas pernas, da fratura
de membros e, claro, da morte. E não se vai ouvir
um pio a respeito.
Parece que, na antiga ordem mundial, da qual muitos
falam com saudade, quando “eles” lá
se torturam entre eles, isso não tinha grande
importância — desde que, do lado de cá,
pudéssemos fazer vigorosos discursos de paz.
“Bem, Reinaldo, melhor do que intervenção
e guerra, né? Talvez eles produzam menos cadáveres
entre si, numa coisa, assim, bem lá deles”.
É, talvez... Mas não me venham, então,
falar em nome de alguma superioridade humanista. Quanto
ao Hamas, ademais, cumpre lembrar. Eles matam com gosto
e requintes de crueldade o seu próprio povo,
é verdade. Mas eles querem mesmo é acabar
com Israel. Se não acabam porque não podem,
não quer dizer que não queiram e não
se mobilizem para isso. Ficarei aqui aguardando os protestos
das entidades de defesa dos direitos humanos e dos representantes
da ONU em Gaza contra o massacre de palestinos do Fatah
promovido pelos palestinos do Hamas. Creio que não
virão. A razão é simples: a ONU,
em Gaza, é parceira dos terroristas. O dia hoje
é particularmente interessante para dar essa
notícia. Há quem queira que o terrorismo
só existe porque falta diálogo. A realidade
mostrará que não. Até lá,
muita lágrima e muita babaquice vão rolar
debaixo da ponte das fantasias.
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“Começou
uma terceira era na qual os Democratas se focaram
na causa palestina e esfriaram em relação
a Israel, enquanto os Republicanos avançavam
no seu entusiasmo para com Israel”
Daniel
Pipes, diretor do Middle East Forum e colunista
premiado dos jornais New York Sun e The Jerusalem Post
Com
os democratas agora no poder tanto no executivo como
no legislativo que mudanças poder-se-ia esperar,
na política dos EUA para o conflito árabe-israelense?
Suas nomeações, até agora se ajustam
ao molde de centro esquerda. Do lado positivo, como
observa o analista Steven Rosen, isto significa que
ninguém da sua equipe traz uma "agenda definida
de esquerda de ilusões perigosas – realmente,
muitos deles são sensatos e inteligentes, resistentes
senão imunes à tolice que cega a maioria
dos acadêmicos". Especialmente quando nos
lembramos das associações anteriores de
Barack Obama (Ali Abunimah, Rashid Khalidi, Edward Said)
e o potencial alternativo "time dos sonhos",
essas vêm como um alívio. Do lado negativo,
observa Rosen, os futuros membros "são excessivamente
moderados e centristas, sem ninguém para soar
o alarme sobre os extraordinários perigos que
enfrentamos, de propor uma resposta além da habitual".
Olhando para o quadro maior, além do corpo de
funcionários, acha-se um misto semelhante a esse
quadro. Observe a resolução pró-Israel
aprovada pelo Congresso no inicio deste mês "reconhecendo
o direito de Israel de se defender dos ataques de Gaza,
reafirmando o forte apoio dos EUA a Israel, e apoiando
o processo de paz israelense-palestino". Passou
pelo Senado por unanimidade e pela Câmara por
390-5, com 22 membros registrando "presente".
Desses 27, 26 eram Democratas; e o 27º foi Ron
Paul, um Republicano só no nome.
Este voto implica dois pontos: primeiro, a forte atitude
bipartidária pró-Israel dos americanos
enfraqueceu o conflito de Gaza. Em segundo lugar, aqueles
que são frios ou hostis a Israel predominantemente
acharam seu nicho no Partido Democrata. Pesquisas de
opinião realizadas durante a última década
constantemente substanciam que os americanos apóiam
intensamente Israel, porém os Democratas menos
que os Republicanos. Já em 2000, eu mostrei que
"várias vezes mais membros do Partido Republicano
são mais amigáveis a Israel do que os
Democratas, e as suas lideranças refletem esta
disparidade". Em anos recentes, pesquisa de opinião
após pesquisa de opinião confirmaram este
padrão, até mesmo durante as guerras do
Hezbollah e do Hamas. Para citar algumas: Gallup de
março de 2006: sua solidariedade "está
mais com os israelenses ou mais com os palestinos"?
Resposta: 72% dos Republicanos e 47% dos Democratas
simpatizam mais com os israelenses. (Diferença:
25%).
Julho de 2006, NBC/WSJ: "sua solidariedade está
mais com Israel ou com as nações árabes"?
Resposta: 81% dos Republicanos e 43% dos Democratas
simpatizam mais com Israel (diferença: 38%).
Agosto de 2006 LAT/Bloomberg: você concorda que
"Os EUA deveriam continuar se alinhando com Israel"?
Resposta: 64% dos Republicanos e 39% dos Democratas
concordam (diferença: 25%).
Março de 2008, pesquisa de opinião do
Gallup: 84% dos Republicanos e 64% dos Democratas vêem
Israel favoravelmente (diferença: 20%).
Dezembro de 2008. Rasmussen Reports: 75% dos Republicanos
e 55% dos Democratas dizem que Israel é um aliado
dos EUA (diferença: 20%). O apoio republicano
a Israel é persistentemente maior, variando de
20% a 38% a mais que os Democratas e na média,
26%. Não foi sempre assim. Realmente, os Democratas
e os Republicanos mudaram dramaticamente suas posições
nas suas atitudes para com Israel num período
de mais de 60 anos e três eras.
Na primeira era, 1948-70, Democratas como Harry Truman
e John Kennedy mostraram entusiasmo com relação
ao estado judeu enquanto os Republicanos como Dwight
Eisenhower era frio. Na segunda, 1970-91, os Republicanos
como Richard Nixon e Ronald Reagan vieram a estimar
Israel como um forte aliado; como eu concluí
em 1985, isto significava que "Liberais e Conservadores
apóiavam Israel versus os árabes em proporções
semelhantes". Com o fim da Guerra Fria em 1991,
porém, começou uma terceira era na qual
os Democratas se focaram na causa palestina e esfriaram
em relação a Israel, enquanto os Republicanos
avançavam no seu entusiasmo para com Israel.
Matt Brooks, diretor executivo da Coalizão Judaica
Republicana corretamente nota que os "Democratas
estão cada vez mais virando suas costas para
Israel". Esta tendência antecipa uma provável
tensão durante os próximos quatro anos,
qual seja, adotar ou não uma abordagem mais "européia"
para com Israel. Tensões já existem. Por
um lado, a equipe de Obama não tem sido crítica
sobre a guerra de Israel contra o Hamas, declarando
que não negociará com o Hamas, que Israel
é o aliado chave do Oriente Médio, e que
a política dos EUA levará os interesses
da segurança de Israel em conta. Por outro lado,
tem mostrado uma vontade de se relacionar com o Hamas,
adicionalmente exibe tendências a uma abordagem
mais "imparcial", estimular de forma mais
severa as negociações, e dividir Jerusalém.
Em resumo, a política para o Estado Judeu está
em jogo.
Original
em inglês: The Democrats and Israel
Tradução: Joseph Skilnik
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“Oriente
Médio: o caminho seria juntar nas mesmas escolas,
desde cedo, crianças judias e árabes.
Mas, infelizmente,
parece que os caminhos todos estão bloqueados”
Hamilton
Bonat, ex-assistente do Chefe do Estado-Maior
do Exército e adido do Exército nos EUA
e no Canadá
Em
1994 acompanhei o Chefe do Estado-Maior do Exército,
de quem era assistente, em visita oficial a Israel.
Nosso interesse eram equipamentos de comunicações.
Empresários aproveitaram para nos apresentar
o tanque “Merkava” e aeronaves não-tripuladas.
O processo de paz tinha sido assinado um ano antes em
Oslo. Havia certo otimismo. Parecia real a chance de,
enfim, israelitas e palestinos, estes representados
por Yasser Arafat, presidente da Autoridade Nacional
Palestina (ANP), chegarem a bom termo. Mesmo assim,
o ambiente era tenso. Os soldados israelenses, após
o expediente, levavam seus fuzis para casa. Um tenente,
que na véspera provera nossa segurança
na visita que fizéramos a Belém, foi emboscado
e morto. Em bate-papo com tenentes-coronéis como
eu, lembro sua preocupação. Diziam que
os árabes interpretavam qualquer alusão
de Israel à paz como um sinal de fraqueza. E,
a partir daí, intensificavam os ataques contra
alvos civis em seu território. Decorrido tanto
tempo, parece que pouco mudou na região. Israel
continua cercado por inimigos mortais. Ao norte, o Hezbollah
e a Síria, que o apoia. Ao sul, o Hamas, movimento
guerrilheiro que não reconhece a ANP como governo
palestino democraticamente eleito e confessa desejar
varrer Israel do mapa. Mais a leste, o Irã, com
sua pesquisa nuclear que tem o fim de Israel como objetivo.
Alguns têm considerado excessiva a resposta israelense
na Faixa de Gaza. Entretanto, estes críticos
ignoram que há anos, em pleno cessar-fogo, o
Hamas, quase que diariamente, vem lançando foguetes
contra populações israelenses. Também
parecem desconhecer o culto ao ódio contra os
judeus propagado pelo Hamas, usando todos os meios,
inclusive videoclips visando ao aliciamento infantil.
Além disso, esquecem que não é
só em Gaza que os muçulmanos têm
revelado não admitir a convivência com
outras culturas. Na Cashemira, no Afeganistão,
no Sudão e em tantos outros lugares, já
deram suficientes provas disso. A solução
para o conflito não é fácil. Se
o fosse, já a teriam encontrado. O problema é
agravado pelo interesse de outros países. Agora
até Hugo Chávez, neo-aliado do Irã,
se posicionou. No Brasil, o partido da situação,
ao declarar-se pró-Hamas, revela outra vez sua
incompreensível subordinação ao
coronel venezuelano. Mahatma Gandhi afirmou que “Não
existe um caminho para a paz. A paz é o caminho”.
O caminho seria juntar nas mesmas escolas, desde cedo,
crianças judias e árabes. Mas, infelizmente,
parece que os caminhos todos estão bloqueados.
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“Esperemos
que os comentaristas recuperem o bom senso.
Eles
descobrirão que os piores inimigos dos palestinos
são os
líderes extremistas que jamais quiseram a paz,
jamais
quiseram um Estado e jamais pensaram em criar um país
para
o
seu povo, ao qual preferem ver como instrumento e como
refém”
Berbard
Henry Levy, filósofo
Por
não ser especialista em assuntos militares, me
absterei de julgar se o bombardeio israelense a Gaza
poderia ter sido mais direcionado, menos intenso. E
depois de décadas em que não me vi capaz
de distinguir entre os bons mortos e os maus mortos
ou, como Camus costumava dizer, entre as "vítimas
suspeitas" e os "executores privilegiados",
sinto-me também profundamente perturbado pelas
imagens de crianças palestinas que foram mortas.
Isso posto, e levando em conta que certos veículos
de mídia se deixaram outra vez carregar pelos
ventos da sandice - como costuma ser o caso sempre que
Israel está envolvido-, gostaria de lembrar a
todos alguns fatos:
1.
Nenhum outro governo, nenhum país - a não
ser o vilipendiado Israel, sempre demonizado - toleraria
ter suas cidades como alvo de milhares de obuses a cada
ano. A coisa mais notável nisso tudo, a verdadeira
surpresa, não é a "brutalidade"
de Israel, mas sim, literalmente, sua paciência.
2.
O fato de que os mísseis Qassam e agora Grad,
do Hamas, tenham causado tão poucas mortes não
prova que são artesanais, inofensivos nem nada
assim, mas sim que os israelenses se protegem, que vivem
emparedados nas cavernas de seus edifícios, em
abrigos: uma experiência fantasmagórica,
suspensa, em meio ao som das sirenes e explosões.
Já estive em Sderot; sei do que falo.
3.
O fato de que, inversamente, o bombardeio israelense
tenha causado tantas vítimas não significa,
como proclamam zangadamente os oponentes, que Israel
esteja envolvido em um "massacre" deliberado,
mas que os líderes de Gaza optaram pela atitude
oposta e estão expondo sua população,
confiando na velha tática do "escudo humano".
O que significa que o Hamas, como o Hizbollah, dois
anos atrás, está instalando seus postos
de comando, suas casamatas, seus arsenais, nos porões
de edifícios residenciais, hospitais, escolas,
mesquitas. Eficiente, mas repugnante.
4.
Há uma diferença crucial entre os combatentes
que aqueles que desejam ter uma idéia "correta"
sobre a tragédia e sobre as maneiras de pôr
fim a ela precisam admitir. Os palestinos abrem fogo
contra cidades, ou, em outras palavras contra civis
(o que a lei internacional define como "crime de
guerra"); os israelenses tomam por alvo objetivos
militares e causam, sem que o desejem, baixas civis
horríveis (o que a linguagem da guerra define
como "dano colateral" e, embora terrível,
indica uma verdadeira assimetria estratégica
e moral).
5.
Porque precisamos colocar os pingos nos is, recordemos
uma vez mais um fato que a imprensa pouco citou e do
qual não conheço precedente em qualquer
outra guerra ou da parte de qualquer outro Exército.
Durante a ofensiva aérea, o Exército israelense
apelou constantemente a moradores de Gaza que vivem
perto de alvos militares para que deixassem essas áreas.
Um ministro israelense disse que 100 mil pessoas foram
contatadas. Isso não altera o desespero de famílias
cujas vidas foram dilaceradas pela carnificina, mas
não se trata de um detalhe totalmente desprovido
de sentido.
6.
Por fim, quanto ao famoso bloqueio total imposto a um
povo faminto ao qual falta tudo nesta crise humanitária
"sem precedentes": uma vez mais, a definição
não é factualmente correta. Desde o começo
da ofensiva terrestre, os comboios de assistência
humanitária vêm cruzando incessantemente
a passagem de Kerem Shalom. Segundo o "New York
Times", em 31 de dezembro cerca de cem caminhões
transportando suprimentos de comida e remédios
entraram no território. E aproveito para invocar,
nem que seja apenas para preservar a lembrança
dessa verdade (pois creio que seria desnecessário
dizê-lo, ou talvez seja melhor dizê-lo de
vez), o fato de que os hospitais israelenses continuam
a receber e tratar palestinos feridos, a cada dia. Nossa
esperança deve ser a de que os combates se encerrem
rapidamente. E que, ainda mais rápido, esperemos
igualmente, os comentaristas recuperem o bom senso.
Eles descobrirão, quando isso acontecer, que
Israel cometeu muitos erros ao longo de muitos anos
(oportunidades perdidas, a longa negação
quanto às aspirações nacionais
palestinas, unilateralismo), mas que os piores inimigos
dos palestinos são os líderes extremistas
que jamais quiseram a paz, jamais quiseram um Estado
e jamais pensaram em criar um país para o seu
povo, ao qual preferem ver como instrumento e como refém.
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“Queremos
uma paz que não seja
só duradoura, mas definitiva”
Arnaldo
Niskier, membro da Academia
Brasileira de Letras e presidente do CIEE/RJ
Muito
cedo, em sua vida, a menina Renia conheceu bem de perto
os horrores da Guerra. Vivia em Ostrowiec, com seus
pais e irmãos, mas a invasão nazista à
Polônia obrigou-a a esconder-se, contando com
a coragem e a benevolência de um casal católico,
que a adotou como filha. Anos depois, com o fim da hecatombe
de 1939 a 1945, reuniu-se ao que restou da família,
passando a residir no Estado de Israel. Hoje, aos 86
anos de idade, inteiramente lúcida, vive numa
casa de repouso em Gedera, a poucos quilômetros
de Tel-Aviv. Fiz-lhe recentemente uma visita. Choramos
juntos de emoção. É minha tia,
a irmã mais nova do meu pai, que veio para o
Brasil no início da década de 30, assim
se salvando da bestialidade nazista. Por telefone, mantenho
contato com tia Renia. Nossa última ligação
foi dramática: “Estou vivendo um novo pesadelo.
Caiu um míssil aqui perto de casa, cavando um
imenso buraco. Ainda bem que os terroristas são
ruins de pontaria.” É muito duro para um
ser humano reviver a insegurança da guerra, quando
o mais lógico seria aproveitar os avanços
da ciência para uma existência amistosa
e confortável.
Enquanto mais de 40 nações árabes
pregam a paz permanente com o Estado de Israel, nascido
em 1948, para ficar, alguns terroristas, numa visão
fanática e lamentável, pregam a destruição
do seu território, para que seja riscada do mundo,
como eles afirmam, a única democracia estável
do Oriente Médio. Os israelenses estão
convencidos de que, vivendo de forma solidária
e útil, conseguirão obedecer aos mais
sagrados postulados divinos, enquanto os terroristas
pregam a morte, como forma de chegar ao céu e
receber as bênçãos do Todo Poderoso.
Isso é descaradamente ensinado em algumas escolas
da Faixa de Gaza, doutrinando desde cedo as crianças
para uma vida de permanente confronto e ódio
aos judeus.
Em 2005 Israel retirou da área conflagrada não
apenas o Exército (20 mil jovens), como também
foi obrigado a encontrar solução para
os 7.500 colonos que ali haviam se estabelecido. Deu,
assim, o grande passo em direção à
paz, buscando a convivência saudável. Quando
o Hamas ganhou as últimas eleições,
esmerou-se nas provocações, aproximando
os seus fanáticos terroristas das fronteiras
estabelecidas. Houve dia de atirar 70 foguetes em Sderot
e outras cidades próximas, provocando mortes
e ferimentos inaceitáveis. O mundo, calado. Nenhum
dos “democratas” que hoje escrevem ou falam
sobre a invasão israelense se manifestou a respeito,
como se isso fosse da natureza inescapável do
problema. Depois de 22 dias de confronto, a paz parece
ter voltado à região de Gaza. Israel decretou
o cessar fogo. Todos somos favoráveis à
existência de um estado palestino, num clima desejável
de fraternal convívio, ou seja, com uma paz que
não seja só duradoura, mas definitiva.
Todos têm a ganhar com isso.
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“Israel
gera inveja”
Eduardo
Nabuco, membro do Ministério
Público do Estado do Rio de Janeiro
Quanto aos lamentáveis episódios
que todos temos lido e assistido diariamente na imprensa,
após muita reflexão e, creio eu, isenta
análise, já que não sou judeu ou
palestino, e até hoje jamais tive oportunidade
de entrar em uma sinagoga ou mesquita, concluí
terem sua ocorrência por culpa do povo judeu.
Sejamos frios e desapaixonados, e a razão brotará
conforme se segue:
1) Como um povo pode ter ficado séculos
sem pátria, espalhado pelo mundo, e sempre permanecer
unido como uma só família sem jamais perder
o laço com suas tradições, suas
crenças e sua força de trabalho e não
pagar por isso?
2) Como esse povo, após ter sido
perseguido e covardemente massacrado pelo nazismo enquanto
boa parte dos governos de então a tudo assistia
sem nada fazer, pode ter retornado à sua terra
e erguido, praticamente na areia, uma nação
economicamente forte, com universidades de excelência,
tecnologia de ponta e agricultura altamente desenvolvida,
e não pagar por isso?
3) Como um povo, que livre da opressão
nazista e com seu país reconhecido pela comunidade
internacional, ao invés de perseguir clandestinamente
àqueles que os assassinaram aos milhões,
e em ações de guerrilha os exterminar
um a um preferem, por meio de uma organização
legal, os localizar e os conduzir aos tribunais para
um julgamento justo e dentro da lei, e não pagar
por isso?
4) Como é que um povo, num mundo
belicoso como o nosso, se acha no direito de jamais
ter tomado a iniciativa de um ataque àqueles
que têm por regra sua destruição
do mapa, e não pagar por isso?
5) Por fim, como é que um povo
que tanto sofrimento passou, e tantas conquistas logrou
exclusivamente pelo seu trabalho, pode ter o desplante
de mostrar ao mundo o que ele se nega a ver: que é
um povo pacifista. Tem que pagar por isto!
Israel ataca desproporcionalmente os
palestinos, matando crianças e mulheres nas zonas
de conflito, diz a imprensa, mas acontece que não
há judeus que se prestem ao “nobre”
serviço do homem-bomba. Estes entram calmamente
em supermercados, danceterias, parques de diversão
etc, e se explodem em nome de um inexistente deus, despedaçando
mulheres, crianças e idosos em total estado de
despreocupação, sem qualquer chance de
defesa, crentes na segurança de sua permanência
em zona desmilitarizada. Contudo, tal área não
é respeitada pelos integrantes do Hamas. Mas
a culpa deve ser de Israel.
Pelo que se tem visto e lido, os bunker’s do Hamas
covardemente se fixaram em escolas, próximos
de hospitais, creches ou outras edificações
cujo ataque gerará grande repercussão
negativa. Entretanto, cientes de sua ocorrência
e utilização, a população
deveria e poderia evitar suas proximidades, oportunidade
que não é dada aos freqüentadores
dos supermercados, danceterias, restaurantes e tranqüilos
locais públicos em Israel. Israel perturba grande
parte do mundo. É recente como país. É
rico, é desenvolvido. Montou poderio bélico
defensivo sem comprometer o social. Isto, permitindo-me
utilizar do termo comum, gera inveja. Excessos sempre
ocorrerão nas guerras, que é um absurdo
por si só. Mas paciência tem limite. Tudo
já foi tentado, e infelizmente nada deu certo.
Rezemos para que tudo acabe o mais rápido possível,
e que nada mais de tão trágico volte a
acontecer.
PS:
apenas como curiosidade: no Word do Windows Vista, quando
a gente digita Israel sai em letra minúscula
com grifo indicando para colocar em maiúscula,
mas quando se digita Hamas já vem direto em maiúscula.
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“Dê
a Israel uma oportunidade”
Rafael
L. Bardají, membro sênior do GEES
(Grupo de Estudos Estratégicos) sobre a segurança
internacional, os conflitos e o terrorismo e
ex-conselheiro executivo do ministro da Defesa espanhol
Nenhuma nação sobre a
Terra aceitaria ser bombardeada permanentemente por
um território vizinho e permanecer impassível.
A atuação do castigo israelense contra
o Hamas em Gaza, não deveria ser, portanto, uma
surpresa. O que é verdadeiramente surpreendente
é isso não ter acontecido muito antes.
Israel aguentou o que não se pode aguentar: mais
de 4 mil foguetes palestinos que, se não causaram
mais mortes, foi em boa medida devido ao imenso esforço
realizado na proteção passiva --em forma
de bunkers-- das populações do sul de
Israel. Exigir que Israel pare suas operações
militares é uma imoralidade, assim como um gravíssimo
erro estratégico. O objetivo político
da União Europeia e da comunidade internacional
não deve ser um cessar-fogo, mas sim um fim ao
terrorismo que vem de Gaza. A manipulação
midiática a que nos acostumaram as facções
palestinas, terroristas ou não, está novamente
em marcha, oferecendo as imagens do sofrimento de seu
povo, desgraçadamente inevitável em qualquer
confronto bélico. Ela é tão hábil
que faz esquecer o sofrimento que os terrorista palestinos
têm imposto a uma boa parte da população
israelense. Até a retirada total de Israel de
Gaza em 2005, o Hamas justificava os ataques suicidas
e por outros meios como um instrumento necessário
para lutar "contra a ocupação israelense".
Pois bem, desde que Sharon decidiu deixar Gaza para
os palestinos, o único israelense na faixa foi
o soldado Gilad Shalit, sequestrado faz dois anos pelos
militantes de Gaza. Sem exagero, o fato de Israel já
não ser uma "força ocupante"
não diminuiu a ânsia por violência
do Hamas e de outros grupos palestinos em Gaza. Por
uma razão muito simples: o que o Hamas quer não
é a solução de dois Estados convivendo
pacificamente um junto ao outro. O islamismo palestino
aspira a um único Estado, palestino e islâmico.
Por isso não quer nem pode renunciar ao seu objetivo
de eliminar Israel. E por isso Israel se vê forçado
a se defender. Se não o fizesse, simplesmente
deixaria de existir. Como em toda a guerra, não
faltaram os corifeus clamando aos céus por causa
da desproporção da resposta militar israelense.
Não sabemos o que propunham como alternativa,
mas o que sabemos é que não apenas a atuação
das Forças Armadas Israelenses, a IDF, tem sido
escrupulosa em relação ao direito de guerra,
mas também está sendo altamente eficaz
quanto a discriminação de seus alvos.
Certo, em toda ação bélica existe
o risco de causar baixas civis inocentes, mas, pelo
que contam os observadores no local e a sacrossanta
instituição das Nações Unidas,
talvez menos de 10% das vítimas poderiam ser
consideradas como vítimas inocentes. O resto,
90%, seriam membros e militantes do Hamas. O que quer
dizer, entre outras tantas coisas, que a execução
dos ataques israelenses foi mais bem preparada do que
as ações da OTAN no Afeganistão,
por exemplo, onde a proporção de mortes
por erro é bastante mais alta. Em suma, Israel
tem o direito de se defender e o faz da melhor forma
possível, com justiça, legitimidade e
proporção. Enquanto luta contra os terroristas
de Gaza, permite que a ajuda humanitária flua
até os palestinos da região. E é
preciso lembrar que, se hoje Gaza está na situação
precária em que se encontra, isso se deve à
péssima gestão dos líderes do Hamas,
muito mais interessados em aterrorizar os israelenses
do que em criar oportunidades para os seus eleitores.
Porque seria um erro estratégico pressionar Israel
para que pare sua ofensiva agora? Por uma razão
muito simples: porque acabar com os arsenais e os foguetes
do Hamas não é suficiente e é isso
o que os bombardeios da IDF têm feito até
agora. Foi Douglas MacArthur quem disse que "na
guerra não há substituto para a vitória".
Com a exceção da derrota, claro. E se
há uma lição que devemos aprender
com os conflitos inacabados ou mal-acabados, como a
guerra de Israel contra o Hezbollah no verão
de 2006, é que a ausência de uma vitória
clara e visível, isto é, a ausência
de uma vitória decisiva, se torna rapidamente
uma derrota. A sobrevivência do Hezbollah foi
entendida pelos seus e por boa parte do mundo árabe
como uma derrota israelense. Correto ou não,
isso é o de menos. A imagem é o que importa.
Por isso, acabar com os foguetes do Hamas não
é suficiente. Deve-se retirar dele por completo
o sentimento de vitória e, para isso, há
que se conseguir com que eles desistam de seus planos.
Se a comunidade internacional dá esperanças
aos dirigentes do Hamas de que se aguentarem um pouco,
obrigarão Israel a parar suas ações,
a única coisa que se estará fazendo é
alimentar seu sentimento de vencedor. Pior ainda, se
estará patrocinando diretamente os palestinos
radicais em detrimento dos moderados, aqueles com quem
se pode falar de uma solução pacífica
para todos. Se o Hamas não sai derrotado politicamente,
a Autoridade Palestina, seu presidente, Abbas, e o governo
de Salam Fayyad é que sairão derrotados.
Se o Hamas não for derrotado, pode vir a ter
força para tentar um golpe na Cisjordânia,
similar àquele feito contra o poder em Gaza em
2007. Isso sim seria o final de todo o processo de paz.
Se o contrário ocorre, se o Hamas sai claramente
derrotado, será aberta uma nova oportunidade
para que a Autoridade Palestina retome seu papel na
faixa de Gaza, que é hoje, de fato, um Estado
palestino separado. Por último, não podemos
esquecer que, apesar de Israel estar lutando para defender
a tranquilidade das populações vizinhas
a Gaza, a derrota do Hamas não só traria
novas oportunidades para uma paz estável na região,
mas também representaria um grave revés
para os desígnios do Irão na região.
Nesse sentido, não podemos esquecer que Israel
não luta apenas por sua segurança, mas
também o faz pela nossa, europeus e ocidentais.
Deter um Irã cada dia maior, irresponsável,
provocador e às portas de se tornar uma potência
atômica só pode beneficiar a paz internacional.
Ou seja, nossa paz e nossa segurança.
Publicado
na Folha Online
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“A
verdadeira desproporção: os que criticam
Tel-Aviv não dizem se Israel deveria aumentar
sua
cota de cadáveres ou reduzir a cota árabe
para
alcançar uma proporção razoável
de sangue”
Carlos
Alberto Montaner, escritor e jornalista cubano
Os israelenses estão sendo acusados
de sofrerem poucas baixas em seus confrontos com terroristas
do Hamas. Os que argumentam isso em geral usam palavras
como "desproporcional" ou a"assimetria"
em tom de indignação. Ao escrever esta
coluna, cerca de mil palestinos morreram ou foram feridos
como resultado dos bombardeios, as perdas israelenses
estão por volta de uma dúzia. Os que criticam
Tel-Aviv - de quem um odor antissemita frequentemente
sobe - não dizem se Israel deveria aumentar sua
cota de cadáveres ou reduzir a cota árabe
para alcançar uma proporção razoável
de sangue. Nem especificam o número moralmente
permitido de baixas para encerrar a chuva de foguetes
que por anos tem caído sobre a cabeça
de civis israelenses.
Essa demanda por "proporcionalidade" só
pode ser chamada de surpreendente. Até o conflito
começar, livros de História sempre expressaram
satisfação e até um certo orgulho
chauvinista quando o Exército de uma nação
infligia um grande número de baixas ao inimigo,
com um baixo preço pago por "nossos rapazes".
Israel é o único país que espera-se
que aja de outra forma, e de fato age. Não conheço
outra nação que avise onde e quando vai
bombardear, permitindo que civis evacuem o território.
Nisso age de forma assimétrica, já que
os terroristas do Hamas nunca anunciam onde ou quando
vão lançar seus foguetes contra civis.
Israel não tem interesse em causar mortes. Tudo
o que quer é deter os ataques do Hamas da única
maneira que pode: eliminando os terroristas e destruindo
seus arsenais. Não há outro meio de lidar
com eles. O Hamas não é uma organização
política com a qual acordos possam ser alcançados,
mas uma gangue fanática com a intenção
de varrer Israel do mapa. Para atingir seu objetivo,
seus membros estão dispostos a transformar seus
filhos em bombas humanas.
Aqui há outra assimetria. Os judeus constroem
abrigos subterrâneos nas casas perto da fronteira.
Fecham as escolas e escondem as crianças ao menor
sinal de perigo. Protegem os civis das consequências
da guerra. Em contraste, autoridades em Gaza disparam
suas metralhadoras irresponsavelmente para o ar para
expressar alegria ou tristeza (causando numerosos feridos),
não hesitam em instalar seus quartéis-generais
ou esconder armas em escolas, usam escudos humanos,
voltam-se para homens-bomba e recompensam as famílias
de tais "mártires" com dinheiro.
Uma semana antes de o Hamas romper a trégua e
retomar o ataque de foguetes (o que deflagrou o conflito),
eu estava em Israel para uma palestra em Tel-Aviv. Visitei
o Centro Médico Wolfson para ver o programa "Salve
o coração de uma criança".
É uma fundação devotada a cirurgias
cardíacas em crianças pobres, a maioria
do mundo árabe. Testemunhei a chegada de uma
menina de 5 anos que precisava ser operada de emergência.
Ela era trazida pela mãe, uma mulher com a cabeça
coberta por um véu negro, e pelo marido, que
olhava maravilhado a indescritível gentileza
com a qual médicos tratavam a criança.
A família vinha de Gaza. Desde que a guerra começou,
eu me pergunto o que aconteceu a eles.
Publicado
em O Globo e no Washington Post
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“Os
verdadeiros inimigos do Hamas: a atual
crise em Gaza é apenas um aspecto de uma
batalha muito mais ampla que sacode a região”
Barry
Rubin, diretor do Global Research in International Affairs
e editor do Middle East Review of International Affairs
No Irã, elementos de dentro do
regime supostamente oferecem recompensa de US$ 1 milhão
pelo assassinato do presidente do Egito, Hosni Mubarak,
por sua oposição ao Hamas na Faixa de
Gaza. No Líbano, o líder do Hezbollah,
apoiado por Irã e Síria, defende simplesmente
a derrubada do governo egípcio. Como resposta
a isso, Tariq Alhomayed, saudita, editor-chefe do jornal
"Al-Sharq al-Awsat", descreve o Hamas como
uma ferramenta do Irã e argumenta que o "Irã
é uma ameaça real para a segurança
árabe". O ministro das Relações
Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit, concorda - e
não é o único. Quando Estados árabes
se reuniram para discutir a crise em Gaza, a Arábia
Saudita vetou qualquer ação. Até
a Autoridade Palestina (AP) culpa o Hamas pelos combates.
Ativistas do Fatah, rival nacionalista do Hamas, que
comanda a AP, não escondem a esperança
de que o Hamas perca a guerra.
Bem-vindos ao novo Oriente Médio, não
mais caracterizado pelo conflito árabe-israelense,
mas por um conflito árabe nacionalista-islâmico
radical. Reconhecendo esta realidade, praticamente todos
os Estados árabes - a não ser a Síria,
aliada do Irã - e a AP querem ver o Hamas derrotado
na Faixa de Gaza. Visto o forte interesse próprio
em demover grupos revolucionários islâmicos,
especialmente os alinhados com o Irã, eles não
estão inclinados a ouvir aos gritos das ruas
- que estão bem mais silenciosas do que em conflitos
anteriores, como em 1991, na guerra no Kuait, no levante
palestino de 2000 a 2004 ou na guerra entre Hezbollah
e Israel, em 2006.
O Oriente Médio de hoje é muito diferente
do antigo, sob vários aspectos significativos.
Primeiro, a política interna de cada país
árabe gira em torno da batalha entre governantes
nacionalistas árabes e a oposição
radical islâmica. Em outras palavras, os aliados
do Hamas são os inimigos dos regimes. Um Estado
radical islâmico na Faixa de Gaza encorajaria
os que buscam entidades similares no Egito, Jordânia
e em todos os outros países árabes.
Um tremendo preço já foi pago em vidas
e riquezas por este conflito. A violência incluiu
guerras civis entre palestinos e argelinos; derramamento
de sangue no Iraque; e campanhas terroristas no Egito
e Arábia Saudita. No caso palestino, depois de
ganhar a eleição e chegar a um acordo
com o Fatah para um governo de coalizão, o Hamas
voltou-se contra seus rivais nacionalistas e os expulsou
de Gaza à força. Por sua vez, a AP vem
reprimindo o Hamas na Cisjordânia. No Líbano,
o Hezbollah vem tentando submeter seus rivais mais moderados,
os cristãos, muçulmanos sunitas e drusos.
Segundo, como os Estados árabes confrontam-se
com uma aliança Irã-Síria que inclui
o Hamas e o Hezbollah, além dos conflitos internos,
também há uma batalha regional entre esses
dois blocos. Um aspecto disso é que os Estados
liderados amplamente por sunitas deparam-se com um concorrente
amplamente xiita pela hegemonia regional.
Esses dois problemas representam perigos maiores para
os Estados existentes do que qualquer ameaça
israelense (em grande parte inventada) e os governantes
da região sabem disso. Do outro lado, o Irã
e seus aliados elevaram os estandartes do jihad e "resistência".
Sua plataforma inclui: revolução islâmica
em todos os países; o Irã como Estado
dominante da região, reforçado por armas
nucleares; nenhuma paz com Israel e nenhum Estado Palestino
até que possa haver um Estado islâmico
abrangendo todo Israel (assim como a Cisjordânia
e Faixa de Gaza); e a expulsão da influência
ocidental da região.
Este é um programa muito ambicioso, provavelmente
impossível de alcançar. No entanto, é
uma receita para terrorismo e guerra intermináveis:
os islâmicos revolucionários, tanto favoráveis
como contrários ao Irã, acreditam que,
como Deus está do lado deles e seus inimigos
são covardes, vencerão; e eles estão
bastante preparados para passar o próximo meio
século tentando provar isso. Embora esta pareça
ser uma avaliação muito pessimista da
situação regional, o lado islâmico
radical possui muitas fraquezas. Lançar guerras
perdidas pode fazê-los se sentir bem, mas serem
derrotados é uma proposição custosa,
já que sua arrogância e beligerância
afastam muitos que de outra forma poderiam ser conquistados
para sua causa.
Além disso, a situação representa
uma boa oportunidade para as autoridades políticas
ocidentais. A ênfase deveria ser construir coalizões
entre os Estados relativamente moderados que são
ameaçados pelas forças islâmicas
radicais e trabalhar arduamente para evitar que o Irã
tenha armas nucleares - um objetivo que está
dentro dos interesses de muitos na região. O
pior erro seria seguir a política oposta - um
esforço inevitavelmente fútil para pacificar
os extremistas ou tentar moderá-los. Tal campanha,
na verdade, desencorajaria os relativamente moderados
que, sentindo-se traídos, tentarão conseguir
seu próprio acordo com Teerã. A atual
crise em Gaza é apenas um aspecto de uma batalha
muito mais ampla que sacode a região. Ajudar
o Hamas daria poder ao islamismo radical e às
ambições iranianas e enfraqueceria a AP
e todos os demais, não apenas Israel. Os Estados
árabes não querem ajudar seu pior inimigo.
Por que qualquer outro deveria?
Publicado
no Valor Econômico
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“O
momento é de tanto radicalismo e insanidade que
o óbvio é que parece absurdo, como admitir
que é possível defender ao mesmo tempo
a existência de Israel e a criação
do Estado palestino”
Zuenir
Ventura, de O Globo
Um
dos piores efeitos colaterais dessa guerra de Gaza -
como, de resto, de todas as guerras - é a capacidade
de envenenar corações e mentes até
dos que estão distantes, dificultando as tentativas
de uma visão equilibrada do conflito. Ao se expulsarem
dos debates a tolerância e a sensatez, acaba-se
reproduzindo simbolicamente o clima de beligerância
e de ódio dos campos de batalha. Nas discussões,
a busca de soluções tem dado lugar a uma
inútil obsessão para saber quem começou,
quem deu o primeiro tiro, quem tem mais "razão",
quem matou mais, como se esse caminho levasse a alguma
saída. Isso só interessa aos que preferem
as feridas abertas à cicatrização.
Quem pertence a uma geração que conheceu
todo tipo de guerra — mundial (a segunda), fria,
colonial, étnica, civil, de guerrilha, "limpa",
suja, "justa" — sabe o que fica delas,
além dos escombros e das pilhas de mortos: os
amputados de corpo e alma para o resto da vida. Por
isso é que, para mim, a única tomada de
posição sensata é pela paz em Gaza,
não em favor de uma das partes em guerra, o que
é uma forma de prolongá-la. Mas o momento
é de tanto radicalismo e insanidade que o óbvio
é que parece absurdo, como admitir que é
possível defender ao mesmo tempo a existência
de Israel e a criação do Estado palestino.
Nessa disputa sangrenta, os dois lados merecem mais
crítica do que aplausos, se é que merecem
algum. Não é preciso ser antissemita,
por exemplo, para condenar com indignação
excessos como os que foram noticiados ontem: "Israel
faz 110 ataques e atinge ONU, jornalistas e um hospital”.
Da mesma maneira, não é preciso ser inimigo
da causa palestina para repudiar o que o Hamas faz com
seu povo, usando-o como escudo, quando não como
bomba humana, essa terrível versão literal
da velha metáfora "bucha de canhão".
Numa troca de cartas há mais de 70 anos, Einstein
perguntava a Freud se existia alguma forma de nos proteger
da "maldição" da guerra. Ele
considerava este como "o mais urgente de todos
os problemas que o mundo tinha de enfrentar". A
correspondência entre os dois gênios, ambos
fugitivos do nazismo, rendeu o famoso texto "Por
que a guerra?", do criador da psicanálise.
É um ensaio exaustivo, impossível de ser
resumido aqui, ainda mais por um leigo. Ele passa em
revista os instintos de vida (Eros) e os de morte (Tanatos),
os que "tendem a preservar e a unir" e os
que "tendem a destruir e matar". "Nós,
os pacifistas", diz Freud quase ao final, "temos
uma intolerância constitucional à guerra
(...)". "Quanto tempo teremos de esperar até
que o restante da Humanidade também se torne
pacifista?", ele pergunta e responde: "Não
há como dizê-lo." Freud acha que isso
"pode não ser utópico". Mas
não sabe por que caminhos se realizará.
Uma coisa, porém, ele garante: "Tudo o que
estimula o crescimento da civilização
trabalha simultaneamente contra a guerra".
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“Em
vez da pessoa se dizer antissemita, o que
seria politicamente incorreto, ela se diz antissionista,
como se, assim, as aparências fossem salvas”
Denis
Lerrer Rosenfield, professor de filosofia
na Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Martin
Luther King já dizia que o antissionismo é
o novo disfarce do antissemitismo. Em vez da pessoa
se dizer antissemita, o que seria politicamente incorreto,
ela se diz antissionista, como se, assim, as aparências
fossem salvas. O Hamas ancora todo o seu discurso contra
a “entidade sionista”, dizendo, com isso,
procurar a “libertação da Palestina”.
O problema, contudo, está no sentido conferido
à expressão “libertação
da Palestina”, pois, na verdade, ele quer dizer
a destruição do Estado de Israel, segundo
consta de sua “Carta”, de 1988: “Israel
existirá até o Islã o apagar do
mapa, exatamente como fez com outros no passado”.
Aliás, nesta mesma “Carta”, ele se
posiciona contra toda reunião internacional:
“As iniciativas de paz, ou soluções
pacíficas, ou conferências internacionais
são contrárias aos princípios do
Hamas... Não há outra solução
para o problema palestino a não ser a Jihad”.
Libertação significa aqui morte do outro:
“O dia do julgamento não virá até
que os muçulmanos matem todos os judeus”.
Surpreendente, no entanto, é o eco desse discurso
entre certos setores do jornalismo e da intelectualidade
(que certamente não usa o intelecto), que reproduzem
os mesmos termos, acrescentando outros, como se as ações
de autodefesa do Estado de Israel fossem “terrorismo
de Estado”, “genocídio” e “práticas
nazistas”. O PT, em particular, mais uma vez se
mostrou à altura de sua falsificação
da história, o que é coerente com sua
linha de maltrato da moralidade, da ética na
política, com o “mensalão”,
os “aloprados”, as “cuecas”
e outras formas de afirmação de seus “princípios”.
Digno de nota, porém, é o fato de ele,
agora, abraçar a causa do “terrorismo islâmico”,
dentro, certamente, de sua luta contra o “sionismo”
e o “imperialismo”. Seu perfil totalitário
fica ainda mais nítido. Evidentemente, não
precisa mais se dar o trabalho de distinguir entre a
“causa palestina” e o “terror”.
O Hamas é uma criatura da Fraternidade Muçulmana,
grupo religioso de oposição ao governo
egípcio. Dentre os seus feitos, destaca-se o
assassinato de Anuar El Sadat, o presidente que fez
a paz com Israel. Cometeu, aos olhos dos fundamentalistas
islâmicos, um pecado capital: reconheceu o Estado
hebreu. Pagou com a sua própria vida. Israel
retirou-se dos territórios ocupados e, desde
então, reina a paz entre Estados que, no passado,
foram inimigos. A paz, porém, é inaceitável
para o terror. A ideologia deste grupo teológico
político é fortemente impregnada de posições
antiocidentais, abominando, principalmente, a igualdade
entre homens e mulheres, a liberdade dos costumes, a
democracia e a tolerância. Não é
casual que o segundo homem na hierarquia da AlQuaeda
seja egresso da Fraternidade Muçulmana. Afinidades
eletivas! São certamente impactantes e condenáveis
as cenas de crianças mortas. Aliás, o
Hamas conseguiu, nesse sentido, bem instrumentalizar
a opinião pública internacional e nacional.
O que não se diz, todavia, é que o Hamas
utiliza mulheres e crianças como “escudos
humanos”. Israel tem poucas vítimas civis.
Por quê? Porque se preocupa com os seus cidadãos,
construindo abrigos e criando sistemas de alerta. O
que fez o Hamas? Criou passagens e túneis subterrâneos
para os seus militantes, colocando, na frente de batalha,
crianças e mulheres, de modo que elas pudessem
se tornar vítimas para a opinião pública.
Claro que, assim, as baixas civis só poderiam
ter aumentado. Baixas civis, aliás, que são
intencionalmente infladas, pois os “combatentes”
do Hamas, agora, estão lutando com trajes civis,
abandonando os seus uniformes, de tal maneira que as
suas mortes não apareçam como as de militantes.
No Brasil, temos intelectuais (sic!) que fazem manifesto
contra a agressão israelense a universidades
e mesquitas.
Ora, não conseguem compreender — deve ser
muito difícil! — que mesquita não
é mesquita, escola não é escola,
universidade não é universidade, da mesma
forma que libertação não é
libertação. São centros de armazenamento
de armas, foguetes, refúgios de terroristas,
além de locais de endoutrinação
e treinamento. É o que foi mostrado, recentemente,
no Paquistão, onde uma mesquita cumpria precisamente
essa função. O drama palestino reside
na ausência de líderes e partidos políticos
efetivamente comprometidos com a criação
de um Estado. Arafat não esteve distante disso
quando, em Camp David, esteve próximo de aceitar
a proposta do então primeiroministro de Israel,
Ehud Barak, hoje ministro da Defesa. A proposta consistia
no reconhecimento recíproco, na criação
de dois Estados, na retirada de Israel de mais de 92%
dos territórios ocupados e na divisão
de Jerusalém, que seria a capital compartilhada
dos dois Estados. O problema, contudo, não foi
a partilha territorial, nem a divisão de Jerusalém,
mas o que as lideranças palestinas chamam de
“direito de retorno”, de em torno de 4,5
milhões de pessoas. Retorno para onde? Para dentro
do Estado de Israel e não para a nova pátria
palestina! Israel teria de abrigar em seu território
pessoas criadas no ódio aos judeus, que equivaleriam
quase à sua população. Trata-se,
na verdade, da destruição de Israel por
outros meios. Por que não um acordo envolvendo
esse retorno ao novo Estado? Ademais, esses refugiados
foram os que acreditaram nas lideranças árabes
da época que, seguindo o Mufti de Jerusalém,
pregavam atirar os judeus ao mar. Os palestinos que
não os seguiram são, hoje, cidadãos
israelenses e desfrutam melhores condições
de vida do que em qualquer outro Estado da região.
Qualquer solução definitiva só
poderá se fazer tendo como pressuposto o reconhecimento
recíproco, a retirada de Israel dos territórios
ocupados e a renúncia à violência
enquanto meio de resolução de conflitos
políticos. Não podemos, porém,
seguir os cantos dos falsos humanistas, que encobrem
os seus preconceitos com belas palavras!
Publicado
em O Globo
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"Minha
primeira passeata: senti que já não posso
mais observar o que se passa de “cima do muro”
Elisete
Retter, cantora e compositora brasileira radicada em
Israel
No
último dia 12 de janeiro eu participei da minha
primeira passeata na vida. Nós, brasileiros que
vivemos em Israel, nos juntamos para protestar em frente
a Embaixada do Brasil em Tel-Aviv contra a nota assinada
pelo PT que acusa Israel de agir como os nazistas agiram
durante a II Guerra Mundial. Todos nós sentimos
grande indignação e eu, que vivo em Israel
há 17 anos, senti que já não posso
mais observar o que se passa de “cima do muro”.
Precisava ter a sensação de que ao menos
estaria fazendo alguma coisa para ajudar Israel, mesmo
que um gesto mínimo. O Partido dos Trabalhadores
por ser um partido de esquerda e consequentemente anti-militar,
provavelmente vê a situação em Israel
associando ao acontecido no Brasil há tanto tempo.
Porém, as coisas são diferentes. Eles
necessitam conhecer todos os fatos, conhecer melhor
a história e a mentalidade dos povos da região
em ordem de formar um melhor julgamento.
Esta foi a minha primeira demonstração
e eu participarei de quantas mais sejam necessárias
para dar ao povo brasileiro a possibilidade de um ponto
de vista distinto. Eu sou uma pacifista, uma cantora
e compositora. Eu sonho com a paz. Sobre isso escrevo
nas minhas canções, com este propósito
vivo. Continuarei esperando que os povos desta região
um dia encontrem um modo de conviver uns com os outros
e que todos nós viveremos em paz. Nós
precisamos que isto aconteça! Nós queremos
que isto aconteça! Nós queremos a paz.
Nós também queremos que Israel se sinta
suficientemente seguro para que esta paz tenha uma chance.
Fonte:
FIPE
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É
a mídia parcialmente responsável
pelo genocídio de crianças em Gaza?
Sander
Fridman, psicanalista
1.
Anti-judeu, anti-israel, anti-semita, anti-sionista:
são, hoje, termos idênticos, e sua tentativa
de distinção pretende manter o antigo
massacre aos judeus, disfarçando a reprovada
intenção em ambientes civilizados, inclusive
de esquerda, do qual me julgo parte.
2.
Nazistas eram os membros do partido nacional socialista
dos trabalhadores alemães: nem todos que se dizem
socialistas o são - não raro, o contrário.
3.
É nazistófilo aquele que se diz de esquerda,
mas não se importa se seus aliados são
de fato de esquerda, como os nazistas, que se aliaram
aos "Von" (nobreza alemã), bem como
a Stalin, o ditador genocida traidor da classe operária
e dos intelectuais que a apoiaram.
4.
Foi, aliás, Stalin quem salvou Israel do massacre
em 1948, com a permissão para o envio de armas
tchecas, e quem, logo depois, aliou-se com os "Von"
árabes para massacrar Israel que, sabedor das
perseguições judaicas em seu regime, não
quis tornar-se soviética, ou seja, ser comandada
por Stalin. Stalin não aceitava dividir seu poder
de influência. Também foi graças
a Stalin que os EUA de MacArthur, em plena guerra fria,
tornaram-se aliados de Israel, uma Central Única
de Trabalhadores (Histadrut) que tinha um país,
e um exército - a Haganá - que se converteram
no exército de Israel. Isto, porque, o resto
do Oriente Médio já estava alinhado com
a URSS, e não sobrava mais ninguém para
guardar a posição americana. Na época,
para os EUA, todo judeu era comunista, até prova
em contrário. Por isso recusaram os refugiados
judeus de Hitler, que voltaram para morrer de mau-cheiro
- das câmaras de gás.
5.
Muitos "esquerdas" nazistófilos no
Brasil apóiam os "Von" do oriente médio,
que sustentam seus poderes feudais com o ferro e o fogo
da religião muçulmana, salientados seus
textos Supremacistas (submissão obrigatória
de todos os povos à supremacia do Islã)
e Racistas (os judeus são descendentes de porcos
e macacos, por isso é a obrigação
de todo temente a Alá matar todos os judeus:
antes disso não haverá salvação/o
"dia do juízo final") Como disse, idêntico
ao ideário nazista. O papel do movimento era
o de confundir-se inicialmente com a esquerda, para,
depois, eliminá-la. Tal no Irã, tal na
Alemanha, tal em Gaza.
6.
Grande parte da esquerda estúpida brasileira
revela seu filonazismo ao apoiar estes grupos, que defendem
essa agenda, e esquecem que, no Oriente Médio,
os únicos sindicatos de trabalhadores livres
e atuantes estão em Israel.
7.
Por que esquecem? Por uma só razão: são
sindicatos de Judeus - pensam.
8.
Sobre Gaza? Não há o que discutir: os
nazistas fizeram o mesmo: Hamas e Hitler optaram por
continuar combatendo até a última gota
de sangue da última criança. Deve Israel
depor armas e deixar as crianças do Hamas continuarem
os ataques? Ou deixar o monstros do Hamas continuarem
os ataques por que se cercam de crianças que
serão atingidas se Israel tentar pará-los?
9.
Sobre os escudos humanos infantis? Nem uma linha! A
propaganda mais barata, na conta dos valores nazi-hamáticos:
vidas infantis não valem nada para eles! E a
mídia do mundo, recompensa o genocídio
dos escudos humanos involuntários do Hamas, proporcionando-lhes
toda a mídia que um dia quiseram. Quem mata estas
crianças é a mídia, que divulga
a propaganda do Hamas, e assim paga pelo genocídio,
que vende jornais, aumenta a audiência, encomendando
por mais imagens de crianças mortas para alimentar
a mídia insaciável de modos fáceis
de captar a atenção do público!
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Guerra
a caminho do fim
Nahum
Sirotsky, correspondente iG em Israel
A
prioridade absoluta de Obama é a crise econômica.
E o povo americano espera que ele assuma o caminho novo
logo nos primeiros momentos de sua presidência.
Provavelmente minutos depois de entrar na Casa Branca,
no próximo dia 20, assinará programas
deverão confirmar suas promessas de mudança.
As pressões internacionais pelo fim das hostilidades
em Gaza são fortíssimas, como se comprova
na sede das Nações Unidas, onde se manifestam
em resoluções. O Egito, principal mediador
entre Israel e Hamas, tenta viabilizar o entendimento.
Enviados de Israel e do Hamas chegam ao Cairo, ouvem
e contrapropõem, de forma a não se encontrarem.
Ainda não se chegou lá, mas caminha-se.
A decisão de cessar-fogo pode até acontecer
antes do dia 20. A implementação é
que tenderá a demorar.
O conflito em Gaza é das questões urgentes
na agenda de Obama. Porém, nada mais urgente
do que o bem-estar americano, abalado pela crise. Não
existe confiança alguma entre Israel e Hamas,
mas eles precisarão aceitar a solução
política. É do interesse de ambos. Será
um grande feito para o governo do Egito. Pelo que reporta
a mídia, Israel considera ter realizado o suficiente
de seus objetivos estratégicos, tais como destruir
grande parte da infra-estrutura de poder criada pelo
Hamas, demonstrar seu preparo e determinação
na defesa da tranquilidade de seus habitantes. Mas chegou
a uma encruzilhada.
Um lado leva a uma escalada do combate a níveis
politicamente insuportáveis pelos seus custos
humanos e políticos. Escalada que terminaria
na indesejada reocupação de Gaza, a estreita
faixa de 400 quilômetros quadrados e bem mais
de um milhão de habitantes que nem Egito nem
Jordânia aceitaram assumir nos seus acordos de
paz com Israel. Uma população de insignificante
renda na média e aparentemente infiltrada de
ideologia fundamentalista e teimosos guerreiros. E viria
se acrescentar aos cerca de milhão e meio de
árabes israelenses, tornando mais próximo
e provável que cheguem à maioria no atual
Estado judeu. Vitória custosa.
O outro lado, o do entendimento, interromperá
a luta com compromisso de cessar-fogo, impedimento ao
rearmamento do Hamas por meios do contrabando, direito
de punir agressões. Um cessar-fogo possibilita
ao Hamas proclamar que não foi derrotado, sustentar
sua ambição de uma Palestina islâmica,
lhe oferece a possibilidade de ajuda internacional na
reconstrução, e até uma certa legitimidade.
No dia 10 de fevereiro realizam-se as eleições
gerais de Israel, quando um dos atuais ministros poderá
chegar a chefiar o próximo governo. Obama assume
a mais poderosa função do mais rico país
e, com certeza, em um mundo de desafios mais complexos
e jamais enfrentados por um presidente americano.
Franklin Roosevelt, membro de aristocrática família,
eleito nos princípios dos anos 1930, enfrentou
a Grande Depressão, que foi das grandes tragédias
da história moderna. Adotou e implementou políticas
que mudaram os Estados Unidos com um conjunto de iniciativas
audaciosas e inovadoras. Mas a Depressão só
foi superada com a II Guerra Mundial. Barack Obama terá
de liderar o encontro de soluções nacionais
e internacionais. O homem que veio com mensagem de paz.
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O
principal inimigo de Israel nesta guerra é a
ONU
Reinaldo
Azevedo, colunista da revista Veja
Israel
enfrenta em Gaza um inimigo bem pior do que o Hamas:
a ONU. Desde o início da reação
defensiva do país, morreram 13 de seus cidadãos.
O Hamas, por enquanto, é incompetente para matar:
só não é mais efetivo porque não
pode, não porque não queira — e
porque suas vítimas potenciais sabem se defender.
Vejam o caso do muro na Cisjordânia. Tantos foram
os protestos, né? O fato é que os atentados
suicida-homicidas foram reduzidos a praticamente zero.
Pesquisem na Internet, e vocês encontrarão
muitos conselheiros recomendando a Israel que desistisse
do muro. Vocês sabem como há especialistas
prontos a dizer como aquele país deve defender
seus cidadãos... Mas volto ao ponto.
Procurem um só representante das Nações
Unidas, com nome e sobrenome, que acuse o Hamas de fazer
o que todos sabem que o Hamas faz, de modo documentado:
usar civis como escudo. E vocês não encontrarão.
Os tais comissários se converteram na frente
política do Hamas. Enquanto os terroristas usam
mesquitas, escolas e residências como esconderijo
(para atacar às escondidas) e/ou depósito
de armas e munição, todas as acusações
se voltam contra o país que reage às agressões.
A acusação da hora é o uso do tal
fósforo branco, substância proibida. Se
Israel está, de fato, empregando o dito-cujo,
é claro que isso tem de ser denunciado. O país
nega. O bom senso evidencia que se deve proceder a uma
investigação. Cadê? Ela aconteceu?
Não! A ONU reporta relatos dos palestinos. Chega
a ser estúpido indagar se não caberia
investigar antes e acusar depois... Nesse confronto,
como está claríssimo, as Nações
Unidas têm lado.
E sabem por que é assim? Porque não existem
mais Nações Unidas. O organismo está
balcanizado hoje em conselhos, e sólidas democracias
dividem espaço e voz com ditaduras as mais detestáveis.
É o caso do Conselho dos Direitos Humanos. O
que mais há no grupo são países
em que não há direitos — humanos
tampouco. Foi o grupo que condenou Israel, ontem, com
a ajuda do Brasil. E que, dois anos atrás, preservou
os genocidas do Sudão de qualquer censura. Vocês
entenderam direito: os mesmos trogloditas que condenaram
Israel pelo “massacre” de Gaza passaram
a mão na cabeça do governo sudanês,
que já havia matado 200 mil pessoas — hoje,
o número passa de 300 mil.
Essa mesma ONU acusa a morte em penca de civis e não
indaga, então, por que os há se os alvos
de Israel são, porque são, selecionados.
Boa parte do mundo parece se contentar com a versão
de que os israelenses são mesmo perversos. Imaginem
quantos seriam os mortos num ataque a esmo feito contra
Gaza. Aliás, imaginem quantos eles seriam se
Israel só se ocupasse da tal reação
proporcional, como tantos querem: quantas teriam sido
as vítimas fatais no ano passado se os israelenses
tivessem apenas, digamos, retrucado os 1.386 foguetes
que foram lançados contra seu território...
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Relato
de um palestino que não odeia Israel e os judeus
Achmed
Assef
Meu
nome é Achmed Assef, sou palestino e vivo no
Brasil atualmente. Desde que iniciou novamente os conflitos
no Oriente Médio, não se fala em outra
coisa a não ser nesta guerra infeliz que tanto
vem fazendo vitimas dos dois lados. Nasci na Palestina,
um país que ainda não existe oficialmente
e quando a situação ficou insustentável
para minha família, tivemos o feliz e sagrado
convite de um amigo de meus pais a virmos ao Brasil,
e desde meus 5 anos de idade, moro neste lindo país
acolhedor. Quando digo que a situação
na Palestina ficou insustentável, não
estou me referindo aos inúmeros conflitos com
o exercito de Israel ou os religiosos judeus que mantinham
suas casas lindas em território palestino, e
que hoje essas mesmas casas foram tomadas a força
pelos terroristas, mas sim de uma insustentabilidade
provocada pelos próprios "governantes"
palestinos em todos esses anos. Para quem esta no Brasil
ou qualquer outro lugar do mundo, na segurança
de seu lar e de sua vizinhança não vai
conseguir imaginar nunca o que é viver em Gaza.
Somente de lembrar minha breve infância nas cidades
em que vivi, me dá aperto no coração
e vontade de chorar, porem, ninguém que esta
no conforto de seus lares também recebendo milhares
de informações, fotos e noticias do atual
conflito pode imaginar também o que é
sentir-se traído por aqueles que se intitulam
lideres palestinos.
Os lideres palestinos nunca quiseram um Estado. E eu
posso falar isso em alto e bom tom, porque é
uma verdade. Se quisesse teriam criado antes de 1948,
quando ainda não existia o Estado de Israel,
se quisessem o teriam feito em 48 também quando
a ONU decidiu pela criação de 2 Estados,
mas nossos grandes líderes preferiram incitar
o povo à violência de lutar contra os judeus
do local a fazer lobby por um Estado palestino viável.
Não quiseram também os líderes
palestinos quando os territórios, chamados "ocupados
por Israel" e que hoje estão em sua grande
maioria em nosso domínio, criar um Estado palestino.
O que dizer então da mais recente escalada de
violência, quando ocorreu a segunda intifada causada
pelo grande líder Arafat que em 2000 rejeitou
o melhor acordo de paz de todos os tempos propostos
pelo premie israelense Ehud Barak e mais uma vez incitou
o povo palestino a violência e a brutalidade através
de homens-bomba, enquanto a família do sr. Arafat
vivia com regalias, mordomias e riquezas em Paris, tudo
fruto de doações dignas estrangeiras mas
que nunca chegaram ao povo sofrido da Palestina.
Ao invés de comprar comida, água, remédios
e oferecer uma vida digna e boa ao povo palestino, nossos
lideres preferiram o caminho da violência, da
brutalidade e da estupidez de promover o ódio
e a discriminação contra o povo judeu,
que se não são anjos, também não
são demônios como pregam nossos lideres.
As mesmas crianças que hoje morrem inocentemente
no colo de suas mães, são as mesmas que
recebem a criação e educação
militar desde cedo a odiar Israel e o povo judeu, sabendo
atirar com armas pesadas com menos de 5 anos de idade
e ainda recebem a lavagem cerebral de se tornarem mártires
explodindo-se para causar ainda mais vítimas
do outro lado. Os lideres palestinos não possuem
nenhum sentimento humanitário como se espera
para uma população cansada e calejada
de sofrimento. pois se tivessem, não mandariam
para o suicídio seus parentes e suas crianças,
enquanto esses covardes assassinos escondem-se em outros
paises ou ate mesmo utilizando escudos humanos dentro
da população civil, como vemos hoje na
faixa de Gaza.
O Hamas, que ha. muito tempo vem promovendo barbáries
dentro e fora de Gaza, desde que em seu único
ato inteligente na historia, transformou-se em partido
político somente para dar legitimidade ao seu
terrorismo praticado diariamente nas ruas de Gaza, matou,
perseguiu, torturou e aniquilou todos os "inimigos"
do Fatah, o partido moderado que hoje é representado
pelo incapaz Mahmoud Abbas. Senhores, como pode um grupo
terrorista, dizendo-se líder do povo palestino
matar nossos irmãos??? Como entender que eles
não estão defendendo nosso povo, mas sim
seus próprios ideais que não refletem
a opinião da maioria desse meu povo palestino?
Matar palestinos somente porque não concordam
com seus atos e idéias é arcaico e acima
de tudo terrorista. Sobrou a Cisjordânia para
o Fatah e que se não tomarem cuidado, servira
de base para mais atos de violência dos terroristas
do Hamas. Vocês podem argumentar que os terroristas
do Hamas praticam atos sociais e de solidariedade, mas
não acreditem em tudo que veem na mídia
e muito menos em tudo que ouvem. Para que vocês
consigam compreender, faço uma analogia com os
traficantes no Rio de Janeiro, pois é legitimo
o que eles fazem? Aliciar crianças inocentes
para o trafico de drogas, colocando armas pesadas em
suas mãos? Acredito que não, mesmo que
os traficantes promovam atos sociais e atos solidários
com os moradores dos morros onde estão alojados.
Continuam desrespeitando o direito de crianças
crescerem com educação saudável
e não para a guerra, como os terroristas do Hamas
fazem hoje.
Amigos brasileiros que tanto respeito e tanto quero
bem, faço um apelo como palestino, como muçulmano,
mas acima de tudo como um ser humano que não
agüenta mais ver a ignorância e a falta de
conhecimento por parte de muitas pessoas neste lindo
Brasil:
parem de atacar Israel, parem de atacar os judeus e
também parem de achar que o povo palestino é
somente de terroristas. ha. muita gente boa, inocente
e que não quer mais conflitos com os israelenses
e não os odeiam, assim como não odeiam
os americanos. Muita gente lá, incluindo minha
família esta cansada de tanta dor e sofrimento
e sabemos que devemos ter uma convivência pacifica
com Israel, afinal, é de Israel que vem nossa
água, nossa comida, nosso trabalho e nosso dinheiro.
Israel inclusive nos oferece ajuda militar sabiam? Quando
houve acordo com a Autoridade Palestina no governo de
Arafat, a policia de Israel treinou muitos de nossos
homens que não queriam envolvimento com o conflito
para que pudessem trabalhar na ordem de nossas cidades.
Israel ofereceu treinamento para seus supostos inimigos,
inclusive com armamento para que tivéssemos nossa
própria segurança. Terroristas que tentaram
e não conseguiram se explodir nas cidades de
Israel, receberam atendimento medico nos hospitais israelenses!!
e muitas das escolas em Israel promovem a educação
igualitária com alunos palestinos e judeus, convivendo
em perfeita harmonia e recebendo educação
sadia e de respeito ao próximo. Diferentemente
do que acontece em Gaza por exemplo.
Se nossos líderes não fossem tão
burros e estúpidos, nosso povo sofrido não
teria mais o que reclamar, pois em Israel estão
as maiores oportunidades para um palestino que vive
em gaza ou Cisjordânia e quem tem um mínimo
de inteligência lá sabe que não
vai conseguir nunca varrer Israel do mapa ou exterminar
todos os judeus, como apregoam certos lideres maníacos
do nosso lado. Quanto ganharíamos se estivéssemos
do lado de Israel e dos judeus? Por que aqui no Brasil
a convivência entre os dois povos sempre foi motivo
de orgulho e quando estamos em sociedade ganhamos em
tudo?
Meu tio recebeu visto de trabalho em Israel. Todos os
dias levantava cedo e ia trabalhar em Israel e voltava
de noite para sua casa em Gaza. Quando o Hamas tomou
o poder a força e iniciou seus diários
ataques as cidades israelenses, meu tio perdeu o emprego
e a fronteira foi fechada. A culpa é de Israel?
do meu tio que nunca odiou os judeus? Não, a
culpa é dos terroristas do Hamas. Meu tio hoje
continua não odiando os israelenses nem os judeus.
Vive na Síria, onde a situação
não é das melhores mas lá não
ha. grupos terroristas como o Hamas ou o Hezbollah que
somente acabam com a vida dos cidadãos de bem.
O povo palestino foi expulso de diversos paises chamados
"amigos dos palestinos", incluindo Jordânia,
Líbano, Síria e Líbia. O Egito
fecha sua fronteira com Gaza porque não nos querem
por lá, inclusive no tratado de paz com Israel,
na devolução do Sinai ao Egito, foi oferecido
por Israel devolver Gaza também e os egípcios
não quiseram porque chamaram de terra sem lei
e o pior lugar do mundo para se viver. Por que paises
fortes e com um território gigantesco como Arábia
Saudita, Jordânia, Irã e outros não
tão grandes mas muito ricos, como Kwait, Emirados
Árabes ou Catar não nos recebem de braços
abertos? Preferem somente financiar atentados terroristas
e mandar todo seu dinheiro para lideres palestinos terroristas
e que não pensam no bem estar da população
mas somente em enriquecimento próprio e incentivo
ao ódio e intolerância?
Por isso, meus amigos, escrevo esta mensagem. Sei que
esta carta não vai fazer nenhum dos dois lados
pararem com o atual conflito e muito menos mudar o pensamento
dos lideres que hoje determinam o rumo do meu povo palestino,
mas se servir para fazer o povo brasileiro pensar nisso
e entender que não precisamos importar um conflito
que não serve pra nada aqui e também para
que todos vocês realmente entendam quem são
os principais responsáveis pela matança
generalizada que ocorre atualmente em Gaza, fico feliz.
Israel não é culpado, esta se defendendo
dos irresponsáveis lideres terroristas palestinos
que diariamente ataca nosso vizinho com seus nada caseiros
foguetes para depois se esconderem atrás de mulheres
e crianças, colocando toda a culpa nos israelenses,
enquanto esses terroristas que infelizmente também
são palestinos covardemente se escondem em áreas
altamente populosas para causar ainda mais mortes e
ganharem fotos sensacionalistas nos jornais do mundo
todo. O povo palestino também não é
culpado, o povo palestino, tirando esses terroristas
que são minoria quer a paz, quer o convívio
pacifico com Israel e com os judeus. Quer uma vida digna
e viver em seu território chamando-o de lar,
sem precisar fugir para qualquer outro pais maravilhoso
como o Brasil como eu fiz, pois a Palestina é
o melhor lugar para viver um palestino. Pensem nisso
antes de escolher algum lado no conflito, mas acima
de tudo, escolham o lado da paz, da tolerância
e do respeito com quem quer que seja.
Comente,
envie a sua opinião!
“Especialistas”,
não conhecem absolutamente nada sobre
a realidade histórica, política e cultural
daquela região"
Sonia
Bloomfield
Tenho
acompanhado o que se escreve e se fala sobre o embate
entre Israel e o Hamas, e percebo muito nitidamente
que a maior parte é devida a um anti-americanismo
travestido de anti-sionismo. Por que digo isto? Porque
é absolutamente claro o fato de que 99% dos “analistas”,
entre eles até professores doutores que se dizem
“especialistas”, não conhecem absolutamente
nada sobre a realidade histórica, política
e cultural daquela região. Imaginem que um escreveu
recentemente que nas escolas de Israel se ensina o ódio,
mas nas árabes tradicionalmente se ensina o Humanismo;
será que ele se esqueceu que o Humanismo é
um valor essencialmente ocidental?
Em primeiro lugar, o conflito tem sido mostrado como
uma luta de coitadinhos que apenas desejam ser independentes
no seu pedacinho de terra e que são impedidos
pelos monstruosos e poderosos sionistas. Já se
encontra aqui a primeira falha nestas análises
baseadas apenas no “ouvi-dizer”: não
compreendem que o Hamas não é um movimento
nacionalista! Ele não busca a criação
de uma pátria palestina, e nem pode, pois é
parte da Irmandade Muçulmana, a qual busca um
território islâmico, o Califado, um espaço
muito mais amplo, sem fronteiras baseadas em conceitos
ocidentais de estados-nações. Para atingir
tal objetivo político e religioso o Hamas une-se
a inimigos antiqüíssimos, os xiitas, representados
neste caso pelo governo iraniano.
Não que eles se apreciem, muito pelo contrário,
após uma possível eliminação
dos “infiéis” o primeiro passo será
a disputa entre xiitas e sunitas para controlar o mundo
islâmico, o Dar a-Islam. Prestem atenção
nas atividades sauditas e egípcias, sunitas,
para tentar contrabalançar o perigo que representa
para eles um Irã nuclear. O Hamas não
está lutando para criar um país chamado
Palestina, o Hamas está lutando para tirar a
legitimidade e poder da leiga Autoridade Palestina,
oriunda da OLP, para assim iniciar a implementação
de um governo baseado nas leis da Shaaria, acabando
assim com a divisão entre a religião e
o estado que é característica do mundo
moderno.
Mas esta não é a única união
espúria que existe neste emaranhado, existe outra
muito interessante por sua total contradição:
a união e apoio de grupos de esquerda, que tradicionalmente
não têm qualquer tipo de religião
em suas ideologias, até mesmo as combatem, com
o que há de mais extremista no universo religioso,
o fundamentalismo islâmico. Até hoje não
entendi se isto é apenas uma união anti-americana
que vai durar até que os dois grupos fatalmente
entrem em luta tão logo o inimigo comum seja
derrotado, ou se realmente eles acreditam na possibilidade
de duração de um casamento tão
esdrúxulo. Sem dúvida alguma, os líderes
sabem perfeitamente que esta é uma união
temporária, após a qual terão que
lutarão entre si, mas não sei se os seguidores
percebem a contradição do que pensam e
do que fazem.
Se o apoio ao Hamas é dado devido às cenas
de crianças árabes mortas e feridas, que
fazem com que a indignação moral surja
de forma imperativa, pergunto-me por que não
vejo a mídia e os movimentos sociais no Brasil
levantarem suas vozes sobre o que acontece no Sudão,
na região de Darfur? Lá, a liderança
do país pensa-se como árabe e islâmica,
e mata livremente os povos negros islâmicos de
Darfur. Onde estão as vozes gritando contra o
horror? Onde está o avião do governo brasileiro
levando comida e remédios para uma população
que precisa muito, mas muito mais que os palestinos?
Ao contrário dos palestinos, os povos de Darfur
não têm irmãos de raça com
petrodólares ou petroeuros para ajudá-los,
estão ao Deus-dará, massacrados, extirpados,
estuprados e mutilados pelo governo árabe do
Sudão. Onde estão as vozes da imprensa,
do público, dos professores, das igrejas e demais
segmentos da população protestando contra
este Holocausto? Será que é porque eles
são negros e pobres e não têm como
pagar a alguém para escrever sobre eles nos jornais
ou mostrá-los morrendo de fome, sede e tortura
pela televisão?
Na verdade, a grande maioria dos “especialistas”
nem sabe apontar no mapa o local onde fica Darfur. O
desconhecimento da história e da geografia de
outros povos é grande, e para adquirir este saber
é preciso tirar muitas das horas dedicadas à
diversão, e ter a humildade de sentar-se e estudar
com o intuito de aprender, comparando diferentes versões
sobre os fatos, acompanhando-os ao longo do tempo e
do espaço, i.e. estudando História e Geografia.
Infelizmente, é muito mais fácil assumir
uma versão determinista, marxista-ingênua,
onde não existem pessoas, só estruturas.
Quando, alguém que aprendeu tal visão,
que é amplamente difundida no Brasil, se depara
com retratos das crianças mortas ou feridas,
explode a contradição de uma história
que não tem pessoas e para amenizá-la,
devido à necessidade humana de criar uma ordem
mental, ao invés de reflexão inicia-se
apenas a procura a um bode expiatório.
Pensar cansa, e Israel e os EUA estão ai para
isto mesmo, são “imperialistas sanguinários”,
e se esquecem do que o Brasil fez com o Paraguai! Nosso
ensino de história e geografia “crítica”,
não induz à leitura e à exploração
intelectual, tudo já está explicado: rico
manda e pobre obedece, rico mora em lugar bom e pobre
mora em lugar ruim, palestino é bom e judeu é
ruim, pronto, não há mais o que aprender.
Como os brasileiros não vêm as vítimas
dos árabes em Darfur, nem as crianças
israelenses mortas e feridas pelo Hamas, acham que só
os palestinos sofrem, e que este sofrimento é
causado pelo “Pequeno Satã”, Israel,
a mando do “Grande Satã”, os EUA.
Nada se sabe sobre o Oriente Médio, a cultura
árabe, e a diferença entre o islã
(religião e cultura) e o islamismo (fundamentalismo
violento)! São pouquíssimos os que podem
explicar os problemas atuais do Oriente Médio,
os resultado de séculos de decadência do
Império Otomano, das guerras entre os diferentes
povos que compõem o islã, do surgimento
do Humanismo e da ciência na Europa, que assim
tornou-se dominante, impondo sua política e modo
de pensar entre as elites dos países que influenciou,
assim como no passado os islâmicos dominaram a
Península Ibérica e a controlaram. Quantos
sabem algo sobre a cultura árabe além
de quibe e dança-do-ventre? Quem pode dizer o
porquê de alguém como o Bin Laden dizer
que um dia o islã dominará o mundo devido
ao fato de que os ocidentais não querem morrer,
mas que para os islâmicos a morte é uma
alegria? Quantos sabem o que é o após-morte
no islã além do homem receber 72 virgens?
Quem sabe dizer o que acontece com as mulheres? O que
acontece com uma criança que morre em uma batalha
ou ataque contra o islã?
Para começar, no Ocidente o conceito de “infância”
e “criança” é muito recente,
surgido mais ou menos a partir do século XVIII.
Até então não existiam crianças,
existiam apenas seres que ainda não haviam atingido
seu potencial humano total. Não havia roupas
para crianças, não havia horário
para brincar, e tão logo possível ela
era colocada para trabalhar com os pais. Só há
cerca de dois séculos a idéia começou
a ser desenvolvida, e com ela o pensar de que havia
um tempo na vida das pessoas em que elas podiam não
se preocupar em trabalhar, que deviam ser bem tratadas
e protegidas de problemas pelos pais.
Mais recentemente ainda, na década de 1940, surgiu
o conceito de adolescente, uma pessoa entre a infância
e a vida adulta, a quem é permitido fazer todas
as loucuras antes de entrar no mundo “adulto”
e se enquadrar. A morte de uma criança é
tida por nós como o horror mais profundo, mas
isto não acontece em outras culturas. Para nós
no Brasil, uma criança morta é a dor mais
forte que se pode ter, causa repulsa a todos, desejo
de vingança contra quem causou o evento. Mas,
como disse Bin Laden, nós ocidentais amamos a
vida e não queremos perder nossos filhos, mas
eles, os islamistas, em suas próprias palavras,
“amam a morte” e não só buscam
por ela como também enviam seus filhos a seu
encontro.
O que será a causa desta diferença tão
profunda nas nossas percepções sobre o
que seja a “morte”? Os islamistas sabem
a diferença, e a usam para nos manipular. Nós
em nossa ignorância sobre outras culturas, sobre
a história, aceitamos o que nos apresentam como
“morte de crianças” árabes:
os filmes e retratos, muitas vezes encenados (já
tive a oportunidade de ver montagens de protestos palestinos
por cinegrafistas europeus em Jerusalém), de
crianças sangrando ou mortas, nos choca e nos
faz tomar uma posição visceralmente anti-Israel,
sem sequer nos perguntar se também existem crianças
judias mortas no conflito e cujas imagens não
chegam até nós (suas imagens não
são exploradas por razões religiosas,
pois o judaísmo proíbe a exposição
do corpo de um morto até para a própria
família). A morte para o Ocidente é o
fim, um possível reencontro com seus mortos só
ocorrerá daqui há milênios, e talvez
nem aconteça em carne e osso. Quem é que
quer morrer?
No entanto, para o Hamas e demais grupos islamistas,
qualquer pessoa (não existe o conceito de criança
como o conhecemos) morta por não islâmicos
em guerra contra eles é um “mártir”,
um Shahid, e um mártir pelo islã tem uma
enorme, imediata e palpável recompensa, não
só para si mas também para seus familiares
e amigos. O shahid vai para um paraíso mais elevado
que os demais, onde pode usufruir de tudo que a ele
foi negado em vida —bebidas, comidas, mulheres
à disposição —mas, mais ainda,
o mártir pode escolher as 71 pessoas que, em
carne e osso, irão passar a eternidade a seu
lado, usufruindo de todas as benesses do mártir,
independentemente do que elas tenham feito durante suas
vidas.
Um Shahid na família é uma garantia de
salvação, de melhoria de vida, e se este
mártir é uma criança os pais têm
a certeza de que ela estará em um mundo muito
melhor e que em breve estarão reunidos usufruindo
de muitos mais benefícios que poderiam ter em
vida. Vejam bem que estou falando dos islamistas, os
fundamentalistas para quem a morte é a verdadeira
vida, pois certamente existem islâmicos moderados
que não querem perder seus filhos. De qualquer
modo, o paraíso do mártir é um
local concreto, um território repleto de prazeres
onde se reunem familiares e amigos do/a Shahid/a em
seus corpos originais para gozar a alegria e abundância
para toda a eternidade. A morte de uma criança
neste contexto é muito diferente da morte de
uma criança para uma família e sociedade
que não percebem assim a vida após a morte.
Que ninguém se engane, o Hamas não luta
por liberdade ou para construir uma nação,
os membros do Hamas, como os demais islamistas, lutam
para um mundo onde o islã seja a religião
dominante, onde as demais religiões serão
subjugados e terão que pagar tributo para viver,
onde a lei da Sha’aria é a lei do estado,
permitindo amputações, apedrejamento,
enterramento de pessoas vivas e crucificações
não só de criminosos de vários
tipos, mas também de mulheres de quem se desconfie
de infidelidade, de uma moça que traiu/pode ter
traído/poderia ter a intenção de
trair a honra da família, homosexuais e também
quem queira seguir outra religião ou religião
nenhuma. Recentemente o parlamento do Hamas aprovou
todas estas punições na Faixa de Gaza.
Se há culpados pelo sofrimentos dos palestinos
são os membros do Hamas e demais grupos fundamentalistas.
Não é culpa de Israel, que após
anos de bombardeios diários do Hamas contra sua
população civil, resolveu tomar uma atitude
e acabar com as provocações. Os palestinos
que vivem na Cisjordânia (Yesha), sob a liderança
da Autoridade Palestina não estão se unindo
ao Hamas, querem distância deles, não porque
a Autoridade seja muito melhor, mas pelo menos lá
existe ainda que de forma incipiente uma separação
entre o estado e a religião, onde existe a possibilidade
de julgamentos que não levem a uma crucificação.
Que não se deixe enganar os brasileiros: parem
de culpar Israel pela situação de Gaza,
quem aceitaria que seu vizinho ficasse atirando pedras
contra suas janelas? Lembrem-se também de que
no islã a liderança política é
a religiosa também, não existe lei civil,
existe apenas a Shaaria; e que o islã é
uma religião proselitista que busca ampliar seu
espaço para criar o Dar al-Islam, o Mundo do
Islã, através da destruição
do Dar al-Harb, o Mundo da Guerra, que é o mundo
onde vivem os brasileiros. Ai, então… adeus
chopinhos com torresmo, adeus aos shorts e bermudas,
adeus às mulheres de cabelos, braços e
pernas à mostra, adeus ao Carnaval, adeus aos
barzinhos onde homens e mulheres se sentam, conversam
e riem juntos de piadas picantes, adeus namoros, adeus
novelas, enfim, adeus à alegria desinibida do
povo brasileiro.
Comente,
envie a sua opinião!
“Encontrar
um grupo e uma população dispostos
a morrer atirando contra Israel era tudo que
os mulçumanos dos países vizinhos queriam”
Padre
Paulo Pinto, pároco de NS de Lourdes (Manaus)
Parece
uma enorme contradição! Acabamos de celebrar
o Natal e o ano começa com uma guerra próxima
do lugar onde Jesus nasceu. A região é
sagrada para três religiões: o judaísmo,
o cristianismo e o islamismo. Mas como religião,
foram os judeus que lá se estabeleceram primeiro.
Do judaísmo nasceu o cristianismo e, de ambos,
nasceu o islamismo. Hoje, respeitadas as crenças
interna corporis, não mais existem conflitos
de natureza bélica, política, nem social
entre cristãos e judeus. O papa João Paulo
II foi o grande protagonista desta convivência
fraterna e pacífica. Ele pediu perdão
por erros históricos cometidos por cristãos
contra os judeus e declarou que a identidade cristã
nasce no judaísmo.
Será muito difícil estabelecer tal entendimento
entre mulçumanos e judeus. É corriqueiro
no mundo mulçumano achar que o Estado de Israel
deva ser destruído, extirpado do mapa da Palestina,
nome dado pelos romanos à antiga Judéia.
Os conflitos são históricos e se tornaram
cruéis de ambos os lados desde a invasão
e tomada de Jerusalém pelos árabes mulçumanos
por volta dos anos 900 da era cristã. Os mulçumanos
identificaram ali um monte onde o profeta Maomé
teria pregado, por volta de 550, depois de Cristo. Seria
o mesmo monte onde Abraão, o pai dos dois povos,
judeus e mulçumanos, havia vivido.
A região sempre fora o lugar sagrado dos judeus,
palco percorrido pelos seus personagens bíblicos.
Com o nascimento, vida e morte de Cristo passou a ser
sagrado também para os cristãos e, a partir
do final do primeiro milênio, com a tomada de
Jerusalém, passou a ser sagrado também
para os mulçumanos. Durante séculos os
cristãos europeus organizaram cruzadas para libertar
a cidade santa das mãos dos mulçumanos.
E também durante séculos os judeus lutaram
contra eles. Mas como todos os países do golfo
arábico tornaram-se mulçumanos, a hegemonia
bélica pertenceu a eles e os judeus foram sendo
expulsos de lá.
O ódio contra os judeus é porque eles
nunca desistiram do seu solo sagrado e por ele lutaram
vigorosamente. Os cristãos deixaram de pegar
em armas desde há muito tempo. Com a criação
pela ONU do Estado de Israel em 1948, e com os embates
posteriores que se sucederam, especialmente a Guerra
dos Seis Dias de 1967, que conquistou terras sagradas
ao povo judeu em países vizinhos, o ódio
árabe contra os judeus chegou ao extremo.
Hoje tal malquerença contra os judeus se personifica
e se materializa no Hamas, grupo radical eleito em 2006
para suceder ao governo da Autoridade Palestina. O Hamas
foi eleito com 90% dos votos para cumprir um primeiro
objetivo: destruir o Estado de Israel. Assim, os países
árabes enviam mísseis e o Hamas atira
contra Israel. Quando o Hamas atira contra Israel, nenhum
país mulçumano se manifesta contra os
ataques. Quando Israel atira contra o Hamas, imediatamente
eles convocam uma reunião do Conselho de Segurança
da ONU para impedir Israel. Importante lembrar que a
população apóia o Hamas. As plataformas
de lançamento de mísseis e os depósitos
de armamentos são construídos dentro de
hospitais e escolas, para evitar que Israel ataque estes
locais. Encontrar um grupo e uma população
dispostos a morrer atirando contra Israel era tudo que
os mulçumanos dos países vizinhos queriam.
Comente,
envie a sua opinião!
A
guerra perdida
Cora
Ronai, colunista de O Globo
Há
tempos não vejo guerras de opinião tão
virulentas quanto as que se têm travado em torno
da guerra de Gaza, sobretudo na Internet, onde cada
um diz o que quer, recusa-se a ouvir o que não
quer e a subsequente gritaria abafa qualquer vestígio
de raciocínio porventura existente. Notem que
digo “raciocínio”, porque me parece
impossível, nas atuais circunstâncias,
chegarmos a qualquer coisa sequer remotamente parecida
com “razão”. No momento, nada que
se diga ou se mostre em favor de Israel terá
qualquer efeito. Para além da presente guerra
propriamente dita, há outra que, há tempos,
foi perdida pelo país — cuja capacidade
de fazer propaganda, ao contrário do que acredita
tanta gente, é inversamente proporcional ao seu
poderio militar. Além da amizade com os EUA,
vilão preferido de meio mundo, e do questionável
rótulo de “direita” que lhe foi pespegado,
há uma série de fatores culturais e políticos
que atuam permanentemente contra Israel.
Para ficar apenas num ponto de óbvio apelo emocional,
seus mortos e feridos nunca são filmados ou fotografados,
salvo em hospitais ou caixões e, ocasionalmente,
pela imprensa estrangeira. Os mortos tampouco são
exibidos em procissões; eles têm sido,
atentado após atentado, guerra após guerra,
mortos que se contam em números — mas o
que é um número diante da foto de uma
criança morta?! Ao mesmo tempo, ao longo dos
últimos anos, quando foguetes do Hamas eram lançados
sobre o sul de Israel, as crianças iam para abrigos
subterrâneos, e não para o meio da rua,
providencialmente armadas com estilingues. Ora, a foto
de uma escola (vazia) destruída por um “míssil
caseiro” (seja isso lá o que for) não
tem uma fração do impacto da foto de um
garoto de estilingue diante de um cenário de
destruição. Isso não justifica
matança alguma, seja de um lado, seja de outro;
mas o fato é que se criou, assim, a singular
percepção de um povo
intrinsecamente mau e sanguinário, que ataca
criancinhas por pura maldade, contra um povo intrinsecamente
bom e coitado, que só explode civis por falta
de escolha. Por ser um país desenvolvido cercado
de vizinhos em diferentes estágios de “civilização”,
Israel paga, guardadas as devidas proporções,
o preço que a classe média paga, no Brasil,
em relação à criminalidade nas
comunidades carentes: para uma certa visão míope,
é sempre a culpada, porque, em tese, nessa forma
enviesada de análise, os bandidos são
sempre inocentes — são apenas pobres reagindo
à desigualdade social (o que, claro está,
é uma baita ofensa à imensa maioria dos
pobres, que sofrem na miséria sem nunca pensar
em delinquir). Enquanto isso, os verdadeiros culpados
pelas desigualdades, lá como cá, não
são mencionados nem em passant — e, ainda
que o fossem, continuariam onde sempre estiveram, ou
seja, nem aí. Já os líderes mundiais
que não perderam tempo em se declarar contra
a “reação desproporcional”
de Israel pouco estão se lixando para o sofrimento
das vítimas. Se a sua preocupação
fosse realmente humanitária, o Sudão,
por exemplo, não sairia das manchetes; só
que as vítimas do Sudão não dão
ibope.
Quando a China entrou de sola no Tibete, ainda outro
dia, ouviram-se, no máximo, ligeiros resmungos
protocolares — e, ainda assim, só porque
o Dalai Lama é um veinho carismático,
com bom trânsito em Hollywood. Isso sem falar
no antissemitismo, que, invariavelmente, aproveita para
dar as caras quando tem a ótima desculpa de uma
guerra para acobertá-lo. “Israelense”
e “judeu” não são sinônimos:
há incontáveis cidadãos israelenses
que não são judeus, como há milhões
de judeus que não são israelenses. Ainda
assim, os dois termos se equivalem para efeitos de noticiário,
de artigos, de posts enraivecidos em blogs. Seria até
compreensível se a mesma equivalência servisse
para “palestinos” e “muçulmanos”,
mas esta é sempre cuidadosamente evitada. Às
vezes, o uso (ou a omissão) das palavras revela
muito mais do que o seu significado.
Apoiar os palestinos, o Hamas, o Hezbollah e os países
árabes de modo geral é chique, é
bacana e é uma garantia de popularidade com a
soi-disant “esquerda”. Israel não
terá o apoio da intelligentsia — que em
geral é de uma extrema covardia e ignorantsia
— nem se for completamente aniquilado, como quer
o Hamas. Aí ainda vamos ouvir o “fizeram
por onde” que tanto se disse em relação
ao ataque ao WTC; as Nações Unidas vão
fazer tsk, tsk, o papa vai condenar vagamente o exagero
— e estaremos conversados. Mas a verdade é
que eu nem devia estar falando sobre isso. Minha opinião
é descartada de saída em qualquer discussão
a respeito do Oriente Médio: como venho de uma
família dizimada pelo Holocausto, sou suspeita
e, portanto, não posso me manifestar. Cansei
de ouvir isso até de pessoas supostamente inteligentes
— e, de cansada, não discuto mais. Se o
que você diz não vale nada a priori, o
mais sensato é seguir os conselhos do professor
Higgins e falar apenas sobre o tempo e a saúde.
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
Israel versus Hamas
Esther
Largman, historiadora e escritora
O
atual Israel criado em 1948 é um país
democrático, desenvolvido. O Estado Palestino,
em 1948, foi recusado pelo mundo árabe que nada
fez, nem faz pelos irmãos árabes-palestinos,
desde que trabalhavam como felahs, pobres camponeses,
para os donos de terra do Império Turco-Otomano.
Os muçulmanos moderados temem a influência
do terrorismo, do Hamas, inlusive o Egito que não
lhes abre a fronteira. Os que preferem conviver com
Israel são acusados de traição
e assassinados. Porque o Líbano e a Jordânia
não oferecem cidadania para os refugiados palestinos
que vivem confinados? A desproporção do
conflito existe no tamanho e na população
do mundo muçulmano.
Israel em superfície e população
é rigorosamente insignificante. É só
olhar um mapa. Leiam a carta do escritor premiado, o
pacifista Amós Oz: que deixem os judeus em paz
e todos viverão em paz. Guerras são desumanas,
conquanto forjadas pelo homem. Enquanto proclamam que
Israel não deve existir, discurso medieval, estarão
colocando o povo palestino à mercê do que
plantam, o ódio. E sofrerão as consequências
pelo desrespeito ao outro ser humano e ao desprezo pelas
vidas que imolam como fósforos.
Tal como o Hiszbollah, o Hamas expõe, de forma
repugnante, a população civil, ante depósitos
de armas, em escolas, hospitais. As distorções
históricas, mentiras e calúnias não
ajudam a paz, são apenas retóricas dos
que não lembram dos trezentos mil de Darfur,
dos milhares vitimados em combustão, xiitas versus
sunitas no Iraque. O que se produz em tempos de paz
- e Israel é campeão na área de
ciência e tecnologia - é lamentavelmente
estagnado pelo permanente perigo imposto ao minúsculo
país.
Texto
originalmente enviado como carta ao jornal O Globo
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
A
recaída do Itamaraty em Gaza
Sérgio
Malbergier, editor da Folha de São Paulo
A
iniciativa brasileira de enviar o chanceler Celso Amorim
ao Oriente Médio para tentar contribuir na busca
de uma solução pacífica para o
conflito palestino-israelense merece apoio pelo nobre
objetivo manifesto. Mas a posição brasileira
até aqui em nada indica essa busca de equilíbrio,
muito pelo contrário, o que reduz nossa capacidade
de obter voz de fato relevante na busca da paz. A começar
pela postura brasileira no notório Conselho de
Direitos Humanos da ONU, dominado por ditaduras africanas
e árabes, bastião de um anti-sionismo
obsessivo enquanto ignora ou apazigua ditaduras brutais
ao redor do planeta, um constrangimento para a própria
ONU. O Brasil votou nesta segunda-feira a favor de uma
proposta condenando de forma veemente Israel pela lamentável
morte de civis em sua guerra contra o grupo terrorista
palestino Hamas. Os países da União Europeia,
Japão e Coreia do Sul se abstiveram, e o Canadá?
votou contra o projeto, sancionado por 33 votos a favor,
13 abstenções e um voto contrário.
Mas, no mesmo conselho, o Brasil tomou uma posição
bastante diferente em relação ao Sudão,
num claro sinal de dois pesos, duas medidas, já
visto também na tolerância brasileira com
os abusos dos direitos humanos em Cuba e na China, entre
outros.
Desde 2004 os rebeldes da região de Darfur, no
oeste sudanês, são massacrados por tropas
de Cartum e seus aliados, a milícia árabe
local (os janjaweed). A conta de mortos chega a 200
mil, repito, 200 mil, além de cerca de 2 milhões
de refugiados que relatam massacres e estupros em massa.
Pois o Brasil manteve uma posição de tolerância
com o governo sudanês que contraria a defesa do
'desequilíbrio' feita agora pelo Itamaraty em
relação a Israel. Em dezembro de 2006,
por exemplo, o Brasil se absteve de uma votação
no mesmo conselho de direitos humanos da ONU que pedia
ações mais duras contra a liderança
sudanesa, derrotada por 22 votos a 20. O que levou a
Humans Right Watch a criticar Brasília: 'A recusa
do Brasil em apoiar uma forte resposta da ONU às
atrocidades em Darfur foi um ato de insensibilidade
e indiferença', disse então o diretor
da HRW para a América Latina, José Miguel
Vivanco. Na época, o Itamaraty justificou seu
vergonhoso ato como forma de buscar um "consenso
eficaz" sobre Darfur, o que até hoje não
ocorreu, com a miséria e a morte tão presentes
na região quanto em 2006.
Já neste último e triste capítulo
da luta entre Israel e palestinos, as declarações
do chanceler Amorim e daquela sombra sobre a política
externa brasileira, o assessor presidencial Marco Aurélio
Garcia, estão muito longe da busca do tal “consenso
eficaz”. Amorim, por exemplo, ao negar que a Chancelaria
brasileira estivesse apoiando só os palestinos
no conflito, ressalvou: "Hoje, nós temos
uma posição muito equilibrada. Só
que, quando há uma ação desequilibrada,
você não pode nos exigir uma posição
equilibrada”. Está lançada a nova
“doutrina do desequilíbrio"! O dinossauro
Marco Aurélio, cuja lista de gafes e equívocos
daria uma Wikipédia própria, foi ainda
mais longe, chamando as ações de Israel
de "terrorismo de Estado".
E o PT de Lula e Marco Aurélio foi ainda mais
longe do longe ao chamar a ação israelense
contra os foguetes disparados pelo Hamas contra seu
território de "uma prática típica
do Exército nazista" (se eu fosse petista
como a Clara Ant, rasgaria minha filiação).
Na semana passada, o ministro iraniano Mohammad Abbasi
esteve em Brasília, onde se reuniu com o indefectível
Marco Aurélio (nova entrada para sua Wikipédia
pessoal). Saiu dizendo que posições em
comum entre Brasil e Irã devem impulsionar uma
união entre os dois países para o cumprimento
de metas em relação ao conflito em Gaza
e Israel. Importante lembrar que o Irã arma e
instiga o Hamas a lançar sua guerra suicida contra
Israel e é presidido por Mahmoud Ahmedinejad,
aquele que defende literalmente varrer Israel do mapa
e busca ativamente, com pouca resistência global
e nenhuma do Brasil, obter uma bomba atômica.
Importante também lembrar que o Brasil já
convidou Ahmedinejad, pária em várias
capitais do Ocidente e aliado íntimo de líderes
autoritários como Hugo Chávez e Robert
Mugabe, a visitar o país neste ano. Que o Brasil
busque o diálogo com a maior gama possível
de lideranças para impulsionar o entendimento
global parece objetivo louvável de nossa diplomacia.
Mas vamos abortar logo a "doutrina do desequilíbrio"
de Amorim e seu "humanismo" seletivo para
que nossa política externa não se torne
mera apaziguadora de ditadores belicosos em troca de
contratos lucrativos ou mero eco de ideologias ultrapassadas,
como o terceiro-mundismo e o esquerdismo primário
e maniqueísta. O histórico do Itamaraty
tem algumas manchas de arrepiar os que se preocupam
agora com um equilíbrio mínimo da posição
brasileira diante de Israel e dos judeus, entre elas:
1
- O voto em 1975 (ditadura Geisel) a favor da moção
da Assembléia Geral da ONU afirmando que o sionismo
é racismo (depois derrubado, com o arrependido
voto brasileiro, em 1991).
2
- As políticas discriminatórias antijudaicas
da Chancelaria brasileira durante a era Vargas muito
bem retratadas pela historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro
no clássico "O Anti-semitismo na Era Vargas".
Que
Lula e Amorim nos livrem desse triste caminho unilateral
e preconceituoso e encontrem de fato formas de aproximar
israelenses e palestinos da paz. Será muito bom
para a região e para a nossa política
externa.
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
A
grande mídia e a grande mentira
Alexandre
J. Eisenberg
"Nunca
passaria por suas cabeças inventar mentiras colossais,
nem acreditariam que outras pessoas fossem atrevidas
a ponto
de distorcer a verdade de maneira tão infame.
Mesmo que os fatos demonstrem claramente tratar-se de
uma grande mentira, ainda assim duvidarão, hesitarão
e continuarão a pensar que deve haver outra explicação"
[Adolf Hitler, Minha Luta, vol. 1, cap. X].
O
trecho acima, retirado de um livro publicado em 1925,
revelava uma verdade há muito conhecida por líderes
e pensadores políticos, desde Tito Lívio,
passando por Maquiavel, até os dias de hoje.
As diferenças entre a antiga propaganda romana
e as grandes empresas de comunicação de
nosso tempo estão antes nos meios que nos fins.
Os meios sofreram uma grande mudança no século
20 devido à adoção no Ocidente,
após os horrores da II Guerra Mundial, do "ideal
democrático". Nas chamadas democracias,
quando os meios se tornam impopulares é preciso
trocá-los, o que não necessariamente implica
em trocar os fins. Se por um lado é verdade que
o acesso à informação é
hoje muito maior que em qualquer época passada,
por outro lado a qualidade da informação,
embora melhor que antes, não melhorou na mesma
proporção. Isto porque aqueles que determinam
o nosso futuro nunca abandonaram o antigo ideal romano
de paz – a pax romana, que hoje as grandes empresas
de comunicação, os governantes das democracias
e a maior parte de nossos intelectuais exigem do Estado
de Israel.
Mas não apenas de Israel. Já o exigiram
da ex-Iugoslávia, entregando a Croácia
aos ustasha fascistas e a Bósnia aos radicais
islâmicos, em seguida da Sérvia –
que perdeu o Kosovo para os radicais islâmicos
– e em breve também o exigirão da
Índia e do Sri Lanka. Mas cada um a seu tempo,
pois a grande mentira só é eficaz se ubíqua
e duradoura, e não seria possível mentir
tanto sobre Israel se a grande mídia dividisse
o seu foco com a recente invasão de Kilinochchi
e a arrasadora derrota, pelo governo do Sri Lanka, dos
separatistas tigres tamil, que buscavam um Estado independente
dentro daquele país, usando para tanto do mais
bárbaro terrorismo, semelhante àquele
preferido pelo Hamas e pelo Fatah na Palestina, ou Terra
Santa, ou Terra de Israel. Nem seria possível
mentir tanto sobre Israel se o foco fosse dividido com
o recente genocídio de negros no Sudão
perpetrado pela elite árabe que domina esse país.
Afinal, quem olharia com tanta atenção
para os cerca de 800 árabes mortos (a maioria
dos quais militantes do Hamas) em Gaza nos ataques israelenses
se fossem igualmente (isto é, diariamente pela
TV) expostos às cenas do gigantesco mar de cadáveres
(as cifras mais confiáveis variam de 300.000
a 500.000) e desabrigados-desapropriados-famintos (mais
de dois milhões) do Sudão?
Mas a estratégia dos grandes empresários
da mídia internacional, de quem a mídia
brasileira cada vez mais reproduz informação,
e cujos interesses são os mesmos dos governos
dos países ricos, não se restringe à
desinformação. Tão importante quanto
desinformar é omitir. A cobertura do conflito
árabe-israelense se divide em duas frentes: (1)
a cobertura das guerras em si (não apenas a atual
em Gaza) e (2) "resumões" da história
da região. Na cobertura das guerras, a mídia
relega a plano secundário ou omite completamente
os ataques do lado árabe, focando no que descreve
como "desproporcionalidade" e "desumanidade"
dos ataques israelenses. E os "resumões"
da história da região produzidos por meios
como BBC, CNN, Time, Le Monde, O Globo ou Folha de S.Paulo,
embora também desinformem, primam pela omissão.
No primeiro caso, o das guerras em si, o espectador
(pois a força da cobertura está nas imagens
pela TV) vê os ataques israelenses e seus resultados
e apenas raras cenas de foguetes ou mísseis lançados
pelo Hamas. As redes internacionais de TV não
estiveram nas cidades do sul de Israel desde a retirada
de Gaza em 2005 até o início da atual
reação israelense para filmar as centenas
de foguetes e mísseis lançados de Gaza
às cidades de Sderot, Ashkelon, e mais recentemente
Ashdod e Beer-Sheva, onde atingiram casas e escolas,
matando, ferindo e traumatizando a população
local. Se o público espectador tivesse recebido
informações diárias sobre os ataques
do Hamas e da Jihad Islâmica contra Israel a partir
de Gaza desde 2005, no mínimo acharia estranho
que, justo após a retirada israelense total de
Gaza, com direito à expulsão sumária
de 9.000 judeus que ali viviam, os árabes de
Gaza, que tanto reclamavam da ocupação,
viessem a retribuir Israel com foguetes e mísseis.
No segundo caso, os "resumões" sobre
o conflito na grande mídia omitem informações
cruciais e, não raro, simplesmente desinformam.
A Folha de São Paulo, por exemplo, assim como
toda a grande mídia, se refere aos habitantes
não-judeus daquela região como "palestinos"
(confira aqui). Está desinformando, já
que palestinos são todos os nascidos na Palestina,
independente da etnia a que pertençam. Palestina
nunca foi nacionalidade ou etnia, mas tão somente
uma região geográfica (para a origem do
termo, clique aqui). O uso do termo "palestino"
para designar o árabe da Palestina surgiu a partir
de 1967 quando, após a derrota na Guerra dos
Seis Dias, a OLP, aproveitando-se da simpatia das esquerdas
ocidentais e da URSS por conta de uma nascente ajuda
militar estadunidense a Israel no contexto da Guerra
Fria, passou a usar o termo "palestino" para
forjar a idéia de que os árabes da região
seriam autóctones e os judeus seriam imigrantes
usurpadores – uma forja especificamente voltada
para atrair a simpatia das esquerdas ocidentais, cuja
irracionalidade em seu combate ao racionalíssimo
establishment americano é responsável
por sua decadência atual e conseqüente subserviência
a este. Falhada a guerra convencional, teve início
então a guerra da propaganda, que Israel vem
perdendo desde então com incompetência
vexatória. Mas dois fatos-chave dentre os omitidos
pela grande mídia são fundamentais para
compreender a derrota de Israel na guerra da propaganda:
1)
Ao contrário do que se reporta, a grande maioria
dos palestinos não-judeus é descendente
de imigrantes que chegaram à Palestina no fim
do século 19 e início do século
20, ou seja, à mesma época das primeiras
migrações sionistas. Parte desses imigrantes
não-judeus eram muçulmanos de diferentes
regiões do império turco – inclusive
da Bósnia – realocados pelas autoridades
turcas para a Palestina num esforço de evitar
uma maioria judaica na região. Os demais imigrantes
não-judeus eram árabes de outras partes
do império turco atraídos para a Palestina
por razões de oportunidades econômicas
(veja documentação aqui), da mesma maneira
que muitos árabes, judeus e magrebinos migraram
de países islâmicos para a França
ou EUA no século 20 atraídos por melhores
oportunidades. A população árabe
palestina de hoje é, portanto, em sua grande
maioria, tão descendente de estrangeiros quanto
a população judaica.
2)
O barbarismo da violência de grupos como o Hamas
e o Fatah contra Israel não tem nada a ver com
a ocupação dos territórios da Judéia,
Samária e Gaza a partir de 1967. Em 1929, o chefe
religioso muçulmano da Palestina britânica,
Amin al-Husseini, organizou o pior massacre de judeus
na cidade de Hebron. Esses judeus não eram imigrantes,
mas sim, nativos religiosos, descendentes dos poucos
judeus que voltaram à sua terra natal pouco após
a expulsão promovida pelos romanos no século
2, o que mostra que o problema não era territorial,
e sim, a transgressão da dhimma, norma islâmica
que obriga a submissão de judeus e cristãos
em terras do califado. Mais adiante, durante a II Guerra
Mundial, o mesmo Amin al-Husseini se tornou um nazista
atuante, tendo sido responsável não só
por recrutar um batalhão muçulmano na
Bósnia para as forças alemãs (a
divisão Handzar) como foi um dos arquitetos do
genocídio que dizimou mais de 5 milhões
de judeus europeus (ver documentação aqui).
Foi procurado posteriormente por crimes de guerra não
só na Alemanha, mas principalmente na Iugoslávia,
onde foi pessoalmente responsável pelo assassinato
de dezenas de milhares de sérvios, judeus e ciganos.
Al-Husseini, do mesmo clã de Yasser Arafat (cujo
nome completo era Mohammed Abdel Rahman Abdel Raouf
Arafat al-Qudwa al-Husseini) foi o mentor de Arafat
e o pai ideológico do Fatah (documentação
aqui e aqui). Quanto ao Hamas, sua origem está
na Irmandade Muçulmana, sediada no Egito, a qual
também se aliou a Hitler na II Guerra Mundial
(ver aqui). A carta de fundação do Hamas
é explícita em sua meta única de
destruir Israel, e sua linguagem anti-judaica é
inteiramente retirada da propaganda nazista. Diante
desses fatos, pode-se observar que a atual propaganda
anti-Israel predominante na grande mídia se usa,
em alguns casos inadvertidamente, exatamente da tática
da "grande mentira", descrita na citação
que abre este artigo. O objetivo da demonização
de Israel na mídia é a deslegitimação
deste país e sua possível dissolução
através de tropas internacionais, provavelmente
da Otan, como foi no caso da Iugoslávia. Trata-se
de uma empreitada difícil, mais difícil
do que foi a dissolução da Iugoslávia
nos anos 1990, pois é preciso primeiro convencer
o Ocidente de uma malignidade intolerável do
Estado de Israel através justamente de uma campanha
de propaganda maciça, como a que vemos hoje em
toda a grande mídia, bem como nas mídias
alternativas de extrema-esquerda e extrema-direita,
semelhante à campanha de demonização
dos sérvios que preparou o Ocidente para o bombardeio
de Belgrado.
Na Alemanha nazista, a "grande mentira" era
a de que os judeus eram perigosíssimos porque
conspiravam pela dominação do planeta.
De nada adiantava olhar para a realidade nua e crua
da pobreza da maior parte dos judeus europeus, pois
os séculos de doutrinação anti-judaica
das igrejas pesavam mais que aquilo que os olhos podiam
ver por si mesmos. Os europeus só caíram
em si quando tiveram de olhar de frente para os horrores
do Holocausto, que tacitamente lhes revelou que o "grande
poder" dos judeus era uma farsa que levou a Europa
à ruína. Mas o Holocausto passou longe
do Islã e por isso a doutrinação
nazista de Amin al-Husseini e da Irmandade Muçulmana
nunca arrefeceu. Ao contrário, fundiu-se com
a jihad conclamada pelo líder muçulmano
dos árabes palestinos que havia escapado dos
tribunais europeus, dando origem ao Fatah e posteriormente
ao Hamas. A propaganda anti-Israel da grande mídia
hoje nada mais é que a versão islâmica,
devidamente ocidentalizada, da "grande mentira"
de Hitler, por herança direta do próprio.
Resta compreender por que o Ocidente comprou o islamo-fascismo
disfarçado de socialismo e anti-colonialismo.
Como foi possível jogar no lixo as duríssimas
lições da II Guerra Mundial a ponto de
termos hoje "a grande mentira" de novo estampada
em todos os jornais e canais de TV, nas grotescas inversões
de um José Saramago, para quem Israel é
"um Estado nazista", um cardeal Martino, alto
representante do Vaticano, para quem Gaza é "um
campo de concentração", ou um ex-estadista,
Jimmy Carter, para quem Israel pratica o apartheid?
A tática de Hitler, a mesma de Tito Lívio
e Maquiavel, funcionou então e está funcionando
hoje. Não basta mentir pouco. É preciso
dizer que preto é branco e que branco é
preto para obter credibilidade pelo medo. É preciso
que o mesmo Vaticano que articulou a dissolução
do partido central católico alemão para
que Hitler chegasse ao poder, e que hoje canoniza o
homem que realizou este feito, diga que Gaza é
um "campo de concentração",
ou que o mesmo Jimmy Carter que, na contramão
da história ocidental, patrocinou o islamismo
radical para erradicar a URSS, diga que Israel é
um apartheid para que o Ocidente mais uma vez acredite
que os judeus, hoje na forma de seu país, são
um grupo maldito e perigoso, cuja perfídia ameaça
a todos.
Quando a grande mídia banaliza ou destrói
o significado de palavras como "genocídio",
"campo de concentração", "nazismo"
ou "apartheid" é porque o Ocidente
mais uma vez está por afundar no caos e, obviamente,
não será a dissolução ou
destruição do Estado judeu que resolverá
o problema, assim como o assassinato em massa dos judeus
europeus entre 1939 e 1945 não resolveu este
mesmo problema há apenas 63 anos. Por fim, o
foco único da grande mídia sobre a guerra
em Gaza tem por objetivo a dissolução
do Estado judeu, que é o preço exigido
pelo Islã para apoiar o projeto estratégico
dos EUA e seus aliados europeus de fomentar e financiar
o separatismo das enormes minorias islâmicas da
Índia e da China e a radicalização
das antes seculares repúblicas soviéticas
de maioria islâmica. Sem a expansão do
terrorismo islâmico na Ásia – a única
força capaz de conter e sabotar o crescimento
econômico das potências asiáticas
–, a hegemonia ocidental sobre o planeta tem os
seus dias contados. Dissolver Israel pode custar caríssimo
em perdas humanas numa grande guerra regional, mas talvez
não tão caro quanto custou o financiamento
do III Reich pela elite americana. Portanto, para os
donos do dinheiro vale o risco. Talvez não seja
por outra razão que o príncipe saudita
Alwalid bin Talal, o quinto homem mais rico do mundo,
já possua bilhões de dólares investidos
tanto na News Corporation (Fox News e outros), como
na Time Warner (CNN e outros), supostamente concorrentes
entre si. Afinal, a propaganda não é a
alma do negócio?
Publicado
no Observatório da Imprensa
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
Sete
modos que você tem para ajudar Israel
Rabino
Benzaquen, da Sinagoga Shel Guemilut Hassadim
Coisas
práticas à sua disposição
para fazer a diferença.
Está difícil viver em Israel neste exato
momento. Há misseis caindo e uma parcela grande
da população deixou suas casas em busca
de segurança.
Mas, de alguma maneira, é mais frustrante estar
sentado a milhares de quilômetros de distância
- na América do Sul ou em Nova York, por exemplo
- e ficar achando que não há como fazer
algo para ajudar.
Bem, há muita coisa que cada um de nós
pode fazer
1.
Rezar - Não apenas funciona, mas nos ajuda também
a lidar com a situação, já que
estaremos em conexão e em conversa com D-us.
Quando for rezar, seja específico. Se tiver um
amigo ou membro da família em combate, reze pela
sua segurança. Se você conhece alguém
que vive em Israel, rogue ao Todo¬Poderoso que o
mantenha longe de qualquer dano. Reze para que funcionem
as armas israelenses e para que isso não ocorra
com as armas do Hamas. Reze para que os líderes
ganhem (e mantenham) a clareza de que necessitam para
combater esta guerra. a despeito da pressão internacional.
Reze pela proteção dos soldados das Forças
de Defesa de Israel até que eles erradiquem o
(último terrorista. Peça a D-us para curar
os soldados e os civis feridos de Israel e para frustrar
futuros ataques terroristas. Reze para que os árabes
se dêem conta da verdadeira e crua natureza de
seus líderes e das doutrinas que pregam o ódio
e o assassinato. Mais do que tudo, reze intensamente,
o tempo todo e com sinceridade. Você pode se juntar
a uma iniciativa de "adoção"
de um soldado por quem se reza. Quando Moisés
conduziu o povo judeu à guerra, para cada pessoa
que partia para a batalha, havia uma outra, designada
para se responsabilizar por rezar por e saber dela.
Hoje, você pode participar em uma iniciativa denominada
"Operação Tefilá, Torá
e Tropas". Para receber o nome de um soldado israelense,
mande um e-mail para maortlmo@gmail.com.
Você pode enviar orações via o Muro
Ocidental pelo site www.thewall.org.
Há um costume milenar de recitar salmos em tempos
de dificuldade e atribulação. O rei David
escreveu palavras instigantes que parecem servir para
a exata situação que estão vivendo
hoje. Os salmos recomendados são o 20, 83, 121,
130 e 142.
2.
Cuidar - É difícil cuidar de verdade de
pessoas e situações quando se está
distante delas. De modo que, para superar essa dificuldade,
experimente o seguinte exercício durante três
minutos por dia. Olhe as fotografias dos soldados diante
de um tanque. Mire o retrato de um soldado que tenha
morrido em ação. Pense em Gilad Shalit,
que tem sido mantido cativo pelo Hamas por mais de 900
dias. Agora, imagine que, D-us nos livre, poderia ser
seu filho, esposo ou seu melhor amigo. Quando assistir
às notícias pela televisão e ver
os mísseis atingindo Israel, imagine que pode
ris ser a sua casa. Você agiria de modo diferente?
Assim, desenvolvendo o poder da imaginação,
estaremos cuidando com mais profundidade e nos envolvendo
em atitudes. Se você tem alguém morando
em Israel, pegue o telefone e lhe dê uma chamada.
Assegure à pessoa que você compartilha
de sua dor e que compreende o que ela e sua família
estão atravessando. Mande e-mails de apoio a
todos os israelenses que você conhece. Mostre
a eles que não estão sozinhos!
3.
Participar - Esteja você em Israel ou no exterior,
procure entrar em contato e partilhar com os soldados
e residentes do sul de Israel do seu tempo, de sua energia,
de sua ajuda material e em dinheiro, de seus outros
recursos. Seguem algumas iniciativas abertas à
sua participação:
Yad Eliezer está enviando milhares de pacotes
com presentes para nossos soldados em Gaza. Yad Ezra
v'Shulamit está enviando 20 toneladas de alimentos
para famílias israelenses sob ataque dos foguetes
do Hamas. Lema'an Achai está ajudando mais de
1000 crianças das cidades que estão sendo
atacadas, assistirem às aulas em segurança
e a terem asseguradas a tranqüilidade mais que
necessária Thank Israeli Soldiers presta apoio
a nossas tropas, entregando sua carta pessoal agradecimento
e um pacote com itens que os soldados necessitam. Send
the Soldiers a Smile Campaign. Tudo o que você
tem a fazer é escrever uma carta CL e a campanha
Honest Reporting a enviará junto com doces caseiros
da Gili's Goodies é soldados na linha de frente.
Faça com que os soldados das FDI saibam que "nós
estamos com eles e pensando neles!" Se você
não estiver em condições de fazer
uma doação, pode pedir a outros que a
façam, coletar dinheiro e encaminhá-Io
para qualquer uma das organizações acima.
O mais importante e tudo é envolver-se. É
participar.
4.
Protestar contra as distorções dos meios
de comunicação - A mídia tem uma
poderosa influência sobre a opinião pública
e a política do governo. Quando voe detectar
uma noticia, uma informação, uma opinião
distorcida, entre em contato imediatamente cal o meio
de comunicação e faça sua reclamação.
Faça-o respeitosamente e atenha-se aos fatos.
Você pode se juntar à lista de um observatório
da midia em HonestReporting.com, a qual tem mais de
150.000 assinantes protestando contra notícia
tendenciosas contra Israel.
5.
Estude mais Torá - No pensamento judaico, nada
pode-se comparar ao efeito espiritual do estudo da Torá.
Assuma o compromisso de, especificamente, aumentar o
tempo de dedicação ao estudo de cada dia.
Participe de uma classe de judaísmo ou escolha
algum material de uma lista recomendada de leitura.
O impacto de alguns minutos extra de estudo da Torá
é enorme.
6.
Reúna os fatos - Sente-se bombardeado e acuado
por argumentos muito fortes? Da próxima vez que
você ouvir alguém arrasar Israel, saiba
como responder. Você deve procurar se sentir como
um embaixador itinerante de Israel, explicando a todos
os fatos como eles se dão de verdade. Você
nunca sabe o quanto sua contribuição pode
influenciar o ponto de vista de uma outra pessoa. O
pior de tudo é ficar quieto em momentos como
esses.
7.
Reconheça o fator D-us - Com todos os seus esforços
de apoiar Israel - observando os meios de comunicação,
pela educação, ajuda econômica,
lobby político, etc -, não se esqueça
do componente espiritual. A própria existência
do povo judeu, após 3500 anos e o retorno à
terra após um longo exílio, é um
milagre. Perceba e compreenda o significado do pacto
de Abrãão com D-us. Cada Um de nós,
qualquer que seja o nosso nível de observância,
deve se empenhar para se conectar com o Divino. Lembre-se:
D-us é quem está, em última instância,
no controle. Ele já operou milagres antes e irá
realizá-Ios novamente. Ao final, reviver nossa
devoção ao Todo-Poderoso significa fazer
reviver nossa terra e nosso povo como um todo. Escolha
uma área de sua vida para melhorar, para aperfeiçoar-se,
assim como uma mitzvá a mais para realizar. Quando
você fizer uma mitzvá, tenha em conta que
D-us usará o mérito dessa mitzvá
para ajudar a proteger Israel e seu povo. Quando paramos
de brigar entre nós e trabalhamos juntos, aí
permaneceremos unidos diante do inimigo e o Todo-Poderoso
estará conosco. Reúna um grupo de amigos
e passe uma hora buscando em conjunto com eles mais
idéias e mais modos e meios de ajudar Israel.
Essa é a hora de deixarmos de lado nossas diferenças
e de trabalharmos juntos. Por todos os nossos esforços
combinados, possa o Todo-Poderoso proteger a Terra de
Israel e seu povo.
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
“O
direito de Israel existir não deve ser questionado”
Ali
Kamel, jornalista
Eu
acredito em eleições. E acredito que o
povo sempre tem a capacidade de julgar o que considera
bom para si. Isso não quer dizer que o povo acerte
sempre: não são poucas as vezes em que
a decisão mostra-se errada no futuro. Não
importa, no momento em que comparece às urnas,
certo ou errado, o povo é responsável
por suas escolhas.
Por que essa conversa? Porque isso não me sai
da mente quando vejo, chocado, os bombardeios em Gaza.
Em 2006, houve eleições para escolha do
primeiro-ministro palestino. Era um contexto em que
os EUA clamavam pela democratização do
mundo árabe. Quando o Hamas saiu-se vitorioso,
muita gente, diante dos lamentos dos americanos, riu,
dizendo algo assim: "Ora, não queriam democracia?
Agora o povo vota, escolhe o Hamas e os EUA lamentam?
Então democracia só vale quando ganham
os aliados?" Na época, escrevi que a simples
presença do Hamas nas eleições
mostrava que aquilo não era uma democracia: porque
democracia não é o regime em que todas
as tendências disputam o voto; democracia é
o regime em que todas as tendências que aceitam
a democracia disputam o voto. Como o Hamas prega uma
teocracia, um sistema político que o aceita como
legítimo aspirante ao poder não pode ser
chamado de democracia. Seja como for, tendo sido democráticas
ou não, aquelas eleições expressaram
a vontade do povo: observadores internacionais atestaram
que o pleito transcorreu sem fraudes.
E o que pregava o Hamas na campanha de 2006? Antes,
para entender o linguajar, é importante lembrar
que o Hamas não aceita a existência do
Estado de Israel, chamado de "Entidade Sionista".
Assim, quando se refere à "Palestina",
o Hamas engloba tudo, inclusive Israel. Destaco aqui
três pontos do programa eleitoral (na disputa,
o grupo deu-se o nome de "Mudança e Reforma"):
"A Palestina é uma terra árabe e
muçulmana"; "O povo palestino ainda
está em processo de libertação
nacional e tem o direito de usar todos os meios para
alcançar esse objetivo, inclusive a luta armada";
"Entre outras coisas, nosso programa defende a
'Resistência' e o reforço de seu papel
para resistir à Ocupação e alcançar
a liberação. A 'Mudança e Reforma'
vai também construir um cidadão palestino
orgulhoso de sua religião, terra, liberdade e
dignidade; e que, por elas, esteja pronto para o sacrifício".
Deu para entender? O Hamas propôs um programa
segundo o qual não há lugar para judeus
na "Palestina", o uso da luta armada deve
ser reforçado para se livrar deles, e os cidadãos
comuns devem estar preparados para se sacrificar (morrer)
pela religião, pela terra, pela liberdade e pela
dignidade. Havia alternativa? Sim, apesar da ambiguidade
eterna, o Fatah do presidente Mahmoud Abbas (e, antes,
de Yasser Arafat), na mesma eleição, pregava
a saída de Israel dos territórios ocupados
em 1967, a criação de um Estado Palestino
com sua capital em Jerusalém e uma solução
para os refugiados de 1948 com base em resoluções
da ONU, uma agenda que só parece moderada porque
é comparada à do Hamas. Embora estimulasse
e declarasse legítima a resistência à
ocupação, a novos assentamentos judaicos
e à construção do muro de proteção
que Israel ergue entre a Cisjordânia e seu território,
o Fatah declarava expressamente: "Quando o imortal
presidente Arafat anunciou em 1988 a decisão
do Conselho Nacional Palestino, reunido naquele ano,
de adotar a 'solução histórica',
que se baseia no estabelecimento de um Estado independente
Palestino lado a lado com Israel, ele estava de fato
declarando que o povo palestino e suas lideranças
tinham adotado a paz como uma opção estratégica".
E qual foi a decisão dos palestinos? Num sistema
eleitoral que adota o voto distrital misto, o Hamas
ganhou tanto no voto proporcional quanto nos distritos,
abocanhando 74 dos 132 assentos do Parlamento. Ou seja,
diante do desgaste de 40 anos do Fatah, e das denúncias
de corrupção que pairavam sobre o movimento,
os palestinos deixaram a paz de lado e optaram pela
promessa de pureza divina e dos foguetes do Hamas. Meses
depois, uma luta interna feroz entre os dois grupos
teve lugar e resultou numa divisão territorial:
o Fatah ficou com a Cisjordânia, onde a situação
é de calma, e o Hamas ficou com Gaza, de onde
continuou pregando o programa aprovado pelos eleitores:
enfrentamento armado, mesmo tendo consciência
do que isso acarretaria.
Diante disso, dá para dizer que os palestinos
de Gaza são inocentes vítimas do jugo
do Hamas e de uma reação desproporcional
dos israelenses? Olha, eu deploro a guerra, lamento
profundamente a morte de tanta gente, especialmente
de crianças, vítimas de uma guerra de
adultos. Vejo as bombas, e fico prostrado, temendo que
o bom senso nunca chegue. Mas isso não me impede
de ver que a guerra, com suas consequências, foi
uma escolha consciente também dos palestinos
de Gaza. Retratá-los como despossuídos
de todo poder de influir em seus destinos não
é mais uma verdade desde 2006. Parecerá
sempre simplificação qualquer coisa que
se diga num espaço tão curto, em que é
preciso deixar de lado as raízes desse conflito
e a trama tão complicada que distribuiu culpa
e vítimas por todos os lados. Mas não
consigo terminar este artigo sem dizer: para que haja
paz, os dois lados têm de ceder em questões
tidas como inegociáveis, o apelo às armas
tem de ser abandonado, o Estado Palestino deve ser criado
ao lado de Israel, cujo direito a existir não
deve ser questionado. Se isso acontecer, muitos árabes
e israelenses daquela região não se amarão,
terão antipatias mútuas, mas viverão
lado a lado. Utopia?
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
Celso
Lafer: "O governo Lula perdeu
noção do que pode e do que não
pode"
Antecessor
de Celso Amorim à frente da diplomacia brasileira,
Celso Lafer condena o giro do atual chanceler pelo Oriente
Médio e acusa o governo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva de se guiar por uma política externa
que "promete muito e faz pouco". "A viagem
que o ministro Celso Amorim está fazendo pelo
Oriente Médio é uma forçação
de barra que não faz nenhum sentido. Revela um
protagonismo destituído de substância",
afirmou Lafer, que foi ministro das Relações
Exteriores sob os governos de Fernando Collor (1992)
e Fernando Henrique Cardoso (2001-02). O ex-ministro
afirma que, se ainda estivesse à frente do Itamaraty,
lançaria apelos pelo fim da violência e
enviaria ajuda humanitária, a exemplo do que
Amorim fez, mas "em hipótese alguma"
tomaria a decisão unilateral de ir à região
para fazer gestões diretas com os protagonistas.
"No máximo, me colocaria à disposição
para ajudar no que pudesse". Para Lafer, jurista
de formação e autor de vários livros
sobre relações internacionais, as tentativas
do governo brasileiro de ter voz no Oriente Médio
mostram que "o Brasil não tem nenhuma noção
do que pode e do que não pode. "Nenhum dos
demais países emergentes -China, Índia
e Rússia - está tomando iniciativas exageradas
como as do Brasil", diz o ex-chanceler, que enxerga
um paradoxo nos rumos da atual diplomacia brasileira.
"Me parece curioso que o atual governo brasileiro,
que se omitiu na crise das papeleiras entre Uruguai
e Argentina, na qual realmente poderia e deveria ter
desempenhado um papel construtivo, busque agora atuar
no Oriente Médio", declarou o ex-ministro.
Folha
de São Paulo
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
A
paz como arma de guerra
Olavo
de Carvalho
Enquanto
Hugo Chávez expulsa o embaixador de Israel e
no Brasil o PT compara os israelenses aos nazistas,
na Flórida a militância esquerdista sai
às ruas e grita: “Judeus, voltem para o
forno”. Está aberta a temporada de caça.
Ninguém parece julgar isso de todo mau. Como
é possível que, decorrido pouco mais de
meio século do Holocausto, o ódio aos
judeus vá aos poucos se incorporando novamente
ao senso comum, como se fosse coisa decente, obrigatória,
e dele dependessem as melhores esperanças de
paz e liberdade para a espécie humana?
A resposta é simples: controle o fluxo de informações
e terá o domínio absoluto das conclusões
que o público vai tirar delas. Uma das regras
mais elementares da ciência histórica é:
a difusão dos fatos causa novos fatos. O fato
desconhecido não gera efeitos. Se a maioria das
distribuidoras de vídeos não tivesse bloqueado
o acesso dos espectadores ao documentário Obsession
, se o vídeo
fosse exibido às massas, se no mínimo
o direito de chorar seus mortos no horário nobre
da TV não fosse um monopólio dos esquerdistas
e terroristas, ninguém diria que a reação
de Israel foi excessiva: todos entenderiam que foi justa,
racional e tardia.
Para que esse desastre não aconteça, é
preciso garantir que cada judeu explodido pelas bombas
do Hamas seja enterrado duas vezes: uma no solo, outra
no desconhecimento geral. Assim todo mundo fica com
a impressão de que os judeus não estão
defendendo a própria pele, apenas arrancando
a de seus inimigos.Também seria ingenuidade acreditar
que o abismo crescente entre noticiário e realidade
é o efeito espontâneo de um simples viés
ideológico, de preferências subjetivas
da classe jornalística.
Só para fins de comparação: as
Farc, segundo se descobriu no famoso laptop de Raul
Reyes, não são um bando de psicóticos
enfurnados na selva -- são uma organização
mundial, com uma rica e eficiente rede de apoio em 29
países. Mutatis mutandis, quantos colaboradores
têm o Hamas e o Hezbollah no Brasil, nos demais
países da América Latina, nos EUA e na
Europa? Quantos deles são agentes de influência
colocados em postos decisivos das empresas jornalísticas
para dar a impressão de que é normal chamar
os judeus de nazistas e, no mesmo ato, sugerir enviá-los
de volta aos campos de concentração? Ninguém
vai jamais investigar isso em profundidade, dar nomes,
responsabilizar criminalmente os desgraçados?
Até quando a mídia continuará sendo
a principal arma de guerra assimétrica e posando
de observadora neutra, no máximo um tanto preconceituosa?
Claro, existem sempre os idiotas úteis, que repetem
o que ouvem dizer. Mas a idiotice em estado bruto é
inerme. Para tornar-se útil ela tem de sofrer
um upgrade. Não se pode explicar um preconceito
geral pela simples propagação automática,
sem que alguém tenha deslanchado o processo.
E quem o deslanchou sabe exatamente aonde pretende chegar
com ele. Lênin já explicava que o terrorismo
não é jamais um objetivo em si mesmo,
que suas finalidades só se cumprem quando os
ataques cessam e as conquistas obtidas são sacramentadas
na mesa das negociações. A transição
depende, na sua quase totalidade, das disposições
da opinião pública. Quando o povo está
cansado de guerra, está na hora de o lado militarmente
mais fraco oferecer a paz ao mais forte em troca de
vantagens políticas. A mídia é
o instrumento-chave dessa mutação. Respaldada
por ela, a equipe de governo de Barack Hussein Obama
já oferece ao Hamas a oportunidade de transformar
a derrota em vitória por meio do “diálogo”.
Nenhuma organização terrorista aspira
senão a isso: ser transmutada de bando de criminosos
em organização política decente,
portadora dos méritos da “paz”. Por
isso mesmo a guerra assimétrica é chamada,
tecnicamente, de “a derrota do vencedor”.
Sob a pressão da mídia mundial, Israel
arrisca-se a cair nesse engodo pela milésima
vez.
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colocando no "Assunto" o título do
artigo.
Missão
e omissão
Carlos
Heitor Cony, membro da Academia Brasileira de Letras
Após
a I Guerra Mundial, a pesada consciência da comunidade
internacional criou a Liga das Nações,
para que não mais se repetisse a carnificina,
então a maior da história. Durou pouco
a boa vontade, e a Liga nada ligou, ou não ligaram
para ela. Veio outra guerra, muito maior e mais truculenta.
Ninguém pensou em criar uma nova Liga, mas uma
organização de nações que
se tornou conhecida pelo codinome ONU. A finalidade
era mais ampla do que a da antecessora. Seria uma entidade
voluntariamente formada pela comunidade humana, em nível
de Estado multinacional, que impedisse novo conflito
de dimensões universais e intermediasse, em nome
do concerto de nações, os conflitos regionais.
Uma das medidas mais necessárias tomadas pela
ONU foi a da ratificação da emenda Balfour,
em 1948, que criou o Estado de Israel, dando lar a um
povo perseguido e errante durante 20 séculos.
Criou-se então uma zona de conflito que já
dura 60 anos. Controlada pelo seu Conselho de Segurança,
que por sua vez é controlado pelos EUA, a ONU
se transformou em uma metáfora, imagem poética
de uma realidade que nada tem de poética.
Não adiantam os comunicados da entidade, nem
os observadores que nada observam, pois tudo está
mais do que observado. Em nome da humanidade, a ONU
criou o Estado de Israel. Teria o direito e a obrigação
de intervir executiva e militarmente no conflito, impedindo
que o Hamas dispare mísseis contra Israel e evitando
a dura represália que todos reconhecem como desproporcional.
O que seria uma guerra proporcional? Igualdade aritmética
no número de mortos e feridos? Tantos para um
lado, tantos para o outro? Um empate sangrento não
resolveria a questão.
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colocando no "Assunto" o título do
artigo.
O
ponto zero do Oriente Médio
Thomas
L. Friedman, colunista do The New York Times
Os
combates, morte e destruição em Gaza são
dolorosos de assistir. Mas é tudo familiar demais.
É a mais recente versão das peças
há mais tempo em cartaz no Oriente Médio
moderno, que, se eu tivesse que dar um título,
se chamariam: "Quem é dono deste hotel?
Os judeus podem ter um quarto? E não deveríamos
explodir o bar e substituí-lo por uma mesquita?"
Isto é, Gaza é uma miniversão de
três grandes lutas que estão transcorrendo
desde 1948: 1) Quem se transformará na superpotência
regional: Egito, Arábia Saudita ou Irã?
2) Deve existir um Estado judeu no Oriente Médio
e, em caso afirmativo, em que termos palestinos? E 3)
Quem dominará a sociedade árabe -os radicais
islâmicos, que são intolerantes em relação
a outras religiões e querem sufocar a modernidade,
ou os modernistas, que querem abraçar o futuro,
com um rosto árabe-muçulmano? Vamos olhar
para cada uma.
Quem é dono deste hotel? A luta pela hegemonia
sobre o mundo árabe moderno é tão
antiga quanto o Egito de Nasser. Mas o que é
novo hoje é que o não-árabe Irã
está se candidatando à primazia - desafiando
o Egito e a Arábia Saudita. O Irã usou
habilmente a ajuda militar ao Hamas e ao Hezbollah para
criar uma força armada com foguetes nas fronteiras
norte e oeste de Israel. Isso permite a Teerã
parar e iniciar o conflito entre israelenses e palestinos
quando quiser e pintar a si mesmo como verdadeiro protetor
dos palestinos, diferente dos fracos regimes árabes.
"A Gaza que Israel deixou em 2005 tinha fronteira
com o Egito. A Gaza para a qual Israel acabou de voltar
agora tem fronteira com o Irã", disse Mamoun
Fandy, diretor dos programas para Oriente Médio
do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.
"O Irã se tornou o Estado final do confronto.
Eu não sei ao certo se ainda podemos simplesmente
falar de uma 'paz entre árabes e israelenses'
ou 'iniciativa de paz árabe'. Nós devemos
olhar para uma 'iniciativa iraniana'." Resumindo,
toda a noção de processo de paz entre
árabes e israelenses provavelmente terá
que mudar.
Os judeus podem ter um quarto aqui? O Hamas rejeita
qualquer reconhecimento de Israel. Por sua vez, a Autoridade
Palestina liderada pelo Fatah, que controla a Cisjordânia,
reconheceu Israel - e vice-versa. Se você acreditar,
como eu, que a única solução estável
é a de dois Estados, com os palestinos ficando
com a Cisjordânia, Gaza e os setores árabes
de Jerusalém Oriental, então você
precisa torcer pelo enfraquecimento do Hamas. Por quê?
Porque nada prejudica mais os palestinos do que a estratégia
de culto da morte do Hamas de transformar os jovens
palestinos em homens-bomba suicidas. Porque nada atrapalharia
mais um acordo de paz do que a possibilidade de um pedido
pelo Hamas de substituição de Israel por
um Estado islâmico se torne a posição
de negociação dos palestinos. E porque
os ataques do Hamas às cidades no sul de Israel
estão destruindo uma solução de
dois Estados, ainda mais do que os desastrosos e imprudentes
assentamentos de Israel na Cisjordânia.
Israel provou que pode e irá remover os assentamentos,
como fez em Gaza. Os ataques com foguetes do Hamas representam
uma ameaça irreversível. Eles dizem a
Israel: "De Gaza, nós podemos atingir o
sul de Israel. Se conseguirmos a Cisjordânia,
nós poderemos atingir, e conseqüentemente
fechar, o aeroporto internacional de Israel - a qualquer
momento, a qualquer dia, de agora em diante". Quantos
israelenses correrão o risco de entregar a Cisjordânia,
dada esta nova ameaça? E não deveríamos
explodir o bar e substituí-lo por uma mesquita?
A derrubada pelo Hamas da mais secular organização
Fatah em Gaza, em 2007, faz parte de uma guerra civil
regional entre os radicais islâmicos e os modernistas.
Na semana em que Israel está penetrando em Gaza,
homens-bomba islâmicos mataram quase 100 iraquianos
- primeiro, um grupo de xeques tribais em Yusufiya,
que estavam trabalhando na reconciliação
entre xiitas, sunitas e curdos, e, segundo, um grande
número de mulheres e crianças reunidas
em um templo xiita. Estes assassinatos em massa não
provocados não geraram um único protesto
na Europa ou no Oriente Médio.
Gaza atualmente é o ponto zero para todas estas
três lutas, disse Martin Indyk, o ex-conselheiro
para Oriente Médio do governo Clinton, cujo novo
livro incisivo, "Innocent Abroad: An Intimate Account
of American Diplomacy in the Middle East", acabou
de ser publicado. "Este minúsculo pedaço
de terra, Gaza, tem o potencial de ampliar todas estas
questões e representar um problema imenso para
Barack Obama desde o primeiro dia". O grande potencial
de Obama para os EUA, notou Indyk, também é
uma grande ameaça para os radicais islâmicos
- porque sua narrativa tem um apelo tremendo juntos
aos árabes. Por oito anos, o Hamas, Hezbollah
e Al-Qaeda têm surfado na onda da raiva antiamericana
gerada por George W. Bush. E essa onda expandiu enormemente
sua base. Sem dúvida, o Hamas, o Hezbollah e
o Irã esperam poder usar o conflito de Gaza para
transformar Obama em Bush. Eles sabem que Barack Hussein
Obama deve ser transformado em Bush para manter os EUA
e seus aliados árabes na defensiva. Obama tem
que manter seus olhos no prêmio. Sua meta -a meta
americana- precisa ser um acordo em Gaza que elimine
a ameaça dos foguetes do Hamas e abra economicamente
o território para o mundo, sob supervisão
internacional crível. É isso o que atenderá
aos interesses americanos, moderará as três
grandes lutas e lhe renderá respeito.
Tradução:
George El Khouri Andolfato
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colocando no "Assunto" o título do
artigo.
Provas
da exploração de civis pelo Hamas
Embaixada
de Israel no Brasil
-
Vídeo que comprova que o Hamas utiliza de mulheres,
crianças e idosos, induzindo-os a formar um escudo
humano. Fathi Hammad, líder do Hamas, diz: "Nós
desejamos a morte assim como vocês desejam a vida".
Acesse
aqui.
-
ANB TV-Lebanon mostra uma multidão de Palestinos
se unindo no telhado da casa de Wa'l Rajab, um alto
líder do Hamas, para atuar como escudos humanos.
Acesse
aqui.
-
Al-Aqsa TV, do Hamas, chama crianças para formarem
um escudo humano na casa de Abu al-Hatal, com o fim
de proteger o prédio de um ataque das Forças
de Defesa de Israel. Notem que a TV usa o termo "escudo
humano", sem se preocupar em estar cometendo um
crime de guerra. Acesse
aqui.
-
Uma multidão no telhado da casa de Abu Bilal
al-Ja'abeer no Nordeste da Faixa. Novamente um flagrante
da formação de um escudo humano. Acesse
aqui.
Hamas'
al-Aqsa TV (janeiro de 2009) mostra o lançamento
de um foguete contra Israel a partir de uma área
urbana. Acesse
aqui.
-
Vídeo que mostra terroristas do Hamas lançando
um foguete contra Israel a partir de uma escola controlada
pela ONU. A imagem foi feita por um avião das
Forças de Defesa de Israel no dia 29 de outubro
de 2007. Acesse
aqui.
-
Uma jovem palestina conta sua história sobre
o sofrimento durante o conflito em Gaza e culpa o Hamas.
Acesse
aqui.
-
Membros do Fatah contam suas histórias chocantes
sobre o abuso nas mãos do Hamas quando os terroristas
atacaram os membros do Fatah. Acesse
aqui.
O
conflito do Hamas em cores
Giora
Becher, Embaixador de Israel no Brasil
O
mundo livre ficou chocado quando terroristas explodiram
trens e um ônibus em Londres e Madri, e transformaram
os dois prédios mais altos do mundo em uma pilha
de detritos, em Nova York. Todos concordaram que deveria
existir uma cooperação internacional conjunta
dirigida a ataques terroristas perpetrados por fanáticos
islâmicos. A operação de Israel
na Faixa de Gaza faz parte da luta mundial contra o
terror. Os israelenses têm o mesmo direito básico
dos cidadãos de São Paulo, Rio de Janeiro
ou Brasília de viverem em segurança em
suas cidades e lares, sem estarem expostos aos perigos
de foguetes que possam "cair sobre eles" a
qualquer momento.
Onde quer que os israelenses estejam, têm meros
15 segundos para correr com suas familias até
o abrigo mais próximo e salvar suas vidas. Por
oito longos anos, a cidade de Sderot, localizada a apenas
4 km de Gaza, tem vivido assim. Um quarto da população
da cidade já saiu. Vocês estariam dispostos
a viver sob estas condições, dia e noite,
por oito anos, alvos de projéteis lançados
pelo Hamas? O povo palestino não é nosso
inimigo. Eles são nossos vizinhos. Queremos realmente
"construir pontes" de diálogo e esperança
de um futuro melhor com os palestinos.
O Hamas é nosso inimigo. Esta é uma organização
terrorista islâmica violenta, membro do eixo radical
Teerã–Hezbolá. Com sua linha dura
de aderência a uma doutrina religiosa extremista,
eles não querem fazer nenhum compromisso e não
respeitam nenhum acordo. Seu objetivo declarado é
o de eliminar o Estado de Israel e assassinar todos
os seus cidadãos. O Hamas já explodiu
ônibus lotados de passageiros em Tel Aviv, Haifa
e Jerusalém. O Hamas enviou terroristas suicidas
para assassinar centenas de israelenses em muitos locais.
Como vocês agiriam se uma organização
terrorista brutal fosse enviada para matar civis e crianças
em seus restaurantes e ônibus? Além do
mais, o Hamas não é apenas inimigo de
Israel, mas inimigo de todos os árabes moderados.
Pouco tempo atrás, quando o Hamas tomou Gaza
à força, seus homens não se importaram
quando jogaram seus opositores políticos, que
apoiavam a Autoridade Palestina, do alto de prédios.
Muitos foram mortos pelo fogo do Hamas, enquanto o poder
era tirado das mãos do presidente Abbas. Os palestinos
moderados conhecem a amarga verdade sobre o Hamas. Eu
gostaria que vocês soubessem a verdade também.
O Hamas é uma encarnação do pior
pesadelo da região. Ele não representa
o desejo nacional palestino de independência,
porque se opõe à "solução
de dois Estados", isto é, um Estado israelense
e um palestino vivendo lado a lado em paz e segurança.
Ao invés disto, defende a idéia de um
Estado islâmico fanático que seria estabelecido
sobre as ruínas do Estado judaico. O objetivo
do Hamas não é estabelecer um Estado palestino
e nunca foi. Pelo contrário, seu objetivo é
a destruição do Estado de Israel, pura
e simplesmente. Se uma organização terrorista
quisesse a destruição de seu país
como condição de parar com a agressão
violenta, vocês balançariam a cabeça
e diriam: "amém"?
No verão de 2005, Israel retirou-se de Gaza completamente.
Aos palestinos foi dada uma histórica oportunidade
de mudar seu destino e fazer com que Gaza se tornasse
um milagre econômico, nacional e cultural. Com
uma ajuda internacional maciça, eles poderiam
ter transformado Gaza em um paraíso. Mas o Hamas
tomou o controle e transformou Gaza em um antro de terrorismo
e opressão. Ele violou todos os acordos de cessar-fogo
com Israel, contrabandeou foguetes fabricados no Irã
através de túneis na fronteira e ignorou
as necessidades humanitárias básicas da
população civil palestina. Qual é
a fórmula certa para responder ao fogo direcionado
contra suas casas com o intuito de te matar? Seria certo
responder com 8 mil foguetes direcionados às
casas dos atacantes? Qual é a aritmética
moral correta? O Hamas dispara contra nossos civis a
partir de seus esconderijos entre sua própria
população civil. Eles se encolhem entre
crianças, em mesquitas e hospitais, esperando
que Israel responda para que possam posar de vítimas
na imprensa mundial. Israel sabe lidar com isto bem
melhor do que qualquer exército no mundo, que
já se encontrou em circunstâncias bem menos
difíceis.
Há aqueles entre a mídia mundial que caem
facilmente nas armadilhas de falsas fotos. Peço
que não sejam convencidos. Apesar da luta contínua,
Israel se esforça para transferir ajuda humanitária
para Gaza. Quase todos os dias, aproximadamente 80 caminhões
descarregam toneladas de alimentos e medicamentos nas
passagens da fronteira para serem transportadas até
Gaza. A Força Aérea de Israel investe
esforços tremendos para evitar atingir civis.
Em suas reuniões, 80% do tempo são dedicados
a discutir maneiras de atingir alvos terroristas conhecidos
sem atingir civis inocentes, como jogar folhetos do
ar dizendo aos residentes quais áreas estão
para ser bombardeadas. Vocês conhecem qualquer
outra Força Aérea no mundo que toma tais
medidas em tempo de guerra? Nosso pessoal telefona para
casas em Gaza, avisando aos civis inocentes o que está
para acontecer com um prédio que aloja um quartel
general do Hamas ou armazena foguetes. Apesar de todos
os nossos esforços, nem sempre obtemos sucesso.
As casualidades civis são profundamente sentidas.
Erros ocorrem até em tempos de paz, quanto mais
na guerra. Nossa guerra contra o Hamas tem o objetivo
de proteger as vidas de nossos cidadãos que moram
no Sul de Israel, mas é bem mais do que isso.
Pode proteger o processo político e a chance
de paz entre Israel e os palestinos, chance esta constantemente
"torpedeada" pelo Hamas. Tem também
o intuito de evitar que esta região caia em um
abismo de fanatismo e hegemonia iraniana. É parte
da luta legítima contra o terrorismo e extremismo
assassino. Se vocês se colocarem por um momento
em nossos lugares e entenderem as dificuldades passadas
pelos israelenses, vocês poderão ter um
retrato colorido da situação real.
Publicado
no Jornal do Brasil
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
Centro
Simon Wiesenthal acusa PT de apoiar “terror”
em Gaza
A
sede do Centro Simon Wiesenthal para a América
Latina repudiou as declarações feitas
pela cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT)
nas quais acusa Israel de "praticar o terrorismo
de Estado". O Centro lamenta que o PT "rejeita
o direito (de Israel) de defender-se e qualifica sua
reação aos ataques terroristas do Hamas
como ''prática nazista''". O diretor do
Centro Simon Wiesenthal para a América Latina,
Sergio Widder, afirmou que, com essa atitude, "o
PT está demonstrando sua solidariedade com o
antissemitismo e o terrorismo".
Segundo o Centro, uma organização judaica
internacional de Direitos Humanos, "é irônico
que um partido como o PT, reconhecido por sua tradição
democrática e que teve acesso à presidência
do Brasil respeitando as regras do Estado de Direito,
ataque desse modo outra democracia". Em carta ao
presidente do partido, Ricardo Berzoini, o Centro condenou
o comunicado do PT, que no domingo indicou que o partido
não aceita "a ''justificativa'' apresentada
pelo governo israelense, de que estaria agindo em defesa
própria e reagindo aos ataques". O Centro
Wiesenthal considera que no comunicado o PT também
comparou Israel com o Terceiro Reich. O comunicado do
PT sustenta que "atentados não podem ser
respondidos através de ações contra
civis. A retaliação contra civis é
uma prática típica do exército
nazista: Lídice e Guernica são dois exemplos
disso".
Os representantes do Centro afirmam que nesta esfera
existe mais cumplicidade por parte do PT. "O comunicado
é escandaloso, mas não é totalmente
surpreendente, já que (o PT) possui um acordo
com o Partido Baath Árabe Socialista da Síria.
Recordemos que sob o regime do Baath, Síria deu
refúgio ao criminoso nazista Alois Brunner, lugar-tenente
de Adolf Eichmann na implementação da
''Solução Final''. Isso sim é cumplicidade
com o nazismo", diz a carta. Segundo o Centro Wiesenthal,
"se o PT aspira pela paz, então sua melhor
contribuição seria condenar o antissemitismo
do Hamas e protestar pela chuva de foguetes que essa
organização dispara contra civis israelenses,
bem como por seu abuso em usar palestinos como escudos
humanos".
Publicado
na Agência Estado
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
Em
defesa de Israel
Pilar
Rahola, ex-membro do Parlamento Europeu
Por
que não vemos manifestações em
Paris, ou em Londres, ou em Barcelona contra as ditaduras
islâmicas? Por que não as fazem contra
a ditadura birmanesa? Por que não há manifestações
contra a escravidão de milhões de mulheres
que vivem sem nenhum amparo legal? Por que não
se manifestam contra o uso de “crianças
bomba”, nos conflitos onde o Islã está
envolvido? Por que nunca lideraram a luta a favor das
vítimas da terrível ditadura islâmica
do Sudão? Por que nunca se comoveram pelas vítimas
de atos terroristas em Israel? Por que não consideram
a luta contra o fanatismo islâmico, uma de suas
principais causas? Por que não defendem o direito
de Israel de se defender e de existir? Por que confundem
a defesa da causa palestina, com a justificação
do terrorismo palestino?
E a pergunta do “milhão”, por que
a esquerda européia, e globalmente toda a esquerda,
estão obcecadas somente em lutar contra as democracias
mais sólidas do planeta, EUA e Israel, e não
contra as piores ditaduras? As duas democracias mais
sólidas, e as que sofreram os mais sangrentos
atentados do terrorismo mundial. E a esquerda não
está preocupada por isso. E finalmente, o conceito
de compromisso com a liberdade. Ouço essa expressão
em todos os foros pró-palestinos europeus. “Somos
a favor da liberdade dos povos”, dizem com ardor.
Não é verdade. Nunca se preocuparam com
a liberdade dos cidadãos da Síria, do
Irã, do Yemen, do Sudão etc. E nunca se
preocuparam com a liberdade destruída dos palestinos
que vivem sob o extremismo islâmico do Hamas.
Somente se preocupam em usar o conceito de liberdade
palestina, como míssil contra a liberdade israelense.
Uma terrível consequência decorre destas
duas patologias ideológicas: a manipulação
jornalística. Finalmente, não é
menor o dano que causa a maioria da imprensa internacional.
Sobre o conflito árabe-israelense não
se informa, se faz propaganda. A maioria da imprensa,
quando informa sobre Israel, viola todos os princípios
do código de ética do jornalismo. E assim,
qualquer ato de defesa de Israel se converte em um massacre
e qualquer enfrentamento, em um genocídio. Foram
ditas tantas barbaridades, que já não
se pode acusar Israel de nada pior. Em paralelo, essa
mesma imprensa nunca fala da ingerência do Irã
ou da Síria a favor da violência contra
Israel; da inculcação do fanatismo nas
crianças; da corrupção generalizada
na Palestina. E quando fala de vítimas, eleva
à categoria de tragédia qualquer vítima
palestina, e camufla, esconde ou deprecia as vítimas
judias.
Termino com uma nota sobre a esquerda espanhola. Muitos
são os exemplos que ilustram o anti-israelismo
e o antiamericanismo que definem o DNA da esquerda global
espanhola. Por exemplo, um partido de esquerda acaba
de expulsar um militante, porque criou uma página
de defesa de Israel na Internet. Cito frases da expulsão:
“Nossos amigos são os povos do Irã,
Líbia e Venezuela, oprimidos pelo imperialismo.
E não um Estado nazista como o de Israel”.
Por outro exemplo, a prefeita socialista de Ciempuzuelos
mudou o dia da Shoá pelo dia da Nakba palestina,
depreciando, assim, a mais de 6 milhões de judeus
europeus assassinados. Ou em minha cidade, Barcelona,
o grupo socialista decidiu celebrar, durante o 60º.
aniversário do Estado de Israel, uma semana de
“Solidariedade com o povo palestino”. Para
ilustrar, convidou Leila Khaled, famosa terrorista dos
anos 70, atual líder da Frente de Libertação
Palestina, que é uma organização
considerada terrorista pela União Européia,
que defende o uso das bombas contra Israel. E etc. Este
pensamento global, que faz parte do politicamente correto,
impregna também o discurso do presidente Zapatero.
Sua política exterior recai nos tópicos
da esquerda lunática e, a respeito do Oriente
Médio, sua atitude é inequivocamente pró-árabe.
Estou em condições de assegurar que, em
particular, Zapatero considera Israel culpado do conflito,
e a política do ministro Moratinos vai nesta
direção.
O fato de que o presidente colocou uma Kefia palestina,
em plena guerra do Líbano, não é
um acaso. É um símbolo. A Espanha sofreu
o atentado islâmico mais grave da Europa, e “Al
Andalus” está na mira de todo o terrorismo
islâmico. Como escrevi faz tempo, “nos mataram
com celulares via satélite, conectados com a
Idade Média”. E, sem dúvida, a esquerda
espanhola está entre as mais anti-israelenses
do planeta. E diz ser anti-israelense por solidariedade!
Esta é a loucura que quero denunciar com esta
conferência. Não sou judia, estou vinculada
ideologicamente à esquerda e sou jornalista.
Por que não sou anti-israelense como a maioria
de meus colegas? Porque como não judia, tenho
a responsabilidade histórica de lutar contra
o ódio aos judeus, e na atualidade, contra o
ódio a sua pátria, Israel. A luta contra
o anti-semitismo não é coisa dos judeus,
é obrigação dos não judeus,
Como jornalista, sou obrigada a buscar a verdade, para
além dos preconceitos, das mentiras e das manipulações.
E sobre Israel não se diz a verdade. E como pessoa
de esquerda, que ama o progresso, sou obrigada a defender
a liberdade, a cultura, a convivência, a educação
cívica das crianças, todos os princípios
que as Tábuas da Lei converteram em princípios
universais. Princípios que o islamismo fundamentalista
destrói sistematicamente. Quer dizer, como não
judia, jornalista de esquerda tenho um tríplice
compromisso moral com Israel. Porque, se Israel for
derrotado, serão derrotadas a modernidade, a
cultura e a liberdade. A luta de Israel, ainda que n
mundo não queira saber, é a luta do mundo.
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
Sim
ou não à existência de Israel? Eu
digo “sim”
Reinaldo
Azevedo, colunista da revista Veja
O
Hamas rompeu a trégua com Israel - a rigor, nunca
integralmente respeitada -, e aqueles que ora clamam
pelo fim da reação da vítima -
e a vítima é Israel - fizeram um silêncio
literalmente mortal. Hipócritas, censuram agora
o que consideram a reação desproporcional
dos israelenses, mas não apontam nenhuma saída
que não seja o conformismo da vítima.
É desnecessário indagar como reagiria
a França, por exemplo, se seu território
fosse alvo de centenas de foguetes. É desnecessário
indagar como responderia o próprio Brasil. O
Apedeuta e seus escudeiros no Itamaraty - que vive o
ponto extremo da delinqüência política
sob o comando de Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães
- aceitam, de bom grado, que Evo Morales nos tungue
a Petrobras, mas creio que defenderiam uma resposta
militar se o Brasil passasse a ser alvo diário
de inimigos. Há dias, Lula afirmou que o Brasil
precisa ser uma potência militar se quiser ser
respeitado no mundo. Confesso que, dada a moral ora
vigente no Planalto e na diplomacia nativa, prefiro
que o país tenha, no máximo, aqueles fogos
Caramuru, os únicos que, no nosso caso, não
podem dar xabu... Lula merece, no máximo, ter
um rojão ou aqueles fósforos coloridos
de São João para brincar.
É dever de todo governo defender o seu território
e a sua gente. Mas, curiosamente (ou nem tanto), pretende-se
cassar de Israel o direito à reação.
Por quê? O que grita na censura aos israelenses
é a voz tenebrosa de um silêncio: essa
gente é contra a existência do Estado de
Israel e acredita que só se obteria a paz no
Oriente Médio com a sua extinção.
Mas falta a essa canalha coragem para dizer claramente
o que pretende. Nesse estrito sentido, um expoente do
fascismo islâmico como Mahamoud Ahmadinejad, presidente
do Irã, é mais honesto do que boa parte
dos hipócritas europeus ou brasileiros. Ele não
esconde o que pretende. Aliás, o Hamas também
não: o fim da Israel é o segundo item
do seu programa, sem o qual o grupo terrorista julga
não cumprir adequadamente o primeiro: a defesa
do que entende por fé islâmica.
Será que exagero? Que outra consideração
estaria na origem da suposição de que
um país deve se quedar inerme diante de uma chuva
de foguetes em seu território? “Não,
Reinaldo, o que se censura é o exagero, a reação
desproporcional”. Tratarei desse argumento, essencialmente
mentiroso e de ocasião, mais adiante. Neste artigo,
penso questões mais profundas, que estão
na raiz do ódio a Israel. Como se considera que
aquele estado é essencialmente ilegítimo,
cobra-se dele, então, uma tolerância especial.
Aliás, exigem-se dos judeus duas reações
particulares, de que estariam dispensados outros povos.
Como os hipócritas do silêncio consideram
que a criação de Israel foi uma violência,
cobram que esse estado viva a pedir desculpas por existir
e jamais reaja. Seria uma espécie de suicídio.
Israel faria por conta própria o que várias
nações islâmicas - em grupo, em
par ou isoladamente - tentaram sem sucesso em 1956,
em 1967 e em 1973: eliminar o país do mapa. Dói
na consciência e no orgulho dos inimigos do país
a constatação de que ele adquiriu o direito
de existir na lei e na marra, na diplomacia e no campo
de batalha.
A segunda reação particular guarda relação
com o nazismo. Porque os judeus conheceram o horror,
estariam moralmente proibidos de se comportar como senhores:
teriam de ser eternamente vítimas. Ao povo judeu
seria facultado despertar ódio ou piedade, mas
jamais temor. Franceses, alemães, espanhóis,
chineses, japoneses e até brasileiros cometeram
ou cometem suas injustiças e violências
- e todos esses povos souberam ou sabem ser impressionantemente
cruéis em determinadas ocasiões e circunstâncias.
Mas os judeus?! Eles não!!! Esperam-se passividade
e mansidão pouco importa se são tomados
como usurpadores ou vítimas. O anti-semitismo
ainda pulsa, eis a verdade insofismável.
Tudo seria mais fácil se as posições
fossem aclaradas. Acatar ou não a legitimidade
do Estado de Israel ajudaria muitas nações
e muitas correntes político-ideológicas
a se posicionar e a se pronunciar com clareza: “Sim,
admito a existência de Israel e penso que aquele
estado, quando atacado, tem o direito de se defender”.
É o que pensa este escriba. Ou: “Não!
Fez-se uma grande bobagem em 1948, e os valentes do
Hamas formam, na verdade, uma frente de resistência
ao invasor; assim, quando eles explodem uma pizzaria
ou um ônibus escolar ou quando jogam foguetes,
estão apenas defendendo um direito”. Mas
os hipócritas não seriam o que são
se não cobrissem o vício com o manto da
virtude. Como não conseguem imaginar uma solução
para alguns milhões de israelenses que não
o mar - e, desta feita, sem Moisés para abri-lo
-, então disfarçam o ódio a Israel
com um conjunto pastoso de retóricas vagabundas:
“pacifismo”, “antimilitarismo”,
“reação proporcional”, “direito
à resistência” etc.
Na imprensa brasileira, um jornalista como Jânio
de Freitas chegou a chamar o ataque aéreo a Gaza
de “genocídio”, dando alguma altitude
teórica à militância política
anti-Israel - embora o próprio Hamas admita que
a maioria das vítimas seja mesmo composta de
militantes do grupo. Trata-se, claro, de uma provocação:
sempre que Israel é acusado de “genocida”,
pretende-se evocar a memória do Holocausto. Em
uma única linha, sustenta-se, então, uma
farsa gigantesca:
a)
maximiza-se a tragédia presente dos palestinos;
b) minimiza-se a tragédia passada dos judeus:
c) apaga-se da história o fato de que o Hamas
é a força agressora, e Israel, o país
agredido;
d) equiparam-se os judeus aos nazistas que tentaram
exterminá-los, o que, por razões que dispensam
a exposição, diminui a culpa dos algozes;
e) cria-se uma equivalência que aponta para uma
indagação monstruosa: não seria
o povo vítima do Holocausto um tanto merecedor
daquele destino já que incapaz de aprender com
a história?
E
pouco importa se os que falam em genocídio têm
ou não consciência dessas implicações:
o mal que sai da boca dos cínicos não
vira virtude porque na boca dos tolos. Em junho de 2007,
esse mesmo Hamas foi à guerra contra o Fatah
na Faixa de Gaza. E venceu. O grupo preferiu não
fazer prisioneiros. Os que eram rendidos ou se rendiam
eram executados com tiros na cabeça - muitas
vezes, as mulheres e filhos das vítimas eram
chamados para presenciar a cena. “O que ocorreu
no centro de segurança (as execuções)
foi a segunda liberação da Faixa de Gaza;
a primeira delas foi a retirada das tropas e dos colonos
de Israel da região, em setembro de 2005",
disse então Sami Abu Zuhri, um membro do Hamas.
“Estamos dizendo ao nosso povo que a era do passado
acabou e não irá volta. A era da Justiça
e da lei islâmica chegou", afirmou Islam
Shahawan, porta-voz do grupo. Nezar Rayyan, também
falando em nome dos terroristas, não teve dúvida:
“Não haverá diálogo com o
Fatah, apenas a espada e as armas. Desde 2006, quase
700 palestinos foram assassinados por rivais... palestinos.
O ódio a Israel espalhado em várias correntes
de opinião no Ocidente é caudatário
da chamada “luta contra o Império”.
O apoio ao país nunca foi tão modesto
- em muitos casos, envergonhado. Não é
coincidência que assim seja no exato momento em
que se vislumbra o que se convencionou chamar de “declínio
americano”. Israel é visto como uma espécie
de enclave dos EUA no Oriente Médio. As esquerdas
do mundo caíram de amores pelos vários
sectarismos islâmicos, tomados como forças
antiimperialistas, de resistência. Eu era ainda
um quase adolescente (18 anos) - e de esquerda! - quando
se deu a revolução no Irã, em 1979,
e me perguntava por que os meus supostos parceiros de
ideologia se encantavam tanto com o tal aiatolá
Khomeini, que me parecia, e era, a negação,
vejam só!, de alguns dos pressupostos que deveriam
nos orientar — e o estado laico era um deles.
Mas quê... A “luta antiimperialista”
justificava tudo. O que era ruim para os EUA só
poderia ser bom para o mundo e para as esquerdas. No
poder, a primeira medida de Khomeini foi fuzilar os
esquerdistas que haviam ajudado a fazer a revolução...
É ainda o ódio ao “Império”
que leva os ditos “progressistas” do mundo
a recorrer à vigarice intelectual a mais escancarada
para censurar Israel e se alinhar com as “vítimas”
palestinas. Abaixo, aponto alguns dos pilares da estupidez.
Pergunte a qualquer “progressista” da imprensa
ou de seu círculo de amizades se ele considera
o Hamas um grupo “terrorista”. A resposta
do meliante moral virá na forma de uma outra
indagação: “Mas o que é terrorismo?”
A luta “antiimperialista” torna esses humanistas
uns relativistas. Eles dirão que a definição
do que é ou não terrorismo decorre de
uma visão ideológica, ditada por Washington,
pela Otan, pelo Ocidente, pelo capitalismo, sei lá
eu... Esses canalhas são capazes de defender
o “direito” que os ditadores islâmicos
têm de definir os seus homens viciosos e virtuosos
- “democracia não se impõe”,
gritam —, mas, por qualquer razão que não
saberiam explicar, acreditam, então, que Washington,
a Otan, o Ocidente e o capitalismo não podem
fazer as suas escolhas. E essas escolhas, vejam que
coisa!, costumam ser justamente aquelas que garantem
as liberdades democráticas. Se você disser
que explodir bombas num ônibus escolar ou num
supermercado, por exemplo, é terrorismo, logo
responderão que isso não é diferente
da ação de Israel na Faixa de Gaza, confundido
a guerra declarada (e reativa!!!) com a ação
insidiosa contra civis. Para esses humanistas, a ação
contra Dresden certamente igualou os Aliados aos nazistas...
Falei em nazistas? Ah, sim: os antiisraelenses gostam
de comparar as ações do Hamas, do Hezbollah
ou das Farc aos atos heróicos dos que lutaram
contra o nazismo. Ao fazê-lo, não só
igualam, então, os vários “terrorismos”
como também os várias “estados da
ordem”. No caso, o nazismo não se distinguiria
dos governo de Israel, da Colômbia ou de qualquer
outro estado que sofra com a ação terrorista.
Aqui e ali, leio textos indignados em nome da “paz”.
E penso que o pacifismo pode ser uma coisa muito perigosa.
Chamberlain e Daladier, que assinaram com Hitler o “Acordo
de Munique”, que o digam. Como observou Churchill,
entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra e tiveram
a guerra. Argumentos que remetem ao nazismo, sei disto,
costumam desmoralizar um tanto o debate porque apelam
sempre a uma situação extrema, que se
considera única, irreproduzível. A questão,
então, é como Israel pode fazer a paz
com quem escolheu o caminho da guerra e só aceita
a linguagem das armas e da morte. O Hamas é o
inimigo que mora ao lado - e, com freqüência,
dentro de Israel. Mas há os que estão
um pouco mais distantes, como o Irã por exemplo.
O que vocês acham que acontecerá quando
(e se) os aiatolás estiverem prestes a ter uma
bomba nuclear? Em nome da paz, senhores pacifistas,
espero que Israel escolha a guerra. E ele escolherá,
fiquem certos, concordem os EUA ou não.
Israel deixou o Sul do Líbano, e o Líbano
foi entregue - sejamos claros - aos xiitas do Hezbollah.
Israel deixou a Faixa de Gaza, e o Hamas expulsou de
lá os corruptos moderados da Fatah, não
sem antes fuzilar todos os que foram feitos prisioneiros
na guerra civil palestina. Isso indica um padrão,
pouco importa a vertente religiosa dos sectários.
A guerra desastrada contra a facção xiita
no Líbano, muito mais poderosa do que o inimigo
de agora, significou, de fato, uma lição
amarga aos israelenses: se a ação militar
não cumpre o propósito a que se destina,
ela, com efeito, só fortalece o inimigo. Na prática,
é o que pedem os que clamam pela suspensão
dos ataques à Faixa de Gaza: querem que Israel
dispare contra a sua própria segurança.
O argumento de que os ataques só fortalecem o
Hamas porque fazem do grupo heróis de uma luta
de resistência saem, não por acaso, da
boca de intelectuais palestinos ou de esquerda. Cumpre
perguntar se, no status anterior, havia algum sinal
de que os palestinos de Gaza estavam descontentes com
os terroristas que os governam. Mais uma vez, está-se
diante de uma leitura curiosa: a única maneira
de Israel não fortalecer o Hamas seria suportar
os foguetes disparados pelo... Hamas! Como se vê,
os argumentos passam pelos mais estranhos caminhos e
todos eles cobram que os israelenses se conformem com
os ataques.
Aqui e ali, leio que o estado de Israel só é
defensável se devolvido à demarcação
definida pela ONU em 1948. Digamos, só para raciocinar,
que se possa anular a história da região
dos últimos 60 anos... Os inimigos do país
considerariam essa condição suficiente
para admitir a existência do estado judeu? A resposta,
mesmo diante de uma hipótese improvável,
é “não”. Mesmo as facções
ditas moderadas reivindicam a volta do que chamam “os
refugiados”, que teriam sido “expulsos”
de suas terras - terras que, na maioria das vezes, foram
compradas, é bom que se lembre. Tal reivindicação
é só uma maneira oblíqua de se
defender que Israel deixe de ser um estado judeu - e,
pois, que deixe de ser Israel. E isso nos devolve ao
começo deste texto.
Aceita-se ou não a existência de um estado
judeu? Israel está muito longe, no curtíssimo
prazo, dos perigos que, com efeito, viveu em 1967 e
em 1973. Não obstante, sustento que nunca correu
tanto risco como agora. Desde a sua criação,
jamais se viu tamanha conspiração de fatores
que concorrem contra a sua existência:
- a chamada “causa palestina” foi adotada
pela imprensa ocidental - mesmo a americana, tradicionalmente
pró-Israel, mostra-se um tanto tímida;
- o antiamericanismo, exacerbado pela reação
contra a guerra no Iraque, conseguiu transformar o terrorismo
em ação de resistência;
- os desastres da era Bush transferem para os aliados
dos EUA, como Israel, parte da reação
negativa ao governo americano;
- os palestinos dominam todo o ciclo do marketing da
morte e se tornaram os “excluídos”
de estimação do pensamento politicamente
correto: o que são 300 mil mortos no Sudão
e 3 milhões de refugiados perto de 500 mortos
na Faixa da Gaza, a maioria deles terroristas do Hamas?
A morte de qualquer homem nos diminui, claro, claro,
mas a de alguns homens excita mais a fúria justiceira:
a dos sudaneses não excita ninguém...;
- um estado delinqüente, como é o Irã
- que tem em sua pauta a destruição de
Israel -, busca romper o isolamento internacional aliando-se
a inimigos estratégicos dos EUA;
- a Europa ensaia dividir a cena da hegemonia ocidental
com os EUA sem ter a mesma clareza sobre o que é
e o que não é aceitável no que
concerne à segurança de Israel;
- atribui-se ao próprio estado de Israel o fortalecimento
dos seus inimigos, num paradoxo curioso: considera-se
que o combate a seus agressores só os fortalece,
ignorando-se o motivo por que, afinal, ele decidiu combatê-los...
Sim ou não à existência de Israel?
Sem essa primeira resposta, não se pode começar
um diálogo. Ou romper de vez o diálogo.
Sem essa resposta, o resto é conversa mole.
De todas as coisas estúpidas que se podem dizer
na censura a Israel, a maior é a que aponta a
chamada “reação desproporcional”.
Então é preciso definir o que é
“proporcionalidade”. O que deveria fazer
um estado organizado? Jogar alguns foguetes em Gaza?
Dada a densidade demográfica da região,
um único mataria certamente mais palestinos do
que todos aqueles disparados pelo Hamas contra Israel,
fazendo quatro vítimas. A guerra viraria uma
espécie de jogo de salão. E Israel seria
sempre um caudatário das escolhas dos terroristas.
E o mundo, incluindo o Brasil, ficaria em silêncio.
Quatro mortos aqui? Quatro lá. Cinco aqui? Cinco
lá. O estado agredido ficaria sempre à
espera do recrudescimento da ação do adversário.
Bem, há uma lógica implícita aí,
não? Adivinhem quem morreria primeiro.
Não fosse o veto dos EUA, a ONU teria emitido
uma resolução cobrando de Israel a imediata
suspensão da ação militar. O texto,
acreditem, não fazia menção aos
foguetes disparados cotidianamente pelo Hamas. Nessas
circunstâncias, parece que os críticos
da chamada “reação desproporcional”
censuram menos os quase 500 mortos da Faixa de Gaza
do que os poucos mortos do lado israelense. Para essa
gente - incluindo o governo brasileiro -, uma guerra
justa precisa ter mais judeus mortos do que os havidos
até agora. Mais ainda: censuráveis parecem
ser a competência de Israel para se defender e
a incompetência do Hamas para atacar. Na prática,
pedem que Israel permita primeiro que seu inimigo cresça
o bastante para poder matar com mais eficiência.
E tudo seria ético e justo.
Detestável e asquerosa a escalada da retórica
do governo brasileiro contra Israel. Censurei Lula por
ter feito excursões às ditaduras islâmicas,
mas não ter pisado no solo da única democracia
do Oriente Médio: Israel. A petralhada, claro,
acusou-me de estar ideologizando uma questão
que seria puramente comercial: o Apedeuta seria só
o nosso mascate, vendendo o Brasil para o mundo. Conversa!
A aproximação do governo brasileiro com
ditaduras islâmicas era só parte da dita
genial estratégia do Itamaraty de afastar o Brasil
de um suposto alinhamento automático com os EUA.
Afirmo que os desastres da política externa petista
são, com efeito, um sucesso... Até entre
jornalistas!
Esse Itamaraty que se vê tão severo com
Israel, apelando aos mais altos interesses humanitários,
votou, na ONU, contra a censura ao governo do Sudão.
Milícias apoiadas por um facínora mataram,
naquele país, mais de 300 mil pessoas. Há
pelo menos 3 milhões de refugiados. O Brasil
estava de olho no apoio de mais um gorila à sua
pretensão de ampliar e integrar o Conselho de
Segurança das Nações Unidas. Nada
a estranhar. Repete-se a mesma retórica empregada
contra o governo constitucional da Colômbia. Quando
se refere às Farc, o governo Lula fala no fim
das hostilidades e na necessidade do entendimento, igualando
os terroristas a um governo eleito democraticamente.
O Itamaraty nunca desceu tanto. E tudo indica que ainda
não atingiu o fundo do poço.
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
As
barbaridades sobre Gaza
Sérgio
Malbergier, editor do caderno Dinheiro
da Folha de São Paulo. Foi editor do caderno
Mundo
e enviado especial a países como Iraque, Israel
e Venezuela
A
brutal ofensiva de Israel contra os ataques do grupo
extremista islâmico palestino Hamas na faixa de
Gaza excita comentaristas de várias especialidades
a expor seus pensamentos sobre o complexo conflito árabe-israelense.
É um festival de crimes contra a história,
a razão e, muitas vezes, contra os cerca de 14
milhões de judeus no mundo. As barbaridades mais
ofensivas, e por isso disparadas com mais gana, são
as indignas comparações com o nazismo
e com o os guetos onde os nazistas e seus muitos colaboradores
europeus confinavam os judeus da Europa antes de exterminá-los.
Conheço bem essa história. Os irmãos
e os pais de meus avós poloneses foram aniquilados
no gueto de Cracóvia, no sul da Polônia.
Ao contrário do Hamas, eles nunca lançaram
nem sequer pensaram em lançar foguetes contra
cidades polonesas ou alemãs, nunca quiseram exterminar
poloneses ou alemães, nunca doutrinaram suas
crianças no ódio antipolonês ou
antialemão.
Mas mesmo assim abundam pelo mundo, e na mídia
brasileira, autoproclamados 'humanistas' que veem na
ação do Exército israelense traços
das ações nazistas, um artifício
imoral que minimiza a barbárie nazista e maximiza
a ação israelense. Abundam ainda aqueles
que, como os nazistas, se dedicam à desumanização
dos judeus israelenses, que querem transformá-los
em lobos atrás do sangue das crianças
palestinas, em pessoas sem alma que querem destruir
Gaza pelo prazer de matar palestinos. Um chegou a escrever
com impunidade que a metade dos israelenses que não
apoia a ação de seu Exército em
Gaza (na verdade o apoio à ação
na pesquisa citada é maior do que 50%) "é
a parte da humanidade no Estado de Israel". O 'humanista'
colocou na coluna dos não-humanos mais da metade
dos israelenses, então vamos chamá-lo
só de meio-nazista, já que para a ideologia
hitlerista nenhum judeu era humano. O mesmo híbrido
("humanista" e meio-nazista) escreve ainda
que o Estado de Israel foi "instituído por
não-judeus" e é fruto do "humanitarismo
que proporcionou a criação" do Estado
judeu. O Estado de Israel é na verdade resultado
da barbárie nazista, o oposto do tal 'humanitarismo'.
O nazismo e seus voluntariosos colaboradores europeus
expuseram a necessidade básica de se criar um
Estado judeu como forma de evitar novas tentativas de
extermínio. E o Estado judeu não foi uma
mera concessão da atrasada consciência
culpada do mundo, que nada fez para impedir os campos
de extermínio nazistas apesar das evidências
claras do que acontecia na Europa. Ele nasceu dos esforços
das lideranças judaicas muito anteriores à
Segunda Guerra (porque a ligação dos judeus
com Israel é milenar e o antissemitismo genocida
é um mal pré-nazista), que promoviam a
imigração clandestina à Palestina
britânica apesar de ela ser proibida por Londres,
inclusive durante o extermínio nazista.
Há ainda teses novas, como a de que os israelenses
suportam a ofensiva porque vivem sob a censura de seus
meios de comunicação, que os impede de
tomar conhecimento do que se passa em Gaza, quando as
TVs e os jornais do país estão cheios
de relatos e imagens das lamentáveis mortes de
civis palestinos durante o bombardeio e a invasão
de Gaza e milhares de israelenses saem às ruas
para protestar contra ela. E o que os supostos 'humanistas'
que desumanizam os israelenses têm a dizer sobre
o islamofascimo niilista e antissemita em marcha acelerada
pelos países do Oriente Médio? O que disseram
quando o Hamas lançava dezenas de foguetes diariamente
contra a população civil de Israel, buscando
e provocando a reação israelense? O que
disseram quando o presidente do Irã, já
convidado a visitar o Brasil pela ativa Chancelaria
brasileira, ameaçou 'varrer Israel do mapa' e
busca ativamente, com pouca resistência global,
uma bomba atômica para poder realizar seu desejo
manifesto? Nada.
Devem achar que a maioria dos israelenses, não
sendo humana, não merece seu "humanismo".
A desumanização de Israel em curso em
alguns setores do planeta é um dos maiores equívocos
contemporâneos, fruto do antissemitismo, da ingenuidade
e da ignorância. Até as pedras dos cemitérios
da Palestina e de Israel sabem que a única saída
para o trágico conflito árabe-israelense
é a criação de um Estado palestino
viável que viva em paz e segurança ao
lado do Estado de Israel. Sucessivas eleições
em Israel elegeram maiorias que buscavam justamente
esse objetivo de dois Estados. Inclusive o governo atual,
cuja principal bandeira era a retirada das tropas e
colônias israelenses dos territórios palestinos.
A primeira ação nesse sentido foi a retirada
total de Gaza, que se transformou em campo de lançamento
de foguetes contra a população civil do
sul de Israel, como a linha dura israelense, na oposição,
previu que aconteceria. A disposição de
Israel para novas retiradas está mortalmente
abalada. Vai depender muito do resultado da ofensiva
atual.
Quando as armas se calarem, e esperemos que se calem
o quanto antes, os terroristas do Hamas, e seus patronos
na Síria e no Irã que guiam suas ações,
clamarão vitória (assim como seu irmão
mais velho, o Hizbollah, clamou vitória sobre
os cadáveres de mil libaneses e o escombro de
suas casas!). É uma ideologia niilista, um culto
da morte, onde morrer é vencer. Assim, terroristas
do Hamas disparam foguetes contra Israel cercados de
mulheres e crianças, do meio de cidades super
povoadas, torcendo para que um míssil israelense
aniquile essas mulheres e crianças, cujos cadáveres,
expostos quase como prêmios, são uma de
suas maiores "vitórias" pois convencem
alguns "humanistas" de plantão que
os israelenses não são humanos. E serão
os "humanistas" de plantão os primeiros
a decretar a derrota de Israel e a vitória do
islamofascismo, como aquela infame manifestação
esquerdista em Londres com os cartazes "somos todos
Hizbollah". Espera-se que os humanistas sem aspas
pensem diferente e coloquem a derrota dos objetivos
do Hamas como a única saída possível
dessa guerra. E ela não precisa vir das bombas
de Israel, mas de negociações internacionais
para um novo arranjo em Gaza que anule a capacidade
do Hamas de levar o povo que diz defender a novas tragédias
lamentáveis.
P.S: Embora seja óbvio, mas para não ser
declarado um não-humano impunemente nas páginas
dos jornais, vai aqui um esclarecimento: eu, como a
esmagadora maioria dos israelenses, sou pela paz e contra
a morte de civis inocentes em qualquer parte do mundo.
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
Resolvendo
o "Problema palestino"
Daniel
Pipes, do Jerusalem Post
A
guerra de Israel contra o Hamas expõe o velho
dilema: O que fazer a respeito dos palestinos? Os países
ocidentais, inclusive Israel, precisam estabelecer metas
para equacionar suas posições em relação
à Cisjordânia e Gaza. Primeiro vamos revisar
o que nós sabemos que não funciona e que
não pode funcionar:
Controle israelense. Nenhum dos lados deseja que a situação
que se iniciou em 1967 continue, quando as Forças
de Defesa de Israel tomaram controle de uma população
que é religiosa, cultural, econômica e
politicamente diferente e hostil.
Um estado palestino. Em 1993 os Acordos de Oslo iniciaram
este processo, mas uma fermentação tóxica
de anarquia, extremismo ideológico, anti-semitismo,
jihadismo e despotismo levaram a um completo fracasso
palestino.
Um estado bi-national: Dada a antipatia mútua
das duas populações, a chance de uma combinação
Israel-Palestina (o que Muammar al-Qaddafi chama "Israstina")
é tão absurda quanto parece.
Excluindo estas três possibilidades resta só
uma abordagem prática que funcionou toleravelmente
bem no período 1948-67:
Governo compartilhado jordaniano-egípcio: Amã
rege a Cisjordânia e Cairo governa Gaza. Com certeza,
esta abordagem de de-volta-para-o-futuro inspira pouco
entusiasmo. Não só era o governo jordaniano-egípcio
medíocre, mas ressuscitar este arranjo frustrará
os impulsos palestinos, sejam eles nacionalistas ou
islâmicos. Além disso, Cairo nunca quis
Gaza e tem rejeitado veementemente seu retorno. Conseqüentemente,
um analista acadêmico rejeita esta idéia
como "uma fantasia evasiva que só pode obscurecer
as reais e difíceis opções".
Não é. Os fracassos de Yasir Arafat e
Mahmoud Abbas, da Autoridade Palestina e o "processo
de paz", motivaram o repensar em Amã e Jerusalém.
Realmente, Ilene R. Prusher do Christian Science Monitor
já achava em 2007 que a idéia de uma confederação
Cisjordânia-Jordânia "parece estar
ganhando força em ambos os lados do Rio Jordão".
O governo jordaniano que entusiasticamente anexou a
Cisjordânia em 1950 e só abandonou suas
reivindicações sob coação
em 1988, dá sinais de querer voltar. Dan Diker
e Pinchas Inbari documentaram para o Middle East Quarterly
em 2006 como o "fracasso da AP de impor seu controle
e se tornar uma entidade politicamente viável
fez com que Amã reconsiderasse se uma estratégia
de não intervenção para com a Cisjordânia
estivesse em seus melhores interesses". As autoridades
israelenses também têm se mostrado abertas
a esta idéia, ocasionalmente pedindo a entrada
de tropas Jordanianas na Cisjordânia.
Desesperados com o auto-governo, alguns palestinos dão
boas-vindas à opção jordaniana.
Um funcionário público sênior não
identificado da AP disse a Diker e a Inbari que uma
forma de federação ou confederação
com a Jordânia oferece "a única solução
razoável, estável, a longo prazo ao conflito
palestino-israelense". Hanna Seniora opinou que
"As atuais debilitadas chances para uma solução
de dois estados nos força a revisitar a possibilidade
de uma confederação com a Jordânia".
Hassan M. Fattah do New York Times cita um palestino
na Jordânia: "Tudo foi arruinado para nós
- nós temos combatido durante 60 anos e
não sobrou nada. Seria melhor se a Jordânia
governasse as coisas na Palestina, se o Rei Abdullah
pudesse tomar o controle da Cisjordânia".
Isto não é só conversa: Diker e
Inbari relatam que negociações secretas
da AP-Jordânia em 2003-04 "resultaram em
princípio em um acordo para enviar 30.000 membros
da Força Badr para a Cisjordânia".
E enquanto o presidente Hosni Mubarak do Egito anunciou
a um ano que "Gaza não é parte do
Egito, nem nunca o será", dificilmente será
sua última palavra. Primeiro, não obstante
Mubarak, os egípcios de forma preponderante querem
um forte vínculo com Gaza; o Hamas concorda;
e os líderes israelenses às vezes concordam.
Assim a base para uma revisão geral de política
existe.
Em segundo lugar, Gaza é comprovadamente mais
parte do Egito que da "Palestina". Durante
a maior parte do período islâmico, ela
era controlada por Cairo ou fazia parte administrativamente
do Egito. O árabe coloquial dos habitantes de
Gaza é idêntico ao que os egípcios
que vivem no Sinai falam. Economicamente, Gaza tem a
maioria das suas conexões com o Egito. O próprio
Hamas deriva da Irmandade Muçulmana, uma organização
egípcia. É hora de pensar nos habitantes
de Gaza como sendo egípcios?
Em terceiro lugar, Jerusalém poderia sobrepujar
Mubarak. Seria anunciar uma data em que iria parar com
o abastecimento de toda a água, eletricidade,
comida, medicamentos e outras transações,
e mais, aceitar a vantagem da aprimorada segurança
egípcia em Gaza, Cairo teria de se responsabilizar
por Gaza. Entre outras vantagens, isto o faria responsável
pela segurança de Gaza, finalmente pondo um fim
a agressões com milhares de foguetes e de morteiros
do Hamas. A opção Jordânia-Egito
não causa interesse, mas ela pode ter seu valor.
Oferece uma maneira exclusivamente sóbria de
resolver o "problema palestino".
Tradução:
Joseph Skilnik
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
A
vulnerabilidade de Israel
Mary
Dejevsky, colunista e editora do jornal The Independent
Antes
que você se apresse a considerar iníquos
os letais ataques aéreos israelenses contra a
faixa de Gaza, seria bom que respondesse a uma pergunta:
você já foi a Israel? Se foi, você
talvez compreenda o quanto o país é pequeno
e desprovido de defesas naturais. Você teria percebido
que, do norte, sul e leste, Israel está vulnerável
ao assédio daqueles que controlam o terreno dominante
e as rotas de fuga. E perceberia quanto medo os israelenses
ainda sentem, mesmo passadas três gerações,
de que bastariam algumas horas de ofensiva para arremessá-los
todos ao mar. E acrescento uma segunda questão.
No fundo, você acredita que o Estado de Israel
tem direito a existir ou sente que o mundo seria um
lugar mais simples e harmonioso caso as potências
vitoriosas na II Guerra Mundial tivessem encontrado
outra maneira de purgar suas culpas sem que isso tornasse
necessário aceitar a criação de
uma pátria judaica no território da Palestina,
até então sob mandato britânico?
Bem, eu estive em Israel, percorri o país de
um lado a outro em momentos mais pacíficos; conversei
com líderes nacionais e com o povo. Minha impressão
dominante não é a de instintos belicosos,
mas a de insegurança. Você talvez desdenhe
como paranóicas as preocupações
de um país desenvolvido que neste ano dedicou
16% de seu orçamento à defesa, tem os
EUA como protetor e desenvolveu armas nucleares. Mas
é seu dever perguntar o que veio primeiro: o
medo da aniquilação ou o desenvolvimento
de uma capacidade militar capaz de preveni-la? Quanto
ao direito de Israel a existir, eu questiono a sabedoria,
e muito mais a justiça, de instalar um novo Estado
em terra sobre a qual outro povo alega direitos. Um
país estabelecido artificialmente, sem levar
em consideração defesas naturais e que
não foi libertado por sua própria força,
certamente será não apenas vulnerável
como uma fonte de fricção enquanto persistirem
as memórias populares.
Essa desaprovação inerente talvez explique
a tendência de boa parte do mundo ocidental a
culpar Israel quase que antes de o país fazer
qualquer coisa. Tanto no caso da ferozmente condenada
invasão israelense ao Líbano, dois anos
atrás, quanto agora nos ataques aéreos
a Gaza, porém, os mesmos dois fatores precisam
ser considerados: por um lado, a sensação
continuada de insegurança entre os israelenses;
por outro, o direito internacionalmente reconhecido
do país a existir. O ponto é que, tendo
endossado a criação de Israel, as Nações
Unidas têm a obrigação de garantir
que sua existência continuada seja possível.
Vezes sem conta, porém, toda espécie de
garantia internacional se provou inadequada. Israel
não demorou a aprender que teria de tomar conta
de si mesmo.
É um paradoxo que um dos mais vulneráveis
Estados do Oriente Médio tenha, assim, ganho
reputação de agressor e de adepto da intimidação.
E os inimigos de Israel tampouco se abstiveram de explorar
alguns aspectos dessa vulnerabilidade. A guerra do Yom
Kipur, em 1973, recebeu este nome porque Egito e Síria
lançaram seu ataque em um dos mais sagrados feriados
judaicos. Todos os tratados de paz que Israel conseguiu
negociar com seus inimigos, até o momento, foram
obtidos de uma posição de força
militar, ao menos aos olhos de um observador israelense.
A retirada das forças israelenses de Gaza, na
metade de 2005, foi um raro episódio em que Israel
aceitou um risco como primeiro estágio de um
programa de retiradas de territórios ocupados
adotado, sob considerável risco político,
pelo então premiê Ariel Sharon.
A aposta israelense era a de que, se deixada no controle,
a Autoridade Palestina se provaria capaz de impedir
ataques com foguetes ou de outra espécie contra
Israel. A aposta não deu resultado. A Autoridade
Palestina, apesar de seus melhores esforços,
não conseguiu manter o controle sobre os extremistas.
Uma eleição foi realizada e vencida pelo
Hamas. Impedido de assumir, ou até mesmo compartilhar,
o poder na Autoridade Palestina como um todo, o Hamas
tomou o poder em Gaza. Os ataques esporádicos
com foguetes contra o território israelense foram
ganhando intensidade. No começo deste mês,
o Hamas anunciou que não renovaria um cessar-fogo
assinado seis meses atrás. Depois de novos ataques
com foguetes, Israel, que está em meio a uma
campanha eleitoral disputada, decidiu recorrer à
força. Uma vez mais, os palestinos de Gaza transformaram
em símbolo de honra a sua posição
de vítimas.
Seria razoável perguntar de que maneira as coisas
poderiam ter transcorrido, diante de algumas mudanças.
Caso os EUA e Israel tivessem reconhecido a vitória
eleitoral do Hamas; caso o acordo de divisão
de poder entre Hamas e Fatah tivesse dado certo; caso
Israel não tivesse fechado os pontos de entrada
em Gaza. Mas as coisas não transcorreram assim.
Agora, como na guerra do Líbano, os críticos
de Israel acusam o país de ter usado força
"desproporcional" em Gaza; "proporcional",
presumivelmente, seria arremessar alguns foguetes contra
áreas civis de Gaza de maneira aleatória.
Israel poderia retorquir, e não sem razão,
que, se o Hamas deseja guerra, terá guerra: os
israelenses estão sempre dispostos a combater
por sua futura segurança. O que esses mesmos
críticos ocidentais deveriam estar se perguntando,
no entanto, é por que os israelenses se sentem
ameaçados a ponto de recorrer à força,
sabendo muito bem que isso valerá opróbrio
internacional ao país.
A resposta é que, se, no passado, o mundo externo
tivesse se disposto a garantir a segurança israelense,
então nem Israel nem os palestinos de Gaza teriam
precisado recorrer à violência neste final
de ano. Os excessos em Gaza são conseqüência
de um fracasso muito anterior: o fracasso quanto a impor
as leis internacionais e garantir verdadeiramente o
direito de Israel a existir.
Publicado
no jornal Folha de São Paulo
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
Ação
militar israelense é legítima
Alan
Dershowitz, advogado, jurista e professor da Universidade
Harvard
A
ação militar israelense em Gaza é
totalmente justificada de acordo com o direito internacional,
e Israel deveria ser elogiado por seus atos de defesa
contra o terrorismo internacional. O Artigo 51 da Carta
da ONU reserva às nações o direito
de agir em defesa própria contra ataques armados.
A única limitação é a obediência
ao princípio de proporcionalidade. As ações
de Israel certamente atendem a esse princípio.
Quando Barack Obama visitou a cidade de Sderot no ano
passado viu as mesmas coisas que eu vi em minha visita
de março. Nos últimos quatro anos, terroristas
palestinos dispararam mais de 2 mil foguetes contra
essa área civil, na qual moram, na maior parte,
pessoas pobres e trabalhadores. Os foguetes destinam-se
a fazer o máximo de vítimas civis. Alguns
por pouco não acertaram pátios de escolas,
creches e hospitais, mas outros atingiram seus alvos,
matando mais de uma dúzia de civis desde 2001.
Esses foguetes lançados contra alvos civis também
feriram e traumatizaram inúmeras crianças.
Os habitantes de Sderot têm 15 segundos, desde
o lançamento de um foguete, para correrem até
um abrigo. A regra é que todo mundo esteja sempre
a 15 segundos de um abrigo. Os abrigos estão
em toda parte, mas idosos e pessoas com deficiências
muitas vezes têm dificuldade para se proteger.
Além disso, o sistema de alarme nem sempre funciona.
Disparar foguetes contra áreas densamente povoadas
é a tática mais recente na guerra entre
os terroristas que gostam da morte e as democracias
que amam a vida. Os terroristas aprenderam a explorar
a moralidade das democracias contra os que não
querem matar civis, até mesmo civis inimigos.
Em um incidente recente, a inteligência israelense
soube que uma casa particular estava sendo usada para
a produção de foguetes. Tratava-se evidentemente
de alvo militar. Mas na casa morava também uma
família. Os militares israelenses telefonaram,
então, para o proprietário da casa para
informá-lo de que ela constituía um alvo
militar e deram-lhe 30 minutos para que a família
saísse. O proprietário chamou o Hamas,
que imediatamente mandou dezenas de mães com
crianças no colo ocupar o telhado da casa. Nos
últimos meses, vigorou um frágil cessar-fogo
mediado pelo Egito. O Hamas concordou em parar com os
foguetes e Israel aceitou suspender as ações
militares contra os terroristas. Era um cessar-fogo
dúbio e legalmente assimétrico. Na realidade,
era como se Israel dissesse ao Hamas: se vocês
pararem com seus crimes de guerra matando civis inocentes,
nós suspenderemos todas as ações
militares legítimas e deixaremos de matar seus
terroristas. Durante o cessar-fogo, Israel reservou-se
o direito de empreender ações de autodefesa,
como atacar terroristas que disparassem foguetes.
Pouco antes do início das hostilidades, Israel
apresentou ao Hamas um incentivo e uma punição.
Israel reabriu os postos de controle que haviam sido
fechados depois que Gaza começou a lançar
os foguetes, para permitir a entrada da ajuda humanitária.
Mas o primeiro-ministro de Israel também fez
uma última e dura advertência ao Hamas:
se não parasse com os foguetes, haveria uma resposta
militar em escala total. Os foguetes do Hamas não
pararam, e Israel manteve sua palavra, deflagrando um
ataque aéreo cuidadosamente preparado contra
alvos do Hamas. Houve duas reações internacionais
diferentes e equivocadas à ação
militar israelense. Como era previsível, Irã,
Hamas e outros que costumam atacar Israel argumentaram
que os ataques do Hamas contra civis israelenses são
totalmente legítimos e os contra-ataques israelenses
são crimes de guerra. Igualmente prevista foi
a resposta da ONU, da União Européia,
da Rússia e de outros países que, quando
se trata de Israel, veem uma equivalência moral
e legítima entre os terroristas que atingem civis
e uma democracia que responde alvejando terroristas.
A mais perigosa dessas duas respostas não é
o absurdo alegado por Irã e Hamas, em grande
parte ignorado pelas pessoas racionais, e sim a resposta
da ONU e da União Européia, que coloca
em pé de igualdade o assassinato premeditado
de civis e a legítima defesa. Essa falsa equivalência
moral só encoraja os terroristas a persistir
em suas ações ilegítimas contra
a população civil. Alguns afirmam que
Israel violou o princípio da proporcionalidade
matando um número muito maior de terroristas
do Hamas do que o de civis israelenses vitimados. Mas
esse é um emprego equivocado do conceito de proporcionalidade,
pelo menos por duas razões. Em primeiro lugar,
não há equivalência legal entre
a matança deliberada de civis inocentes e a matança
deliberada de combatentes do Hamas. Segundo as leis
da guerra, para impedir a morte de um único civil,
é permitido eliminar qualquer número de
combatentes. Em segundo lugar, a proporcionalidade não
pode ser medida pelo número de civis mortos,
mas pelo risco de morte de civis e pelas intenções
dos que têm em sua mira esses civis. O Hamas procura
matar o maior número possível de civis
e aponta seus foguetes na direção de escolas,
hospitais, playgrounds. O fato de que não tenha
eliminado tantos quanto gostaria deve-se à enorme
quantidade de recursos que Israel destinou para construir
abrigos e sistemas de alarme. O Hamas recusa-se a construir
abrigos, exatamente porque quer que Israel mate o maior
número possível de civis palestinos, ainda
que inadvertidamente.
Enquanto ONU e o restante da comunidade internacional
não reconhecerem que o Hamas está cometendo
três crimes de guerra - disparando contra civis
israelenses, usando civis como escudos e buscando a
destruição de um país membro da
ONU - e Israel age em legítima defesa e por necessidade
militar, o conflito continuará. Se Israel conseguir
destruir a organização terrorista Hamas,
poderá lançar os alicerces de uma verdadeira
paz com a Autoridade Palestina. Mas se o Hamas se obstinar
a tomar como alvo cidadãos israelenses, Israel
não terá outra opção senão
persistir em suas operações de defesa.
Nenhuma outra democracia do mundo agiria de maneira
diferente.
Publicado
no jornal "O Estado de São Paulo"
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
A
solução de Gaza está nas mãos
dos palestinos
Tawfik
Hamid, escritor e médico muçulmano
Depois
de Israel lançou sua ofensiva militar contra
Hamas, em instalações militares em Gaza,
em resposta aos repetidos ataques a civis israelenses,
as ruas árabes não perderam tempo e demonstraram
com paixão sua oposição a Israel.
Na Europa, muitos ocidentais também tomaram parte
no protesto. Como um muçulmano egípcio,
agora vivendo na América, eu me pergunto porquê
a rua árabe e seus apoiadores no Ocidente nunca
mostram igualmente forte resposta contra terroristas
islâmicos que almejam civis inocentes mundo afora,
explodem mercados inteiros, com civis de origem predominantemente
muçulmana no Iraque, Paquistão, Sudão,
Turquia etc. Quando você considerar que os ataques
israelenses mataram cerca de 400 pessoas, maioria militante
do Hamas, nos primeiros quatro dias, a atitude passiva
do mundo muçulmano contra os terroristas representa
extrema hipocrisia. Se eles realmente se importam com
as vidas de muçulmanos, deveriam ter demonstrado
nos mesmos números e com igual veemência
contra os islamistas que assassinaram centenas de milhares
de seus concidadãos muçulmanos, para não
mencionar o Hamas que abate membros do rival Fatah -
mulheres e crianças incluídos.
Outra questão é porque não vimos
uma semelhante forte reação contra os
terroristas que praticaram o mais recente atentado em
Mumbai. Muitos indianos, ocidentais e judeus foram mortos.
Mas não houve erupção espontânea
e demonstrações de indignação
na Europa, para denunciar os ataques, como no caso de
Gaza. São essas vidas menos importantes do que
os dos palestinos? Onde está a o furor público
organizado contra a matança lasciva de indianos
e judeus? Assistimos à queima de igrejas no Iraque,
no mãos dos jihadistas. Sabemos também
que milhares de cristãos iraquianos fugiram porque
os islamistas impõe sobre eles o tradicional
Shari'a escolha para os não-muçulmanos:
converter-se ao Islã, paguem um imposto humilhante
(jizzia), ou serem mortos. No entanto, não ouvimos
qualquer coisa a partir das ruas árabes ou de
seus apoiantes. Só silêncio petrificante.
As vidas palestinas valem mais do que as dos cristãos
no Iraque?
Uma mentalidade tribal ainda governa o mundo muçulmano
e não há qualquer vontade de demonstrar-se
contra concidadãos muçulmanos, mesmo contra
aqueles que tenham cometido grandes crimes contra outros
muçulmanos. E a Europa é demasiado evisceradas
para vir ao auxílio de vítimas cristãs
dos "anti-infiéis". Depois, há
velho anti-semitismo. É tão fácil
demonstrar-se contra os judeus ou Israel e extremamente
rara ver demonstrações de apoio às
vítimas judaicas, tais como o altruísta
rabino e sua esposa, que foram selecionados para a uma
tortura especial em Mumbai, pelos islamistas. Ele faz
o "impulso" europeu de boa consciência
apontar um dedo contra a suposta "agressão"
de Israel para ajudar a minorar alguns dos suas próprias
culpas remanescentes. O mundo muçulmano e os
europeus que apóiam as manifestações
contra Israel deve parar a tendenciosa reação,
que cega e reflexamente apóia a palestinos e
criminaliza Israel. Aqueles que se demonstrarem contra
a campanha militar em Gaza devem perceber que se o Hamas
tivesse parado de atacar Israel com seus foguetes, Israel
não teria lançado o seu ataque. Se os
palestinos tivesses se focado na construção
de sua sociedade e não em destruir os outros,
toda a região iria desfrutar da paz e prosperar.
Caso os palestinos reconheçam o direito de Israel
a existir, finalizar o terrorismo contra os judeus e
nutrir um sincero desejo de viver em paz, eles terminariam
o seu sofrimento. A solução agora está
simplesmente nas mãos dos palestinos - não
dos israelenses.
Traduzido
por Rogério Palmeira
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
Começa
a operação “Cast Lead” em
Gaza
Tova
Ben-Dov presidente da Wizo Mundial
‘Um
Pião de Chumbo eu lhe darei’, são
as palavras da clássica canção
de Chanuká mais uma vez ecoada por todo o país
enquanto cada família acende velas, crianças
animadamente abrem os seus presentes e cantam canções
familiares. Agora, entretanto, aquelas palavras têm
outra conotação. Milhares de crianças
no sul do país passaram os feriados de Chanuká
nos abrigos enquanto o Hamas fazia chover mísseis
Kassam e projéteis Grad na área em torno
de Gaza. Ontem, sétimo dia de Chanuká,
as Forças de Defesa de Israel (IDF) iniciaram
uma operação para deter os morteiros lançados
de Gaza, denominada Operação Pião
de Chumbo (Operation Cast Lead). Fizemos todo o possível
para preservar o ‘pseudo cessar-fogo’ com
o Hamas, que esteve instituído nos últimos
seis meses, mas que se encontrava sob terror. Durante
anos ouvíamos o mundo nos pedir para ‘sermos
comedidos’. O que a moderação nos
trouxe? Oito anos de mães acordando pela manhã
e imaginando se ousariam levar seus filhos ao jardim
de infância? Fazendeiros acordando e se perguntando
se deveriam ir trabalhar nos campos? Pais indo ao trabalho
com a sensação de estarem abandonando
suas famílias ao perigo.
Será que a França, o Reino Unido, a Alemanha,
o Marrocos demonstrariam tal moderação?
Ou é um caso de duplo sentido. Espera-se que
nós, em Israel, procedamos como se estivéssemos
em um país do terceiro mundo... Somália,
Darfur, Timor Leste, com infindáveis lutas tribais
não levadas a sério pelo resto do mundo.
O mesmo duplo sentido existe quando permitimos que a
Cruz Vermelha visite os prisioneiros árabes em
Israel, certificando que eles estão com seus
‘direitos’ humanos plenamente respeitados,
enquanto que a ninguém foi permitido visitar
Gilad Shalit, para ver como ele está passando.
O lançamento acelerado dos mísseis Kassam
mirando Israel começou como uma maratona comemorativa
de grupos fundamentalistas armados, após a retirada
tanto das tropas como das famílias da Faixa de
Gaza, utilizando as ruínas dos assentamentos
como base para lançamento dos mísseis...
e mesmo assim ainda mostramos moderação.
Até quando estabelecemos um embargo econômico,
e sabendo que milhares de túneis foram construídos
para contornar o embargo, demonstramos moderação.
Toda a nossa moderação foi aceita com
desprezo e adicionais ataques. Nossa atitude moderada
foi interpretada como ‘Fraqueza'. Chegou a hora
de ‘mudar as regras do jogo’. Não
podemos mais ver as vidas dos habitantes de nossas cidades
do sul em pânico, eles também merecem tranqüilidade.
É dever de todo governo proteger seu povo...
e nós, judeus, não somos exceção.
Ao escrever estas palavras acabamos de receber uma circular
da Guarda Nacional com instruções, enquanto
a Operação Cast Lead continua.
As creches de segurança máxima podem permanecer
funcionando como normalmente, as creches desprotegidas
deverão permanecer fechadas, ou as crianças
terão de ser removidas para áreas seguras.
O staff das creches deverão ser expandidos, especialmente
onde haja bebês, para que eles possam ser conduzidos
em segurança.
Áreas a 10 quilômetros de Gaza, i.e. Hof
Ashkelon, Yad Mordechai, Sderot, Shaar Henegev e outros
assentamentos na área, terão 15 segundos
a partir da hora em que o alarme soar, até que
devam estar nos abrigos quando o míssil cair.
Áreas a 20 km de Gaza, i.e. Eshkol, Shaar HaNegev,
Lachish, Netivot e outros assentamentos na área,
terão 30 segundos a partir da hora do soar do
alarme até que estejam em abrigos quando os mísseis
caírem. Áreas a 30 km de Gaza, i.e., Ashdod,
Ofakim, Kiryat Malachi, Kiryat Gat, Nitzan, e outros
assentamentos na área, terão 45 segundos
a partir do soar do alarme até que estejam nos
abrigos quando os mísseis caírem. A difícil
situação econômica está prestes
a piorar uma vez que muitas mulheres não poderão
ir ao trabalho, os negócios irão falir
totalmente, e o nível de estresse da população
dará lugar a um medo mais arraigado. Nós,
na WIZO, como sempre, estamos de braços abertos
para ajudar a quem quer que precise, seja em nossas
instituições ou em qualquer outra forma
de assistência. Continuaremos monitorando a situação
e as manterei informadas. Enquanto isto, rezemos para
todos os nossos soldados, estejam eles em terra, no
ar ou no mar.
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
“O
Hamas insiste em um ponto único:
a destruição do Estado de Israel”
Claudio
Lottenberg, presidente da Confederação
Israelita do Brasil
A
Confederação Israelita do Brasil/CONIB
expressa sua mais alta preocupação com
os episódios ocorridos em Israel e na Faixa de
Gaza. Lamentavelmente, todo este fato retarda o processo
para a paz na região, o que só pode ser
conseguido mediante o desejo verdadeiro de diálogo
entre judeus e palestinos. Entretanto, há que
reconhecer também o direito do Estado de Israel
em legitimamente se defender de ataques terroristas
da milícia do Hamas. Desde 2005, Israel se retirou
de Gaza, dando autonomia completa à Autoridade
Palestina para que ali exercesse sua liderança.
O fato é que a partir de 2006, esta mesma Autoridade
Palestina foi expulsa progressivamente da região,
foi dominada pelo Hamas, definido tanto pela União
Européia, como pelos EUA, como um grupo terrorista
internacional. Para que o diálogo possa existir
entre Israel e o Hamas, três condições
são fundamentais: o reconhecimento pelo Hamas
do Estado de Israel, o compromisso de dar seguimento
a acordos previamente estabelecidos entre Israel e os
palestinos em gestões anteriores e o final da
violência. Em nenhum destes pontos houve qualquer
sinalização positiva. Muito pelo contrário,
pois o Hamas insiste num ponto único, a destruição
do Estado de Israel.
As últimas semanas foram marcadas por disparos
permanentes de morteiros e foguetes contra civis israelenses.
As tentativas de diálogo para que isso fosse
interrompido se revelaram absolutamente infrutíferas.
Frente a esta situação, Israel não
teria alternativa que não a de defender seus
cidadãos e exigir que seus vizinhos tenham um
comportamento de convívio adequado. Muitos argumentam
que existiriam alternativas não militares para
Gaza. De fato, concordamos com isto, desde que os próprios
palestinos que ali vivem decidam entre querer um convívio
de diálogo e de mútua aceitação
ou se preferem uma postura beligerante e extremista
como a do grupo terrorista Hamas, que prega a destruição
do Estado judeu. Desejamos que o diálogo seja
imediatamente restabelecido e a paz alcançada.
Entretanto, não podemos aceitar passivamente
que atitudes que preguem destruição de
um Estado, sejam elas menores ou maiores, continuem
a ser responsáveis pela morte de civis, como
vi acontecendo. Israel, assim como todas as nações,
tem absoluto direito de se defender.
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
Israelenses
e palestinos têm direito à Paz !
Abraham
Goldstein, co-presidente da B`nai B'rith do Brasil
A
B'nai B'rith do Brasil lamenta o sofrimento imposto
pelo grupo terrorista Hamas às populações
civis israelenses e palestinas. Também lamenta
a hipocrisia e unilateralidade dos que se beneficiam
do desconhecimento e dos interesses imediatos de alguns,
inclusive de governos, para fomentar a discórdia
e a desunião, prejudicando todo e qualquer esforço
de se conseguir uma paz justa, duradoura e respeitosa,
para todos. Israel retirou-se, em 2001, da Faixa de
Gaza na esperança de caminhar rumo à paz.
Ledo engano, Apenas em 2008, 3000 foguetes Quassam foram
disparados contra civis israelenses, a partir da Faixa
de Gaza, sob o comando da organização
terrorista Hamas. O Hamas foi escolhido em uma eleição
palestina realizada em um momento histórico de
muita confusão no emaranhado dos grupos de liderança
regional. Em vez de oferecer uma opção
de vida respeitosa aos seus eleitores, ofereceu o terror
e a dominação imposta pela interpretação
fundamentalista do Islã. Mais de 250 mil israelenses
– crianças, jovens, idosos, homens e mulheres
– vivem sob constante terror na região
próxima à Gaza, imposto pelas ações
do Hamas. São judeus, cristãos, árabes,
drusos, dia e noite sob a mira dos mísseis e
foguetes, que se tornam cada vez mais potentes, colocando
mais cidades e civis em risco. Israel não teve
escolha. Mais uma vez, teve que se empenhar numa guerra
para defender os seus cidadãos. Fato que todo
governo tem a responsabilidade de cumprir, ainda mais
sendo um país democrático e de plenos
poderes de cidadania ativos e presentes. Israel tem
o direito, o dever e a responsabilidade de defender
a sua população.
Todos os povos e cidadãos, inclusive palestinos
e israelenses, têm direito à paz! A situação
transcende as ações regionais, que são
foco da atenção dos governos, populações
e mídia. Há sim, no fundo da questão,
uma longa e importante luta pelo poder no mundo islâmico.
De um lado os governos sunitas: no Egito e Arábia
Saudita. De outro, os xiitas, do Irã e da Síria,
apoiando o Hamas e o Hezbollah. Os primeiros apóiam,
mesmo com as suas limitações e exigências,
a via da negociação e a busca da paz,
os segundos o uso da força e a destruição
de Israel, abrindo caminho para a imposição
do Islã, não só na região,
mas para todos os “infiéis” que eles
puderem subjugar. Gerações alimentadas
do ódio só levarão a mais violência.
É preciso que as pessoas sejam esclarecidas,
que os governos e a sociedade civil organizada que busca
a paz, prosperidade e harmonia entre todas as etnias,
religiões e culturas de nossa ampla diversidade,
sejam capazes e tenham coragem para dar um basta, diplomaticamente,
para todos, inclusive e especialmente às lideranças
fundamentalistas islâmicas, que, ao invés
de fomentar o ódio, a violência e todo
o tipo de manifestações. busquem promover
a educação para a democracia e cidadania,
com liberdade e responsabilidade. Só assim, teremos
um caminho que nos conduzirá ao Direito à
paz para todos, com a convivência fraternal e
harmoniosa entre os dois povos e os dois Estados: Israel
e Palestina.
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
A
Guerra da civilização contra a guerra
da barbárie
Herman
Glanz, presidente da Organização Sionista
do Brasil
A
guerra em Gaza é uma guerra contra a guerra,
isto deve ser esclarecido porque, como é colocada,
unilateralmente, Israel é que ataca e desperta
um antisemitismo extremo. Os aliados não atacaram
a Alemanha: foram à guerra contra a guerra do
nazismo alemão. Parece que as vidas de israelenses,
e judeus em geral, não contam, não valem
nada, ninguém se importa. O que vemos na mídia
é que Israel ataca, agride, emprega força
desproporcional, que Israel mata palestinos, mas nada
se diz quando palestinos nazifascistas do Hamas atiram
constantemente mísseis, obuses e morteiros, enviam
homens-bomba, franco-atiradores do terror, que a mídia
chama de militantes, matam israelenses, jogam pedras
em veículos civis que passam nas estradas. Não
se ouve uma única voz contra, tanto aqui como
lá fora. A vida de judeus não é
importante. A única mídia que colocou
a situação como deve é, paradoxalmente,
foi o Pravda, da Rússia. Vejam: não é
só a existência de Israel, são judeus
em geral, pelo mundo afora. Ninguém se importa
com o sofrimento dos judeus. O que é desproporcionalidade?
Israel deveria mandar 7.000 foguetes, além de
morteiros e obuses, sobre Gaza, como o Hamas já
mandou sobre Israel? Evidentemente a Cruz Vermelha Internacional
protestaria, pois atingiriam civis; mas a mesma Cruz
Vermelha não se manifestou uma única vez
contra os 7.000 foguetes e outros tantos obuses e morteiros
lançados sobre Israel. Curioso, não? Filme
da Força Aérea de Israel mostra o lançamento
de foguetes de escola das Nações Unidas,
em Gaza. Isso vai contra a Convenção de
Genebra, mas a Cruz Vermelha nada diz. As vidas de judeus
não contam. Não se trata apenas da existência
de Israel. Os terroristas do Hamas usam infraestrutura
civil, como hospitais, mesquitas, escolas e áreas
de organismos internacionais, como a ONU. Nenhum protesto
da Cruz Vermelha, Anistia Internacional, Human Rigths
Watch. As Nações Unidas não se
reuniram e condenaram o Hamas pelos foguetes, morteiros
e obuses sobre áreas civis de Israel, nem exigiram
cessar essa violação da Convenção
de Genebra.
Bernard Henri-Levy diz que a cabeça politicamente
correta das pessoas, incluída a esquerda, não
consegue ter pena de dois grupos ao mesmo tempo. Tendo
escolhido os palestinos como coitadinhos, não
sobra espaço para israelenses e judeus em geral.
Se escolhem os do Timor-Leste, não sobra espaço
para o genocídio de Darfur. E nos casos do Timor-Leste
e Darfur, a guerra é também feita pelo
islã, o que não se ouve de ninguém.
A campanha pela negação do Holocausto
serve para culpar os judeus pela exploração
do seu martírio, sobrepujando o martírio
dos outros e, ainda mais, serve para chamar os judeus
de mentirosos, safados e exploradores, pois mistificam
os fatos para levar vantagem. E dizem que essa exploração
do Holocausto serviu para construir Israel, que assim
fica deslegitimado. Mas Henri-Levy afirma que o Holocausto
é realmente diferente, não pode ser comparado
aos outros genocídios: no caso do Camboja os
atacados podiam fugir para outros lugares, o mesmo para
Darfur. Os judeus não tinham para onde fugir,
ninguém os aceitava.
O Estatuto do Hamas fala claramente contra judeus. Elogiam
os “Protocolos dos Sábios de Sião”
como verdadeira prova das más intenções
dos judeus. Figura claramente que Lions e Rotary são
instituições sionistas para dominar o
Islã, e que os judeus fizeram a Primeira Guerra
e a Segunda Guerra para dominar o mundo. Israel desocupou
completamente Gaza. O Hamas se elegeu e não buscou
desenvolve-la, trazer investimentos, criar empregos.
Contrabandeou armas para ir contra Israel. Estamos diante
do conflito de civilizações, se é
que podemos chamar de civilização a barbárie
que se volta contra os judeus e o mundo ocidental em
geral. Israel tem o direito e o dever de se defender
e não ser agredido permanentemente. Isso não
sai na mídia. Essa defesa está de acordo
com a Lei Internacional. A agressão a Israel
pelo Hamas, não é só contra Israel
– é contra os judeus e o Ocidente. Não
existe uma agressão israelense, é defesa
contra a barbárie, dentro da lei. Aí,
a propaganda, com a hedionda técnica goebbeliana,
contra-ataca com a desproporcionalidade. Mas o que começa
como um conflito localizado pode se espalhar se, por
exemplo, o Irã resolver entrar na guerra. Enquanto
não se eliminar a barbárie e ver a chegada
dos moderados, não haverá paz, especialmente
com um mundo intolerante, antissemita e bárbaro.
Mas a pressão internacional sobre Israel, e não
sobre o Hamas, pode fazer a guerra terminar, sem por
um fim ao conflito. E isso pode interessar ao atual
governo de Israel, que precisa de condições
para as eleições.
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
O
conflito dos dois certos
Caio
Blinder, jornalista
Afinal
qual é o objetivo de Israel na sua guerra contra
o Hamas? Restabelecer uma política de dissuasão,
acenando com mais destruição caso o adversário
continue a lançar foguetes é uma estratégia
urgente, mas não de longo alcance. O inimigo
se mostra disposto a absorver imensos sacrifícios,
o que infelizmente se estende à população
civil de Gaza. Este conceito militar de dissuasão
é insuficiente com um inimigo não convencional.
Gideon Lichfield, ex-correspondente da revista "The
Economist" em Jerusalém, escreveu no "New
York Times" que a política de dissuasão
de Israel deve ser mais pragmática, começando
com uma significativa melhoria das condições
de vida em Gaza, o que contribuiria para deter o Hamas,
pois um cenário econômico mais estável
faria a organização pensar duas vezes
antes de recorrer à violência para não
perder apoio popular. Um calma temporária já
seria um grande avanço.
Mas tal pragmatismo pode ser efetivo apenas a curto
prazo, pois não leva em conta legítimas
aspirações políticas da população.
Lichefield sugere que, a longo prazo, Israel precisará
aceitar que o Hamas não é um movimento
marginal (embora hoje atue como delinquente) que possa
ser desenraizado e destruído, na medida em que
é parte vital da sociedade palestina.
Não é uma opção fácil
e talvez nem viável, pois o Hamas pontifica a
destruição de Israel, mas mesmo setores
do establishment de segurança nacional em Israel
argumentam que um trégua que persista por décadas
quem sabe altere a maneira de pensar e agir do Hamas.
Divagar é preciso sobre a futilidade de uma lógica
puramente militar e defensiva. Sim, apesar da ladainha
daqueles que acham que o país tem propósitos
genocidas (na jogada rasteira de equiparar o sionismo
ao nazismo), a lógica de Israel é defensiva,
embora truculenta e com consequência medonhas,
como agora em Gaza. Mas viver em segurança significa
assumir riscos como quando Menachem Begin assinou o
tratado de paz com Anuar Sadat em 1979 ou Yitzhak Rabin
abandonou a relutância e apertou a mão
de Yasser Arafat em 1993. Claro que na ousadia houve
mão dupla.
A não ser que se viva em estado de negação
(negando o direito de existência de Israel ou
das legítimas aspirações palestinas),
os contornos de uma solução estão
aí: dois Estados coexistindo (o palestino deve
ser viável), Jerusalém como capital de
dois países, aceitação pelos palestinos
que os refugiados não poderão retornar
à terra de origem e desmantelamento das colônias
judaicas em território palestino.
Vale repetir o grande escritor israelense Amos Oz: é
conflito entre os dois certos. O resto, mais do que
destruição, é autodestruição.
Publicado
no Último Segundo
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
O
assessor que sabia javanês
Carlos
Brickmann, jornalista
Entre
as tradições da diplomacia brasileira,
há duas mais fortes do que todas as outras:
1 - O Itamaraty, nosso Ministério das Relações
Exteriores, é extremamente profissional e competente,
um celeiro de quadros de excelente qualidade para todas
as áreas do governo;
2 - Os curiosos que se arvoram em diplomatas sempre
dão errado, mesmo quando assumem com a fama de
gênios. São como "O Homem que Sabia
Javanês", de Lima Barreto: valem enquanto
não aparece ninguém que fale javanês
de verdade e fique demonstrado que não entendem
nada. A fauna de curiosos que atrapalharam a diplomacia
brasileira é rica. Envolve um ex--presidente
que, embaixador em Portugal, teve como principal feito
a construção de um galinheiro na residência
oficial, para fornecer-lhe a matéria-prima essencial
para o frango à mineira; e, transferido para
a Itália, morando no magnífico palácio
Doria Pamphili, não se sentia bem e passou a
maior parte do tempo no Brasil. Houve um general de
pijama, que fez parte da Junta Militar de 1969 (aquela
que o deputado Ulysses Guimarães imortalizou
com o nome de "Os Três Patetas"), que
foi embaixador em Paris. Outro general, chefe dos subterrâneos
das informações, virou embaixador em Lisboa
-obrigado, Portugal, pela paciência que teve conosco!
Apoiar a eleição de Evo Morales, que logo
depois de tomar posse ocuparia militarmente as instalações
da Petrobras? Apoiar a eleição de Rafael
Correa, cujo maior sonho é não pagar o
que deve ao Brasil? Ficar ao lado dos narcoterroristas
das Farc, que a Colômbia atacou em território
equatoriano? Tentar importar para nosso país
a luta entre israelenses e palestinos -justo aqui, onde
árabes e judeus convivem bem entre si, brasileiros
que são? Intervir na política interna
de um país vizinho, fornecendo gasolina para
que o presidente venezuelano Hugo Chávez pudesse
derrotar os grevistas da Petroleos de Venezuela e apoiando
sua polêmica decisão de fechar a TV oposicionista?
Vestir-se com roupas de colonizador inglês na
Índia para esperar, na selva colombiana, uma
libertação de reféns que não
ocorreu? Nada disso é Itamaraty: nossos diplomatas
não fazem papel ridículo. Tudo isso é
Marco Aurélio Garcia, o estranho especialista
em política latino-americana que jamais escreveu
nenhuma obra sobre o assunto, mas conseguiu se transformar
em conselheiro do presidente Lula. Garcia, é
bom que se recorde, não se limita às atividades
paradiplomáticas: foi também aquele que
fez o famoso "top, top", o obsceno "top,
top" para comemorar o fato de que não era
o governo o responsável pelo acidente da TAM
que matou 199 pessoas -isso enquanto o país,
de luto, não tinha como aceitar nenhuma comemoração.
E é Marco Aurélio Garcia que, tomando
partido numa luta com a qual o Brasil nada tem a ver,
dá total razão aos palestinos do Hamas.
A briga é deles, não nossa; mas Garcia
conseguiu convencer Lula de que o Brasil pode ter êxito
onde EUA, França, Rússia, Inglaterra e
ONU falharam.
O Brasil, como país neutro, como ponto de convergência
de árabes e judeus, poderia ter um papel importante
na busca da paz. Mas, tomando partido, perdeu quaisquer
condições de influir na região.
Há poucos dias, o presidente Lula afastou Marco
Aurélio Garcia da função de palpiteiro-mor
de política externa, mas o manteve como assessor.
Entretanto, sua influência sobre o presidente
é tamanha, ou foi tamanha, que as coisas que
diz são tomadas internacionalmente como o pensamento
de Lula. É ruim para o presidente, é ruim
para o Itamaraty, é pior para o Brasil. Talvez
a solução fosse enviá-lo para a
França, onde estudou, e onde estão os
trotskistas que, há 40 anos, influenciaram sua
cabeça stalinista. O ex-primeiro-ministro alemão
Konrad Adenauer tem uma frase clássica, que é
impossível não citar aqui: "O
bom Deus, que limitou a inteligência humana, bem
que poderia ter limitado também a estupidez".
Publicado
na Folha de São Paulo
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
Gaza:
hora de golpear o terrorismo
Gustavo
Ioschpe, mestre em desenvolvimento econômico
pela Universidade Yale, é articulista da revista
“Veja”
e foi colaborador da Folha de São Paulo
A
cobertura do conflito entre Israel e Hamas surpreende
pela omissão de dois fatos simples e indispensáveis.
Primeiro: Israel não ocupa Gaza desde 2005. Segundo:
o Hamas é uma organização terrorista.
Não são “milicianos”, “radicais”,
“fundamentalistas”. O que diferencia o Hamas
é o uso de métodos terroristas para alcançar
seus objetivos. Objetivos, aliás, públicos
e antigos: constam de sua carta de fundação,
de 1988, solenemente ignorada pela imprensa. Em seu
documento, o Hamas declara “trabalhar para impor
a palavra de Alá sobre cada centímetro
da Palestina” (art. 6º). Aqui, “Palestina”
é a histórica: território que hoje
inclui Israel, Gaza e Cisjordânia. Essa formulação
prega a destruição de Israel e a criação
de um Estado islâmico, governado pela sharia (a
lei muçulmana). No artigo 7º, o Hamas cita
“o profeta [Maomé]: “o julgamento
final não virá até que os muçulmanos
lutem contra os judeus e os matem’”. No
artigo 11, declara que a Palestina é um “Waqf”:
terra sagrada e inalienável para os muçulmanos
até o Dia da Ressurreição e que,
pela origem religiosa, não pode, no todo ou em
parte, ser negociada ou devolvida a ninguém.
Há outros trechos interessantes - o Hamas deixa
claro o papel dos intelectuais e das escolas, que é
de doutrinamento para a jihad; das mulheres (”fazedora
de homens” e administração do lar)
e até determina o que é arte islâmica
ou pagã -que permitem ao leitor antever o paraíso
de liberdade em que se tornaria a Palestina caso a sua
visão fosse concretizada. Também há
artigos em que o antissemitismo do grupo acusa a comunidade
judaica internacional de dominar a mídia e as
finanças internacionais e de ter causado a Segunda
Guerra Mundial, em que 6 milhões de judeus foram
assassinados.
O documento flerta tanto com o ridículo que ele
mesmo esclarece, no artigo 19, que “tudo isso
é totalmente sério e não é
piada, pois a nação comprometida com a
jihad não conhece a jocosidade”. Quanto
à seriedade do Hamas, não resta a menor
dúvida, e seria bom que a comunidade internacional
deixasse de tratá-los como pobres coitados e
os visse como o que são: genocidas que só
não implementam sua visão por inabilidade.
A realidade no Oriente Médio mudou, mas a imprensa
brasileira não se deu conta. Passou tanto tempo
atacando Israel por sua ocupação contra
os pobres palestinos que continuam a dirigir sua sanha
acusatória três anos depois do fim da ocupação.
Qual é a justificativa do Hamas para disparar
foguetes contra a população civil israelense?
Nenhuma. Para alguns, seria uma reclamação
contra o bloqueio da fronteira. Essa é uma maneira
totalmente ilegítima e inaceitável de
protestar. Para notar o absurdo, basta imaginar se o
Uruguai resolvesse lançar foguetes sobre a Argentina
quando esta bloqueou suas fronteiras por causa da “guerra
das papeleiras”. Pode-se realmente exigir de Israel
que abra suas fronteiras a uma organização
que deseja destruí-lo? Por que o Egito também
bloqueia sua fronteira com o Hamas (apesar de ninguém
protestar por isso)? Será por que o grupo usa
a fronteira para contrabandear armas?
Quaisquer que sejam as razões do Hamas para a
campanha de pirotecnia -campanha assustadora, que já
lançou mais de 3.500 foguetes contra Israel-,
nenhum Estado pode tolerar essa agressão contra
seus cidadãos. Comentaristas sugerem a resolução
do problema por vias pacíficas, mas ninguém
menciona exatamente como se daria a negociação,
já que o Hamas não reconhece a existência
de Israel. Aqueles que reconhecem o direito de resposta
de Israel o fazem com duas condicionantes: que a resposta
seja proporcional ao ataque e que civis não sejam
vitimados.
A exigência de proporcionalidade é uma
sandice. Levada ao pé da letra, significa pedir
que um Estado democrático constitucional lance
foguetes a esmo contra uma população civil
indefesa. Outra “saída” seria a morte
de mais soldados israelenses. Ou, melhor ainda, civis.
Ninguém menciona que, na Segunda Guerra, morreram
22 vezes mais civis alemães do que ingleses.
O dado é ignorado com razão. A contabilidade
é irrelevante. Hitler precisava ser derrotado.
É certo que a morte de qualquer civil é
uma tragédia. Uma vida é uma vida. Mas,
quando os acusadores se espantam que 20% ou 25% dos
mortos sejam civis, eu me espanto pelo contrário:
é preciso enorme controle e apreço pela
vida de inocentes para que, em uma região densamente
povoada e contra um inimigo que se esconde em regiões
urbanas, o índice de acerto seja de 75% a 80%.
Os membros do Hamas se escondem em áreas residenciais,
em prédios cheios de crianças. Agem de
tal maneira que, em seu confronto com as democracias
ocidentais, nós sempre saímos perdendo:
ou pagamos com as vidas de nossos civis ou com um pouco
da nossa civilidade.
Não há maneira militar de derrota-los
em definitivo. A melhor saída é drenar
o pântano: chegar a um Estado palestino com os
moderados do Fatah e investir para que o atraso econômico
e a sensação de derrota e humilhação
de muitos países árabes sejam amenizados.
Fazer com que o caminho da paz e da prosperidade seja
mais atraente que o terrorismo. Enquanto isso não
acontece, é preciso mão forte para combater
o terrorismo que já nos atinge. Ontem em Nova
York, hoje em Gaza, amanhã provavelmente em outras
capitais do mundo civilizado.
Publicado
na Folha de São Paulo
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
"Por
que o mundo ocidental não condena os aiatolás
iranianos e seu manda-chuva Ajmadinejad ?"
Luis
Milman, jornalista, filósofo e professor da pós-graduação
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Poucos
(e não me refiro apenas ao Brasil) possuem o
necessário discernimento para compreender o que
ocorre hoje no Oriente Médio. O pensamento medíocre
de nossos jornalistas, sociólogos, historiadores
e palpiteiros fabula uma mítica vitimização
dos palestinos e julga, a partir de falsas premissas,
que Israel é o país mais forte da região.
Erro crasso. É precisamente o contrário.
Israel é o único, por ser o mais vulnerável
dentre todos os países do planeta, que não
pode perder uma guerra. Por quê? Ora, porque a
derrota, para Israel, é o mesmo que a extinção.
Não é preciso fazer uma incursão
histórica ou sociológica muito profunda
para que se chegue a esta conclusão. Basta olhar
o Mapa Mundi e enxergar. Qual é o tamanho daquele
país? 20 mil quilômetros quadrados! Onde
ele está? Espremido entre o Mediterrâneo
e a Cisjordânia (sua fronteira oriental), o Líbano
e a Síria (sua fronteira setentrional), Gaza
e o Egito (sua fronteira sul). Entre Tel-Aviv e Ramalah,
a distância é de 60 quilômetros (quase
a mesma distância existente entre Porto Alegre
e Nova Hamburgo, no Rio Grande do Sul). Entre Jerusalém
e Belém, é de 3 quilômetros! Que
outro país do mundo pode se dizer viável,
do ponto de vista de sua segurança (e esta é
a questão existencial de Israel ao longo de todas
as guerras que lutou no século XX) com um território
destes? E com uma população de apenas
6 milhões de pessoas (incluindo 1 milhão
de árabes que se dizem palestinos)! Além
do mais, todas as suas fronteiras são hostis.
E Israel é que é forte? Bem, outro ponto.
Quando Hitler estava em seu bunker em Berlim, quando
a Alemanha já estava devastada e derrotada, quando
os russos já estavam na Polônia e os aliados
na fronteira sul da Alemanha, a máquina genocida
nazista continuava, em ritmo mais do que acelerado,
a matar judeus (milhares por dias) em vários
campos de extermínio. Por quê? Quem pode
responder? Quando a ONU anunciou, em 1948, a partilha
em dois estados - um árabe e outro judeu - no
que restara da antiga (antiga nos tempos modernos, sob
o mandato dos ingleses) Palestina (a maior parte, a
Transjordânia, havia sido entregue ao rei hashemita
Abdalah, pela Inglaterra, em 1922), por quê cinco
países árabes, além dos árabes
da Cisjordânia, não aceitaram a partilha
e invadiram o recém criado Estado de Israel?
Por quê? Por que Israel, depois de vencer a Guerra
de 1973 contra o Egito, a Síria, a Jordânia
e o Líbano, com o apoio de todo mundo árabe,
devolveu toda a Península do Sinai, que ele conquistara
na Guerra de 1967 (assim novamente estreitando sua profundidade
estratégica), em troca apenas de um tratado de
paz com o Egito? Que outro país do mundo faria
isto? Que outro país do mundo devolve território
conquistado depois de uma guerra defensiva? Por que,
em 1990, quando os EUA invadiram o Iraque de Sadam Hussein
pela primeira vez, o então tirano iraquiano lançou
dezenas e dezenas de mísseis de longo alcance,
os scuds, contra Israel? Por que, depois de 7 anos decorridos
da assinatura dos acordos de Oslo em Camp David (em
1993), ou seja, já em 2000, Arafat - o líder
de uma organização que até 1992
era totalmente terrorista - não aceitou a oferta
oficial de Ehud Barak, então primeiro-ministro
israelense, em troca tão somente de paz, oferta
que consistia no seguinte: (a) a criação
de um estado palestino (que jamais existiu antes na
História) em 98% da Cisjordânia e 100%
da Faixa de Gaza; (b) a entrega de 55% da cidade de
Jerusalém para os palestinos instalarem sua capital;
(c) a admissão de retorno de milhares de refugiados
palestinos para Israel e uma indenização
financeira para aqueles que não poderiam retornar
e, (d) o desmantelamento de todas colônias judaicas
na Cisjordânia. Por que Arafat não aceitou?
Por que, desde a assinatura dos acordos de Oslo, o Fatah
(que em teoria passou a aceitar a existência de
Israel), o Hamas, a Jihad Islâmica, e outra dezena
de pequenos grupos terroristas, mataram mais de mil
civis israelenses em Israel, em toda sorte de atentados
alucinados?
Por que Israel deixou totalmente a Faixa de Gaza em
2005, de forma unilateral? Por que o Hamas, depois da
retirada total israelense de Gaza, transformou aquele
pedaço de terra numa frente de batalha contínua
contra Israel, treinando e equipando um pequeno exército
de 20 mil homens, preparando homens, mulheres e jovens-bomba
e fixando bases de lançamento de mísseis
de pequeno alcançe para atingir Israel, justamente
nos centros urbanos densamente povoados e nas fazendas
judaicas desocupadas no norte da faixa de Gaza? Por
que, finalmente, o Mundo Ocidental sempre se calou diante
disto tudo e agora, mais uma vez, em voz uníssona
(menos os EUA e a Austrália) condenam uma operação
que visa liquidar o Hamas de uma vez por todas e com
isso impedir que o Irã, que subsidia financeiramente
e fornece armamento para aqueles terroristas assassinos,
se instale a 30 quilômetros do maior porto de
Israel, Ashdod? Por que o mundo ocidental não
condena, com veemência, os aiatolás iranianos
e seu manda-chuva Ajmadinejad, o presidente daquele
país de delirantes anti-semitas, quando este
afirma, todos os dias, que o Holocausto não existiu
e que a decisiva, maior e definitiva meta do Irã
e do Islam é destruir Israel e os judeus)? E
a Alemanha, que ousou condenar a ofensiva israelense
contra o Hamas? A Alemanha!!!! Ou a Rússia de
Putin (ela também pediu o fim imediato da operação
de Israel), que promove, quando lhe dá na telha,
massacres indiscriminados de civis em "sua área
de influência", arrancando apenas um módico
"Oh!, que feio" do mundo ocidental? E o Conselho
de Segurança da ONU, que já se reuniu
a pedido da Líbia, aquele exemplo de democracia
e respeito aos direitos humanos, para comunicar que
exige o fim da violência de ambas as partes no
conflito? Mas como? Que partes? O Hamas é membro
da ONU? Quando mandava seus assassinos ou remete seus
foguetes contra Israel, não há "partes
para serem chamadas"? Ou o Conselho de Segurança
pediu à China para que parasse com o recente
massacre no Tibet? Claro que não! Afinal, um
protesto da "comunidade internacional" poderia
atrapalhar aquela majestosa Olimpíada. Como,
de resto, foram também majestosas as Olimpíadas
de 1936, promovidas pela Alemanha Nazista, e a de 1980,
pelos soviéticos. A comunidade internacional
não gosta de comprometer competições
esportivas com questões menores! Mas, enfim,
por que Israel? Fica a pergunta!
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
Gaza:
o problema não é Israel x Palestina
Marx
Golgher
A
crise de Gaza não é questão de
Israel x Palestina, como muitos imaginam equivocadamente.
Basta atentar que existem lideres israelenses, palestinos,
árabes, que almejam a paz, mas são impossibilitados
de concretizá-la por contrariarem pela raiz o
Islã radical e terrorista que não admite
a existência de países "infiéis"
ou seja, Estados não submetidos ao Corão,
à Sharia e aos ensinamentos do Profeta. O grupo
islamita Hamas, ao repudiar a existência de Israel,
marcando posição contra o grupo palestino
Fatah, que está em conversações
pacificas com Israel, lança-se aos atentados
terroristas, disparando milhares de foguetes Kassam
e projéteis de morteiros sobre a população
civil israelense.
Mas isso não é novidade alguma no mundo.
Essa atitude intolerante e terrorista do Hamas assume
outro grupo islamita na Ásia, criado no Afeganistão
em 1989, o Lashkar-e-Taiba, que se tornou um dos mais
ativos grupos terrorista do continente, atuando principalmente
contra os hindus na Índia. O seu mais recente
atentado se deu em Mumbai quando os fanáticos
de Aláh e seu Profeta vindos do Paquistão
muçulmano assassinaram mais de 200 pessoas inocentes,
por não admitirem a existência da província
da Cachemira indiana, exigindo que ela se transforme,
tal qual o Hamas planeja para Israel, em uma Republica
Islâmica. Certo é que, enquanto o terrorismo
islamita não for combatido, contido e dominado,
tal como o foi no século XII, no primeiro surto
do terror muçulmano que cunhou o termo "assassino",
ninguém no planeta terá segurança.
Mais: o que há de comum na morte dos seguintes
brasileiros abaixo? Foram todos massacrados em atentados
terroristas realizados em nome de "alá"
e do profeta Maomé:
A
- João José Vasconcelos. Engenheiro de
Minas Gerais que trabalhava em uma termoelétrica
no Iraque, estando a bem servir ao povo iraquiano ao
livrá-lo do inferno dos apagões diários,
quando foi seqüestrado e chacinado covardemente
pelos êmulos do Hamas, o grupo terrorista iraquiano
Brigada Mjuardhin, aliado ao Exército islamita
Ansar al Sunna.
B - Ana Marie Sallerin Fereira, Ivan Fairbanks Barbosa,
Sandra Fajardo Smaith e Nilton Albuquerque. Foram trucidados
quando trabalhavam pacificamente na torre norte do World
Center que ruiu atacado por um avião-bomba da
Al-Queda de Bin Laden.
C - Sergio Santos da Silva. Humilde pedreiro que foi
explodido quando ia para o trabalho, em um trem urbano
de Madrid junto a mais 200 operários em nome
de Alá e Profeta Maomé.
D - Marco Antonio Farias. Sargento das forças
do Brasil integrantes da Força de Paz no Timor
Leste que teve o corpo despedaçado por um terrível
atentado em Bali, quando mais de 200 turistas foram
massacrados a bomba, quando estava em gozo de férias
da missão de garantir a independência do
povo timorense, alvo de ocupação do exército
islamita da Indonésia, que massacrou mais de
200 mil cristãos que se recusarem a se converter
ao Islã.
E - Sergio Vieira de Melo. Brilhante diplomata brasileiro
da ONU que atuou no Timor, criando as bases administrativas
do novo país livre e democrático, bem
como atuou na antiga Iugoslávia, impedindo o
massacre da população islâmica de
Kosovo, promovendo a paz na região, mas que ironicamente
foi explodido em um atentado a caminhão-bomba
islamita na embaixada da ONU em Bagdá quando
estava em missão de prover a paz no Iraque, pondo
fim à intervenção americana.
Como
se evidencia, não apenas Israel, mas o mundo
todo está envolvido na Guerra Santa - Jihad -
contra os infiéis que não se converteram
ao Islã, no sentido de instalar o Califado universal
sob o domínio das Leis Divinas do Corão,
todos submetidos a Alá e a mensagem do Profeta
Maomé, interpretadas pelos aiatolás, mulhas,
muftis etc. E ao terrorista islamita que morrer na Jihad,
estará garantido um lugar no Paraíso maometano
com 70 virgens a sua disposição. Assim,
os jihadistas assassinam, matam, massacram, chacinam
gente inocente em todo o mundo, em nome glorioso de
Alá e Profeta Maomé, mas quando são
impedidos de sua missão mais sagrada, como é
o caso da defesa de Israel dos mísseis do Hamas,
se fazem de coitadinhos, vitimas de "opressores
sionistas". E tem gente que cai nessa mistificação,
por não conhecer a realidade horrenda do que
é, do que faz o Islã radical e terrorista,
inclusive contra brasileiros inocentes simplesmente
por serem "infiéis" cristãos.
Fonte:
Pletz
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
"A
ignorância tem cura. A estupidez é que
não"
João
Pereira Coutinho
Israel
está novamente em guerra com os terroristas do
Hamas, e não existe comediante na face da Terra
que não tenha opinião a respeito. Engraçado.
Faz lembrar a última vez que estive em Israel
e ouvi, quase sem acreditar, um colega meu, acadêmico,
que em pleno Ministério da Defesa, em Jerusalém,
começou a "ensinar" os analistas do
sítio sobre a melhor forma de acabarem com o
conflito. Israel luta há 60 anos por reconhecimento
e paz. Mas ele, professor em Coimbra, acreditava que
tinha a chave do problema. Recordo a cara dos israelenses
quando ele começou o seu delírio. Uma
mistura de incredulidade e compaixão. Não
vou gastar o meu latim a tentar convencer os leitores
desta Folha sobre quem tem, ou não tem, razão
na guerra em curso. Prefiro contar uma história.
Imaginem os leitores que, em 1967, o Brasil era atacado
por três potências da América Latina.
As potências desejavam destruir o país
e aniquilar cada um dos brasileiros. O Brasil venceria
essa guerra e, por motivos de segurança, ocupava,
digamos, o Uruguai, um dos agressores derrotados. Os
anos passavam. A situação no ocupado Uruguai
era intolerável: a presença brasileira
no país recebia a condenação da
esmagadora maioria do mundo e, além disso, a
ocupação brasileira fizera despertar um
grupo terrorista uruguaio que atacava indiscriminadamente
civis brasileiros no Rio de Janeiro ou em São
Paulo. Perante esse cenário, o Brasil chegaria
à conclusão de que só existiria
verdadeira paz quando os uruguaios tivessem o seu Estado,
o que implicava a retirada das tropas e dos colonos
brasileiros da região. Dito e feito: em 2005,
o Brasil se retira do Uruguai convencido de que essa
concessão é o primeiro passo para a existência
de dois Estados soberanos: o Brasil e o Uruguai.
Acontece que os uruguaios não pensam da mesma
forma e, chamados às urnas, eles resolvem eleger
um grupo terrorista ainda mais radical do que o anterior.
Um grupo terrorista que não tem como objetivo
a existência de dois Estados, mas a existência
de um único Estado pela eliminação
total do Brasil e do seu povo. É assim que, nos
três anos seguintes à retirada, os terroristas
uruguaios lançam mais de 6.000 foguetes contra
o Sul do Brasil, atingindo as povoações
fronteiriças e matando indiscriminadamente civis
brasileiros. A morte dos brasileiros não provoca
nenhuma comoção internacional.
Subitamente, surge um período de trégua,
mediado por um país da América Latina
interessado em promover a paz e regressar ao paradigma
dos "dois Estados". O Brasil respeita a trégua
de seis meses; mas o grupo terrorista uruguaio decide
quebrá-la, lançando 300 mísseis,
matando civis brasileiros e aterrorizando as populações
do Sul.
Pergunta: o que faz o presidente do Brasil? Esqueçam
o presidente real, que pelos vistos jamais defenderia
o seu povo da agressão. Na minha história
imaginária, o presidente brasileiro entenderia
que era seu dever proteger os brasileiros e começaria
a bombardear as posições dos terroristas
uruguaios. Os bombardeios, ao contrário dos foguetes
lançados pelos terroristas, não se fazem
contra alvos civis - mas contra alvos terroristas. Infelizmente,
os terroristas têm por hábito usar as populações
civis do Uruguai como escudos humanos, o que provoca
baixas civis. Perante a resposta do Brasil, o mundo
inteiro, com a exceção dos Estados Unidos,
condena veementemente o Brasil e exige o fim dos ataques
ao Uruguai.
Sem sucesso. O Brasil, apostado em neutralizar a estrutura
terrorista uruguaia, não atende aos apelos da
comunidade internacional por entender que é a
sua sobrevivência que está em causa. E
invade o Uruguai de forma a terminar, de um vez por
todas, com a agressão de que é vítima
desde que retirou voluntariamente da região em
2005.
Além disso, o Brasil também sabe que os
terroristas uruguaios não estão sós;
eles são treinados e financiados por uma grande
potência da América Latina (a Argentina,
por exemplo). A Argentina, liderada por um genocida,
deseja ter capacidade nuclear para "riscar o Brasil
do mapa". Fim da história? Quase, leitores,
quase. Agora, por favor, mudem os nomes. Onde está
"Brasil", leiam "Israel". Onde está
"Uruguai", leiam "Gaza". Onde está
"Argentina", leiam "Irã".
Onde está "América Latina",
leiam "Oriente Médio". E tirem as suas
conclusões. A ignorância tem cura. A estupidez
é que não.
Publicado
na Folha de São Paulo
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
A
trégua que nunca existiu
Eduardo
Kohn, diretor da B'nai B'rith Internacional para a América
Latina
Quando
a comunidade internacional, e alguns de seus organismos
com sérias dificuldades de visão, começam
a falar da “situação humanitária
de Gaza”, já sabemos a letra e a música
da velha, desgastada e obsoleta canção.
A “situação humanitária de
Gaza” há mais de três anos, desde
que o Governo de Israel se retirou unilateralmente,
deve-se a seus governantes, mais concretamente ao Hamas,
que, através de um cruel golpe de estado e matanças
de compatriotas palestinos, dirige uma férrea
ditadura, onde a lei penal é digna de quem a
impõem: amputações de membros,
flagelações, forca.
O Hamas, em lugar de converter sua área de governo
em um local habitável, transformou-a em uma base
militar com grande apoio do exterior (fundamentalmente
do Irã) a partir do qual bombardeia um dia sim
e no outro também o seu vizinho Israel, em especial
as suas crianças nos jardins de infância
nas cidades fronteiriças; aos civis que caminham
pelas ruas; aos que estão nos supermercados ou
em suas casas em Sderot, Ashkelon etc. Há alguns
meses, se fez um enorme barulho em termos internacionais,
assinalando que haveria uma “trégua”
entre o Hamas e Israel. Já então nos perguntamos
como se pode falar de trégua entre uma organização
que através do terrorismo persegue seu objetivo,
que é exterminar seu vizinho, e um Estado de
Direito. Mas, se mesmo assim os analistas que gostam
de usar uma linguagem descuidada, querem falar de “trégua”,
também lhes falta não somente base idiomática,
mas também a da realidade. O Hamas nunca deixou
de disparar foguetes contra os civis israelenses em
seis meses de “trégua”. Nunca modificou
uma letra de seu discurso genocida, e, enquanto isso,
foi se armando cada vez mais. Hoje, o Hamas tem, na
Faixa de Gaza, 15.000 homens armados, equipados por
seus mentores iranianos, e assessorados pelo Hezbollah.
Armas de todo tipo; foguetes de longo alcance que hoje
pode atingir a um milhão de civis israelenses.
Ninguém, nos organismos internacionais e/ou nos
meios de comunicação de massa internacionais,
se perguntou como se arma até os dentes uma organização
terrorista paramilitar debaixo do nariz dos enviados
da ONU estacionados na área? Ninguém,
nos organismos internacionais e/ou nos meios de comunicação
de massa internacionais, sequer perguntou como vive
uma população civil como a de Gaza, com
grave penúria econômica, rodeada de milhares
de famílias que têm tudo o que necessitam,
porque integram a elite de homens armados, equipados
e alimentados para disseminar o terror, a violência
e o constante estado de ódio e beligerância?
O que é uma “escalada da violência”?
Ontem caíram 80 foguetes em várias cidades
e povoados israelenses: destruição física,
psicológica e material. Hoje, não cairão
menos. Antes de ontem a mesma história. Para
frente e para traz no tempo, é sempre igual.
O que pediriam os habitantes de Paris ou de Madrid ou
de Nova York se fossem alvo de 80 foguetes por dia,
durante dias, meses, anos? O que fariam seus governantes?
Pois bem, o Governo de Israel vai reagir à barbárie
a que está submetida sua população
civil, porque, se não o fizer, estará
sendo gravemente omisso em relação ao
seu dever de proteger seus cidadãos, como corresponde
a todo governo. Israel vai reagir, e imediatamente os
organismos internacionais correrão a se reunir
para falar do “uso desproporcional da força”.
Os convidamos a ir a Sderot e ficar vivendo lá
por 15 dias. Não três anos, somente duas
semanas. Depois dessa vivência, gostaríamos
de saber como se sentiriam os que votam condenações
automáticas, inúteis e irritantes (se
têm coragem e ânimo para aceitar o convite),
experimentando na própria carne como se “desfruta”
não poder enviar os filhos à escola; correr
para os abrigos; ir ao supermercado com medo; e tudo
isso se tiver sorte, porque se caminhar por uma linda
praça e ouvir uma sirene, o foguete lançado
pelo Hamas o assassinará cortando-o em pedaços,
porque não terá 30 segundos para chegar
a um abrigo anti-aéreo.
E um segundo convite aos membros destes organismos internacionais:
se aceitaram ir a Sderot, depois não se esqueçam
em redefinir o “uso desproporcional da força”.
A “escalada” parece inevitável porque
nunca houve uma “trégua”. E as conseqüências
serão mais civis de ambos os lados sofrendo de
forma infame; mais armas do Irã para o Hamas
porque ali o que importa é o ódio e não
a vida humana; mais declarações altissonantes
a partir de poltronas acolchoadas; e a sensação
multiplicada de que este enfrentamento leva a um interminável
caminho de final difícil de avistar por enquanto,
mas como disse a ministra de Relações
Exteriores de Israel, Tzipi Livni, é um caminho
que não tem saída enquanto o Hamas governar
Gaza.
"Israel
é mais seguro do que o Rio de Janeiro"
O
designer Gabriel Paciornik trocou, há 12 anos,
Curitiba por Ramat Gan, um bairro ao lado de Tel-Aviv,
cidade que é o principal centro econômico
de Israel, para cursar a faculdade. "Fiquei
em Israel por um conjunto de coisas: trabalho, estudos,
qualidade de vida". Mesmo estando longe do
conflito da Faixa de Gaza, Gabriel sente os impactos
em sua região e descreve como está a situação:
"As pessoas não estão nas ruas.
Todas as instituições de ensino estão
fechadas, desde jardins de infância às
faculdades. Quem tem criança pequena, tem saído
para casas de parentes e amigos fora da região".
Apesar dos riscos das bombas, o designer considera o
país que escolheu para viver mais seguro do que
o país em que nasceu. "Até nestas
épocas de conflito, acho que é mais seguro
andar aqui do que no Brasil", explica. Gabriel
conta que não tem medo de sair na rua de madrugada
e que anda de bicicleta com frequência. "Nunca
vi assalto aqui. Israel é mais seguro que o Rio
de Janeiro. Esta situação (dos ataques)
existe há oito anos, a diferença é
que somente agora a imprensa noticia", ressalta.
O brasileiro explica que em todo o país existem
abrigos com parede dupla de concreto. "Toda
vez que é detectada uma bomba, soa um alarme.
As pessoas têm de 15 a 30 segundos para ir para
o seu abrigo". Segundo Gabriel, todos os prédios
construídos desde 1980 têm esses esconderijos.
Quem mora em um prédio mais antigo procura os
abrigos coletivos, que em época de paz funcionam
como centros de convivência e esportes para crianças
e adolescentes. "Alguns abrigos são
equipados com camas e todas as facilidades para abrigar
as pessoas por mais tempo, caso seja necessário",
diz.
Publicado
pela Agência Brasil
Comente,
colocando no "Assunto" o título do
artigo.
A
declaração dos direitos de homens,
mulheres e crianças e a Educação
Claudia
Costin, vice-presidente da Fundação Victor
Civita,
professora do Ibmec-SP e ex-secretária da Cultura
do
Estado de São Paulo. Assumirá em 2009
a Secretaria
Municipal da Educação do Rio de Janeiro
Há
cerca de 60 anos, num momento de reencontro do mundo
consigo mesmo, após o Holocausto e todo tipo
de massacres, foi promulgada pela Assembléia
Geral das Nações Unidas a Declaração
Universal dos Direitos Humanos, inspirada pelo Bill
of Rights inglês de 1689 e pela Declaração
dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada
em 1789 pela Assembléia, nos inícios da
Revolução Francesa. No texto da Declaração,
direitos como a vida, a liberdade, a segurança
pessoal, o acesso à justiça e a presunção
de inocência até o estabelecimento judicial
da culpa são assegurados junto com vedações
como o de escravizar pessoas, interferir na sua vida
privada, na família, no lar ou na correspondência,
ou atacar sua honra e reputação. Este
aniversário deve ser motivo de profunda reflexão
sobre o quanto evoluímos neste assunto. Não
por acaso, os direitos humanos guardam forte relação
com a democracia moderna que, apesar de ter surgido
num determinado momento histórico- associada
à forma de estruturação do Estado
e do poder pelas 13 colônias americanas que se
reuniram para constituir o que depois foi saudado e
analisado por Tocqueville no seu célebre “La
démocratie en Amérique”.
O aristocrata francês entusiasmou-se com a participação
da população nas atividades da polis,
embora não tenha notado a exclusão de
escravos e a existência da pobreza. Mas nem por
isso sua análise perde validade e relevância.
A democracia iria, progressivamente, incorporar contingentes
maiores da população, ampliando-se para
se configurar na poliarquia de Robert Dahl- um sistema
em que, além de se admitir o direito de uma oposição
organizada, a maioria da população tem
o direito de participar exercendo direitos políticos
entre os quais o de escolher seus representantes.
Bill Clinton, em palestra recente no Brasil, definiu
a democracia como o governo da maioria, respeitados
os direitos da minoria. Embora não possamos dizer
que ele foi original, pois outros o disseram antes dele,
a democracia não pode mais ser entendida apenas
como “a maioria decide”, se esta decisão
implicar em prejuízo a direitos de grupos étnicos,
raciais, religiosos ou de gênero (desde que estes
direitos não se coloquem em detrimento dos de
outros grupos e não se pretendam totalizantes
ou totalitários). A democracia passa hoje, necessariamente
pelo respeito à Declaração Universal
dos Direitos Humanos o que, por sua vez, dificilmente
pode ocorrer num contexto não democrático.
A abordagem dos governos democráticos, em países
desenvolvidos, tem se pautado, ao menos no discurso,
pelos artigos da Declaração Universal
dos Direitos Humanos. Poucos defendem explicitamente
um desrespeito ao que, em 1948, ainda com predomínio
de governos autoritários e dominação
de nações por outras (seja diretamente
por meio dos impérios coloniais, seja indiretamente
via as neo-colônias da guerra fria), fora aprovado
por boa parte dos países. O discurso exprime
uma opinião pública que reage ao desrespeito
a direitos, de forma vociferante na mídia e militante
em manifestações de ONGs. O século
passado, dizia Fernando Pedreira, modificou profundamente
a opinião pública após a derrota
do nazi-fascismo.
Mas não nos enganemos. A lei demanda um olhar
vigilante da cidadania. Os preceitos da Declaração
são desafiadores, pois demandam não apenas
ações de governantes, mas uma solidariedade
entre pessoas e gerações. Não é
à toa que seu preâmbulo coloca o documento
como “o ideal comum a ser atingido por todos os
povos e todas as nações”, sugerindo
que cada indivíduo e cada órgão
da sociedade se esforcem, através do ensino e
da educação, por promover o respeito aos
direitos e liberdades explicitados na Declaração.
É um texto que coloca obrigações
não só sobre governos, como também
sobre indivíduos que, com sua inclusão
em boa parte das Constituições nacionais,
passaram a ter que respeitar o outro como portador de
direitos, como pessoa, independente da raça,
etnia, credo ou orientação sexual. E,
para tanto, aponta um percurso, além da criminalização
de condutas: a Educação, uma abordagem
preventiva. A mesma educação que pôde
ser xenófoba na velha Europa, jogando povos uns
contra os outros (e que ainda o é em parte do
mundo), pode, se for baseada em valores de celebração
das diferenças, na constatação
de que partilhamos a mesma condição humana,
levar a Humanidade a edificar uma sociedade de paz e
de convívio com as múltiplas identidades
que a integram (e que convivem, como diz Amartya Sen,
inclusive dentro de nós mesmos- afinal, somos
um e somos muitos).
Não é por acaso que Jacques Delors, em
seu célebre relatório sobre a Educação
para o século XXI, dizia que ela deveria se basear
sobre quatro pilares: aprender a ser, aprender a aprender,
aprender a fazer e mais importante ainda, aprender a
viver juntos. Neste sentido, a educação
deveria, por um lado, transmitir conhecimentos sobre
a diversidade da espécie humana e, por outro,
levar o estudante, confortável com suas origens
e história familiar, a tomar conhecimento da
semelhança e da interdependência entre
todos os seres humanos do planeta. Para que nunca mais
genocídios possam ser praticados, crianças
e mulheres agredidas ou impedidas de se desenvolver
e realizar seu potencial, pessoas vedadas de trabalhar,
estudar ou galgar posições mais elevadas
em suas carreiras por suas origens étnicas ou
crenças, velhos e homossexuais humilhados em
público por sua condição. Para
que nunca mais o preconceito triunfe sobre a vida.
Publicado
pela B´nai B´rith
ENTREVISTA
EXCLUSIVA
Jornalista Arnaldo Bloch
Já
na terceira edição, revista e ampliada,
o recém-lançado livro "Os irmãos
Karamabloch", do jornalista Arnaldo Bloch, narra
a epopéia de sua família com humor e sensibilidade
literária.
O autor é neto e xará de um dos "irmãos
Karamabloch" - como o escritor Otto Lara Resende
chamava os irmãos Bóris, Arnaldo e Adolpho
Bloch, em uma referência evidente aos atormentados
“Irmãos Karamazov”, título
do último romance do escritor russo Fiódor
de Dostoiévski.
Acompanhe
abaixo a entrevista exclusiva ao Jornal ALEF:
Quem
é Arnaldo Bloch, judaicamente falando ?
Judaicamente falando Arnaldo Bloch é um carioca
que gosta de futebol e música brasileira, ama
o país em que nasceu, bem como a herança
judaica, multifacetada, mais cultural, étnica,
diaspórica, do que religiosa ou "nacional".
Judaicamente falando Arnaldo Bloch é alguém
que faz questão de não se alinhar automaticamente
a Israel seja quais forem os seus atos, aplaudindo os
que julga bons, vaiando os que não se coadunam
com a ética. Judaicamente falando Arnaldo Bloch
é a favor de um estado palestino. Judaicamente
falando Arnaldo Bloch acredita que a comunidade judaica
no Brasil devia se espelhar na democracia israelense
e acolher de maneira mais sábia as opiniões
que não soam em uníssono.

Arnaldo
Bloch com Ruth e
Arnaldo Niskier, ex-diretor da Manchete
O
que significou nascer no “clã Bloch”
? Como é “carregar” este nome ? Cite
fatos curiosos de sua infância/adolescência
de quando conviveu com personagens do livro.
Nascer no clã Bloch, ou "na barriga da família",
como descrevo no livro, foi nascer diante de uma estranha
esfinge de várias cabeças de pais, tios,
tias, primos, primas, e ter que interpretar o mundo
a partir desta célula em polvorosa. Carregar
este nome é carregar uma grande aventura humana,
como a de outras famílias de imigrantes, com
suas belezas, feiúras, orgulhos e vergonhas.
Um fato curioso é o de ter sido capa de Manchete,
nu, com um ano de idade, à minha revelia... os
demais vou deixar o leitor do ALEF descobrir no livro,
afinal, Chanuká vem aí e é hora
de ir à livraria!!!!!
Como
um “Bloch”, nascido na “família
Manchete”, foi trabalhar nas Organizações
Globo ?
Aos 28 anos, trabalhando para a família como
correspondente e representante de Manchete em Paris,
percebi que a nau ia afundar e decidi pular do barco
primeiro (afinal, se eu não era capitão,
por que ia pular por último???). Piadas à
parte, eu tinha que, enfim, "sair da barriga da
família", sob o risco de nunca saber quem
eu era no mundo lá fora. Decidi correr este risco
antes que fosse tarde demais. E deu certo.

Da
direita para a esquerda:
Arnaldo Bloch com Samy, Suzana
e Osias Wurman, ex-diretor da Manchete
Qual
é a principal mensagem que você procurou
transmitir no livro ?
A de que a realidade não pode prescindir
das luzes e das sombras, do real e do imaginário,
das várias vozes que compõem uma história.
E a de que, como diz o judaísmo, a corrente da
vida eterna se solidifica em vida através da
memória que se tem de seus mortos. Isso é
um belo preceito, que vale tanto religiosa quanto filosoficamente.
Ao
“mergulhar” na pesquisa e nas entrevistas,
o que mais o emocionou ? O que mais o impressionou ?
O que mais o surpreendeu ? Algum lugar, alguma frase,
alguma história...
Sem dúvida o ápice da emoção
de escrever este livro foi a visita, em 2001, à
Ucrânia. Descobrir como, mesmo com sua malha urbana
prejudicada pelas sucessivas guerras, a pequena cidade
de Jitomir, seu rio de águas negras, suas duas
colinas, suas florestas, sua topografia, se descortinavam
a meus olhos como nos relatos das tias anciãs,
e que nos registros rabínicos da municipalidade
iam surgindo, em ídish e em russo, os nomes dos
antepassados.

Arnaldo
Bloch com o
"casseta" Marcelo Madureira
Você
tem dito que o livro une realidade e ficção,
que se misturam ao longo da obra. O leitor consegue
perceber nitidamente esta diferença ?
É difícil perceber, pois a grande
massa é mesmo de realidade, em seu sentido maior.
Talvez alguns detalhes da parte mais remota do livro
apareçam um pouco como lances de realismo fantástico,
ou lendas de Scholem Aleichem, figuras esvoaçantes
de Chagall, mas não se enganem: muitas vezes
o que mais parece irreal é a realidade mais objetiva,
e aquilo mais corriqueiro é que é criado
para dar a liga do grande bolo da história.
É
difícil imaginar como uma família oriunda
de uma remota aldeia da Ucrânia, que chegou ao
Brasil praticamente sem nada, depois de enfrentar os
horrores das guerras e perseguições, construiu
um dos maiores impérios de comunicações
do Brasil. Parece ficção, mas foi uma
realidade. Que tipo de pensamento e ações
foram necessários para que tanto êxito
fosse alcançado ?
A perseverança e a personalidade obstinada
das várias figuras da família foi o fator
fundamental. E o mais interessante é que as obstinações
eram várias e diferentes, mas a resultante dessas
diferenças formou o vetor da marcha familiar,
de sua grandeza e de suas depressões. Mas o sonho
de Joseph, o patriarca, fundamentalmente, foi o motor
maior, ainda que ele não represente a essência
da família. Nos detalhes, o livro explica melhor
os aspectos mais objetivos que aqui não caberiam.

Arnaldo
Bloch com
Anna Bentes Bloch, viúva de Adolpho
Uma
característica do livro é que o leitor
se identifica com a história, percebe que sua
família também vivenciou fatos semelhantes.
Esta é a “grande sacada” da obra
?
Não sei se é a grande sacada. Certamente,
esta é uma característica de todas as
obras que falam de sagas familiares: elas são,
sempre, histórias de todos, judeus ou não.
Todos são migrantes, de gerações
mais próximas ou remotas. Quem no Brasil não
tem um português, um italiano, um japonês,
um africano na sua linha de ascendência? E o Nordestino,
o retirante? Não é um migrante? Isto me
comove muito: o ser humano é, sim, uma grande
família, briguenta, mas, em essência, construída
com base no amor.
E
hoje, como está a família Bloch ?
Fragmentada, mas viva, em diversas células.
O sentido da grande família parece que se esfacelou,
mas a emoção coletiva, os amores, os ressentimentos,
os abraços e as porradas, tudo continua a circular
pelas mentes e pelos corações e germinar
nas novas gerações. Assim é a vida.
Comente,
envie a sua opinião!
Equívoco
diplomático
Osias
Wurman, jornalista
Estavam
certos, mais uma vez, os judeus americanos que sufragaram
maciçamente o partido democrata, seguindo antiga
tradição. Embora os inimigos e intrigantes
de plantão desejassem afastar Barak Obama do
eleitorado judeu, a pesquisa de boca de urna deu 78%
dos votos judaicos para o vencedor. No próximo
Congresso americano teremos 44 políticos da comunidade
israelita, sendo 12 senadores e 32 deputados, dos quais
39 são democratas, 3 republicanos e 2 independentes.
Os primeiros nomeados por Obama jogaram um balde de
água fria nas expectativas dos fundamentalistas
do Oriente Médio e do Irã. O chefe nomeado
para a Casa Civil é judeu-americano, Rahm Emanuel,
parceiro antigo do presidente eleito e homem de confiança
do novo governo. Também a influência dos
Clintons representa fronteiras seguras e defensáveis
para o Estado de Israel. Neste momento, vale lembrar,
há uma pressão mundial encabeçada
pela ONU, para deter a fabricação de armas
nucleares pelo Irã, a maior ameaça à
paz na região. Em pleno regime de sanções
e restrições impostas pelo comercio mundial
ao governo de Ahmadinejad, o chanceler brasileiro Celso
Amorim resolveu visitar o Irã em busca de novos
negócios.
Temos que priorizar ao máximo o interesse nacional,
mas não seria mais prudente aguardar um pouco
mais de tempo antes de abrir os braços para parceiros
tão beligerantes? Ou será que não
ecoaram no Itamaraty o envolvimento do Irã com
o Hezbollah no Líbano e o Hamas em Gaza, e ainda
as ameaças de varrer Israel do mapa? E a acintosa
negação revisionista ao genocídio
durante o Holocausto ? O Estado de Israel é país
membro da ONU, além de amigo e parceiro comercial
do Brasil, há 60 anos. Resta a esperança
na capacidade diplomática do presidente Lula,
fiel e fraterno amigo da comunidade judaico-brasileira
e admirador do Estado Judeu, no intuito de intervir
junto ao governo do Irã, contra as ameaças
de um novo genocídio propaladas por Ahmadinejad.
Colocar-se na contra-mão das nações
ocidentais, do lado do Irã e contra a ONU e Israel,
é pouco recomendável. Podemos almejar
um mundo melhor, desde que saibamos apoiar os pacifistas,
em detrimento dos ameaçadores belicistas. Lula
e Obama podem ajudar a pacificar o Oriente Médio,
caminho que passa necessariamente pelo isolamento do
fundamentalismo suicida anti-judaico e anti-palestino.
Basta dar as mãos e caminhar ao lado dos amantes
da paz na direção correta.
Publicado
em O Globo
Comente,
envie a sua opinião!
60
anos da Declaração Universal dos Direitos
do Homem
Celso
Lafer, ex-ministro das Relações Exteriores
do Brasil
A
Declaração Universal dos Direitos Humanos
foi adotada e proclamada pela Assembléia Geral
da ONU em 10 de dezembro de 1948. É um desdobramento
da Carta da ONU que contemplou, entre os propósitos
da organização, “conseguir uma
cooperação internacional para promover
e estimular o respeito aos direitos humanos e às
liberdades fundamentais para todos, sem distinção
de raça, sexo, língua ou religião”
(Carta da ONU, artigos 1, 3).
A Carta, ao consagrar entre os seus propósitos
a internacionalização sem discriminações
dos Direitos Humanos teve, como vis directiva do pactum
societatis, nela institucionalizada, a “idéia
da obra a realizar” – para falar com Hauriou
- da construção de uma sociedade internacional
não só de Estados igualmente soberanos
mas de indivíduos livres e iguais. A Declaração
Universal é a primeira grande e acabada expressão
desta idéia da obra a realizar, pois na sua abrangência
atribuiu, pela primeira vez em escala planetária,
um relevante papel aos direitos humanos na convivência
coletiva. Neste sentido pode ser considerada um evento
inaugural de uma nova concepção da vida
internacional. É, assim, um evento que guarda
semelhança do que foi, a seu tempo, no plano
interno dos Estados, com o início da era dos
direitos no século XVIII, a passagem do dever
dos súditos para os direitos dos cidadãos,
para evocar a consagrada formulação de
Norberto Bobbio.
Esta passagem tem como objetivo colocar em questão
a desigualdade radical entre governantes e governados,
caracterizadora de regimes autocráticos, como
ensina Kelsen. No plano mundial está voltada
para organizar e humanizar a relação governantes-governados
por meio de normas de mútua colaboração
delimitadoras do escopo das soberanias e voltadas para
consagrar o valor do ser humano. É, deste modo,
um meio de conter o solipsismo da soberania que elabora
a ordem jurídica a partir do subjetivismo do
“eu” dos governantes de um Estado. Representa,
desta maneira, um marco na afirmação de
uma plataforma emancipatória do ser humano que,
na sua dignidade própria detém, para falar
com Hannah Arendt, com a dimensão de universalidade,
o direito a ter direitos. A Declaração
Universal traçou uma política de Direito.
Foi a fonte de inspiração que abriu caminho
para a internacionalização dos Direitos
Humanos. Teve o mérito de não ser apenas
uma reação aos problemas do passado que
explicam a sua gênese. Contribuiu para projetar
valorações fundamentais modeladoras do
futuro. Por isso conserva a fecunda qualidade de um
evento inaugural e retém plena atualidade. Cabe
celebrá-la neste aniversário dos 60 anos
de sua proclamação, pois continua sendo,
à maneira do dito de Arquimedes, o grande ponto
de apoio para alavancar a sempre desafiante luta em
prol dos direitos humanos no mundo (Publicado
pela B'nai B'rith do Brasil).
Comente,
envie a sua opinião!
Jornalista
desvenda a misteriosa história de
seis familiares que foram assassinados no Holocausto
Quando
era criança, o jornalista americano Daniel Mendelsohn
ouvia fascinado as histórias contadas por seu
avô. De família judia, cercado de velhos
membros que viveram a época sombria da ascensão
e vitória do nazismo, Daniel comovia-os pela
semelhança física com um tal Tio Schmiel
cujo nome, quando raramente mencionado, era feito com
pesar. De todos os fatos familiares que o avô
lhe revelou, ele ficou intrigado justamente pela única
história que ninguém lhe contava: como
Schmiel, sua mulher e as quatro filhas foram mortos
pelos nazistas. Em “Os desaparecidos – a
procura de seis em seis milhões de vítimas
do Holocausto” (Editora Casa da Palavra), Daniel
Mendelsohn narra os anos de busca para reconstituir
a história de seis membros de sua família,
desaparecidos sob as cinzas do Holocausto e sobre quem
só restaram rumores e informações
vagas e desencontradas. Sua obsessão por organizar
o conhecimento o faz levantar, reunir e dar sentido
a uma história que todos querem esquecer.
***
“Acho
que este livro teve um tremendo apelo internacional
por que:
a) É uma historia de família – ele
remete a história de uma única família;
b) É um livro sobre como contar histórias
e todos gostam de uma boa história;
c) Tem a estrutura da Odisséia junto com uma
história de detetive
que é uma irresistível estrutura narrativa”
Daniel
Mendelsohn

***
Ainda
criança, Daniel remexe no passado da família,
protegendo-se por trás de sua curiosidade pueril
para fazer as perguntas que ninguém quer responder.
Bem mais velho, depois de se tornar o biógrafo
da família e construir fichas detalhadas sobre
cada parente, ainda restam, no entanto, seis pastas
incompletas. Quase desistindo, retoma a pesquisa depois
de uma série de coincidências: o irmão
que ouve o nome de Schmiel em um encontro de fotógrafos,
uma ficha da Cruz Vermelha Internacional que chega a
sua casa com dados sobre o tio, que já não
é mais um “tio”, é um empresário,
um militar, alguém além de apenas um nome.
Tantas questões o levam em 2001 em uma longa
viagem, uma verdadeira peregrinação –
a exemplo de Abraão, patriarca do judaísmo
– ou uma saga - como Homero e sua Odisséia.
Acompanhado pelo irmão Matt, ele começa
– e termina - sua viagem na terra natal da família
na cidade polonesa de Bolechow. E vai além: seu
roteiro inclui países e regiões em quatro
continentes, da Austrália a Israel, da Escandinávia
a Europa Oriental, passando pela Ucrânia.
***
“Não
acho que este (ou qualquer livro) mudará o anti-semitismo,
na minha experiência as pessoas que querem odiar
os judeus vão
achar motivos para odiá-los com ou sem livros!
Eu recebi milhares
de e-mails e cartas de pessoas de todo o mundo dizendo:
´Eu li seu livro e agora eu sinto e entendo o
Holocausto
pela primeira vez´. Então, talvez, isto
sim, seja importante”
Daniel
Mendelsohn
***
Pouco
a pouco, ele consegue reconstituir, em um brilhante
trabalho investigativo, a vida de seus seis familiares
que faltavam na pasta de recordações.
“Os desaparecidos – A procura de seis em
seis milhões de vítimas do Holocausto”
foi um sucesso instantâneo nos EUA, figurando
na lista de mais vendidos de jornais importantes como
o The New York Times. O autor também foi premiado
com o National Book Critics Circle Award e o National
Jewish Book Award. Mendelsohn escreveu um instigante
thriller, que não permite o leitor abandoná-lo
em sua saga particular. Ao mesmo tempo, Mendelsohn compartilha
com o leitor, em tom bastante confessional, suas impressões,
sentimentos e questionamentos sobre a vida em família,
sua identidade judaica e o próprio sentido de
sua busca.
Acesse
aqui para saber mais ou comprar o livro.
Comente,
envie a sua opinião!
A
felicidade do presente e o orgulho do passado
Branca
Leibovich, aluna da 8a. série do Eliezer-Max,
venceu o “II Concurso de Contos” promovido
pelo
Centro Cultural Mordechai Anilevitch, e recebeu o
prêmio das mãos do "imortal"
Moacyr Scliar -
que emprestou seu nome ao concurso.
Junho
1985
Nasci
em Lazio, na Itália, em 1970. Sou de uma família
cristã. Minha mãe chama-se Balsia, meu
pai José, e eu Esther. Sou filha única
de uma família de classe média. Moro e
estudo em Compobasso desde 1978. Não tenho contato
com parentes próximos nem distantes. Não
tenho fotos, vídeos nem registros de ninguém.
A minha verdadeira historia começou com uma simples
aula sobre a segunda guerra mundial. Todos na minha
sala sabiam do que se tratava menos eu. O professor
se referiu a uma palavra que, na hora, levei um choque.
Comecei a passar mal e não conseguia respirar.
A única coisa que lembro é que a palavra
era composta por dez letras aterrorizantes: H-O-L-O-C-A-U-S-T-O.
Em meus quinze anos de vida nunca tinha ouvido tal palavra.
Mas acho que não teria o mesmo significado se
eu a tivesse ouvido antes. O professor começou
a explicação, a minha cabeça girando
até que parou. Não me mexia, estava pálida
e as informações penetrando em minha mente.
Quando cheguei em casa sentei na cama, me despi e liguei
o chuveiro. Não consegui parar de pensar na tal
aula. Tomei banho, coloquei meu vestuário noturno
e dormi. Tive um sonho estranho. Com umas pessoas que
eu nunca tinha visto antes mas gostava muito delas.
Brincava, cantava, dançava, tudo em um lugar
colorido com pássaros e flores até que
chegou um homem bigodudo, sério, meio calvo,
com um uniforme horrível e toda essa alegria
acabou. O sonho ficou cinza, com espinhos no lugar de
flores, e tanques no lugar de pássaros. Acordei
assustada e, quando vi, já era sexta-feira -
o último dia de aula. Entraria em férias
hoje e só voltaria dentro de um mês.
Fui à aula normalmente e não prestei atenção
em nada do último dia, só no meu sonho,
no homem “estraga-prazeres” e nas pessoas
felizes que de uma hora pra outra viraram infelizes.
Pensando nele, me lembrei que essas pessoas estavam
em Lodz, na Polônia, e relacionei com a aula do
professor.
O tal homem era Hitler o ditador anti-semita da época
da segunda guerra mundial. E as pessoas felizes eram
judeus, antes da entrada de Hitler na vida deles. Foi
aí que surgiu uma idéia do que eu faria
nas minhas férias. Iria para Lodz estudar sobre
o tema abordado na aula. Inicialmente minha mãe
não deixou mas, com a influência de meu
pai, ela cedeu. Comprei minha passagem de trem para
embarcar a caminho do real cenário dessa terrível
história.
Julho
1985
A
partir do dia de 03 de Junho de 1985, minha aventura
começou. Primeiramente fui a um hotel no centro
da Polônia fazer minha reserva. Chegando lá,
a recepcionista olhou para mim estranhando a minha idade.
Eu disfarcei:
- Meus pais estão na rua fazendo compras. Vim
fazer a reserva. Aliás, tenho 15 anos... Não
sou mais criança... Algum problema?
- Não... Está tudo bem... Não estava,
mas relevei.
Deixei minha bagagem no dormitório e perguntei
a um guarda como eu poderia chegar ao campo de Lodz.
Mostrando o mapa, ele indicou a estação
de trem. Cheguei lá por volta das duas horas
da tarde. Primeiramente fui ao balcão de atendimento
ao cliente. Peguei o folder que explicava a história
do campo e comecei a minha pesquisa. Estava muito ansiosa.
Entrei em todos os dormitórios masculinos e femininos.
Estava exausta e precisando urgentemente de uma cama.
Me apoiei em uma beliche do quarto mas como estava velha
e bichada uma parte dela caiu. Abaixei-me como se fosse
amarrar o sapato, para pegar o pedaço da madeira
disfarçadamente. Quando olhei para o lado, vi
um livro marrom cheio de poeira e páginas amareladas.
Estiquei meu braço até conseguir pegá-lo.
Era uma caderneta escrita em hebraico. Guardei rapidamente
no bolso, mesmo sabendo que não deveria. Encarei
como se fosse emprestado. Terminei a visita, peguei
um trem até o hotel e me tranquei no quarto.
Tirei o casaco pois estava quente. Coloquei a mão
no bolso e não havia nada nele. Fiquei desesperada.
Desci sete lances de escada e procurei por meia hora
esta caderneta. Quando cheguei no quinto andar encontrei-a.
Fiquei aliviada. Segurei com toda a minha força
até chegar no quarto. Abrindo a porta ouvi uma
voz:
- Onde estão seus pais minha querida?
- Meus pais? – falei pensando em uma desculpa
– Meus pais me encontraram na rua e falaram que
iam demorar um pouco. Daqui vou me encontrar com eles.
- Eles precisam assinar um documento no hotel.
- Me recomendaram a assinar tudo que for preciso. O
que é?
- É um documento especificando de onde vocês
são.
- Somos da Itália. Deixa que eu assino!
Peguei a caneta, o papel, rubriquei e corri até
o quarto. Finalmente estaria a sós! Acendi a
fraca luz do quarto, me sentei e folheei a caderneta.
De A à Z. Só nomes judaicos como: Goldenberg,
Leibovich, Rubinstein... Tinha os telefones, endereços
e um coração do lado direito de cada nome.
Estava decidida, amanhã iria à casa de
todas essas pessoas para descobrir quem era o proprietário
da caderneta.
No dia seguinte, acordei e olhei pela janela. Estava
chovendo. Agasalhei-me, desci, tomei café e saí.
Perguntei ao mesmo guarda onde ficava um telefone público.
Ele apontou para esquerda e eu fui. Encontrei uma cabine
de vidro com o aparelho preto dentro. Busquei algumas
moedas no meu bolso e liguei para meus pais. Disse que
estava tudo bem e que tinha acontecido uma coisa fabulosa!
Mas não tinha tempo de detalhar. Marquei de voltar
para casa daqui a 3 dias. Desliguei e procurei o guarda
indicando na caderneta um endereço. Ele sinalizou
no mapa e eu segui seu caminho.
Era uma casa cor de esperança. Um verde clarinho.
Número 9. Bati na porta pois não havia
campainha. Um senhor respondeu com uma voz miúda.
- Quem é?
Não disse nada. Afinal, como eu iria me identificar?
- Quem é? – perguntou de novo.
Continuei calada. Ele abriu a porta. O senhor ficou
me olhando de cima a baixo e eu puxei assunto:
- Bom dia. Desculpe lhe incomodar. Meu nome é
Esther, sou italiana. O senhor tem um tempo para mim?
Ele não respondeu apenas abriu mais a porta e
me indicou o caminho até a sala de estar. Uma
senhora perguntou:
- Quem é querido?
- Uma jovem Esther. Disse que é da Itália.
Venha Ilda.
- Como vai? Bom dia.
- Prazer, Esther.
- Gostaria de um chá?
- Não obrigada.
- O senhor me entende? Digo, a minha língua?
- Mas é claro, minha jovem. O que a senhorita
deseja?
- O senhor reconhece isto?
Mostrei
a caderneta.
- Onde você a encontrou? – falou abrindo
o livro.
- Peguei no campo de Lodz. Seu endereço está
aí.
O velho arregalou seus olhos e com uma voz séria
mostrou a esposa. Os dois se olharam preocupados.
- Algum problema?
- Isto é de Elza Goldenberg. Uma judia que, como
nós, foi capturada e levada para o campo de Lodz.
Nossa melhor amiga. Foi deportada para lá com
sua irmã Anny. Ela morreu na câmara de
gás, mas Anny sobreviveu.
- Anny ainda está viva? – Perguntei
- Há muito tempo não a vejo, quase não
saio de caso, mas vá em frente, não custa
nada tentar. Siga esta rua até o final e procure
por ela na casa de cômodos, se não me engano...
número 300.
- Muito obrigada.
Saí da casa de Ilda e do senhor que eu até
hoje não sei o nome, e fui almoçar. Comi
em dez minutos e fui até a casa indicada pelo
casal. Cheguei no velho sobrado repleto de pequenos
quartos e toquei a campainha. Toquei muitas vezes até
que ouvi passos se aproximando atrás de mim.
- O que você quer?
- Boa tarde. Meu nome é Esther, sou da Itália.
- Pois não? – A mulher não me deixou
terminar minha apresentação. Então
fui direto ao assuto.
- A dona Anny mora aqui?
- Dona Anny? O que você quer?
- Ela mora aqui? Está viva?
- Mas é lógico! Você é amiga
dela?
- Tecnicamente. – A mulher não deve ter
entendido a minha gíria, então me deixou
entrar.
- Dona Anny?! – Gritou pela casa.
- Sim? Estou na sala de estar!
- Como vai dona Anny. Esta é Esther.
Senti um arrepio assim que fui apresentada a ela. Escondi
meu sentimento e me apresentei.
- Dona Anny, meu nome é Esther. Espero não
estar incomodando a sua leitura, mas...
- Mas é claro que não, sente-se.
Sentei-me em um banco acolchoado e esperei um tempo.
- Isto te lembra algo?
Dona Anny olhava para mim, para a caderneta e para o
teto. Para mim, para a caderneta e para o teto... Até
que perguntou:
- Posso?
- Claro! – Entreguei a ela a caderneta e ficou
encostando-a em seu rosto enrugado como se quisesse
sentir o cheiro do tempo.
- Elza. Elza. Elza. Elza. – Dona Anny ficava repetindo
o nome de sua irmã até que a interrompi.
- Dona Anny. Isso era de sua irmã?
- Elza era minha irmã mais querida. Fui com ela
para o campo de Lodz e ela foi enganada e executada
na câmara de gás. Nunca mais fui feliz
como era antes. O campo era tão terrível.
Eu me lembro de quando estávamos dançando,
cantando e brincando em um jardim, até que chegaram
as tropas do Hi – não conseguiu pronunciar
a palavra Hitler – e tudo ficou cinza, fedendo
e muito triste. Eu tinha uma filha de nove anos chamada
Balsia que fugiu na confusão quando fui pega
para o campo e eu nunca mais a vi. Hoje ela deve ter
por volta de 44 anos, se estiver viva. Casada, com filhos,
feliz da vida nem lembrando da mãe... Mas eu
a amo mesmo assim.
Na hora o tempo parou. Lembrei do meu sonho e de uma
pessoa muito íntima na minha vida chamada Balsia,
a minha mãe. E tudo passou a fazer sentido. Nunca
tinha ouvido falar da boca da minha mãe sobre
o holocausto nem da minha família. Minha mãe
não gosta de pensar na guerra, pois ela se lembra
da mãe que mal conhece. E eu acabo de conhecê-la,
a minha avó. Estava esperando um bom momento
para dar esta notícia a ela. Como declararia
que eu sou sua neta? Como anunciaria ser eu filha de
sua filha? Foi aí que percebi que não
dava pra esperar.
- O meu nome é Esther, filha de Balsia Goldenberg.
Dona Anny, minha avó, ficou paralisada por um
tempo. Começou a chorar e rir de felicidade.
Comemoramos tomando um chá de canela. Pedi seu
telefone emprestado para fazer uma ligação.
Ela concordou. Disquei o número desejado e falei:
- Mãe, estou na frente da sua mãe, Dona
Anny, e acho que ela gostaria de falar com você.
Minha avó e minha mãe conversaram por
umas longas duas horas. Enquanto isso vi fotos na casa
da minha mais nova avó e tive uma idéia.
Fui rapidamente à estação de trem
para comprar duas passagens. A minha e a da minha avó.
Uma surpresa para minha mãe. Depois de dois dias
na Polônia, fiz as malas e minha avó as
dela. Embarcamos às seis horas da manhã
para chegar a tempo do almoço na Itália.
Chegamos um pouco atrasadas, mas normalmente no sábado
meus pais comem tarde e uma comida bem especial. Nunca
me esqueço da fisionomia surpresa e emocionada
de minha mãe e minha avó. Ficaram mais
de 40 anos sem se ver e sem saber se a outra estava
viva.
Olhavam se abraçavam e conversavam sobre tudo!
Fingi que estava lendo um livro para prestar mais atenção
na conversa das duas. Percebi como era importante para
a minha mãe a presença de Anny e como
a recíproca poderia ser verdadeira. Percebia
que minha mãe tinha muitas coisas mal resolvidas
e com a presença de minha avó, tudo se
encaixaria! Também notava que, como ela foi praticamente
uma órfã a partir dos nove anos de idade,
com a presença da minha avó, minha mãe
poderia me proporcionar mais carinho do que antes. A
minha avó traria mais alegria e emoção
para dentro de casa. Sua experiência de vida,
com certeza, valorizaria a importância da história
de nossa família e de nossos antepassados. Percebi
que, a partir daquele momento resgatei o meu judaísmo.
Não realizo as cerimônias nem sei falar
hebraico mas sinto essa raiz da minha origem forte dentro
de mim e me sinto muito orgulhosa disso. Entendi que
a felicidade do nosso presente depende do orgulho que
sentimos pelo nosso passado.
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Horrorismo
Sérgio
Malbergier, editor da Folha de SP
Os
países islâmicos seguem quase todos ditaduras
fechadas, principalmente no mundo árabe, que
oprimem a população, a economia, o conhecimento,
as mulheres, as diversidades, as liberdades. Hisashi
Tsuda, empresário japonês de 38 anos, pai
de dois filhos, estava fazendo o check-in no hotel Oberoi,
em Mumbai, quando tomou três tiros, no abdome,
no peito e na perna. Morreu no hospital. “Era
um jovem promissor”, disse em Tóquio o
presidente da empresa para a qual trabalhava. Um alemão,
um australiano, um inglês, dois franceses, dois
americanos e muitos indianos estão também
entre as dezenas de inocentes bestialmente mortos no
ataque terrorista contra Mumbai, o centro econômico
da Índia, que teve o seu 11 de Setembro nesta
semana. Um dos principais fracassos de Bush foi na promoção
da justa guerra contra o terrorismo, que ele traduziu
para o mundo como a invasão desastrada do Iraque,
as torturas em Abu Ghraib e as ilegalidades de Guantánamo,
alienando aliados. Mas, como os ataques contra a metrópole
indiana rebatem mais uma vez, o terrorismo segue como
forte ameaça à estabilidade global e fonte
de iniqüidades inaceitáveis nas vésperas
da posse de Barack Obama na Casa Branca. Não
poderia ser diferente. As condições que
geraram a onda terrorista no mundo muçulmano
estão praticamente intactas. Os países
islâmicos seguem quase todos ditaduras fechadas,
principalmente no mundo árabe, que oprimem a
população, a economia, o conhecimento,
as mulheres, as diversidades, as liberdades.
Uma das poucas coisas toleradas, num pacto de governabilidade
sufocante, é a intensa atividade religiosa, crescente
em pleno século 21. Há muito mais mulheres
no Cairo hoje que se cobrem com o véu do que
há 40 anos. O islã tornou-se válvula
de escape e de dignidade diante de regimes autocráticos
e corruptos. Mas esse caldo fervoroso pariu também
o islã radical e niilista da Al Qaeda e de outras
centenas de grupos extremistas que vestem crianças
de cinco anos como meninos-bomba para desfilar em paradas
sob aplausos efusivos do público! A legitimidade
dessa turba assassina diante de milhões e milhões
de muçulmanos é assustadora e deprimente.
A aceitação de seu discurso de ódio
e destruição, onde o não-muçulmano
é o infiel a ser combatido, o judeu é
o porco, o cristão, o cruzado, choca. Em Mumbai,
símbolo da explosão de crescimento e da
vitalidade indiana e uma das histórias felizes
deste século, os terroristas, segundo relatos,
riam na execução da carnificina, disparando
catarticamente contra tudo e todos e buscando estrangeiros,
principalmente americanos, britânicos e, como
sempre, judeus.
Analistas tentam explicar essa banalização
do mal em curso no islã radical: na Índia,
são os problemas da Caxemira e de uma minoria
em meio a centenas de milhões de hindus; no Iraque,
a ocupação americana; nos territórios
palestinos, a ocupação israelense. Mas
não são essas as explicações
para ataques indiscriminados contra civis em pizzarias,
hospitais, ônibus, hotéis, com rituais
de degola de reféns indefesos expostos com orgulho
na internet, ao som de hinos religiosos e heróicos.
A explicação é muito mais profunda
e está dentro do mundo islâmico, não
fora dele. A verdadeira “jihad” (guerra
santa) de Osama Bin Laden nunca foi contra a América
e os infiéis, mas pelo trono de Meca, centro
do islã sob o comando da família real
saudita, que ele chama de corrupta e vendida aos cruzados
do Ocidente. Os atos terroristas nem têm mais
reivindicações específicas. Promovem
o horror pelo horror, no que o célebre romancista
inglês Martin Amis chamou de horrorismo em célebre
ensaio para o jornal “Observer”, em 2006.
Nada mudou desde então. O horrorismo segue aceito
em grandes círculos, fazendo mais vítimas
inocentes (a maioria de próprios muçulmanos,
no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão).
É uma ameaça global, e a resposta a ele
tem de ser global. Quem sabe Obama, chamado na semana
passada de “escravo negro a serviço dos
brancos” pelo número 2 da Al Qaeda, Ayman
Al Zawahiri, poderá promovê-la melhor.
Artigo
publicado na Folha de SP
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“O
mundo judaico brasileiro não pode calar!”
Silene
Balassiano, presidente da Wizo-Rio
Neste
momento de grande perda e dor, a Wizo-Rio, em nome de
seu executivo e corpo de voluntárias, solidariza-se
com as comunidades Chabad Lubavitch em todo o mundo
e com a população indiana em geral vítima
inocente de assassinato bárbaro em nome do terror.
Nossas chaverot em todo o mundo lutam por tornar “A
vida possível”, tanto para o povo judeu
em Israel quanto na Diáspora. E ter a infeliz
oportunidade de presenciar atos como os ocorridos em
Mombai contradiz em gênero, grau e número
toda uma postura que, há aproximadamente 90 anos
de serviços, foi adotada justamente para poupar
nossa tarefa dos dissabores que o radicalismo e a filiação
política de um modo ou de outro terminam por
trazer. Entretanto gostaríamos de nos colocar
frente a comunidade judaica de nosso país, e
em especial de nosso Estado, em relação
ao que foi presenciado por todos na ocorrência
dos fatos acima relatados. Fatos graves, que por de
certo modo ter o poder de tornar vidas impossíveis
merecem de cada um de nós séria reflexão
e o principal, ação.
Nesta semana, mesmo uma das principais matérias
veiculadas em todos os jornais israelenses, tratava
a preocupação das lideranças de
Israel em relação a América Latina
e a infiltração de grupos terroristas
em seus territórios. Talvez, por quem sabe estarmos
envolvidos na lida diária que passou a incluir
em seu cardápio a grave crise econômica
porque passa o mundo, não demos ou não
tivemos tempo para tornar esta preocupação
também uma preocupação nossa enquanto
brasileiros de fé judaica.
Poucas são as vezes em que um título de
matéria jornalística consegue retratar
com exatidão aquilo que precisamos como leitores
ler e ouvintes ouvir, quanto ao que foi dado a manchete
do JORNAL ALEF-EDIÇÃO EXTRA: “O
mundo não pode calar!”. Proposital ou não,
ele foi perfeito para descrever o pouco caso com que
a mídia brasileira maior tratou aquele que está
sendo mundialmente considerado a segunda etapa dos atentados
de 11 de setembro. Falta de informação,
noticiários não atualizados, dados controversos,
tudo isso em pleno terceiro milênio e em meio
a globalização. Os beneficiados com TV
a cabo ainda tiveram a oportunidade de observar a dedicação
com que as equipes dos maiores veículos internacionais
trataram o assunto, infelizmente para a população
brasileira em geral tais informações chegaram
com muitas horas de atraso, quando chegaram. “Deste
modo poderíamos tranquilamente inserir a manchete
um adendo: “O mundo judaico brasileiro não
pode calar!”
Não é novidade que a entrada iraniana
ao território venezuelano é franqueada,
tampouco que a tríplice fronteira já foi
tomada pelos adeptos do terror: testemunhas visitando
o local vem relatando constantemente o “sucesso
de Ibope” que as transmissões da TV Herzbollah
onde as cantilenas contra Israel são exibidas
fazem. Mesmo assim, continuamos calados. Não
nos cabe nem é nosso propósito análises
políticas tampouco como Organização
Feminina manifestações sejam de que natureza
forem, mas, jamais esquecer o que se passou a nosso
povo há pouco mais de meio século atrás
é um juramento de honra a ser para sempre mantido
e eternamente repassado às futuras gerações,
porque um povo que não conta sua história
corre o risco de cair no esquecimento, e certas de que
todos ainda preservam boa memória, cá
nos perguntamos: em vésperas a que data mesmo
ocorreram os últimos atentados de que falamos?
Quem ganhou seu “luach” 5769, não
terá dificuldades de encontrar. Para os que não
tiveram a oportunidade: ao completarem-se os 61 anos
da Sessão da ONU que procedeu “A Partilha
da Palestina”. Fica deste modo justificado, porque
é que não devemos, ou melhor não
podemos, nos calar.
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A
face do medo
Daniel
Benjamin Barenbein, editor-chefe do site “De Olho
na Mídia”
Mais
um ato de mega-terror. A Índia é sacudida
por uma espantosa onda de terror de guerrilha. No que
já está sendo chamado de 11 de setembro
de Bombai, pelo menos 125 pessoas morreram e mais de
300 estão feridas. Dez localidades diferentes
foram atingidas ao mesmo tempo. O medo está de
volta. Londres? Bali? Nova York? Bombai? Que território
estes países "ocuparam"? Qual a desculpa
da hora? O que dirá a imprensa agora? Até
quando o mundo fará vistas grossas para o extremismo
e a cruzada islâmica?
Sabemos que terroristas islâmicos entendem o jogo
político e sabem que podem influenciar eleições.
Já fizeram isto na Espanha e em outras oportunidades.
Portanto, não dá para saber exatamente
qual a razão, mas não é a toa que
houve um ligeiro silêncio durante as eleições
americanas. Porém, bastou o fim delas, para voltar
a chover mísseis Kassam em Israel e hoje esta
série de atentados que atingiu basicamente interesses
ingleses e americanos na Índia.
Neste peixe tem muito molho podre. Não dá
para saber o que é. Mas eles não escolheram
o timming à toa. O que sim é fácil
de identificar e deveria ficar claro é: o terrorismo
que atinge a Índia é o mesmo que atinge
Sderot, Ashkelon e região. Mesmos objetivos,
mesmas motivações religiosas e mesmo discurso,
bem como coordenação do momento de agir.
Desta vez, novamente a mídia os rotulou de terroristas,
não de militantes ou ativistas. Tomem nota deste
ponto, é importante. Me perguntem: porque? A
razão é simples leitores. A mídia
ocidental faz diferenciação entre os atentados
em Israel e em Bali ou em Bombai. Terroristas islâmicos
não. Para eles são diversas frentes de
uma mesma batalha. No documentário “Obsession”,
que trata dos perigos do extremismo islâmico,
a editora-especial do Jerusalem Post, Caroline Glick,
aponta justamente isso e diz que o que os terroristas
fazem é escolher o alvo mais adequado e que apresente
condições ideais no momento, podendo oscilar
devido a segurança mais ostensiva, um regime
simpático ou antipático a eles, como fatores
para a decisão de onde atacar. São cerca
de 80 países ao redor do planeta que estão
lidando com este problema hoje...
É preciso lembrar que para os guerrilheiros islâmicos
a contagem de tempo passa diferente. Enquanto nós
ocidentais estamos contando os acontecimentos dia-a-dia,
mês a mês, para os fanáticos islâmicos,
a contagem é em séculos. Eles demoraram
séculos para conquistar a Europa em outras eras,
porque teriam de ter pressa agora? Para instalar o califado
europeu novamente e conquistar o resto do mundo é
preciso paciência, tempo e preparação.
E ao contrário de nós cansados de guerra,
isto lhes sobra... Uma coisa chama a atenção
neste atentado: uma tática nova, a “Guerrilha
urbana”. Com armas sofisticadas e metralhadoras.
Não se pode dizer que seja algo como muita gente
quer crer: apenas uma "revolta" (é
sempre preciso arranjar uma desculpa) contra o domínio
indiano sobre a Kashmira, algo local. A prova disso
é a escolha dos alvos: americanos, ingleses e
israelenses na região. Não contra indianos.
Faria sentido se fosse assim.
Por outro lado não se atribuir a griffe Al Qaeda
(porque agora qualquer atentado pelo mundo excetuando
Israel se esconde sob esta sigla) a violência
na Índia. Os métodos do grupo incluem
sempre ou homens-bomba, ou explosivos de controle-remoto.
Desta vez foi totalmente fora do padrão. Não
teve nem um, nem outro e incluiu sequestros e manutenção
de reféns por dias a fio. As ruas de Bombai se
tornaram praça de guerra. O tom está sendo
elevado. Se confirmadas as informações
de que os bandidos vieram do Paquistão, o ato
talvez redunde em uma guerra nuclear (ambos os países
tem a bomba). Em última instância, talvez
esta fosse a intenção dos criminosos desde
o princípio.
A cada dia a cruzada islâmica inova em seus instrumentos
e se existe algo que não podemos reclamar é
de falta de criatividade: explosivos líquidos,
aviões, tratores, seqüestros, enfim... vale
tudo para causar terror, pânico e morte. Porém
desta vez para a tristeza da militância de esquerda,
o alvo atingido foi à Índia, país
historicamente pobre, tolerante (tem 100 milhões
de muçulmanos com todos os direitos), e não
se pode alegar que foi uma revolta de "oprimidos"
contra "opressores" (o país é
pacífico e conta com um passado de colônia),
situação reducionista e maniqueísta,
parte da manipulação que vemos em veículos
de imprensa mundo afora todos os dias.
Bem, sempre poderão alegar que foram hotéis
de luxo e os alvos eram ingleses, americanos, israelenses
e judeus. Ah sim, judeus. Eles tinham que estar no meio...
novamente vítimas. Mais uma vez no centro da
confusão. Da Amia a Bombai, passando por Jerusalém
e Sderot, lá estão os judeus outra vez.
Os canários do texto da Pilar Rahola: aqueles
que sempre estão na frente de todo totalitarismo,
sendo as primeiras vítimas do que vai atingir
o mundo inteiro depois. O alerta... seja no nazismo,
no comunismo ou no islamo-fascismo... Ahmadinejad, o
líder iraniano que representante o que de pior
existe no islamismo fundamentalista está vindo
ao Brasil. Financiador do Hezbollah e do Hamas, quem
sabe ele não deu uma mãozinha em Bombai
também? O que o mundo vai esperar? Que ele sacrifique
Israel para quando decidir partir para a Europa e os
EUA em seus grandes planos de conquistas (em um vídeo
pelo menos, ele afirma que seu sonho é ver a
bandeira do islã tremulando em todas as montanhas
do mundo), a humanidade decida reagir?
O terror expõe mais uma vez sua cara feia. Nos
solidarizamos com as vítimas. A Índia
merece apoio. A face do medo nos assombra. Quando iremos
contra-atacar? Quando enfim a democracia e a civilização
prevalecerão? Hoje não conseguimos vislumbrar
uma saída...
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Filosofia
da Paz - Civilização e Barbárie
Palestra
proferida por Herman Glanz, presidente da Organização
Sionista do Brasil, durante o “II Fórum
Filosofia da Paz – Civilização e
Barbárie”, da Academia Brasileira de Filosofia
em conjunto com a
organização japonesa Soka Gakkai Internacional
no Brasil, com a
participação de João Ricardo Moderno,
presidente da Academia
Brasileira de Filosofia; do Brigadeiro Carlos de Almeida
Batista,
presidente do Clube da Aeronáutica; do astrônomo
Rogério de
Freitas Mourão, da Academia Brasileira de Filosofia;
de
José Carlos de Assis, presidente do Instituto
Desemprego Zero,
e de Pedro Paulo, vice-presidente da Soka Gakkai Internacional–Brasil.
“Nação
não levantará espada contra outra nação
e as nações não aprenderão
mais a guerrear”, na visão do Profeta Isaías.
As nações não mais levantam espadas:
levantam mísseis que baixam bombas. Contudo,
as nações demonstraram serem alunas aplicadas
em matéria de guerras – continuaram bárbaras.
As guerras não acabaram. Passados mais de 2700
anos desde que tais palavras foram proferidas, muito
pouco tempo passou a humanidade sem guerras; somados
os períodos esparsos, segundo levantamento feito,
não teríamos dois séculos sem guerras,
naquilo que é sabido, não se computando
pequenas escaramuças.
Voltemos ao início. Barbárie e civilização
são termos antagônicos; o bárbaro
crê na barbárie, como disse Lévi-Strauss;
o bárbaro não considera humano um membro
de cultura diferente da sua. A civilização
vem de civil, o ser humano em sociedade. Um indivíduo
sozinho não faz a guerra por ausência de
com quem guerrear. Para fazer a guerra com outrem, basta
um querer; para fazer a paz é preciso dois quererem.
No fundo, tudo é disputa de poder, por egoísmo,
inveja, narcisismo e ódio, ódio que é
explorado para gerar a guerra e fanatismo. Como disse
o líder sionista judeu, Zeev Jabotinsky –
“o ódio é o molho bem apimentado
que ajuda a engolir e digerir as políticas”.
É isso que vemos quando se fala de satanás,
que impede o progresso das pessoas e até impede
a conquista da pessoa amada, assim como o ódio
ao burguês e às “zelites”,
responsáveis por todos os males do povo e ódio
aos judeus, responsáveis por todos os males de
todos. O ódio aos americanos é explorado
por uma parcela que se auto-proclama liberal, narcisisticamente.
Hugo Chávez, quando discursou na ONU, no ano
passado, disse ainda sentir o cheiro de enxofre do Presidente
americano, Bush, que falara um dia antes. Os movimentos
que presenciamos hoje em dia: globalização
e antiglobalização, multiculturalismo,
ocidentalismo, orientalismo, são expressões
cunhadas em busca de poder, que nos lembram de Drumond
e sua Passárgada, onde, amigo do Rei, terá
a mulher que quiser na cama que escolher, sem protesto
do feminismo. O poder. O reino do totalitarismo.
Para conquistar o poder fazem-se guerras, que se reciclaram
com os meios que o desenvolvimento apresenta. Inventou-se
a democracia para ungir um dirigente sem apelo ao divino,
que antes garantia o Rei; uma Constituição
– onde todo poder emana do povo, mas temos juízes
que dizem que as leis devem ser interpretadas conforme
a realidade e não conforme o texto, realidade
que será decorrente da visão e interesses
de cada um, transformando democracia em totalitarismo.
Usa-se a democracia para chegar ao totalitarismo. Hitler
chegou ao poder democraticamente e imediatamente começou
a barbárie com a pregação de seu
Partido Político, o Nationalsozialistische Arbeiter
Partei Deutschland – Partido dos Trabalhadores
Socialistas-nacionalistas da Alemanha, abreviadamente
- nazista. O que se seguiu, todos sabemos, com exploração
do ódio aos judeus, numa aliança com a
Itália e o Japão. Mas enquanto durou o
Pacto Teuto-Soviético, a oposição
era nazista, silenciando contra os crimes hediondos,
aproveitando para fazer a sua parte nesse latifúndio
criminoso. Como hoje, silencia-se quando o ódio
interessa e é apoiado, como o ódio aos
judeus, que ainda persiste. Totalitarismo.
Hoje também se busca chegar à barbárie
do totalitarismo, através da democracia, por
meio do embuste, do engodo, da demagogia, da fala envolvente
e da compra de apoio. E de uma guerra que foi desenvolvida
com mais requintes de crueldade: a guerra adjetivada
de assimétrica. A guerra assimétrica do
terrorismo totalitário e a guerra assimétrica
do totalitarismo do estado social e da economia, do
conflito cultural ou de civilizações,
ocidentalismo e orientalismo, onde valores diferem fundamentalmente,
sem falar em fundamentalismo, pois não são
fiéis os de diferente culturas, repudiando-se
as formas diferentes de religião, da ética,
da cultura, da sociedade, do estético, diferenças
que são punidas com a morte. E existe quem apóie
e chame isso de religião de paz.
A assimetria dá ao totalitário a primazia
dos valores culturais e de civilização,
com valores ‘éticos’ próprios,
valores que justificam a guerra desencadeada. É
essa ”civilização” que garante
ao agressor usar de quaisquer meios, como a força
inclusive contra mulheres e crianças, numa matança
indiscriminada como a dos homens-bomba ou homicidas-bomba,
justificada pela própria “civilização”,
para nós - barbárie. Empregando os modernos
meios de marketing, com ajuda de técnicos ocidentais,
da ‘outra’ civilização inferior,
obriga o inimigo a respeitar as leis e convenções
internacionais do ocidente, quando o atacado se defende,
mas que o terrorista não se vê obrigado
a respeitar, porque não se enquadra na sua “civilização”.
A defesa do atacado não pode atingir áreas
civis, por exemplo, enquanto o terror nada respeita
segundo a sua própria ‘civilização’,
matando civis e se entrincheirando entre civis. Evidentemente
o marketing tem o estribo no ódio ao atacado,
sem o qual não vingaria. Se o atacado vai contra
a “ética” do terror, o marketing
faz de vítimas os terroristas. A legalidade não
é empregada e só serve para o atacante.
Assim foi quando o terror atacava o Estado de Israel
(e ainda é), situação que se modificou
com o 11 de setembro de 2001. Mas ainda há quem
propague que esse 11 de setembro foi obra dos próprios
americanos atacados, ou mesmo de Israel. Outro fator
da barbárie de uma ‘civilização’
do terror, é o tempo empregado como elemento
de guerra, além de não se interessar pelos
seus próprios terroristas e sua própria
gente. Fustiga-se o inimigo permanentemente, durante
muitos anos, até que o inimigo se desespere,
perca o seu moral, porque não se pode viver permanentemente
sob o signo do terror. Para a assimetria, a morte de
seus não é problema, como o caso dos homens-bomba
bem exemplifica.
E é esse fator da assimetria que gera a chamada
Síndrome Sueca, onde o atacado acaba apoiando
o inimigo, sentindo-se culpado pelo que ocorre, buscando
o apaziguamento (de triste memória), numa forma
de suicídio anunciado. Não só segmentos
em Israel comungam com os terroristas, vistos como vítimas.
No Brasil, o apego às mesmas idéias, vê
a Bolívia tomar a Petrobrás e o governo,
com os recursos de todos, declara que a Bolívia
precisa de ajuda, como se o povo brasileiro não
precisasse. O mesmo se dá com o Paraguai, onde
Itaipu foi toda financiada com recursos do povo brasileiro,
mas o Paraguai deve ser ajudado, sem falar no Equador,
onde empresa com financiamento do BNDES é expulsa,
gerando dívidas para todos os brasileiros.
A guerra assimétrica também se infiltra
no seio do inimigo. Vindos como mão de obra ou
como chegados por diversas formas, montam células,
que ficam adormecidas para acordar num futuro e praticar
atentados terroristas, ou passam a constituir contingente
significativo para realizar arruaças e ameaçar
com atentados e, de fato, praticá-los, difundindo
o medo e o pânico entre a população
local. A Europa já sucumbiu, buscando uma acomodação,
para não dizer apaziguamento. A Itália
já ajudou os terroristas financeiramente e com
fornecimento de armas, para ser deixada de lado, e na
Inglaterra criaram-se até Cortes específicas
segundo a Shari-á.
Dentro dos EUA também existem americanos que
atacam o próprio país, como suicidas,
defendendo o terror para derrubar o governo e assumir
o poder. Não estamos aqui em defesa dos EUA,
pois, como sempre dizemos, o que é bom para os
americanos não significa ser bom para nós.
Apenas constatamos fatos. A eleição de
Barak Obama foi normal, como uma reação
ao governo Bush. Na Venezuela, Chávez protesta
porque a oposição quer assumir o governo,
como se não fosse da democracia a oposição
querer assumir o governo e virar situação.
Aí está a barbárie.
O ódio continua sendo o fator aglutinante para
alcançar um apoio generalizado. O anti-americanismo
também serve para alavancar ações
totalitárias e, juntamente com o emprego da demagogia,
juntam-se opositores. A Venezuela traz a Rússia,
que procura se erguer com uma nova-velha guerra-fria;
traz o Irã, que carrega o perigo fundamentalista,
cuja ética não se entende com o ocidentalismo
e busca, por seu lado, a volta do Califado, além
de ser fonte alimentadora e financiadora do terror.
Significativo é vermos o Brasil seguir junto,
demonstrando um consenso latino-americano, formado com
o terror, alimentado pelo narcotráfico. Parece
que há uma Ordem Mundial. Artigo recente de revista
inglesa mostra que lá também há
bolsa-família, apoio aos sindicatos e trabalhadores
de determinadas áreas em troca de votos, desmantelamento
das Forças Armadas, tudo semelhante. Também
não estamos defendendo os ingleses, apenas constatando
que existe algo mundial, e que o bolsa-família
não é idéia nova. O culto da personalidade
se faz por meio de índices de pesquisa.
É preciso enxergar as garras do totalitarismo,
da barbárie presente em atos do governo, lamentavelmente
com o apoio até de intelectuais impulsionados
pelo ódio, pelo egoísmo, pelo narcisismo,
pela busca do poder para serem amigos do Rei e desfrutarem
das benesses de uma “zelite”, que dizem
combater, sem se dar conta de que são as próprias
“zelites”. Por isso, vislumbrar uma paz
próxima, nos parece distante".
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envie a sua opinião!
Entrevista:
Mashina
considerada a maior banda
de rock de Israel
Às
vésperas de viajar para o Rio de Janeiro, onde
farão na terça-feira (dia 25 de novembro)
um show no Canecão (Rio de Janeiro), os músicos
do Mashina, considerada a maior banda de rock de Israel,
concederam uma entrevista exclusiva ao jornalista e
produtor Jaime Barzellai, especial para o Jornal ALEF.
Informações sobre a banda: clique
aqui ou acesse
aqui.

Yuval
Banai (vocalista), Avner Hodorov (pianista), Michael
Benson
(baixista), Shlomi Bracha (guitarrista), Yggy Dayan
(baterista)
Que
tipo de musica vocês ouviam no início de
carreira e quais os cantores de Israel que vocês
mais curtem? A música que mais nos influenciou
foi o rock dos anos 70. Depois vivenciamos o “new
wave” dos anos 80 e foi o início de nossa
carreira. Ouvimos mais a música de periferia
e não o “pop” comercial. Com o rock
ocidental que tocava pelo mundo, mesclamos um pouco
de elementos orientais música de nossas raízes.
Em Israel nossa música fazia parte da música
de muitos artistas que tocavam conosco na noite e nos
clubes, como Rami Fortis, Jean Conflict, Minimal Compact
e a banda Click. Curtimos bastante no passado Shalom
Hanoch, Arik Einstein, Kaveret, Ariel Zilber e hoje
também, além da músicas israelenses
antigas que nos acostumamos a ouvir desde a infância.
Conhecem
algo sobre a música brasileira? Qual é
a expectativa de tocar no Rio de Janeiro? No
mundo todo tocam a música brasileira e aqui em
Israel também. Ela é de muita qualidade.
A Debi cunhada do baterista Yggy é brasileira
e sua família sempre esteve envolvida com a música
brasileira em Israel. Ela nos apresentou a vários
artistas, ritmos e sons variados. Ouvimos Gilberto Gil,
Gal Costa, Caetano e Tom Jobim que vieram se apresentar
em Israel, além de bandas como os Paralamas,
Kid, Barão que também gostamos. Estamos
realmente bastante emocionados e ansiosos de conhecer
o Rio de Janeiro e tocar na festa do Habonim. Ouvimos
de várias pessoas que já estiveram no
Brasil sobre o importante trabalho do movimento juvenil.
Sobre o Brasil, ouvimos sobre as praias, as paisagens,
a boa comida, mas o que mais marca as pessoas com quem
conversamos, é a solidariedade e a simpatia do
povo brasileiro.
O
que o Mashina pode transmitir aos jovens? Vocês
acham que a música pode ser uma forma de aproximação
entre os povos? Através da nossa música
podemos transmitir um pouco mais de nossas raízes,
nossa cultura e nossa realidade. A música é
parte importante na vida do nosso povo e na educação
judaica, principalmente aos jovens da diáspora.
É uma forma também de aproximar os judeus
espalhados pelo mundo do Estado de Israel. Afinal de
contas como diz uma de nossas músicas “ein
makom acher” (“não há outro
lugar”). Temos nos apresentado muito para o público
geral, fora da comunidade judaica e israelense que vive
fora de Israel. Achamos que a música, sim, tem
um papel importante na aproximação e coexistência
entre os diferentes povos. Quando a mensagem na música
é positiva, de paz e apolítica, como é
a nossa música, o público sente e se identifica.
Se todos aqueles que brigam entre si, tocassem e cantassem,
acreditamos que não teríamos guerras no
mundo.
Artistas
de Israel às vezes são hostilizados em
alguns países por onde se apresentam. Isso já
aconteceu com o Mashina? Sempre escutamos de
colegas que, infelizmente, isso ainda acontece em alguns
países. Fizemos há pouco tempo alguns
shows na Suíça e nos EUA. Teve um caso
de uma passeata anti-Israel na mesma hora que nos apresentávamos
num grande teatro. Só soubemos do episódio
depois do show ter acabado. Mas não nos recordamos
de sofrer atos hostis pela nossa condição
de judeus israelenses. Graças a Deus, dos shows,
lembramos sempre do carinho e reconhecimento do público
pelo nosso trabalho.
Como
é a agenda da banda e como será o próximo
trabalho? O Mashina vem se apresentando bastante
em Israel e em vários países pelo mundo.
Viajamos muito aos Estados Unidos. Em maio deste ano
fizemos dois shows memoráveis para milhares de
pessoas. Um em Los Angeles e o outro em Nova York. Em
Israel terminamos agora uma grande turnê com o
cantor Ehud Banai e estamos concentrados na gravação
de um DVD baseado no nosso Show Unplugded com os melhores
momentos de nossas carreiras. Cada músico da
banda tem a sua carreira paralela, mas estar com a banda
compondo, cantando e curtido juntos tantos anos na estrada
é um prazer e é gratificante. Somos praticamente
uma só família. A todos no Brasil, nossa
mensagem é de Shalom e esperamos que gostem do
show e venham nos assistir também em Israel.
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Entrevista:
rabino David Weitman
Trechos
da entrevista concedida pelo rabino David Weitman, da
Sinagoga Beit Yaacov, conhecida como "a sinagoga
dos Safra” a Joyce Pascowitch e Maurício
Stycer, jornalistas da “Revista Poder”:
“Acho
que há uma grande volta para as religiões,
em geral. Em particular, no judaísmo, estamos
assistindo a muitos jovens procurando por raízes.
Não vamos esquecer que as gerações
anteriores tiveram um problema de pobreza, de formação
(poucos cursaram a escola) e houve o Holocausto. Hoje,
muitos filhos querem aprender o que os pais não
transmitiram”.
“Tento
transmitir a autêntica mensagem judaica, válida
para todas as épocas. Nosso povo tem valores
que já duram 3.300 anos. Uma coisa que dura 3.300
anos deve ser boa. É isso que as pessoas procuram:
não a minha pessoa, mas a mensagem, que é
verídica”.
“A
Igreja Católica está passando por uma
certa crise, mas não vamos esquecer que é
uma religião que atinge bilhões de pessoas.
Por outro lado, talvez seja difícil para uma
pessoa se associar, ou se identificar, com um líder
religioso que não é casado, não
tem filhos. No judaísmo, para ser líder
religioso, tem de ser casado, tem de ter filhos. Só
assim a gente entende problemas conjugais, conflitos
de geração, de pais e filhos... Os fiéis
se identificam com isso, vêem que a gente fala
com conhecimento de causa”.
“Aprendi
com meus pais a ler bastante. Essa leitura me ajudou
muito a ter uma visão ampla das coisas. Uma cultura
abrangente ajuda”.
“Na
hora de fazer uma prédica, a gente procura nas
fontes judaicas soluções para problemas
atuais. Nós acreditamos que a mensagem de Deus
é atual. Estudando a Torá, que é
a Bíblia judaica, se olhar bem entre as linhas
e nos comentários, é o jornal de amanhã.
Tenho a convicção absoluta que temos na
Torá as respostas a todos os problemas. Se eu
não sei, um outro sabe”.
“A
mensagem que nós rabinos estamos tentando transmitir
é uma mensagem verdadeira. É uma mensagem
milenar, que passou por todos os "ismos",
comunismo, socialismo, fascismo, e mostrou que é
duradoura, permanente. As pessoas procuram a mensagem,
não a pessoa. Procuram uma filosofia de vida
que possa ajudá-las na sua auto-estima, formar
famílias sólidas, ter um bom diálogo
com os filhos. É isso que as pessoas procuram.
E o judaísmo tem soluções para
isso. E a gente está transmitindo essas soluções
- o que faz com que muitas pessoas queiram ser nossos
amigos e aprender”.
“Hoje
em dia existe uma instituição que é
extremamente açoitada, que é a família.
Seja em conflitos marido-mulher, pais e filhos. E as
pessoas precisam de amparo, de ajuda, de um conselho
bom. E esse conselho tem de vir de pessoas que prezam
a família. Eu não posso me aconselhar
sobre problemas conjugais com alguém que não
preza a família. Não tem sentido. As pessoas,
muitas vezes, procuram soluções rápidas,
vapt-vupt, o que não existe. Mas existem possibilidades
de melhorar tudo em qualquer relacionamento”.
“Cada pessoa tem de contribuir com o que pode.
O pobre, que não pode contribuir com dinheiro,
pode dar o seu tempo, sua energia, sua criatividade.
Contribuir com dinheiro também é válido.
Se Deus abençoa alguém que tem mais possibilidades,
essa pessoa deve ajudar mais. Não é uma
obrigação, é uma conscientização”.
“Em
geral, é bom que a filantropia, a benevolência,
seja feita com discrição e humildade.
Mas, também, não pode ser discreto demais
porque, do contrário, não incentiva ninguém
a fazer. É bom saber que tem gente que ajuda.
Sem dúvida, uma doação discreta
é mais valiosa, mas também tem o seu valor
quando se sabe que alguém dá”.
“Quem
procura uma sinagoga tem de ser bem recebido, independentemente
de quem ele é, do que ele fez, se ele observa
a religião, ou não. Também é
importante transmitir uma mensagem autêntica,
as pessoas procuram por autenticidade. Não querem
mais um paliativo, uma religião água com
açúcar. Querem saber o que o judaísmo
diz - sobre a pena de morte, sobre célula-tronco,
sobre sexo, sobre tudo. Estamos tentando transmitir
a mensagem autêntica, sem maquiagem, mas de uma
forma acessível para todos, popular e com muito
amor. Acho que isso é uma receita boa para hoje
em dia”.
“É
muito importante pesquisá-las. A pergunta é:
de onde extraí-las? Células-tronco extraídas
do cordão umbilical ou da espinha dorsal não
têm problema. A questão ética forte
é se podem criar embriões com o fim exclusivo
de pesquisa. O judaísmo acredita que a pesquisa
é boa, que tudo que se possa fazer para salvar
o ser humano é válido, desde que não
abreviemos a vida de um outro”.
“O
judeu precisa se conscientizar, se ele quer a bênção
divina, ele também tem de deixar o seu telefone,
ele tem de fazer alguma coisa. Para o rapaz judeu, é
fundamental colocar os tefilin. Isso é um celular
para se comunicar com o Altíssimo. Eu diria até
que é uma ligação a cobrar. É
Deus quem paga. Assim como, para a mulher judia, acender
as velas na sexta-feira à noite (Shabat) é
essencial. Não só ilumina a casa dela,
mas dá uma iluminação espiritual.
Isso é básico. A alimentação
kasher também é importante. Acreditamos
piamente nas palavras da psicologia moderna, que dizem:
o homem é o que ele come. Se eu como um animal
cruel, ou feroz, isso faz diferença. Nenhuma
ave de rapina é kasher. Nenhum fruto do mar é
kasher, porque eles se alimentam do lixo dos portos.
Todos os animais permitidos são dóceis
e domésticos”.
“A
nossa receita de felicidade para o não judeu
é aderir às sete leis universais de Noé.
Acreditar em um Deus único e respeitá-lo,
respeito à vida humana, respeito à família,
respeito à propriedade alheia, respeito aos animais
e seguir a justiça. Aderir a essas leis é
um portão para o mundo vindouro”.
“Não
tenho televisão em casa, não vou ao cinema
nem ao teatro, mas leio bastante. Uso a Internet apenas
como meio de trabalho. Acredito que, sabendo o que acontece
no mundo, seguindo os desenvolvimentos tecnológicos
e com a mensagem milenar da Torá, a gente pode
passar tranqüilamente por todas as tempestades”.
“Às
vezes é difícil ser otimista. Tragédias
como essa da criança na janela deixam você
triste. São casos que degradam um pouco o ser
humano. O ser humano deve ser reto: a cabeça
e o rabo não podem ficar na mesma altura. Esse
é o animal. O ser humano tem a cabeça
acima do coração, o coração
acima do resto dos órgãos. Mas não
podemos nos deixar impressionar por esses episódios.
Temos de acreditar que o homem tem uma alma divina,
foi criado à imagem de Deus e tem um potencial
fantástico. E vamos extrair o melhor de cada
um”.
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A
vida judaica em Cuba
Marcia
e Daniel Sasson estiveram em Cuba, onde ele participou
como palestrante do “III Congresso Latinoamericano
e do Caribe
de Economia da Saúde” e ela produziu o
texto abaixo:
Não
foi difícil achar uma sinagoga em Cuba. Em uma
das principais avenidas da capital uma placa indica
a direção. O enorme prédio com
uma escadaria na frente não possui grades ou
muros e nenhum segurança estava rondando a porta.
Toquei a campainha e um senhor atendeu. Após
nos identificarmos (eu e meu marido Daniel) fomos convidados
a entrar e enquanto visitávamos a instituição
ele nos fez um breve relato dos mais de 100 anos de
história da sinagoga. Conhecida como El Patronato,
a Sinagoga Bet Shalom abriga o maior número de
freqüentadores das três sinagogas existentes
em Havana. Lá, além da sinagoga, funciona
uma biblioteca, uma escola dominical para crianças,
que aprendem cultura judaica e hebraico, um amplo refeitório
que recebe cerca de 100 pessoas para o Kabalat Shabat,
uma organização feminina e um grupo de
dança israeli.
As placas, em uma das paredes do prédio, homenageiam
os que ajudaram a construir e manter a instituição
e agradecem aos judeus de diversos países que
fazem doações para a comunidade judaica
de Cuba, hoje restrita a 1.500 pessoas em uma população
de 11 milhões de habitantes. Uma outra parede
exibe fotos de Fidel Castro quando de sua visita à
sinagoga, em 1999.
A partir de 1959, após a revolução
comunista, a maior parte da população
judaica, cerca de 25.000 pessoas, constituída
principalmente de judeus sefaradis vindos da Turquia
e uma parcela menor de asquenazi, provenientes do leste
europeu, imigrou para os EUA e outros fizeram aliá,
mas aqueles que continuaram a viver na ilha procuraram
seguir as tradições judaicas do jeito
que podiam e como lhes era permitido.
Algumas quadras adiante outra placa indica o Centro
Hebraico Sefaradi de Cuba. Mais uma vez ficamos surpreendidos
pelo tamanho do prédio. Lá fomos recebidos
pela médica Mayra Levy, sua atual presidente,
que nos contou que a entidade possuía uma sinagoga
com capacidade para 700 pessoas mas que, com a diminuição
da comunidade, tiveram que alugar o salão e hoje
a sinagoga ficou reduzida a um espaço que comporta
cerca de 100 pessoas. Além das rezas diárias
e do kabalat Shabat, semanalmente um grupo de senhoras
se encontra para troca de receitas. Todas as festividades
do calendário judaico são comemoradas,
mas nas grandes festas a Bet Shalom se une ao Centro
Hebraico Sefaradi e seus membros celebram Rosh Hashaná
e Iom Kipur juntos.
Com o bloqueio econômico dos EUA, o povo como
um todo carece de muitas coisas e a comunidade judaica
de mais um pouco, como livros, filmes, comidas de Pessach
e produtos Kasher. Apesar de existir um único
açougue kasher, a maioria dos judeus mantém
kashrut, segundo a Dra. Mayra, se restringindo a comer
peixe e frango, pois a carne de porco é muito
consumida e está presente em muitos pratos da
culinária cubana. Uma terceira sinagoga de rito
ortodoxo funciona no bairro de Habana Vieja, “Patrimônio
da Humanidade”, segundo a Unesco. Uma quadra antes
da sinagoga uma praça ostenta uma enorme menorá
inaugurada pelo líder cubano em memória
às vítimas judias do Holocausto. Apesar
de a revolução ter mudado radicalmente
a vida das pessoas, nenhuma expressão religiosa
foi coibida e não há anti-semitismo em
Cuba. A única restrição aos praticantes
de qualquer credo é não poder pertencer
ao Partido. Faz sentido!
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Mangabeira
Unger e Israel
Nahum
Sirotsky, correspondente do iG em Israel
O
ministro Mangabeira Unger e uma delegação
de civis e militares brasileiros chegaram a Israel para
uma visita cuja parte oficial começará
amanhã (dia 17 de novembro). Talvez seja a maior
delegação a vir ao país. E estará
recebendo tratamento reservado apenas aos mais importantes
visitantes. O programa prevê conversações
e visitas a locais de importância estratégica
israelense, e encontros com as mais altas autoridades
militares e científicas nos setores de interesse
direto de Mangabeira Unger. A delegação
brasileira chega a convite do governo. E um alto funcionário
israelense explica que é outra demonstração
do que qualificou de “estado de excelência”
a que chegaram as relações entre os dois
países.
A ministra da Educação, Yuli Tamir, deve
se reencontrar com o ministro brasileiro, a quem conheceu
nos EUA. Há curiosidade nos altos meios, pois
é sabido que Mangabeira Unger foi um dos professores
de Barack Obama na Universidade de Harvard. Continua
circulando nos meios políticos e diplomáticos
que o presidente Lula virá a Israel nos primeiros
meses de 2009. O dia exato ainda não teria sido
fixado devido às eleições gerais
israelenses em fevereiro, quando se poderá formar
o novo governo. O atual é interino. Nos meios
da diplomacia israelense prevê-se a primeira visita
de Lula a Israel como presidente. Seria na primeira
metade de 2009. Lula esteve no país quando líder
sindical.
Comente,
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Vitória
de Obama deve inspirar judeus
Jornal
israelense "Haaretz"
A
eleição do democrata Barack Obama nas
eleições presidenciais americanas traz
novas perspectivas para Israel e um novo passo em direção
ao conceito de igualdade e humanidade. A análise
foi publicada pelo jornal israelense "Haaretz".
De acordo com a publicação, a vitória
de Obama, primeiro presidente negro dos EUA, é
marcante para os judeus que já vivenciaram os
males do preconceito e sabe a importância do conceito
de que todos são iguais. "Apenas no século
XIX os judeus começaram a receber direitos iguais
em muitos países e foi apenas no século
XX que os judeus foram efetivamente aceitos nas sociedades
ocidentais. Até algumas décadas atrás,
mesmo nos EUA, os judeus não eram aceitos em
alguns clubes e empresas de advocacia”. Se os
judeus exigem que o mundo não esqueça
os 6 milhões de vítimas o Holocausto,
afirma o "Haaretz", não deveria esquecer
também os 6 milhões de negros mortos durante
a longa história de escravidão. Obama
deve levar também uma nova perspectiva de negociação
com os muçulmanos, que não poderão
usar argumentos anti-muçulmanos contra um homem
que se chama Barack Hussein Obama e tem parentes muçulmanos.
A rede terrorista Al Qaeda disse claramente preferir
o republicano John McCain por ser um inimigo muito mais
óbvio. Como um presidente cosmopolita, com uma
história muito mais global que tipicamente americana,
Obama deve levar ao governo americano a causa dos universalistas,
como os judeus "que nunca se encaixaram em uma
categoria simples". O jornal ressalta, contudo,
que Obama não será a solução
para todos os problemas da região e nem mesmo
dos EUA. "Ele tem grandes desafios à frente
e nós ainda temos que ver quanto tempo e energia
ele vai dedicar à sua promessa de não
abandonar o conflito no Oriente Médio",
escreve. Mas o democrata americano deve servir de inspiração
para os judeus refletirem porque na próxima eleição
israelense não tem um candidato que traz a esperança
como lema. "Talvez seja porque nenhum de nossos
líderes em potencial defende a idéia de
uma humanidade universal e dos direitos humanitários
que inspiraram tantos judeus durante os últimos
dois séculos", conclui o "Haaretz".
Comente,
envie a sua opinião!
A
Noite dos Estilhaços
Jeanette
Erlich
Entre
os livros que havia na casa dos meus pais, ha um pequeno
texto, impresso em gótico em Darmstadt, Alemanha,
cujo título se traduz para “As perseguições
aos judeus em Speyer, Worms e Mainz no ano de 1096,
durante a Primeira Cruzada” (referência
1, veja no final do artigo). O autor, Moses Mannheimer,
escreve no prólogo: “...pois apesar de
nos depararmos (no relato) com ações abomináveis
e horrivelmente cruéis, que entristecem qualquer
coração e diante das quais o gênio
da humanidade esconde entristecido o seu rosto, de outro
lado irá satisfazer a elevada consciência
de que vivemos num tempo em que, independente de cultura
ou humanidade, as firmes leis estatais tornam inviável
a possibilidade de que algo semelhante possa voltar
a acontecer”. O texto acima é datado de
1877, isto é, apenas 56 anos antes da instalação
do nazismo na mesma Alemanha! Enquanto o nazismo se
instalou oficialmente na Alemanha em 1933, a Kristallnacht
aconteceu em 9 de novembro de 1938, na Alemanha e na
Áustria, que então já havia sido
anexada. Recebeu esse nome mais apropriado para um evento
festivo dizem, para lembrar, ironicamente o sorriso
no rosto daqueles que se alegraram com o que aconteceu
nesse dia.
Mas esta data não foi, absolutamente, o início
da escalada de violência contra os judeus na Alemanha
nazista. Desde 1933 e até mesmo antes, houve
assassinatos perpetrados por membros da organização
nazista e certamente desde os primeiros dias do governo
nazista decretaram-se leis e houve ações
como: a expulsão dos judeus do quadro do funcionalismo
público (a exceção dos ex-combatentes
da I Guerra), boicote obrigatório das lojas de
judeus no dia 01 de abril de 1933, seguido de ataques
e saques, demissão de empregos, expulsão
do sistema de seguridade social, obrigação
dos médicos a atender arianos sem serem remunerados,
desapropriação de empresas, expulsão
de alunos e professores judeus das escolas e das universidades,
aprisionamento e morte em campos de “detenção”
a qualquer suposto motivo, surras, ataques físicos
de grupos nazistas organizados ou não, proibição
de participação em agremiações
esportivas, proibição de passeio nos parques
públicos, venda forçada de residências
por preços absurdos, perda de cidadania (não
eram mais cidadãos judeus alemães mas
sim judeus na Alemanha), etc. etc. Vemos, então,
que a chamada Kristallnacht foi a continuação
em escala muito mais violenta, de um processo de agressão,
humilhação e deslegitimação
do cidadão judeu alemão.
O suposto estopim do episódio desse dia, 09 de
novembro de 1938, é conhecido: um jovem de dezessete
anos que vivia em Paris, dá um tiro matando um
diplomata alemão na embaixada, ao saber do que
acontecia com a sua família: Estavam entre os
doze mil poloneses que viviam legalmente na Alemanha
há vinte anos e que foram expulsos da noite para
o dia, sem poderem levar mais do que uma mala, deixando
para trás tudo que lhes pertencia e o que haviam
construído. Não sendo aceitos na Polônia,
viram-se junto a uma multidão, abandonados numa
estação de trem na fronteira, esperando
desassistidos, com frio e com fome, levados ao desespero
e à loucura. O pretexto para uma escalada contra
os judeus não poderia ser melhor. Como primeira
medida, os jornais judeus foram imediatamente proibidos
a circular, de maneira que deu-se a ruptura do elo que
tentava manter coesa, orientava e apoiava a comunidade
ainda existente e suas organizações culturais,
religiosas e assistenciais que, entre outras necessidades,
ajudavam e viabilizavam onde possível, a emigração.
O que se segue, na Kristallnacht, dificilmente será
compreendido por qualquer um de nós que não
conviveu com a situação. Através
da devida exploração, pela mídia,
do assassinato em Paris, responsabilizando os judeus
pelo acontecido e mais uma vez usando o fato como prova
de que esses construíam uma campanha contra a
Alemanha, e de discursos apropriados da liderança,
a população foi “preparada”
para uma histeria potencializada. Ordens haviam sido
dadas pela liderança, através telefonemas
e conversas pessoais. Nunca por escrito. Grupos organizados
iniciaram então a queima de sinagogas e a população,
estimulada, expressando todo o seu ódio e satisfação,
participou ativamente incendiando e apedrejando as sinagogas
por toda a Alemanha e Áustria, em cidades e em
aldeias. As sinagogas eram invadidas e saqueadas, sendo
levados quaisquer objetos de ritual com valor material.
Móveis e livros jogados à rua e queimados.
Sifrei Torá desenrolados e jogados à rua
para serem rasgados e queimados. O número de
sinagogas total ou parcialmente destruídas varia,
dependendo de diversos relatos e estatísticas,
chegando a mais de mil. Os bombeiros não atendiam
a chamados, apenas atuavam onde prédios vizinhos
ficavam expostos ao perigo do fogo. Judeus que tentavam
acudir eram ameaçados ou surrados e assassinados.
Lojas foram quebradas, queimadas e saqueadas. Residências
foram invadidas. Móveis e objetos voavam pelas
janelas. Pianos se estatelavam pelas calçadas,
se não roubados. Louças e outros objetos,
de valor ou decorativos e de estimação,
igualmente quebradas se não roubados. Famílias
expulsas de suas residências, expropriadas para
ocupação de outros. Dezenas de milhares
de homens procurados em suas residências e levados
para campos de concentração, dos quais
muitos jamais voltaram. Pessoas na rua eram agredidas,
chutadas, obrigadas a escovar o chão, humilhadas
de toda maneira possível, enquanto a multidão
assistia, gritando e rindo. Sorrisos de satisfação
viam-se em muitos que, calados assistiam. Na Kristallnacht
foi usada a estratégia de Hitler segundo a qual
muitas ordens eram apenas dadas verbalmente ou mesmo
insinuadas aos seus homens de confiança que deduziam
os desejos do Führer. Na história de todo
o terror nazista não podemos esquecer que sempre
houve aqueles, ditos arianos, que se recusavam a participar
da barbárie. Protestavam e ajudavam onde podiam,
muitos pagando com a vida e até mesmo se suicidando
com o desgosto pelo que acontecia! Precisamos compreender
a humilhação, pavor e dor pela qual passaram
todas as vítimas do regime nazista, antes e depois
da Kristallnacht. Pessoas que com orgulho se sentiam
parte tão integrante de tudo que era alemão.
A dor da humilhação acompanhou pelo resto
da vida e ainda acompanha aqueles que conseguiram sobreviver.
A história dos judeus alemães é
uma longa saga de luta pelos direitos à cidadania
que a partir do século dezoito toma um impulso
positivo, no entanto com constantes progressos e retrocessos,
tanto no âmbito das leis quanto na atitude do
povo alemão em geral. Mas os progressos eram
maiores do que os retrocessos e os judeus alemães
das últimas décadas haviam chegado a uma
posição de plenos direitos, de cidadania
e integração plena e de situação
econômica localizada na classe média e
classe média/alta. O discurso sobre a riqueza
excepcional dos judeus alemães é desinformação,
e embora chegassem a possuir 2% dos bancos (contra 0.9%
de participação populacional) e alcançassem
grande sucesso na indústria, no comércio
e nas profissões liberais, não tinham
participação nas grandes indústrias
como óleo, aço, material bélico
etc. Participavam da vida política, preocupados
com os destinos da Alemanha, eram ativos e muitas vezes
lideravam e apoiavam financeiramente instituições
de ação social, cultural, hospitalar e
outras. A integração social entre pessoas
das diversas religiões era ótima. Maciçamente
os judeus se fizeram representar como soldados da I
Guerra Mundial. Haviam conquistado o direito de serem
cidadãos alemães de crença judaica
(referência 2, veja no final do artigo). Uma grande
maioria vivia na Alemanha há cinco ou mais séculos,
sem terem pista na sua história familiar de origens
fora do território alemão.
Lembrando o trecho que inicia esse texto, os judeus
na Alemanha haviam percorrido um longo caminho de sofrimento
no passado e de grandes conquistas onde nada nos últimos
mil anos lhes indicava que algo como a barbárie
nazista poderia acontecer. É com estes olhos
que devemos analisar a reação daqueles
que vivenciaram e tiveram que tomar decisões
de vida ou morte diante do nazismo. Segundo as estatísticas,
em 1933 havia na Alemanha 503.000 pessoas pertencentes
à religião judaica, ou 0.9% da população.
Pouco mais da metade havia emigrado em finais de 1938.
Nos primeiros anos ainda havia uma relativa facilidade
de obtenção de vistos para a maioria,
pois possuíam passaporte alemão. É
sabido que com os anos as restrições foram
aumentando e não houve concessões especiais
por parte das nações do mundo, para receber
um número maior de refugiados. Pior, os vistos
em sua maioria não concediam o direito ao trabalho.
É importante lembrarmos que nas circunstancias
históricas da época, não era previsível
o que hoje sabemos ter acontecido. Era comum e razoável
a esperança em um final do regime nazista poucos
meses adiante, esperança partilhada e verbalizada
discretamente por muitos amigos e vizinhos arianos.
Tentar agüentar até o final era uma atitude
razoável. A emigração era fácil
apenas para aqueles, geralmente bem jovens, que não
traziam consigo, dependentes. No entanto tinham de tomar
a decisão de se separar de pais, avós
e irmãos. E que arriscada seria a decisão
de emigrar sem visto de trabalho, para aqueles que deveriam
levar pais que não recebiam vistos ou filhos
pequenos, sem que se soubesse da possibilidade de prover
um pedaço de pão para estes, desde o primeiro
dia em terra estrangeira! Eram poucos os que possuíam
valores que lhes garantissem uma subsistência
pelo menos no início da emigração.
Era difícil, também, avaliar a hora de
se desfazer (e a preços aviltados) dos eventuais
bens imóveis e negócios que haviam sido
conquistados durante gerações, com muito
trabalho.
Grande influência na decisão de emigrar
também dependia de como, entre os anos 33 e 38,
a pessoa era individualmente afetada, desde pela hostilidade
ou demonstração de amizade do vizinho
ariano, até a condição do emprego,
de algum ataque pessoal sofrido, de um apedrejamento
em sua casa. As exceções favoráveis
que aconteciam na vida de alguns, dependendo de amizades
úteis ou mesmo de uma posição que
interessasse ao regime, e também dependendo da
região ou cidade em que se vivia, tanto quanto
as ordens indiretas dadas pela liderança nazista
sem que houvesse confirmação por escrito,
adicionavam à confusão e provocavam uma
compreensão muito variada daquilo que estava
acontecendo. O regime nazista preocupava-se com a reação
internacional às suas escaladas de violência.
A falta de uma atitude positiva que pudesse freiá-los
deu-lhes a liberdade de avançarem nos seus objetivos
muito além da Alemanha e muito além do
problema com os judeus. Da mesma maneira, está
claro que, uma reação interna por parte
da população alemã em geral, também
poderia ter desviado o rumo do movimento hediondo que
se construiu. Não é necessário
sermos psicólogos para constatarmos através
do que aconteceu ali, a capacidade do ser humano para
perpetrar o mal. A reflexão constante será
a única maneira de tirarmos lições.
A indiferença diante do sofrimento do próximo,
e daquele que não é tão próximo,
continua inalterada entre nós, os seres humanos.
Para nosso aprendizado, como judeus, fica principalmente
a importância da existência do Estado de
Israel. É por causa do Estado de Israel que podemos
ser cidadãos orgulhosos de qualquer nação
em que vivemos pois o somos por escolha e não
por necessidade. O Estado de Israel é o nosso
esteio através do qual jamais passaremos pela
humilhação em que se viram os nossos antepassados.
Faz-se necessária uma reflexão continuada
e ininterrupta que ajude a fortalecer cada vez mais
o Estado de Israel.
Referências
1) Die Judenverfolgungen in Speyer, Worms und Mainz
im Jahre 1096 während des ersten Kreutzzuges, Moses
Mannheimer, Darmstadt 1877
2) Deutsche Bürger jüdischen Glaubens
Bibliografia:
1) Arad, Gutman & Margaliot
“El Holocausto en Documentos”
Ed. Yad Vashem – Instituto do Holocausto
Jerusalem, Israel, 1996
2) Arnsberg, Paul
“Die Geschichte der Frankfurter Juden”
Seit der Französichen Revolution
Ed. Eduard Roether, 1983, Darmstadt, Alemanha.
3) Friedländer, Saul
“Nazi Germany and the Jews”
1933-1939
Harper Collins Publ., 1997, New York, N.Y., U.S.A.
4) Meyer, Michael A.
“Response to Modernity”
A history of the Reform Movement in Judaism
Oxford University Press, 1988, New York, N.Y., U.S.A.
5) Depoimentos Orais de testemunhas.
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Brasil
e Irã: relações perigosas?
Abraham
Goldstein, co-presidente da B'nai B'rith do Brasil
A
visita do Ministro das Relações Exteriores
Celso Amorim ao Irã vai além do estreitamento
dos laços comerciais. A visita tem sido acompanhada
por uma comitiva de empresários com o objetivo
de reforçar o comércio entre os países.
Fato louvável e que todo governante deveria se
preocupar constantemente, além de atuar para
manter o seu país estruturalmente competitivo
e com adequado nível educacional. Acontece que
o Presidente Iraniano Sr. Mahmoud Ahmadinejad declarou
a sua intenção e objetivo de destruir
o Estado de Israel, um país legitimamente constituído
e a única democracia atuante no Oriente Médio.
Financia o movimento terrorista Hezbollah, situado no
Líbano e apóia econômica e politicamente
outros movimentos de caráter fundamentalista
islâmico.
O Irã é acusado formalmente pela Argentina
pelo atentado à AMIA – Associação
Mutual Israelita Argentina, e à Embaixada de
Israel que deixou centenas de mortos e feridos. O Irã
tem se aproveitado dos desejos de alguns mandatários
e seus assessores de confrontar os Estados Unidos e
estabelecido relações “perigosas”
para a democracia de nossa região latino-americana.
O governo iraniano hoje persegue as minorias religiosas
como os bahai`s que são presos e torturados e
considera crime, condenado com a morte, a conversão
de um muçulmano ao catolicismo ou a qualquer
outra religião. A política do pragmatismo
econômico, a expansão dos negócios,
não pode fechar os olhos à esta realidade.
O Brasil democrático e pluralista não
tem porque não sustentar e promover os seus grandes
valores de uma sociedade integradora e promotora da
Paz.
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Relação
Brasil e Irã
Pronunciamento
feito pelo deputado federal
Marcelo Itagiba na tribuna do plenário da Câmara
dos Deputados
Venho
à tribuna desta Câmara dos Deputados para
manifestar a minha indignação com a visita
do chanceler brasileiro Celso Amorim ao Irã.
Pensei que a imagem estampada recentemente na imprensa
do encontro do presidente Lula com o presidente do Irã,
em setembro, durante a Assembléia Geral da ONU,
tivesse sido meramente um triste e inevitável
encontro protocolar. Afinal, eu jamais poderia imaginar
que aquele encontro, na verdade, viesse a se constituir
em uma visita oficial do nosso chanceler a um país
cujo presidente, além de pretender negar a ocorrência
do Holocausto, que matou mais de seis milhões
de seres humanos judeus, vem também propugnando
a extinção do Estado de Israel.
Ou seja, não satisfeito em negar o genocídio
de milhões, Mahmoud Ahmadinejad, com suas declarações,
deseja realizar um segundo Holocausto. Tenho grande
respeito pelo Itamaraty, pelos seus membros e por suas
propostas de política externa independente, mas
não posso admitir que alguns atuem a Chamberlain,
primeiro ministro inglês, que com a sua pouca
visão permitiu o fortalecimento do nazismo e
a II Guerra Mundial. Não podemos permitir que
a política externa brasileira atue como alguns
diplomatas que, durante o Estado Novo, por trás
de seus bigodinhos e suas suásticas tatuadas
no peito, apoiavam o nazi-facismo e elaboravam resoluções
reservadas que impediram a entrada, em nosso país,
de refugiados judeus que acabaram massacrados na Europa.
Como política externa, prefiro a do Itamaraty
que apoiou a criação do Estado de Israel
(fonte: Rua Judaica).
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Noite
dos cristais
Jane
Bichmacher de Glasman, escritora, doutora
em Língua Hebraica, Literaturas e Cultura Judaica
- USP,
fundadora e ex-diretora do Programa de Estudos Judaicos
da UERJ
A
Noite de Cristal (em alemão Reichskristallnacht
ou simplesmente Kristallnacht) é o nome dado
aos atos de violência que ocorreram na noite de
09 de novembro de 1938 em diversas partes da Alemanha
e da Áustria, então sob o Terceiro Reich.
O nome deriva dos cacos de vidro (das vitrinas das lojas,
dos vitrais das sinagogas, etc.) resultantes deste episódio
de violência racista. Foram chacinados judeus
alemães e centenas deles enviados para campos
de concentração. A Noite dos Cristais
foi o único pogrom em larga escala ocorrido nas
cidades da Alemanha durante todo o Holocausto. No dia
09 de novembro de 1938 havia duas faixas numa das entradas
da Universidade da cidade alemã de Erlangen:
a de cima, proibia a entrada de judeus; a de baixo,
um apelo ao recrutamento para o partido nazi.
Em 07 de Novembro de 1938, um jovem judeu polonês
de 17 anos, Herschel Grynszpan, atirou em Ernst von
Rath, um funcionário de baixo escalão
na embaixada alemã em Paris. Dias antes, Grynszpan
havia recebido uma carta de sua irmã contando-lhe
que ela, seus pais e milhares de outros judeus poloneses
que viviam na Alemanha haviam sido expulsos sem aviso
prévio. Na noite do dia 9 de novembro, Hitler
recebeu um telegrama anunciando a morte de Rath. Os
nazistas culparam o “Judaísmo Mundial”
pelo assassinato e, ostensivamente como represália,
desencadearam um pogrom em massa contra os judeus dentro
do Terceiro Reich. Hitler pediu a Goebbels, seu chefe
de propaganda, que retaliasse com um ataque contra os
bens dos judeus.

A
ordem era clara: os SA (Tropas de assalto) deveriam
vestir-se à paisana para que parecesse um movimento
espontâneo de uma população em fúria
contra os judeus. Por toda a Alemanha e territórios
sob ocupação Nazi, cobertos pelas sombras,
milhares de judeus foram presos e encaminhados para
campos de concentração. O progrom foi
especialmente destrutivo em Berlim e Viena. A maioria
das sinagogas foi destruída e saqueada. Lojas,
sinagogas e lares foram incendiados, à vista
dos bombeiros e da população. Vitrines
de 7.500 lojas judias foram quebradas e a mercadoria
levada. Cemitérios judaicos foram violados. Homens
da SA que percorriam as ruas atacando judeus mataram
ao redor de 100 pessoas. Não foi ninguém,
ninguém viu. Era noite!... Os incêndios
chocaram uma parte da população, mas não
o fato de que os judeus tivessem sido atacados fisicamente.
Para culminar o ultraje, a autoridade nazista cobrou
uma multa aos judeus de um bilhão de marcos (em
torno de 400 milhões de dólares em 1938)
pelas desordens e prejuízos dos quais foram eles
vítimas.Nos dias seguintes, muitos judeus abandonaram
a Alemanha. Não havia dúvidas, a matança
começara. Uma parte dos que conseguiram fugir
a tempo foi para a Palestina, território então
sob domínio inglês – onde muitos
mais já tinham procurado abrigo logo depois de
Hitler ter chegado a chanceler, em 1933.

Nas
semanas seguintes, o governo alemão promulgou
dezenas de leis e decretos com o objetivo de privar
os judeus de suas propriedades, dos meios para ganhar
a vida e excluí-los de toda participação
na vida social pública. Leis foram promulgadas
para forçar a transferência a proprietários
não judeus de todas as empresas de propriedade
judaica, por uma fração de seu valor real.
As escolas judaicas foram fechadas, e as crianças
judias que freqüentavam as escolas alemãs
foram expulsas. Os judeus foram proibidos de exercer
a maior parte das profissões. Proibiu-se também
que fossem proprietários de automóveis,
suas licenças de dirigir foram retiradas e seu
acesso aos meios de transporte público foi enormemente
limitado. Proibiu-se também que os judeus freqüentassem
lugares públicos de lazer, ou assistissem a peças
de teatro, cinema ou concertos. Kristallnacht marcou
o começo da erradicação sistemática
de um povo que havia chegado à Alemanha na época
dos romanos e foi um prenúncio sinistro do Holocausto
que se seguiria. Foi mais do que a destruição
de sinagogas - foi um divisor de águas, que marcou
o momento em que a Alemanha renegou os padrões
europeus de comportamento moral aceitáveis.
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A
posição israelense sobre
as atividades terroristas
na Faixa de Gaza
Embaixada
de Israel no Brasil
As
Forças de Defesa de Israel (F.D.I.), realizaram
uma operação para abortar um plano do
Hamas de seqüestrar soldados usando um túnel
da Faixa de Gaza para dentro do território israelense.
As F.D.I. interditaram um ataque semelhante àquele
em que Gilad Shalilt foi seqüestrado há
dois anos e meio. A operação recente das
F.D.I. foi limitada a um parâmetro de segurança
definido com precisão e, após sua conclusão,
as Forças de Israel deixaram a Faixa de Gaza.
Israel vê com gravidade a política do Hamas
de continuar a planejar ataques terroristas contra Israel
enquanto mantém um pretenso estado de calma.
Israel culpa o Hamas por todo o terrorismo proveniente
da Faixa de Gaza e continuará a tomar ações
determinadas para se defender como também a seus
cidadãos de qualquer ataque terrorista. As ações
do Hamas constituem uma clara violação
dos acordos obtidos com o Egito concernentes ao estado
de calma e visam minar o processo de negociação
entre Israel e a Autoridade Palestina. Independente
da tentativa do Hamas de escavar um túnel para
dentro de Israel para tentar seqüestrar um soldado,
Israel tem interesse em preservar e manter o estado
de calma. Os ataques de foguetes e morteiros às
comunidades israelenses ao oeste do Negev, constituem
uma latente violação da calma por parte
do Hamas e representam uma continuação
de sua política de terrorismo contra civis inocentes.
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